} Crítica Retrô: Judy Garland

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Sunday, June 10, 2018

A Gata dos meus Sonhos (1962) / Gay Purr-ee (1962)

Eu AMO animação. E esta é a razão pela qual eu não escrevo críticas de filmes de animação com frequência: eu fico tão maravilhada, impressionada e imersa neste tipo de filme que eu seria capaz de apenas elogiar quase todas as animações que eu já vi – incluindo “Os Pinguins de Madagascar” (2014), um filme de cujos personagens eu gosto tanto que pode até ser que eu tenha um conjunto de brinquedos deles.

I LOVE animation. And this is the reason why I don't often review animation: I'm so enthralled, overwhelmed and absorbed by them that I could write nothing but compliments to almost all animated films I've seen – including “The Penguins of Madagascar”, a film whose characters I like so much that I may or may not have a figurine set of them.


Há ainda muitas animações que eu ainda quero ver. Uma delas era “A Gata dos meus Sonhos”. A razão principal para eu querer vê-la era, obviamente, o trabalho de dublagem de Judy Garland no filme. Mas, como eu amo animações dos anos 60 desde que eu era criança, eu decidi dar uma chance a este filme o mais rápido possível.

There are also many animated movies in my watchlist. One of them was “Gay Purr-ee”. My main reason to watch it was, of course, Judy Garland's voicework in this. But, since I've loved 1960s cartoons since I was a child, I decided to give the film a chance as soon as I could.


Milhares de histórias de amor ambientadas em Paris já foram contadas no cinema. E muitas outras histórias de amor, quando não completamente ambientadas em Paris, cedo ou tarde tiveram alguma cena na cidade. É isso que acontece em “A Gata dos meus Sonhos”. A linda gata Mewsette (dublada por Judy Garland) é cortejada por Jaune-Tom (dublado por Robert Goulet) em uma área rural da Provença. Um dia, ela ouve uma mulher falando sobre toda a classe e elegância de Paris, e de repente Jaune-Tom parece muito caipira comparado com todas as coisas que ela poderia obter em Paris. Ela então vai para a cidade grande em uma carruagem, seguindo o conselho raivoso dado por Robespierre (dublado por Red Buttons), o pequeno companheiro de Jaune-Tom que tem ciúmes de Mewsette.

Thousands of love stories set in Paris have already been told in the movies. And many more love stories, if not completely set in Paris, sooner or later have a few scenes there. This is what happens in “Gay Purr-ee”. The gorgeous female cat Mewsette (voiced by Judy Garland) is courted by Jaune-Tom (voiced by Robert Goulet) in a rural area of Provence. One day, she hears a woman talking about all the class that exists in Paris, and suddenly her Jaune-Tom seems too bland compared to all the fancy things she could get in Paris. She then leaves to the big city in a carriage, following the angry advice she receives from Robespierre (voiced by Red Buttons), Jaune-Tom's tiny companion who is very jealous of Mewsette.


Depois da carruagem, Mewsette toma um trem, e lá ela conhece Meowrice Percy Beaucoup (dubaldo por Paul Frees), que diz que sua irmã pode apresentá-la à high society. A irmã de Meowrice – que, você adivinhou, não é irmã dele de verdade – é a madame Rubens-Chatte (dublada por Hermione Gingold), uma gata professora de boas maneiras. Meowrice e madame Rubens-Chatte querem usar Mewsette em um de seus esquemas sujos. Enquanto isso, Jaune-Tom e Robespierre também vão para Paris procurar Mewsette.

After the carriage, Mewsette takes a train, and there she meets Meowrice Percy Beaucoup (voice by Paul Frees), who says his sister can introduce her to high society. Meowrice's sister – who, you got  it, isn't really his sister – is Mme. Rubens-Chatte (voiced by Hermione Gingold), a cat who teaches good manners. Meowrice and Mme. Rubens-Chatte want to use Mewsette in one of their dirty schemes. At the same time, Jaune-Tom and Robespierre also go to Paris, looking for Mewsette.


Eu amei o visual do filme. Muitos cenários – fundos estáticos, na frente dos quais os personagens se moviam – foram claramente inspirados em pinturas famosas. Outros cenários eram cópias da Paris “humana”: por exemplo, há o Follies Bergères, e Mewsette vai ao Felines Bergères,  e há o Moulin Rouge, e ao lado dele os gatos têm seu Mewlon Rouge. Mas nada se compara à sequência em que Mewsette tem seu retrato pintado por diversos artistas do final dos anos 1890 – época em que se passa a história.

