} Crítica Retrô: Warner

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Wednesday, August 17, 2016

Don Juan (1926)

A sinopse do IMDb é simples, direta e engraçada: “o mulherengo misógino Don Juan se apaixona por garota do convento”. O papel do famoso Don Juan fica por conta do excelente John Barrymore, em um filme de 1926 que estava destinado a entrar para a história graças a uma ousadia pontual da Warner Brothers.

The IMDb synopse is simple, direct and laughable: “Misogynistic skirt chaser Don Juan falls for convent girl”. The role of famous womanizer Don Juan is played by brilliant John Barrymore in a 1926 film that made history because of a daring technological move from Warner Brothers.
A fama de conquistador de Don Juan vem de… um trauma de infância. Juanzito viu seu pai, Don José (também interpretado por John Barrymore) expulsar a mãe infiel de casa. Depois disso, Don José tomou gosto por orgias, até ser morto por uma de suas amantes ciumentas. Suas últimas palavras para o filho? “Conquiste o amor das mulheres pelo mundo, depois sorria e as esqueça”.

Don Juan's fame came from... a childhood trauma. Juanzito saw his father, Don Jose (also played by John Barrymore) kicking his unfaithful mother out of the house. Then Don Jose started hosting orgies, and finally was killed by one of his jealous lovers. His last words to his son? “This is my legacy to you – beware of giving your love to women. Go out into the world and take their love when it please you – smile – and forget!”
Ele segue o conselho à risca, colecionando conquistas em seu belo castelo na Espanha. Sua fama chega aos ouvidos de Lucrécia Bórgia (Estelle Taylor), que o convida para uma festa no palácio dos Bórgia. Curioso, ele vai à festa, e lá se apaixona por Adriana della Varnese (Mary Astor), uma jovem noviça que é também filha de um inimigo político dos Bórgia.

He follows dad's advice and has a collection of conquests in his veutiful castle in Spain. His reputation becomes known to Lucrezia Borgia (Estelle Taylor), who invites him to a party at the Borgia palace. He gets curious and decides to attend the party. There he falls in love with Adriana della Varnese (Mary Astor), a young convent girl who is also the daughter of a political enemy of the Borgias.
John Barrymore, atlético de legging, é sedutor, mas falta algo para ser o amante latino perfeito. Durante todo o tempo me lembrei de Douglas Fairbanks, que um ano antes também seduziu Mary Astor em “O Filho do Zorro”. John traz dramaticidade ao papel de Don Juan, mas se Douglas estivesse em seu lugar, haveria mais carisma e aventura. Seria mais fácil torcer para Don Juan se ele fosse interpretado por Douglas Fairbanks. Com John, ele é um babaca que de repente muda ao se apaixonar. Difícil de acreditar nisso.

John Barrymore, athletic in his leggings, is seductive, but there is something missing for him to be the perfect Latin lover. During all the film I was thinking about Douglas Fairbanks, who, in the previous year, also seduced Mary Astor in “Don Q Son of Zorro”. John brings drama to his Don Juan, but if Douglas was in his place, ther would be more charisma and adventure. It'd be easier to root for Don Juan if he was played by Douglas Fairbanks. With John, he is a womanizer who suddenly changes when he falls in love. It's hard to believe in it.
Os cenários são realmente deslumbrantes. Outro destaque curioso é a dama de companhia de Lucrécia, Mai, interpretada por Myrna Loy. O irmão Cesare Bórgia é interpretado por Warner Oland, ator sueco que na década seguinte interpretaria o detetive Charlie Chan.

The sets are breathtaking. Someone to keep your eyes on is Lucrezia’s lady-in-waiting, Mai, who is played by Myrna Loy. Lucrezia’s brother, Cesare Borgia, is played by Warner Oland, a Swedish actor who would play Charlie Chan in the 1930s.
Existe química entre John Barrymore e Mary Astor? Bem, eu diria que há mais medo por parte de Adriana, que é a personificação perfeita da donzela indefesa, e uma obsessão não necessariamente saudável por parte de Don Juan. Mas John e Mary já eram velhos conhecidos: John foi o primeiro amor de Mary, quando ela tinha 17 anos e ele, 42. Eles se conheceram nas gravações de “Beau Brummel” (1924) e tiveram uma relação conturbada, impedida pela vigia constante dos pais de Mary, que estavam mais preocupados com a fonte de renda que com a felicidade da filha.

Is there chemistry between John Barrymore and Mary Astor? Well, I’d say that Adriana shows more fear than passion, making her the perfect personification of the damsel in distress. Don Juan, on the other hand, shows a not very healthy obsession with the lady. But John and Mary were old acquaintances: John was Mary’s first love, when she was 17 and he was 42 years old. They met while doing “Beau Brummel” (1924) and had a difficult relationship that wasn’t consummated because Mary’s parents were always after her. Great parenting? Not really, because they were more concerned with the loss of her career than with her happiness.

Foi Barrymore que quis contracenar com Astor em “Beau Brummel”. Dois anos depois, ele quis trabalhar novamente com ela, mas a atriz escalada para “The Sea Beast” foi Dolores Costello, por quem John também se apaixonou, desta vez, perdidamente. Ele até tentou que Dolores fosse contratada para interpretar Adriana em Don Juan, mas a quadrilha amorosa voltou ao começo com Mary Astor sendo a escolhida – e trabalhando com bastante tristeza.

