} Crítica Retrô: Aconteceu naquela Noite

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Sunday, March 3, 2019

Colaboradores e amigos: Robert Riskin e Frank Capra / Collaborators and friends: Robert Riskin and Frank Capra


Quando falamos de duplas dinâmicas do cinema, em geral nos referimos a uma dupla de director e intérprete (ator ou atriz) – como William Wyler e Bette Davis, por exemplo – mas raramente focamos em colaborações entre diretores e roteiristas. Na verdade, algumas parcerias firmadas por trás das câmeras mudaram o cinema para sempre.

When we talk about dynamic duos of the silver screen, we often talk only about director and actor/actress duo – like William Wyler and Bette Davis, for instance – but we rarely focus on director / screenwriter collaborations. Actually, some partnerships made behind the cameras have changed cinema forever.


Frank Capra e Robert Riskin se conheceram em 1931 e trabalharam juntos por uma década. Frank e “Bob” eram parceiros e amigos, em uma relação simbiótica que nem sempre foi pacífica. De fato, muitos dos temas que consideramos como parte do “toque de Capra” só estiveram presentes em seus filmes porque primeiro Riskin os inseriu no roteiro.

Frank Capra and Robert Riskin met in 1931 and worked together for a decade. Frank and “Bob” were partners and pals, in a symbiotic relationship that was not always peaceful. Indeed, many of the themes that we consider being part of the “Capra touch” were only present in his films because Riskin first wrote them in the screenplay.


Em sua autobiografia, “The Name Above the Title”, Capra escreveu isso sobre Riskin:

In his autobiography, “The Name Above the Title”, Capra wrote about Riskin:

“Se o acaso sorri, um escritor pode se juntar com um homem que faz seus próprios filmes. Se a parceria é simbiótica e bem-sucedida, a experiência pode ser muito recompensadora: artisticamente, economicamente e como um bônus para o ego. Assim foi minha longa parceria com Robert Riskin. Foi preciso uma guerra para nos separar. Bob era um bom escritor, um cara simpático. Elegante, espirituoso como poucos, ele amava a vida, esportes e mulheres – e vice-versa. Nós tínhamos muitas coisas em comum, mas duas eram especiais: (1) nossos crânios vibravam com a massagem da mesma cabeleireira (nós gastamos fortunas em remédios para curar a calvície – e fizemos uma descoberta estarrecedora: carecas não têm caspa) e (2) nosso senso de humor vibrava no mesmo tom.
 Nós trabalhamos juntos em roteiros, construindo a partir das ideias um do outro. Éramos ambos criadores e público. Eu ficava um passo à frente dele, pensando nas próximas cenas que, quando chegássemos a um consenso, ele colocaria no formato de roteiro. E nunca houve melhor ‘orelha’ para a palavra falada que a de Riskin.”

Robert Riskin, May Robson, Frank Capra
“If serendipity smiles, a writer may team up with a man who makes his own films. If the team-up is symbiotic and successful, the experience can be very rewarding: artistically, economically, and as a lagniappe for the ego. Such was my long team-up with Robert Riskin. It took a war to break us up. Bob was a fine writer, a simpatico man. Natty, witty as they come, he loved life, sports and women – and vice versa. We had many things in common, but two stood out: (1) our skulls vibrated to the same hair-lady’s massage (we spent fortunes on nostrums to cure baldness – and made a startling discovery: cueballs have no dandruff), and (2) our funnybones vibrated to the same tuning fork in humor.
We worked together on scripts, sparking and building on each other’s ideas. We were both creators and audiences. I stayed ahead of him, thinking up the next batch of scenes which, when agreed upon, he would put into dialogue script form. And never was there a better ‘ear’ for the spoken word than Riskin’s.”
 
Frank Capra, Lou Capra, Robert Riskin
A primeira colaboração deles não foi realmente uma colaboração. Digo isso porque o filme “A Mulher Miraculosa” (1931), foi baseado em uma história escrita por Riskin, sob o título “Bless You Sister”, mas Riskin não esteve envolvido na adaptação para o cinema. Este foi o único fracasso de bilheteria no tempo em que Capra trabalhou para a Columbia, muito embora o filme sobre charlatanismo religioso com Barbara Stanwyck seja excelente.

