} Crítica Retrô: Busby Berkeley

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Wednesday, May 18, 2022

A Conquista da Beleza (1934) / Search for Beauty (1934)

 

O verão sempre foi sinônimo de beleza e também de saúde. Muitas pessoas começam a malhar na primavera em busca de um “corpo de verão” ideal. Quando pensamos no verão, pensamos em belos corpos na praia, e também corpos sadios, hidratados, bronzeados. A beleza sempre foi mostrada no cinema, mas nunca tão livremente quanto na era pre-Code. E existe um filme pre-Code que mistura beleza e saúde: “A Conquista da Beleza”, de 1934.

Summer has always been synonyms of beauty and also with health. Many people start working out during the spring in order to have an ideal “summer body”. When we think about summer, we think about beautiful bodies on the beach, and also healthy, hydrated, sunbathed bodies. Beauty has always been displayed on cinema, but never so freely than in the pre-Code era. And there is a pre-Code film that brings together beauty and health: “Search for Beauty”, from 1934.  

Larry Williams (Robert Armstrong) e Jean Strange (Gertrude Michael) são um casal de vigaristas que, junto a Dan Healy (James Gleason), criam o mais estranho esquema para enriquecer já visto: eles compram uma revista sobre esportes e contratam como editores dois atletas olímpicos, Don Jackson (Buster Crabbe) e Barbara Hilton (Ida Lupino). Os cabeças dessa ideia enchem a revista de conteúdo de gosto duvidoso - porque sexo vende, diz Larry - e esperam que a revista seja comprada pela população, mais interessada em esportes por causa das Olimpíadas de 1932, sediadas em Los Angeles.

Larry Williams (Robert Armstrong) and Jean Strange (Gertrude Michael) are a couple of con artists who, teamed with Dan Healy (James Gleason), come up with the weirdest get-rich-quickly scheme ever: they buy a sports magazine and hire as editors two Olympic athletes, Don Jackson (Buster Crabbe) and Barbara Hilton (Ida Lupino). The minds behind the idea fill the magazine with salacious content – because sex sells, Larry says – and wait for the magazines to be bought by the people, who are more interested in sports because of the 1932 Olympics, held in Los Angeles.

Don Jackson percebe que Lerry está tentando montar uma “garota perfeita” editando várias fotos de garotas diferentes, literalmente construindo um Frankenstein com uma característica bela de cada uma. Don então sugere que eles façam algo diferente: por que eles não promovem um concurso para encontrar as pessoas mais belas e saudáveis do mundo?

Don Jackson sees that Larry is trying to build a “perfect girl” by editing several photos of different girls, literally building a Frankenstein with a beautiful piece from each girl. Don than suggests they do something else: why don’t they promote a contest to find the most beautiful, healthiest people in the planet?

Barbara começa a desaprovar as “histórias da vida real” que Larry vem publicando. Por causa disso, ela e Don decidem dar o controle criativo da revista para Larry, desde que em troca ele dê a eles os “Health Acres”, uma imensa fazenda que veio junto com a compra da revista. Lá, eles pretendem criar a Meca da saúde, com todos os ganhadores do concurso de beleza como educadores físicos. Jean também se separa de Larry e cai com Don e Barbara para a fazenda, despertando o ciúme de Barbara.

Barbara starts to dislike the “real-life stories” that Larry has been publishing. Because of this, she and Don decide to give Larry creative control of the magazine, as long as he gives them the “Health Acres”, a huge farm that came in with the purchase of the magazine. There, they intend to create a Meca for health, with all the winners of the beauty contest as health instructors. Jean also splits with Larry and follows Don and Barbara to the farm, making Barbara jealous.

Quando as pessoas bonitas chegam ao Health Acres, há uma adorável e inesperada sequência inspirada em Busby Berkeley para promover o exercício físico como forma de ser saudável. Entretanto, os hóspedes do local estão mais interessados em festejar do que em suar a camisa.

When the beautiful people reach Health Acres, there is a lovely, unexpected Busby Berkeley-inspired sequence to promote exercise as the way to stay healthy. However, the guests at Health Acres are more interested in partying than in sweating.

