} Crítica Retrô: recordistas

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Monday, November 23, 2015

250 tons de Wilson Grey

“Sem Wilson Grey, eu acho que nem existiria cinema brasileiro” - José Lewgoy

No cinema brasileiro, Wilson Grey está por toda parte. Ele é inconfundível: muito magro, cabelos pretos com brilhantina, cara chupada e quase sempre um bigode. Era o tipo perfeito para interpretar vilões ou capangas, malandros e mendigos. Ele costumava dizer que fazia de tudo no cinema, “menos beijar a mocinha no final”. Wilson Grey é a prova de que não é preciso ser protagonista para ser memorável – e deixar sua marca para sempre na história do cinema.
Wilson Chaves nasceu no Rio de Janeiro em 1923. Quando criança, ele gostava de imitar as vozes dos atores do rádio, mas uma tragédia interrompeu a infância feliz: seu pai faleceu quando Wilson tinha nove anos, e o menino teve de trabalhar para ajudar nas despesas da família. Um começo difícil, como muitos outros.
O Rei do Movimento (1954)
Seu sobrenome artístico foi inspirado em Nan Grey, companheira do teatro por quem Wilson era apaixonado na década de 40. Durante seis anos, ele tentou ingressar no cinema, sem sucesso (diziam que Wilson era muito feio para ser ator de cinema). Mas como na maioria das grandes histórias dos astros da sétima arte, um papel como extra foi o suficiente para engrenar a carreira de Grey, em 1948. Três anos depois abandonou o emprego em uma perfumaria para se dedicar de corpo e alma ao cinema. Seus dias de intérprete do “soldado sem fala” em Hamlet no teatro tinham terminado.
Amei um Bicheiro (1952)
A primeira vez em que vi Wilson Grey foi também a primeira vez em que vi uma “chanchada”, filme típico do Brasil da década de 1950, que misturava comédia e musical, geralmente com muito samba. Em “Quem roubou meu samba?” (1959), Wilson Grey rouba a cena interpretando o doente do leito 34, internado em um hospital, mas com muita fome.
O jornal Última Hora e a revista Jornal de Cinema realizaram um concurso para eleger o mais importante ator coadjuvante do cinema brasileiro em 1969. Adivinhe quem ganhou? Sim, Wilson Grey.
Na Corda Bamba (1958)
Os colegas de trabalho, atores e diretores, definiam Wilson Grey como um homem bem-humorado que usava toda sua experiência de vida para compor seus personagens – mesmo que fosse gravar uma só cena por filme. O diretor Hugo Carvana confessou que escrevia seus filmes já reservando um papel especialmente para Wilson Grey.
Apesar de pouco lembrado, Wilson Grey trabalhou com todos os grandes nomes do cinema brasileiro do século XX: Ankito, Grande Otelo, Costinha, Carlos Manga, Júlio Bressane. Só lhe escapou Glauber Rocha. Ou será que foi Wilson que escapou de Glauber? Em todo caso, pior para Glauber.
A Rainha Diaba (1974)
Além do teatro e do cinema, Wilson Grey também fez televisão. Seus papéis mais conhecidos foram como o Jeca Tatu na versão do Sítio do Pica-pau Amarelo de 1977 e como Linguiça, companheiro do vigarista Azambuja, interpretado por Chico Anysio.
Wilson Grey viveu apenas 69 anos, mas foi o suficiente para participar em 250 filmes ao longo de 45 anos de carreira. O diretor Ivan Cardoso chamava-o de “Boris Karloff do Brasil”, tão vasta era sua filmografia (Karloff já havia feito 80 filmes antes de se tornar estrela do terror em “Frankenstein”, de 1931). Na década de 1970, tempos antes de ser criado o website-referência IMDb, havia uma disputa em relação ao ator que fez mais filmes. John Wayne liderava a lista, já tendo feito aquele que seria seu último filme, “O Último Pistoleiro / The Shootist” (1976). Wilson Grey vinha logo em seguida. Ao ver um grupo de estudantes universitários de cinema filmando um curta-metragem, Grey se infiltrou na multidão. A cena mostrava os espectadores de uma corrida de cavalo. Os estudantes reconheceram Wilson Grey, como ele imaginava, e o focalizaram. Grey improvisou uma comemoração, como se seu cavalo tivesse ganhado a corrida. Terminada a cena, Grey comemorou: tinha agora 251 créditos, contra 250 de John Wayne. Wilson Grey entrou no Guinness Book. Hoje, o IMDb nos dá números diferentes, mas mantém a vantagem de Wilson: 179 créditos para John Wayne, e 197 para Wilson Grey.
Os Três Cangaceiros (1959)
Assim como muitos artistas, Wilson Grey morreu pobre, em 1993. Foi homenageado por ocasião do décimo aniversário da sua morte durante um festival de cinema em 2003 no Rio de Janeiro. Teve uma história de superação e de muitos sucessos. Versátil, dedicado e apaixonado pela profissão, Wilson Grey se tornou o mais inesquecível ator do cinema brasileiro.

