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Saturday, March 2, 2019

Dicas de beleza de Jean Harlow / Jean Harlow's beauty tips


Jean Harlow é uma das minhas atrizes favoritas. Ela podia fazer tanto comédia quanto drama com perfeição, ela seduzia como ninguém, ela era charmosa e tinha um sorriso adorável – na verdade, eu acredito que ela era uma pessoa adorável. E ela era maravilhosa. Eu sei que a maioria das fotos eram posadas e com muita maquiagem, mas não há uma foto de Jean em que ela não pareça uma deusa. Por isso eu pensei: o que Jean Harlow fazia para ser tão encantadora?

Jean Harlow is one of my favorite actresses. She could do both comedy and drama with perfection, she could seduce like no one, she was charming and had a lovely smile – in fact, I believe she was lovely to be around. And she was marvelous. I know that most are glamour photos, especially posed and with lots of make-up, but there is not one picture of Jean in which she doesn't look like a goddess. So I thought: what did Jean Harlow do to be so alluring?


Começamos com as sobrancelhas. Nos anos 30, sobrancelhas muito finas estavam na moda, e muitas mulheres escolhiam remover completamente suas sobrancelhas naturais e desenhar uma nova com maquiagem. As sobrancelhas de Jean eram muito curvadas, o que dava um toque dramático ao visual. Eu ainda prefiro minhas sobrancelhas naturais e espessas – nada da moda de 1930.

We begin with the eyebrows. In the 1930s, incredibly thin eyebrows were fashionable, and many women chose to pluck away their natural eyebrows completely and then draw a thin new one with makeup. Jean's eyebrows were very curved, which added drama to the look. I actually prefer my natural, wider eyebrows than the 1930s fashion.


Para os olhos, Jean provavelmente seguia a moda, usando sombra para chamar a atenção para os olhos e rímel apenas nos cílios inferiores para levantar o olhar. Algumas fontes dizem que ela tinha cílios naturalmente longos – como eu não tenho, eu costumo usar rímel apenas nos cílios superiores, mas devo confessar que usá-lo nos cílios inferiores faz uma grande diferença.

For her eyes, Jean probably went on with the fashion, using eye shadows to drive attention to the eyes and mascara only in the lower lashes to lift her eyes out. Some sources said she had naturally long upper lashes – since I don’t, I actually use mascara only in the upper lashes, but I must confess that using them in the lower lashes makes a good difference.


Depois, a pintinha. A pinta no rosto de Jean Harlow era migrante. Por muito tempo, pintas foram desejadas e, se você não tivesse uma, podia fazer uma. Foi o que Jean fez, mas ela mudava sempre a localização do pequeno detalhe no rosto.

Then, the beauty mark. Jean's beauty mark was a migrating one. For a long time beauty marks were desired and, if you didn’t have one, you could fabricate one. Jean did that, but kept changing the location of the little detail in her face.


E há também o cabelo. Eu imediatamente desisti da ideia de me tornar uma loira platinada porque cabelo loiro não me favorece, mas é interessante ler sobre o cuidado de Jean com o cabelo. Ela tinha uma ótima parceria com Max Factor, o homem por trás da marca de cosméticos. Foi Max que inventou o termo “Blonde Bombshell”, e ele foi também responsável por platinar o cabelo de Jean pela primeira vez. Ela usava um descolorante primitivo para conseguir o tom platinado, e alguns sites dizem que ela usava “peróxido, amônia, água sanitária e Lux Flakes (um tipo de sabão em pó)” – isso, contudo, é difícil de ser confirmado porque a fonte citada é o cabeleireiro Alfred Pagano, que tinha apenas 18 anos quando Jean faleceu. Mas uma coisa é certa: o processo de tintura do cabelo não contribuiu com a morte prematura de Jean.

Then there is the hair. I immediately scratched the idea of becoming a platinum blonde because blonde hair doesn't suit me, but it's interesting to read about Jean's hair care routine. Jean had a nice partnership with Max Factor, the man behind the cosmetics brand. It was Max that invented the term “Blonde Bombshell”, and he was also responsible for first dying her hair platinum blonde. She used a primitive bleach to achieve the platinum hair tone, and some sites cite that she used “peroxide, ammonia, Clorox and Lux Flakes (a kind of washing powder)” – this, however, is hard to confirm because the source cited is hairdresser Alfred Pagano, who was only 18 when Jean passed away. But one thing is certain: the process to die her hair didn’t contribute with her premature death.


