} Crítica Retrô: Robert Wagner

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Robert Wagner. Show all posts
Showing posts with label Robert Wagner. Show all posts

Sunday, September 16, 2018

O Caçador de Aventuras (1966) / Harper (1966)


Um fato pouco conhecido na comunidade de cinema clássico é que eu queria ser detetive quando era criança. OK, esse pode não ser um fato relevante para a comunidade de cinema clássico, mas é importante para este artigo. Quando criança, minha única referência de detetive era Sherlock Holmes. Conforme eu cresci, eu conheci Philo Vance e Nick Charles, ambos interpretados por William Powell. Os anos 30 e 40 foram cheios de detetives bacanas e, em meados dos anos 60, Hollywood decidiu que era hora de trazer de volta estes detetives bacanas. E Paul Newman foi o escolhido para seguir as pistas, porque Newman é o epítome de tudo que é mais bacana.

A little known fact in the classic film community is that I wanted to be a detective when I was a child. OK, this may be irrelevant information for the classic film community as a whole, but it is important for this post. As a kid, my only detective reference was Sherlock Holmes. As I grew up, I got to know other cool sleuths, like Philo Vance and Nick Charles, both played by William Powell. The 1930s and 1940s were full of cool detectives, and when the mid 1960s came, Hollywood decided it was time to bring back cool detectives. And Paul Newman was chosen to follow clues, because Newman is the epithome of cool.


Lew Harper (Paul Newman) não é um detetive comum. Para começar, ele vive em seu escritório em um prédio comercial, dormindo e preparando refeições em um combo improvisado de cama / cozinha / mesa de trabalho. Ele não é particularmente atlético, sedutor ou sortudo. Ele não tem aparelhos mirabolantes e algumas vezes ele perde oportunidades e escapa por pouco da morte com ajudas improváveis – às vezes, até o público é mais esperto que ele. E ele é um palhaço. É como se Paul Newman, um conhecido piadista, tivesse se tornado detetive!

Lew Harper (Paul Newman) is not a common detective – if there ever was one in fiction. To begin with, he lives in his office in a commercial building, sleeping and preparing meals in an improvised bed / kitchen / desk combo. He is not particularly athletic, seductive or lucky. He does not have gadgets and sometimes he misses opportunities and narrowly escapes death with improbable help – sometimes, even the audience outsmarts him. And he's goofy. It's like Paul Newman, a huge prankster, became a detective!


Harper é chamado para solucionar o desaparecimento de Ralph Sampson, um homem rico e mentalmente instável, cuja paranoia faz com que seja impossível a família envolver a polícia no caso. E “família” é um termo não muito correto para estes tipos: temos Elaine Sampson (Lauren Bacall), a esposa que de fato chamou Harper, Miranda (Pamela Tiffin), a filha do Sr Sampson de um casamento anterior, e Alan (Robert Wagner), o jovem piloto que mora na casa dos fundos.

Harper is called to solve the disappearance of Ralph Sampson, a rich and mentally unstable man whose paranoia makes it impossible for his family to call the police when he goes missing. And “family” is a nice way of putting it: we have Elaine Sampson (Lauren Bacall), the wife who effectively called Harper, Miranda (Pamela Tiffin), Mr Sampson's daughter from a previous marriage, and Alan (Robert Wagner), the young pilot who lives in the back house.


Eles começam a investigar em Los Angeles, onde Ralph foi visto pela última vez. Lá, Harper conhece uma ex-atriz que Ralph costumava encontrar, Fay Estabrook (Shelley  Winters), uma pianista de bar que tem problemas com drogas, Betty Fraley (Julie Harris) e outras figuras estranhas. Completando o caso, há astrologia, um guru com um templo no topo de uma montanha, e contratação ilegal de mão de obra estrangeira. Ah, e também há o amigo advogado de Harper, Albert Graves (Arthur Hill), que é apaixonado por Miranda mas não sabe como conquistá-la. Sim, é uma grande bagunça.

They start investigating in Los Angeles, where Ralph was last seen. There, Harper meets a former actress who Ralph used to see, Fay Estabrook (Shelley Winters), a piano player from a bar who has some problems with narcotics, Betty Fraley (Julie Harris) and other odd figures. To complete the case, there is astrology, a guru with a temple on the top of a mountain and illegal foreign workers. Oh, and there is also Harper's lawyer friend, Albert Graves (Arthur Hill), who is in love with Miranda but doesn't know how to conquer the girl. Yes, it's a complete mess.