I loved the visual of the movie. Many sets – static backgrounds, in front of which the characters moved – were clearly inspired by famous paintings. Others sets are counterparts of the “human” Paris: for instance, there is the Follies Bergères, and Mewsette goes to the Felines Bergères, and there is the Moulin Rouge, and next to it the cats have their Mewlon Rouge. But nothing compares to the sequence in which Mewsette's portrait is painted by several artists from the late 1890s – the time in which the story is set.


Hoje, é bem comum termos celebridades dublando personagens em animações. Quando se fala da origem desta prática, muitas pessoas citam erroneamente que Robin Williams dublando o Gênio de “Aladdin” (1992) foi a primeira vez em que isso aconteceu. Nós vemos, com “A Gata dos meus Sonhos”, que a prática é bem mais antiga. Neste filme, embora ela duble uma donzela ingênua em perigo, Judy Garland tem uma chance de brilhar, tanto falando mansinho como a gata romântica quanto cantando com sua voz poderosa. Aliás, fique atento e você poderá reconhecer uma voz bastante familiar: muitos personagens secundários foram dublados por Mel Blanc!

Today, it's fairly common to have  celebrities voicing characters in animated movies. When talking about the origin of this practice, many people erroneously cite Robin Williams's voicing the Genie in “Aladdin” (1992) as the first time this happen. We see, with “Gay Purr-ee”, that the practice is much older. In this film, although she voices the naïve damsel in distress, Judy Garland has a chance to shine, both speaking softly as the romantic cat and singing with her powerful voice. By the way, keep your ears open and you may recognize a very familiar voice: many secondary characters are voiced by Mel Blanc!
Muitas pessoas, em especial crianças, se recusam a ver filmes de animação se eles não forem em 3D, feitos por computador ou tiverem gráficos elaborados. Eu tenho pena dessas pessoas. Com este tipo de preconceito, eles perdem a oportunidade de ver obras como “A Gata dos meus Sonhos”, um pequeno filme realmente louvável e charmoso, cheio das cores psicodélicas que eram moda nos anos 60.

Many people, in special kids, are now discouraged to see animated features that are not in 3D, made by computer or highly stylized. I'm sorry for them. With this kind of prejudice, they miss works like “Gay Purr-ee”, a truly outstanding and charming little movie, full of psychedelic colors that were in vogue in the 1960s.



This is my contribution to the Second Annual Judy Garland blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Sunday, December 18, 2016

O Pirata / The Pirate (1948)

Quando você tem dois artistas cujas obras incluem “O Mágico de Oz” (1939) e “Cantando na Chuva” (1952), é fácil esquecer os outros filmes deles. “O Pirata” em geral passa despercebido quando discutimos as filmografias de Judy Garland e Gene Kelly, mas não deveria: é um musical delicioso, bem feito e apaixonante. E um que merece o selo de “cult”.

When you have two performers whose careers included “The Wizard of Oz” (1939) and “Singin’ in the Rain” (1952), it’s easy to overlook their other films. Often, “The Pirate” is overlooked in the context of both Judy Garland’s and Gene Kelly’s filmographies, but it shouldn’t be: it’s a delightful, well-done, passionate musical. And one that also should receive a ‘cult’ label.
Manuela (Judy Garland) é uma sonhadora. Ela sonha com romance, quer sair da vila onde mora e viver grandes aventuras com seu grande amor. Ele é uma órfã, e a tia que a criou, Inez (Gladys Cooper) arrumou-lhe um casamento com o novo prefeito da vila, Don Pedro Vargas (Walter Slezak). Manuela não está nem um pouco animada. Mas ela quer viver uma última aventura antes de se casar, e por isso viaja para Porto Sebastian para conhecer o mar do Caribe e buscar seu vestido de noiva.  