Their first collaboration wasn’t really a collaboration. I say that because the film “The Miracle Woman” (1931) was based in a story written by Riskin, called “Bless You Sister”, but Riskin had nothing to do with the adaptation to the screen. It was the only box office flop in Capra’s Columbia period, even though it was an outstanding film about religious charlatanism starring Barbara Stanwyck.


A primeira colaboração real foi “Loura e Sedutora” (1931), baseado em uma história escrita por Riskin, que também escreveu os diálogos para o filme. A comédia conta com Loretta Young, Jean Harlow e Robert Williams. O filme foi um sucesso.

Their first real collaboration was “Platinum Blonde” (1931), based on a story written by Riskin, who also wrote the dialogue for the film. The comedy stars Loretta Young, Jean Harlow and Robert Williams. The film was a success.


Em seguida veio “Loucura Americana” (1932), uma ideia original Riskin-Capra. O filme, estrelado por Walter Huston, lidava com a Grande Depressão, ainda em curso.

Next up comes “American Madness” (1932), an original Riskin-Capra idea. The film, starring Walter Huston, dealt with the ongoing Depression.


Os anos dourados da parceria começam com “Dama por um Dia” (1933). A história de Apple Annie foi indicada a quatro Oscars – e Capra esperava ganhar todos os quatro, como ele confessa na autobiografia. Com os discursos prontos, ele protagonizou um dos mais vergonhosos momentos do Oscar: quando o apresentador Will Rogers anunciou o prêmio de Melhor Diretor com um “Venha buscar, Frank!”, Capra levantou-se e estava chegando ao palco quando percebeu que era Frank Lloyd que era o vencedor.

Then, the golden years of the collaboration begin with “Lady for a Day” (1933). The story of Apple Annie was nominated for fours Oscars – and Capra expected to win all four, as he confesses in his autobiography. With his speeches ready, he was the center of one of the most embarrassing Oscar moments ever: when presenter Will Rogers announced the Best Director award with a “Come and get it, Frank!”, Capra went almost all the way to the stage, only to realize that it was Frank Lloyd who had won.


Felizmente, o filme seguinte de Capra, “Aconteceu Naquela Noite” (1934), ganhou não só quatro, mas sim cinco Oscars, incluindo de Melhor Roteiro Adaptado para Riskin. Com Clark Gable e Claudette Colbert, o filme conta a história de uma herdeira em fuga e de um repórter que a segue em busca de um furo de reportagem.

Fortunately, Capra’s next film, “It Happened One Night” (1934), won not four, but five Oscars, including one for Best Writing, Adaptation for Riskin. Starring Clark Gable and Claudette Colbert, the film tells the story of a runaway heiress and the reporter who follows her to get a scoop.


Também de 1934 é “A Vitória Será Tua”, um filme sobre corridas de cavalos com Myrna Loy e Warner Baxter. Eu ainda não vi este filme, mas vi o remake fofo dele, também dirigido por Capra: “Nada Além de um Desejo” (1950).

Also from 1934 comes “Broadway Bill”, a film about horserace starring Myrna Loy and Warner Baxter. I haven’t seen this film, but I saw the cute remake, also directed by Capra: “Riding High” (1950).


De acordo com Joseph McBride, no livro “Frank Capra: The Catastrophe of Success”, Capra foi tomado pela Síndrome do Impostor e pela ansiedade depois de ganhar o Oscar. Foi por isso que dois anos se passaram antes de “O Galante Mr Deeds” (1936) chegar às telas. Mr Deeds, interpretado por Gary Cooper, é um simplório tocador de tuba que herda uma fortuna e a partir daí tem uma série de problemas. Este foi o roteiro que Riskin mais gostou de escrever. Capra ganhou seu segundo Oscar de Melhor Diretor, mas mais tarde ele disse que Riskin também merecia ter ganhado outro Oscar.

According to Joseph McBride, in the book “Frank Capra: The Catastrophe of Success”, Capra was overcome by impostor’s syndrome and anxiety after winning the Oscar. That’s why two years had to pass for “Mr Deeds Comes to Town” (1936) hit the screen. Mr Deeds, played by Gary Cooper, is a simple tuba player who inherits a fortune and only gets problems afterwards. This was Riskin’s favorite of the screenplay he wrote. Capra won his second Best Director Oscar for the film, but he later said that Riskin deserved one, too.