Mesmo com a trama complicada, o filme é bem divertido. Os anos 60 foram provavelmente a década com os filmes mais divertidos – e não estou falando das comédias mais engraçadas. Mesmo os filmes ruins dos anos 60 nos divertem. Toda a atmosfera da década é divertida: a arquitetura e decoração, as roupas, as músicas em especial, e as atuações. “Harper” tem de tudo, com destaque para as muitas frases irônicas proferidas pelo protagonista.

Even if the plot is so complicated, the film is too much fun. The 1960s were probably the decade in which the funniest movies were made – and I'm not talking about the funniest comedies. Even the bad 1960s movies are fun to watch. The whole 1960s atmosphere is fun: the architecture and decoration, the clothes, the songs in particular, and the performances. “Harper” has it all, and also many funny lines spoken by the lead.


A enteada Miranda diz que Elaine “não é mais uma grande beldade” - e eu discordo. Aos 42 anos, Lauren Bacall podia ser considerada “madura” para os padrões de Hollywod, mas ela nunca deixou de ser bela, porque ela tinha mais do que beleza: ela tinha classe. Mesmo quando jovem – ela tinha só 19 quando filmou “Uma Aventura na Martinica” (1944) – ela já possuía esta classe que a fazia brilhar.

The stepdaughter Miranda says about Elaine: “she's not a raving beauty anymore” - I choose to disagree. At 42, Lauren Bacall could be considered “mature” for Hollywood standards, but beauty is something she never lost, because she had more than beauty: she had class. Even as a young woman – only 19 when filming “To Have and Have Not” (1944) – she already possessed this class that made her glow.


Em “Harper”, Lauren Bacall é quase desperdiçada, aparecendo apenas em algumas cenas e só sentada, porque sua personagem havia sofrido um acidente andando a cavalo. Isso pode não ser muito legal – especialmente se considerando que Paul Newman, o protagonista, era apenas um ano mais novo que Bacall – mas há uma razão. “Harper” queria fazer uma homenagem aos filmes de detetive de Humphrey Bogart, em especial “À Beira do Abismo” (1946). Nele, o homem que contrata Phillip Marlowe, o Sr Sternwood, está numa cadeira de rodas, assim como a personagem de Bacall em “Harper”.

In “Harper”, Lauren Bacall is nearly wasted, appearing in a few scenes and only seated, because her character had suffered a horseback riding accident. This may not be very nice – especially considering that Paul Newman, the lead, was only a year younger than Bacall – but there is a reason. “Harper” wanted to pay tribute to Humphrey Bogart’s detective films, in special “The Big Sleep” (1946). In it, the man who hires Phillip Marlowe, Mr Sternwood, is in a wheelchair, just like Bacall’s character in “Harper”.


E já que estamos falando sobre beldades, precisamos falar sobre Shelley Winters. Sua personagem é uma ex-atriz que abandonou a carreira após engordar, e por causa disso ela é vista como uma criatura ridícula que só serve para fazer rir. Na vida real, a carreira de Shelley pode ser dividida em duas fases, e em ambas ela fez mais papéis coadjuvantes que principais. Ela teve dificuldades na primeira fase por ser considerada “vulgar demais” para papéis importantes, e por isso só conseguiu papéis menores, porém vitais para os filmes em que apareceu. A segunda fase começa com “O diário de Anne Frank” (1959), pelo qual ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, e nessa fase, com o ganho de peso, ela se especializou em papéis de matrona, bêbada ou cômica.

And since we're talking about beauty, we need to talk about Shelley Winters. Her character is a former actress who lost her career as she got fat, and because of it she is played as a ridiculous thing to be laughed at. In real life, Winters's career can be divided in two phases, both more as a supporting actress than a lead. She struggled in the first phase, because she was considered “too vulgar” for big roles and got only smaller, yet important, ones. The second phase begins with “The Diary of Anne Frank” (1959), for which she won the Best Supporting Actress Oscar, and in this phase, as she gained weight, she became a character actress specialized in drunk, reckless, fun or matronly roles.


E temos outra mulher em “Harper” que ainda não foi mencionada: Janet Leigh interpreta Susan, a esposa que Lew Harper, que quer o divórcio, mas Harper não assina os papéis. Susan não tem muita serventia no filme – talvez ela esteja lá para conferir um passado mais humano para Harper – e o problema do divórcio nunca é resolvido. Eu tenho a impressão de que a ideia original era iniciar uma série de filmes de Harper – no modelo James Bond – mas apenas uma sequência foi feita, em 1975: “A Piscina Mortal”.

