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Wednesday, March 29, 2017

Gilda de Abreu: inigualável

Quando procuramos pelo nome de Gilda de Abreu no site da Cinemateca Brasileira, não encontramos nenhum resultado. Zero. E isso é vergonhoso. Ela pode ter dirigido apenas três longa-metragens, mas ela foi muito mais que a pioneira do cinema que merece ser celebrada no mês da mulher: Gilda foi atriz, cantora, roteirista, escritora e compositora. Ela também foi esposa do famoso cantor Vicente Celestino. Juntos, eles eram como Jeanette MacDonald e Nelson Eddy – e, ao contrário da dupla americana, eles viveram felizes para sempre.

When we look for Gilda de Abreu’s name at the Brazilian Cinémathèque website, we get no results. Zero. It’s a total shame. She may have directed only three feature films, but she was much more than the pioneer who should be celebrated all March long: she was an actress, singer, screenwriter, author and composer. She was also the wife of famous singer Vicente Celestino. Together, they were the Jeanette MacDonald and Nelson Eddy from Brazil – and, unlike the American duo, they lived happily ever after.


Nenhum dos filmes de Gilda está disponível em DVD e, obviamente, nem na Netflix. Apenas seu filme mais famoso é exibido, ainda que raramente, na sessão de meia-noite de sábado na TV Brasil. Sobre sua vida e carreira, encontrei apenas uma dissertação de mestrado escrita em 2006. Gilda está quase escquecida – e não deveria.

None of Gilda's films are on DVD nor, of course, on Netflix. Only her most famous movie is aired, in rare events, in the Saturday midnight screening on a public TV station. About her life and career I could find only a master’s dissertation written in 2006. Gilda is almost forgotten – and she shouldn’t be.

1936
Gilda de Abreu (que às vezes você encontra também como “Gilda Abreu”) nasceu em Paris em 1904. Seu pai era diplomata e sua mãe, cantora. Aos quatro anos de idade, ela veio para o Brasil. Sua mãe a ensinou a cantar, e nos anos 20 Gilda protagonizou diversas óperas. Seu primeiro disco foi lançado em 1930 e em 1933 ela se casou com Vicente Celestino.

Gilda de Abreu (sometimes referred to as “Gilda Abreu”) was born in Paris in 1904. Her father was a diplomat, her mother, a singer. At age four, she came to Brazil. Her mother trained her to be a singer, and in the 1920s Gilda starred in several operas. Her first record was released in 1930 and in 1933 she married Vicente Celestino.

O primeiro filme de Gilda foi “Bonequinha de Seda”, de 1936. Ela fez a protagonista depois que Carmen Miranda recusou o papel porque as filmagens interfeririam com outros compromissos. E a mudança foi justa – afinal, Gilda compôs a valsa que inspirou o filme! Este filme foi uma superprodução que filmou multidões como nunca antes fora feito no cinema brasileiro. O filme foi restaurado recentemente, mas ainda não saiu em DVD.

Gilda’s first film was “Bonequinha de Seda” (roughly translated as “Little Silk Doll”), from 1936. She played the lead role after Carmen Miranda couldn’t accept it due to other commitments. This was just fair – after all, Gilda had created the waltz that inspired the movie! This film was a Brazilian fancy production that used crowd scenes like it was never made before. The film was restored recently, but no DVD was released so far.


Gilda foi a terceira mulher a dirigir um filme no Brasil. A primeira a dirigir, produzir e estrelar um filme foi Cleo de Verberena, que fez o filme mudo “O Mistério do Dominó Preto” em 1931. Carmen Santos foi a outra cineasta precursora, entretanto seu complexo e problemático filme estreou somente depois de Gilda ter dirigido seu primeiro filme.

Gilda was the third woman to direct a film in Brazil. The first woman to direct, produce and star in a movie in Brazil was Cleo de Verberena, who did the silent film “O Mistério do Dominó Preto” (roughly translated as “The Mystery of the Black Tile”) in 1931. Carmen Santos was the other precursor female filmmaker, however her complex and troubled film only premiered after Gilda had made her directing debut.


Cleo de Verberena
Carmen Santos
“O Ébrio” foi a estreia de Gilda como diretora. Foi uma adaptação de uma peça escrita por Vicente Celestino, que também compôs as músicas e ficou com o papel principal. “O Ébrio” é uma história de um homem que vai da riqueza à pobreza à riqueza e à pobreza novamente. E é surpreendentemente noir.

“O Ébrio” (“The Drunkard”) was Gilda’s debut at the director’s chair. It was an adaptation of a play written by Vicente Celestino, who also composed the songs and played the lead role. Gilda adapted the play to the film language. “The Drunkard” is a story of riches to rags to riches to rags again. And it’s surprisingly noirish.


