} Crítica Retrô: Pacto Sinistro

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Wednesday, May 15, 2019

TOP 5 - Meus filmes favoritos dos anos 1950


TOP 5 - My favorite films of the 1950s


Se você me perguntasse se eu queria viver na década de 1950, eu responderia “claro que NÃO” instantaneamente. Os anos 50 foram péssimos para a diversidade. O racismo e o sexismo eram escancarados, havia segregação racial, a “Ameaça Vermelha” e o McCarthismo. As mulheres podiam apenas ser esposas e mães - havia poucas mulheres trabalhando fora. E você tinha de se conformar com as convenções sociais e jamais se destacar, ou você seria considerado estranho e poderia inclusive ser perseguido. Bem, considerando a última parte, eu poderia dizer que os anos 50 foram exatamente como minha época no ensino médio.

If you asked me if I wanted to live in the 1950s, I’d answer “hell, NO” instantly. The 1950s were not a very diverse decade. Racism and sexism were blatant, there was racial segregation, the Red Scare and the McCarthism. Women could only be wives and mothers - there were few who worked outside of the home. And you had to conform to society norms and not stand out, or you would be considered weird and could even be persecuted. Well, thinking about that last part, I could say that the 1950s were exactly like my high school years.


Mas uma coisa é inegável: os filmes feitos nos anos 50 foram incríveis. Praticamente todos os gêneros estavam em seu auge, e no mundo todo excelentes filmes eram feitos. E Hollywood estava no ápice de sua Era de Ouro. É por isso que o Dia do Cinema Clássico de 2019 será celebrado por blogueiros que escolherão seus cinco filmes favoritos dos anos 50.

But one thing is undeniable: the films made in the 1950s were amazing. Basically all genres were at their peak, and all over the world great movies were being made. And Hollywood was in the height of its Golden Age. That’s why the 2019 Classic Movie Day Will be celebrated by classic film bloggers who will choose their top five films from the 1950s.


E, puxa, essa não é tarefa fácil. Milhares de filmes foram feitos naquela década, e algumas centenas deles são realmente ótimos, ou ao menos filmes bons que têm um lugar especial no coração dos cinéfilos. Para fazer minha lista, levei em consideração ambos: qualidade e valor emocional.

And, wow, this is not an easy task. Thousands of films were made in that decade, and a few hundred are very, very good ones, or at least nice films that have a special place in cinephiles’ hearts. To write my list, I considered both: quality and emotional value.


Primeiro, algumas menções honrosas: Dizem que é Pecado (1951), A Lenda dos Beijos Perdidos (1954), Um Corpo que Cai (1958).

First, a few honorable mentions: People Will Talk (1951), Brigadoon (1954), Vertigo (1958).


Crepúsculo dos Deuses (1950): Como uma pessoa muito racional, eu tenho um filme favorito e um filme que considero o melhor já feito. Meu filme favorito é “Nasce uma Estrela” (1937), enquanto o filme que eu considero o melhor é “Crepúsculo dos Deuses” - coincidentemente, ambos são filmes sobre filmes. Tudo em “Crepúsculo dos Deuses” é perfeito: o roteiro, as atuações (Gloria Swanson está brilhante), os cenários, a trilha sonora, as participações especiais. Há poucos filmes mais icônicos que “Crepúsculo dos Deuses”, e não há diretor tão versátil quanto Billy Wilder.

Sunset Boulevard (1950): As a very rational person, I have one favorite movie and one movie that I consider to be the best ever made. My favorite movie is “A Star is Born” (1937), while the film I consider the best is “Sunset Boulevard” - as a coincidence, both are movies about movies. Everything in “Sunset Boulevard” is perfect: the screenplay, the acting (Gloria Swanson is superb), the sets, the soundtrack, the cameos. There are few movies more iconic as “Sunset Boulevard”, and there is no director as versatile as Billy Wilder.


Pacto Sinistro (1950): Meu filme preferido de Hitchcock também é um filme perfeito. Começando com a maneira como os personagens principais se conhecem e terminando no clímax no carrossel, tudo é perfeito. Eu particularmente adoro duas sequências: uma em que um assassinato é refletido em um par de óculos, e a partida de tênis. Tudo neste filme é ótimo: a fotografia, o roteiro - baseado em um livro de Patricia Highsmith, o roteiro foi escrito por uma assistente de Ben Hecht chamada Czenzi Ormonde - e a performance eletrizante de Robert Walker.

