} Crítica Retrô: coadjuvante

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Friday, December 16, 2016

O quinto irmão Marx: Margaret Dumont

The fifth Marx brother: Margaret Dumont

Equilíbrio.

Balance.

Equilíbrio é o que todos nós devemos tentar alcançar na vida, e também na arte. A vida – e a arte – sem equilíbrio é apenas exagero, e isso nunca é bom. Quem vive uma vida sem equilíbrio é, mais cedo ou mais tarde, punido pela justiça ou pelo karma. Arte sem equilíbrio não é boa de se ver,  é rejeitada pelo público, é em geral classificada como “de mau gosto”.

Balance is what we all should seek in life, and also in art. Life – and art – without balance is just exaggeration, and it's never good. Who lives live without balance is, sooner or later, punished by justice or karma. Art without balance is not nice to look at, is rejected by the public, is often labeled as “of bad taste”.


Se não há um personagem mais “normal” para criar equilíbrio em uma dupla, trio ou grupo maluco, a comédia pode perder a graça. Hardy, o Gordo, era mais esperto e mais realista que Laurel, o magro. Precisávamos de Dean Martin para neutralizar as loucuras do atrapalhado Jerry Lewis. E sempre havia alguém mais normal junto com os Três Patetas. Tudo para criar equilíbrio. Porque o público precisa se identificar com alguém no filme, e quanto mais normal, melhor.

If there is not a more “normal” character to create balance in a crazy duo, trio or group, the comedy may fall flat. Hardy was smarter, and more down-to-earth than Laurel. We needed straight man Dean Martin to go with the shenanigans of goofy Jerry Lewis. And there was always someone more normal along the Three Stooges. All to create balance. Because the public needs an identification with someone onscreen, the more normal, the better.


E que tal ser o único normal no meio de quatro malucos? Esta era a difícil tarefa de Margaret Dumont nos sete filmes que ela fez comos irmãos Marx. Porque ela não era apenas uma ilha de razão em um mar de loucura, como era Zeppo, ela era também o motivo de muitas, muitas piadas.

And what about being the only one normal in the middle of four weirdos? This was Margaret Dumont's hard task in the seven movies she did with the Marx Brothers. Because she wasn't just an island of reason in a sea of wackiness, like Zeppo was, she was also the target of many, many jokes.


O nome Daisy Juliette Baker pode não ser familiar, mas foi assim que Margaret foi batizada ao nascer, em 1882. Ele era uma soprano, e se apresentou pela primeira vez no vaudeville pouco antes de completar 20 anos. Sua beleza quando jovem era impressionante, e ela era em geral escalada para papéis de “soubrette”: moças jovens que gostavam de flertar em óperas e shows cômicos.

The name Daisy Juliette Baker may not ring a bell, but it was with this name that Margaret was christened when she was born, in 1882. She was a trained soprano, and first entered vaudeville when she was about to turn 20. Her beauty as a young woman was mesmerizing, and she was often cast in “soubrette” roles: the ones of young flirtatious girls in comic operas and shows.


Sua primeira investida como atriz durou até 1910, quando ela se casou com o rico John Moller Jr. Durante a epidemia de gripe espanhola de 1918, seu marido morreu e a viúva de 38 anos voltou aos palcos.

Her first entertainment phase lasted until 1910, when she married heir John Moller Jr. During the 1918 influenza pandemic, her husband died and the 36-year-old widow came back to the stages.


Foi nos palcos que ele encontrou pela primeira vez os quatro irmãos Marx. Em 1925, ela foi escolhida para a peça “The Cocoanuts”. Em 1928, ela foi novamente escalada para contracenar com os irmãos em “Animals Crackers”. Quando os irmãos receberam uma oferta da Paramount para transportar seus shows para o cinema – que agora era falado – Margaret os seguiu. Até então, ela havia feito apenas papéis como extra em dois filmes mudos.

It was on the stage that she first met the four Marx brothers. In 1925 she was cast in their play The Cocoanuts. In 1928, she was again cast along them in Animal Crackers. When the brothers received an offer from Paramount to transport their plays to the – now talking – movies, Margaret followed them. Until then she had only appeared as an uncredited extra in two silent films.