Gilberto (Celestino) está sem sorte. Sua família perdeu toda a fortuna. Seus amigos e parentes se recusaram a ajudá-lo. Ela encontra ajuda apenas na igreja. E é na música que Gilberto encontra mais uma vez esperança: ele participa de um programa de calouros na rádio, fica famoso e consegue pagar a faculdade. Ele então se torna médico.

Gilberto (Celestino) is out of luck. His family lost all its wealth. His friends and relatives refused to help him. He only finds help in the church. And it is music that gives Gilberto hope once again: after singing on a radio show, he becomes famous and is able to pay for his college education. He then becomes a doctor.


Os toques noir vêm de todo lado: há a presença de um narrador, alguns flashbacks, uma femme fatale – e também um homme fatale. Você já viu uma trama noir começar no hospital? Bem, aqui isto ocorre.

The noir touches come from all the places: the voiceover narration, some flashbacks, the femme fatale – and also the home fatale. Have you ever seen a noir story starting in a hospital? Well, here it does.


Há uma sequência curiosa em que a consciência de Gilberto se manifesta no reflexo de um espelho, e foi este detalhe que mais me agradou na direção de Gilda. Há também alguns momentos cômicos – talvez um pouco inapropriados, mas mesmo assim bastante divertidos.

There is a curious sequence in which Gilberto’s conscience speaks with him through a mirror reflection, and this bit was what I liked the most in Gilda’s direction. There are also some comic moments – maybe a little inappropriate, but very amusing nonetheless.


Destruído, traído, sem esperança, Gilberto se torna um ébrio. Sua representação do alcoolismo é cômica em alguns momentos, mas no geral sombria. Às vezes é até melhor que a de Ray Milland em “Farrapo Humano” (1945). E então Gilberto canta a canção principal:

Destroyed, betrayed, hopeless, Gilberto becomes a drunkard. His representation of alcoholism is comic at times, but overall very dark. Sometimes it’s even better than Ray Milland’s in “The Lost Weekend” (1945). And then Gilberto sings his signature song:


“O Ébrio” se transformou em um fenômeno de bilheteria. Em algumas cidades,  foi um sucesso maior que “E o Vento Levou...” (1939)! 500 cópias do filme foram feitas para distribuição, e e é surpreendente que o negativo não tenha sido muito danificado no processo.

“The Drunkard” became a major box office hit. In some cities, it was a success at the box office much bigger than “Gone with the Wind” (1939)! 500 copies of the film were made to be distributed, and it’s surprising that the negative was still in such a good shape.


Cerca de 8 milhões de pessoas assistiram ao filme (o suficiente para colocá-lo entre os cinco maiores sucessos de bilheteria da história do cinema brasileiro) – em uma época em que a população total do Brasil era de cerca de 50 milhões, 1 em cada 6 pessoas tinha visto “O Ébrio” nos cinemas. E não era o filme planejado por Gilda. “O Ébrio” foi extremamente dilacerado na edição para se tornar menor e mais triste. Em 1998 o filme foi restaurado, e hoje tem 125 minutos de duração. A versão de 1946 tinha 87 minutos.

About 8 million people watched the movie (enough to put it in the TOP 5 in Brazilian cinema) – in a time when the whole Brazilian population was about 50 million people, 1 in 6 had seen “The Drunkard”. And it was not the movie intended by Gilda. “The Drunkard” was mercilessly cut in order to become shorter and sadder. In 1998 the film was restored, and it now runs 125 minutes. The 1946 cut ran 87 minutes.


O filme seguinte dela foi “Um Pinguinho de Gente”, de 1949. Desta vez, Vicente não fazia parte do elenco, mas em um papel coadjuvante havia um homem que se tornaria uma estrela: Anselmo Duarte, futuro galã e diretor de “O Pagador de Promessas” (1962), ganhador da Palma de Ouro em Cannes.

Her next film was 1949’s “Um Pinguinho de Gente” (a cute expression to refer to children). This time, Vicente was not part of the cast, but there was in a supporting role a man who would become a star: Anselmo Duarte, future heart-robber and director of “The Given World” (1962), winner of the Palme D’Or in Cannes.


Mas Anselmo era um mau ator na época. Se não fosse por Gilda talvez ele nunca teria se tornado um grande ídolo. Ele recorda o episódio em um livro: “Sabia que era um ator de merda, mas tinha boa estampa, o que me permitia seguir em frente... Gilda pediu que eu repassasse o diálogo antes da filmagem. Eu disse as frases de uma maneira meio mecânica e ela me deu um tabefe na cara. O tapa foi forte, mas pior que isso foi a vergonha.... Uma bofetada da diretora Gilda Abreu me transformou em ator."

