} Crítica Retrô: vilões

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Friday, April 28, 2017

#TheResistance at the movies: how we can destroy the Mr Potters of the world

Nas três últimas edições de The Great Villain blogathon, eu escolhi focar em vilões divertidos – ou ao menos admiráveis. Assim, escrevi sobre dois vilões interpretados por Peter Lorre, os vilões da Disney através do tempo, e o inigualável Professor Fate!

For the past three editions of The Great Villain blogathon, I chose to showcase villains that were fun – or at least admirable. This includes two villainous roles Peter Lorre played, Disney villains through time, and the one and only Professor Fate!

Agora as coisas mudaram. Eu ainda adoro os vilões do cinema, mas o mundo fica cada dia mais cheio de vilões reais – e alguns até obtém poder político! Por isso eu escolhi um vilão muito real, um que pode ser encontrado em qualquer cidade e é muito perigoso. Ora, ele foi responsável por quase acabar com a vida maravilhosa de George Bailey – então pode ter certeza de que se trata de perigo real.

Now things changed. I still love movie villains, but the world gets fuller with real villains every day – and some even got political power! So I chose a very real villain to talk about, one that can be found in any city and is very harmful. Well, he was responsible for nearly ending George Bailey's wonderful life – so we're talking about real danger.
Mr Potter was considered the 6th worst villain of all time by AFI
Henry F. Potter (Lionel Barrymore) é um banqueiro e o homem mais rico de Bedford Falls. A primeira vez em que ele entra em confronto com George Bailey (James Stewart) é quando ele tenta dissolver a Bailey Brothers's Building and Loan, empresa da família de George. Goerge convence os investidores a votarem contra a dissolução, mas tem de se tornar o co-administrador da Building and Loan, algo que ele nunca havia pensado em fazer.

Henry F. Potter (Lionel Barrymore) is a banker and the richest man in Bedford Falls. He first clashes with George Bailey (James Stewart) when he tries to dissolve Bailey Brothers's Building and Loan, the company owned by George's family. George convinces the investors to vote against the dissolution, but he has to become the co-administrator of Building and Loan, something he had never dreamed of.
George sacrifica muitos sonhos para manter a Bailey Brothers's Building and Loan funcionando, incluindo dar o dinheiro de sua lua-de-mel para a empresa, e trabalhando noite e dia. A Building and Loan ajuda as pessoas a construir a casa própria e sair dos supervalorizados barracos de propriedade de Mr Potter. Como George diz, para Mr Potter, as pessoas são como gado.

George sacrifices many dreams in order to keep the Bailey Brothers' Building and Loan working, including giving his honeymoon money to the company and working night and day. Building and Loan helps people build their own houses and move away from the overpriced slums owned by none other than Mr Potter. As George says, for Mr Potter, people are cow.
Na véspera de Natal de 1945 a tragédia parece acontecer quando o outro co-administrador da mepresa, tio Billy (Thomas Mitchell), perde 8 mil dólares (equivalentes a mais de 100 mil dólares hoje) e eles caem na mão de Mr Potter – que, obviamente, não tem intenção de devolver o dinheiro. Desesperado, George vai atrás de Mr Potter e pede um empréstimo, oferecendo seu seguro de vida como garantia, ao que Mr Potter responde: “você vale mais morto do que vivo”. Há coisa pior para falar para um homem desesperado?

On Christmas Eve, 1945, tragedy seems to strike: the other co-administrator of the company, uncle Billy (Thomas Mitchell), misplaces 8,000 dollars (equivalent to more than 100,000 dollars today) and they end up exactly in Mr Potter's hands – that won't give the money back, of course. In desperation, George goes after Mr Potter and asks for a loan, offering his insurance policy as a guarantee, to which Mr Potter comments: “you're worth more dead than alive”. Can you think about something worse to be said to a desperate man?
Nós sabemos o que acontece a seguir: George decide cometer suicído, mas seu anjo da guarda, Clarence (Henry Travers), o faz desistir da ideia ao mostrar como o mundo seria sem George. E então George chega a Pottersville – ou o que bem pode ser os Estados Unidos ou o Brasil num futuro próximo.

We know what happens next: George decides to commit suicide, but his guardian angel, Clarence (Henry Travers), dissuades him from the act by showing him what the world would be like without him. And then he arrives to Pottersville – or what could well be the US or Brazil in a near future.
Você conhece alguém como Mr Potter – que só se importa com lucros, e não com pessoas? Claro que sim: aquele-que-não-deve-ser-nomeado e é atualmente presidente dos EUA (o mesmo poderia ser dito do presidente ilegítimo do Brasil!). Bem, se ele é Potter, nós somos todos George Baileys. Um exército de George Baileys.

