} Crítica Retrô: Meryl Streep

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Wednesday, July 17, 2013

Dupla Dinâmica: Sydney Pollack e Robert Redford

Algumas parcerias entre ator e diretor são mais famosas que os próprios filmes que delas surgiram. É quase impossível não citá-los juntos: Lillian Gish e D. W. Griffith, Leonardo Di Caprio e Martin Scorsese, Toshiro Mifune e Akira Kurosawa. Outras parcerias não alcançam o mesmo brilho, mas também criam excelentes filmes. O post de hoje é sobre um desses casos.
Sydney Irwin Pollack (1934 – 2008) foi ator, produtor e diretor. Quando criança, ele queria ser médico, mas os palcos o chamaram aos 17 anos. Ex-membro do Actor’s Studio, ele começou a atuar na televisão e teve como conselheiro ninguém mais ninguém menos que Burt Lancaster, que o incentivou a começar a dirigir películas.
Charles Robert Redford Jr. (1936) tem como destaque, além da carreira no cinema, seu trabalho junto à preservação do meio-ambiente e à difusão dos filmes independentes. Expulso da faculdade e interessado em pintura, ele também começou a atuar na televisão e atingiu o status de galã em meados da década de 1960. 
Redford ainda era um novato quando fez sua primeira colaboração com Pollack. O ano era 1962, o filme era “Obsessão de Matar / War Hunt” e ambos estreavam no cinema como atores. O assunto era a Guerra da Coreia, e o filme recebeu boas críticas.
O próximo encontro foi na adaptação de uma peça de Tennessee Williams para o cinema, e dessa vez Sydney estava por trás das câmeras. “Esta mulher é proibida / This property is condemned” estreou em 1966, traz uma das melhores atuações de Natalie Wood e também a recém-chegada Mary Badham (a Scout de “O sol é para todos / To kill a mockingbird”). Natalie é Alva, a moça mais cobiçada de uma pequena cidade à beira da ferrovia onde Owen (Redford) vai trabalhar. Os dois se apaixonam, mas a mãe de Alva quer que ela se case com um homem bem mais velho (Charles Bronson).
Saindo de seu sucesso western “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969) e colhendo frutos por sua boa atuação, Redford voltou a trabalhar com Pollack em “Mais forte que a vingança / Jeremiah Johnson” (1972). Com um papel que foi recusado por Clint Eastwood, Redford é um veterano da guerra contra o México que não quer nada além de viver tranquilamente no Oeste, o que, podemos imaginar, não será fácil de conseguir.
E quem disse que Redford não é romântico? Ele foi o protagonista de “Nosso amor de ontem / The way we were” (1973), talvez mais conhecido pela música-título, cantada por Barbra Streisand, que também atua. A história de amor entre opostos floresce em um reencontro de colegas da faculdade. Enquanto ela é ativista, ele deseja ser escritor e finalmente consegue trabalho em Hollywood, mas na pior época possível para seu relacionamento: durante o MacCarthismo.
Se Redford passou por tantos gêneros, por que não se aventurar no suspense com toques de espionagem? A Guerra Fria caminhava quando foi feito “Três dias do Condor / Three days of the Condor” (1975), com um elenco de estrelas que incluía Max von Sydow, Faye Dunaway e Cliff Robertson. Mesmo assim, a trama é atípica, pois é sobre um agente da CIA que descobre que não pode confiar em ninguém dentro da organização.
Outra parceira constante de Redford, Jane Fonda, participou com ele de “O cavaleiro elétrico / The electric horseman” (1979). Jane é a repórter Hallie, que faz de tudo para conseguir uma boa história enquanto cobre um rodeio do qual participa o cowboy aposentado Sonny (Redford). Ao perceber que um cavalo do desfile foi dopado, ele foge com o animal e Hallie o segue. Além da história comovente e pertinente, o filme vale por Jane andando de salto alto no deserto e pelas roupas cheias de luzes de Robert.
A obra mais famosa de Pollack também traz Redford como galã. Com ares de épico, “Entre dois amores / Out of Africa” (1985) foi inspirado em uma história real contada nos diários de Karen Blixen, interpretada no filme por Meryl Streep. Karen é uma dinamarquesa que se casa com o barão Bron Finecke (Klaus Maria Brandauer) e vai morar na Africa. Seu único objetivo é fazer prosperar as plantações de tabaco do marido, que realmente não se importa muito com elas. Nessa terra estranha ela conhece o aventureiro Dennis (Redford) e os dois começam um affair.
A colaboração final veio em 1990 com “Havana”, sobre um jogador que vai à capital cubana em 1958 e se envolve com pessoas que mais tarde fariam a revolução socialista no país.
Pollack ganhou o Oscar de Melhor Diretor em 1986. Ironicamente, isso foi depois que Redford conseguiu seu próprio Oscar na mesma categoria em seu filme de estreia como diretor, “Gente como a gente / Ordinary People”, em 1982. Quando o diretor faleceu, no final de 2008, Redford deu uma entrevista à revista TIME sobre sua amizade com Pollack. A Sydney seria concedida uma última honra: a de ser indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme como produtor de “O Leitor / The Reader”, sua última produção. Mas talvez sejam as palavras de Robert a melhor das homenagens.

