} Crítica Retrô: O Grande Motim

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Saturday, August 24, 2013

Top 10: as melhores performances de Clark Gable

A ideia original era fazer um ranking com os dez melhores filmes que eu já vi com Clark Gable, mas descobri um problema: eu SÓ vi 10 filmes com Clark Gable (que vergonha!). Então, por ordem de preferência, aqui estão as performances de Gable, um dia proclamado Rei de Hollywood, nesses dez ótimos filmes:

10- Saratoga(1937): Falta alguma coisa neste que foi o último filme da carreira de Jean Harlow. Sem sua companheira de cena e grande amiga na vida real, Gable parece perdido nos últimos trinta minutos, embora o destaque seja dado a ele, pois uma dublê gravou as cenas que faltavam de Jean. O romance previsível em meio às corridas de cavalo tem como coadjuvantes Walter Pidgeon e John Barrymore, ambos com ótimas cenas ao lado de Gable.
9- Começou em Nápoles / It started in Naples (1960): Sophia Loren ganharia no ano seguinte o Oscar de Melhor Atriz, mas aqui já brilha mais que Gable. Este é o penúltimo filme do ator, que já apresenta marcas de esgotamento. Brigando com Sophia pela guarda do sobrinho de ambos, é óbvio que o personagem de Gable vai se apaixonar pela voluptuosa italiana, nesta simpática comédia.
8- O aventureiro de Hong Kong / Soldier of Fortune (1955): Este filme não pertence a Gable, mas sim a sua companheira de cena, Susan Hayward. Ela é uma americana cujo marido fotógrafo está preso sob a custódia da máfia chinesa. Com muita coragem, ela vai pedir ajuda a um poderoso e perigoso chefe das docas, Hank Lee (Gable). Nas poucas cenas em que ele aparece, seu charme maduro é ressaltado pelas cores e o exotismo de Hong Kong.
7- Mares da China / China Seas (1935): Dentro de um navio nos mares chineses, o capitão Alan Gaskell (Gable) tem de lidar com a ex-namorada China Doll (Jean Harlow) que o importuna, sabendo que ele decide mudar de vida por ter se apaixonado por uma socialite inglesa (Rosalind Russell). O companheiro de China Doll para fazer o mal é Jamesey MacArdle (Wallace Beery, que não gostava de Gable), que facilita a entrada de piratas no navio... O ponto alto do filme são as cenas de Jean e Clark.
6- Mogambo (1953): Só Gable é capaz de repetir um papel de Gable. Por isso, em uma rara ocasião, ele foi escalado para o mesmo papel no original e no remake. A segunda versão de “Terra de Paixões / Red Dust” (1932) tem como cenário a África e como rivais no amor de Gable as lindas Ava Gardner e Grace Kelly (eram Jean Harlow e Mary Astor no original). Dirigido por John Ford, esse belo filme é prova de que Gable continuou irresistível com o tempo.
5- O Grande Motim / Mutiny on the Bounty (1935): Sem seu bigode característico, Gable deu vida a um personagem real, o marinheiro Fletcher Christian, principal responsável por um motim contra o severo capitão Bligh (Charles Laughton) do navio Bounty. Este fato histórico representou uma mudança nas regras da Marinha inglesa e o fim dos desmandos dos oficiais. Ninguém imaginaria que, mais de 100 anos depois, o fato daria origem a uma produção ganhadora do Oscar de Melhor Filme e com três indicados ao Oscar de Melhor Ator. Essa superprodução marítima, apesar de não ser totalmente fiel aos fatos históricos, é um espetáculo para os olhos.  
4-Vencido pela Lei / Manhattan Melodrama (1934): Myrna Loy, William Powell e Clark Gable? Esse é o trio dos sonhos de muitos cinéfilos. Dois amigos de infância com personalidades opostas se reencontram de lados opostos da lei: enquanto Jim (Powell) é policial, Blackie (Gable) é um gangster. Para piorar, ambos se apaixonam por Eleanor (Loy)... Na infância, o personagem de Gable é interpretado por Mickey Rooney. As cenas finais são emocionantes. Este foi o último filme visto pelo gangster John Dillinger antes de ser morto em uma emboscada da polícia. Uma boa película para se despedir do mundo. 
3-E o Vento Levou / Gone with the Wind (1939): Se Scarlett é a força motriz do filme, Rhett é o combustível que a faz funcionar. É por ele que ela luta quando já não pode mais tê-lo e sabe que Ashley (Leslie Howard) jamais será seu. É ele o canalha que pronuncia a frase mais célebre do cinema e que incentiva tantos a imitar seu ar blasé. Rhett é surpreendentemente nobre quando menos se espera, sabe o resultado da guerra assim que ela começa e vive de acordo com suas próprias regras. E pensar que Margaret Mitchell, quando perguntada quem deveria interpretar o papel, indicou seu ator favorito... Groucho Marx.
2- Aconteceu Naquela Noite / It happened one night (1934): O papel que deu a Gable seu único Oscar de Melhor Ator é também seu mais charmoso. O jornalista Peter Warne (Gable) a princípio não tem boas intenções, mas a viagem ao lado da jovem, bela e um pouco pudica herdeira Ellie Andrews (Claudette Colbert) o faz repensar seu modo de vida. Inclusive é interessante pensar como Gable interpretara C. K. Dexter Haven em “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940), como queria Katharine Hepburn. Apesar de C. K. não ser o jornalista, ele é um personagem bem atrevido!
1-Os Desajustados / The Misfits (1960): Se eu sempre tive dúvidas sobre o real talento de Gable, uma cena de seu último filme foi suficiente para me convencer de que ele era muito talentoso. Quando seu personagem o cowboy Gay Langland, sai do bar e ouve que seus filhos não quiseram ficar para falar com ele (isto é, se os filhos realmente estavam lá e esta não foi uma mentira contada para amenizar a dor), ele simplesmente se descompõe. Grita, bate em objetos e extravasa a frustração.
Conclusão: Clark Gable mereceu a fama que teve. Embora eu não o considere o maior símbolo sexual de sua época, era um ator talentoso e com bastante charme. Preciso ver mais filmes com ele!

