} Crítica Retrô: A Princesa e o Plebeu

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Thursday, November 16, 2017

The Brave One (1956) and Dalton Trumbo’s braveness

Quando eu assisti a “Trumbo – Lista Negra” (2015), eu senti muita raiva. Eu tive raiva da hipocrisia, da falsa moral, da asquerosa tentativa dos conservadores de “limpar Hollywood” – e de como eles destruíram vidas com esta caça às bruxas. Sim, Dalton Trumbo pode ter ganhado dois Oscars mesmo estando na lista negra, mas vemos na cinebiografia que as consequências de seu exílio foram devastadoras, e nenhuma estatueta dourada poderia remediá-las.

When I watched “Trumbo” (2015), I felt more rage than anything else. I was angry at the hypocrisy, the fake morals, the disgusting attempt of conservatives to “clean Hollywood” – and how they destroyed lives with the witch hunt. Sure, Dalton Trumbo may have won two Oscars even when he was blacklisted, but we see in the biopic that the consequences of his blacklisting were devastating, and no gold statue could cure them.
Dalton Trumbo entrou na lista negra em 1947. Ele era um dos ‘10 de Hollywood’ que se recusaram a testemunhar perante o Congresso e delatar colegas para serem perdoados. Naquela época, ele já havia sido indicado a um Oscar”, pelo roteiro de “Kitty Foyle” (1941). E naquela época, ele já havia passado por problemas: em meados dos anos 1930 a Warner cancelou o contrato de Trumbo quando ele se recusou a sair do Sindicato dos Roteiristas – fundado e administrado por escritores que seriam também colocados na lista negra – e ir para outro sindicato.

Dalton Trumbo was blacklisted in 1947. Trumbo was one of the ‘Hollywood ten’ who refused to testify before Congress and name names in order to be acquitted. By that time, he had already been nominated for one Oscar, for his screenplay of “Kitty Foyle” (1941). And by that time, Trumbo had already had problems: in the mid 1930s Warner Bros cancelled his contract when he refused trading his membership in the Screen Writers Guild – created and ran by fellow would-be-blacklisted writers – for another guild.
Depois de passar 11 meses preso no Kentucky, Dalton Trumbo e sua família se mudaram para o México, para onde outros roteiristas na lista negra também foram. Lá era um lar fora de casa. Trumbo continuou escrevendo e vendendo histórias para o cinema – através de pseudônimos e outros subterfúgios.

After spending 11 months in a prison in Kentucky, Dalton Trumbo and his family moved to Mexico, where other blacklisted screenwriters also went to live. There was home outside of the homeland. Trumbo kept writing screenplays and motion picture stories and selling them to Hollywood – by using fronts, pseudonyms and other tricks.
Em 1953 ele escreveu a história de “A Princesa e o Plebeu”. Ele não pôde ser creditado, por isso seu amigo, o roteirista Ian McLellan Hunter, assinou o roteiro. No Oscar, ele competiu contra o filme de guerra “Seu Nome e Sua Honra”, a comédia “As Chaves do Paraíso”, “O Pequeno Fugitivo” e o faroeste “Hondo”, que mais tarde teve a indicação retirada. A deliciosa história de “A Princesa e o Plebeu” ganhou o prêmio. Três anos depois, Trumbo repetiu a dose.

In 1953 he wrote the motion picture story of “Roman Holiday”. He couldn’t be credited, so his friend, screenwriter Ian McLellan Hunter, was used as a front for his work. At the Oscars, he competed against the war film “Above and Beyond”, the comedy “The Captain’s Paradise”, “The Little Fugitive” and the western “Hondo”, who later had its nomination withdrawn. The delightful story for “Roman Holiday” won the prize. Three years later, Trumbo did it again.
O filme “Arenas Sangrentas” (1956) é sobre um menino, Leonardo (Michel Ray) e seu amado touro de estimação, chamado Gitano (‘cigano’ em espanhol). Leonardo tenta salvar seu touro das arenas sangrentas das touradas, onde o animal enfrentará um toureiro veterano. É um filme B feito pelos irmãos King, que também produziram “Mortalmente Perigosa” (1950). Dá para ver como o filme foi ‘barato’ pela baixa qualidade das cenas noturnas. O filme foi gravado no México, sendo a maioria dos atores mexicanos.