Manuela (Judy Garland) is a dreamer. She dreams about romance, and wants to leave the village she lives in and live big adventures with the love of her life. She is an orphan, and the aunt who raised her, Inez (Gladys Cooper), has arranged a marriage with the village’s new mayor, Don Pedro Vargas (Walter Slezak). Manuela couldn’t be less thrilled. But she wants to go on a last adventure before getting married, and travels to Port Sebastian to see the Caribbean Sea and get her wedding gown.
Em Porto Sebastian ela conhece Serafin, um mulherengo ator de Madrid. Ele dá em cima de todas as “ninas”, mas parece que com Manuela foi amor à primeira vista – e não correspondido. Por isso ele se anima quando a vê na plateia de seu show, e a hipnotiza como parte de um truque. Ela confessa que não ama o noivo, e estaria mais feliz vivendo aventuras com Macoco, o famoso pirata negro.

In Port Sebastian she meets Serafin, actor and womanizer from Madrid. He hits on every single ‘ninã’, but it looks like that with Manuela it was love at first sight – but unrequited. That’s why he gets excited when he sees her in the audience at his show, and hypnotizes her as part of a trick. She confesses she isn’t in love with her fiancée, and would be better living adventures with Macoco, the famed black pirate.
Agora Serafin sabe one Manuela vive, e vai atrás dela – em trajes de pirata, ainda por cima. Ele faz isso porque ele cantou enquanto estava hipnotizada, e a performance dela foi sensacional. Agora, ele quer levá-la em uma vida de aventuras como artista itinerante.

Now Serafin knows where Manuela lives, and goes after her – in pirate’s clothes, no less. He does this not only because he is in love, but also because she sang while hypnotized, and her performance was wonderful. Now, he wants to take her on a life of adventures as a travelling performer.
“O Pirata” foi o segundo de três filmes que Judy e Gene fizeram juntos. O primeiro foi “Idílio em Dó-Ré-Mi” (1942), um musical emocionante que também foi a estreia de Gene no cinema. Nesta segunda parceria, eles mostram ótima química e grande timing cômico. Na parceria final, “Casa, Comida e Carinho” (1950), vemos Judy acima do peso e lidando com seus demônios, mas sendo ajudada pelo sempre generoso Gene. Eles também deveriam ter contracenado em “Desfile de Páscoa” (1948), mas Gene machucou o tornozelo pouco antes de começarem as gravações e foi substituído por Fred Astaire.

“The Pirate” is the second of three films Judy and Gene made together. The first one was “For Me and my Gal” (1942), a heartbreaking musical which was also Gene’s film debut. In this second pairing, they show how good their chemistry and comedic timing are. In the final collaboration, “Summer Stock” (1950), we see Judy overweight and battling her demons, but being helped by an always generous Gene. They were also set to star together in “Easter Parade” (1948), but Gene injured his ankle before filming began and was replaced by Fred Astaire.
Gene Kelly nunca foi tão atlético – nem suas coxas foram tão sexy. Ele está em sua melhor forma escalando prédios no primeiro número musical, e combina os passos perfeitamente com os intrépidos Nicholas Brothers mais tarde no filme. Os irmãos foram contratados por insistência de Judy e Gene, mas a participação deles no filme – e o fato de que eles dançaram ao lado de um homem branco – tornou-os párias na comunidade musical. O número deles foi cortado do filme em diversos estados segregacionistas e os irmãos foram viver e se apresentar na Europa.

Gene Kelly never looked so athletic – nor his thighs so sexy. He is at his best climbing buildings in his first musical number, and matches his steps perfectly with the ones of the Nicholas Brothers later in the film. The brothers were hired by Judy and Gene’s insistence, but their participation in the film – and the fact that they danced with a white man – kind of ostracized them in the musical community. Their number was cut in several segregation states and the brothers went to live and perform in Europe.
A paleta de cores parece uma mistura de “Agora Seremos Felizes” (1944), também dirigida por Vincente Minnelli, e “O Cisne Negro” (1942). É lindo, como a maioria dos filmes de Minnelli. Eu apenas gostaria que houvessem MAIS números musicais – no meio do filme, ou quando Judy e Gene estão na casa do prefeito.