Hoje, muitas das piadas dos irmãos seriam consideradas grosseiras ou politicamente incorretas. Margaret estreou no cinema com os Marx quando tinha 47 anos, ou seja, não era uma jovenzinha, e sabemos como o trabalho de atriz pode ser duro para mulheres mais velhas. Frequentemente ela era insultada, chamada – indiretamente – de feia, gorda ou velha por Groucho Marx, que era apenas oito anos mais novo que ela. Pode ser dito que estes insultos faziam parte da graça de Groucho, ou que não tinha importância porque Margaret não entendia as piadas (o que não é verdade, pois ela era uma atriz experiente e inteligente).

Today, many of the brothers' antics would be considered unpolite or politically incorrect. Margaret entered the movies business with the brothers when she was 47, so she was no youngster, and we know how hard work is for older actresses. Too often she was insulted, called – indirectly – ugly or fat or ancient by a Groucho Marx who was only eight years her junior. It can be said the insults are part of Groucho's fun, or that Margaret didn’t understand the jokes (which is not true, since she was an experienced and intelligent performer herself).


É interessante notar quão forte era a relação de Margaret e Groucho. Ela o chamava carinhosamente de “Julie” na vida real – o nome de batismo de Groucho é Julius – e Groucho disse que muitas vezes o público pensava que ele e Margaret eram de fato casados. Quando ele recebeu um Oscar Honorário em 1974, Margaret foi uma das poucas pessoas a quem ele agradeceu – os irmãos Gummo e Zeppo, que ainda estavam vivos, ficaram fora do discurso de agradecimento. E a última aparição de Margaret na TV aconteceu ao lado de Groucho no programa “The Hollywood Palace”, oito dias antes de ela morrer.

It's interesting to notice how strong Margaret's relationship with Groucho was. She fondly called him “Julie” in real life – Groucho’s real name is Julius – and Groucho said that the public often thought he and Margaret were, indeed, a couple off-screen. When he received an Honorary Oscar in 1974, Margaret was one of the few people he thanked – brothers Gummo and Zeppo, who were still alive, were left out of the acceptance speech. And Margaret's last appearance on camera happened alongside Groucho in the TV show The Hollywood Palace, eight days before her death.


This is my contribution to the 5th Annual What a Character Blogathon, hosted by mighty trio Aurora, Kellee and Paula at Citizen Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.