“A Conquista da Beleza” estreou em 1934, por isso pode ser chamado de pre-Code tardio, mas é muito pre-Code. Os atletas são filmados de costas, nus no chuveiro, e no começo do filme Jean usa um binóculo para dar uma olhada nas pernas e partes íntimas de Don. Larry diz que “não há nada de errado com o sexo, desde que ele leve a... aquilo que ele leva” - uma frase impensável de ser pronunciada sob o Código Hays. Há mulheres dançando com pouca roupa... e o filme acaba com o close de uma bunda.

“Search for Beauty” was released in 1934, so it’s a late pre-Code, but it is the most pre-Code a film could be. The athletes are shot from their backs, naked in the shower, and early in the film Jean uses a binocular to take a look at Don’s legs and private parts. Larry says “there’s nothing wrong with sex, as long as it leads to... what it leads to” – an unthinkable line to be used under the Hays Code. There are women dancing in tiny clothes… and the film ends with the close-up of a butt.

Ida Lupino tinha apenas 16 anos quando “A Conquista da Beleza” estreou. Este foi seu primeiro papel em Hollywood - ela já havia participado de sete filmes na sua Inglaterra natal - e é curioso vê-la tão jovem e tão loira. Lupino não ficou feliz em fazer “A Conquista da Beleza”, pois ela estava interessada em papéis mais dramáticos. Outra loira pre-Code que aparece no filme é Toby Wing, interpretando Sally, prima de Barbara e secretária faz-tudo na revista de esportes.

Ida Lupino was only 16 when “Search for Beauty” premiered. This was her first Hollywood role – she had already appeared in seven movies in her native England – and it’s curious to see her so young and so blonde. Lupino was not happy about making “Search for Beauty”, as she was interested in more dramatic roles. Another pre-Code blonde who appears in the film is Toby Wing, playing Sally, Barbara’s cousin and the do-it-all secretary at the sports magazine.

Em geral pensamos em Johnny Weissmuller quando falamos sobre atletas que se tornaram atores, mas Buster Crabbe também foi campeão olímpico de natação antes de ir para Hollywood. Na verdade, Buster Crabbe também interpretou Tarzan, uma só vez: no seriado de 1933 “Tarzan, o Destemido”. Ele também interpretou Flash Gordon e Buck Rogers, e era inclusive amigo próximo de Weissmuller.

We often think about Johnny Weissmuller when we talk about athletes who became actors, but Buster Crabbe was also an Olympic swimming champion before going to Hollywood. In fact, Buster Crabbe also played Tarzan, yet only once: in the 1933 serial “Tarzan the Fearless”. He also played Flash Gordon and Buck Rogers, and was actually good friends with Weissmuller. 

No começo do filme, uma cartela de texto nos informa que o filme apresenta os 30 ganhadores do Concurso de Beleza Internacional - um concurso “internacional” que contou com a participação apenas de Inglaterra, Escócia, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Canadá e EUA. Antes da sequência de balé, Don esclarece que as pessoas belas foram escolhidas apenas entre os EUA e o Império Britânico - mas não há pessoas negras, pessoas de ascendência asiática ou indígenas entre as mais belas. Claro que deve ter sido divertido para os vencedores do concurso se verem nas telas, mas atualmente, com a busca por mais diversidade no cinema, o filme é um pouco decepcionante. Uma curiosidade que vale a pena mencionar é que uma das vencedoras, que pode ser vista baixo, é ninguém menos que a futura estrela Ann Sheridan.

In the beginning of the film, a title card says that the film presented the 30 winners in the International Beauty Contest – an “international” contest held only with people from England, Scotland, Ireland, Australia, New Zealand, South Africa, Canada and the US. Before the ballet sequence, Don clarifies that the beautiful people were chosen from the US and the British Empire – but there are no black people, no people of Asian descent nor Native Americans among the most beautiful. Of course it must have been fun for the contest winners to see themselves on the screen, but right now, when we ask for more diversity on screen, the film is a bit disappointing. One curiosity worth mentioning is that one of the winners, seen below, is none other than future star Ann Sheridan. 

