} Crítica Retrô: Mel Ferrer

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Mel Ferrer. Show all posts
Showing posts with label Mel Ferrer. Show all posts

Thursday, June 11, 2026

A Flor que não Morreu (1959) / Green Mansions (1959)

 

De vez em quando as estrelas se alinham e dois de seus atores favoritos fazem um filme juntos. Isso foi o que aconteceu com “A Flor que não Morreu”, infelizmente considerado um dos piores filmes das carreiras de dois de meus favoritos: Audrey Hepburn e Anthony Perkins. Sim, eles só interagem pela primeira vez após mais de 30 minutos de projeção, mas a química entre eles não foi o que decepcionou a maioria da plateia e deu má fama ao filme. Vejamos o que aconteceu. 

Sometimes the stars align and two of your favorites make a movie together. This is what happened in “Green Mansions”, unfortunately considered one of the worst films in the careers of two of my favorites: Audrey Hepburn and Anthony Perkins. Yes, they only interact for the first time after the 30-minute mark, but their chemistry is not what displeased the majority of the audience and gave this movie bad fame. Let’s see what happened.

Somos informados de que no começo do século XX W.H. Hudson viveu nas selvas da Venezuela e contou ao mundo uma história de amor que se tornou um clássico contemporâneo. Ah… se a queda d’água nos créditos iniciais parece familiar, é porque também apareceu em “Up! - Altas Aventuras” da Disney - outro clássico contemporâneo.

We’re informed that in the early 20th century W.H. Hudson lived in the jungles of Venezuela and told the world a love story that became a modern classic. Oh…If the waterfall in the opening credits seems familiar, it’s because it was also portrayed in Disney’s “Up!” - another modern classic.

Abel (Anthony Perkins) é um homem da capital da Venezuela, Caracas, em busca de vingança. E para isso ele precisa de ouro. Embrenhando-se na floresta, ele é ao mesmo tempo salvo e capturado por um grupo de nativos. Como o filho do Chefe fala inglês, Abel não corre perigo. Na verdade, ele recebe uma missão: entrar na selva e matar o Espírito da Floresta. Enquanto ele está lá, é picado por uma cobra coral mas salvo por Rima (Audrey Hepburn). Levado até a cabana dela, Abel se recupera e começa a acreditar que o avô de Rima pode saber onde há ouro. 

Abel (Anthony Perkins) is a man from the capital of Venezuela, Caracas, who is looking for revenge. And for this he needs gold. Entering the innermost of the jungle, he is both saved and captured by a group of natives. Since the Chief’s son speaks English, Abel is in no danger. In fact, he receives a mission: to enter the jungle and kill the Spirit of the Forest. While he’s there, he’s bitten by a coral snake but saved by Rima (Audrey Hepburn). Taken to her hut, Abel recovers and starts to believe Rima’s grandfather may know where there’s gold.

Audrey Hepburn fez mais de uma dúzia de filmes antes de “A Flor que não Morreu” e ganhou o Oscar de Melhor Atriz por sua estreia em Hollywood, “A Princesa e o Plebeu” (1953). Anthony Perkins era uma estrela em ascensão, tendo estreado em 1953 com um papel em “Papai Não Quer”. Para fazer este filme, Hepburn recusou o papel principal em “O Diário de Anne Frank” (1959) e Perkins recusou um papel em “Quanto Mais Quente Melhor” (1959). A canção “Green Mansions” é cantada pelo próprio Perkins, que na época estava tentando uma carreira dupla como ator e cantor. E ele cantava muito bem!

Audrey Hepburn had made over a dozen films before “Green Mansions”, and won the Best Actress Oscar for her Hollywood debut “Roman Holiday” (1953). Anthony Perkins was a rising star, having debuted in 1953 with a role in “The Actress”. To appear in this film, Hepburn refused the lead role in “The Diary of Anne Frank” (1959) and Perkins refused a role in “Some Like It Hor” (1959). The song “Green Mansions” is sung by Perkins himself, who at the time was trying a double career as actor and singer. He is not bad at singing at all!

É estranho, entretanto, acreditar que nosso elenco é venezuelano. Isso fica mais difícil com os atores interpretando os nativos, como o japonês Sessue Hayakawa (abaixo) e Henry Silva, vindo do Brooklyn. A língua que eles falam é mais próxima do japonês do que das línguas dos nativos amazônicos. Bem, é a Velha Hollywood tratando quem é diferente como exótico mais uma vez. 

It’s weird, however, to believe our cast is Venezuelan. This gets even harder for the actors playing natives, such as the Japanese Sessue Hayakawa (below) and Brooklyn-born Henry Silva. Their spoken language is closer to Japanese than to the languages of Amazon natives. Well, it’s Old Hollywood treating the different people as exotic once again.