Já naquela época, Riskin queria mais crédito. Ele pediu para ser creditado como colaborador de Capra – e Capra se recusou a fazê-lo. Então, Riskin disse que queria se tornar diretor – e Capra apoiou a decisão. O primeiro e único filme de Riskin como diretor foi o musical “Prelúdio de Amor” (1937), com Cary Grant e Grace Moore.

By that time, Riskin wanted more screen credit. He asked to be credited as collaborator to Capra – and Capra refused. Then, Riskin said he wanted to become a director – and Capra supported the decision. Riskin’s first and only film as a director was the musical “When You’re in Love” (1937), with Cary Grant and Grace Moore.


Em 1937 Riskin também adaptou uma história que gerou o roteiro de “Horizonte Perdido”, um filme de ficção científica profundo e cheia de aventura com Ronald Colman. Logo depois de terminarem este filme, Capra e Bob foram convidados para fazer um tour pela União Soviética.

In 1937 Riskin also adapted a story into the screenplay of “Lost Horizon”, a deep, adventurous science fiction movie with Ronald Colman. Right after they finished this film, Capra and Bob were asked for a tour in the Soviet Union.


O ano de 1938 trouxe a adaptação da peça “Do Mundo Nada se Leva”, e um golpe na relação. O primeiro filme de Riskin como diretor foi um fracasso e ele, mais do que nunca, acreditava que Capra estava levando o crédito pelo trabalho de Bob. Capra acreditava que Riskin fracassou como diretor porque ele não trabalhava bem sob pressão.

The year 1938 brought the adaptation of the play “You Can’t Take it with You”, and a blow in the relationship. Riskin’s directorial debut flopped, and he, more than ever, believed Capra was taking credit for his work. Capra believed Riskin failed as a filmmaker because he couldn’t work well under stress.


Em 1939, os amigos formaram uma nova companhia que foi batizada com o nome do sócio majoritário: Frank Capra Productions – Capra tinha 65% do capital, e Riskin tinha 35%. Ambos tinham deixado a Columbia, Riskin trabalhou com Samuel Goldwyn por um tempo, e o primeiro filme deles para a nova companhia foi “Adorável Vagabundo” (1941) – baseado em um conto, o filme começou a ser filmado sem um final ter sido decidido. O filme não fez sucesso.

In 1939, the friends formed a new production company that was baptized with the name of the main partner: Frank Capra Productions – Capra held 65% of the capital, and Riskin held 35%. Both had left Columbia, Riskin worked with Samuel Goldwyn for a while, and their first film for the new company was “Meet John Doe” (1941) – based on a short story, it started being shot without an ending set. The film wasn’t a hit.


Com a companhia dissolvida, os dois cogitaram se unir à United Artists. Mas havia uma guerra acontecendo. Durante o conflito, Capra e Riskin tomaram caminhos diferentes: Capra fez “Este Mundo é um Hospício” em 1941, mas o filme só estreou em 1944, e depois Capra se alistou no exército e dirigiu documentários sobre a guerra, enquanto Riskin foi para Londres fazer filmes de propaganda de guerra, e mais tarde se casou com a atriz Fay Wray. Como Capra escreveu: “Foi preciso uma guerra para nos separar”.

With the company dissolved, the two thought about joining United Artists. But there was a war going on. During the conflict, Capra and Riskin parted: Capra made “Arsenic and Old Lace” in 1941 but the film wasn’t released until 1944, then Capra joined the Army and directed war documentaries, while Riskin went to London to work on war propaganda films and later married actress Fay Wray. As Capra put in words: “It took a war to break us up”.


Os caminhos deles meio que se cruzaram de novo nos anos 50: em 1951, Capra fez “Órfãos da Tempestade”, baseado em uma história que Riskin havia vendido para a Paramount. Riskin foi indicado a um Oscar por sua história.  Na época, Riskin já havia sofrido o primeiro derrame e sua saúde ia mal.

Their paths kind of crossed again in the 1950s: in 1951, Capra made “Here Comes the Groom”, based on a story that Riskin had sold to Paramount. Riskin was nominated for an Oscar for the story. By then, Riskin had already suffered his first stroke and had a decaying health.