The film “The Brave One” (1956) is about a young boy, Leonardo (Michel Ray) and his beloved pet bull, called Gitano (Spanish for ‘gypsy’). Leonardo tries to spare his bull from going to the killing arenas and being killed by a master bullfighter. It’s a B-movie made by the King Brothers, who also produced the noir “Gun Crazy” (1950). The cheapness of the film can be seen especially in night scenes. It was shot in Mexico, with mostly Mexican actors. 
Em 1957, Trumbo derrotou Celso Zavattini, que escreveu o filme neorrealista italiano “Umberto D”… e Jean-Paul Sartre. Ambos os filmes, “Umberto D” e “Os Orgulhosos”, eram do começo dos anos 50 – respectivamente 1952 e 1953 – mas só estrearam em Los Angeles em 1956. Um filme chamado “Alta Sociedade” também foi indicado, mas sua indicação foi cancelada porque a Academia o confundiu com o musical de mesmo nome, estrelado por Grace Kelly e Frank Sinatra.

In 1957, Trumbo won his Oscar over Celso Zavattini, who penned the Italian neorealist film “Umberto D”… and Jean-Paul Sartre. Both movies, ‘Umberto D” and “Les orgueileux”, were released in the early 1950s – respectively in 1952 and 1953 – but only released in Los Angeles in 1956. A movie called “High Society” was also nominated, but its nomination was withdrawn because the Academy mistook it with the Grace Kelly / Frank Sinatra musical of the same name.
Arenas Sangrentas” é ‘baseado em uma história de Robert Rich’. Quando ele ganhou o Oscar, Jesse Lasky Jr, então vice-presidente do grupo de roteiristas do Sindicato dos Escritores, recebeu o prêmio. Depois da cerimônia, o que todos queriam saber em Hollywood era: quem realmente é Robert Rich? Um homênimo – e sobrinho dos irmãos King – foi a público dizer que ele não havia escrito a história. O mistério começava.

The Brave One” is ‘based on a story by Robert Rich’. When he won the Oscar, Jesse Lasky Jr, then the vice-president of the Screenwriters branch of the Writers Guild, accepted the award. After the ceremony, what everything in Hollywood wanted to know was: who really is Robert Rich? A man with that name –and nephew of the King brothers – went public to say that he hadn’t written the story. The game was afoot.


Numa entrevista para um jornalista de Los Angeles pouco mais de um mês depois da cerimônia do Oscar, Trumbo respondeu assim quando perguntado se havia escrito a história de “Arenas Sangrentas”: ‘talvez sim, talvez não’. O Oscar de 1957 foi o último a ter a categoria de Melhor História Original. Trumbo estava, obviamente, se divertindo e sentindo o gosto de uma pequena vingança com o alvoroço que estava criando na mesma Hollywood que o havia expulsado.

In an interview to a Los Angeles journalist a little over a month after the Oscars ceremony, Trumbo answered this way when asked if he had written the story for “The Brave One”: ‘maybe I did, maybe I didn’t’. The 1957 Oscar ceremony was the last one to have the Best Writing – Motion Picture Story category. Trumbo was, of course, having fun and a small revenge with the little uproar he caused in the Hollywood that had expelled him.
Trumbo (2015)
Em 1959, Trumbo finalmente confessou que era responsável por “Arenas Sangrentas”. Logo depois, o diretor Stanley Kubrick e o ator e produtor Kirk Douglas insistiram que Trumbo fosse creditado em “Spartacus”. No ano seguinte, ele foi de fato devidamente creditado pela primeira vez em 13 anos, por seu trabalho em “Exodus”, de Otto Preminger. Entre “Arenas Sangrentas” e 1960, três outros escritores na lista negra ganharam o Oscar, e a ausência deles foi um sinal de vergonha para Hollywood. Acabava a lista negra.

