} Crítica Retrô: Van Heflin

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Van Heflin. Show all posts
Showing posts with label Van Heflin. Show all posts

Friday, December 9, 2016

O Tempo Não Apaga (1946) / The Strange Love of Martha Ivers (1946)

Barbara Stanwyck tinha faro para descobrir novos talentos. Em 1939, ela insistiu que o estúdio desse ao novato William Holden o papel principal em “Conflito de Almas”, e assim nasceu uma estrela. Em 1946 ela fez isso de novo. “O Tempo Não Apaga” apresentou ao mundo uma nova estrela, que ainda não se apagou: Kirk Douglas.

Barbara Stanwyck knew how to recognize a new star. In 1939, she insisted on casting newcomer William Holden in “Golden Boy”, and a star was born. She did it again in 1946. “The Strange Love of Martha Ivers” introduced to the world a new star, one who is still (and not strangely) loved: Kirk Douglas.


Em 1946, Issur Danielovitch, nascido em Nova York em uma família judia com raízes russas, já havia mudado legalmente seu nome para Kirk Douglas. Em 1946, Kirk já havia sido ferido na Segunda Guerra Mundial. Em 1946, Kirk já havia trabalhado no rádio e no teatro. Em 1946, Kirk já tinha um filho de dois anos de idade chamado Michael. E então, em 1946, a amiga Lauren Bacall disse ao produtor de Hollywood Hal Wallis para prestar atenção em Kirk. O que se seguiu foi seu primeiro papel no cinema.

By 1946 Issur Danielovitch, born in a Jewish family with Russian roots in New York city, had already changed his name legally to Kirk Douglas. By 1946, Kirk had been injured in World War II. By 1946, Kirk had made radio and stage work. By 1946, Kirk had a two-year-old son named Michael. And then, in 1946, his friend Lauren Bacall told Hollywood producer Hal Wallis to keep an eye on Kirk. His first film role was what followed.


A história de “O Tempo Não Apaga” começa em 1928, quando a jovem Martha está tentando fugir de sua tirania tia e tutora. O jovem e nerd Walter O’Neil conta onde Martha e o amigo Sam Masterson estão escondidos. Martha é trazida de volta para casa e, após uma briga, mata acidentalmente a tia (detalhe: a tia havia acabado de matar, não acidentalmente, o gatinho de Martha). Sam observa tudo.

The story of “The Strange Love of Martha Ivers” starts in 1928, when young Martha is trying to escape from her tyrannical aunt and tutor. Young and nerdy Walter O’Neill tells the aunt where Martha and her friend Sam Masterson are hiding. Martha is brought home and, after an argument, accidentally kills her aunt (note: her aunt has just killed, not accidentally, Martha’s pet kitten). Sam witnesses it.


O ano agora é 1946. Sam Masterson (Van Heflin), que fugiu ainda criança, está de volta à cidade, mas contra sua vontade. Seu carro quebrou justamente na entrada de Iverstown, e ele precisa deixá-lo em uma oficina para consertar. Já que ele está na cidade, descobre que Martha (Barbara Stawnwyck) é agora uma mulher forte e rica, e casada com Walter (Kirk Douglas), um advogado.

The year is now 1946. Sam Masterson (Van Heflin), who ran away, is back in town, but against his will. His car just happened to break in Iverstown, and he must leave it to be fixed. Since he is in town anyway, he finds out that Martha (Barbara Stanwyck) is a strong, rich woman, now married to Walter (Kirk Douglas), a district attorney.


Sam não quer nem saber do casal disfuncional, mas Martha e Walter acreditam que ele voltou para chantageá-los, já que ele também estava presente na noite da morte da tia. E Sam acaba tendo de ir atrás do poderoso casal, para que eles ajudem uma moça que Sam acaba de conhecer, Toni Marachek (Lizabeth Scott), que acabou de sair da cadeia.

Sam wants nothing to do with their dysfunctional relationship, but Martha and Walter believe he’s back to blackmail them, because he saw everything that happened the night the old aunt was killed. And Sam indeed needs to talk to powerful Martha and Walter, but to save a sweet girl he meets, Toni Maracheck (Lizabeth Scott), who has just been released from jail.


É óbvio que o Novato tinha talento. Barbara Stanwyck lhe disse isso, e eles se tornaram bons amigos. Kirk atuava seguindo um lema: “quando você está interpretando um personagem fraco, encontre um momento em que ele é forte, se você está interpretando um personagem forte, encontre um momento em que ele é fraco”. Walter O’Neil era um personagem fraco e alcoólatra, mas o primeiro no cinema para um ator que ficou conhecido por interpretar tipos fortes.

