} Crítica Retrô: Madame Curie

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label Madame Curie. Show all posts
Showing posts with label Madame Curie. Show all posts

Monday, November 17, 2014

C. Aubrey Smith: o lorde inesquecível

C. Aubrey Smith: the unforgetable lord

Quando eu tinha 13 anos, meu ator favorito era Robin Williams. Eu adorava a série Mork & Mindy, mas essa não era a principal razão para minha preferência: eu gostava de Robin porque ele nasceu no mesmo dia que eu! Dividir o aniversário com um astro representava muito para mim. E ainda representa, porque, como fã de cinema clássico, é um prazer dividir um bolo no dia 21 de julho com C. Aubrey Smith.
When I was 13, my favorite actor was Robin Williams. I loved the series Mork & Mindy, but this was not the main reason for my love: I liked Robin because we were born on the same day! Sharing my birthday with a movie star meant a lot to me. And it still does because, as a classic movie fan, it is a pleasure to share a birthday cake on July 21st with C. Aubrey Smith.
Ele é inconfundível: alto, cabelos brancos e ar aristocrático. Sempre interpretava lordes, militares, juízes ou qualquer outro personagem que inspirasse autoridade. Estudou em Cambridge, começou no teatro aos 30 anos e fez seu primeiro filme com 52. Praticamente desprezado na era muda, encontrou seu lugar como grande coadjuvante nos anos 30. Quem vê Charles Aubrey Smith não consegue esquecê-lo.
He is unmistakable: tall, white hair and aristocratic look. He always played lords, men in the military, judges or any other character that is an authority. He went to Cambridge, started in the theater when he was 30 and appeared in his first film at 52. Not much sought after during the silent era, he found his place as a great character actor in the 1930s. Who sees Charles Aubrey Smith cannot forget him.
C. Aubrey Smith viveu um bocado de aventuras fora das telas: entre 1888 e 1889, foi procurar ouro na África do Sul. Entre uma pepita e outra, teve uma mistura de febre tifóide e pneumonia grave, e chegou a ser declarado morto por um médico. Felizmente, para os cinéfilos, ele estava bem vivo! Em Hollywood, sua aventura era um pouco menos perigosa: era capitão do time de críquete das estrelas desde 1932, em que jogavam também Laurence Olivier, David Niven, Nigel Bruce, Leslie Howard e Boris Karloff.
C. Aubrey Smith lived many adventures in real life: between 1888 and 1889, he joined a gold rush in South Africa. When not finding gold, he had a mix of typhus fever and pneumonia, and was declared dead by a doctor. Happily for the cinephiles, he was very much alive! In Hollywood, his adventure was a little less dangerous: he was the captain of the movie stars cricket team since 1932, and playmates included Laurence Olivier, David Niven, Nigel Bruce, Leslie Howard and Boris Karloff. 