This is my contribution for the Sydney Pollack Blogathon, hosted by Seetimar - Diary of a Movie Lover.

Monday, February 27, 2012

Oscar 2012

A grande festa da Academia, em sua edição número 84, continua a atrair milhões de pessoas ao redor do mundo. Seja pelos ganhadores, por torcer por alguém ou algum filme em particular ou mesmo para conferir os elegantes trajes do tapete vermelho, há sempre um público cativo para o Oscar.
Alguns ganhadores eram quase certeza, devido aos prêmios que vieram antes na temporada de premiação, como Melhor Ator e Atriz Coadjuvante para Christopher Plummer e Octavia Spencer. Plummer, aliás, estabeleceu um novo recorde como o mais velho ganhador, aos 82 anos. Alguns prêmio técnicos também não eram novidade, como Melhor Figurino e Trilha Sonora para “O Artista”.
Os prêmios principais, últimos a serem apresentados, ficaram com Michel Hazanavicious (Diretor), Jean Dujardin (Ator), Meryl Streep (Atriz) e “O Artista” (Filme), quebrando outro recorde ao ser o primeiro filme mudo a ganhar a honra máxima desde a primeira cerimônia, em 1929. E, por falar em recordes, Meryl juntou-se a Ingrid Bergman com a marca de três Oscars, dois como Atriz Principal e um como Coadjuvante.
O grande ganhador da noite foi “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese que, contudo, não levou o prêmio de Melhor Diretor. O filme ganhou cinco Oscars (empatado com “O Artista”), destacando-se em categorias técnicas, como Melhores Edição e Mixagem de Som, Montagem, Direção de Arte e Efeitos Especiais
Com a volta de Billy Cristal como apresentador pela nona vez, alguns risos foram garantidos. Achei bastante simpático o número inicial, em que ele apresentou os concorrentes a Melhor Filme com paródias de algumas famosas músicas americanas. Embora ele não seja um astro do humor contemporâneo (um de seus maiores sucessos é uma comédia da geração passada, “Harry e Sally”, de 1989) foi uma boa aposta. Afinal, a Academia tenta a cada ano chamar o público mais jovem para ver o show armado.   
Mais uma vez o Brasil ficou a ver navios, perdendo a estatueta de Melhor Canção Original para “Man or Muppet”. E a glória de Melhor Filme Estrangeiro foi para o iraniano “A Separação”. O prêmio de Melhor Roteiro Adaptado foi para “Os Descendentes” e o de Roteiro Original, para “Meia-Noite em Paris” e, é claro, Woody Allen não apareceu. 
E, quanto a mim, percebi que preciso estudar mais estatística ou ao menos melhorar minha capacidade de chute. Do bolão feito, acertei 15 das 24 categorias. Para o próximo ano, pretendo melhorar assistindo aos indicados ou ao menos me informando melhor sobre eles se, é claro, perder a magia que vem junto com essa incrível festa do Oscar, celebração máxima do poder do cinema. Ah, e viva os primórdios da sétima arte!
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