De fato, em 1933 Jean fez propaganda de alguns produtos Max Factor para a revista Photoplay:

Actually, in 1933 Jean advertised some Max Factor products for the Photoplay magazine:





Ainda em 1933 Jean escreveu – é mais provável que um ghost writer tenha escrito – várias dicas de beleza para numerosos jornais. Estas dicas foram publicadas em inglês no site Classic Blondes. Aqui estão algumas dicas publicadas no jornal Honolulu Examiner. A dica de sete de novembro de 1933 é:

 “Limpe seu rosto com água e sabão pelo menos uma vez ao dia. Se sua pele é muito seca, no entanto, duas vezes por semana é suficiente. Depois, enxágue com água fria, seque com batidinhas de uma toalha macia, e aplique um creme de limpeza. No resto do tempo, use água fria e uma loção de limpeza ou enxaguante.”

Ei, eu venho fazendo isso há anos! Como minha pele não é seca, eu lavo o rosto todas as noites para remover a maquiagem e então uso água fria (para fechar os poros) e uma toalha macia. Ha!
 
Jean and Max Factor
Also in 1933 Jean wrote – or, probably, a ghost writer wrote – many beauty tips for numerous newspapers. Those tips were first published in the site Classic Blondes. Here are some of them as they were published at the Honolulu Examiner. Her beauty tip from November 7th, 1933 is:
Give your face a soap and water cleansing at least once a day. If your skin is very dry, though, twice a week is sufficient. Follow it with a cold-water dash, pat dry with a soft towel, and apply cleansing cream. At other times, use cool water and a cleansing lotion or rinse.”

Hey, I've been doing that for years! Since my skin is not dry, I wash it every night to remove the makeup and then use cold water (to close the pores) and a soft towel. Ha!


21 de novembro de 1933:
“Remova creme / maquiagem da pele com batidinhas. Não esfregue sua pele. Uma batidinha gentil vai revigorar os tecidos sem danificá-los. Você verá que quadradinhos de gaze são excelentes para isso. Deixe um monte na sua penteadeira sempre.”

Mais uma dica que eu já seguia. Eu costumo usar discos de algodão para remover maquiagem.

November 21st, 1933:
Remove cold cream from your face by patting. Do not rub your skin. A gentle patting will invigorate the tissues without breaking them down. You will find squares of soft cheesecloth excellent for this purpose. Keep a supply always at your dressing table.”

Another tip that I followed already. I actually use cotton discs to remove makeup.


21 de novembro de 1933:
“Batom deve combinar com blush. Não deixe o batom ser o destaque no seu rosto. Aplique o batom na sua boca com a ponta do seu dedo. Para dar a ilusão de maior preenchimento, aplique um pouco de batom acima da linha dos lábios. Use um tom de batom mais claro à noite.”

Eu já tinha ouvido que não se deve aplicar o batom diretamente na boca. Por causa de Jean, eu tentei aplicá-lo com meu dedo. O resultado foi um tom bem mais claro do que o original, mas também uma cobertura mais uniforme dos lábios – e uma chance maior de aplicar batom para fora dos lábios. Aplicar batom fora dos limites dos lábios pode gerar um bom resultado no cinema, mas o efeito no dia a dia é estranho. E eu costumo usar um tom mais escuro de batom à noite. Os lábios de Jean eram pintados em formato de coração, uma moda dos anos 20, e eu acho que é uma moda adorável – e que eu adoro imitar.


November 22nd, 1933:
Lip rouge should blend with cheek rouge. Don't let it be the most conspicuous thing on your face. Apply the lip rouge on your mouth with the tip of your finger. To give the illusion of greater fullness, put the lip rouge a trifle over the natural lip line. Use a lighter shade of lip rouge at night than in the daytime.”

I had already heard that you shouldn’t apply the lipstick directly in your mouth. Because of Jean, I tried to apply it with my finger. The result was a much lighter shade than the original, but also a more uniform coverage of the lips – and a bigger chance to apply lipstick off the limits of the lips. Applying lipstick over the natural lip line may photograph well, but the effect in day-to-day life is weird. Also, I tended to use darker lipstick at night than during the day. Jean’s lips were painted into a “cupid’s bow”, a trend in the 1920s, and I think this is definitely cute – a trend I love to copy.
 
