} Crítica Retrô: TCM

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label TCM. Show all posts
Showing posts with label TCM. Show all posts

Friday, September 18, 2015

O Dragão Relutante (1941) / The Reluctant Dragon (1941)

Eu tinha seis anos de idade, talvez um pouco mais, e adorava as fitas de vídeo (sim, do tempo do VHS) da Disney. Cada fita vinha com algumas propagandas de outras fitas, verdadeiros trailers feitos especialmente para aqueles lançamentos em vídeo. E um destes trailers era de “O Dragão Relutante” (ou “O Dragão Dengoso”, como também ficou conhecido aqui no Brasil). Desde o primeiro momento do trailer adorei aquele dragão fofo, que preferia escrever poemas a fazer coisas assustadoras de dragão.

I was six years old, maybe a little older, and I loved the Disney home video tapes (yes, I’m from the VCR era). Each tape came with ads from other tapes, true trailers exclusively made for those home video releases. And one of these trailers advertised “The Reluctant Dragon”. Since the first minute I loved that cute dragon, who’d rather write poems than do frightening dragon stuff.


Mas foram necessários muitos anos para que eu finalmente assistisse a “O Dragão Relutante”. As fitas de vídeo viraram objetos de museu, o DVD assumiu o posto, e até o Blu-Ray apareceu, e eu ainda não havia visto “O Dragão Relutante”. Foi quando, em dezembro de 2014, o canal americano TCM (o canal mais abençoado de todos os tempos, e também o paraíso dos fãs de cinema clássico) exibiu o filme como parte de sua série Treasures from the Disney Vault. Foi então que eu relembrei aquele trailer que tinha me marcado tanto na infância, e adicionei “O Dragão Relutante” às minhas resoluções cinematográficas de 2015. O resultado? Foi muito bom ter esperado tanto para ver o filme.

But it took me many years to finally watch “Th Reluctant Dragon”. The VCR tapes became museum artifacts, the DVD became popular, and even the Blu-Ray appeared, and I haven’t watched “The Relucatant Dragon”. In December, 2014 the American TCM (the most blessed channel of all times, and also paradise for classic film fans) exhibited the film as part of Treasures of the Disney Vault series. Then I was reminded of that trailer that had stuck with me since childhood, and I added “The Reluctant Dragon” to my 2015 film resolutions. The result? It was very good to have waited so long to watch the movie.


As crianças com certeza gostariam de “O Dragão Relutante”, mas são os adultos que conhecem um pouco sobre a história do cinema em geral e da Disney em particular que apreciarão mais ainda. Porque o filme é muito mais que um dragão bonzinho. É uma visita aos bastidores dos Walt Disney Studios, uma rara visão do processo criativo das imagens e sons que encantam as plateias, e uma fonte inesgotável de sorrisos.

The kids would certainly enjoy “The Reluctant Dragon”, but adults - who know a little about film history in general and Disney history in particular - are the ones who will appreciate it even more. Because the film is much more than a nice dragon. It’s a visit to the Walt Disney Studios, a rare vision of the creative process that makes images and sounds that enchant the audiences, and an infinite source of smiles.


Robert Benchley é convencido pela esposa a tentar vender uma história para Walt Disney. Aí já começa a diversão: fica claro que a esposa (Nana Bryant) é quem manda, e talvez este detalhe do relacionamento não seja tão divertido para as crianças quanto o é para os adultos. Robert é levado em um tour pelos Estúdios Disney por um jovem e sem graça guia turístico, Humphrey (Buddy Pepper), e logo Robert consegue escapar dele. Ele então passa pela sala dos desenhistas (onde claramente “Dumbo” está sendo gerado), pela sala de dublagem (onde somos apresentados a Clarence Nash, que dubla o Pato Donald), pela sala de efeitos especiais e chega, magicamente, à sala do Technicolor.