The color palette looks like a mix of “Meet Me in St. Louis” (1944), also directed by Vincente Minnelli, and “The Black Swan” (1942). It is beautiful, as most of Minnelli’s films are. I just wish that there were MORE musical numbers – in the middle of the film, or when Judy and Gene are at the mayor’s house.
É de se espantar que a presença luminosa de Judy não transpareça em nada os problemas que ela enfrentava longe das telas. Mesmo assim, o filme foi um fracasso de bilheteria, e o único filme de Judy na MGM a dar prejuízo. Mas, como aconteceu com tantos fracassos, o filme foi redescoberto e passou a ser cultuado – gerando a estranha ideia do casal fictício “Jugenea”. Eu nunca fui tão longe quanto estes dedicados fãs, mas digo que “O Pirata” está entre os melhores musicais do século XX.

It’s impressive that Judy’s luminous presence in this movie doesn’t mirror at all the problems she was facing off-screen. Nevertheless, this film was a box-office flop, and the only Judy picture at MGM to lose money. But, as happened to so many flops, it was rediscovered and a cult following appeared – generating the odd “Jugenea” fictional couple idea. I never got so far as these dedicated fans, but I say that “The Pirate” is among the best musicals of the 20th century.

This is my contribution to the Vincente Minnelli blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood.

Saturday, September 20, 2014

Mickey Rooney: Andy Hardy cresceu!

Um dos grandes desafios dos atores mirins de sucesso é continuar em destaque ao passarem para papéis adultos. Às vezes a idade adulta chega e leva embora a fofura da infância. Às vezes o ator é estereotipado e não tem papéis que o desafiem. Às vezes eles cansam do show business e simplesmente se aposentam. Nada disso aconteceu com Mickey Rooney. Ele conseguiu ficar em evidência durante oito décadas, nos mais diversos papéis, na comédia e no drama, porque desde criança mostrou sua versatilidade em frente às câmeras.
Em meados dos anos 20, quando o futuro de Jackie Coogan era incerto e Shirley Temple ainda nem tinha nascido, surgiu Mickey Rooney, protagonizando vários curtas-metragens como Mickey McGuire por sete anos, e, com a chegada do som, dublando alguns episódios do desenho “Oswald, the lucky rabbit” (Oswald é o antecessor de Mickey Mouse no universo Disney). Mas o grande momento do pequeno Mickey chegou em 1937, quando ele protagonizou o primeiro dos 19 filmes de Andy Hardy.
Andrew ‘Andy’ Hardy é um garoto simpático que se apaixona facilmente. Ele é filho do juiz James Hardy (Lewis Stone) e de Emily Hardy (Fay Holden). Em “A Paixão de Andy Hardy / Love Laughs at Andy Hardy” (1946), o penúltimo filme da série, Andy volta do exército muito ansioso, pois retornar à faculdade significa rever seu grande amor, Kay Wilson (Bonita Granville), e tem mais: Andy quer pedi-la em casamento! O plano de Andy não dá muito certo, e tudo caminha para o clímax: o grande baile da faculdade, em que o pequeno Mickey Rooney (1,57m) dança com Dorothy Ford (1,88m):
Andy Hardy personificava a juventude americana dos anos 30 e 40: romântico, divertido, patriota e comportado. A ideia perfeita para um encontro romântico era tomar milk-shake na lanchonete mais próxima. A cada filme Andy tinha uma nova conquista (e que lista!): Ann Rutherford, Judy Garland, Lana Turner, Esther Williams, Donna Reed, Bonita Granville. Os flertes e as relações familiares eram cercados de inocência e respeito. Bons tempos aqueles!
Mickey estava acostumado a alternar trabalhos dramáticos e cômicos, por isso não foi problema se inserir no gênero noir. “Areia Movediça / Quicksand” (1950) é um noir estranho: Rooney é o protagonista masculino, vitimado pela femme fatale Vera (Jeanne Cagney). Mickey em nada tinha a ver com os atores que melhor personificaram o protagonista do filme noir, como Humphrey Bogart, Edward G. Robinson e Victor Mature. Podemos nos perguntar se ele foi escolhido apenas por ter o mesmo tamanho do antagonista, Peter Lorre, com quem tem uma boa cena de briga.
Em “Quicksand”, Dan (Rooney) rouba 20 dólares da oficina mecânica em que trabalha. Ele usa o dinheiro para sair com Vera, uma moça perigosa e caprichosa. Devolver o dinheiro ao caixa não será nada fácil, pois a situação de Dan vira uma bola de neve: ele tem se comprometer cada vez mais para agradar Vera e fugir das chantagens de Nick (Lorre).  
Sem dúvida “Quicksand” foi o ápice da carreira de Mickey nos anos 50. Sua baixa estatura, ao mesmo tempo em que permitiu que ele interpretasse adolescentes por muitos anos, poderia ser um empecilho quando ele chegou aos 30. Mas seu talento lhe garantiu bons papéis em westerns, dramas e comédias. Nenhum desses filmes tem o mesmo status de seus musicais com Judy Garland ou de clássicos absolutos como “Com os Braços Abertos / Boys Town” (1938) e “Marujo Intrépido / Captains Courageous” (1937).
O próprio Mickey prefere discordar de mim, pois em sua autobiografia “Life is too short”, ele “prefere não comentar” o filme “Quicksand”. Um fracasso de bilheteria na época e uma ovelha negra no gênero noir, o filme ficou melhor com o passar do tempo, e comprova o que nomes como Robert Osborne, Cary Grant, Lucille Ball, Robert Mitchum e Anthony Quinn disseram: o ator mais versátil e talentoso de Hollywood foi Mickey Rooney.
Para saber mais sobre a carreira de Rooney nos anos 50, leia ESTE excelente artigo.
This post is part of The getTV Mickey Rooney Blogathon hosted by Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club taking place throughout the month of September. Please visit the getTV schedule for details on Rooney screenings throughout the month and any of the host sites for a complete list of entries.