Mesmo que Capra nunca tenha visitado Riskin quando ele estava internado na Motion Picture & Television Country Home & Hospital, Riskin ainda dizia que Capra era “seu melhor amigo” até a morte. Capra não foi ao funeral de Riskin em 1955. Riskin tinha apenas 58 anos quando faleceu.

Even though Capra never visited Riskin as Riskin was taken ill to the Motion Picture & Television Country Home & Hospital, Riskin still said Capra was “his best friend” up until his death. Capra didn’t attend Riskin’s funeral in 1955. Riskin was only 58 when he passed away.


O último filme de Capra foi um remake de “Dama por um Dia”, feito em 1961. Mesmo no final, seu melhor colaborador e amigo estava presente. A autobiografia de Capra foi publicada em 1971 – e ele só tinha coisas boas para dizer de Robert Riskin.

Capra’s last film was a remake of “Lady for a Day”, made in 1961. Even in the end, his best collaborator and friend was present. Capra’s autobiography was first published in 1971 – and he only had good things to say about Robert Riskin.

This is my contribution to the Fay Wray and Robert Riskin, the Blogathon, hosted by Aurora and Annmarie at Once Upon a Screen and Classic Movie Hub.

Saturday, December 1, 2018

Adventures in cinematography


Tudo começou com um desafio do Facebook: escolher 10 filmes que me causaram impacto e publicar cenas destes filmes, durante 10 dias, deixando seus amigos adivinharem qual o filme de cada dia. Minha grande amiga – e também Suffragette – Rafaella me desafiou e eu decidi escolher apenas as mais belas imagens para publicar. Com isso, eu pude explorar um assunto que vem chamando minha atenção ultimamente: a fotografia dos filmes e os grandes diretores de fotografia do cinema.

It all started as a Facebook challenge: choose 10 films that made an impact on you, and post frames of them over 10 days, letting your friends guess which film it was. My good friend – and fellow Suffragette – Rafaella challenged me and I decided to choose only very beautiful frames to add to my feed. With this, I could dive deeper into something that has been calling my attention lately: cinematography and great cinematographers.


Eu sei que os filmes noir têm algumas das melhores direções de fotografia, e grandes diretores de fotografia como Greg Tolland e John Alton fizeram filmes noir. Para minha lista, eu escolhi um filme noir, três filmes mudos, e fiz questão de incluir filmes dos EUA, América Latina e Europa.

I know noir has some of the best photographies, and great cinematographers like Greg Tolland and John Alton worked in noir. For my list, I chose one film noir, three silent films, and I also made an effort to choose from both US, Latin and European films.

Estes foram os dez escolhidos, com algumas observações:
Here are my chosen ten, with some notes:

Aconteceu Naquela Noite, 1934. Dirigido por Frank Capra. Diretor de fotografia Joseph Walker.
Este foi o filme que deu origem ao blog Crítica Retrô!

It Happened One Night, 1934. Directed by Frank Capra. Cinematographer Joseph Walker.
This was the film that originated the blog Crítica Retrô!


A Dama de Xangai, 1947. Dirigido por Orson Welles. Diretores de fotografia Charles Lawton Jr (creditado), Rudolph Maté e Joseph Walker (ambos não creditados).

The Lady from Shanghai, 1947. Directed by Orson Welles. Cinematographers Charles Lawton Jr (credited), Rudolph Maté, Joseph Walker (both uncredited).
It has one of my favorite sequences of all films.


E o Vento Levou, 1939. Dirigido por Victor Fleming. Diretores de fotografia Ernest Haller (creditado), Lee Garmes (não creditado).

Gone with the Wind, 1939. Directed by Victor Fleming.  Cinematographers Ernest Haller (credited), Lee Garmes (uncredited).


Europa ’51, 1952. Dirigido por Roberto Rossellini. Diretor de fotografia Aldo Tonti.

Europa '51, 1952. Directed by Roberto Rossellini.  Cinematographer Aldo Tonti.

Quando Explode a Vingança, 1971. Dirigido por Sergio Leone. Diretor de fotografia Giuseppe Ruzzolini.
Outro elemento icônico do filme é a bela trilha sonora composta por Ennio Morricone.

A Fistful of Dynamite aka Duck, You Sucker!, 1971. Directed by Sergio Leone. Cinematographer Giuseppe Ruzzolini.
Another iconic element in this film is the beautiful soundtrack composed by Ennio Morricone.