Robert Benchley is advised by his wife to try to sell a story to Walt Disney. Fun starts here: it’s clear that the wife (Nana Bryant) is the boss, and maybe this relationship detail isn’t as for for children as it is for adults. Robert is taken for a tour through the Walt Disney Studios by a young and funnyless guide, Humphrey (Budy Pepper), and soon Robert can escape the tour. He then goes through the drawing room (where “Dumbo” is being made), by the dubbing room (where we’re introduced to Clarence Nash, who dubs Donald Duck), by the special effects room and he finally arrives, magically, to the Technicolor room.


Aqui temos uma mudança digna de Dorothy na Terra de Oz: ao fechar a porta Robert entra em um mundo de cores, e ele próprio reconhece que está agora sendo visto em Technicolor. Lá ele conhece o processo de animação do famoso desenho em que Donald tem problemas ao ordenhar uma vaca (aposto que este desenho fez parte de sua infância!). Depois ainda passamos pela “sala do arco-íris” (onde os desenhos recebem cores, e onde vemos Bambi pela primeiríssima vez!), a sala das esculturas (olhe lá Chernabog, que foi motivo de pesadelos para todos que viram “Fantasia”), a sala dos animadores (Pateta!) e finalmente nos encontramos com Walt Disney e com o próprio dragão relutante.

Here we have a change similar to Dorothy’s in the Land of Oz: when he closes the door Robert enters a world of colors, and he even know he’s now being seen in Technicolor. There he gets to know the animation process behind the cartoon in which Donald has trouble trying to milk a cow (I bet this cartoon was part of your childhood!). Then we go through the “Rainbow Room” (wher drawings receive colors, and we see Bambi for the very first time!), the “Sculptures Room” (take a look at Chernabog, who was the source of nightmares for everybody who has seen “Fantasia”) and the “Animators Room” (Goofy!) and we finally meet Walt Disney and the reluctant dragon himself.


Além de Clarence Nash, que dificilmente seria reconhecido pelas crianças, há ainda outras pequenas pérolas que só adultos e cinéfilos notariam: a trilha sonora reproduz as músicas do maior êxito de Disney até então, “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937), o lendário animador Ward Kimball apresenta o primeiro desenho da série “Goffy How To”, Einstein, Freud e Dalí viram personagens animados. E quem é aquele desenhista segurando o modelo do bebê Weems? Ninguém mais ninguém menos que Alan Ladd, mais bonito que nunca!

Besides Clarence Nash, who wouldn’t be recognized by the kids, there are other little treasures that only older cinephiles would notice: the soundtrack brings songs from the most successful Disney movie until then, “Snow White and the Seven Dwarves” (1937), the legendary animator Ward Kimball presents the first cartoon from the series “Goody How To”, Einstein, Freud and Dalí become animated characters. And who is that animator holding the baby Weems model? It’s Alan Ladd, more handsome than ever!

Alan Ladd, Robert Benchley
O Dragão Relutante” estreou durante uma greve dos animadores dos Estúdios Disney, que se mobilizaram para boicotar o filme. Houve um problema envolvendo o Código Hays e o umbigo do dragão (!!) que quase impediu a estreia. Mas o prejuízo foi principalmente resultado da decepção do público, que esperava um filme completamente animado, e não uma mistura de animação e live-action. Este aviso no começo do filme não adiantou:

“The Reluctat Dragon” premiered during an animator’s strike, when Disney Studios animators organized to boycott the film. There was a problem involving the Hays Office and the dragon’s belly button (!!) that almost cancelled the premiered. But the box-office failure came because the public was disappointed – they were waiting for a completely animated film, and not a mix of animation and live-action. This warning in the beginning of the film didn’t work: 

Cartaz criado pelos animadores em greve
Os Estúdios Disney talvez não fossem um lugar maravilhoso como o filme tenta mostrar (a música que acompanha a entrada de Robert nos estúdios é “Whistle While You Work”), mas sem dúvida são um lugar onde sonhos são criados. Se não fosse o TCM, talvez eu não me lembrasse do desejo de ver este filme. E, se não fosse “O Dragão Relutante”, eu talvez não estaria pensando em como eu amo os clássicos Disney.