This is my contribution to the 4th What a Character! Blogathon, hosted by the trio Aurora, Kellee and Paula at Once Upon a Screen, Outspoken & Freckled and Paula’s Cinema Club.

Thursday, February 24, 2011

Preparação para o Oscar – Os maiorais

Bom dia, leitores! Venho dar continuidade aos posts pré-Oscar. Hoje é dia de destacar grandes lendas do cinema: atores, diretores e países que ganharam o maior número de prêmios da Academia.

Mais prêmios de Filme de Língua Estrangeira:
A honra vai para a Itália, que ao longo dos anos ficou com 10 prêmios de 27 indicações (o que você esperava de um país com Fellini e De Sica?). A França (Truffaut, Resnais, Nouvelle Vague...) vem logo atrás com 9 Oscars e 35 indicações.

Filmes que ganharam mais prêmios:
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Titanic e Ben-Hur conseguiram 11 Oscars cada. Em seguida vem Amor, Sublime Amor (West Side Story), ganhador de 10 Oscars.

Atriz com Mais Oscars:
A lendária e maravilhosa Katharine Hepburn foi uma recordista do Oscar. Em sua longa e ótima carreira, ela ficou com o Oscar de Melhor Atriz incríveis quatro vezes em 1932, 1967, 1968 & 1981. Meryl Streep está se aproximando  com 16 indicações (Melhor Atriz e Melhor atriz Coadjuvante) e duas vitórias.

Diretor com Mais Oscars:
Vai para a lenda John Ford, que conseguiu quatro vitórias em sua longa carreira.

Mais Oscars de Figurino:
A famosa Edith Head ganhou oito. Orson Welles certa vez disse: “Edith Head gives good costume”(não é um bom trocadilho se for traduzido...).

Atores que ganharam um Oscar mais de uma vez:
Spencer Tracy, Gary Cooper,Marlon Brando, Jack Nicholson, Fredric March, Dustin Hoffman e Tom Hanks ganharam dois Oscars cada. Jack Nicholson foi indicado incríveis12 vezes, ganhando três .

O homem com mais Oscars:
Ele pode ter sido um maluco antissemita, mas o Titio Walt Disney não fazia nada errado aos olhos da Academia. Ele ganhou 26 Oscars durante sua vida…de 64 indicações. Nada mal para um cara que não desenhava muito bem.

Levando tudo:
Apenas três filmes ganharam os cinco prêmios principais de Melhores Filme, Diretor, Ator, Atriz e Roteiro: Aconteceu Naquela Noite em 1935, Um Estranho no Ninho em 1976 e O Silêncio dos Inocentes em 1992.

Levando tudo 2:
O que há com o número 3? De novo, apenas três filmes ganharam em todas as categorias em que foram indicados: Gigi em 1959 e O Último Imperador em 1988, ambos com nove prêmios, e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, que ganhou 11.

Nos próximos dias, a última (e mais curiosa) parte!
Abraços, Lê ^_^
P.S.: Caramba! Nenhum comentário no último post? Fiquei triste! ;(

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