Wednesday, August 22, 2012

Centenário de Gene Kelly


Sim, caros amigos! Aquele dançarino risonho de corpo atlético e ar jovial, se estivesse vivo, completaria 100 anos! Como eu adoro histórias de bastidores, resolvi homenagear esse grande artista com curiosidades sobre seus filmes. Prontos? Então lá vamos nós sapatear no temporal:

No filme “Artistas e Modelos / Cover Girl” (1944), Gene teve liberdade para criar e executar suas ideias. Foi aí que ele removeu paredes para filmar uma dança de Rita Hayworth ao longo de uma rua em uma única tomada e também idealizou a inovadora dança com o alter-ego.
Em “Marujos do Amor / Anchors Aweigh” (1946), a ideia original era que Gene dançasse ao lado de Mickey Mouse, o que não foi permitido por Walt Disney. A solução foi substitui-lo pelo ratinho Jerry, da dupla com o gato Tom que, por sinal, nadou ao lado de Esther Williams em “Dangerous when Wet” (1953). Depois de pronta a sequência, os animadores tiveram de desenhar a sombra do roedor no chão, pois esta não aparecia.
“O Pirata” (1948) deveria ser estrelado por Cary Grant e Greer Garson. Com a mudança de planos, foi transformado em musical. No número “Voodoo”, Judy Garland e Gene fazem uma performance tão caliente que deixou Louis B. Mayer furioso.
Um dos policiais que persegue os três marinheiros nas ruas de NY em “Um dia em Nova York / On the Town” (1949) é interpretado pelo mesmo ator que fez o guarda que surge ao fim do número principal de “Cantando na Chuva”.
A inspiração para filmar “Sinfonia de Paris / An American in Paris” (1950) veio do filme inglês “Os Sapatinhos Vermelhos”, de 1948. Ironicamente, quando “Um Dia em Nova York” estreou, o produtor Arthur Freed mandou um bilhete a Gene Kelly e Stanley Donen dizendo que o trabalho dos diretores Michael Powell e Emeric Pressburger não se comparava ao novo sucesso da MGM.
Leslie Caron foi descoberta por Gene e escalada para o papel principal em “Sinfonia de Paris”. Por ter sofrido de subnutrição durante a Segunda Guerra Mundial, Leslie só gravava dia sim, dia não, pois o trabalho no set de filmagem lhe deixava estafada.
Depois de filmado o número “Make ‘em laugh” de “Cantando na Chuva” (1952), Donald O’Connor ficou uma semana no hospital porque fumava muito e perdeu o fôlego. No entanto, o rolo do filme foi estragado e Donald teve de refazer sua performance.
Ao fim da gravação de “Good Morning”, Debbie Reynolds tinha veias dos pés estouradas tamanho o esforço que fez. Mesmo assim, Gene Kelly não gostou do sapateado dela e decidiu gravar seu próprio sapateado em estúdio e inseri-lo na música. Ironicamente, no número principal seus passos na água foram “dublados” por duas dançarinas.
Na década de 1920 o pai de Gene trabalhou com o cantor Al Jolson, protagonista do filme que colocaria fim à era muda, “O Cantor de Jazz” (1927). A chegada do som ao cinema é assunto de “Cantando na Chuva” e os filmes falados foram exatamente a causa da demissão do pai de Gene.
Gene Kelly, formado em economia, ficou conhecido mundialmente como ator, dançarino, diretor, cantor e coreógrafo. Começou a dançar para impressionar as garotas. Participou de quatro shows da Broadway e coreografou mais um antes de ir para Hollywood. Fez 46 trabalhos como ator, 13 como diretor, 7 como produtor, 15 como coreógrafo e ajudou a escrever o roteiro de dois filmes. Seu talento e competência em todas essas funções fazem com que ele permaneça uma estrela sempre lembrada e homenageada. Parabéns, Gene! 