It was Barrymore who wanted to work with Astor in “Beau Brummel”. Two years later, he wanted her again as his leading lady, but Dolores Costello was cast. John also fell in love with Dolores, and stated “That time I knew I was right”. He even tried to secure Dolores the role of Adriana in Don Juan, but the love story went full circle with Mary Astor being cast – and going to work heartbroken.
Don Juan merece um lugar nos livros de história do cinema porque foi o primeiro passo para a Warner revolucionar o mundo cinematográfico. Don Juan foi o primeiro filme com som sincronizado através do sistema Vitaphone, idealizado pela Warner e que no ano seguinte evoluiria para o primeiro filme com diálogos, “O Cantor de Jazz”, este sim o grande revolucionário. O Vitaphone acabou sendo abandonado pela Warner quando outro sistema, o Movietone da MGM, se mostrou superior para gravar áudio sincronizado, mas sem o Vitaphone o som demoraria um pouquinho mais para chegar ao cinema.

Don Juan deserves a place in film history books because it was the first step for Warner to revolutionize the film world. Don Juan was the first film released with a synchronized soundtrack due to the Vitaphone system, created by Warner and then developed to make the first film with spoken dialog the following year, “The Jazz Singer”. Vitaphone was abandoned by Warner when another system, MGM's Movietone, was considered superior at recording synchronized audio. But, without Vitaphone, sound would take a little longer to arrive at the movies.
Carismático e fazendo suas cenas sem dublê, Barrymore é um dos destaques do filme (além da presença sempre luminosa de Myrna, claro). Ele também foi um homem muito conquistador, embora sua trajetória tenha sido bem menos heroica. Ora, Barrymore foi, à sua maneira, um Don Juan, e sua redenção veio com seu maior talento: o de atuar.

Charismatic and doing his own stunts, Barrymore is one of the highlights in the film (besides Myrna’s luminous presence, of course). He was also a man of several women, although his life was much less heroic. Well, Barrymore was, in his own way, a Don Juan, and his redemption didn’t come from a woman, but from his greatest talent: acting.

This is my contribution to the Second Annual Barrymore Trilogy blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Thursday, June 7, 2012

Made in Canada: Canadenses no Cinema – Parte 1

Canadá e Estados Unidos são grandes parceiros comerciais. Se por um lado o país mais ao Norte importa muitos produtos ds EUA, há um fluxo inverso no mundo das artes: foram várias as estrelas exportadas para o vizinho mais ao Sul.
Florence Lawrence: A primeiríssima estrela do cinema americano era canadense. Mais conhecida como “Biograph Girl”, Florence foi a protagonista das primeiras produções de Griffith. Ela também inventou o sistema em que atores e diretores podem ver o resultado das filmagens e então corrigir o que estiver errado. Após a fundação de Hollywood, ela desistiu da carreira por não querer ir para a costa da Califórnia.

Mary Pickford: A namoradinha (estrangeira) da América foi, sem dúvida, a maior celebridade do cinema mudo. Pequena, de cabelos cacheados e ar angelical, fez mais de 250 filmes. No entanto, atraiu mais atenção por seu casamento com o astro Douglas Fairbanks e por ter sido a segunda ganhadora do Oscar de Melhor Atriz. Seus irmãos Lottie e Jack também trabalharam em filmes mudos, morrendo respectivamente em 1936 e 1933.

Mack Sennett: Ele foi o fundador dos Estúdios Keystone, responsável por lançar estrelas como Mabel Normand e Gloria Swanson. Fez parte de divertidas comédias na época do cinema mudo, produzindo mais de 1100 filmes, estrelando em 362 e dirigindo 322.
Warner Brothers: Os quatro canadenses mudaram a história do cinema com o filme “O Cantor de Jazz”, mas começaram como distribuidores do filme “O grande roubo do trem”, de 1903. Sam Warner faleceu pouco antes da estreia do revolucionário filme falado, deixando seus irmãos Jack, Harvey e Albert envoltos em brigas.

Fay Wray: Dona de um dos gritos mais famosos da sétima arte, começou no cinema aos 16 anos, em produções mudas. Fez alguns filmes de terror, até ser escalada como substituta de Jean Harlow em King Kong (1933). Nos anos 50 participou do seriado Perry Manson ao lado de outro canadense, Raymond Burr.

Ruby Keeler: Ela fez vários musicais bem-sucedidos e psicodélicos sob a direção de Busby Berkeley na década de 1930. Seu primeiro marido foi o cantor Al Jolson, protagonista do revolucionário “O Cantor de Jazz” de 1927. Ela deixou o cinema em 1940 e só retornou à Broadway nos anos 70.
Deanna Durbin: Cantora clássica e uma estrela adolescente, Deanna encerrou a carreira aos 27 anos. Seu primeiro trabalho foi em um curta ao lado de Judy Garland.

Ann Rutherford: Ann interpretou a irmã caçula da família O’Hara em “E o vento levou”, preenchendo a vaga que ficou disponível após Judy Garland ser chamada para fazer “O mágico de Oz”. Ann também estrelou diversos filmes da série Andy Hardy, ao lado de Mickey Rooney.

Lorne Greene: Ele fez carreira na televisão, ficando famoso ao interpretar o patriarca Ben Cartwright durante 14 anos na série Bonanza. Mas Lorne também gravou discos no estilo country, que foram outro grande sucesso em sua carreira.

Walter Huston: O patriarca da família Huston, pai de John e avô de Anjelica, se dividiu entre o cinema e o teatro com sucesso. Ele ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1949, tendo sido dirigido por seu filho John em “O Tesouro de Sierra Madre”. A festa foi generalizada na cerimônia, pois John ganhou como Melhor Diretor.

Hume Cronyn: Mais conhecido por suas participações nos filmes de Hitchcock “Sombra de uma Dúvida” e “Um barco e nove destinos”, também colaorou nos roteiros de “Festim Diabólico” e “Sob o signo de Capricórnio”. Embora pouco lembrado, este ator foi também boxeador, marido de Jessica Tandy, apareceu na lista negra durante a histeria comunista e teve um asteroide batizado com seu nome. 
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