} Crítica Retrô: A felicidade não se compra

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Friday, April 28, 2017

#TheResistance at the movies: how we can destroy the Mr Potters of the world

Nas três últimas edições de The Great Villain blogathon, eu escolhi focar em vilões divertidos – ou ao menos admiráveis. Assim, escrevi sobre dois vilões interpretados por Peter Lorre, os vilões da Disney através do tempo, e o inigualável Professor Fate!

For the past three editions of The Great Villain blogathon, I chose to showcase villains that were fun – or at least admirable. This includes two villainous roles Peter Lorre played, Disney villains through time, and the one and only Professor Fate!

Agora as coisas mudaram. Eu ainda adoro os vilões do cinema, mas o mundo fica cada dia mais cheio de vilões reais – e alguns até obtém poder político! Por isso eu escolhi um vilão muito real, um que pode ser encontrado em qualquer cidade e é muito perigoso. Ora, ele foi responsável por quase acabar com a vida maravilhosa de George Bailey – então pode ter certeza de que se trata de perigo real.

Now things changed. I still love movie villains, but the world gets fuller with real villains every day – and some even got political power! So I chose a very real villain to talk about, one that can be found in any city and is very harmful. Well, he was responsible for nearly ending George Bailey's wonderful life – so we're talking about real danger.
Mr Potter was considered the 6th worst villain of all time by AFI
Henry F. Potter (Lionel Barrymore) é um banqueiro e o homem mais rico de Bedford Falls. A primeira vez em que ele entra em confronto com George Bailey (James Stewart) é quando ele tenta dissolver a Bailey Brothers's Building and Loan, empresa da família de George. Goerge convence os investidores a votarem contra a dissolução, mas tem de se tornar o co-administrador da Building and Loan, algo que ele nunca havia pensado em fazer.

Henry F. Potter (Lionel Barrymore) is a banker and the richest man in Bedford Falls. He first clashes with George Bailey (James Stewart) when he tries to dissolve Bailey Brothers's Building and Loan, the company owned by George's family. George convinces the investors to vote against the dissolution, but he has to become the co-administrator of Building and Loan, something he had never dreamed of.
George sacrifica muitos sonhos para manter a Bailey Brothers's Building and Loan funcionando, incluindo dar o dinheiro de sua lua-de-mel para a empresa, e trabalhando noite e dia. A Building and Loan ajuda as pessoas a construir a casa própria e sair dos supervalorizados barracos de propriedade de Mr Potter. Como George diz, para Mr Potter, as pessoas são como gado.

George sacrifices many dreams in order to keep the Bailey Brothers' Building and Loan working, including giving his honeymoon money to the company and working night and day. Building and Loan helps people build their own houses and move away from the overpriced slums owned by none other than Mr Potter. As George says, for Mr Potter, people are cow.
Na véspera de Natal de 1945 a tragédia parece acontecer quando o outro co-administrador da mepresa, tio Billy (Thomas Mitchell), perde 8 mil dólares (equivalentes a mais de 100 mil dólares hoje) e eles caem na mão de Mr Potter – que, obviamente, não tem intenção de devolver o dinheiro. Desesperado, George vai atrás de Mr Potter e pede um empréstimo, oferecendo seu seguro de vida como garantia, ao que Mr Potter responde: “você vale mais morto do que vivo”. Há coisa pior para falar para um homem desesperado?

On Christmas Eve, 1945, tragedy seems to strike: the other co-administrator of the company, uncle Billy (Thomas Mitchell), misplaces 8,000 dollars (equivalent to more than 100,000 dollars today) and they end up exactly in Mr Potter's hands – that won't give the money back, of course. In desperation, George goes after Mr Potter and asks for a loan, offering his insurance policy as a guarantee, to which Mr Potter comments: “you're worth more dead than alive”. Can you think about something worse to be said to a desperate man?
Nós sabemos o que acontece a seguir: George decide cometer suicído, mas seu anjo da guarda, Clarence (Henry Travers), o faz desistir da ideia ao mostrar como o mundo seria sem George. E então George chega a Pottersville – ou o que bem pode ser os Estados Unidos ou o Brasil num futuro próximo.

We know what happens next: George decides to commit suicide, but his guardian angel, Clarence (Henry Travers), dissuades him from the act by showing him what the world would be like without him. And then he arrives to Pottersville – or what could well be the US or Brazil in a near future.
Você conhece alguém como Mr Potter – que só se importa com lucros, e não com pessoas? Claro que sim: aquele-que-não-deve-ser-nomeado e é atualmente presidente dos EUA (o mesmo poderia ser dito do presidente ilegítimo do Brasil!). Bem, se ele é Potter, nós somos todos George Baileys. Um exército de George Baileys.

Do you know anyone who is just like Mr Potter – caring about profits, not about people? Of course you do: that-who-must-not-be-named and is now president of the US (the same could be said about the illegitimate Brazilia president!). Well, if he is Potter, we're all George Baileys. An army of George Baileys.
Baily é honesto, mas puro demais. Eu sinceramente queria que ele tivesse descoberto que Potter roubou o dinheiro e que o banqueiro mesquinho fosse punido e destruído. Eu gostaria de ver os Mr Potters de hoje punidos e destruídos.