Disney Studios maybe weren’t the mrvelous place the film tries to show (the song that accompanies Robert’s entrance at the studios is “Whistle While You Work”), but without a doubt it’s the place where dreams are mde. If it wasn’t for TCM, maybe I wouldn’t remember my childish desire to wacth this film. And, if it wasn’t for “The Reluctant Dragon”, maybe I wouldn’t be thinking about how much I love Disney classics.  

This is my contribution to the TCM Discoveries Blogathon, hosted by the knowledgeable Nora at her blog The Nitrate Diva. #LetsMovie

Sunday, May 31, 2015

Estudando cinema (escandinavo) sem sair de casa

Eu uso qualquer desculpa para ver mais filmes. Se for possível ver muitos filmes, aprender um bocado e ainda conseguir um certificado (com honras!!!) de uma universidade internacional, pode ter certeza de que eu aproveitarei a chance. E de fato fiz isso, através do curso Scandinavian Film & TV, oferecido pela Universidade de Copenhagen no portal Coursera. E eu não poderia ter ficado mais feliz com o resultado.

Logo no começo pude aprender mais sobre meu período favorito: o cinema mudo dos países escandinavos (Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca). Os primeiros filmes foram apresentados nestes países em 1896 e o cinema mudo dinamarquês e sueco tinham grande destaque na década de 1910... até a UFA, produtora e distribuidora alemã, monopolizar o mercado europeu.
Os grandes mestres escandinavos mereciam um tópico só deles, e por isso estudamos Carl Theodor Dreyer (cujo nome aprendi a pronunciar com um sotaque autêntico) e Ingmar Bergman separadamente. Na vez de Dreyer, pude me encantar com seu primeiro longa-metragem, o fantástico “O Presidente” de 1919. Bergman e eu somos velhos conhecidos! Tanto Dreyer quanto Bergman filmavam as chamadas “chamber plays”: histórias que se passavam em cenários restritos (muitas vezes até desérticos) e com poucos personagens. É o drama psicológico à moda sueca.
Você tem medo de filmes antigos? Quer saber mais sobre Lars Von Trier e sua “Ninfomaníaca”? Não se preocupe: boa parte do curso é dedicada à nova onda de bons filmes dinamarqueses, incluindo ganhadores do Oscar, mulheres diretoras e o homem que hoje é Hannibal Lecter na TV. Há também tópicos como a “New Wave escandinava” e o polêmico e curioso Dogma 95 (manual de regras para ser levado a sério ou apenas uma jogada de marketing para atrair atenção para o cinema escandinavo?).
Algo muito interessante e curioso neste curso é que cada tópico tem um professor diferente (quando eu fiz o curso, em 2014, eram 10 temas em 10 semanas. Em 2015 o curso foi oferecido novamente com os mesmos 10 temas, mas condensados em cinco semanas). É como assistir semanalmente a pequenas lições com palestrantes distintos. Essa foi a primeira e única vez que isso aconteceu em um curso online que eu fiz até agora.
O curso acabou e eu consegui um certificado (com honras!!!) e ainda aumentei minha lista de filmes que quero ver (Asta Nielsen dos anos 1910, você é a próxima). Para conseguir o certificado, foi necessário fazer alguns teste fáceis de múltipla escolha e dois textos, um sobre o filme “A Palavra / Ordet”, de Dreyer, e outro sobre as causas do recente sucesso de séries de TV escandinavas em outros países.
Claro que nem todo mundo queria receber um certificado. É também possível se matricular e ver as lições apenas de um tema que mais lhe interesse.  E é esse caráter democrático que mais me fascina nos cursos online de cinema.

