Vez ou outra uma boa
notícia relativa ao cinema antigo causa frisson nos cinéfilos de plantão. Pode
ser um festival, um clássico a ser exibido na tela grande ou um novo lançamento
em DVD, mas sem dúvida uma das maiores alegrias do amante do cinema é saber que
um filme considerado perdido foi encontrado. Isso aconteceu há pouco tempo, com
a descoberta da versão completa de “Metropolis” (1927) na Argentina, tema do
documentário “Metropolis Refounded”, em que se pode ver toda a animação dos
responsáveis pelo feito. O problema é que não basta apenas encontrar, mas,
principalmente, restaurar uma obra que ficou esquecida num arquivo durante
décadas.
| Ferdy on films |
A maioria dos filmes
considerados perdidos datam do cinema mudo. Naquela época não havia a
preocupação com a preservação dos negativos que, para piorar, eram feitos de
nitrato de prata, substância muito inflamável e também muito valiosa. Assim,
incontáveis rolos de filme foram roubados e derretidos para serem vendidos.
Outros tantos pereceram em incêndios.
Percebe-se logo que
muito se perdeu entre grandes produções e sequências descartáveis. Vale lembrar
que muitos grandes nomes do cinema mundial começaram suas carreiras na era
muda, a exemplo de John Ford, Frank Capra, William Wyler e Alfred Hitchcock. O
futuro mestre do suspense começou desenhando títulos e intertítulos em 1922,
passando a diretor em 1925. Incrivelmente, ele chegou a se alegrar com o sumiço
de seus primeiros filmes (como “The Mountain Eagle”), alegando que eles eram
muito amadores e ainda não refletiam o estilo que o tornaria famoso. Mas uma
descoberta recente faria Hitch se contorcer, pois um de seus primeiros filmes
está prestes a voltar à exibição.
| Self-styled siren |
Em uma incrível e feliz
ocorrência, foram encontrados três dos seis rolos de “The White Shadow”, filme
que estreou em 1923 levando o nome de Graham Cutts como diretor, embora quase
todo o esforço criativo tenha sido de Hitchcock. Aos 24 anos, Hitch foi
roteirista, editor, design e diretor-assistente do filme, encontrado na Nova
Zelândia. Como o país era a última parada das projeções, os donos de cinema
simplesmente descartavam os filmes depois de sua exibição. Mas um colecionador
e projecionista, James Murtagh, não se desfazia das cópias e as preservava. E,
depois de sua morte, em 1989, esta e outras raridades, como a única cópia de “Upstream”,
filme feito por John Ford em 1927, foram para o arquivo nacional, mas sob um
nome errado (“Two Sisters”) e só em agosto de 2011 foi corretamente
identificado. Agora começa uma nova odisséia: restaurar a película.
Restauração não é
privilégio de filmes muito antigos. Para se ter uma ideia do descaso
cinematográfico, “Janela Indiscreta / Rear Window”, que não tem nem 60 anos,
teve de ser restaurada. Isso porque na década de 1950 as cópias a serem
mandadas para os cinemas ao redor do mundo eram todas feitas a partir do
negativo original, que com isso ficava gasto rapidamente.
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| This island rod |
Os esclarecimentos não
param por aí: nesta semana não serei somente eu que escreverei sobre Hitchcock
e preservação cinematográfica, mas também outros tantos internautas, unidos na
terceira edição de “For the Love of Film: The Film Preservation Blogatyhon”. O
objetivo dessa blogagem coletiva é também arrecadar dinheiro para que as cenas
restantes do filme sejam exibidas via internet para todo o mundo, com uma
trilha sonora novinha. Por isso, se você quiser ajudar, clique aqui:
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