Monday, November 23, 2015

250 tons de Wilson Grey

“Sem Wilson Grey, eu acho que nem existiria cinema brasileiro” - José Lewgoy

No cinema brasileiro, Wilson Grey está por toda parte. Ele é inconfundível: muito magro, cabelos pretos com brilhantina, cara chupada e quase sempre um bigode. Era o tipo perfeito para interpretar vilões ou capangas, malandros e mendigos. Ele costumava dizer que fazia de tudo no cinema, “menos beijar a mocinha no final”. Wilson Grey é a prova de que não é preciso ser protagonista para ser memorável – e deixar sua marca para sempre na história do cinema.
Wilson Chaves nasceu no Rio de Janeiro em 1923. Quando criança, ele gostava de imitar as vozes dos atores do rádio, mas uma tragédia interrompeu a infância feliz: seu pai faleceu quando Wilson tinha nove anos, e o menino teve de trabalhar para ajudar nas despesas da família. Um começo difícil, como muitos outros.
O Rei do Movimento (1954)
Seu sobrenome artístico foi inspirado em Nan Grey, companheira do teatro por quem Wilson era apaixonado na década de 40. Durante seis anos, ele tentou ingressar no cinema, sem sucesso (diziam que Wilson era muito feio para ser ator de cinema). Mas como na maioria das grandes histórias dos astros da sétima arte, um papel como extra foi o suficiente para engrenar a carreira de Grey, em 1948. Três anos depois abandonou o emprego em uma perfumaria para se dedicar de corpo e alma ao cinema. Seus dias de intérprete do “soldado sem fala” em Hamlet no teatro tinham terminado.
Amei um Bicheiro (1952)
A primeira vez em que vi Wilson Grey foi também a primeira vez em que vi uma “chanchada”, filme típico do Brasil da década de 1950, que misturava comédia e musical, geralmente com muito samba. Em “Quem roubou meu samba?” (1959), Wilson Grey rouba a cena interpretando o doente do leito 34, internado em um hospital, mas com muita fome.
O jornal Última Hora e a revista Jornal de Cinema realizaram um concurso para eleger o mais importante ator coadjuvante do cinema brasileiro em 1969. Adivinhe quem ganhou? Sim, Wilson Grey.
Na Corda Bamba (1958)
Os colegas de trabalho, atores e diretores, definiam Wilson Grey como um homem bem-humorado que usava toda sua experiência de vida para compor seus personagens – mesmo que fosse gravar uma só cena por filme. O diretor Hugo Carvana confessou que escrevia seus filmes já reservando um papel especialmente para Wilson Grey.
Apesar de pouco lembrado, Wilson Grey trabalhou com todos os grandes nomes do cinema brasileiro do século XX: Ankito, Grande Otelo, Costinha, Carlos Manga, Júlio Bressane. Só lhe escapou Glauber Rocha. Ou será que foi Wilson que escapou de Glauber? Em todo caso, pior para Glauber.
A Rainha Diaba (1974)
Além do teatro e do cinema, Wilson Grey também fez televisão. Seus papéis mais conhecidos foram como o Jeca Tatu na versão do Sítio do Pica-pau Amarelo de 1977 e como Linguiça, companheiro do vigarista Azambuja, interpretado por Chico Anysio.
Wilson Grey viveu apenas 69 anos, mas foi o suficiente para participar em 250 filmes ao longo de 45 anos de carreira. O diretor Ivan Cardoso chamava-o de “Boris Karloff do Brasil”, tão vasta era sua filmografia (Karloff já havia feito 80 filmes antes de se tornar estrela do terror em “Frankenstein”, de 1931). Na década de 1970, tempos antes de ser criado o website-referência IMDb, havia uma disputa em relação ao ator que fez mais filmes. John Wayne liderava a lista, já tendo feito aquele que seria seu último filme, “O Último Pistoleiro / The Shootist” (1976). Wilson Grey vinha logo em seguida. Ao ver um grupo de estudantes universitários de cinema filmando um curta-metragem, Grey se infiltrou na multidão. A cena mostrava os espectadores de uma corrida de cavalo. Os estudantes reconheceram Wilson Grey, como ele imaginava, e o focalizaram. Grey improvisou uma comemoração, como se seu cavalo tivesse ganhado a corrida. Terminada a cena, Grey comemorou: tinha agora 251 créditos, contra 250 de John Wayne. Wilson Grey entrou no Guinness Book. Hoje, o IMDb nos dá números diferentes, mas mantém a vantagem de Wilson: 179 créditos para John Wayne, e 197 para Wilson Grey.
Os Três Cangaceiros (1959)
Assim como muitos artistas, Wilson Grey morreu pobre, em 1993. Foi homenageado por ocasião do décimo aniversário da sua morte durante um festival de cinema em 2003 no Rio de Janeiro. Teve uma história de superação e de muitos sucessos. Versátil, dedicado e apaixonado pela profissão, Wilson Grey se tornou o mais inesquecível ator do cinema brasileiro.

This is my contribution to the 4th What a Character! Blogathon, hosted by the trio Aurora, Kellee and Paula at Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.