Aproveitem para ler minhas contribuições no site Gene Kelly Fans!

This post is part of the Summer Under the Stars blogathon, hosted by Sittin’ on a Backyard Fence and ScribeHard on Film. 

Tuesday, March 13, 2012

A dança não pode parar

O musical é um gênero cinematográfico sem meio-termo: ou você ama ou odeia. A cantoria e as longas sequências de dança que surgem do nada não agradam a todos. Para os fãs mais apressadinhos, mesmo a dança em excesso cansa. Essa é uma seleção de números musicais capazes de sufocar quem não gosta de musicais e deleitar aqueles que adoram o gênero mais alegre da sétima arte.

Belezas em Revista / Footlight Parade: Este filme de 1933 pode ser dividido em dois: um sobre os bastidores de espetáculos musicais e outro somente com os números ensaiados. A meia hora final é usada quase toda para a dança, contando com “By a Waterfall”, “Shanghai Lil” e “Honeymoon Hotel”. 

A Alegre Divorciada / The Gay Divorcee (The Continental – 8 min): A canção ganhadora do primeiro Oscar de Melhor Canção Original foi adicionada ao filme por sugestão da protagonista Ginger Rogers. Ela é apresentada durante longos minutos, sob forma instrumental e também cantada por Ginger, Fred e um ator, além de servir de trilha para um balé.
Um dia nas corridas / A day at the races (The Swing – 7 minutos): As comédias dos irmãos Marx sempre tinham um momento dançante, parodiando os pomposos musicais da época. Em 1937, antes da longa sequência do Swing, citado acima, Harpo ainda transforma um piano em uma harpa de forma espetacular.

Os Sapatinhos Vermelhos / The Red Shoes: O belo filme inglês a cores conta a história de uma bailarina (Moira Shearer) dividida entre o amor de um maestro e de um compositor. Com seus sapatinhos vermelhos encantados, ela apresenta a única dança do filme em 15 minutos de um balé digno de ser apresentado nos melhores teatros.

Sinfonia de Paris / An American in Paris (The American in Paris Ballet – 17 min): O clímax deste ganhador de seis Oscars é um suntuoso número com muitas trocas de cenário e figurinos por parte de Gene Kelly e Leslie Caron. Inspirado em obras de grandes pintores franceses, o balé levou seis meses para ser ensaiado.

Nasce uma Estrela / A Star is Born (Born in a Trunk – 18 min): As plateias de 1954 perderam muito quando foram ao cinema conferir Judy Garland e James Mason na refilmagem do drama de 1937. Isso porque o filme foi distribuído sem a longa sequência musical em que Esther Blodgett / Vicky Lester conta sua trajetória nos palcos. O número foi reintegrado ao filme em 1983. Além disso, o filme conta com "Someone at Last", com sete minutos e meio.
Amor, sublime amor / West Side Story: A versão nova iorquina de Romeu e Julieta é bastante longa por conta de seus elaborados números musicais: só o prólogo com os Jets demora oito minutos, “América demora sete, Gym Mambo” tem mais de seis... e por aí vai.

O show deve continuar / All that Jazz (Bye Bye Life – 9 minutos): Joe Gideon (Rob Scheider), alter-ego do diretor Bob Fosse, tem uma experiência transcendental em um grande espetáculo, onde se despede da vida em grande estilo.

Assistam os números clicando nas palavras destacadas... se aguentarem!
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