Na praia, o verão é a época em que belos corpos desfilam - isto é, corpos magros de roupas de banho. Comerciais de cerveja estão cheios de mulheres magras e homens fortes, vendendo a bebida e o sol. Felizmente, as coisas vêm mudando nos últimos anos, com um movimento para maior aceitação corporal: agora todos podem desfilar seus belos corpos durante o verão - porque todos os corpos são bonitos. E você: está pronto para o verão?

On the beach, summer is the time when beautiful bodies parade – that is, skinny bodies in bathing suits. Commercials for beers are full of skinny women and strong men, advertising the beverage and the sun. Luckily, things have changed in the past few years, with a movement for broader body acceptance: now everybody can parade their beautiful bodies during summer - because all bodies are beautiful. How about you: are you ready for summer? 

“A Conquista da Beleza” pode ser visto (sem legendas) no Internet Archive.

“Search for Beauty” can be seen at the Internet Archive.

This is my contribution to the Fun in the Sun blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

Sunday, January 28, 2018

Busby Berkeley em cores / Busby Berkeley in color

Os diretores podem adicionar sua marca registrada nos filmes que fazem. O mesmo acontece com atores, alguns roteiristas, cenógrafos e figurinistas. Mas pouquíssimos coreógrafos conseguiram adicionar uma marca registrada aos filmes em que trabalharam. Eu consigo pensar em apenas um que conseguiu fazer isso, e criar um estilo fácil de reconhecer: Busby Berkeley.

Directors can add their touch to the films they work in. The same happens to actors, some screenwriters, set designers and costume designers. But very few choreographers were able to add an indelible touch to the films they worked in. I can think about only one who was able to do that, and create a recognizable style: Busby Berkeley.
Sempre que pensamos em Busby Berkeley, pensamos em preto e branco. Seus filmes mais conhecidos foram feitos no começo dos anos 30, durante a era pre-Code, nos estúdios Warner Bros. Entretanto, ele também levou suas danças caleidoscópicas para filmes em cores, antes e depois do auge de sua carreira. E o efeito foi impressionante como de costume – e talvez até um pouco mais surpreendente.

Whenever we think about Busby Berkeley, we think in black and white. His most famous movies were made in the early 1930s, during the pre-Code era, at the Warner Bros Studios. However, he also worked, with his kaleidoscopic routines, in color films before and after his heyday. And the effect was as impressive as always – if not more.
O primeiro filme em que Busby Berkeley trabalhou foi “Whoopee!”, de 1930, produzido pelo próprio Florez Ziegfeld e Samuel Goldwyn. As estrelas são Eddie Cantor, Paul Gregory e Eleanor Hunt. A maioria do elenco e equipe veio da montagem da peça na Broadway – os direitos da peça foram vendidos por Ziegfeld para Goldwyn logo após a quebra da bolsa de valores de 1929.

Busby Berkeley’s first film was 1930’s “Whoopee!”, a film produced by Florenz Ziegfeld – the man himself – and Samuel Goldwyn. It stars Eddie Cantor, Paul Gregory and Eleanor Hunt. Most of the cast and crew came from the Broadway production of the play, whose rights were sold from Ziegfeld to Goldwyn after the 1929 stock market crash.
Em “Whoopee!” lemos os créditos ‘danças e coro coreografados por Busby Berkeley’. Temos de esperar apenas três minutos para uma sequência de canto e dança, e aí já nos encontramos em território familiar: é o mesmo Busby Berkeley que conhecemos e amamos, com as formas geométricas criadas pelos dançarinos e capturadas por uma câmera suspensa. A única diferença é que a sequência é em cores – em two-strip Technicolor.