But Anselmo was a lousy actor back then. If it wasn’t for Gilda, maybe he wouldn’t have become a great one. He remembers the episode in a book: “I knew I was a bad actor, but I looked good, so I had to go on acting… Gilda asked me to rehearse my dialog. I said my lines in a mechanical way and she punched me in the face. She punched me hard, but the worst thing was how ashamed I felt… A punch from Gilda de Abreu turned me into an actor”.

Left to right: Francisco Alves, Aurora Miranda, Carmen Miranda, Manuel Pinto, Gilda de Abreu, Vicente Celestino. 1933
O terceiro e último filme de Gilda como diretora foi “Coração Materno”, de 1951. Ela e Vicente estrelam o filme, que mais uma vez surgiu de uma peça escrita por Celestino.

Gilda’s third and final film as a director was “Coração Materno” (“Motherly Heart”), released in 1951. She and Vicente star in this film, once again based in a play written by Celestino.


Em “Coração Materno”, a história é toda contada em flashback. É o século XIX. Vicente interpreta Carlos, que foi abandonado em uma igreja quando bebê e criado pelo padre. Gilda interpreta Violeta, uma moça rica que desperta paixão tanto de Carlos quanto de um rico conde. O filme tem mal-entendid0s novelescos, reviravoltas, alívio cômico, muitos momentos musicais, pano de fundo religioso e muito drama.

In “Motherly Heart” the story is completely told in flashback. It’s the 19th century. Vicente plays Carlos, who was abandoned in a church as a baby and was raised by the local priest. Gilda plays Violeta, a rich woman pursued by both Carlos and a rich count. The film has misunderstandings, surprises, comic relief, many musical moments, a very religious background and a lot of drama.


Gilda mostra maturidade na direção de “Coração Materno” porque é um filme cheio de desafios: ela dirige, atua e canta em um filme que se passa nos anos 1800, e deve haver muita atenção ao detalhe e à ambientação – algo que não era tão necessário em “O Ébrio”. Há cortes inventivos, e até uma cena fundamental com efeitos especiais impressionantes.

Gilda shows how mature she was while directing “Motherly Heart” because there are a number of challenges to be faced here: she both directs, acts and sings; this is a film set in the 1800s, and there should be a lot of attention to detail – s0mething that she didn’t need in ‘the Drunkard”. There are clever cuts, and even a key scene with impressive special effects.


Infelizmente, Gilda parou de dirigir filmes após “Coração Materno”. Comédias musicais – as chanchadas – começaram a dominar o cenário cinematográfico no Brasil. A partir de então, Gilda se concentrou em escrever. Ela escreveu o roteiro de um filme sobre o músico Francisco Alves em 1955, escreveu radionovelas e transformou suas peças em livros. Ela escreveu outros livros, como “Mestiça”, publicado em 1944.

Unfortunately, Gilda stopped directing after “Motherly Heart”. Musical comedies – known as “chanchadas” – started dominating the film scene in Brazil. From then on, Gilda wrote. She wrote the screenplay for a movie about musician Francisco Alves in 1955, she wrote radio shows – in special soap operas for the radio – she adapted her plays into books. She wrote other books, like “Mestiça”, published in 1944.
Vicente Celestino morreu em 1968, aos 74 anos. Ele e Gilda não tiveram filhos. Em 1977 ela dirigiu um documentário de curta-metragem sobre o marido, e em 1979 ela faleceu. Seu livro “Minha Vida com Vicente Celestino” foi publicado apenas em 2003. Eu gosto de pensar que a profecia que o personagem de Vicente diz em “Coração Materno” se tornou realidade. Nela, ele diz: “Somos e seremos um do outro até mesmo depois da morte”.

Vicente Celestino died in 1968, at age 74. He and Gilda had no children. In 1977 she directed a short documentary about her husband, and in 1979 she died. Her book about Vicente, “My Life with Vicente Celestino”, was finally published in 2003. I like to think that the prophecy Vicente’s character does in “Motherly Heart” became true. In it, he says: “We belong to each other, and we’ll always belong, even after death”.

 Nunca houve uma mulher como Gilda de Abreu.

There has never been a woman like Gilda de Abreu.

This is my contribution to the Early Women Filmmakers blogathon, hosted by mighty Fritzi at Movies, Silently.

Friday, October 21, 2016

Slapstick à brasileira / Slapstick, Brazilian style

Trago verdades: os melhores cursos online sobre cinema são oferecidos pelo TCM em parceria com a Ball State University. Depois do grande sucesso e da maravilhosa experiência de aprendizagem em 2015 com o curso #NoirSummer, fiquei animadíssima ao descobrir que em 2016 seria oferecido o curso #SlapstickFall. Agora seria a vez de estudar o melhor da comédia física, e eu não poderia perder esta oportunidade. E, conforme fui aprendendo, vi alguns paralelos com o cinema brasileiro.