Um Homem com uma Câmera, 1929. Dirigido por Dziga Vertov. Diretores de fotografia Mikhail Kaufman (creditado), Gleb Troyanski (não creditado).
Mikhail Kaufman é também o protagonista deste grande filme.

Man with a Movie Camera, 1929. Directed by Dziga Vertov.  Cinematographers Mikhail Kaufman (credited), Gleb Troyanski (uncredited).
Mikhail Kaufman is also the lead in this great film.


O Fugitivo, 1932. Dirigido por Mervyn LeRoy. Diretor de fotografia Sol Polito.

I am a Fugitive from a Chain Gang, 1932. Directed by Mervyn LeRoy. Cinematographer Sol Polito.


O Pássaro Azul, 1918. Dirigido por Maurice Tourneur. Diretor de fotografia John van den Broek.
John van den Broek faleceu menos de três meses após a estreia deste filme.

The Blue Bird, 1918. Directed by Maurice Tourneur. Cinematographer John van den Broek.
John van den Broek passed away less than three months after this film premiered.


Aurora, 1927. Dirigido por F.W. Murnau. Diretores de fotografia Charles Rosher, Karl Struss.

Sunrise, 1927. Directed by F.W. Murnau. Cinematographers Charles Rosher, Karl Struss.


O Pagador de Promessas, 1962. Dirigido por Anselmo Duarte. Diretor de fotografia H.E. Fowle.
H.E. Fowle era comumente creditado como ‘Chick’ Fowle. Ele era um diretor de fotografia inglês que veio para o Brasil em 1950 com Alberto Cavalcanti, com quem colaborou em vários trabalhos.

The Given Word (O Pagador de Promessas), 1962. Directed by Anselmo Duarte. Cinematographer H.E. Fowle.
H.E. Fowle was credited as 'Chick' Fowle. He was an English director of photography who came to Brazil in 1950 with Alberto Cavalcanti,  his frequent collaborator.


Eu devo concordar com meu bisavô que filmes em preto e branco são mais bonitos!

I must agree with my grand-grandfather that black and white movies are more beautiful!

Saturday, August 24, 2013

Top 10: as melhores performances de Clark Gable

A ideia original era fazer um ranking com os dez melhores filmes que eu já vi com Clark Gable, mas descobri um problema: eu SÓ vi 10 filmes com Clark Gable (que vergonha!). Então, por ordem de preferência, aqui estão as performances de Gable, um dia proclamado Rei de Hollywood, nesses dez ótimos filmes:

