Charme, elegância, riqueza e assassinato. É essa a receita do sucesso de
“Casal 20 / Hart to Hart”. A série se concentra na vida de Jonathan (Robert
Wagner) e Jennifer (Stefanie Powers), um casal rico, lindo e que adora viver
perigosamente. Exatamente quando estão curtindo a vida, Jonathan e Jennifer se
envolvem em algum tipo de crime e sempre, sempre, o solucionam. Na mansão junto
com eles vivem o simpático mordomo Max (Lionel Stander) e o cãozinho Freeway.
Um episódio em particular foi muito interessante, por contar com uma
participação super especial: Ray Milland. No 12º episódio da terceira
temporada, “My Hart Belongs to Daddy”, Ray interpreta Stephen Harrison Edwards,
o pai de Jennifer.
No episódio, Jonathan e Jennifer vão visitar o pai dela em uma bela
mansão em Washington, afinal, Jennifer já vinha de família rica. Embora
simpático, Stephen se mostra distante e não consegue esconder o fato de que
algo o está perturbando. Jonathan e Jennifer descobrem que, após a guerra,
Stephen e alguns colegas do exército ficaram encarregados de capturar e levar
um nazista a julgamento. Agora, o filho deste nazista busca vingança, e começou
matando alguns dos homens que participaram desta missão. O pai de Jennifer é o
próximo da lista.
O ponto alto do episódio é uma briga no museu, envolvendo Jonathan e o
criminoso. Este episódio foi ao ar originalmente em janeiro de 1982. Ray
Milland participou de outro episódio, intitulado “Long Lost Love” e exibido em
novembro de 1983. Desta vez, Stephen vê Jillian, uma mulher muito parecida com
uma enfermeira com quem ele se envolveu durante a guerra, e passa a acreditar
que Jillian é meio-irmã de Jennifer. Jillian é interpretada por Samantha Eggar,
de “Devagar, não corra / Walk, don’t run” (1966) e “O Fabuloso Dr. Dolittle /
Doctor Dolittle” (1969).
Essas não são as únicas ligações da série com o cinema clássico. As
outras ligações aconteciam fora dos estúdios: enquanto Robert Wagner era casado
com Natalie Wood, atriz que começou ainda criança e conquistou seu espaço
merecido graças ao talento e à beleza, Stefanie Powers tinha um romance com
William Holden. Natalie morreu em um acidente no mar, enquanto Holden sofreu
uma hemorragia severa após cair e cortar a testa. Há indícios de que ele estaria
muito bêbado no momento fatal, mas algumas pessoas acreditam que tanto Natalie
quanto Holden foram assassinados. O corpo de William foi encontrado em 20 de
novembro de 1981, e Natalie faleceu nove dias depois.
Além das ligações amorosas, os astros marcaram presença no cinema:
Robert estreou nos anos 50 e contracenou com alguns dos mestres, como James
Cagney em “Sangue por Glória / What Price Glory” (1952) e Barbara Stanwyck, com
quem ele pode ou não ter tido um romance, em “Náufragos do Titanic / Titanic”
(1953). Ele também esteve no filme cheio de estrelas “O mais longo dos dias /
The Longest Day” (1962) e protagonizou a série “O Rei dos Ladrões / It takes a
thief” durante três temporadas, na qual seu pai era interpretado por ninguém
mais, ninguém menos que Fred Astaire. Desta série participaram também Joseph
Cotten e Fernando Lamas.
Stefanie Powers, em seus tempos de adolescente, estudava balé na mesma
classe de Natalie Wood. Powers, entretanto, só começou a atuar aos 18 anos,
participando de muitas séries de TV. Em 1966 ela esteve no remake de “No tempo
das diligências / Stagecoach”, no papel que foi de Louise Platt. Três anos
antes, ela esteve nos cinemas com o protagonista original de Stagecoach, John
Wayne. Em “Quando um homem é um homem / McLintock!”, ela interpreta a filha de
Wayne. Ela também participou de um dos meus guilty
pleasures: “As novas aventuras do fusca / Herbie rides again” (1974).
Lionel Stander, antes de ser o fiel mordomo Max, era o fiel e esperto
amigo de Vickie Lester (Janet Gaynor) em “Nasce uma Estrela / A star is born”
(1937). Você pode não ter prestado atenção, mas ele esteve em filmes como “O
galante Mr. Deeds / Mr. Deeds comes to town” (1936) e “Era uma vez no Oeste”
(1968). Ao se tornar alvo de investigações durante a caça aos comunistas, ele
saiu dos Estados Unidos e fez carreira na Itália. Lionel faleceu em 1994, e sua
morte foi usada na trama de um dos oito filmes que se seguiram à série Hart to
Hart.
Ray Milland é um velho conhecido: nascido no País de Gales, fez carreira
na Hollywood dos anos 30 trabalhando em comédias. Sua escalação em “Farrapo
Humano / The Lost Weekend” (1945), foi uma manobra arriscada de Billy Wilder
que deu muito certo, afinal, Ray ganhou o Oscar de Melhor Ator. Depois de ter
de deixar seu cabelo cacheado para o filme “Vendaval de Paixões / Reap the Wild
Wind” (1942), Ray começou a ficar careca. A partir da década de 70, passou a
fazer papéis coadjuvantes, destacando-se em “Love Story” (1970). Ray Milland
faleceu em 1986.
Outros atores e atrizes do cinema clássico participaram de Hart to Hart,
entre eles Roddy McDowall, Jeanette Nolan, Eva Gabor e Gilbert Roland. A série
teve cinco temporadas (1979-1984), oito filmes e muitas reprises. Escrevendo
este post, lembrei-me de quanto amo Jonathan, Jennifer, Max e Freeway. Afinal,
de uma série criada por Sidney Sheldon, baseando-se em Nick e Nora Charles, só
se poderia esperar um bom toque clássico.
This is my contribution to the Big Stars on the Small Screen blogathon, hosted by the always great Aurora at How Sweet it Was.