Por falar nisso, em 1º de junho começa o cursoInto the Darkness: Investigating Film Noir”. O canal TCM apoia o curso e, além de mim, dezenas de amigos meus da internet vão fazer o curso. E aí, nos encontramos na sala de aula?

Thursday, November 24, 2011

Navegando com as estrelas clássicas

Baseado em um post da Lorena do blog Burburinho de Outrora sobre o TCM Classic Film Festival

O canal TCM americano está organizando um evento que promete ser o plano de férias perfeitas para qualquer cinéfilo: um cruzeiro com o tema cinema clássico! De 8 a 12 de dezembro, partindo de Miami e chegando a Cozumel (México), o cruzeiro será uma experiência inesquecível que contará com a exibição de diversos clássicos e a ilustre presença de apresentadores do TCM americano e alguns atores remanescentes da velha Hollywood.
Ernest Borgnine
Entre os filmes exibidos, os destaques ficam por conta de “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935), dos irmãos Marx, com uma sequência antológica e muito divertida envolvendo uma multidão espremida em uma cabine de navio; “Tarde Demais para Esquecer / An Affair to Remember” (1957), um romance com Cary Grant e Deborah Kerr, que será exibido à beira da piscina. Outras atrações são “Key Largo” (1948), com o casal Humphrey Bogart e Lauren Bacall, exibido durante a passagem do navio pela cidade homônima na Flórida, e “Speedy” (1928), filme mudo estrelado por Harold Lloyd com acompanhamento musical da (banda de três músicos) Alloy Orchestra. Um luxo!
Será que vai ser assim?
 Os anfitriões do canal TCM, Robert Osborne e Ben Mankiewicz, serão responsáveis pelo comentário antes das atrações e servirão como mediadores para esperadas conversas. Entre os convidados mais que especiais estão as duas loiras geladas hitchcockianas sobreviventes, Tippi Hedren (estrela de “Marnie” e “Os Pássaros”, este a ser exibido no evento) e Eva Marie Saint (protagonista de “Intriga Internacional”), que falarão sobre suas memórias de trabalho com Hitchcock, além do simpático nonagenário Ernest Borgnine, convidado para um bate-papo.    
Eva Marie Saint
Outras atrações bem divertidas incluem a exibição de “Casablanca” (1942) em uma noite temática de gala e um baile elegante como mostrado no filme “Ritmo Louco / Swing Time” (1936). Além, é claro, de todas as mordomias possíveis em um luxuoso navio. É muita coisa para se fazer em apenas quatro dias!
Milhões de fãs ficaram animados com a notícia do evento. Em poucas semanas todos os lugares esgotaram e muita gente ficou a ver navios. A lista de espera já é enorme e certamente esta incrível viagem aparecerá na lista de desejos de inúmeros cinéfilos mundo afora. Todo mundo que adora filme não perderia essa oportunidade. Você perderia?

Sunday, December 5, 2010

50 filmes que você deveria ver antes de morrer no TCM

Finalmente, o grande mês de dezembro chegou! E não é só por causa das tão esperadas férias escolares que eu agurado ansiosamente pelo mês do Natal. Já é tradição no TCM a exibição de 50 filmes essenciais para todo cinéfilo. Olha só o que está no site:

Aclamados pela crítica internacional ou adorados com fervor pelo público; merecedores de um lugar privilegiado nos livros especializados ou no coração da audiência; clássicos indiscutíveis ou símbolos de uma geração; guardados com carinho na memória dos cinéfilos ou vencedores de diversos Oscars… todos marcos inquestionáveis do cinema e, muitos, parte de nossas vidas. Filmes que, se você não viu, deveria ver e, se já viu, deveria ver de novo. Em dezembro, no TCM, uma nova edição do especial 50 FILMES QUE VOCÊ DEVERIA VER ANTES DE MORRER.