Aqui tenho uma surpresa agradável: uma “música especial” foi criada para o filme pelo meu conterrâneo Heitor Villa-Lobos. Deixe-me contar uma ou duas coisas sobre ele. O compositor de mais de duas mil obras começou tocando em cinemas no início do século XX. Seu trabalho foi influenciado tanto pela música europeia quanto pela música popular brasileira. Na verdade, Villa-Lobos baseou sua trilha para “A Flor que não Morreu” no livro que serviu de base para o filme, publicado em 1904. O compositor polonês Bronislau Kaper foi convidado a refazer a trilha, mas manteve alguns trechos de Villa-Lobos, que por sua vez apresentou sua composição completa mais tarde naquele ano em Nova York como a cantata Floresta do Amazonas.  

Here’s a welcome surprise: “special music” was created for the film by my fellow Brazilian Heitor Villa-Lobos. Let me tell you a thing or two about him. The composer of over 2,000 works started playing songs for films in the early 20th century. His work was influenced by both European music and Brazilian folk music. Villa-Lobos actually based his “Green Mansions” score on the 1904 source book, not the completed film. The Polish composer Bronislau Kaper was asked to do the complete score, but retained some of Villa-Lobos’ tunes, who in turn presented his full composition later that year in New York as the cantata Forest of the Amazon.

“A Flor que não Morreu” foi dirigido pelo então marido de Audrey, Mel Ferrer. Uma ideia de adaptação do livro nos anos 1930 com Dolores Del Rio foi desconsiderada. Vincente Minnelli foi depois considerado para dirigir, mas um teste mal sucedido com Pier Angeli como Rima fez com que Ferrer fosse escolhido no seu lugar. Ferrer viajou para a Venezuela e gravou uma hora de material que foi incorporado ao filme. “A Flor que não Morreu” seria o primeiro projeto com Ferrer dirigindo e Audrey estrelando, mas o fracasso comercial abortou o plano.

“Green Mansions” was directed by Audrey’s then-husband Mel Ferrer. An idea for an adaptation of the book in the 1930s with Dolores Del Rio was dropped. Vincente Minnelli was then attached to direct, but an unsuccessful test with Pier Angeli as Rima led to Ferrer being chosen instead. Ferrer traveled to Venezuela and shot one hour of material that was incorporated into the film as background. “Green Mansions” was supposed to be the first project with Ferrer directing and Hepburn starring, but the commercial failure aborted the plan.

Mais famoso que este filme é provavelmente o pequeno veado que Audrey adotou como mascote durante as filmagens. Ela o chamou de Pippin e várias fotos dos dois podem ser encontradas online. Mel Ferrer havia levado o animal à sua casa em Hollywood para deixá-lo acostumado com Hepburn nas cenas em que teriam de interagir.

More famous than this movie is probably the little fawn Audrey adopted as a pet while filming. She named it Pippin and several photos of the two can be found online. Mel Ferrer had brought the fawn to his Hollywood home to make it acquainted to Hepburn in the scenes in which they had to interact. 

Eu assisti à maioria dos filmes de Audrey Hepburn, escrevi sobre alguns deles e posso dizer que esse não é o pior da sua carreira - “Amor na Tarde” (1957), por exemplo, envelheceu muito mal. Há também muitos filmes modernos piores que este. O filme também recebe o crédito por ser o primeiro a utilizar o processo Panavision no cinema. E tem mais: com “A Flor que não Morreu”, uma história de amor que teria sido há muito esquecido foi imortalizada pelo cinema.

I’ve watched most of Audrey Hepburn’s movies, reviewed a good amount of them and can say that this isn’t her worst effort - “Love in the Afternoon” (1957), for example, aged awfully. There are plenty of modern movies worse than it, as well. The movie also gets the credit of debuting the Panavision process in cinema. And there’s more: with “Green Mansions”, a love story that would have been long forgotten was immortalized by cinema.

Para terminar este post, uma coisa diferente: quando eu comecei a explorar o YouTube, muitos anos atrás, fiz um par de vídeos explorando a carreira completa de algumas de minhas estrelas favoritas. Eu sempre quis fazer um para Audrey Hepburn. Esta semana encontrei o tempo e a motivação para fazê-lo. Então aqui está, “The Whole Career: Audrey Hepburn”. Vamos torcer para que eu não precise esperar mais 15 anos para fazer um destes vídeos! 

To finish this post, something different: when I started exploring YouTube, many years ago, I did a couple of videos showcasing the entire career of some of my favorite stars. I’ve always wanted to make one for Audrey Hepburn. This week I found the time and reason to do it. So here it is, “The Whole Career: Audrey Hepburn”. Let’s only hope I don’t wait 15 years to make another of these videos!



