} Crítica Retrô: Lionel Stander

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Thursday, March 20, 2014

Casal 20 / Hart to Hart e o ilustre Ray Milland

Charme, elegância, riqueza e assassinato. É essa a receita do sucesso de “Casal 20 / Hart to Hart”. A série se concentra na vida de Jonathan (Robert Wagner) e Jennifer (Stefanie Powers), um casal rico, lindo e que adora viver perigosamente. Exatamente quando estão curtindo a vida, Jonathan e Jennifer se envolvem em algum tipo de crime e sempre, sempre, o solucionam. Na mansão junto com eles vivem o simpático mordomo Max (Lionel Stander) e o cãozinho Freeway.

Um episódio em particular foi muito interessante, por contar com uma participação super especial: Ray Milland. No 12º episódio da terceira temporada, “My Hart Belongs to Daddy”, Ray interpreta Stephen Harrison Edwards, o pai de Jennifer.


No episódio, Jonathan e Jennifer vão visitar o pai dela em uma bela mansão em Washington, afinal, Jennifer já vinha de família rica. Embora simpático, Stephen se mostra distante e não consegue esconder o fato de que algo o está perturbando. Jonathan e Jennifer descobrem que, após a guerra, Stephen e alguns colegas do exército ficaram encarregados de capturar e levar um nazista a julgamento. Agora, o filho deste nazista busca vingança, e começou matando alguns dos homens que participaram desta missão. O pai de Jennifer é o próximo da lista.

O ponto alto do episódio é uma briga no museu, envolvendo Jonathan e o criminoso. Este episódio foi ao ar originalmente em janeiro de 1982. Ray Milland participou de outro episódio, intitulado “Long Lost Love” e exibido em novembro de 1983. Desta vez, Stephen vê Jillian, uma mulher muito parecida com uma enfermeira com quem ele se envolveu durante a guerra, e passa a acreditar que Jillian é meio-irmã de Jennifer. Jillian é interpretada por Samantha Eggar, de “Devagar, não corra / Walk, don’t run” (1966) e “O Fabuloso Dr. Dolittle / Doctor Dolittle” (1969).   

Essas não são as únicas ligações da série com o cinema clássico. As outras ligações aconteciam fora dos estúdios: enquanto Robert Wagner era casado com Natalie Wood, atriz que começou ainda criança e conquistou seu espaço merecido graças ao talento e à beleza, Stefanie Powers tinha um romance com William Holden. Natalie morreu em um acidente no mar, enquanto Holden sofreu uma hemorragia severa após cair e cortar a testa. Há indícios de que ele estaria muito bêbado no momento fatal, mas algumas pessoas acreditam que tanto Natalie quanto Holden foram assassinados. O corpo de William foi encontrado em 20 de novembro de 1981, e Natalie faleceu nove dias depois.
Além das ligações amorosas, os astros marcaram presença no cinema: Robert estreou nos anos 50 e contracenou com alguns dos mestres, como James Cagney em “Sangue por Glória / What Price Glory” (1952) e Barbara Stanwyck, com quem ele pode ou não ter tido um romance, em “Náufragos do Titanic / Titanic” (1953). Ele também esteve no filme cheio de estrelas “O mais longo dos dias / The Longest Day” (1962) e protagonizou a série “O Rei dos Ladrões / It takes a thief” durante três temporadas, na qual seu pai era interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Fred Astaire. Desta série participaram também Joseph Cotten e Fernando Lamas.

Stefanie Powers, em seus tempos de adolescente, estudava balé na mesma classe de Natalie Wood. Powers, entretanto, só começou a atuar aos 18 anos, participando de muitas séries de TV. Em 1966 ela esteve no remake de “No tempo das diligências / Stagecoach”, no papel que foi de Louise Platt. Três anos antes, ela esteve nos cinemas com o protagonista original de Stagecoach, John Wayne. Em “Quando um homem é um homem / McLintock!”, ela interpreta a filha de Wayne. Ela também participou de um dos meus guilty pleasures: “As novas aventuras do fusca / Herbie rides again” (1974).      

Lionel Stander, antes de ser o fiel mordomo Max, era o fiel e esperto amigo de Vickie Lester (Janet Gaynor) em “Nasce uma Estrela / A star is born” (1937). Você pode não ter prestado atenção, mas ele esteve em filmes como “O galante Mr. Deeds / Mr. Deeds comes to town” (1936) e “Era uma vez no Oeste” (1968). Ao se tornar alvo de investigações durante a caça aos comunistas, ele saiu dos Estados Unidos e fez carreira na Itália. Lionel faleceu em 1994, e sua morte foi usada na trama de um dos oito filmes que se seguiram à série Hart to Hart.

Ray Milland é um velho conhecido: nascido no País de Gales, fez carreira na Hollywood dos anos 30 trabalhando em comédias. Sua escalação em “Farrapo Humano / The Lost Weekend” (1945), foi uma manobra arriscada de Billy Wilder que deu muito certo, afinal, Ray ganhou o Oscar de Melhor Ator. Depois de ter de deixar seu cabelo cacheado para o filme “Vendaval de Paixões / Reap the Wild Wind” (1942), Ray começou a ficar careca. A partir da década de 70, passou a fazer papéis coadjuvantes, destacando-se em “Love Story” (1970). Ray Milland faleceu em 1986.

