} Crítica Retrô: Sex and the Single Girl

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Monday, September 14, 2015

Médica, Bonita e Solteira / Sex and the Single Girl (1964)

Comédia psicodélica dos anos 60 à vista! Começam os créditos e já somos surpreendidos pelo tipo de animação que ficou famosa naquela década com os filmes da Pantera Cor-de-rosa. Uma caricatura de Tony Curtis persegue uma caricatura de Natalie Wood. Símbolos masculinos e femininos nos apresentam também Henry Fonda, Lauren Bacall e Mel Ferrer. Vem coisa boa por aí? Hum, não exatamente.
A psicóloga PhD Helen Brown (Natalie Wood) acaba de escrever um best-seller intitulado “Sex and the S1ngle Girl”, o que rendeu muita notoriedade para ela e para o instituto onde ela trabalha. Mas a revista sensacionalista STOP publicou uma matéria desacreditando a autora, pois a “acusavam” de ser virgem, e, portanto, não ter nenhuma experiência para escrever tal livro. Por trás deste plano maligno está o repórter Bob Weston (Tony Curtis), ele próprio com muita experiência prática sobre o assunto.
Como a médica se recusa a dar uma entrevista para a revista STOP, Bob tira proveito do drama conjugal de seu amigo e vizinho Frank (Henry Fonda), um vendedor de meias que sofre com o ciúme da mulher, Sylvia (Lauren Bacall). Bob finge que é Frank para se consultar com a doutora Helen. Você já imagina o que vai acontecer, não é? Amor à primeira consulta.
Tony Curtis e Natalie Wood têm mais tempo em cena. Em seguida vem Henry Fonda, com uma boa sequência na excêntrica fábrica de meias, cena que poderia ter sido até mais longa. Do quinteto principal (Mel Ferrer interpreta o psiquiatra Rudy), quem tem menos destaque é Lauren Bacall. A moça já havia provado que sabia fazer comédia em “Como Agarrar um Milionário / How to Marry a Millionaire” (1953). Talvez fosse toda a aura séria e sedutora que Lauren tinha desde sua estreia no cinema, aos 20 anos. Talvez seja um problema mais grave: em 1964 Lauren Bacall completou 40 anos, e são poucas as oportunidades para mulheres desta idade em uma indústria sexista como Hollywood quase sempre foi. Mesmo com Fonda admitindo que este era o filme que ele menos gostou de fazer, ele brilha e diverte, mesmo sub-aproveitado. Mas a verdade é que Lauren desempenha bem seu papel. Ela tem química com Henry Fonda, e dá vontade de ver os dois juntos em mais filmes (e dançando o twist, se possível - veja o vídeo:).
Falando em sub-aproveitado, temos também Edward Everett Horton, coadjuvante sempre delicioso de se ver, como o chefe de Bob na revista STOP. Edward, já no final da carreira, tem apenas duas cenas. Outro importante comediante que faz uma breve participação como um policial é Larry Storch.
O passeio no zoológico de Helen e Bob é uma metáfora dos instintos primitivos aflorando, o que fica ainda mais evidente com os gestos de mímica de Tony Curtis em frente à jaula dos macacos. E é assim que o sexo é tratado no filme todo: podíamos estar às vésperas da grande revolução sexual, mas Hollywood ainda não estava totalmente preparada para lidar com o assunto abertamente. Tony Curtis usa o termo “inadequado” para dizer que não conseguia satisfazer a esposa fictícia. Ao final, o filme não é responsável por nenhum grande avanço no tratamento do sexo no cinema, e é provável que desagrade às feministas. Pensando bem, o filme funcionaria perfeitamente se fosse protagonizado por Rock Hudson e Doris Day!
“Sex and the Single Girl” é o título de um best-seller verdadeiro, escrito por, sim, Helen Gurley Brown. Helen foi editora da revista Cosmopolitan, e vendeu os direitos de seu livro e de seu nome por 200 mil dólares para a Warner Bros. O filme nada tem a ver com o livro, apenas utiliza seu título, mas qualquer um ficaria feliz em receber 200 mil para ser interpretado pela linda Natalie Wood nas telas, não?
Os últimos quinze minutos são dignos de uma screwball comedy, com uma divertida perseguição e várias infrações de trânsito. Este é sem dúvida o ponto alto do filme, embora uma sequência anterior também arranque muitas risadas: vestindo um roupão florido, Tony Curtis é comparado, mais de uma vez, “àquele ator, Jack Lemmon” (Lemmon e Curtis se vestiram de mulher no clássico “Quanto Mais Quente Melhor / Some Like It Hot”, de 1959).
O sensacionalismo do título, a crítica inteligente à imprensa dentro da revista STOP, a comédia leve e maluca, o grande elenco: tudo isso rendeu 4 milhões de dólares nas bilheterias. Foi um sucesso, mas visto em 2015 pode ser considerado muito conservador. É um filme bom, mas poderia ser muito melhor.

This is my contribution to the Lauren Bacall Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.
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