This is one of my contributions to the Summer Under the Stars Blogathon, hosted by Jill at Sittin’ on a Backyard Fence and Michael at ScribeHard onFilm. August is a happy month for blogging!

Friday, June 14, 2013

Marlon Brando: fatos rápidos

  • Marlon Brando Jr. nasceu em 1924 em Omaha, Nebraska, e faleceu em 2004 vítima de insuficiência respiratória.
  • Seu pai era especialista em pesticidas e fotógrafo amador. Sua mãe, bastante moderna para a época, tinha sido atriz e era administradora de teatro, tendo ajudado o jovem Henry Fonda a começar a carreira. Infelizmente, a senhora Brando também era alcoólatra.
  • Reza a lenda que Marlon começou a atuar imitando os vizinhos e os bichos da fazenda para chamar a atenção da mãe quando ela bebia demais.

  • Brando tinha duas irmãs mais velhas: Jocelyn e Frances. Jocelyn foi a primeira a seguir carreira artística, e Marlon seguiu as duas meninas quando elas foram para Nova York.
  • Ele foi dispensado do serviço na Segunda Guerra Mundial por ter uma lesão no joelho e da Guerra da Coreia por fazer amizade com um psiquiatra enquanto se preparava para seu primeiro filme, “Espíritos Indômitos / The Men” (1950).
  • Um dos mais conhecidos frutos do Actor’s Studio, Brando odiava a maneira como Lee Strasberg queria ganhar crédito por ter moldado seu talento. Mesmo assim, gostava das aulas de Stella Adler.
    Teste para o cinema em 1947
  • Seu maior sucesso na Broadway foi “Uma rua chamada pecado / A streetcar named desire”, produzida em 1947 e dirigida por Elia Kazan, o mesmo diretor do filme, que consagraria Brando em 1951. O ator foi pessoalmente à casa de Tennessee Williams para conseguir o papel. Mesmo assim, Brando nunca ficou feliz com sua própria performance, pois não conseguiu trazer humor a Stanley Kowalski.
  • Brando foi o único do elenco de “Uma rua chamada pecado” a não ganhar o Oscar. Ele tinha um forte concorrente, Humphrey Bogart em “Um aventura na África / The African Queen”. Dois anos depois, Brando derrotou Bogart e levou o Oscar por “Sindicato de Ladrões / On the Waterfront” (1954).
  • Em 1967, Brando aceitou o prêmio de Melhor Atriz dos Críticos de Cinema de Nova York em nome da amiga Elizabeth Taylor, que estava na África a trabalho e não foi à cerimônia. Brando viajou ao encontro de Liz para entregar a estatueta pessoalmente.
  • Seu segundo Oscar veio com “O Poderoso Chefão / The Godfather” (1972). Na histórica ocasião, ele enviou uma atriz mexicana vestida de índia para fazer um discurso sobre a maneira como os índios eram retratados no cinema e na televisão.