This is my contribution to the Audrey Hepburn blogathon, hosted by Maddy at Classic Film and TV Corner

Monday, September 14, 2015

Médica, Bonita e Solteira / Sex and the Single Girl (1964)

Comédia psicodélica dos anos 60 à vista! Começam os créditos e já somos surpreendidos pelo tipo de animação que ficou famosa naquela década com os filmes da Pantera Cor-de-rosa. Uma caricatura de Tony Curtis persegue uma caricatura de Natalie Wood. Símbolos masculinos e femininos nos apresentam também Henry Fonda, Lauren Bacall e Mel Ferrer. Vem coisa boa por aí? Hum, não exatamente.
A psicóloga PhD Helen Brown (Natalie Wood) acaba de escrever um best-seller intitulado “Sex and the S1ngle Girl”, o que rendeu muita notoriedade para ela e para o instituto onde ela trabalha. Mas a revista sensacionalista STOP publicou uma matéria desacreditando a autora, pois a “acusavam” de ser virgem, e, portanto, não ter nenhuma experiência para escrever tal livro. Por trás deste plano maligno está o repórter Bob Weston (Tony Curtis), ele próprio com muita experiência prática sobre o assunto.
Como a médica se recusa a dar uma entrevista para a revista STOP, Bob tira proveito do drama conjugal de seu amigo e vizinho Frank (Henry Fonda), um vendedor de meias que sofre com o ciúme da mulher, Sylvia (Lauren Bacall). Bob finge que é Frank para se consultar com a doutora Helen. Você já imagina o que vai acontecer, não é? Amor à primeira consulta.
Tony Curtis e Natalie Wood têm mais tempo em cena. Em seguida vem Henry Fonda, com uma boa sequência na excêntrica fábrica de meias, cena que poderia ter sido até mais longa. Do quinteto principal (Mel Ferrer interpreta o psiquiatra Rudy), quem tem menos destaque é Lauren Bacall. A moça já havia provado que sabia fazer comédia em “Como Agarrar um Milionário / How to Marry a Millionaire” (1953). Talvez fosse toda a aura séria e sedutora que Lauren tinha desde sua estreia no cinema, aos 20 anos. Talvez seja um problema mais grave: em 1964 Lauren Bacall completou 40 anos, e são poucas as oportunidades para mulheres desta idade em uma indústria sexista como Hollywood quase sempre foi. Mesmo com Fonda admitindo que este era o filme que ele menos gostou de fazer, ele brilha e diverte, mesmo sub-aproveitado. Mas a verdade é que Lauren desempenha bem seu papel. Ela tem química com Henry Fonda, e dá vontade de ver os dois juntos em mais filmes (e dançando o twist, se possível - veja o vídeo:).
Falando em sub-aproveitado, temos também Edward Everett Horton, coadjuvante sempre delicioso de se ver, como o chefe de Bob na revista STOP. Edward, já no final da carreira, tem apenas duas cenas. Outro importante comediante que faz uma breve participação como um policial é Larry Storch.
O passeio no zoológico de Helen e Bob é uma metáfora dos instintos primitivos aflorando, o que fica ainda mais evidente com os gestos de mímica de Tony Curtis em frente à jaula dos macacos. E é assim que o sexo é tratado no filme todo: podíamos estar às vésperas da grande revolução sexual, mas Hollywood ainda não estava totalmente preparada para lidar com o assunto abertamente. Tony Curtis usa o termo “inadequado” para dizer que não conseguia satisfazer a esposa fictícia. Ao final, o filme não é responsável por nenhum grande avanço no tratamento do sexo no cinema, e é provável que desagrade às feministas. Pensando bem, o filme funcionaria perfeitamente se fosse protagonizado por Rock Hudson e Doris Day!
“Sex and the Single Girl” é o título de um best-seller verdadeiro, escrito por, sim, Helen Gurley Brown. Helen foi editora da revista Cosmopolitan, e vendeu os direitos de seu livro e de seu nome por 200 mil dólares para a Warner Bros. O filme nada tem a ver com o livro, apenas utiliza seu título, mas qualquer um ficaria feliz em receber 200 mil para ser interpretado pela linda Natalie Wood nas telas, não?
Os últimos quinze minutos são dignos de uma screwball comedy, com uma divertida perseguição e várias infrações de trânsito. Este é sem dúvida o ponto alto do filme, embora uma sequência anterior também arranque muitas risadas: vestindo um roupão florido, Tony Curtis é comparado, mais de uma vez, “àquele ator, Jack Lemmon” (Lemmon e Curtis se vestiram de mulher no clássico “Quanto Mais Quente Melhor / Some Like It Hot”, de 1959).
O sensacionalismo do título, a crítica inteligente à imprensa dentro da revista STOP, a comédia leve e maluca, o grande elenco: tudo isso rendeu 4 milhões de dólares nas bilheterias. Foi um sucesso, mas visto em 2015 pode ser considerado muito conservador. É um filme bom, mas poderia ser muito melhor.

This is my contribution to the Lauren Bacall Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...