In 1959, Trumbo finally confessed that he was responsible for “The Brave One”. Right after, director Stanley Kubrick and actor/producer Kirk Douglas insisted on having him credited in “Spartacus”. The following year, he was properly credited for the first time in 13 years, for his worked in Otto Preminger’s “Exodus”. Between “The Brave One” and 1960, three other blacklisted writers had won the Oscar and their absence was a sign of shame for Hollywood. The blacklist was over.



Ao contrário do que o trailer diz, “Arenas Sangrentas” não é inesquecível por causa da performance de Michael Ray – que é apenas OK – mas por causa da história de Trumbo. “Arenas Sangrentas” é sobre perdão e sobre considerar a opinião da maioria – e tudo isso é muito simbólico para um filme que foi a primeira peça na destruição da lista negra.

Contrary to what the trailer says, “The Brave One” is not unforgettable because of Michel Ray’s performance – which is just OK – but because of Trumbo’s story. “The Brave One” is about forgiveness and listening to the opinion of the majority – and all that is very symbolic for a movie that was the first piece to destroy the blacklist.


This is my contribution for Banned and Blacklisted, the Fall 2017 CMBA Blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

Saturday, December 5, 2015

A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday (1953)

Se você gosta de filmes antigos, já deve ter passado por esta situação: na ânsia de compartilhar sua paixão com as pessoas ao seu redor, recebeu como resposta uma careta e a recusa veemente de parar para ver um filme “velho”, em preto e branco. Este preconceito com o cinema clássico é infundado e frustrante, porque quem não dá uma chance para um filme “pré-histórico” está dando as costas para um mundo maravilhoso. Então, como você, evangelizador do cinema clássico, poderia trazer mais adeptos para o modo de vida Old Hollywood? Por onde começar?

Deixe-me contar um segredo: o amor pelo cinema não é genético. Embora meu bisavô tenha sido gerente de cinema, meu avô não perca um filme de John Wayne e minha avó seja fissurada por Bruce Willis e CinemaScope (não nesta ordem), o gene cinéfilo pulou uma geração. Minha mãe é uma pessoa totalmente normal, que não gosta de filmes em preto e branco. Mas ela é uma boa mãe, e por isso foi com um misto de surpresa e alegria que eu reagi quando ela aceitou assistir a “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” comigo. 
A princesa Ann (Audrey Hepburn) está entediada com os muitos compromissos oficiais e burocráticos de sua visita a Roma. Ela quer mesmo é se divertir, e para isso foge no meio da noite, logo encontrando o repórter Joe Bradley (Gregory Peck). A princípio, Joe não a reconhece, até que seu colega fotógrafo Irving (Eddie Albert) mostra uma foto da princesa, e é aí que começa a aventura, e também o dilema moral: Joe deve aproveitar a companhia da princesa disfarçada para conseguir um grande furo de reportagem? 


A princesa Ann se assemelha muito mais à Audrey da vida real do que a mais famosa personagem da atriz, a acompanhante de luxo Holly Golightly de “Bonequinha de Luxo / Breakfast at Tiffany’s”, de 1961. Ann é doce e aventureira, cheia de classe e divertida, bondosa e determinada, delicada e moleca. E é com adjetivos tão diferentes que podemos descrever Audrey Kathleen Ruston, a menina que nasceu na Bélgica, passou fome durante a Segunda Guerra Mundial, virou bailarina e atriz de teatro, brilhou em Hollywood e tornou-se embaixatriz da UNICEF.