Teve uma infância muito rígida e desenvolveu um estranho medo do barulho de sinos quando criança, pois era obrigado a ir à Igreja todo domingo e detestava esta atividade.
He had a very strict upbringing and developed a strange phobia of the sound of bells ringing as a child, because he had to go to church every Sunday, even though he hated it.
No teatro, ainda no final do século XIX, ele ganhou destaque nos palcos ingleses protagonizando “O Prisioneiro de Zenda”, em um papel duplo. Também participou de “Pigmalião”, seu primeiro sucesso na Broadway. Nada mal para o aristocrata que considerava a atuação uma atividade menor!
In the theater, still in the 19th century, he was acclaimed in England as the lead of “The Prisoner of Zenda”, in two roles. He was also in “Pigmalion”, his first Broadway hit. Nothing bad, considering that he thought acting was a less honored activity!
Se você gosta de filmes da década de 1930 tanto quanto eu, deve ter percebido que C. Aubrey Smith está em toda parte. Ele é o malfadado pai de Jane (Maureen O'Sullivan) em “Tarzan, o Homem-Macaco” (1932), o pai da Imperatriz Catarina II, interpretada por Marlene Dietrich em “A Imperatriz Vermelha” (1934), o pai de Julieta (Norma Shearer) em “Romeu e Julieta” (1936), o duque sério que tenta controlar Myrna Loy em “Ama-me Esta Noite” (1932), o padre da ilha atingida por “O Furacão” (1937).
If you like movies from the 1930s as much as I do, you must have realized that C. Aubrey Smith is everywhere. He is Jane's (Maureen O'Sullivan) ill-fated father in “Tarzan the Ape Man” (1932), Empress Catherine II's (played by Marlene Dietrich) dad in “The Scarlet Empress” (1934), Juliet's (Norma Shearer) father in “Romeo and Juliet” (1936), the serious duke who tries to control Myrna Loy in “Love me Tonight” (1932), the priest in the island swept by “The Hurricane” (1937).
Este ator contracenou com algumas das maiores lendas do cinema: Greta Garbo, Katharine Hepburn, Mary Astor, Freddie Bartholomew, Tyrone Power, Clark Gable, Jean Harlow, Marion Davies, Claudette Colbert.... Ele pode ser encontrado em “Cleopatra” (1934), “Ladrão de Alcova” (1932), “Mares da China” (1935), “A ponte de Waterloo” (1940), “Madame Curie” (1943)... são mais de 100 filmes em uma carreira brilhante.
This actor acted alonside some of the greatest film legends: Greta Garbo, Katharine Hepburn, Mary Astor, Freddie Bartholomew, Tyrone Power, Clark Gable, Jean Harlow, Marion Davies, Claudette Colbert... He can be found in “Cleopatra” (1934), “Trouble in Paradise” (1932), “China Seas” (1935), “The Waterloo Bridge” (1940), “Madame Curie” (1943)... There are more than 100 films in his brilliant career.
Sua vida pessoal foi ficando mais tranquila com o tempo. De devedor nos tempos pós-mineração, C. Aubrey Smith se tornou um ator, marido e pai respeitável. Casou-se em 1896 com Isobel Mary Scott Wood, com quem ficaria até o fim da vida, e com ela teve sua única filha, Honor.
His personal life became calmer with time. Being a debtor in his post-mining times, C. Aubrey Smith still became a respectable actor, husband and father. He married Isobel Mary Scott Wood in 1896, with whom he stayed until the end of his life, and had with her his only daughter, Honor.

E olhe que vida pessoal fascinante: C. Aubrey Smith adorava carpintaria, tocar piano e pintar; ajudou nas vigílias dos atores durante a Primeira Guerra Mundial e era um dos melhores amigos de Boris Karloff!
And pay attention to such a fascinating personal life: C. Aubrey Smith loved carpentry, painting and playing the piano; helped in the wakes during World War I and was one of Boris Karloff's best friends!
O último trabalho de C. Aubrey Smith foi “Quatro Destinos” (1949), em que ele tem ótimas cenas com Margaret O’Brien. Em dezembro de 1948, a pneumonia lhe foi fatal. Em 1944 ele recebeu o título de “Sir” e em 1960 ganhou uma estrela na calçada da fama. Em 1963, serviu de inspiração para o personagem de desenho animado Commander McBragg. Nunca indicado a prêmio algum por seu trabalho no cinema, C. Aubrey Smith recebe até hoje a maior das homenagens: o carinho e o reconhecimento de quem, assim como eu, tem o prazer de vê-lo atuar sempre tão bem.
C. Aubrey Smith's last work was “Little Women” (1949), in which he has great scenes opposite Margaret O'Brien. On December 1948, pneumonia stroke again, and this time was mortal. In 1944 he was knighted by the king and in 1960 he was awarded a star in the walk of fame. In 1963, he was the inspiration for the cartoon character Commander McBragg. Never nominated for any film award, C. Aubrey Smith receives until today the biggest of homages: the love and acknowledgement of those who, like me, take the pleasure in seeing him acting always so well.
This is my contribution to the third annual What a Character! Blogathon, hosted by the three musketeers Aurora, Kellee and Paula at Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.
Créditos das imagens com legendas: ESTE SITE.
The images with explanatory notes came from THIS SITE.