Strangers on a Train (1951): My favorite Hitchcock film also happens to be a perfect film. From the way the two main characters meet until the climax in a merry-go-round, everything is perfect. I’m particularly fond of two sequences: the one in which a murder is seen reflected in a pair of glasses, and the tennis match. Everything in this film is great: the cinematography, the screenplay- based on a novel by Patricia Highsmith, the screenplay was written by Ben Hecht’s assistant, a woman named Czenzi Ormonde - and a chilling performance by Robert Walker.


Europa ‘51 (1952): Dezenas de outros filmes italianos poderiam ser mencionados como melhores representantes do Neorrealismo Italiano, mas este foi o que mais me tocou - porque ele é tão atual. Ingrid Bergman protagoniza “Europa ‘51” como uma mulher que, ao perder seu filho, decide só fazer o bem, e é considerada louca pelos seus amigos da alta sociedade. Ela é alguém que começa a seguir os ensinamentos de Jesus - e, como acontece sempre, os cristãos decidem silenciá-la. Como alguém que estudou em um colégio de freitas, que vive em um país profundamente desigual e que tem um forte senso de justiça, eu fiquei muito mexida com este filme. Eu escrevi sobre “Europa ‘51” AQUI.

Europa ‘51 (1952): Dozens of other Italian films could be mentioned as more representative of the Italian Neorealism movement, but this was the one that spoke to me - because it is so timely. Ingrid Bergman stars in “Europa ‘51” as a woman who, after losing her son, decides only to do good, and is considered crazy by her high society friends. She is someone who starts to follow what Christ has taught us - and, as it always happens, Christians quickly decide to silence her. As a person who studied in a Catholic school as a child, who lives in a profoundly unequal country and who has a strong sense of justice, I was deeply moved by this film. I wrote about “Europa ‘51” HERE.


Cantando na Chuva (1952): Até eu começar a fazer esta lista, eu não havia percebido como 1952 foi um bom ano para o cinema - ou pelo menos para mim. Eu pensei em colocar “A Lenda dos Beijos Perdidos” (1954) como meu musical favorito na lista, mas eu estaria tentando enganar a mim mesma. “Cantando na Chuva” é um filme que me deixa feliz, e mais do que isso: ele é muito bem feito, com ótimas canções antigas, coreografias bacanas e até uma história coisa - algo que nem todos os musicais tinham. Eu já escrevi sobre meu amor por “Cantando na Chuva” AQUI.

Singin’ in the Rain (1952): Up until I started making this list, I hadn’t realized how 1952 was a good year for film - or at least for me. I thought about adding “Brigadoon” (1954) as my musical of choice to the list, but I’d be trying to deceive myself. “Singin’ in the Rain” is a film that makes me happy, and more than that: it’s beautifully done, with great vintage songs, nice choreography and even a smart storyline- something not all musicals had. I previously wrote about my love for “Singin’ in the Rain” HERE.


 O Rato que Ruge (1959): Quando tanto a cinéfila quanto a historiadora em mim apreciam um filme, você pode apostar que é uma película excelente. Esta comédia britânica lida com geopolítica ao contar a história de um pequeno país que decide invadir os EUA, declarar guerra, rapidamente perder a guerra e receber ajuda monetária. O problema é que eles ganham a guerra quando sequestram um cientista que possui uma bomba de hidrogênio. O melhor do filme é Peter Sellers interpretando três papéis: um soldado, um Primeiro-ministro... e uma Rainha.


The Mouse that Roared (1959): When both the movie nerd and the history nerd in me are pleased by a film, you can bet it is an outstanding production. This British comedy deals with geopolitics as it tells the story of a tiny country that decides to invade the US, declare war, quickly lose the war and then receive monetary help. The problem is that they win the war by kidnapping a scientist that has a hydrogen bomb. The best thing in this film is Peter Sellers playing three roles: a soldier, a Prime Minister... and a Queen.