And we have another woman in “Harper” that wasn’t mentioned yet: Janet Leigh plays Susan, Lew Harper’s wife who is seeking a divorce, but Harper won’t sign the papers. Susan doesn’t really have a reason to exist in the film – maybe she is there to give a more human past to Harper – and their divorce situation is never really solved. I have the impression the original idea was to start a Harper series of films – like the Bond series – but only a sequel was made, in 1975: “The Drowning Pool”.


“Harper” é divertido principalmente por causa do roteirista William Goldman, que faz sua estreia sozinho aqui. Goldman escreveria o roteiro de muitos outros filmes, como “Butch Cassidy” (1969) e “Todos os Homens do Presidente” (1976). E “Harper” funciona também por causa de Paul Newman, um ator muito talentoso e BACANA. Eu não tenho uma vontade maior de ser detetive agora porque fui inspirada por Harper. Mas eu espero que todos que virem “Harper” se sintam ao menos inspirados a tentar ser tão bacana quanto Paul Newman – se isso foi possível.

“Harper” is funny mainly because of screenwriter William Goldman, making his debut solo here. Goldman would go on to write screenplays for many films, like “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969) and “All the President's Men” (1976). And “Harper” works also because of Paul Newman, a very talented and COOL actor. I'm not now more inclined to be a detective than I was before because I was inspired by “Harper”. But I hope everybody that sees “Harper” gets inspired, at least, to try to be as cool as Paul Newman – if this is even possible.

This is my contribution to the Second Lauren Bacall blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.


Thursday, March 20, 2014

Casal 20 / Hart to Hart e o ilustre Ray Milland

Charme, elegância, riqueza e assassinato. É essa a receita do sucesso de “Casal 20 / Hart to Hart”. A série se concentra na vida de Jonathan (Robert Wagner) e Jennifer (Stefanie Powers), um casal rico, lindo e que adora viver perigosamente. Exatamente quando estão curtindo a vida, Jonathan e Jennifer se envolvem em algum tipo de crime e sempre, sempre, o solucionam. Na mansão junto com eles vivem o simpático mordomo Max (Lionel Stander) e o cãozinho Freeway.

Um episódio em particular foi muito interessante, por contar com uma participação super especial: Ray Milland. No 12º episódio da terceira temporada, “My Hart Belongs to Daddy”, Ray interpreta Stephen Harrison Edwards, o pai de Jennifer.


No episódio, Jonathan e Jennifer vão visitar o pai dela em uma bela mansão em Washington, afinal, Jennifer já vinha de família rica. Embora simpático, Stephen se mostra distante e não consegue esconder o fato de que algo o está perturbando. Jonathan e Jennifer descobrem que, após a guerra, Stephen e alguns colegas do exército ficaram encarregados de capturar e levar um nazista a julgamento. Agora, o filho deste nazista busca vingança, e começou matando alguns dos homens que participaram desta missão. O pai de Jennifer é o próximo da lista.

O ponto alto do episódio é uma briga no museu, envolvendo Jonathan e o criminoso. Este episódio foi ao ar originalmente em janeiro de 1982. Ray Milland participou de outro episódio, intitulado “Long Lost Love” e exibido em novembro de 1983. Desta vez, Stephen vê Jillian, uma mulher muito parecida com uma enfermeira com quem ele se envolveu durante a guerra, e passa a acreditar que Jillian é meio-irmã de Jennifer. Jillian é interpretada por Samantha Eggar, de “Devagar, não corra / Walk, don’t run” (1966) e “O Fabuloso Dr. Dolittle / Doctor Dolittle” (1969).   

Essas não são as únicas ligações da série com o cinema clássico. As outras ligações aconteciam fora dos estúdios: enquanto Robert Wagner era casado com Natalie Wood, atriz que começou ainda criança e conquistou seu espaço merecido graças ao talento e à beleza, Stefanie Powers tinha um romance com William Holden. Natalie morreu em um acidente no mar, enquanto Holden sofreu uma hemorragia severa após cair e cortar a testa. Há indícios de que ele estaria muito bêbado no momento fatal, mas algumas pessoas acreditam que tanto Natalie quanto Holden foram assassinados. O corpo de William foi encontrado em 20 de novembro de 1981, e Natalie faleceu nove dias depois.
Além das ligações amorosas, os astros marcaram presença no cinema: Robert estreou nos anos 50 e contracenou com alguns dos mestres, como James Cagney em “Sangue por Glória / What Price Glory” (1952) e Barbara Stanwyck, com quem ele pode ou não ter tido um romance, em “Náufragos do Titanic / Titanic” (1953). Ele também esteve no filme cheio de estrelas “O mais longo dos dias / The Longest Day” (1962) e protagonizou a série “O Rei dos Ladrões / It takes a thief” durante três temporadas, na qual seu pai era interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Fred Astaire. Desta série participaram também Joseph Cotten e Fernando Lamas.