Let me tell the truth: the best online film courses are offered by TCM and Ball State University. After the massive success and wonderful learning experience that was #NoirSummer in 2015, I became ecstatic to find out that in 2016  the course to be offered would be themed #SlapstickFall. Now it'd be time to study the very best of slapstick, and I couldn't miss this opportunity. And, as I learned, I could see some things in common with Brazilian cinema.  



O curso foi, obviamente, centrado em Hollywood, com apenas um desvio para a França e as comédias de Jacques Tati. Isso não significou que não houve filmes de comédia dignos de nota em outros países, foi apenas uma escolha do canal, dos programadores e dos responsáveis pelo curso. Por isso, quero apresentar um pouco da era de ouro da comédia brasileira, não somente para os estudantes do curso, mas para todos os interessados.

The course was, obviously, Hollywood-centered, with only a small detour to France and Jacques Tati's comedies. This doesn't mean that there were no worthy comedy films made in other countries, it was only a choice made by the channel, the programmers and the ones responsible for the course. That's why I want to show this introductory post on Brazilian slapstick, not only for #SlapstickFall alumni, but to all that might be interested.


Nos anos 1950 e 1960, os críticos e especialistas norte-americanos consideravam que a era de ouro da comédia slapstick tinha sido a era do cinema mudo. O filme “Os Reis do Riso” de 1957, surpreendentemente aponta como os mais bem-sucedidos comediantes da época Laurel e Hardy, e isso em parte se deve ao sucesso tanto em filmes mudos quanto falados, e à duradoura relação com o público desenvolvida por anos e anos de reprises, em especial na televisão.

In the 1950s and 60s, critics and film connoisseurs from the US considered that the golden age of slapstick was the silent film era. The film “The Golden Age of Comedy”, from 1957, surprisingly points Laurel and Hardy as the most successful comedians of the time, and this is due to two factors: first, they were successful in both silents and talkies, and second, everybody knew them thanks to years and years of reruns of their features and shorts, in special on TV.


Hoje temos o tempo a nosso favor, e vemos de outra maneira esta época no slapstick. O filme-antologia de 1957 sequer citava Chaplin, Keaton e Lloyd, hoje considerados os três maiores comediantes do cinema mudo.

Today we have the benefit of time, and we see differently this age of slapstick. The anthology film made in 1957 didn't even cite Chaplin, Keaton and Lloyd, who are now considered the three biggest comedians in silent cinema.

Se a era de ouro da comédia americana foi a década de 1920, a era de ouro das comédias brasileiras foi a década de 1950. Um período auspicioso para o cinema como um todo, mas em especial para o slapstick 100% verde e amarelo: as chanchadas, filmes com humor ingênuo e vários números musicais. As chanchadas eram incrivelmente populares, apesar de ser consideradas um gênero vulgar pelos críticos. Algumas chanchadas eram, inclusive, paródias dos sucessos de Hollywood, como “Matar ou Correr” (1954, figura abaixo), paródia de “Matar ou Morrer” (1952), faroeste com Gary Cooper.

If the golden age of American slapstick was the 1920s, the golden age of Brazilian slapstick was the 1950s. It was a wonderful time for Brazilian cinema as a whole, but better for our slapstick: the 'chanchadas', films with naïve humor and a lot of musical numbers. The 'chanchadas' were very popular, although they were considered a lesser, vulgar genre by critics. Some 'chanchadas' were actually parodies of Hollywood films, like “Kill or Run” (1954, image below), a parody of “High Noon” (1952), a western with Gary Cooper.



E, assim como na Hollywood muda, o Brasil das chanchadas também teve sua trindade cômica principal. Os americanos tinham Chaplin, Keaton e Lloyd, nós tínhamos Mazzaropi, Ankito e Oscarito. Obviamente, havia outros tantos comediantes na época, com menos destaque ou cuja importância histórica diminuiu ao longo dos anos. Os americanos tinham, entre os representantes menores do slapstick, Charley Chase, Ben Turpin, Billy Bevan, Larry Semon, Harry Langdon, e também Mabel Normand. Os brasileiros tinham Costinha, Arrelia, Zé Trindade, Walter D'Ávila, Mesquitinha, e também Dercy Gonçalves.

And, just like in Hollywood, the Brazil from the 'chanchadas' also had their Big Three in comedy. The Americans had Chaplin, Keaton and Lloyd, we had Mazzaropi, Ankito e Oscarito. Obviously, there were many other comedians at the time, not so successful or not so historically important. The Americans had, among the lesser comedians, Charley Chase, Ben Turpin, Billy Bevan, Larry Semon, Harry Langdon, and also Mabel Normand. The Brazilians had Costiha, Arrelia, Zé Trindade, Walter D'Ávila, Mesquitinha, and also Dercy Gonçalves.