This is my contribution to the “5 Favorite Films ofthe ‘50s” blogathon to celebrate National Classic Movie Day, hosted by Rick at Classic Film & TV Café.


Thursday, June 21, 2012

The Gay, the Bad and the Ugly: desvios de sexualidade e de comportamento no cinema dos anos 50

A censura ainda existia e a ameça comunista virava histeria. Neste contexto se desenvolveu o cinema dos anos 1950, em que por várias vezes os homossexuais foram retratados como vilões ou ao menos personagens perturbados. Qualquer desvio do comportamento considerado adequado era sinal de que havia algo mais de errado com aquela pessoa.
Lembremo-nos, por exemplo, de um célebre vilão, daquele que é meu filme favorito de Hitchcock: “Pacto Sinistro / Strangers on a Train” (1951): Bruno Anthony (Robert Walker), que propõe a troca de assassinatos com Guy Haines (Farley Granger). 

Em 1954, o peculiar faroeste “Johnny Guitar” contou com Mercedes McCambridge, usando roupas escuras e um pouco masculinizadas, como antagonista de Joan Crawford. Mercedes é amargurada porque, segundo algumas teorias, teria sentimentos mal-resolvidos por Vienna. Nem preciso dizer que Mercedes é a vilã da história. Outro exemplo de mulher-macho no western é Jane Calamidade, vivida por Doris Day no musical de mesmo nome de 1953.
 Se James Dean atrai todos os olhares durante a projeção de “Juventude Transviada / Rebel without a cause” (1955), é Plato (Sal Mineo) o personagem mais interessante. Sem amigos e vendo Dean ao mesmo temo como uma figura paterna e heroica, fica quase claro que se trata de um homossexual. A grande crítica que faço é o fato de o personagem não ter família, aumentando a crença na ideia absurda de que a homossexualidade pode ter causas como a desestruturação familiar. Como a maioria das personagens de “comportamento reprovável”, o inocente Plato serve de bode expiatório. Mais uma demonstração de inadequação à sociedade por causa da opção sexual pode ser vista no filme “Chá e Simpatia” (1956).  

Outro filme com subtexto gay é “Gata em teto de zinco quente / Cat in a hot tin roof” (1957), haja vista o desespero e desilusão de Brick (Paul Newman) após a morte de um amigo, fato que o leva a exagerar na bebida e tentar pular obstáculos como no passado. O resultado é uma perna quebrada logo na primeira cena do filme. Ele também é um pouco frígido em relação à esposa, Maggie (Elizabeth Taylor), e o fato de eles não terem ainda herdeiros incomoda o pai dele (Burl Ives).
 O ano de 1959 trouxe dois bons exemplos de intolerância: em “De repente, no último verão / Suddenly, Last Summer”, o personagem Sebastian, que nunca aparece, tem uma relação estranha com a sufocadora mãe, Violet (Katharine Hepburn) e acaba muito mal ao expor a sensual prima Catherine (Liz Taylor) em uma praia. Em “Ben-Hur”, há uma sutil história de amor entre o vilão Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston), algo que apenas Boyd sabia, o que influenciou bastante sua atuação. Por causa dessa temática, inclusive, Rock Hudson rejeitou o papel, aconselhado por seu agente. 

A década de 1950 não foi feita só de dramas: os musicais e as comédias também estiveram presentes. Novamente alguns personagens secundários carregavam o estereótipo do “sissy”, interpretado com maestria na década de 1930 por Edward Everett Horton. Eram retratados como cômicos solteirões, amigos do protagonista., como o personagem de Jack Buchanan em “A Roda da Fortuna / The Band Wagon” (1953).

Chegando em 1960, há ainda um resquício da subjetividade ao tratar do tema, perceptível numa das cenas mais discutidas de todos os tempos: o banho de Crassus (Laurence Olivier) por Antoninus (Tony Curtis) e o famoso discurso sobre “gostar de comer ostras e caracóis”. Só este breve momento já mostrava que o assunto continuaria presente nas décadas seguintes...

This is an entry for the Queer Film Blogathon, in its second edition, at Garbo laughs and Pussy Goes Grrr. Stay tuned in the event!
 
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