} Crítica Retrô: Alegria Rapazes

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Sunday, February 12, 2012

Alegria, rapazes! / Something for the boys (1944)

Hollywood, é verdade, produziu vários filmes esquecidos e esquecíveis, apenas pensando no sucesso comercial. No entanto, essas relíquias cinematográficas ainda são capazes de botar um sorriso no rosto do espectador, mostrando que estão com plena capacidade de nos divertir.
Durante a guerra, uma série de musicais foram feitos com a clara finalidade de fazer o público esquecer as agruras dos campos de batalha e os entes queridos que estavam combatendo. Além disso, estes filmes geravam uma boa renda ao incentivarem a plateia a comprar bônus de guerra. Seguindo esta lógica, “Alegria, rapazes!” foi um grande sucesso, pois ao mesmo tempo deu nova esperança ao país, retratou o cotidiano de soldados e seus familiars e se saiu muito bem na bilheteria.
Três primos que não se conheciam descobrem que herdaram um casarão. Chiquita (Carmen Miranda), Harry (Phil Silvers) e Blossom (Vivian Blaine) abandonam seus empregos, que não eram lá muito bons, e decidem reformar o local e alugá-lo para esposas de militares que estão no front, aliando o serviço de hospedaria aos shows performáticos. A atriz Judy Holliday, que seis anos mais tarde ganharia um Oscar, faz uma pequena ponta, com apenas uma fala.   
A Segunda Guerra Mundial não foi só mote para este filme, mas de certo modo influenciou a carreira de sua principal estrela, a portuguesa de coração brasileiro Carmen Miranda. Depois de quase dez anos de sucesso no rádio e no cinema tupiniquins, Carmen foi em 1939 para os EUA, sendo recebida com pompa. Com a entrada dos americanos no conflito, após o atentado a Pearl Harbor em dezembro de 1942, o país procurou conquistar o apoio do maior número de nações possível. Por isso, culturalmente se instalou uma “política da boa vizinhança”, incluindo personagens e personalidades latinos nas telas. Foi o que fez Walt Disney ao criar o galo mexicano Panchito e Zé Carioca. Em seu segundo filme, o papagaio dança com Aurora Miranda, irmã de Carmen. E Carmen, personificando a mulher brasileira, também teve uma ajuda na carreira graças à guerra, tornando-se protagonista de divertidos musicais cuja principal função era entreter.
E é exatamente isso que o filme faz, tendo em Chiquita sua maior força cômica. Vivian Blane, além de cantar a música-título, se sai bem na interpretação de “Wouldn’t be nice if we could fall in love?”, talvez a canção mais emblemática. Carmen tem bons momentos cômicos, principalmente ao ser colocada ao lado do divertido Phil Silvers. Ela tem poucos números musicais, mas que são suficientes para dar-lhe seu merecido destaque.

Criado como musical da Broadway, estrelado por Ethel Merman e com canções de Cole Porter, o filme foi levado às telas por Mike Todd (terceiro marido de Elizabeth Taylor e produtor de “A volta ao mundo em 80 dias”). Conservando apenas a música homônima, o filme foi bem recebido e, apesar de não estar à altura de alguns musicais, ainda diverte e apresenta um dos momentos de maior brilho de nossa pequena notável.
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