Monday, November 17, 2014

C. Aubrey Smith: o lorde inesquecível

C. Aubrey Smith: the unforgetable lord

Quando eu tinha 13 anos, meu ator favorito era Robin Williams. Eu adorava a série Mork & Mindy, mas essa não era a principal razão para minha preferência: eu gostava de Robin porque ele nasceu no mesmo dia que eu! Dividir o aniversário com um astro representava muito para mim. E ainda representa, porque, como fã de cinema clássico, é um prazer dividir um bolo no dia 21 de julho com C. Aubrey Smith.
When I was 13, my favorite actor was Robin Williams. I loved the series Mork & Mindy, but this was not the main reason for my love: I liked Robin because we were born on the same day! Sharing my birthday with a movie star meant a lot to me. And it still does because, as a classic movie fan, it is a pleasure to share a birthday cake on July 21st with C. Aubrey Smith.
Ele é inconfundível: alto, cabelos brancos e ar aristocrático. Sempre interpretava lordes, militares, juízes ou qualquer outro personagem que inspirasse autoridade. Estudou em Cambridge, começou no teatro aos 30 anos e fez seu primeiro filme com 52. Praticamente desprezado na era muda, encontrou seu lugar como grande coadjuvante nos anos 30. Quem vê Charles Aubrey Smith não consegue esquecê-lo.
He is unmistakable: tall, white hair and aristocratic look. He always played lords, men in the military, judges or any other character that is an authority. He went to Cambridge, started in the theater when he was 30 and appeared in his first film at 52. Not much sought after during the silent era, he found his place as a great character actor in the 1930s. Who sees Charles Aubrey Smith cannot forget him.
C. Aubrey Smith viveu um bocado de aventuras fora das telas: entre 1888 e 1889, foi procurar ouro na África do Sul. Entre uma pepita e outra, teve uma mistura de febre tifóide e pneumonia grave, e chegou a ser declarado morto por um médico. Felizmente, para os cinéfilos, ele estava bem vivo! Em Hollywood, sua aventura era um pouco menos perigosa: era capitão do time de críquete das estrelas desde 1932, em que jogavam também Laurence Olivier, David Niven, Nigel Bruce, Leslie Howard e Boris Karloff.
C. Aubrey Smith lived many adventures in real life: between 1888 and 1889, he joined a gold rush in South Africa. When not finding gold, he had a mix of typhus fever and pneumonia, and was declared dead by a doctor. Happily for the cinephiles, he was very much alive! In Hollywood, his adventure was a little less dangerous: he was the captain of the movie stars cricket team since 1932, and playmates included Laurence Olivier, David Niven, Nigel Bruce, Leslie Howard and Boris Karloff. 

Teve uma infância muito rígida e desenvolveu um estranho medo do barulho de sinos quando criança, pois era obrigado a ir à Igreja todo domingo e detestava esta atividade.
He had a very strict upbringing and developed a strange phobia of the sound of bells ringing as a child, because he had to go to church every Sunday, even though he hated it.
No teatro, ainda no final do século XIX, ele ganhou destaque nos palcos ingleses protagonizando “O Prisioneiro de Zenda”, em um papel duplo. Também participou de “Pigmalião”, seu primeiro sucesso na Broadway. Nada mal para o aristocrata que considerava a atuação uma atividade menor!
In the theater, still in the 19th century, he was acclaimed in England as the lead of “The Prisoner of Zenda”, in two roles. He was also in “Pigmalion”, his first Broadway hit. Nothing bad, considering that he thought acting was a less honored activity!
Se você gosta de filmes da década de 1930 tanto quanto eu, deve ter percebido que C. Aubrey Smith está em toda parte. Ele é o malfadado pai de Jane (Maureen O'Sullivan) em “Tarzan, o Homem-Macaco” (1932), o pai da Imperatriz Catarina II, interpretada por Marlene Dietrich em “A Imperatriz Vermelha” (1934), o pai de Julieta (Norma Shearer) em “Romeu e Julieta” (1936), o duque sério que tenta controlar Myrna Loy em “Ama-me Esta Noite” (1932), o padre da ilha atingida por “O Furacão” (1937).
If you like movies from the 1930s as much as I do, you must have realized that C. Aubrey Smith is everywhere. He is Jane's (Maureen O'Sullivan) ill-fated father in “Tarzan the Ape Man” (1932), Empress Catherine II's (played by Marlene Dietrich) dad in “The Scarlet Empress” (1934), Juliet's (Norma Shearer) father in “Romeo and Juliet” (1936), the serious duke who tries to control Myrna Loy in “Love me Tonight” (1932), the priest in the island swept by “The Hurricane” (1937).
Este ator contracenou com algumas das maiores lendas do cinema: Greta Garbo, Katharine Hepburn, Mary Astor, Freddie Bartholomew, Tyrone Power, Clark Gable, Jean Harlow, Marion Davies, Claudette Colbert.... Ele pode ser encontrado em “Cleopatra” (1934), “Ladrão de Alcova” (1932), “Mares da China” (1935), “A ponte de Waterloo” (1940), “Madame Curie” (1943)... são mais de 100 filmes em uma carreira brilhante.
This actor acted alonside some of the greatest film legends: Greta Garbo, Katharine Hepburn, Mary Astor, Freddie Bartholomew, Tyrone Power, Clark Gable, Jean Harlow, Marion Davies, Claudette Colbert... He can be found in “Cleopatra” (1934), “Trouble in Paradise” (1932), “China Seas” (1935), “The Waterloo Bridge” (1940), “Madame Curie” (1943)... There are more than 100 films in his brilliant career.
Sua vida pessoal foi ficando mais tranquila com o tempo. De devedor nos tempos pós-mineração, C. Aubrey Smith se tornou um ator, marido e pai respeitável. Casou-se em 1896 com Isobel Mary Scott Wood, com quem ficaria até o fim da vida, e com ela teve sua única filha, Honor.
His personal life became calmer with time. Being a debtor in his post-mining times, C. Aubrey Smith still became a respectable actor, husband and father. He married Isobel Mary Scott Wood in 1896, with whom he stayed until the end of his life, and had with her his only daughter, Honor.