E a trindade cômica brasileira em muito se parece com a americana! Quer ver?

And the Brazilian Big Three had a lot in common with the American ones. Wanna see?


Charles Chaplin e Amácio Mazzaropi faziam filmes que misturavam comédia e drama, e que mexiam com as emoções no público. No começo da carreira, ambos estavam focados na comédia da moda, mas anos mais tarde desenvolveram sua persona cinematográfica, seu estilo próprio, e passaram a explorá-lo até o final de suas carreiras. Chaplin fez isto misturando risos e lágrimas em “O Garoto” (1921), e Mazzaropi começou a explorar mais assuntos sociais e dramas rurais a partir de “Jeca Tatu” (1959).

Charles Chaplin and Amácio Mazzaropi both made films mixing comedy and drama, and loved to play with the feelings of the audience. In the beginning of their careers, both did the kind of comedy that was in vogue, but years later they developed their film personas, an unique style, and explored it until the end of their careers. Chaplin did it by mixing laugh and tears in “The Kid” (1921), and Mazzaropi started exploring social issues and rural dramas after “Jeca Tatu” (1959).



Buster Keaton e Ankito (nascido Anchizes Pinto) eram os acrobatas. Ambos começaram a carreira fazendo acrobacias: Buster no vaudeville, Ankito no circo. Ankito foi, inclusive, cinco vezes campeão sul-americano de acrobacias. Nos filmes, ambos continuaram mostrando o lado atlético e sempre recebiam os golpes da vida com uma atitude blasé, despreocupada, até um pouco ingênua. Keaton sofreu alguns acidentes em sua carreira, e Ankito caiu de um prédio em construção durante as filmagens de “Um Candango na Belacap”, em 1960. Tudo sem maiores consequências. Ambos se dedicaram à televisão no final da carreira.

Buster Keaton and Ankito (born Anchizes Pinto) were the acrobats. Both started their careers doing acrobatics: Buster in vaudeville, Ankito at the circus. Ankito was even South American acrobatic champion for five times. At the movies, both showed their athletic side and always received the blows of life with a blasé, not worried, even naïve attitude. Keaton suffered a few accidents on set, and Ankito fell from a building during filming “Um Candango na Belacap”, in 1960. All without big consequences. Both worked on television later in life.


Harold Lloyd ganhou mais dinheiro que Chaplin e Keaton. E não havia concorrência na bilheteria quando um filme de Oscarito estava em exibição. Oscarito nasceu na Espanha, mas veio para o Brazil com um ano de idade, e aos cinco anos entrou para o circo. Oscarito fez uma dupla de sucesso com Grande Otelo, que se saía bem tanto no drama quanto na comédia. Em termos de sucesso, o filme “Esse Milhão é Meu” (1959) detém um recorde: levou 15 milhões de pessoas ao cinema, o equivalente a um quarto da população brasileira na época.

Harold Lloyd made more money than Chaplin and Keaton. And there was no place for anybody else when one of his films hit the theaters. Oscarito was born in Spain, but came to Brazil at age one and at age five he joined the circus. Oscarito was part of a successful duo with Grande Otelo, an actor brilliant in both drama and comedy. If you consider success, the film “This is my Million” (1959) set a record: it was watched by 15 million people, or one quarter of the Brazilian population at the time.



Você sabe aquele ditado: “O tempo voa quando você está se divertindo”? Foi isso que aconteceu com o curso #SlapstickFall. E a chanchada?, vocês devem estar se perguntando. Em 1962 a Atlântida, companhia cinematográfica mais associada ao gênero, produziu sua última chanchada. Um dos principais nomes do Cinema Novo brasileiro, Glauber Rocha, criticava agressivamente as chanchadas. A chanchada, entretanto, nunca morreu: como toda boa tradição no slapstick, ela ainda influencia o humor brasileiro.

Do you know that old saying: “Time flies when you’re having fun”? It was exactly what happened with the #SlapstickFall course. And what about the ‘chanchada’?, you must be asking yourselves. In 1962, Atlântida, the cinematographic company responsible for the most ‘chanchadas’, released the last film from this genre. One of the main names of Brazilian New Cinema, Glauber Rocha, aggressively criticized the ‘chanchadas’. However, the ‘chanchada’ never died: as any good slapstick tradition, it stil has an influence in Brazilian humor.   

Tuesday, February 5, 2013

Mas que palhaçada!