 
Há muito mais no filme do que suspeita nossa vã filosofia: encapsulado no roteiro está uma das histórias mais importantes e indignantes de Hollywood: a do roteirista Dalton Trumbo. Em 1947, Trumbo foi acusado de ser comunista e, apesar de continuar contribuindo com bons roteiros para o cinema, não podia ser creditado. Ele então usava pseudônimos ou deixava que algum de seus amigos recebesse crédito pelo seu trabalho. O roteiro de “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” foi assinado por Ian MacLellan Hunter, e recebeu o Oscar de Melhor Roteiro Original (veja no vídeo abaixo). Em 1993, a viúva de Trumbo finalmente recebeu a estatueta que lhe era devida. Dez anos depois o nome de Trumbo foi adicionado aos créditos. E apenas em 2011 o Sindicato dos Roteiristas devolveu o crédito a Trumbo, após um apelo que o filho dele, o também roteirista Christopher Trumbo, fez antes de morrer.

Filmado totalmente em locação, “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” se torna um perfeito roteiro para férias em Roma, com destaque para todos os pontos turísticos importantes. Afinal, quem, depois de ver todas as maravilhas na tela, não quis ir ver pessoalmente os cafés italianos, as escadarias, as fontes e a carranca esculpida na pedra? Até a Via Margutta 51, endereço de Joe Bradley, realmente existe em Roma. Curiosamente, o filme foi feito em preto e branco não apenas para diminuir os custos, mas também para impedir que a bela paisagem italiana chamasse mais atenção que a história em si. Esta foi a primeira produção de Hollywood filmada totalmente em Roma.

Confissão: já imitei esta cena com o canudo
 
Como é possível apreciar um filme em preto e branco? Acredito que o grande trunfo do bom cinema é contar uma história tão boa que você esquece que está vendo um filme em preto e branco – a fotografia “bicromática” se torna apenas um detalhe de algo muito maior e mais significativo. Filme algum deve ter sua qualidade julgada pela presença ou ausência de cores. “Casablanca” e “Cidadão Kane” não seriam melhores se fossem coloridos, e “E o Vento Levou... / Gone With the Wind” não seria pior se fosse filmado em preto e branco.


E quanto à minha mãe, você se perguntam? Ela gostou do filme! Depois da sessão, ela destacou a beleza de Gregory e Audrey (sem contar que as roupas e o penteado da princesa são moderníssimos) e a despretensão do filme. Sem querer passar uma mensagem, o filme conquista o espectador. Sem ter de apelar para vulgaridades ou humor baixo, “A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday” dá a quem não está acostumado com os clássicos uma introdução sobre tempos mais simples – quando era possível sair do cinema com um sorriso no rosto e a alma mais leve.

This is my contribution to the “Try It, You'll Like It!” Blogathon, hosted by classic film ambassadors Fritzi at Movies, Silently and Janet at Sister Celluloid. Alert: classic film viewing may cause addiction.