In “Whoopee!” we read the credits ‘dances and ensembles staged by Busby Berkeley’. We have to wait only three minutes to have a song and dance sequence, and we find ourselves in familiar territory: it’s the same Busby Berkeley style we know and love, with geometric shapes created by the dancers and captured by the camera from above. The only difference is that it’s in color – two-strip Technicolor.
Este primeiro número de dança é o que mais se aproxima do trabalho posterior de Berkeley – os outros números são muito tímidos e contidos. Perto do fim temos também uma pequena formação em caleidoscópio com índias. E estes são os destaques de um filme muito divertido que tem alguns momentos vergonhosos para manchar sua reputação – uma palavra: blackface.

This first dance sequence is the closest we have from Berkeley’s later work – other ensemble numbers in the film look too timid in comparison. Near the end we also have a small kaleidoscopic formation with Indian girls. These are the highlights of a funny and enjoyable film that has a few shameful moments to stain its reputation – one word: blackface.
Eu adoro o Technicolor primitivo (chamado também de two-strip Technicolor). Como as cores principais neste processo são vermelho e verde, o resultado final é um filme predominantemente bege e cheio de detalhes rosados – destaque para as bochechas e as roupas das dançarinas. O efeito não é psicodélico, mas sim delicado – e não podemos nos esquecer de que a cópia de “Whoopee!” que temos hoje já se desgastou e tem uma aparência diferente da que tinha em 1930, quando o filme foi um sucesso de bilheteria.

I love two-strip Technicolor – probably more than I should. Because red and green were the main colors recorded in the process, the final result was a beige-ish film full of rosy details – like the chorus girls’ cheeks and clothes. The effect is not psychedelic, but delicate – and we shall not forget that the copy of “Whoopee!” we have today has faded in comparison to what it looked like in 1930, when “Whoopee!” was a box-office hit.
Busby Berkeley trabalharia novamente em um filme a cores apenas nos anos 40. Ele havia sido ‘emprestado’ para a 20th Century Fox para criar alguns números de dança hipnóticos para “Entre a Loura e a Morena” (1943). Além de criar estes efeitos incríveis com luzes coloridas, Busby teve seu momento mais ousado e psicodélico com o número ‘The Lady in the Tutti Frutti Hat’. Frutas gigantes foram parte da coreografia e a extravagante Carmen Miranda se mostrou a peça perfeita para ficar no centro do caleidoscópio de Busby Berkeley.

Busby Berkeley would only work in color films again in the 1940s. He was working as a loan to 20th Century Fox when he developed some hypnotic dance numbers for “The Gang’s All Here” (1943). Besides creating some amazing effects with colorful lights, Busby had his most daring and psychedelic moment in the number ‘The Lady in the Tutti Frutti Hat’. Giant fruits were part of the choreography and extravagant Carmen Miranda showed she was a perfect piece to be in the center of Berkeley’s kaleidoscope.
De volta à MGM, Busby Berkeley trabalhou em “Romance em Alto Mar” (1948) e “A Bela Ditadora” (1949). Ambos os filmes têm números de dança com uma profusão de cores, mas nada que se compare ao trabalho pregresso de Berkeley. Há sequências charmosas e com boa coreografia, mas está faltando o toque de Berkeley.

Back at MGM, Busby Berkeley worked at “Romance on the high Seas” (1948) and “Take Me Out to the Ballgame” (1949). Both are films with colorful dance sequences, but nowhere as bold as Berkeley used to do. There are charming, well-choreographed sequences, but not the Berkeley touch.
Berkeley teve mais uma chance de mostrar seu talento para criar coreografias geométricas – e fez isso dentro d’água: o filme foi “A Rainha do Mar” (1952). Este é um aqua-musical e também a cinebiografia da nadadora e estrela de cinema Annette Kellermann. A estrela do filme é Esther Williams, e os números criados por Berkeley são de tirar o fôlego. Somos capazes de reconhecer o estilo dele quando centenas de homens e mulheres que mergulham, nadam e criam formas geométricas em piscinas enormes. Berkeley e Esther Williams trabalharam juntos novamente no ano seguinte em “Fácil de Amar”.