Outros atores e atrizes do cinema clássico participaram de Hart to Hart, entre eles Roddy McDowall, Jeanette Nolan, Eva Gabor e Gilbert Roland. A série teve cinco temporadas (1979-1984), oito filmes e muitas reprises. Escrevendo este post, lembrei-me de quanto amo Jonathan, Jennifer, Max e Freeway. Afinal, de uma série criada por Sidney Sheldon, baseando-se em Nick e Nora Charles, só se poderia esperar um bom toque clássico.

This is my contribution to the Big Stars on the Small Screen blogathon, hosted by the always great Aurora at How Sweet it Was. 


Friday, July 26, 2013

Viver sonhando / Texas, Brooklyn and Heaven (1948)

O título da blogathon é “William Castle – Scaring the pants off America”, mas em nada o terror tem a ver com esse filme do começo da carreira do diretor, que então tinha apenas 34 anos. A comédia leve e simpática conta com protagonistas pouco conhecidos, mas é um entretenimento charmoso e muito superior ao que encontramos atualmente.
Eddie Tayloe (Guy Madison) trabalha em um jornal no Texas e não tem muitas perspectivas. Ele fica sabendo que seu avô faleceu e lhe deixou seis mil dólares, o que pode não parecer muito, mas que na época foi suficiente para o personagem sair do emprego e ir para Nova York, atrás de seu sonho de escrever uma peça. Na estrada seu carro enguiça, e quem surge pedindo carona é Perry (Diana Lynn). No início eles se desentendem, mas a moça volta e conserta o carro dele, e ambos seguem para Nova York.
Eddie vai morar em um pequeno hotel para escrever sua peça, enquanto Perry ajuda uma velha ladra dizendo aos policiais que ela é sua mãe. Perry e a falsa mãe vão morarem uma pensão comandada por três irmãs solteiras e ranzinzas, sendo que uma delas é interpretada pela inconfundível Margaret Hamilton, a Bruxa Má do Oeste de “O Mágico de Oz” (1939). 
Viver na Big Apple não fácil para um aspirante a dramaturgo nem mesmo para uma jovem que tem um diploma de secretária conseguido em um curso por correspondência. Perry vai trabalhar em um arque de diversões, onde um espectador passa dos limites, despertando o ciúme de Eddie. E é através de Eddie, ou melhor, do narrador da história, o proprietário de um bar, que Perry consegue um novo emprego.   
Assim que a peça de Eddie é rejeitada, o dono do bar o leva para uma inusitada academia, pertencente ao excêntrico Gaboolian (Michael Chekhov). No local, pessoas estressadas, como um ex-capitão e um farmacêutico, podem experimentar realidades alternativas ou a volta a um ambiente agradável como forma de esquecer os problemas. Assim o farmacêutico se torna por alguns minutos um explorador andando de camelo pelo deserto, o ex-capitão volta a navegar e Eddie acaba com as saudades do Texas andando em um cavalo mecânico. Um lugar maluco, mas para onde eu adoraria ir quando me faltasse inspiração.
Além da já citada Margaret Hamilton, o elenco de coadjuvantes inclui o simpático Lionel Stander, mais conhecido como o mordomo Max da série “Casal 20 / Hart to Hart”, e Florence Bates como a hilária velha ladra. O charmoso Guy Madison, nesse que é apenas seu terceiro filme, faz um protagonista cheio de boas intenções. Pouco lembrado, o ator praticamente se especializou em interpretar militares. Já Diana Lynn, que em sua primeira cena à noite parece que inspirou suas sobrancelhas nas de Carmen Miranda, foi uma criança prodígio que estreou no cinema aos 13 anos, quando já era pianista. Participou de “Papai por Acaso / The Miracle of Morgan’s Creek” (1944), mas seus papéis quando adulta foram piorando. Trabalhou numa agência de viagens em Nova York e se preparava para voltar ao cinema quando sofreu um derrame fatal aos 45 anos, em 1972.
William Castle estava em seu 15º filme. Sua produção incluiu vários filmes de terror de baixo orçamento, mas não por isso ruins. Ele muitas vezes imitava Hitchcock, fazendo aparições em seus filmes. Sua maior contribuição para o cinema foi comprar os direitos do livro de Ira Levin “O bebê de Rosemary”. No entanto, a Paramount exigiu que William não dirigisse o filme. Assim, Roman Polanski entrou como diretor e Castle permaneceu como produtor, mas apareceu brevemente na tela fora da cabine telefônica em que Mia Farrow se desespera.
Este homem curioso que trabalhou com Orson Welles no rádio e foi co-produtor de “A dama de Xangai” (1947) ficou mais conhecido por seus filmes de terror, mas tem em “Texas, Brooklyn and Heaven” uma simpática amostra de sua versatilidade.


‘Texas, Brooklyn and Heaven” está disponível no YouTube e no InternetArchive.

This is my contribution for the William Castle Blogathon, hosted by The Last DriveIn and Goregirl’s Dungeon.   

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