Friday, June 7, 2013

Cinecittà: Hollywood vai a Roma

Se houve outra fábrica de sonhos que em algum momento rivalizou com Hollywood, esta foi a Cinecittà. Na década de 1950, em especial, ela foi inclusive o destino preferido dos mestres americanos para filmar produções que marcaram a história, ou seja, ela foi até preferida em relação aos estúdios dos Estados Unidos e sua infraestrutura privilegiada. Obviamente, os custos mais baixos para se filmar na Itália foram os grandes atrativos de um lugar que tem muitas histórias, reais ou fictícias, para contar.
A Cinecittà surgiu de uma tragédia, um incêndio que em 1935 destruiu boa parte dos amiores estúdios da Itália. Em 1937, ditador fascista Benito Mussolini fez da Cinecittà parte de um plano presente em quase todos os governos totalitários: o investimento pesado em propaganda. Nada na Itália se compara aos filmes propagandistas rodados por Eisenstein na Rússia ou por Leni Riefenstahl na Alemanha (não que os filmes de ambos estejam no mesmo patamar). O arquiteto Freddi usou as influências mais modernas da época para criar um estúdio que, em seus primeiros anos, pouco funcionou e logo foi vítima da guerra. A Cinecittà foi tomada pelos alemães em 1943, com as filmagens mudando-se para Veneza, e os estúdios foram bombardeados pelos Aliados.
Um dos melhores retratos dessa época é o documentário italiano de 2009 “Hollywood às margens do Tibre” (“Hollywood sul Tevere” no original). Essa excelente produção foca as fontes italianas, em especial as reportagens com astros e estrelas que chegavam a Roma para trabalhar ou mesmo passar férias. Assim, o ponto alto do documentário é a cobertura do casamento de Tyrone Power com Linda Christian, que aconteceu na Itália em 1949 e mobilizou grande parte da elite cinematográfica. Outros astros que passaram pela Itália sem necessariamente trabalhar na Cinecittà foram Charles Chaplin e Greta Garbo, e o documentário apresenta imagens raras desses dois ícones em solo italiano.
Sem dúvida a Cinecittà está mais intimamente ligada aos épicos e a Federico Fellini. “Quo Vadis?” (1951), em que Sophia Loren atuou como figurante, Ben-Hur” (1959), “El Cid” (1961) e "São Francisco de Assis" (1961) foram todos filmados no complexo de estúdios, com a presença de milhares de extras, toneladas em figurinos e cenários e outros exageros. Aliás, enquanto “Ben-Hur” era filmado na parte principal do estúdio, Fellini usava os fundos da Cinecittà para rodar sua obra-prima “Oito e Meio” (1960). Em um dos últimos filmes de Federico, “Entrevista / Intervista” (1987) podemos ver bem o funcionamento do local conforme um grupo de jornalistas atravessa os estúdios para conversar com o grande diretor. Em outro de seus filmes, “E la nave va” (1983), Felini já apresenta, na cena final, um pouco dos truques mecânicos da Cinecittà. Hoje, aliás, há uma parte dos velhos estúdios dedicados à memória do mestre, com vários de seus pertences, além de muitos figurinos de seus filmes estarem em exibição no museu do estúdio.  
Outro grande sucesso filmado na Cinecittà foi “A princesa e o plebeu / Roman Holiday” (1953), que marcou o início do amor de Audrey Hepburn pela capital italiana. Audrey visitou várias vezes a cidade, fosse com seu primeiro marido, Mel Ferrer, com quem contracenou em “Guera e Paz” (1956), rodado na Cinecittà, ou com seu segundo marido, o psiquiatra (italiano) Andrea Dotti. Várias fotos da linda moça na capital italiana, dentro e fora da Cinecittà, aparecem no livro recém-lançado, “Audrey in Rome”.
Os sets magníficos e enormes construídos na Cinecittà podem ser bem observados em “Era uma vez no Oeste” (1968) e “Lawrence da Arábia” (1962), mesmo sendo várias cenas do último filmadas em locação na Espanha. Sergio Leone, aliás, rodou várias de seus westerns nos estúdios. A decadência da Cinecittà como paraíso americano começou com as várias confusões da multimilionária produção “Cleópatra” (1963), que, curiosamente, começou a ser filmada no inverno de Londres, mas uma pneumonia de Elizabeth Taylor obrigou a mudança de ares para Roma. Um figurante distribuindo sorvete para seus amigos na cena da triunfal apresentação de Cleópatra não apenas enfureceu o diretor Joseph L. Mankiewicz, mas mostrou como a Cinecittà começaria a ficar diferente, mais cara e menos atraente para os americanos.
Por várias vezes a Cinecittà esteve à beira da falência, afundada em dívidas. Hollywood voltou a olhar com mais carinho para ela nos últimos tempos,  com trabalhos lá filmado como "Gangues de Nova York" (2002) e o seriado "Roma". Scorsese, um cineasta cinéfilo, se mostrou muito satisfeito em filmar em um local com tanta história, onde foram rodados 48 ganhadores do Oscar. "A condessa descalça" (1954), "A pantera cor-de-rosa" (1963), "O poderoso chefão / The godfather" (1972) e "O último imperador" (1987) têm todos algo em comum: foram feitos na fábrica de sonhos italiana.
This is my first contribution to the Italian Film Culture Blogathon, hosted by the Nitrate Diva. Arrivederci!