Em festas infantis, programas de TV dedicados às crianças e, especialmente, no circo, os palhaços são o grande destaque. Fazendo trocadilhos ou apenas gestos, com roupas bufantes e muita maquiagem, eles fazem a alegria das crianças e de muitos adultos. Mas nem tudo é riso: muitos palhaços já foram mostrados, pelo menos no cinema, como criaturas demoníacas e em programas ou desenhos cômicos há sempre uma personagem que tem medo de palhaços. Aliás, como Crítica Retrô também é cultura, preciso dizer que o medo exagerado de palhaços é chamado coulrofobia. Não importa sua vestimenta ou sua natureza boa ou má, os palhaços são parte importante da galeria de personagens do cinema. 
Reconheceu o James Stewart?
Koko, the clown: Max Fleischer estava fazendo uma experiência com um aparelho denominado rotoscope e para isso fotografou seu irmão Dave vestido de palhaço. Ele transformou essa imagem em desenho e desde 1919, Koko protagonizou centenas de curtas, sendo o primeiro companheiro de cena de Betty Boop, criada em 1933.
Lágrimas de Palhaço / He who gets slapped (1924): Depois de ser ridicularizado em público, o professor Paul Beaumont (Lon Chaney) torna-se um palhaço que é estapeado  para fazer o público rir. Ele se apaixona pela bela Consuelo (Norma Shearer em seu primeiro papel como protagonista), mas ela gosta do acrobata Bezano (John Gilbert), e mesmo assim o pai da moça quer lhe arranjar um casamento com o arqui-inimigo do ex-professor. Lon Chaney voltaria a interpretar um palhaço apaixonado em “Lugh, clown, laugh” (1928).
O Circo / The circus (1928): Após ser confundido com um ladrão e ir parar em um circo, o vagabundo (Charles Chaplin) acaba no meio da apresentação dos palhaços e faz a maior confusão. O que ele não esperava é que suas trapalhadas fizessem tanto sucesso com o público.
O maior espetáculo da Terra / The greatest show on Earth (1952): Buttons (James Stewart) é um palhaço com o rosto sempre escondido por maquiagem e que tem um segredo sujo em seu passado. Com um personagem tão interessante, o filme peca por não explorá-lo o suficiente.
Scaramouche (1952): O título refere-se a um personagem do teatro cômico popular da França pré-revolucionária, que nada mais é que um palhaço com uma máscara de nariz pontudo. Não é à toa que André (Stewart Granger) escolha este disfarce para escapar da fúria de um nobre (Mel Ferrer), fazendo sucesso na companhia itinerante de sua namorada (Eleanor Parker).
Poltergeist (1982): Assim como Chuck, o boneco assassino, um brinquedo se transforma em pesadelo e assusta o público em Poltergeist.
Palhaços Assassinos / Killer Klowns from outer space (1988): Se existisse uma regra para julgar um filme pelo título, ela seria: nunca confie num filme com as palavras “from outer space”. Se Ed Wood já fez sua loucura no espaço sideral em 1959, imagine o que acontece quando palhaços assassinos chegam do espaço.
It, uma obra-prima do medo / It (1990): Com mais de três horas de duração, esta minissérie inspirada em livro de Stephen King conta a história de um grupo que tem de enfrentar o mesmo palhaço demoníaco que viram na infância.
Os Simpsons – O filme: Krusty, o palhaço politicamente incorreto da série, também apareceu no filme.
O Palhaço (2011): Valdemar e Benjamim, pai e filho, vividos por Paulo José e Selton Mello, são os palhaços Puro Sangue e Pangaré num circo itinerante. Problemas começam a surgir quando Benjamim acredita que não é mais engraçado.
Menção honrosa para o Coringa, vilão de diversos filmes do Batman e que usa uma maquiagem de palhaço, embora não faça palhaçadas. Personagem semelhante a ele visualmente aparece no filme de 1928 “O homem que ri”.
Por fim, um vídeo adorável com Gene Kelly e Judy Garland cantando “Be a Clown” no filme “O Pirata”.

Laço de incentivo à leitura
Minha querida amiga Iza do blog Vintage Iz me passou este laço de incentivo à leitura. Nada poderia ser tão propício para uma escritora! Preciso responder à pergunta: “Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?”.
Bem, além de meu livro de estreia “Escritos de Garota – Contos, crônicas e poemas dos 7 aos 17” (propaganda básica), eu indico qualquer livro da coleção “Para gostar de ler”, publicada pela editora Ática. Lançada em 1977, a coleção traz contos, crônicas e poemas de consagrados autores brasileiros contemporâneos. Ela já sofreu alterações estéticas e também devido à reforma ortográfica, e hoje conta com mais de 40 volumes, além da coleção derivada “Para gostar de ler júnior”. Sendo os temas e estilos bem variados, creio que haverá histórias para todos os gostos, e começar com textos curtos é o melhor meio para formar um bom leitor.
Ao invés de passar o laço para outros dez blogs, deixo o questionamento para todos os leitores que se dispuserem a pensar: “Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler?”.

Falando em leitura, não deixem de ler minha entrevista para a Revista Innovative, disponível aqui. 