De clássicos que são sinônimos da era dourada de Hollywood, como Capitão Blood, passando por épicos majestosos, como A Conquista do Oeste e Doutor Jivago, a filmes que transformaram a tradição clássica e deixaram suas marcas no caminho em direção ao futuro, como a crítica pulsante a Hollywood Nasce uma Estrela e o anticonvencional western de Nicholas Ray Johnny Guitar. Do nascimento de um gênero, com Inimigo Público, à sua perversão total com Scarface Brian De Palma. Dos maiores expoentes da comédia sofisticada, como Ernst Lubitsch e George Cukor, às estripulias de Abbott & Costello. E, é claro, não poderia faltar o fenômeno que é a própria definição deste especial, um desses filmes que parece inconcebível não ter visto: Star Wars.
Mas, como sabemos, a criação de qualquer seleção é precedida por acaloradas discussões e decisões salomônicas. E, este ano, você também terá o prazer de nos ajudar nesta tão delicada, mas gratificante, missão. No tcmla.com, você encontra as enquetes das quais resultarão quatro dos títulos que integrarão esta edição. Participe do debate, dê sua opinião e faça sua escolha... Nesta edição, você é nosso programador convidado.

Veja a lista neste endereço:

Que emoção! Já vi sete filmes da lista! Vou tentar completar mais alguns!
Beijos!
Lê ^_^

Saturday, November 27, 2010

50 anos sem Clark Gable

Há meio século, mulheres de todo o mundo choravam a perda de um ídolo e, muitas vezes, um amor secreto: Clark Gable. Aos 59 anos, duas semanas após concluir o filme " Os Desajustados", Gable sofreu um ataque cardíaco fulminante. Teve uma vida intensa, 90 filmes, 1 Oscar, cinco casamentos, dois filhos ( a menina, jamais assumiu, o menino, sequer conheceu). Em homenagem a esse ícone, vejam o que encontramos muito bem escrito no site do TCM:

" Dentes proeminentes e orelhas salientes são, paradoxalmente, duas das características mais marcantes de um dos galãs máximos das telas. Clark Gable, protótipo do homem hollywoodiano, não ostentava uma beleza tradicional, mas seu grande truque consistiu em exalar uma sexualidade ameaçadora e em demonstrar uma atitude de desdém resumida naquela frase que todo homem alguma vez sonhou em proferir com o mesmo ar blasé de Gable: “Frankly, my dear, I don't give a damn”. Gable demonstrava uma segurança excepcional na frente das câmeras ante felinas como Jean Harlow, Ava Gardner, Vivien Leigh e Claudette Colbert.
Sua carreira, desde o purgatório da classe B até o superestrelato, acabou de maneira triste. Já desvinculado da MGM e após alguns anos erráticos em produções menores, ele protagonizou um dos filmes mais simbólicos do ocaso da era dourada de Hollywood, em cujo Olimpo Gable ocupava um lugar de destaque. Em Os Desajustados, também o último filme de Marilyn Monroe, John Huston nos mostra sem floreios os deuses em declínio.
A 50 anos de sua morte, quando seu corpo se rendeu ante as exigências que o estrelado lhe havia imposto, prestamos uma homenagem ao proclamado “Rei de Hollywood” com oito de seus mais lembrados papéis, em filmes igualmente inesquecíveis, como E o Vento Levou (1939), o Grande Motim (1935), San Francisco (1936) e Os Desajustados (1961), entre outros; e a exibição especial do documentário Clark Gable: Tall, Dark and Handsome (1996). "


Beijos!
Lê ^_^

Sunday, October 10, 2010

Orson Welles – “O” diretor

Welles é meu diretor preferido. Ele me conquistou desde A Dama de Xangai, maravilhoso filme noir com Rita Hayworth. Neste mês, o TCM exibe semanalmente filmes do consagrado diretor. E, mais uma vez, traz um belo texto sobre esse mestre da sétima arte:





A obra de Orson Welles é uma curiosa fusão com sua vida, e as duas respondem à definição que Jorge Luis Borges deu de Cidadão Kane (1941): um labirinto sem centro. O enigma do surgimento e queda dos “homens maiores que a vida” foi a constante de sua obra, um enigma que, na tela, representou com torturado barroquismo. E essas tramas labirínticas refletem sua vida: garoto prodígio, órfão vagando pela Irlanda e Marrocos, toureiro na Espanha, diretor de teatro de vanguarda e presença ubíqua nas mídias de massa norte-americanas aos 22 anos de idade.