Tuesday, August 28, 2012

Cinco filmes e uma só fonte


Dependendo de para onde você for viajar nas férias, pode ser que uma das atrações seja uma fonte, daquelas em que se joga uma moedinha e se faz um pedido, de águas coloridas ou com belas esculturas ao redor.
Minha cidade é famosa pelas águas termais e medicinais e, para sustentar o título de estância hidromineral, não poderiam faltar fontes. Minha avó conta que nos jardins, antigamente, a música acompanhava a mudança de cores da fonte e os casais iam para lá dançar. O toque de recolher era a canção As Time Goes By.
Muito mais famosa que as fontes da minha terra é a Fontana de Trevi, em Roma, que foi construída em 1732. “Trevi” vem de “tre vie”, pois a fonte se localiza na junção de três ruas. Como uma apaixonada pela Itália, admiro a arquitetura e conheço bem a fama dessa fonte. E não sou só eu que tenho consciência da importância dela: os cineastas também a adoram.  

A Fonte dos Desejos / Three Coins in the Fountain (1953): Três americanas vivendo na Itália jogam moedinhas na fonte, desejando romance. Maria (Maggie McNamara) acaba conhecendo um príncipe (Louis Jordan), e Anita (Jean Peters) um proletário de bom coração (Rossano Brazzi). Só Frances (Dorothy McGuire), secretária de um escritor (Clifton Webb) parece não ter muita sorte... Ou não perceber a sorte que tem.
A Princesa e o Plebeu / Roman Holiday (1953): Enquanto a princesa Ann (Audrey Hepburn) corta seu cabelo perto da fonte, o jornalista Joe Bradley (Gregory Peck) tenta roubar uma câmera de uma criança.
 A Doce Vida / La Dolce Vita (1960): Se você tem uma vontade louca de entrar de roupa e tudo numa fonte, a culpa deve ser deste filme. Numa cena icônica, Anita Ekberg entra na Fontana à noite, com seu belo vestido preto e cabelo loiro esvoaçante. Marcello Mastroianni volta de uma caçada noturna a uma garrafa de leite e sente profunda vergonha pela cena, indo tirar a moça das águas. Depois de um bom tempo esperando a água da fonte ser limpa, Fellini ainda teve de esperar Mastroianni vestir uma roupa de banho embaixo do terno e beber uma garrafa de vodka para ter coragem de entrar na fonte no frio do inverno italiano. Quando Marcello faleceu, em 1996, as luzes da fonte se apagaram em sua homenagem.
 Elsa e Fred (2005): O viúvo Fred (Manuel Alexandre) reencontra a alegria de viver ao conhecer a animada Elsa (China Zorrilla), uma simpática velhinha cujo sonho é viajar para Roma e recriar a cena de “A Doce Vida”.
Quando em Roma / When in Rome (2009): Se dá sorte jogar uma moeda na Fontana, o que aconteceria se alguém tirasse uma moeda de lá? Consta que 3000 euros são jogados na fonte todos os dias, então a americana Beth (Kristen Bell) não vê problema em tirar algumas moedas. A partir daí uma série de pretendentes começa a aparecer.
Ah, só para avisar: se você tentar entrar na fonte para valer em uma viagem à Itália, você será multado em 500 euros. Desculpe estragar a diversão.
"Saia daí, eu não tenho como pagar a multa!"
 
This is my entry for the Cinematic World Tour Blogathon, hosted by All Good Things.

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