10- Saratoga(1937): Falta alguma coisa neste que foi o último filme da carreira de Jean Harlow. Sem sua companheira de cena e grande amiga na vida real, Gable parece perdido nos últimos trinta minutos, embora o destaque seja dado a ele, pois uma dublê gravou as cenas que faltavam de Jean. O romance previsível em meio às corridas de cavalo tem como coadjuvantes Walter Pidgeon e John Barrymore, ambos com ótimas cenas ao lado de Gable.
9- Começou em Nápoles / It started in Naples (1960): Sophia Loren ganharia no ano seguinte o Oscar de Melhor Atriz, mas aqui já brilha mais que Gable. Este é o penúltimo filme do ator, que já apresenta marcas de esgotamento. Brigando com Sophia pela guarda do sobrinho de ambos, é óbvio que o personagem de Gable vai se apaixonar pela voluptuosa italiana, nesta simpática comédia.
8- O aventureiro de Hong Kong / Soldier of Fortune (1955): Este filme não pertence a Gable, mas sim a sua companheira de cena, Susan Hayward. Ela é uma americana cujo marido fotógrafo está preso sob a custódia da máfia chinesa. Com muita coragem, ela vai pedir ajuda a um poderoso e perigoso chefe das docas, Hank Lee (Gable). Nas poucas cenas em que ele aparece, seu charme maduro é ressaltado pelas cores e o exotismo de Hong Kong.
7- Mares da China / China Seas (1935): Dentro de um navio nos mares chineses, o capitão Alan Gaskell (Gable) tem de lidar com a ex-namorada China Doll (Jean Harlow) que o importuna, sabendo que ele decide mudar de vida por ter se apaixonado por uma socialite inglesa (Rosalind Russell). O companheiro de China Doll para fazer o mal é Jamesey MacArdle (Wallace Beery, que não gostava de Gable), que facilita a entrada de piratas no navio... O ponto alto do filme são as cenas de Jean e Clark.
6- Mogambo (1953): Só Gable é capaz de repetir um papel de Gable. Por isso, em uma rara ocasião, ele foi escalado para o mesmo papel no original e no remake. A segunda versão de “Terra de Paixões / Red Dust” (1932) tem como cenário a África e como rivais no amor de Gable as lindas Ava Gardner e Grace Kelly (eram Jean Harlow e Mary Astor no original). Dirigido por John Ford, esse belo filme é prova de que Gable continuou irresistível com o tempo.
5- O Grande Motim / Mutiny on the Bounty (1935): Sem seu bigode característico, Gable deu vida a um personagem real, o marinheiro Fletcher Christian, principal responsável por um motim contra o severo capitão Bligh (Charles Laughton) do navio Bounty. Este fato histórico representou uma mudança nas regras da Marinha inglesa e o fim dos desmandos dos oficiais. Ninguém imaginaria que, mais de 100 anos depois, o fato daria origem a uma produção ganhadora do Oscar de Melhor Filme e com três indicados ao Oscar de Melhor Ator. Essa superprodução marítima, apesar de não ser totalmente fiel aos fatos históricos, é um espetáculo para os olhos.  
4-Vencido pela Lei / Manhattan Melodrama (1934): Myrna Loy, William Powell e Clark Gable? Esse é o trio dos sonhos de muitos cinéfilos. Dois amigos de infância com personalidades opostas se reencontram de lados opostos da lei: enquanto Jim (Powell) é policial, Blackie (Gable) é um gangster. Para piorar, ambos se apaixonam por Eleanor (Loy)... Na infância, o personagem de Gable é interpretado por Mickey Rooney. As cenas finais são emocionantes. Este foi o último filme visto pelo gangster John Dillinger antes de ser morto em uma emboscada da polícia. Uma boa película para se despedir do mundo. 
3-E o Vento Levou / Gone with the Wind (1939): Se Scarlett é a força motriz do filme, Rhett é o combustível que a faz funcionar. É por ele que ela luta quando já não pode mais tê-lo e sabe que Ashley (Leslie Howard) jamais será seu. É ele o canalha que pronuncia a frase mais célebre do cinema e que incentiva tantos a imitar seu ar blasé. Rhett é surpreendentemente nobre quando menos se espera, sabe o resultado da guerra assim que ela começa e vive de acordo com suas próprias regras. E pensar que Margaret Mitchell, quando perguntada quem deveria interpretar o papel, indicou seu ator favorito... Groucho Marx.
2- Aconteceu Naquela Noite / It happened one night (1934): O papel que deu a Gable seu único Oscar de Melhor Ator é também seu mais charmoso. O jornalista Peter Warne (Gable) a princípio não tem boas intenções, mas a viagem ao lado da jovem, bela e um pouco pudica herdeira Ellie Andrews (Claudette Colbert) o faz repensar seu modo de vida. Inclusive é interessante pensar como Gable interpretara C. K. Dexter Haven em “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940), como queria Katharine Hepburn. Apesar de C. K. não ser o jornalista, ele é um personagem bem atrevido!
1-Os Desajustados / The Misfits (1960): Se eu sempre tive dúvidas sobre o real talento de Gable, uma cena de seu último filme foi suficiente para me convencer de que ele era muito talentoso. Quando seu personagem o cowboy Gay Langland, sai do bar e ouve que seus filhos não quiseram ficar para falar com ele (isto é, se os filhos realmente estavam lá e esta não foi uma mentira contada para amenizar a dor), ele simplesmente se descompõe. Grita, bate em objetos e extravasa a frustração.
Conclusão: Clark Gable mereceu a fama que teve. Embora eu não o considere o maior símbolo sexual de sua época, era um ator talentoso e com bastante charme. Preciso ver mais filmes com ele!

This is one of my contributions to the Summer Under the Stars Blogathon, hosted by Jill at Sittin’ on a Backyard Fence and Michael at ScribeHard onFilm. August is a happy month for blogging!

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