} Crítica Retrô: Cesar Romero

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Saturday, July 1, 2023

Minha Secretária Brasileira (1942) / Springtime in the Rockies (1942)

 

Um mesmo filme pode ser visto de formas diferentes por diferentes públicos. Aspectos culturais podem nos fazer focar em um detalhe do filme e não vê-lo como ele foi primeiramente concebido. Tomemos como exemplo um filme estrelado por Betty Grable, “Minha Secretária Brasileira”. No Brasil, quando o filme estreou e mesmo hoje, ninguém o procura por causa de Grable: todos queremos ver Carmen Miranda, daí vem o título em português – o título original é “Springtime in the Rockies”, ou “Tempo de Primavera nas Montanhas Rochosas”. Para nós do lado debaixo do Equador, este filme é todo sobre Carmen Miranda.

 

The same film can be seen differently by different audiences. Cultural aspects may make us focus on a detail of the film and not see it as it was first conceived. Take for instance the Betty Grable vehicle “Springtime in the Rockies” (1942). In Brazil, when it premiered and even today, nobody went to the movies to see Grable: we all wanted to see Carmen Miranda. That’s why the film got a different title here: “My Brazilian Secretary”. For us below the Equator, this movie is all about Carmen Miranda.


Vicky Lane (Betty Grable) e Dan Christy (John Payne) são uma dupla no palco e fora dele. Ela é visitada uma noite em seu camarim por seu antigo parceiro de dança, Victor Prince (Cesar Romero), que quer retomar a parceria. Para a sorte de Victor, isto acontece na mesma noite em que Dan é pego em mais uma de suas aventuras com outras mulheres. Farta do comportamento de Dan, Vicky o deixa e volta para Victor.

 

Vicky Lane (Betty Grable) and Dan Christy (John Payne) are an item on and outside the stage. She is visited one night in her dressing room by her former dance partner, Victor Prince (Cesar Romero), who wants to resume their partnership. Luckily for Victor, this happens the same night Dan was in another of his adventures with other women. Fed up with Dan’s actions, Vicky leaves him for Victor.


A velha-porém-nova dupla, Victor e Victoria, sai em turnê pelas Montanhas Rochosas do Canadá e Dan vai atrás deles, com o objetivo de reconquistar Vicky. Ele leva consigo seus novos empregados: o criado McTavish (Edward Everett Horton), a secretária irlandês-brasileira Rosita Murphy (Carmen Miranda) e os seis irmãos de Rosita (interpretados pelos integrantes d’O Bando da Lua). Dan planeja usar Rosita para despertar o ciúme de Vicky.

 

The old-now-new duo, Victor and Victoria, go on tour to the Canadian Rockies and Dan goes after them, wishing to reconquer Vicky. He takes with him his new employees: valet McTavish (Edward Everett Horton), Irish-Brazilian secretary Rosita Murphy (Carmen Miranda) and Rosita’s six brothers (played by the men in the band O Bando da Lua). Dan plans to use Rosita to make Vicky jealous.


O destaque do elenco é Edward Everett Horton como McTavish, o criado de Dan. Um homem ultra-inteligente que tem vários diplomas universitários, ele agora quer aprender sobre coisas práticas da vida. Como sempre, Horton rouba a cena sempre que aparece. Há também espaço para a assistente pessoal de Vicky, Phoebe (Charlotte Greenwood), brilhar, quando ela fala sobre querer ter todos os homens antes de fazer seu próprio pequeno número de dança.

 

The highlight of the cast is Edward Everett Horton as McTavish, Dan’s valet. An ultra-intelligent man who has several college degrees, he now wants to learn the practical things in life. As always, Horton steals all the scenes he’s in. There is also space for Vicky’s personal assistant Phoebe (Charlotte Greenwood) to shine, when she talks about wanting all the men before doing her own little dance number.


Os cenários mostrados são simplesmente maravilhosos e nos fazem querer visitar as Montanhas Rochosas canadenses. Viajar através dos filmes é uma realidade: de fato, nós acabamos conhecendo muitos lugares primeiro através dos filmes, e só depois na vida real, quando viajamos. Dan diz que não precisa de uma bela vista quando tem Vicky consigo, mas eu discordo: as paisagens são mais bonitas que Betty Grable.

 

The landscapes shown are simply outstanding and make you wish to visit the Canadian Rockies. Travelling through movies is a reality: in fact, we get to know most places first through movies, and only later in real life, when we travel. Dan says that he needs no scenery when he has Vicky, but I disagree: the landscapes are more beautiful than Betty Grable.


“Minha Secretária Brasileira” é um remake de “Segunda Lua de Mel”, filme de 1937 estrelado por Tyrone Power e Loretta Young. Alice Faye deveria interpretar a protagonista, mas engravidou e precisou deixar a produção. Entra então Betty Grable e suas pernas de um milhão de dólares: o resultado é excelente. Grable traz vitalidade e atrevimento ao papel, estando perfeita tanto em momentos musicais quanto nos não-musicais.

 

“Springtime in the Rockies” is a remake of “Second Honeymoon”, a 1937 film starring Tyrone Power and Loretta Young. Alice Faye was supposed to play the lead, but got pregnant and had to leave the film. Enter Betty Grable and her million dollar legs and the result is amazing. Grable brings vitality and sass to the role, being perfect in both musical and non-musical moments.


Os números de dança ficaram a cargo do lendário coreógrafo Hermes Pan. Tendo trabalhado em filmes como “O Picolino” (1935) até “Minha Bela Dama” (1967), Pan foi um colaborador constante nos filmes de Fred Astaire, e até foi dublê de corpo de Astaire. Hermes Pan também dançou em frente às câmeras, tendo dançado em quatro filmes com Betty Grable, mas este não é o caso em “Minha Secretária Brasileira”.