Seu salto à fama mundial ocorreu com uma brincadeira um tanto sinistra: sua representação no rádio de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, foi tida como uma verdadeira transmissão de uma invasão extraterrestre e provocou um pânico massivo que culminou com alguns suicídios. Em vez de ser execrado, o jovem de 24 anos ganhou um contrato inédito: a RKO concordou em lhe dar liberdade para rodar um filme com um tema de sua escolha e com direito ao corte final, algo sonhado, mas impossível até para os mais louvados veteranos de Hollywood.
O que se seguiu foi a realização do filme considerado, com justiça, o mais importante da história do cinema: Cidadão Kane. E, depois, a queda, ou suposta queda. Sua carreira continuou com a ambiciosa adaptação de uma história praticamente autobiográfica, uma alegoria de sua infância consentida e torturada: Soberba (1942), mutilada de maneira selvagem pelo estúdio.
A partir daí, começou a ser construído o mito do gênio maldito, o de um diretor talentoso demais para Hollywood. E ele voltou a vagar pelo mundo em busca de financiamento - dizia-se que Welles gostava mais de seduzir produtores para financiar seus projetos do que de executá-los.
Somada a isso, sua incapacidade patológica de finalizar seus projetos faz com que, quando observamos sua escassa, ainda que gigantesca obra, nos deparemos com uma misteriosa paisagem de ruínas imponentes. Por outro lado, sua paixão o manteve filmando seu grande sonho de décadas, uma versão de Don Quixote, por trinta anos.
No TCM, fazemos uma homenagem à baleia branca do cinema, o prodigioso Orson Welles com seus clássicos como diretor, Cidadão Kane e A Dama de Shanghai (1947), e suas participações como ator em Jane Eyre (1943) e Jornada do Pavor (1943), nos quais também é fácil discernir a mão por trás das câmeras do onívoro diretor.


Agora, uma curiosidade: os dez filmes favoritos de Welles:


1. City Lights (1931, Charles Chaplin) 

2. Greed (1924, Erich von Stroheim) 
3. Intolerance (1916, D.W. Griffith) 
4. Nanook of the North (1922, Robert J. Flaherty) 
5. Shoeshine (1946, Vittorio De Sica) 
6. Battleship Potemkin (1925, Sergei Eisenstein) 
7. The Baker's Wife (1938, Marcel Pagnol) 
8. Grand Illusion (1937, Jean Renoir) 
9. Stagecoach (1939, John Ford) 
10. Ninotchka (1939, Ernst Lubitsch)


Beijos!

Saturday, October 2, 2010

Os 15 filmes clássicos mais influentes, segundo o TCM


Para celebrar os 15 anos do TCM (Turner Classics Movies),em 2009 o canal apresentou uma lista com os 15 filmes clássicos mais influentes do cinema. A relação segue de acordo com a ordem cronológica e, segundo a emissora esclareceu, não se trata, necessariamente, dos títulos mais importantes, mas, sim, daqueles que moldaram o cinema e o público que os assistiram.

1. O Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith
2. O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei M. Eisenstein
3. Metrópolis (1927), Fritz Lang
4. Rua 42 (1933), de Lloyd Bacon
5. Aconteceu Naquela Noite (1934), de Frank Capra
6. Branca de Neve e os Sete Anões (1937), de David Hand
7. …E o Vento Levou (1939), de Victor Fleming
8. No Tempo das Diligências (1939), de John Ford
9. Cidadão Kane (1941), de Orson Welles
10. Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio De Sica
11. Rashomon (1950), de Akira Kurosawa
12. Rastros de Ódio (1956), de John Ford
13. Intriga Internacional (1959), de Alfred Hitchcock
14. Psicose (1960), de Alfred Hitchcock
15. Guerra nas Estrelas (1977), de George Lucas

Que vergonha! Só assisti a 5 filmes da lista! Como sou aficcionada por listas, taí mais uma para eu completar.