Jean's lips in a photo by @harlowheaven
24 de novembro de 1933:
“Escove seus dentes com um movimento circular gentil, não para cima e para baixo. Faça uma massagem vigorosa nas gengivas com sal comum e uma escova de borracha. Isso deixará as gengivas saudáveis. Nesses tempos de comida mole e pouca mastigação, as gengivas precisam de exercício.”

Minha dentista me ensinou a escovar meus dentes com movimentos circulares muitos anos atrás – e eu mantive o hábito. Mas massagear as gengivas com sal? Bem, o sal é abrasivo, e irá pouco a pouco danificando o esmalte dos dentes, então... de jeito nenhum.

Via Curious Pip
November 24th, 1933:
Brush your teeth with a gentle circular movement, not up and down. Give the gums a vigorous massage with table salt and rubber massage brush. This will keep them in a healthy condition. In these days of soft food and little chewing, the gums need exercise.”

My dentist taught me to brush my teeth with circular movements many years ago – a habit I keep. But the salt in the gum? Well, salt is abrasive, and it’ll slowly damage the tooth enamel so… big no.


25 de novembro de 1933:
“Faça uma massagem no couro cabeludo com azeite aquecido pelo menos uma vez ao mês. Isso vai estimular os tecidos e nutrir o couro cabeludo e o cabelo. Alguns minutos de massagem e escovação toda noite também estimulará o crescimento do cabelo e dará brilho. Escove para cima, partindo do couro cabeludo. Eu saio sem chapéu sempre que posso para arejar meu cabelo.”

Azeite quente é coisa do passado, mas sessões mensais de hidratação foram comuns na minha vida alguns anos atrás – mas, infelizmente, fizeram meu cabelo cair em grande volume. A ideia de escovar o cabelo toda noite parece muito com o mito de “100 escovadas” – escovar excessivamente o cabelo pode enfraquecê-lo. Eu também saio sem chapéu sempre que posso – ou seja, o tempo todo.
 
From "Libeled Lady" (1936)

November 25th, 1933:
Give your scalp a hot olive massage at least once a month. This will stimulate the tissues and nourish the scalp and hair. A few minutes' brushing and massaging every night will also stimulate the growth of the hair and give it a brilliant luster. Brush upward, lifting the hair off the scalp. I go without a hat whenever I can to give the hair an airing.”

Hot olive is a thing from the past, but monthly sessions of hair hydration were common in my life a few years ago – but, unfortunately, made my hair fall more. The brushing upward every night sounds a lot like the “100 strokes myth” – excessive brushing can make the hair weaker. I also go without a hat whenever I can – which is almost all the time.

Via Curious Pip

27 de novembro de 1933:
“Sempre adicione uma nota de uma cor contrastante ao seu figurino. Um lenço cor de rubi no bolso de um terno escuro, um cachecol cor de jade com um vestido branco, uma flor cor de fogo no ombro de um vestido cinza irão adicionar interesse e vitalidade à sua aparência.”

Parece-me uma grande ideia para quebrar a sobriedade de alguns figurinos. Embora eu use roupas mais coloridas, esta é uma dica que eu seguirei constantemente.

November 27th, 1933:
Always add one note of vividly contrasting color to your costumes. A crimson-colored handkerchief in the pocket of a dark colored suit, a jade green scarf with a white dress, a flame-colored flower on the shoulder of a gray frock will add interest and vitality to your appearance.”
This sounds like a great idea to break the sobriety of some outfits. Although I wear more colorful outfits, this is a tip I’ll follow often.

Em 1933, Jean Harlow também fez um “tutorial de maquiagem” para a revista Photoplay:

In 1933, Jean Harlow also did a “makeup tutorial” for Photoplay magazine:


Em 1934, um livreto do filme “Boca para Beijar / The Girl from Missouri”, Jean contradiz algumas das dicas de beleza já publicadas – ela diz que não usa maquiagem frequentemente – mas a coisa mais interessante é o que ela diz sobre seu cabelo:

In 1934, in a press book for “The Girl from Missouri”, Jean contradicts a few of the beauty tips published before – she says that she doesn’t wear makeup that often – but the most interesting thing is what she says about her hair:


“Não há truques no cuidado com meu cabelo. Eu uso sabão de Castela (sabão feito com azeite de oliva e hidróxido de sódio) e lavo como todo mundo. Eu nunca uso condicionador. Eu lavo meu cabelo a cada quatro dias, mas eu esfrego óleo de rícino no meu couro cabeludo antes de cada lavagem.”