E olhe que vida pessoal fascinante: C. Aubrey Smith adorava carpintaria, tocar piano e pintar; ajudou nas vigílias dos atores durante a Primeira Guerra Mundial e era um dos melhores amigos de Boris Karloff!
And pay attention to such a fascinating personal life: C. Aubrey Smith loved carpentry, painting and playing the piano; helped in the wakes during World War I and was one of Boris Karloff's best friends!
O último trabalho de C. Aubrey Smith foi “Quatro Destinos” (1949), em que ele tem ótimas cenas com Margaret O’Brien. Em dezembro de 1948, a pneumonia lhe foi fatal. Em 1944 ele recebeu o título de “Sir” e em 1960 ganhou uma estrela na calçada da fama. Em 1963, serviu de inspiração para o personagem de desenho animado Commander McBragg. Nunca indicado a prêmio algum por seu trabalho no cinema, C. Aubrey Smith recebe até hoje a maior das homenagens: o carinho e o reconhecimento de quem, assim como eu, tem o prazer de vê-lo atuar sempre tão bem.
C. Aubrey Smith's last work was “Little Women” (1949), in which he has great scenes opposite Margaret O'Brien. On December 1948, pneumonia stroke again, and this time was mortal. In 1944 he was knighted by the king and in 1960 he was awarded a star in the walk of fame. In 1963, he was the inspiration for the cartoon character Commander McBragg. Never nominated for any film award, C. Aubrey Smith receives until today the biggest of homages: the love and acknowledgement of those who, like me, take the pleasure in seeing him acting always so well.
This is my contribution to the third annual What a Character! Blogathon, hosted by the three musketeers Aurora, Kellee and Paula at Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.
Créditos das imagens com legendas: ESTE SITE.
The images with explanatory notes came from THIS SITE.

Saturday, November 9, 2013

Hank Worden: o pobre coitado da cadeira de balanço

Alguns atores e atrizes existem apenas para roubar a cena e um lugar em nossos corações. Eles não foram protagonistas ou indicados ao Oscar e seus nomes sequer figuram acima do título. Os filmes de John Ford estão cheios de exemplos deste tipo, pois o diretor contava com uma trupe poderosa de coadjuvantes, que incluía Harry Carey, Harry Carey Jr e a bela do cinema mudo Mae Marsh. Não importava se John Wayne estava atirando, bebendo em um saloon ou brigando com Maureen O’Hara em primeiro plano, esses coadjuvantes estavam lá para garantir comicidade. Hank Worden foi um deles. 
Norton Earl Worden nasceu em 23 de julho de 1901. Embora tenha estudado engenharia, ele se tornou um cowboy, tendo crescido nos ranchos de Montana. Foi montando em touros e cavalos que ele entrou no show business ao lado de Tex Ritter, que logo se tornou um famoso ator e cantor de música country. Hank continuou em Nova York dirigindo um táxi, mas foi junto aos cowboys que ele encontrou sua grande chance: conheceu Billie Burke (a Glinda de “O Mágico de Oz”) em um rancho e ela o ajudou a chegar em Hollywood. Quando a popularidade de Tex Ritter começava a cair no cinema, Hank começava a despontar.