Wednesday, April 6, 2011

Madame Curie (1943)



2011 foi escolhido como o Ano da Química pela comunidade científica em celebração ao centenário do Nobel de Química de Marie Curie. A cientista ganhou outro de Física em 1903, sendo até hoje a única mulher a ostentar o prêmio em duas categorias (Linus Pauling ganhou também dois prêmios, de Física e da Paz). Uma das mulheres pioneiras na pesquisa científica, Marie saiu da sombra de seu marido (que conheceu trabalhando como sua assistente) e foi brilhar sozinha na comunidade científica.

Com vocês, a biografada: Maria Sklodowska Curie (1867 – 1934) foi uma cientista polonesa radicada na França. Com seu marido Pierre Curie e com o cientista Antoine Henri Becquerel descobriu elementos radioativos como o rádio (que deu origem aos nomes radioativo e radioatividade) e o polônio. Foi professora da Sorbonne após a morte do marido e teve um caso com grande repercussão com o físico casado Paul Langevin. Visitou o Brasil para estudar as águas radioativas da cidade de Lindoia, no interior do estado de São Paulo. Faleceu aos 66 anos, devido a uma leucemia causada pela exposição à radiação durante anos de pesquisa ( os livros que ela usava em sue laboratório há cem anos estão em caixas de chumbo, pois emitem radiação). Um ano depois, sua filha recebeu também um prêmio Nobel de Química.    
  
Licença Cinematográfica: Ao contrário do que é mostrado, Marie não foi sozinha para Paris. Boa parte de sua família também foi viver lá, como sua irmã Bronislawa, uma obstetra.
Aparentemente, Pierre não gostou de ter uma mulher trabalhando em seu laboratório. Uma clássica história de ódio que vira amor.
Em nada Greer Garson e Walter Pidgeon se pareciam com Marie e Pierre Curie.


A própria Marie Curie gostava de romantizar sua vida, muitas vezes se descrevendo como uma heroína, capaz de fazer as maiores descobertas em laboratórios mal-equipados. O filme foi feito com base num livro sobre a cientista escrito por uma de suas filhas, ou seja, uma versão também parcial.

A Crítica Retrô: “Madame Curie” é uma excelente aula de História da Química, mostrando todos os percalços e alegrias das pesquisas científicas que levaram à descoberta da radioatividade e deram o Nobel aos nobres cientistas. Pensado para ser protagonizado por Greta Garbo e, depois da recusa da estrela, feito com a “recém-oscarizada” Greer Garson e seu par em “Mrs Miniver”, Walter Pidgeon, o filme ainda é belo e comovente (sim, Pierre Curie morreu atropelado por uma carroça), sendo um hino ao poder da mulher na Ciência.

Monday, July 5, 2010

Meu Top 10 – Drama / Aventura

Olá!! Com certeza vcs já devem ter visto listas, até as oficiais do AFI (American Film Institution) com o ranking dos melhores filmes. Como uma boa aficionada, resolvi discordar um pouco dessas listas e bolar meus próprios “top 10”, começando pelas produções que nos levam às lágrimas: os dramas!

10- “Madame Curie” (idem, 1943): A descoberta do rádio e do polônio pela cientista (Greer Garson), com seu marido Pierre Curie, é relatada de maneira fascinante. Baseado nos relatos de uma filha do casal, mostra como foi difícil o caminho que levou Marie a ser a primeira e única pessoa a ganhar prêmios Nobel em categorias distintas.

9- “A Mulher faz o Homem” (Mr. Smith Goes to Washington, 1939): No Ano do Cinema, um simplório chefe de escoteiros (James Stewart) é indicado ao Senado para poder ser manipulado por um inescrupuloso bando. Sua única vontade é impedir a construção de uma barragem que passa por áreas preservadas importantes. Para isso conta com a ajuda e o incentivo de sua secretária (Jean Arthur).

8- “Nasce uma Estrela” (A Star is Born, 1937 / 1954): Hollywood é uma fábrica de sonhos, mas alcançar prestígio nestas terras não é fácil. Que o diga Esther Blodget, transformada por essa fábrica em Vicki Lester, superestrela. Seu apogeu coincide com a queda de seu marido, Norman Maine, astro alcoólatra que a encantou e incentivou. Eu só assisti à primeira versão, com Janet Gaynor e Fredrich March. Dizem que a segunda, com Judy Garland e James Mason, é melhor, até pela aproximação com a vida conturbada de Judy.