Bailey is honest, but too pure. I sincerely wished he could have discovered it was Potter who stole the money, and have the greedy banker punished and destroyed. I'd like to see the Mr Potters of today punished and destroyed.
Nós podemos ser como George Bailey? Eu acho que não. Ele é como um príncipe encantado, e por isso não há como alguém ser tão perfeito quanto ele. Mas nós podemos aprender algo com a jornada dele: cada um de nós conta na #Resistência. E cada uma de nossas ações também conta para destruirmos os Mr Potters do mundo.

Can we be like George Bailey? I don't think so. He's like a prince charming, and therefore nobody can be as perfect as him. But we can learn something about his journey: each one of us counts at #TheResistance. And each one of our actions counts, too, to destroy the Mr Potters of the world.


This is my contribution to the 4th Great Villain Blogathon, hosted by Ruth, Kristina and Karen at, respectively, Silver Screenings, Speakeasy and Shadows and Satin.


Sunday, April 6, 2014

Ouro do Céu / Pot o’Gold (1941)

This is my contribution for the James Stewart Blogathon, hosted by Rick at The Classic Film & TV Cafe. 

James Stewart é sem dúvida um dos atores mais adoráveis da história do cinema. No período antes da Segunda Guerra, então, ele estava em seu período mais adorável. Quando voltou da guerra, mudou um pouco seus papéis e suas experiências traumáticas no front deixaram-se transparecer em personagens mais sombrios. Mas vamos falar de coisas boas. Stewart é mais conhecido por ser protagonista de “A felicidade não se compra / It’s a wonderful life” (1946), mas cinco anos antes ele fez um musical que, apesar de ter considerado ruim, bem que serviu como ensaio para encarnar o herói favorito de todos: George Bailey.

Jimmy Haskell (Stewart) é o simpático proprietário de uma loja de instrumentos musicais que herdou do pai. Seu tio Charles (Charles Winninger, excelente) não vê futuro no negócio, e convence Jimmy a ir trabalhar com ele no programa de rádio “Haskell Happiness Hour”. Além do programa, Charles tem também uma indústria de alimentos. E é chegando a esta indústria que Jimmy encontra uma animada banda ensaiando na rua. Logo ele fica amigo dos músicos, em especial da cantora Molly McCorkle (Paulette Goddard). Além de tocar sua gaita com os músicos, Jimmy também joga um tomate no tio, que vai reclamar do barulho da banda. E é aí que a confusão começa: sem revelar ser sobrinho do odioso Charles Haskell, Jimmy quer ajudar seus novos amigos a fazer sucesso no rádio.

Todos os elementos de “It’s a wonderful life” já estão aqui: James Stewart como um personagem muito bonzinho, uma moça sensacional que é muito importante para ele, um velhinho mal-humorado que quer acabar com a alegria de todo mundo. Só faltam as crianças. Mas, para compensar, há música! Harold Heidt traz sua banda, que tocava no programa de rádio Pot o’Gold, que inspirou o filme. Mas o que o ouro tem a ver com tudo isso? A atração do rádio foi a primeira a distribuir dinheiro para os telespectadores, da mesma maneira que Molly promete que o “Haskell Happiness Hour” fará.


James Stewart falou abertamente eu esse era seu pior filme. Tudo pareceu colaborar para que Jimmy não gostasse da película: o relacionamento não muito amigável com Paulette Goddard (embora o departamento de publicidade quisesse divulgar um falso clima de romance entre eles), o desconforto na hora de cantar (sim, Jimmy canta duas músicas adoráveis!) e o fato de nada ali estar em suas mãos. Stewart havia sido emprestado da MGM somente porque o produtor de “Pot o’Gold” era James Roosevelt, filho do presidente Franklin Delano Roosevelt, e Louis B. Mayer queria agradar o político.

Em meio a esses dissabores, no entanto, James Stewart teve uma noite excelente: a entrega do Oscar. Ele ganhou seu único prêmio como Melhor Ator por “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940) cinco semanas antes da estreia de “Pot o’Gold”. É bem verdade que hoje vemos esse Oscar como uma compensação por Jimmy ter perdido no ano anterior. Mas Stewart, de início, não queria ir à cerimônia, que marcava a primeira vez em que os vencedores seriam descobertos ali, na hora da entrega. Jimmy tinha certeza de que o ganhador seria Charles Chaplin por “O Grande Ditador”. E Chaplin era casado com quem? Paulette Goddard. Mundo pequeno esse de Hollywood.

Eu gostei muito da sequência “A knife, a fork and a spoon”, que representa bem a inocência e a própria lógica meio estranha dos musicais da época: “burst into song no matter where you are!”. Paulette canta vestida de homem em “Broadway Caballero”, e é uma pena pensar que isso seria um número de rádio, em que a plateia não poderia ver as belas roupas e a coreografia da banda. Mas atenção: aqui Paulette é dublada por Vera Van.

Despretensioso, charmoso e com um pouco de intrigas nos bastidores para apimentar as coisas, “Pot o’Gold” mostra que até os filmes ruins de James Stewart são bons. : )

“Pot o’Gold” está disponível no YouTube e no Internet Archive.
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