It’s crystal clear that the newcomer had talent. Barbara Stanwyck told him this, and they became good friends. He played his part following a motto: “when you’re playing a weak character, find a moment when he’s strong, if you’re playing a strong character, find a moment when he’s weak”. Walter O’Neill was a weak alcoholic character that originated a career for an actor who subsequently played stronger characters.


Este é um filme noir soberbo, com uma trilha sonora especialmente arrepiante. Ele merece ser visto simplesmente pela história e pelo desfecho inesquecível, mas para completar este foi também o primeiro passo em uma carreira de várias décadas (carreira que, eu acredito, deveria ter culminado em um Oscar em 1956 quando Kirk interpretou Van Gogh) de um verdadeiro ícone de Hollywood.

This is a superb film noir, with an especially striking soundtrack. It should be worth checking for its plot only and its haunting ending, but it also was the first step in a multi-decade career (that, I believe, should have culminated in an Oscar in 1956, when Kirk played Van Gogh) of a true Hollywood icon.

"The Strange Love of Martha Ivers" is on public domain and can be watched at YouTube and Internet Archive.

This is my contribution to the Kirk Douglas 100th Birthday blogathon, hosted by Karen at Shadows and Satin.

Monday, March 19, 2012

Dois momentos bem parecidos de Joan

Em time que está ganhando não se deve mexer. E em filme, essa máxima é válida? Nem sempre. As provas são várias: sequências ruins de bons filmes, temas explorados à exaustão e astros estereotipados ou repetindo papéis. Joan Crawford sofreu esse último mal, em dois filmes bons, mas incrivelmente semelhantes, ambos produzidos por Jack Warner e Jerry Wald.
Em 1945, sua atuação como a mãe zelosa e batalhadora Mildred Pierce, no filme “Alma em Suplício / Mildred Pierce”, lhe rendeu um Oscar. Dois anos depois viria mais uma indicação por “Fogueira da Paixão / Possessed”. Este repete consideravelmente a fórmula do primeiro, contando, inclusive, com uma filha ingrata e ciumenta de alta periculosidade (que nem era dela). A semelhança é tanta que a edição de 2009 de “1001 filmes que você deveria ver antes de morrer” apresenta uma imagem de Joan, de vestido florido e empunhando uma arma, como pertencente a “Alma em Suplício”, quando, na verdade, faz parte de “Fogueira da Paixão”!
Em meio à Grande Depressão, Mildred Pierce, uma mulher divorciada, mãe de duas filhas, tenta encontrar o caminho para o sucesso financeiro ao mesmo tempo em que deve lidar com a problemática filha mais velha, Veda (Ann Blyth) que dá mais trabalho mas também com quem Mildred gasta mais energia, a fim de agradá-la. No entanto, Veda apenas deseja conseguir uma forma fácil de enriquecer.
Na cidade de Chicago, Louise vagueia sem rumo. Ela é recolhida para uma instituição psiquiátrica e conta sua trajetória enquanto está sob o efeito de medicamentos. Ela tinha sido contratada para ser enfermeira na casa de David (Van Heflin), por quem desenvolve um sentimento destrutivo. Ela então se casa com Dean (Raymond Massey). Apesar dos esforços para conquistar seu afeto, Louise consegue apenas despertar o ódio da enteada, Carol (Geraldine Brooks), que se envolve com David.
Em nenhum dos dois casos Joan foi a primeira escolha: em 1945, o papel de Mildred iria inicialmente para Ann Sheridan, e Joan teve de fazer um teste na Warner Brothers para conseguir o papel. O diretor Michael Curtiz tinha algumas ressalvas em relação a ela, pois acreditava que a atriz de gênio difícil já tinha passado de seu melhor momento. No mesmo filme, a primeira opção para interpretar Veda era Shirley Temple, eternamente fofa; e Ann Rutherford também mostrou interesse pelo papel. Foi Joan que indicou Ann Blyth e ajudou a jovem atriz em seu teste. Em 1947, ironicamente, o estúdio desejava que Bette Davis interpretasse Louise, mas ela saiu de licença-maternidade e deixou o caminho livre para Joan brilhar mais uma vez.

Em ambos os filmes, as personagens de Joan se vêem traídas por duas pessoas por quem tinham carinho: seu amado cafajeste e uma garota mimada que ela tenta agradar. Os dois filmes noir, inseridos neste gênero muito mais pela atmosfera bicromática que pelos elementos do enredo, garantiram a Joan indicações para o Oscar e um retorno às telas em grande estilo. Ela não compareceu à cerimônia de premiação, mas logo que ficou sabendo que havia ganhado a estatueta, chamou a imprensa em sua casa e fez um discurso de agradecimento. Estes dois papéis podem ter sido parecidos e previsíveis, mas Miss Crawford nunca perde a capacidade de nos surpreender.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...