“There are no tricks to the care of my hair at all. I use castile soap (a soap made with olive oil and sodium hydroxide) and shampoo it like everyone else might do. I never use a rinse. I shampoo it every four days, but I rub hot castor oil into my scalp before every shampoo.”


Eu também não uso condicionador. Mas óleo de rícino definitivamente não é parte da minha rotina de beleza. Para ler todas as dicas de beleza no livreto, acesse o blog Harlean’s Heyday (em inglês).

I never use rinse either. But castor oil is not part of my beauty routine. To read all the beauty tips in the press book, go to the blog Harlean’s Heyday.


Porém, mais uma vez, em uma entrevista de 1935, ela diz que precisa lavar o cabelo três vezes por semana quando está de férias, e toda noite quando está gravando. Parece que, assim como muitos outros detalhes na Hollywood do Sistema de Estúdio, segredos de beleza eram inventados, publicados e manipulados para permanecerem isso: um segredo.

But, once again, in a 1935 interview, she says she needs to wash her hair three times a week when she is on vacation, and every night when she is shooting a film. I guess that, just like many other details in the Studio Era Hollywood, beauty secrets were invented, publicized and manipulated to remain this: a secret.

This is my contribution to the Jean Harlow blogathon, hosted by Virginie and Samantha at The Wonderful World of Cinema and Musings of a Classic Film Addict.


Sunday, May 31, 2015

Estudando cinema (escandinavo) sem sair de casa

Eu uso qualquer desculpa para ver mais filmes. Se for possível ver muitos filmes, aprender um bocado e ainda conseguir um certificado (com honras!!!) de uma universidade internacional, pode ter certeza de que eu aproveitarei a chance. E de fato fiz isso, através do curso Scandinavian Film & TV, oferecido pela Universidade de Copenhagen no portal Coursera. E eu não poderia ter ficado mais feliz com o resultado.

Logo no começo pude aprender mais sobre meu período favorito: o cinema mudo dos países escandinavos (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca). Os primeiros filmes foram apresentados nestes países em 1896 e o cinema mudo dinamarquês e sueco tinham grande destaque na década de 1910... até a UFA, produtora e distribuidora alemã, monopolizar o mercado europeu.
Os grandes mestres escandinavos mereciam um tópico só deles, e por isso estudamos Carl Theodor Dreyer (cujo nome aprendi a pronunciar com um sotaque autêntico) e Ingmar Bergman separadamente. Na vez de Dreyer, pude me encantar com seu primeiro longa-metragem, o fantástico “O Presidente” de 1919. Bergman e eu somos velhos conhecidos! Tanto Dreyer quanto Bergman filmavam as chamadas “chamber plays”: histórias que se passavam em cenários restritos (muitas vezes até desérticos) e com poucos personagens. É o drama psicológico à moda sueca.
Você tem medo de filmes antigos? Quer saber mais sobre Lars Von Trier e sua “Ninfomaníaca”? Não se preocupe: boa parte do curso é dedicada à nova onda de bons filmes dinamarqueses, incluindo ganhadores do Oscar, mulheres diretoras e o homem que hoje é Hannibal Lecter na TV. Há também tópicos como a “New Wave escandinava” e o polêmico e curioso Dogma 95 (manual de regras para ser levado a sério ou apenas uma jogada de marketing para atrair atenção para o cinema escandinavo?).
Algo muito interessante e curioso neste curso é que cada tópico tem um professor diferente (quando eu fiz o curso, em 2014, eram 10 temas em 10 semanas. Em 2015 o curso foi oferecido novamente com os mesmos 10 temas, mas condensados em cinco semanas). É como assistir semanalmente a pequenas lições com palestrantes distintos. Essa foi a primeira e única vez que isso aconteceu em um curso online que eu fiz até agora.
O curso acabou e eu consegui um certificado (com honras!!!) e ainda aumentei minha lista de filmes que quero ver (Asta Nielsen dos anos 1910, você é a próxima). Para conseguir o certificado, foi necessário fazer alguns teste fáceis de múltipla escolha e dois textos, um sobre o filme “A Palavra / Ordet”, de Dreyer, e outro sobre as causas do recente sucesso de séries de TV escandinavas em outros países.
Claro que nem todo mundo queria receber um certificado. É também possível se matricular e ver as lições apenas de um tema que mais lhe interesse.  E é esse caráter democrático que mais me fascina nos cursos online de cinema.