7- “Depois do Vendaval” (The Quiet Man, 1952): Ex-lutador (John Wayne, fora de um faroeste) volta para sua Irlanda natal após ter matado um adversário. Apaixona-se por uma moça difícil (Maureen O’Hara) e, contra a sua vontade, terá de lutar para casar-se com ela. Conta-se que o nome da moça, Mary Kate Danaher, veio da junção dos nomes das duas mulheres da vida do diretor John Ford: sua esposa Mary e Katharine Hepburn. Injustiça ter perdido o Oscar de Melhor filme para “O Maior Espetáculo da Terra”.


6- “A um Passo da Eternidade” (From Here to Eternity, 1953): A história se passa no Havaí em 1941, em um quartel militar onde um alto funcionário (Burt Lancaster) mantém uma escandalosa relação com a esposa do chefe (Deborah Kerr) e dois jovens soldados arrumam confusões: Montgomery Clift e Frank Sinatra, provando com um Oscar que não era apenas uma grande voz.

5- “A volta ao mundo em 80 dias” (Around the world in 80 days, 1956): Vc realmente viaja em três horas de aventuras e perigos que Phileas Fogg (David Niven) e seu “assistente” Passepartout (Cantinflas) vivem para ganhar uma aposta. Pura magia em todos os lugares pelos quais eles passam. Outro dia, inclusive, achei o livro de Júlio Verne em uma biblioteca. Nessa versão, o nome da personagem de Cantinflas é traduzido como “Chavemestra”. Loucura total.

4- “Julgamento em Nuremberg” (Judgement in Nuremberg, 1961): Alguns nazistas são julgados por um tribunal americano em Nuremberg, apenas 3 anos depois da guerra. Mas eles não são carrascos de campos de concentração, smas sim juízes e ministros que condenaram e promulgaram leis racistas. A atuação de Maximillian Schell, como advogado de defesa, até nos leva a crer na inocência dos acusados, e a bela Marlene Dietrich, que combateu os nazistas, está aqui defendendo-os para o juiz Spencer Tracy. Destaque também para os emocionados Montgomery Clift, Burt Lancaster e Judy Garland.


3- “A Dama de Xangai” (The Lady from Shanghai,1947): Orson Welles é meu favorito. Polivalente, roteirista, diretor e ator, deixou aqui mais um conjunto de pensamentos inesquecíveis (o que é ter vantagem? Quão importante é a essência de cada um? E a história dos tubarões em Fortaleza, então?) e uma sequência de tirar o fôlego na sala dos espelhos. Dirigiu Rita Hayworth com maestria mesmo em franca crise conjugal com a ex-ruiva. Uma curiosidade é que nosso poetinha Vinicius de Moraes estava nos EUA como embaixador e acompanhou as filmagens desta película.

2- “Casablanca” (idem, 1941): Aquele tipo de filme que todos sabem o que vai acontecer no final, mas mesmo assim atrai multidões. Não há outro que deixou tantas frases no imaginário e no vocabulário das pessoas, ou uma música tão memorável tocando tantos corações (aliás, meu sonho é aprender a tocar As Time Goes By no piano). Que importa o aparente coração frio de Rick (Humphrey Bogart) e o final pouco usual? Entrou para a história.

1- “E o vento levou” (Gone with the Wind, 1939): É tudo!!! As 3h42min mais bem gastas, com um filme surpreendente, atuações primorosas, imagens incríveis e a mais humana das personagens: Scarlett O’Hara (Vivien Leigh). Não dá para ser o mesmo depois de assisti-lo. Vc fica pensando, digerindo a trama por horas após o fim. E não é possível chegar à conclusão de que a voluntariosa mocinha mereceu ou não sua sina.

Infelizmente, eu ainda não tive a oportunidade de ver Cidadão Kane, aclamado por duas vezes como o melhor filme de todos os tempos.

Beijos!!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...