Do you know anyone who is just like Mr Potter – caring about profits, not about people? Of course you do: that-who-must-not-be-named and is now president of the US (the same could be said about the illegitimate Brazilia president!). Well, if he is Potter, we're all George Baileys. An army of George Baileys.
Baily é honesto, mas puro demais. Eu sinceramente queria que ele tivesse descoberto que Potter roubou o dinheiro e que o banqueiro mesquinho fosse punido e destruído. Eu gostaria de ver os Mr Potters de hoje punidos e destruídos.

Bailey is honest, but too pure. I sincerely wished he could have discovered it was Potter who stole the money, and have the greedy banker punished and destroyed. I'd like to see the Mr Potters of today punished and destroyed.
Nós podemos ser como George Bailey? Eu acho que não. Ele é como um príncipe encantado, e por isso não há como alguém ser tão perfeito quanto ele. Mas nós podemos aprender algo com a jornada dele: cada um de nós conta na #Resistência. E cada uma de nossas ações também conta para destruirmos os Mr Potters do mundo.

Can we be like George Bailey? I don't think so. He's like a prince charming, and therefore nobody can be as perfect as him. But we can learn something about his journey: each one of us counts at #TheResistance. And each one of our actions counts, too, to destroy the Mr Potters of the world.


This is my contribution to the 4th Great Villain Blogathon, hosted by Ruth, Kristina and Karen at, respectively, Silver Screenings, Speakeasy and Shadows and Satin.


Thursday, May 19, 2016

Puxe a Alavanca, Max! Professor Fate e a vilania

Pull the Button, Max! Professor Fate and villainy

Um grande filme de comédia feito por um dos melhores diretores do gênero. Um filme que é, além do mais, uma ode ao cinema mudo. Um vilão que é simplesmente mau – e adora isso. E mais: um vilão que serviu de molde para outros tantos. A atuação que Jack Lemmon considerava sua melhor. São estes os ingredientes de “A Corrida do Século”, um filme dominado pelo maravilhoso vilão Professor Fate.

A great comedy movie made by one of the best directors in the genre. A film that is also an ode to silent film. A villain that is simply up to no good – and loves it! And more: a villain that was an inspiration to many others. It’s the performance Jack Lemmon considered his best. These are the ingredients of “The Great Race”, a film dominated by the wonderful villain Professor Fate.
O Grande Leslie (Tony Curtis) entra em uma corrida transcontinental de Nova York a Paris. A repórter Maggie DuBois (Natalie Wood) faz de tudo para cobrir o grande evento, como jornalista e como participante. Quem quer atrapalhar a proeza de Leslie é o Professor Fate (Jack Lemmon), e ele será capaz de todas as trapaças imagináveis, sempre com a ajuda (ou os atos atrapalhados) de Max (Peter Falk).

The Great Leslie (Tony Curtis) joins a transcontinental car race from New York to Paris. Journalist Maggie DuBois (Natalie Wood) also wants to take part in the event, both as a reporter and a competitor. And to stop Leslie from winning we have Professor Fate (Jack Lemmon), a man willing to do any kind of cheating, always with Max’s (Peter Falk) help (or rather the confusing acts).
O filme é ambientado em 1908, e foi concebido por Blake Edwards como uma homenagem às comédias do cinema mudo. A grande guerra de tortas, a confusão das portas e os créditos são as homenagens mais óbvias. Entretanto, o que não ajuda muito na reputação do cinema silencioso é a construção estereotipada do Professor Fate como vilão. Ele é uma cópia óbvia de Snidely Whiplash, o antagonista de Dudley Do-Right criado em 1961, em uma paródia dos filmes mudos. É de Snidely que vem a imagem errada de que os vilões dos filmes de 100 anos atrás se limitavam a amarrar moças na linha do trem.

The film is set in 1908 and was envisioned by Blake Edwards as a tribute to silent film comedies. The huge pie fight, the confusion of the doors and the credits are the most obvious tributes. However, something that does not help with the reputation of silent films is the stereotyped construction of Professor Fate as a villain. He is an obvious copy of Snidely Whiplash, the villain who fought Dudley Do-Right since 1961, in a silent film parody. From Snidely we see coming the wrong image of silent film villains tying girls to railroad tracks.
E Maggie está muito longe de ser uma donzela indefesa. A personagem é a mais bem construída do filme, e sua independência ressoa bem tanto em 1965 quanto hoje.