Por falar nisso, em 1º de junho começa o cursoInto the Darkness: Investigating Film Noir”. O canal TCM apoia o curso e, além de mim, dezenas de amigos meus da internet vão fazer o curso. E aí, nos encontramos na sala de aula?

Thursday, April 4, 2013

Movie Icons: um presente para os olhos

O que mais encanta um cinéfilo são as imagens mágicas que passam na tela. Não é à toa que muitos livros sobre cinema usam e abusam das imagens em suas páginas, às vezes apresentando menos textos que figuras. A coleção “Movie Icons” não foge à regra, mas apresenta com maestria imagens belíssimas dos mais cultuados astros do cinema. 

A editora Taschen publica livros de vários assuntos e foca seus trabalhos em coletâneas de fotografias. Além da série “Movie Icons”, ela publica a coleção “Music Icons”, que já homenageou Bob Dylan, Michael Jackson e John Lennon. A editora foi fundada em 1980 na Alemanha e surgiu para publicar a coleção de quadrinhos de seu fundador, Benedikt Taschen. Sua linha aumentou e encobre desde bizarrices até arquitetura, pintura e, claro, cinema.

Foram publicados até agora 26 livros com a trajetória de diversos astros e estrelas do cinema, sendo que os primeiros vinte homenageados foram escolhidos em votação pelos leitores. As últimas adições à coleção são personalidades ainda vivas, como Woody Allen, Robert De Niro, Clint Eastwood, Al Pacino Sean Connery e Johnny Depp. Não gosto muito de livros sobre carreiras de pessoas ainda vivas, porque ficam desatualizados rapidamente.
Entre as outras estrelas homenageadas estão Elizabeth Taylor, Grace Kelly, Audrey Hepburn (que com certeza deram origem a belíssimos livros), Chaplin, os irmãos Marx, Cary Grant, Frank Sinatra, Marlon Brando, James Dean, Humphrey Bogart, Marlene Dietrich e Mae West. Eu tenho apenas dois livros da coleção, com imagens de Greta Garbo e Katharine Hepburn.     
My babies 
A maioria das imagens foi retiradada da Koball Collection. Eu nunca havia visto muitas delas até comprar os livros. Isso inclui cenas de bastidores, artigos de jornal, retratos, fotos publicitárias, pôsteres e capas de revistas. Elas são de encher os olhos, maravilhosas mesmo em preto-e-branco. Os textos que as acompanham vêm em três línguas: italiano, espanhol e português. Como a tradução segue a gramática de Portugal, vez ou outra surge um termo diferente para os leitores brasileiros, como “ecrã” ao invés de “tela”.
Por dentro do livro de Ingrid Bergman
E da Liz
E da Marilyn
Muito trabalho é necessário para criar um desses livrinhos de 192 páginas. Além da escolha cuidadosa de imagens, a bibliografia é extensa, como se pode observar pelos créditos na última página. Para recolher detalhes de dentro e fora das telas, além de várias citações, é preciso que o autor percorra páginas e mais páginas de escritos sobre cada um desses ícones. Paul Duncan é o editor da maioria dos livros e tem uma extensa obra publicada pela Taschen.
Nas lojas americanas, como a Barnes & Noble, cada livro sai por menos de dez dólares. No Brasil, os preços variam de 29 a 40 reais. Comprei meus dois exemplares por 29,90 cada. Apesar de pequenos no formato, os livros são um pouco pesados e o papel é de ótima qualidade. Pela análise do título “Movie Icons” fica claro que ainda faltam muitos ícones a serem inseridos nessa série que é, sobretudo, um trabalho de amor às imagens eternas das lendas do cinema.

P.S.: Como muitas pessoas ficaram interessadas pelo filme analisado no último post, deixo aqui o link de “Modas de 1934”, completo e legendado, no YouTube:  http://www.youtube.com/watch?v=qyEoWkmYqWY