Berkeley had one more chance to showcase his talent for creating geometric choreographies – and he did it at the water: the film was “Million Dollar Mermaid” (1952). It is an acqua-musical and also the biopic of swimmer and film star Annette Kellermann. The star of the movie is Esther Williams, and the numbers staged by Berkeley are just breathtaking. You can recognize his style as hundreds of girls and men dive, swim and create geometric shapes in huge pools. Berkeley and Esther Williams worked together again the following year in “Easy to Love”. 
O último filme de Busby Berkeley foi “A Mais Querida do Mundo” (1962). Ele faleceu 14 anos depois, aos 80 anos. Embora seus trabalhos mais conhecidos possam ser vistos apenas em preto e branco, ele felizmente trabalhou também em filmes em cores, e teve a chance de fazer seu talento brilhar em Technicolor. Estes filmes em cores são o que temos de mais próximo do trabalho de Busby Berkeley nos palcos da Broadway, e devemos agradecer pela oportunidade de ter Berkeley imortalizado em película também em cores.

Busby Berkeley’s last film was “Billy Rose’s Jumbo” (1962). He died 14 years later, in 1976, when he was 80. Although his most famous work can only be seen in black and white, he luckily also worked in color films, and was able to make his talent shine in Technicolor. These colorful films are the closest we’ll have from Busby Berkeley’s work on the Broadway stage, and we must be thankful for the opportunity to have Berkeley immortalized on celluloid also in color. 

This is my contribution to the Busby Berkeley blogathon, hosted by Hometowns to Hollywood.

Thursday, March 28, 2013

Modas de 1934 / Fashions of 1934

A relação do cinema com a moda começou na década de 1920, quando pela primeira vez as moças da plateia se inspiraram nas atrizes para criarem sua forma de vestir. Desde então, foi sempre o cinema que inspirou a moda de diversas maneiras. Ou quase sempre. Numa situação inédita, em 1934, um filme retratou o mundo da moda e, apesar de não estar entre os mais memoráveis filmes da época, ainda impressiona pela modernidade do tema.

The relationship between cinema and fashion began in the 1920s, when, for the first time, young women in movie audiences looked to actresses for inspiration in the way they dressed. From then on, cinema became one of fashion’s greatest sources of inspiration in countless ways. Or almost always. In an unprecedented twist, a 1934 film turned its attention to the world of fashion itself and, although it is not among the most memorable films of its era, it remains striking for the modernity of its subject matter.


Sherwood Nash (William Powell) é um empresário falido que decide entrar no mundo da moda associando-se à estilista Lynn Mason (Bette Davis). As técnicas de Nash não são muito honestas, e incluem copiar modelos franceses ou mesmo velhas roupas que já não são mais usadas. Logo ele fica sabendo que essas práticas são comuns no mundo da moda e muitos dos empresários que o haviam acusado de falsificação acabam virando seus clientes.

Sherwood Nash (William Powell) is a bankrupt businessman who decides to enter the fashion industry by partnering with designer Lynn Mason (Bette Davis). Nash’s methods are far from ethical and include copying French designs or even reproducing old garments that have long gone out of style. Before long, he discovers that such practices are commonplace in the fashion world, and many of the businessmen who initially accused him of counterfeiting eventually become his clients.


Assuntos como falsificação, cópia de modelos e lançamento de tendências com materiais diferentes são assuntos fashion até hoje. Se antes as falsificações eram abomináveis, dependendo do lugar, muitas são aceitáveis por tornarem acessíveis produtos com design semelhante aos que são mostrados na passarela. Outras adaptações semelhantes trazem tendências para as mãos do povo, que dificilmente poderia comprar um original de grife. Claro, isso ainda não era pensado ou discutido na década de 1930, mas a personagem de Bette Davis já tem a semente dessa ideia em seu travesso cérebro.

Issues such as counterfeiting, copying designs, and introducing trends using different materials remain highly relevant in fashion today. While counterfeits were once universally condemned, in many contexts they are now considered acceptable because they make products with designs similar to those seen on the runway more accessible. Other adaptations likewise bring trends within reach of ordinary consumers, who would rarely be able to afford original designer pieces. Of course, these ideas were neither widely considered nor debated in the 1930s, but Bette Davis’s character already carries the seed of that concept in her mischievous mind.