  • Além da questão dos índios, Brando se envolveu na luta por igualdade de Martin Luther King e chegou a apoiar financeiramente os Panteras Negras antes da radicalização do grupo. Alguns de seus filmes mostram sua militância, como “Sayonara” (1957), que trata do casamento inter-racial.
  • Brando casou-se com três atrizes: a indiana Anna Kashfi, a descendente de mexicanos Movita Castaneda e a taitiana Tarita Teriipia. Curiosamente, Movita e Tarita participaram de “O Grande Motim / Mutiny on the Bounty”. Movita esteve na versão de 1935 e Tarita, na de 1962, contracenando com Brando. 
  • Em sua autobiografia “Songs my mother taught me”, publicada em 1994, Brando não comenta sbre seus casamentos, mas diz que teve um caso com Marilyn Monroe que durou vários anos.
Telegrama de Brando para Marilyn
  • Brando teve doze filhos: um com a primeira esposa, dois com a segunda, dois com a terceira, três com a empregada Maria Christina Ruiz e mais quatro de mães não identificadas publicamente. Ele adotou os dois filhos do segundo casamento de Tarita e o filho de um amigo.
  • O depoimento de Brando no julgamento de seu filho Christian, que matou o namorado da meio-irmã Cheyenne em 1990, foi bastante polêmico porque muitos afirmaram que ele estava atuando em frente ao júri. Cheyenne suicidou-se cinco anos depois e Christian foi culpado, falecendo em 2008.
  • Embora fosse considerado difícil de trabalhar e às vezes um verdadeira pesadelo para alguns diretores, Brando não enveredou pela direção. O único filme que dirigiu, produziu e protagonizou foi “A Face Oculta / One-Eyed Jacks” (1961). A oportunidade de dirigir o filme surgiu após uma briga com Stanley Kubrick, que se desligou do projeto.
  • No final da carreira, ele se dedicou a algumas invenções. Há várias patentes de "maneiras de esticar o couro do tambor" em nome de Marlon Brando.
  • Recusou papéis em “O vermelho e o negro / Le rouge et le noir” (1954), “Lawrence da Arábia” (1962), “Butch Cassidy / Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969), “Movidos pelo ódio / The Arrangement” (1969), “Magnólia” (1999) e “A lenda do cavaleiro sem cabeça / Sleepy Hollow” (1999). Também não aceitou reprisar os papéis de Vito Corleone e Jor-El (pelo qual recebeu 3 milhões de dólares) nas sequências dos filmes. Recusou-se a voltar aos palcos para interpretar Hamlet com Laurence Olivier em 1966 e só aceitaria o papel principal em “O Grande Gatsby / The Great Gatsby” (1974) por 4 milhões de dólares.
  • Brando foi indicado ao Oscar oito vezes. Considerado um dos atores mais bonitos e talentosos do século passado, foi apontado como a quarta maior lenda do cinema pelo Instituto de Cinema Americano em 1999.
P.S.: Estou participando de um concurso muito interessante, o Publiki meu Livro. Preciso da ajuda de vocês, caros leitores: por favor, CURTAM E COMPARTILHEM esta postagem na linha do tempo do Facebook de vocês. Não custa nada, não vai enfeiar o Facebook e ainda mostrará que vocês apoiam os jovens escritores! Obrigada! :)

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