Maggie is far from being a damsel in distress. Her character is the best one in the movie, and her independence makes a good impression both in 1965 and nowadays.

Talvez mais interessante ainda que “A Corrida do Século” seja o desenho animado que ela inspirou. Sim, eu estou falando da inesquecível Corrida Maluca. O Professor Fate inspirou Dick Vigarista, seu incompetente capanga Max deu origem a Muttley, o grande Leslie se tornou Peter Perfeito e, obviamente, Maggie DuBois foi a inspiração para Penélope Charmosa.

Even more interesting than “The Great Race” is the cartoon it inspired. Yes, I'm talking about the unforgettable Wacky Races. Professor Fate inspired Dick Dastardly, his incompetent minion Max originated the dog Muttley, the Great Leslie became Peter Perfect and, obviously, Maggie DuBois was the inspiration for Penelope Pitstop.
Professor Fate e Dick Vigarista nos ajudaram a acostumar desde cedo com a ideia de que os vilões podem também ser os personagens mais importantes. Para quem cresceu, como eu, cercado de Disney, contos de fadas, lutas do bem contra o mal e esperanças de “felizes para sempre”, torcer para o vilão era um ato de rebeldia. Mas torcer para um vilão que humano e bastante atrapalhado é totalmente aceitável.

Professor Fate and Dick Dastardly helped us get acquainted since an early age with villains that are also the most important characters in a film or cartoon. If you, like me, grew up with Disney, fairy tales, bad against evil and hopes of “happily ever after”, rooting for a villain was an act of rebellion. But rooting for a human, goofy villain is perfectly OK.  

A persona do vilão todo vestido de preto, com capa, cartola e bigode, e sempre pronto para vilanias vem de 1940, da sátira “O Vilão Ainda a Perseguia”. Silas Cribbs, interpretado por Alan Mowbray, quer destruir o personagem de Richard Cromwell, quebrando com frequência a quarta parede para compartilhar seus planos malignos com a plateia. Todas as atuações neste filme são muito exageradas e Silas definitivamente não é um vilão para ser levado a sério.
The image of the villain all dressed in black, with cape, top hat and a moustache, always ready to be bad, comes from 1940, from the satire “The Villain Still Pursued Her”. Silas Cribbs, played by Alan Mowbray, wants to destroy Richard Cromwell’s character, and frequently breaks the fourth wall to share his evil plans with the audience. All the performances in this film are much exaggerated, and Silas definitely isn’t a villain to be taken seriously.
Silas Cribbs, Snidely Whiplash, Dick Vigarista, Professor Fate: quatro vilões com muito em comum. São carismáticos, engraçados e fadados ao fracasso. São vilões que são simplesmente maus – não há explicação para a vilania. Eles nasceram vilões, morrerão vilões e farão maldades enquanto viverem. Agora, se o plano maligno vai ou não funcionar, esta é outra história.

Silas Cribbs, Snidely Whiplash, Dick Dastardly, Professor Fate: four villains with a lot in common. They are charismatic, funny and always fail. They are simply mean villains – there is no explanation for their preference of evil. They were born villains, will die villains and will do villainies as long as they live. But, will the evil plan work? That’s another story!

This is my contribution to the Third Annual Great Villain Blogathon, hosted by evil trio Ruth, Kristina and Karen at Silver Screenings, Speakeasy and Shadows and Satin.

Wednesday, April 15, 2015

O ranking definitivo dos vilões da Disney

Eles povoaram nossos pesadelos na infância. Eles exerceram fascínio em muitos espectadores (incluindo eu). Eles foram castigados pela maldade. Eles são os queridos e temidos vilões da Disney. Rankings de vilões existem aos montes por aí, mas este é definitivo: em vez de se basear no estilo do vilão, aqui o critério é o nível de maldade. Alguns vilões são mal-intencionados, porém atrapalhados demais para colocarem suas ideias malignas em prática. Outros são levados pela ambição de enriquecer ou ter um reino inteiro para chamar de seu. Mas há os verdadeiros algozes, que deram um passo extra na vilania e mataram um ou mais personagens. Antes que eu seja amaldiçoada por um desses vilões, vamos ao ranking:


27- Izma, “A Nova Onda do Imperador / The Emperor’s New Groove” (2000): Izma é a mais divertida e menos perigosa das vilãs da Disney. Graças a seu ajudante atrapalhado e de bom coração, Kronk, os planos de Izma nunca dão certo.