Um pouco de chantagem também faz parte do show, pois Nash reconhece uma velha amiga de infância que se faz passar por duquesa (Verree Teasdale) e está de casamento marcado com um homem rico. Ameaçando contar o passado da amiga, Nash consegue que ela patrocine o desfile deles. Em Paris, onde se passa a maior parte da ação do filme, um criador de avestruzes incentiva Nash a comprar as penas de suas aves para usá-las nas confecções. Ele hesita, mas logo imagina que pode lançar algo completamente diferente. E você imaginava que inspirações da natureza no mundo da moda são coisa recente?

A bit of blackmail is also part of the show. Nash recognizes an old childhood friend who is posing as a duchess (Verree Teasdale) and is engaged to a wealthy man. By threatening to reveal her past, Nash persuades her to finance their fashion show. Set mostly in Paris, the film also introduces an ostrich breeder who encourages Nash to buy his birds’ feathers for use in the clothing designs. Nash hesitates at first, but soon realizes he can create something entirely different. Who would have imagined that fashion inspired by nature is anything but a recent trend?

Uma câmera na bengala: brilhante ideia!

O próprio lançamento da coleção de Nash e Lynn é um espetáculo à parte, o clímax do filme que, como uma boa produção da Warner em meados da década de 1930, contou com um número elaborado pelo sempre criativo Busby Berkeley, conhecido por suas sequências de dança filmadas do alto, criando formas geométricas na tela em preto e branco nos filmes “Rua 42” (1933), “Cavadoras de Ouro” (1933) e “Damas” (1934). Ao som da canção “Spin a little web of dreams”, o desfile apresenta as roupas brancas enfeitadas com penas através de um charmoso balé, com a formação de diversas flores e depois de um barco, todos esses efeitos conseguidos com a bela coreografia das modelos. Bem que os desfiles de moda atuais podiam se inspirar neste filme, não?  

The unveiling of Nash and Lynn’s collection is a spectacle in itself and serves as the film’s climax. Like many Warner Bros. productions of the mid-1930s, it features an elaborate musical number by the ever-creative Busby Berkeley, renowned for his overhead dance sequences that formed intricate geometric patterns on screen in black-and-white classics such as “42nd Street” (1933), “Gold Diggers of 1933” (1933), and “Dames” (1934). Accompanied by the song “Spin a Little Web of Dreams” the fashion show presents white garments adorned with feathers through a charming ballet, in which the models form flowers and later a boat, all achieved through beautifully choreographed movements. One can’t help but think that today’s fashion shows could still draw inspiration from this film.


Bette Davis, antes ainda do início de sua glória no cinema, tem pouco espaço no filme, que é quase todo do já veterano William Powell, responsável pelos momentos cômicos. Bette, aliás, ainda nem impõe a própria imagem, uma ez que, no primeiro desfile em Paris, ela aparece como um clone de Greta Garbo para Warner Brothers. No documentário biográfico “Bette Davis: um magnânimo vulcão”, de 1983, ela lembra como foi ridículo vestir-se de Garbo. Disposta a ficar feia para um bom papel, Bette só aceitou essa pitada falsa de glamour para convencer os executivos da Warner a deixarem-na fazer um filme na RKO: “Escravos do Desejo”, que foi seu primeiro passo para figurar entre as grandes intérpretes do cinema.

Bette Davis, still in the beginning of her legendary career, has relatively little screen time in the film, which belongs almost entirely to the already-established William Powell, who provides most of its comic moments. Davis had not yet fully established her own screen persona; in fact, during the first fashion show in Paris, she appears as little more than a Greta Garbo lookalike created by Warner Bros. In the 1983 documentary “Bette Davis: The Benevolent Volcano”, she recalled how ridiculous she felt dressed to resemble Garbo. Although she was perfectly willing to sacrifice glamour for the sake of a strong role, she accepted this artificial touch of elegance only to convince Warner executives to let her star in RKO’s “Of Human Bondage”, the film that marked her first major step toward becoming one of cinema’s greatest actresses.