Friday, December 28, 2012

Os pequenos tesouros de 2012

E chegamos ao último post do ano. Foi um ano um pouco mais calmo no blog que ano passado: 64 postagens, contra 75 de 2011. De fato, foram um ou dois artigos por semana, ao contrário de um ano que teve até três assuntos comentados em menos de sete dias. Engana-se quem pensa que isso significou menos trabalho para mim: em 2012 me engajei no lançamento de mais um livro e somei à minha coluna quinzenal no Leia Literatura uma coluna semanal no Antes que Ordinárias e outra mensal no Filmes e Games, além de uma participação interrompida no Red Apple Pin-Ups, que eu espero que volte com força total em 2013. E aproveito para agradecer a todos que apreciam meu blog e votaram por ele no Top Blog. Foi uma grata surpresa ficar entre o Top 100, o que mostra que eu estou no caminho certo!
Mas como Reveillon não é Dia de Ação de Graças, não vou ficar enumerando as coisas boas de 2012, mas sim relembrar, com a ajuda da fiel agenda em que anoto os filmes vistos, algumas produções maravilhosas. Alerto que deixo de lado excelentes escolhas como “Tarde Demais / The Heiress” (1948) e “A montanha dos sete abutres / Ace in the Hole” (1951) porque são filmes “óbvios”. Cito aqui algumas pérolas que, se eu não tivesse curiosidade e tempo livre, poderia ter deixado de assistir, uma vez que não são filmes essenciais ou muito comentados.
Onde eu anotei os filmes de 2012
Começo confessando que entre minhas resoluções de Ano Novo estava assistir a mais faroestes e filmes mudos. Não consegui matar dois coelhos com um tiro só e assistir a faroestes mudos, embora saiba que eles existam. Mesmo assim, creio que me saí bem: vi 17 filmes silenciosos, incluindo a restauração de “The White Shadow” (1924). Entre os filmes mudos, tenho de destacar “O último comando” (1928), uma maravilhosa produção com Emil Jannings, Evelyn Brent e William Powell sobre um velho comandante das tropas do czar que, após a Revolução Russa, vai trabalhar em Hollywood como extra e reencontra um homem que ele havia torturado e agora é diretor de cinema. Simplesmente um espetáculo comovente, que foi escolhido um dos 100 melhores filmes da história pela revista Time.
Os faroestes foram em maior número: 26. Preciso destacar “Nas Trilhas da Aventura / The Hallelujah Trail (1965), “El Dorado” (1966) e “O Rio da Aventura / The Big Sky” (1952). Como se não bastasse, vi quatro filmes com Sherlock Holmes no papel principal e três com 007.
Outro hábito que adquiri em 2012 foi assistir a filmes nacionais, contando com uma ajudinha da TV Justiça, que todas as sextas exibe a Sessão Cinemateca na faixa das 21 horas. Foi através dessa sessão que fiquei íntima de Oscarito e apreciei o talento de Grande Otelo. No entanto, o filme que mais me chamou a atenção foi “Na Senda do Crime” (1954), que em muito lembra o policial “Força do Mal”, feito seis anos antes e estrelado por John Garfield. Mais um filme nacional interessante, esse uma dica para os amantes de história, é “Rebelião em Vila Rica” (1957), que retrata um movimento estudantil muito semelhante à Inconfidência Mineira.
Alguns filmes de chorar de rir foram “Anáguas à Bordo / Operation Petticoat” (1959), “A corrida do século / The Great Race” (1965), “O Magnífico” (1973) e “O irmão mais esperto de Sherlock Holmes / The adventure of Sherlock Holmes’s Smarter Brother” (1975). Bergman me surpreendeu com sua curiosa comédia “Para não falar de todas essas mulheres” (1964) e Truffaut, com os adoráveis “O quarto verde” (1978) e “Domicílio Conjugal” (1973). Como nem tudo é diversão, vi também filmes de terror, como “A Múmia” (1932) e “O homem invisível” (1933), curiosos mas não muito assustadores.
Reconhece Claude Rains em "O Homem Invisível"?
As cinebiografias, que muito me agradam, estiveram presentes em títulos como “O segredo de Beethoven / Copying Beethoven” (2006), um tanto fantasiosa; “As aventuras de Omar Khayyam / The life, loves and adventures of Omar Khayyam” (1957) e “Tico-tico no fubá” (1952), sobre o compositor Zequinha de Abreu.      
2012 foi o ano em que eu passei a dar maior atenção a Barbara Stanwyck, Tyrone Power, Harold Lloyd, Jack Lemmon, Montgomery Clift, Claude Rains, James Mason e Lon Chaney. O ano em que conheci pessoas muito bacanas no Twitter, Tumblr e Facebook que, não importa há quanto tempo são fãs de cinema clássico, sempre têm um bom filme desconhecido a indicar. Ufa! 2012 foi um ano cheio de trabalho, bons filmes e bons momentos. 2013 já começará com novidades aqui no blog. Conto com vocês, leitores, para fazermos mais um ano inesquecível para a comunidade do cinema clássico. Aguardem! 
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