26- Madame Min, “A Espada era a Lei / The Sword and the Stone” (1963): Ela tem um olhar louco e ameaçador. É uma bruxa poderosa que quer derrotar o mago Merlin. Mas Madame Min é mais atrapalhada que perigosa.

25- Capitão Gancho, “Peter Pan” (1953): Também um vilão com um ajudante atrapalhado, o capitão tem como únicas funções incomodar os meninos perdidos, perseguir Peter Pan e... fugir de um crocodilo.

24- Príncipe John, “Robin Hood” (1973): Enriquecer e ficar com o trono da Inglaterra são os dois sonhos do príncipe John. Mas ele não contava que o esperto Robin Hood estaria em seu caminho, impedindo que os impostos fossem abusivos e resgatando a bela Maid Marian.

23- Si e An, “A Dama e o Vagabundo / Lady and the Tramp” (1955): Eles são apenas gatos sendo gatos, apesar do visual maquiavélico. Quem coloca a culpa em Lady e a põe para fora de casa é a tia Sara.

22- Stromboli, “Pinóquio / Pinocchio” (1940): Stromboli está na galeria dos personagens ambiciosos. Seu objetivo é enriquecer e ele vê uma oportunidade no boneco falante Pinóquio, que se torna a estrela do seu show de marionetes... até que Stromboli o prende em uma gaiola depois do show :(

21- Edgar o mordomo, “Os Aristogatas / Aristocats” (1970): Edgar é ambicioso, mas não malvado. Ele quer a herança de sua patroa, por isso decide fazer os herdeiros, quatro gatos simpáticos, desaparecerem. Mas Edgar não pensa em matá-los, apenas levá-los para bem longe para que eles não saibam como voltar.

20- Shere Khan e Kaa, Mogli / Mowgli (1967): A cobra Kaa, dublada por Sterling Holloway, não é muito útil. Talvez seja sua natureza boboca, talvez seja a falta de um par de braços. Mas o charmoso tigre Shere Khan, dublado por George Sanders, compensa nas más intenções com dentes e garras afiadas.

19- Rainha de Copas / Queen of Hearts, “Alice no País das Maravilhas / Alice in Wonderland” (1951): Ela é completamente maluca e acredita que todos os problemas podem ser resolvidos se algumas cabeças forem cortadas. Obcecada por seu jardim de rosas, a Rainha manda apenas em seu exército de cartas, mas grita o suficiente para assustar a pobre menina Alice.

18- Professor Ratigan, “The Great Mouse Detective” (1986): Ratigan tem dois trunfos: ser baseado no célebre personagem Professor Moriarty de Sherlock Holmes e ter um físico impressionante. Todas as crianças dos anos 80 e 90 fiaram muito, muito assustadas com ele.

17- Hades, “Hércules” (1997): Ele é o senhor do submundo! Ele se teletransporta! Ele espalha chamas azuis por onde passa! Ele tem senso de humor negro! Ele é dublado por James Woods! Hades quer governar o Monte Olimpo, e eu acredito que ele seria um governante bem mais divertido que Zeus. (Eu fiz um teste no site da Disney para saber qual vilão eu seria... Hades foi a resposta!)

16- Lady Tremaine, Anastasia, Drizella, e o gato Lúcifer, “Cinderela” (1950): Sozinhos eles não são grande coisa, mas juntos podem transformar a vida de Cinderela em um inferno. Condenadas pelos crimes de: trabalho escravo e tortura psicológica.

15- Cruella De Vil, “101 Dálmatas” (1961): Para ela a moda é mais importante que o bem-estar dos animais. Cruella queria “apenas” fazer um casaco de pele de dálmata, e usa seus dois capangas para sequestrar os cachorrinhos. Você já deve saber que Cruella é dublada pela inconfundíavel Betty Lou Gerson.

14- Mother Gothel, “Enrolados / Tangled” (2009): Ela raptou uma criança, a princesa Rapunzel, e a mantém presa em uma torre há muitos anos. Seu único objetivo é usar os poderes do cabelo da menina, mas isso não a impede de cantar “Sua Mãe Sabe Mais / Mother Knows Best”.