Era 1952 e Howard Hawks dirigiu um filme que só pode ser chamado de western porque há índios. Kirk Douglas e Dewey Martin precisam levar um carregamento de madeira rio acima em “O Rio da Aventura / The Big Sky” e uma das pessoas que eles terão na equipe será o índio Pobre Coitado (Poordevil), sem dúvida a figura mais divertida do filme.
Desde 1939 Hank participava dos filmes de John Ford. Ele esteve em “No Tempo das Diligências / Stagecoach”, sem receber créditos, como extra. Mas seria em “Rastros de Ódio / The Searchers” (1956), considerada a obra-prima de John Ford, que ele brilharia. Mose Harper existe apenas para nos fazer rir. Fosse ele um bobo da corte ou coisa do gênero, o importante é que ele está ali para desviar a atenção do fato de que John Wayne está em uma missão homicida, guiado pelo ódio. E a única ambição de Mose é ter uma cadeira de balanço, algo tão simples em contrapartida à jornada de Wayne, tão complexa, destrutiva e que, quando terminada, não lhe dará conforto.  
Mas Hank era um homem ocupado: devido ao conflito de horários entre dois filmes, algumas cenas em que seu personagem aparece de costas em “Rastros de Ódio” tiveram de ser filmadas com um dublê. Além disso, Mose foi inspirado em uma figura real, Mad Mose, um famoso pistoleiro que era meio louco e adorava cadeiras de balanço!
Mais um filme de John Ford, mais um momento para Hank brilhar, ainda que rapidamente: “Quando um homem é homem / McLintock!” (1963), que eu considero o filme mais divertido do diretor. O nome de personagem de Hank é, ironicamente, Curly (o termo em inglês significa “cacheado”, e Hank é careca. Ele apaarece logo no começo, e também tem destaque no banho de lama que é o ponto alto da loucura do filme.
Embora ele tenha começado no cinema em meados dos anos 30, com o nome Heber Snow, que ele considerava “mais mórmon”, Hank fez trabalhos como extra esporadicamente, mesmo após conseguir certa popularidade e cair nas graças de Ford e Hawks. Só com Ford, foram 12 colaborações, entre filmes e televisão. Entretanto, seu grande amigo no meio cinematográfico era John Wayne, com quem fez 17 filmes e que, segundo Hank, foi a pessoa que lhe ensinara tudo o que ele sabia.
Hank, à esquerda, em "Forte Apache" (1948)
Em seus 216 trabalhos como ator, Hank foi creditado relativamente poucas vezes. Mesmo assim, sua imagem é inconfundível. Prestando bastante atenção, é possível encontrá-lo em “A Legião Branca / So Proudly We Hail” (1944), “Duelo ao Sol / Duel in the Sun” (1946), “Céu Amarelo” (1949), “Vendedor de Ilusões / The Music Man” (1962) e “Bravura Indômita / True Grit” (1969). Além de Mose no mais famoso western de John Ford, Hank se destacou também como o garçom da série Twin Peaks, seu último trabalho. Sempre inconfundível, Hank Worden ganhou popularidade, e é realmente uma alegria vê-lo em ação.


This is my contribution for the What a Character! Blogathon 2o13, hosted by the trio Aurora, Kellee and Paula at Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.


Thank ya, thank ya kindly for reading!

Monday, June 6, 2011

Grandes Coadjuvantes

Eles nunca viram seus nomes em destaque nos créditos iniciais, mas isso não impede que suas atuações sejam tão brilhantes quanto a dos mais elogiados protagonistas. Vários são os eternos coadjuvantes que roubam a cena e a nossa admiração.

Thelma Ritter: Pobre Thelma! Foi seis vezes indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante e nunca ganhou (Deborah Kerr tem esse mesmo recorde na categoria de Melhor Atriz). Quatro dessas indicações foram consecutivas (1950 – 1954). Mesmo assim, esteve em vários filmes importantes, como “A Malvada”, “Janela Indiscreta” e “Os Desajustados”. Sem grandes atrativos físicos, desempenhava com maestria os papéis de enfermeira ou governanta.  Ganhou um Tony em 1958, empatada com Gwen Verdon.
Em Confidências à Meia-Noite, Thelma Ritter
está a cara da Giulietta Masina!