Friday, December 28, 2012

Os pequenos tesouros de 2012

E chegamos ao último post do ano. Foi um ano um pouco mais calmo no blog que ano passado: 64 postagens, contra 75 de 2011. De fato, foram um ou dois artigos por semana, ao contrário de um ano que teve até três assuntos comentados em menos de sete dias. Engana-se quem pensa que isso significou menos trabalho para mim: em 2012 me engajei no lançamento de mais um livro e somei à minha coluna quinzenal no Leia Literatura uma coluna semanal no Antes que Ordinárias e outra mensal no Filmes e Games, além de uma participação interrompida no Red Apple Pin-Ups, que eu espero que volte com força total em 2013. E aproveito para agradecer a todos que apreciam meu blog e votaram por ele no Top Blog. Foi uma grata surpresa ficar entre o Top 100, o que mostra que eu estou no caminho certo!
Mas como Reveillon não é Dia de Ação de Graças, não vou ficar enumerando as coisas boas de 2012, mas sim relembrar, com a ajuda da fiel agenda em que anoto os filmes vistos, algumas produções maravilhosas. Alerto que deixo de lado excelentes escolhas como “Tarde Demais / The Heiress” (1948) e “A montanha dos sete abutres / Ace in the Hole” (1951) porque são filmes “óbvios”. Cito aqui algumas pérolas que, se eu não tivesse curiosidade e tempo livre, poderia ter deixado de assistir, uma vez que não são filmes essenciais ou muito comentados.
Onde eu anotei os filmes de 2012
Começo confessando que entre minhas resoluções de Ano Novo estava assistir a mais faroestes e filmes mudos. Não consegui matar dois coelhos com um tiro só e assistir a faroestes mudos, embora saiba que eles existam. Mesmo assim, creio que me saí bem: vi 17 filmes silenciosos, incluindo a restauração de “The White Shadow” (1924). Entre os filmes mudos, tenho de destacar “O último comando” (1928), uma maravilhosa produção com Emil Jannings, Evelyn Brent e William Powell sobre um velho comandante das tropas do czar que, após a Revolução Russa, vai trabalhar em Hollywood como extra e reencontra um homem que ele havia torturado e agora é diretor de cinema. Simplesmente um espetáculo comovente, que foi escolhido um dos 100 melhores filmes da história pela revista Time.
Os faroestes foram em maior número: 26. Preciso destacar “Nas Trilhas da Aventura / The Hallelujah Trail (1965), “El Dorado” (1966) e “O Rio da Aventura / The Big Sky” (1952). Como se não bastasse, vi quatro filmes com Sherlock Holmes no papel principal e três com 007.
Outro hábito que adquiri em 2012 foi assistir a filmes nacionais, contando com uma ajudinha da TV Justiça, que todas as sextas exibe a Sessão Cinemateca na faixa das 21 horas. Foi através dessa sessão que fiquei íntima de Oscarito e apreciei o talento de Grande Otelo. No entanto, o filme que mais me chamou a atenção foi “Na Senda do Crime” (1954), que em muito lembra o policial “Força do Mal”, feito seis anos antes e estrelado por John Garfield. Mais um filme nacional interessante, esse uma dica para os amantes de história, é “Rebelião em Vila Rica” (1957), que retrata um movimento estudantil muito semelhante à Inconfidência Mineira.
Alguns filmes de chorar de rir foram “Anáguas à Bordo / Operation Petticoat” (1959), “A corrida do século / The Great Race” (1965), “O Magnífico” (1973) e “O irmão mais esperto de Sherlock Holmes / The adventure of Sherlock Holmes’s Smarter Brother” (1975). Bergman me surpreendeu com sua curiosa comédia “Para não falar de todas essas mulheres” (1964) e Truffaut, com os adoráveis “O quarto verde” (1978) e “Domicílio Conjugal” (1973). Como nem tudo é diversão, vi também filmes de terror, como “A Múmia” (1932) e “O homem invisível” (1933), curiosos mas não muito assustadores.
Reconhece Claude Rains em "O Homem Invisível"?
As cinebiografias, que muito me agradam, estiveram presentes em títulos como “O segredo de Beethoven / Copying Beethoven” (2006), um tanto fantasiosa; “As aventuras de Omar Khayyam / The life, loves and adventures of Omar Khayyam” (1957) e “Tico-tico no fubá” (1952), sobre o compositor Zequinha de Abreu.      
2012 foi o ano em que eu passei a dar maior atenção a Barbara Stanwyck, Tyrone Power, Harold Lloyd, Jack Lemmon, Montgomery Clift, Claude Rains, James Mason e Lon Chaney. O ano em que conheci pessoas muito bacanas no Twitter, Tumblr e Facebook que, não importa há quanto tempo são fãs de cinema clássico, sempre têm um bom filme desconhecido a indicar. Ufa! 2012 foi um ano cheio de trabalho, bons filmes e bons momentos. 2013 já começará com novidades aqui no blog. Conto com vocês, leitores, para fazermos mais um ano inesquecível para a comunidade do cinema clássico. Aguardem! 