Beijos!

Saturday, May 8, 2010

E no mês com os melhores filmes...

Olá! Venho hoje meio triste comentar o especial de maio do TCM, Swing Time. Os melhores e mais famosos musicais de todos os tempos sendo exibidos, infelizmente, no meu horário de aula. Gosto muito de musicais pela beleza da música e da dança e pelo puro entretenimento: filmes feitos para nos distanciarmos do mundo real por um tempo e nos envolvermos pela simples história e pelos belos passos. Em suma, produções para serem vistas em um momento de lazer de que eu não disponho ultimamente.
E, de novo, o site do TCM traz uma introdução pontual e inspirada para o especial (estou virando fã do autor desses textos):



Adaptação natural do teatro às telas, o musical encontrou no cinema o cenário ideal para exibir todo o seu brilho, tão sinônimo de espetáculo quanto uma resplandecente marquise.

Em maio, o TCM se orgulha em apresentar o especial Swing Time, em que veremos astros fulgurantes como Fred Astaire, ao lado de sua inseparável loura Ginger Rogers; Frank Sinatra, visitando pela primeira vez sua amada Nova York vestido de marinheiro; Gene Kelly, em uma belíssima coreografia sob uma chuva torrencial; John Travolta, ostentando um topete engomado e jaqueta de couro acinturada, se exibindo com uma dança sedutora à Olivia Newton-John; uma camaleônica Julie Andrews impostando sua voz em um cabaré parisiense e fingindo ser um transformista… e veremos até o nascimento de uma verdadeira estrela como Judy Garland entoando doces melodias, desde a cidade de St. Louis até o final de um arco-íris musical.

Coreógrafos brilhantes e diretores audaciosos serão os refletores que iluminarão o céu na noite de estreia. O perfeccionista Busby Berkeley contribuirá com suas caleidoscópicas representações abarrotadas de extras; Gene Kelly – do outro lado da câmera desta vez – exibirá suas complexas e inovadoras coreografias, e Bob Fosse contribuirá com um pouco de transgressão e erotismo. Outra contribuição moderna e iconoclasta é a de Alan Parker, que fez a fama de um grupo de jovens que incendiou com sua espontaneidade e ímpeto o gênero e, em sua parceria com o Pink Floyd, quebrou o muro que separava o musical de temáticas obscuras. Assim como Andrew Lloyd Webber, que iluminou com ares de flower power a paixão de Jesus Cristo.
Fique de olho na tela porque o show vai começar!

Saturday, May 1, 2010

Cadê o filme que estava aqui?


Não se assustem, aqui no blog não tem nenhum filme desaparecido. Faço essa pergunta para o querido canal TCM, especializado em filmes clássicos, que vira e mexe exibe um filme bem diferente da programação prometida. Vamos citar os exemplos que eu mesma presenciei:
1- Outro dia, no especial Hitchcock, estava prometido o filme Suspeita, com Cary Grant e Joan Fontaine. Certo, até que ele começou a ser exibido, mas sem áudio, só um chiado insuportável. Entra a propaganda (comercial no meio de um filme no TCM é sinal de que deu xabu), mas logo aparece a vinheta do mesmo estúdio RKO. O que acontece é que começa Levada da Breca, de 1938, com o mesmo Cary Grant e Katharine Hepburn, uma comédia substituindo um suspense!! E o detalhe é que Levada da Breca era dublado, com vozes esquisitíssimas.