Walter Brennan:  Ao contrário de Thelma, Walter teve seu talento reconhecido: foi três vezes vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, por “Meu filho é meu rival” (1936, ano em que a categoria foi criada), “Romance do Sul” (1938) e “O galante aventureiro” (1940). Foi animador das tropas da Primeira Guerra e amigo de Gary Cooper. Fazia todos os tipos de papéis, mas ficou famoso por seus velhos personagens caipiras e peculiares (um acidente que deixou-o quase sem dentes criou marcas que o faziam parecer bem mais velho do que era). Começou no cinema mudo, mas não era creditado. Fez também várias participações em séries de TV.

Mary Astor: Filha de mãe portuguesa e pai alemão, jovem atriz do cinema mudo, Mary passou para o cinema falado em papéis secundários. Entre seus trabalhos estão “O Falcão Maltês”(1941) e “Agora seremos felizes”(1944). Ganhou um Oscar em 1942 por “A Grande Mentira” . Lutou com o alcoolismo, tentou suicídio e viveu alguns escândalos conjugais. Escreveu várias memórias que se transformaram em best-sellers.

Peter Lorre: Austro-húngaro, protagonista da obra-prima de Fritz Lang “M – O vampiro de Dusseldorf”(1930) e da primeira versão de “O homem que sabia demais”(1934), Peter Lorre foi aos EUA e conseguiu bons papéis secundários em  “O Falcão Maltês”(191), “Casablanca”(1942) e “Passagem para Marselha” (1944). Duas curiosidades: Lorre foi aluno de Freud em Viena e convenceu Humphrey Bogart e Lauren Bacall a se casarem apesar da diferença de idade.

Mercedes McCambridge: Ganhadora do Oscar em sua estréia cinematográfica (“A Grande Ilusão”, 1949), Mercedes fazia, em geral, mulheres amarguradas e antagonistas. Trabalhou também no teatro, fazendo, por exemplo, a protagonista de “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, e no rádio. Fez parte do Mercury Theater, grupo de teatro de Orson Welles. Alguns de seus trabalhos mais importantes foram em “Johnny Guitar” (1954), “Assim Caminha a Humanidade” (1956) e como a voz demoníaca de “O Exorcista” (1973).

Claude Rains:  O grande Capitão Renault de Casablanca era quase cego de um olho (devido a ferimento na Primeira Guerra Mundial), deu aulas de  teatro numa universidade, foi casado seis vezes, era nervosinho, sovina e desenhou a lápide do próprio túmulo. Mas era um grande profissional: memorizava as falas de todos os atores, mesmo não sendo protagonista. Entre seus trabalhos destacam-se: “Lawrence da Arábia”(1963), “Interlúdio”(1946), “Vaidosa”(1944) e “A estranha passageira”(1942).

Celeste Holm: A bela loira nunca passou dos papéis secundários, embora já tenha passado dos 90 anos. Mas isso não impediu que ela deixasse sua marca em filmes como “A Malvada” e “Alta Sociedade”, onde, inclusive, faz um dueto com Frank Sinatra. Outros grandes feitos da coadjuvante foram: estrear no teatro em “Hamlet”, ao lado de Leslie Howard; fazer cinco peças com o lendário George M. Cohan; ganhar um Oscar por “A Luz é para todos”(1948) ; ser porta-voz da UNICEF e ter um título de cavaleira dado pelo rei da Noruega. Desde os anos 50 participa de diversas séries de TV e agora está de volta à tela grande.

Donald Crisp: O ganhador do Oscar por “Como era verde meu vale” tem um currículo invejável. Estreou em 1908, aos 26 anos, esteve em 170 filmes, atuou no cinema mudo e no sonoro com o mesmo sucesso, dirigiu 72 produções (a maioria no cinema mudo)... tudo isso sem ser o protagonista. Além disso, foi membro dos exércitos inglês e americano e conheceu Winston Churchill ainda jovem. Ele teve a honra de estar no primeiro filme de Griffith (The Muskeeters of Pig Alley), em “O Nascimento de uma Nação” (como o general Grant), como um extra em “Intolerância”, vivendo o pai autoritário de Lillian Gish em “Lírio Partido”(1919),  
na primeira versão de “O Grande Motim” (1935) e muito mais!
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