Wednesday, April 4, 2012

Centenário de Mazzaropi

Era uma entediante tarde de domingo, há MUITOS anos (se é que se pode dizer “há MUITOS anos” quando se tem apenas 18 de idade) e eu decidi assistir a um filme que estava começando. O artista era Mazzaropi, sobre quem eu já havia lido em um almanaque. Não lembro o nome do filme, sequer o enredo, mas a lembrança do riso ficou. Riso compartilhado com milhares de outras pessoas que tiveram a sorte de vê-lo na tela grande e que também não esqueceram a comicidade deste artista cujo centenário será comemorado em breve.
Amácio Mazzaropi nasceu em São Paulo em 9 de abril de 1912, filho de um italiano com uma descendente de portugueses, e recebeu o mesmo nome do avô, Amazzio. Mas seria o outro avô sua maior inspiração, pois era tocador de viola e dançarino. Os pais passaram a trabalhar em uma companhia de tecelagem em Taubaté, onde ele mais tarde também trabalharia. Era bom aluno, sempre declamava poemas em festas escolares e foi aos 10 anos, num monólogo, que pela primeira vez interpretou um caipira.
Assim como outros astros do cinema brasileiro, Mazzaropi começou no circo, juntando-se a uma trupe aos 14 anos e contando piadas entre as apresentações de um faquir. Três anos depois, ele se viu obrigado a voltar para casa sem emprego, mas a efervescência trazida pela Revolução de 32 reacendeu sua vontade de atuar. Não demoraria para que ele transformasse o mais famoso grupo itinerante do interior de São Paulo, a Troupe Olga Crutt, na Troupe Mazzaropi, inclusive levando seus pais para trabalharem com ele.
Quase dez anos depois, Mazzaropi recebeu boas críticas por sua peça “Filho de sapateiro, sapateiro deve ser”. Com o sucesso veio em 1946 o convite para o programa Rancho Alegre, da Rádio Tupi, em que ele contava piadas e cantava ao som de uma sanfona. Só na primeira semana, ele recebeu 2000 cartas de fãs, que lotavam os espetáculos que ele fazia pelo país.
Mazzaropi teve o privilégo de se apresentar na estreia da TV Tupi tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, respectivamente em 1950 e 1951. Seu programa Rancho Alegre seria a primeira atração da televisão brasileira a contar com um patrocinador.
Ao contrário de tantos outros artistas, o cinema foi o último território a ser desbravado por Mazzaropi. Em 1951 ele assinou contrato com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde faria seus três primeiros filmes, passando por diversas outras produtoras até fundar a sua própria em 1958: Produções Amácio Mazzaropi, a PAM Filmes. Para produzir as primeiras películas, ele vendeu tudo o que tinha. Valeu a pena: fez mais sucesso, ganhou seu próprio programa de variedades e comprou uma fazenda para construir seu estúdio.
Em 1960 ele fez o filme Jeca Tatu, repetindo o papel de caipira em mais nove produções. No mesmo ano estreia na direção, com “As aventuras de Pedro Malasartes”. E o pioneirismo não parou por aí: “Tristeza do Jeca”, do mesmo ano, seria o primeiro filme nacional colorido em Eastmancolor, tendo sido editado no México. E, por fim, em 1973 sairia o primeiro de seus dois filmes rodados no exterior: “Um caipira em Bariloche”.
Mazzaropi ganhou diversos prêmios durante sua carreira. Seu filme “No paraíso das solteironas” rendeu, em um ano, 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros. Rodou um filme autobiográfico, “Betão ronca ferro”, em 1970, e dois anos depois se encontrou com o presidente Emílio Garrastazu Médici, pedindo maiores verbas para o cinema brasileiro. Ele se encontraria com mais dois presidentes, sempre falando sobre a sétima arte.
Sucesso garantido
O artista nunca se casou, mas, segundo alguns depoimentos, criou ao longo de sua vida cinco meninos, embora em algumas biografias conste que ele teve apenas um filho adotivo, de nome Péricles. Mazzaropi faleceu em 13 de junho de 1981, aos 69 anos, de septicemia (infecção generalizada), dois anos antes da morte da mãe. Fez ao todo 32 filmes e contracenou com grandes nomes, como Hebe Camargo, Odete Lara, Luís Gustavo e Tarcísio Meira, tendo estes últimos estreado sob a tutela do mestre. Ensinou gerações a rirem com sua personagem caipira, mas na vida real era ambicioso, perspicaz e gostava de se vestir com elegância. Caipira esperto, uai!  
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