Não um dos melhores filmes de seus intérpretes, mas um espetáculo adorável, que talvez pecasse pelo excesso se tivesse sido filmado em cores. Mais que isso, um pedaço de história do cinema que estava prestes a acabar: um dos últimos filmes a serem lançados antes do Código Hays de conduta, “Modas de 1934” apresenta trocadilhos, frases de duplo sentido e muitas moças com roupas diminutas.  Os figurinos foram feitos por Orry-Kelly, que, com quase 300 filmes no currículo, incluindo "Casablanca" e "Quanto mais quente melhor / Some like it hot", pelo qual ganhou o Oscar, hoje é pouco lembrado, embora seja parte importante do glamour e da magia de Hollywood.

Although not among the finest works of its stars, Fashions of 1934 is an utterly delightful spectacle—one that might even have seemed excessive had it been filmed in color. More importantly, it stands as a fascinating piece of film history from an era that was about to end. As one of the last films released before the enforcement of the Hays Code, “Fashions of 1934” is filled with witty innuendo, double entendres, and numerous scenes featuring women in revealing costumes. The costumes were designed by Orry-Kelly, whose career spanned nearly 300 films, including “Casablanca” and “Some Like It Hot”, the latter earning him an Academy Award. Today, despite his remarkable achievements, he is remembered far less than he deserves, even though he played an essential role in shaping the glamour and magic of Hollywood.


This is my contribution to the second Fashion in Film blogathon, hosted by Angela at The Hollywood Revue.

Saturday, May 8, 2010

E no mês com os melhores filmes...

Olá! Venho hoje meio triste comentar o especial de maio do TCM, Swing Time. Os melhores e mais famosos musicais de todos os tempos sendo exibidos, infelizmente, no meu horário de aula. Gosto muito de musicais pela beleza da música e da dança e pelo puro entretenimento: filmes feitos para nos distanciarmos do mundo real por um tempo e nos envolvermos pela simples história e pelos belos passos. Em suma, produções para serem vistas em um momento de lazer de que eu não disponho ultimamente.
E, de novo, o site do TCM traz uma introdução pontual e inspirada para o especial (estou virando fã do autor desses textos):



Adaptação natural do teatro às telas, o musical encontrou no cinema o cenário ideal para exibir todo o seu brilho, tão sinônimo de espetáculo quanto uma resplandecente marquise.

Em maio, o TCM se orgulha em apresentar o especial Swing Time, em que veremos astros fulgurantes como Fred Astaire, ao lado de sua inseparável loura Ginger Rogers; Frank Sinatra, visitando pela primeira vez sua amada Nova York vestido de marinheiro; Gene Kelly, em uma belíssima coreografia sob uma chuva torrencial; John Travolta, ostentando um topete engomado e jaqueta de couro acinturada, se exibindo com uma dança sedutora à Olivia Newton-John; uma camaleônica Julie Andrews impostando sua voz em um cabaré parisiense e fingindo ser um transformista… e veremos até o nascimento de uma verdadeira estrela como Judy Garland entoando doces melodias, desde a cidade de St. Louis até o final de um arco-íris musical.

Coreógrafos brilhantes e diretores audaciosos serão os refletores que iluminarão o céu na noite de estreia. O perfeccionista Busby Berkeley contribuirá com suas caleidoscópicas representações abarrotadas de extras; Gene Kelly – do outro lado da câmera desta vez – exibirá suas complexas e inovadoras coreografias, e Bob Fosse contribuirá com um pouco de transgressão e erotismo. Outra contribuição moderna e iconoclasta é a de Alan Parker, que fez a fama de um grupo de jovens que incendiou com sua espontaneidade e ímpeto o gênero e, em sua parceria com o Pink Floyd, quebrou o muro que separava o musical de temáticas obscuras. Assim como Andrew Lloyd Webber, que iluminou com ares de flower power a paixão de Jesus Cristo.
Fique de olho na tela porque o show vai começar!
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