Stefanie Powers, em seus tempos de adolescente, estudava balé na mesma classe de Natalie Wood. Powers, entretanto, só começou a atuar aos 18 anos, participando de muitas séries de TV. Em 1966 ela esteve no remake de “No tempo das diligências / Stagecoach”, no papel que foi de Louise Platt. Três anos antes, ela esteve nos cinemas com o protagonista original de Stagecoach, John Wayne. Em “Quando um homem é um homem / McLintock!”, ela interpreta a filha de Wayne. Ela também participou de um dos meus guilty pleasures: “As novas aventuras do fusca / Herbie rides again” (1974).      

Lionel Stander, antes de ser o fiel mordomo Max, era o fiel e esperto amigo de Vickie Lester (Janet Gaynor) em “Nasce uma Estrela / A star is born” (1937). Você pode não ter prestado atenção, mas ele esteve em filmes como “O galante Mr. Deeds / Mr. Deeds comes to town” (1936) e “Era uma vez no Oeste” (1968). Ao se tornar alvo de investigações durante a caça aos comunistas, ele saiu dos Estados Unidos e fez carreira na Itália. Lionel faleceu em 1994, e sua morte foi usada na trama de um dos oito filmes que se seguiram à série Hart to Hart.

Ray Milland é um velho conhecido: nascido no País de Gales, fez carreira na Hollywood dos anos 30 trabalhando em comédias. Sua escalação em “Farrapo Humano / The Lost Weekend” (1945), foi uma manobra arriscada de Billy Wilder que deu muito certo, afinal, Ray ganhou o Oscar de Melhor Ator. Depois de ter de deixar seu cabelo cacheado para o filme “Vendaval de Paixões / Reap the Wild Wind” (1942), Ray começou a ficar careca. A partir da década de 70, passou a fazer papéis coadjuvantes, destacando-se em “Love Story” (1970). Ray Milland faleceu em 1986.

Outros atores e atrizes do cinema clássico participaram de Hart to Hart, entre eles Roddy McDowall, Jeanette Nolan, Eva Gabor e Gilbert Roland. A série teve cinco temporadas (1979-1984), oito filmes e muitas reprises. Escrevendo este post, lembrei-me de quanto amo Jonathan, Jennifer, Max e Freeway. Afinal, de uma série criada por Sidney Sheldon, baseando-se em Nick e Nora Charles, só se poderia esperar um bom toque clássico.

This is my contribution to the Big Stars on the Small Screen blogathon, hosted by the always great Aurora at How Sweet it Was. 


Sunday, July 21, 2013

A força do coração / This is my affair (1937)