13- Madame Medusa, “Bernardo e Bianca / The Rescuers” (1977): A ruiva de olhar aterrorizante simplesmente mantém uma órfã cativa e é obcecada por um diamante gigantesco. Ah, e ela também tem dois crocodilos de estimação. Madame Medusa foi dublada por Geraldine Page.

12- Ursula, “A Pequena Sereia / The Little Mermaid” (1989): Ursula tem um visual sensacional, corpo de polvo e muita maquiagem. Ela tem apenas dois objetivos na vida: ter uma voz bonita como a de Ariel e governar os sete mares. Para isso, ela usa poções mágicas, muda de forma e conta com a ajuda de duas moreias. Em outras palavras: uma vilã incrível até debaixo d’água.

11- Lotso, “Toy Story 3” (2010): Com sua bengala e o jeito fofinho, ela parecia ser um bom personagem, mas na verdade é um urso de pelúcia corroído pela tristeza de ter sido abandonado por sua dona. E por isso ele quer destruir todos os brinquedos novos que chegam à creche. Mas mesmo na beira do incinerador ele continua fofinho.

10- Jafar, “Aladin / Aladdin” (1992): Para se tornar sultão, ele quer de qualquer jeito se casar com a bela Jasmine, filha do atual sultão, nem que para isso ele tenha de eliminar o bom ladrão Aladdin. Jafar ganha pontos por conseguir se transformar em uma cobra assustadora. Sabia que Jafar foi inspirado em Vincent Price?


9- Rainha Má, “Branca de Neve e os Sete Anões / Snow White and the Seven Dwarfs” (1937): o visual da rainha foi inspirado por atrizes dos anos 30, entre elas Joan Crawford. Linda em sua forma humana, ela é capaz de fazer feitiços, poções e se transformar em uma bruxa horrorosa. A Rainha Má é dublada pela atriz Lucille LaVerne, que trabalhou com Lillian Gish em 1920!

8- Malévola / Maleficent, “A Bela Adormecida / Sleeping Beauty” (1959): durante muito tempo ela foi apenas uma mulher invejosa que, por não ter sido convidada ao batizado da princesa, resolveu amaldiçoá-la. Mas eu sempre soube que Malévola era muito mais legal do que imaginávamos, e o filme de 2014 veio para provar isso. Sim, ela tem chifres, pele verde e um figurino de arrasar. Mas é uma vilã incrível. E incompreendida. Uma verdadeira diva.

7- João Bafo-de-Onça / Pete, vários curtas-metragens: Desde que surgiu em 1927, Pete tem uma missão: atrapalhar os planos de todos que encontra, desde Oswaldo, o Coelho Sortudo, até Mickey e companhia. Por sua persistente vilania, que dura quase 90 anos, ele merece um lugar na nossa lista.

6- Governador Ratcliffe, “Pocahontas” (1995): Você aprendeu na escola: os colonizadores vieram para roubar riquezas da América e dizimar os nativos. E são exatamente estas duas coisas que o Governador Ratcliffe pretende fazer.

5- Claude Frollo, “O Corcunda de Notre Dame / The Hunchbak of Notre Dame” (1998): Claude é notável por ser um personagem do romance de Victor Hugo. Na versão Disney, ele ganhou ares muito sombrios e uma atitude demasiado preconceituosa para com os ciganos e o próprio Corcunda. Suas piores ações são julgar as pessoas pela aparência e usar a religião e o bem-estar público para fazer o mal.

4- Gaston, “A Bela e a Fera / The Beauty and the Beast” (1991): Lindo por fora, podre por dentro: assim é Gaston, um homem que não pensa em ninguém além de si mesmo. Seu desejo era casar-se com Bela, a mais intelectual das heroínas da Disney, mas ao ver que ela preferiu a Fera, Gaston convenceu uma multidão irada a invadir o castelo e matar o monstro.

3- Barracuda, “Procurando Nemo / Finding Nemo” (2003): Marlin e sua esposa teriam centenas de pequenos peixes-palhaços, mas veio a Barracuda e ficou apenas um ovinho, a quem Marlin chamou de Nemo. A Barracuda merece a medalha de bronze por ter deixado órfão o peixe aleijado mais adorável dos sete mares.

2- Scar, “O Rei Leão / Lion King” (1994): Todo mundo ainda chora com a morte de Mufasa. Scar foi um dos poucos vilões da Disney que realmente matou um personagem principal, o pai do Simba. E, para completar, ele é dublado pelo inigualável Jeremy Irons.