2- No mês de março, os reponsáveis pela programação estavam meio pirados. Primeiro, A Volta ao Mundo em 80 Dias começou 2 horas antes do previsto, no lugar de O Morro dos Ventos Uivantes (os dois filmes com David Niven). Nos dois sábados seguintes, O Maior Espetáculo da Terra foi exibido duas vezes, no mesmo horário.
3- Numa tarde, estava prometido Dançando nas Nuvens, com Gene Kelly (bem, se há dança só pode ser Gene Kelly – ou Fred Astaire), mas nem chegou a começar: a atração exibida foi O Mágico de Oz (preciso citar o elenco?). Ok, trocou-se um musical por outro. Mas o pior ainda está por vir...
4- Em uma noite, havia a indicação da exibição de Nasce uma Estrela (não sei se é a versão com Judy Garland ou com Barbra Streisand, mas tenho certeza de que não era a original, com Janet Gaynor). E qual não foi minha surpresa quando vi que estava sendo exibido O Poderoso Chefão, de 1972? Quem troca um drama musical por um drama gângster? Só o TCM mesmo.
Enfim, erros como esses são até compreensíveis. Lembro-me agora apenas destes, mas se houve mais, devemos torcer para que sejam cada vez menos freqüentes, porque esse é um sinal de que há um problema com a qualidade dos arquivos que poderiam ser exibidos para um público fiel, como nós.
Beijos e até logo!
Lê ^_^

Thursday, April 1, 2010

TCM, sobre Greta Garbo

Olá! Nós, cinéfilos de plantão, sabemos que no dia 15 desse mês de abril faz vinte anos que o mundo perdeu Greta Garbo, um dos mais belos rostos do cinema. Nesse dia, o canal especializado em cinema clássico TCM vai prestar uma homenagem exibindo 5 de seus filmes (meu Deus, eu tenho que parar minha vida por um dia e ver esse especial!!). O que mais me chamou atenção foi esse texto no site do TCM, sobre o especial, que, ao que parece, foi escrito por um poeta ou um grande admirador:





Dona de um rosto perfeito e gélido – e, às vezes, capaz de transmitir emoções intensas -, artífice de uma vida coberta por um véu de mistério e de uma reclusão precoce e impenetrável, ela se fez um dos mitos mais emblemáticos da história do cinema: Greta Garbo, “a mulher que não ri”.

Nascida em 1905, Greta Lovisa Gustafsson começou sua carreira de atriz no cinema mudo, aos 15 anos de idade, em sua Suécia natal. Sua beleza irretocável e sua expressividade na tela deslumbraram o soberano da MGM, Louis B. Mayer, que a levou a Hollywood com um contrato exclusivo. A chegada do cinema sonoro, longe de prejudicá-la, a estabeleceu definitivamente, quando se escutou sua voz pela primeira vez com um carregado sotaque sueco, no filme Anna Christie(1931). Tanto seus seguidos sucessos nas telas quanto os rumores de sua ambiguidade sexual e o hermetismo de sua vida privada começaram a transformá-la em uma lenda. Surpreendentemente, no topo de sua popularidade e com apenas 36 anos, ela encerrou abruptamente sua louvada carreira e iniciou seu afastamento da vida pública, desatando uma feroz perseguição por parte da imprensa, a qual ela respondia com uma distância ainda maior.

Rodeada pelo mesmo mistério que inspirou toda a sua vida, em 15 de abril de 1990, Garbo deu seu último passo em direção à imortalidade. A 20 anos desse dia, o TCM presta uma homenagem à estrela com cinco de seus filmes mais celebrados - Mata Hari (1931), Rainha Cristina (1933), O Véu Pintado (1934), A Dama das Camélias (1936) e sua surpreendente incursão pela comédia, Ninotchka (1939), para que, como uma homenagem, possamos esboçar um respeitoso e tímido sorriso recordando a mulher que decidiu, talvez, rir sozinha.



Lindo e à altura desse grande talento da sétima arte, não?
Beijos!
Lê ^_^
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...