Não há nada tão bonito e fofo quanto ver duas pessoas se apaixonando, não é? Nos cinemas, essa situação capaz de colocar um sorriso no rosto de qualquer espectador pode ser conferida com Bogie e Bacall em “Uma aventura na Martinica / To have and have not” (1944), com Spence e Kate em “A mulher do dia / Woman of the Year” (1942), com Liz Taylor e Richard Burton em “Cleópatra" (1963)…
Em “A força do coração / This is my affair”, vemos o começo de um relacionamento que duraria mais de uma década: o de Barbara Stanwyck e Robert Taylor. Ela, divorciada, com um filho adotivo, quatro anos mais velha e bem mais talentosa que ele. Ela faria naquele mesmo ano um filme que lhe rendeu a primeira de suas quatro indicações ao Oscar, “Stella Dallas”, ele havia feito no ano anterior o par romântico de Greta Garbo em “A dama das camélias / Camille”. 
Começo do século XX. O tenente Richard Perry (Taylor) é chamado pessoalmente pelo então presidente dos Estados Unidos, William McKinley (Frank Conroy), para investigar uma série de roubos a banco que estão acontecendo no interior. Dispensado da Marinha e assumindo a falsa identidade de Joe Patrick, ele vai para St. Louis. Sua primeira parada é em um bar onde canta a bela Lil Duryea (Stanwyck). Nem tudo é perfeito o bar, pois alguns dos frequentadores são o irmão de Lil, Batiste (Brian Donlevy), e o desagradável Jock (Victor McLaglen), que adora fazer brincadeiras e truques com cartas. Em pouco tempo Richard não está envolvido apenas com Lil, mas também com toda a organização criminosa. 
O filme vale à pena pelas belas roupas de começo de século usadas por Lil e pelos interessantes fatos verídicos que vemos se desenrolando na tela. Os aficionados por história ficarão com um sorriso no rosto quando aparecer o presidente Theodore Roosevelt. Barbara nunca foi cantora, mas mesmo assim não precisou de dublagem para seus números musicais. Ela estava tão nervosa durante as gravações destes que não permitiu que Robert ficasse no set de filmagens enquanto ela gravava. Victor McLaglen, ganhador do Oscar de Melhor Ator dois anos antes por “O Delator / The Informer” (1935), está muito bem em suas relativamente poucas cenas, repugnante como pede o personagem.
O filme pertence mais a Robert do que a Barbara. Ele é o homem de ação, o espião infiltrado, ela é o interesse amoroso. Mas atenção: a personagem de Barbara se torna muito importante para o desfecho. Nem é preciso falar que o final é feliz, pois o título brasileiro já dá essa ideia. “A força do coração”, aliás, também é o título no Brasil de “Lassie come home”, de 1943, com uma jovem Elizabeth Taylor, Roddy MacDowall e, claro, Lassie. Outros títulos para este filme de 1937 são “Living Dangerously”, “Private Enemy”, “The McKinley Case” e “The Turn of the Century”. Entretanto, o original é o melhor, já que é também uma fala de Robert no filme.
O marketing para o lançamento do filme foi feito todo em cima da relação de Stanwyck e Taylor. No livreto de 22 páginas que foi feito pelo estúdio, um erro curioso demonstra o jeito de pensar dos responsáveis pela propaganda: aparece no meio do livreto uma nota do editor pedindo que não fosse usada a expressão “casal da vida real” (“real-life sweethearts), o que, obviamente, não foi cumprido.
Esse foi o segundo filme do casal, que havia feito em 1936 “A Mulher do meu Irmão / His brother’s wife”, durante o qual se apaixonaram. Já vivendo juntos, eles se casaram em 1939 por insistência de Louis B. Mayer, uma vez que Stanwyck estava insegura sobre um segundo casamento. Seu primeiro marido, Frank Fay, não conseguiu repetir em Hollywood o sucesso que tinha na Broadway e por isso muitas vezes brigou com a esposa, inclusive durante o divórcio e a decisão pela custódia do filho. Em 1937 surgiram os rumores de que a história de “Nasce uma Estrela / A star is born” foi inspirada em Stanwyck e Fay. O único filme que vi com Frank Fay foi “O segredo das viúvas / The love nest” (1951) e é impressionante como ele está velho, se o compararmos com Barbara na mesma época.
É fácil ver quem estava mais apaixonado
As muitas fotos do casal, nos mais diversos locais, mostram muita felicidade. Eles faziam quase tudo juntos, inclusive deixar marcas no cimento do Grauman’s Chinese Theater. Obviamente existem muitos rumores sobre affairs fora do casamento, em especial por parte de Robert, mas não entrarei em detalhes porque quem acompanha o blog sabe que eu abomino este tipo de coisa. Basta dizer que a relação de Stanwyck com Taylor foi feliz enquanto durou, e eles deixaram três filmes para provar esta química: além dos dois já citados, contracenaram também em “Quando descem as sombras / The Night Walker”, filmado em 1964, mais de uma década após o fim do casamento.
Após o divórcio, em 1951, Robert se casou com Ursula Thiess em 1954 e teve dois filhos. Barbara nunca mais se casou, mas, segundo Robert Wagner, ela teve um affair com ele durante as filmagens de “Titanic” (1953). Stanwyck ficou devastada com a morte de Bob em 1969, vítima de câncer de pulmão, e outro choque veio em 1983, quando a casa da estrela pegou fogo e todas as cartas de amor trocadas por eles foram queimadas.
As condições gerais de um casamento que começou após a publicação de um artigo que nomeava os casais de Hollywood “que viviam em pecado longe do matrimônio” não estão aqui para ser discutidas. Stanwyck e Taylor nos deixaram belas fotos e a prova maior de seu amor: atuações como as de “A força do coração”, com muita química e charme.

“This is my Affair” está disponível no YouTube.

Thsi is my contribution to the Barbara Stanwyck blogathon, hosted by Aubyn at The Girl with the White Parasol.  



P.S.: Não deixem para a última hora! Curtam e compartilhem a imagem na lateral do blog para me ajudar em um concurso literário! Conto com vocês!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...