1 – Homem, Bambi (1942): Confesse: você nunca se recuperou do trauma terrível que foi a morte da mãe do Bambi. É preciso ser uma criatura horrível e sem coração para deixar um filhote de veado órfão e indefeso. E a mãe de Bambi foi apenas uma das muitas vítimas do Homem.

This is my contribution to The Great Villain Blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings, Kristina at Speakeasy and Karen at Shadows and Satin. Mwahaha!

Thursday, June 21, 2012

The Gay, the Bad and the Ugly: desvios de sexualidade e de comportamento no cinema dos anos 50

A censura ainda existia e a ameça comunista virava histeria. Neste contexto se desenvolveu o cinema dos anos 1950, em que por várias vezes os homossexuais foram retratados como vilões ou ao menos personagens perturbados. Qualquer desvio do comportamento considerado adequado era sinal de que havia algo mais de errado com aquela pessoa.
Lembremo-nos, por exemplo, de um célebre vilão, daquele que é meu filme favorito de Hitchcock: “Pacto Sinistro / Strangers on a Train” (1951): Bruno Anthony (Robert Walker), que propõe a troca de assassinatos com Guy Haines (Farley Granger). 

Em 1954, o peculiar faroeste “Johnny Guitar” contou com Mercedes McCambridge, usando roupas escuras e um pouco masculinizadas, como antagonista de Joan Crawford. Mercedes é amargurada porque, segundo algumas teorias, teria sentimentos mal-resolvidos por Vienna. Nem preciso dizer que Mercedes é a vilã da história. Outro exemplo de mulher-macho no western é Jane Calamidade, vivida por Doris Day no musical de mesmo nome de 1953.
 Se James Dean atrai todos os olhares durante a projeção de “Juventude Transviada / Rebel without a cause” (1955), é Plato (Sal Mineo) o personagem mais interessante. Sem amigos e vendo Dean ao mesmo temo como uma figura paterna e heroica, fica quase claro que se trata de um homossexual. A grande crítica que faço é o fato de o personagem não ter família, aumentando a crença na ideia absurda de que a homossexualidade pode ter causas como a desestruturação familiar. Como a maioria das personagens de “comportamento reprovável”, o inocente Plato serve de bode expiatório. Mais uma demonstração de inadequação à sociedade por causa da opção sexual pode ser vista no filme “Chá e Simpatia” (1956).  

Outro filme com subtexto gay é “Gata em teto de zinco quente / Cat in a hot tin roof” (1957), haja vista o desespero e desilusão de Brick (Paul Newman) após a morte de um amigo, fato que o leva a exagerar na bebida e tentar pular obstáculos como no passado. O resultado é uma perna quebrada logo na primeira cena do filme. Ele também é um pouco frígido em relação à esposa, Maggie (Elizabeth Taylor), e o fato de eles não terem ainda herdeiros incomoda o pai dele (Burl Ives).
 O ano de 1959 trouxe dois bons exemplos de intolerância: em “De repente, no último verão / Suddenly, Last Summer”, o personagem Sebastian, que nunca aparece, tem uma relação estranha com a sufocadora mãe, Violet (Katharine Hepburn) e acaba muito mal ao expor a sensual prima Catherine (Liz Taylor) em uma praia. Em “Ben-Hur”, há uma sutil história de amor entre o vilão Messala (Stephen Boyd) e Ben-Hur (Charlton Heston), algo que apenas Boyd sabia, o que influenciou bastante sua atuação. Por causa dessa temática, inclusive, Rock Hudson rejeitou o papel, aconselhado por seu agente. 

A década de 1950 não foi feita só de dramas: os musicais e as comédias também estiveram presentes. Novamente alguns personagens secundários carregavam o estereótipo do “sissy”, interpretado com maestria na década de 1930 por Edward Everett Horton. Eram retratados como cômicos solteirões, amigos do protagonista., como o personagem de Jack Buchanan em “A Roda da Fortuna / The Band Wagon” (1953).

Chegando em 1960, há ainda um resquício da subjetividade ao tratar do tema, perceptível numa das cenas mais discutidas de todos os tempos: o banho de Crassus (Laurence Olivier) por Antoninus (Tony Curtis) e o famoso discurso sobre “gostar de comer ostras e caracóis”. Só este breve momento já mostrava que o assunto continuaria presente nas décadas seguintes...

This is an entry for the Queer Film Blogathon, in its second edition, at Garbo laughs and Pussy Goes Grrr. Stay tuned in the event!
 
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