 

The dances were staged by the legendary choreographer Hermes Pan. A choreographer who worked in films like “Top Hat” (1935) to “My Fair Lady” (1964), Pan was a constant collaborator on Fred Astaire movies, and even was Astaire’s body double. Hermes Pan also danced on screen, appearing alongside Betty Grable in four movies, but not in this “Springtime in the Rockies”.


O diretor é Irving Cummings. Hoje um nome praticamente esquecido, na Era de Ouro de Hollywood Cummings dirigiu vários filmes de sucesso. Ele começou como ator na Broadway, sendo parte da lendária companhia de teatro de Lillian Russell. Ele fez seu primeiro filme como ator em 1909 e em 1920 era um protagonista popular, quando começou a dirigir. Alguns dos filmes que ele dirigiu foram “No Velho Arizona” (1928), “A Pequena Órfã” (1935) com Shirley Temple, “Serenata Tropical” (1940) e “Minha Namorada Favorita” (1942).

 

The director is Irving Cummings. Now a practically forgotten name, in the Golden Age of Hollywood Cummings directed several successful pictures. He had his start as an actor on Broadway, being part of the legendary Lillian Russell’s company. He made his first film as an actor in 1909 and by 1920 was a popular leading man, when he started directing. Some of the films he directed were “In Old Arizona” (1928), “Curly Top” (1935) with Shirley Temple, “Down Argentine Way” (1940) and “My Gal Sal” (1942).


Não importa se você for ver o filme por Betty Grable ou por Carmen Miranda. “Minha Secretária Brasileira” é um musical muito divertido. Pode não ter músicas chiclete ou números de dança exagerados, mas é um bom exemplo do que os estúdios de Hollywood estavam fazendo nos anos 40: puro entretenimento.

 

No matter if you watch it for Betty Grable or Carmen Miranda, “Springtime in the Rockies” is a very enjoyable musical. It may not have catchy songs or over-the-top dance numbers, but it is a fine example of what Hollywood studios were doing in the 1940s: pure entertainment.

 

This is my contribution to the Betty Grable blogathon, hosted by Rebecca at Taking Up Room.

Sunday, January 25, 2015

A Lei da Fronteira / Frontier Marshal (1939)

1939 foi um grande ano para o gênero western. Durante a década de 1930, os filmes ambientados no Velho Oeste estavam quase sempre relegados à categoria B: eram curtos (por volta de uma hora de duração), feitos sem grande orçamento e destinados a ser a atração menor nas matinês e “double features”. Os westerns B eram o que garantiam o emprego do pobre John Wayne nos anos 30, mas tudo iria mudar: em 1939, John Ford e John Wayne levaram o western de volta à lista de gêneros mais prestigiados com “No tempo das diligências / Stagecoach”.
Também em 1939 foi feito “A Lei da Fronteira / Frontier Marshal”, o primeiro filme a contar a história de Wyatt Earp, Doc Holliday e o tiroteio no O.K. Corral. E um dos velhos conhecidos do western B foi escolhido como protagonista. Enquanto John Wayne fazia filmes ruins na Warner, Randolph Scott era o caubói rústico da Paramount. Na década de 1930, ele também participou de filmes de horror, aventura e até de um musical com Fred Astaire e Ginger Rogers! Mas ele voltaria às origens do Velho Oeste. Era só uma questão de tempo.
A cidade de Tombstone foi povoada por oportunistas que queriam ficar ricos explorando prata. Logo Tombstone se transformou em um lugar ideal para bandidos, e o xerife local (Ward Bond), com medo de morrer e deixar mulher e filhos desamparados, não queria combater o crime. Foi então que Wyatt Earp (Randolph Scott), descendo por um cano, afirmou que os bandidos precisavam ser detidos. E assim ele se tornou xerife de Tombstone.
O primeiro contato de Wyatt com Doc Holiday (Cesar Romero) não é nem um pouco amistoso: ele decide atirar em Wyatt depois que o novo xerife joga a cantora de saloon Jerry (Binnie Barnes) na água. Mas Wyatt é bem mais sensato que Doc porque, apesar de ser um perigoso pistoleiro, Doc sofre com a tuberculose e com seu vício pela bebida, duas coisas que também preocupam a enfermeira apaixonada Sarah (Nancy Kelly).
Aqui Doc Holliday é a grande estrela. Cesar Romero era nove anos mais novo que Randolph Scott, e até então havia sido estereotipado em Hollywood. Sim, ele contracenou com grandes estrelas, como William Powell, Shirley Temple e Carole Lombard, mas sempre interpretando algum tipo exótico ou estrangeiro, embora ele próprio tenha nascido em Nova York.
A confusão no filme começa quando o bandido Ben Carter (John Carradine) e seus capangas levam a força o comediante Eddie Foy (interpretado por seu filho Eddie Foy Jr) para se apresentar em um bar. Mas o tempo todo Doc Holliday é o verdadeiro alvo de Ben Carter.
“A Lei da Fronteira / Frontier Marshal” está longe de ser um western de primeira classe. Tem bons momentos, sim, incluindo a operação que Doc precisa fazer para salvar a vida de um garotinho. Randolph Scott não erra nenhum tiro e já constrói a persona de seus xerifes futuros. Para Scott, o melhor ainda estava por vir.

This is my contribution to The Blogathon for Randolph Scott , hosted by Toby at 50 Westerns from the 50s. Yipee!

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