} Crítica Retrô: Inocente Pecadora

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Saturday, August 24, 2019

Visões de Criança (1925) / Faces of Children (1925) / Visages D'Enfants (1925)


Esta é uma das mais velhas histórias do mundo: a do filho que sente ciúmes quando o pai viúvo decide se casar novamente. É mais do que ciúme: é o sentimento de que a memória da falecida mãe está sendo traída e esquecida. Uma história triste porém comum, e que se torna poética quando um cineasta francês decide fazer um filme sobre isso – afinal, os franceses fizeram alguns dos filmes mais tocantes e delicados.

It's one of the oldest stories in the world: the child that feels jealous when his father, a widower, decides to remarry. It's more than jealousy: it's the feeling that the dead mother's memory is being betrayed and forgotten. A sad yet common story that becomes poetic once a French filmmaker decides to make a film out of it – after all, French people have made some of the most touching and delicate films.


Pierre Amsler (Victor Vina) acaba de perder a esposa (Suzy Vernon). A morte da mãe afetou profundamente o filho mais velho, Jean (Jean Forest), enquanto a filha mais nova, Pierrette (Pierrette Hoyeuz), parece não entender o que aconteceu. Na primavera seguinte, Pierre decide se casar com Jeanne Dutois (Rachel Devirys), uma viúva que tem uma filha, Arlette (Arlette Peyran).

Pierre Amsler (Victor Vina) has just lost his wife (Suzy Vernon). The mother's death deeply affects their older son, Jean (Jean Forest), while their younger daughter, Pierrette (Pierrette Hoyeuz), seem to not understand what happened. The following spring, Pierre decides to marry Jeanne Dutois (Rachel Devirys), a widow who has a daughter, Arlette (Arlette Peyran).


Pierre pede Jeanne em casamento justamente num domingo, quando ele deveria visitar o túmulo de sua esposa. Apenas Jean visita o túmulo e leva flores, e este é o primeiro sinal de que Pierre pode já estar esquecendo e substituindo sua esposa. Incapaz de contar a novidade e Jean, Pierre pede ajuda ao Padre Porchet (Henri Duval). O Padre já havia ajudado Jean quando o menino teve um colapso nervoso logo após a morte da mãe.

Pierre proposes to Jeanne exactly on a Sunday, when he's supposed to visit his wife's tomb. Only Jean visits the tomb and brings flowers, and this is the first sign that Pierre may have already forgotten and replaced his wife. Unable to tell Jean the news, Pierre asks Father Porchet (Henri Duval) for help. The Father had helped Jean when the boy had a nervous breakdown right after his mother's death.


Jean passa algumas semanas com o Padre Porchet. Enquanto isso, Pierre e Jeanne se casam. Jean aceita a nova realidade com relutância, mas as coisas já começam mal quando Arlette não deixa Jean entrar na própria casa porque ela não sabia que ele estava voltando – e pior: ela está usando os lápis de cor dele!

Jean spends a few weeks with Father Porchet. Meanwhile, Pierre and Jeanne get married. Jean reluctantly accepts his new reality, but things are off to a bad start when Arlette doesn't let Jean enter his own house because she wasn't aware of his return – and worse: she is using his crayons!


A casa dele está mudada, sua rotina é diferente, e de repente Jean percebe que sua madrasta está usando as coisas da mãe dele. Na verdade, ele prefere destruir o velho vestido da mãe a ver Jeanne reutilizando o tecido. Mas Jeanne é uma boa madrasta: ela cuida de Jean e Pierrette e até proíbe Pierre de bater em Jean. É Arlette quem Jean mais odeia – por isso ele bola um plano para que ela leve uma bronca da mãe... mas ela acaba presa em uma avalanche.

His house is changed, his routine is different, and suddenly Jean realizes his stepmother is wearing his mother's things. In fact, he prefers to destroy his mother's old dress than to see Jeanne reusing its fabric. But Jeanne is a good stepmother: she cares for Jean and Pierrette and even prohibits Pierre to spank Jean. Arlette is the one Jean hates the most – so he makes up a plan to get in trouble with her mother... but she ends up trapped in an avalanche.


O jovem Jean Forest é simplesmente brilhante. Desde a primeira cena, em que ele parece realmente emocionado durante o funeral da mãe, é possível ver o quão talentoso o menino de 12 anos era. Infelizmente, Jean fez filmes de 1923 – quando foi descoberto pelo diretor Jacques Feyder – até 1935, quando ele decidiu focar em sua carreira no rádio.

Young Jean Forest is simply brilliant. Since the first scene, in which he seems truly moved during his mother's funeral, you can see how talented the 12 year-old boy was. Unfortunately, Jean Forest worked in film only from 1923 – when he was discovered by director Jacques Feyder – until 1935, when he decided to focus on radio work instead.


As duas garotas tiveram carreiras ainda mais curtas. A incrível Arlette Peyran não fez mais nenhum filme, e Pierrette Hoyeuz se aposentou das telas em 1926. Todos os atores mirins de “Visões de Criança” são ótimos, e sabemos que filmes sobre crianças podem facilmente se tornar chatos ou entediantes se as crianças não souberem atuar.

The two girls had even shorter careers. The amazing Arlette Peyran never did another film, while Pierrette Hoyeuz retired from the screen in 1926. All the child actors are remarkable in “Faces of Children”, and we know how films about children can easily become obnoxious or boring if the kids can't act.


Além de capturar belas imagens, o diretor Jacques Feyder editou “Visões de Criança” com maestria – quase como Eisenstein faria. A edição rápida em muitas cenas evoca muitas emoções na plateia e aumenta a carga dramática conforme vemos dois personagens convergindo para o mesmo ponto em um momento muito tenso.

Besides capturing gorgeous images, director Jacques Feyder edited “Faces of Children” like a pro – almost like Eisenstein would do. The quick cross-cutting in many scenes evokes many emotions in the audience and enhances drama as we see two characters converging to the same point in a very tense moment.


O filme adiciona muito melodrama e alguns efeitos especiais no clímax – uma sequência semelhante ao clímax de “Inocente Pecadora” (1920), mas melhor em alguns momentos. A paisagem natural – os Alpes – é de tirar o fôlego, e a maneira como ela é usada, quase como mais um personagem, é uma das marcas registradas de Feyder.

The film adds a lot of melodrama and some special effects in the climax – a sequence somewhat similar to the climax of “Way Down East” (1920), but better in some moments. The natural landscape – the Alps – is breathtaking, and the way it is used, almost as another character, is one of Feyder's trademarks.


Em 1923, Jacques Feyder escreveu um artigo para a revista austríaca “Der Internationale Film” dizendo que filmes de sucesso têm dois componentes: “uma história simples, um evento que fala com todas as inteligências, com todos os corações e a história deve ser situada em um cenário característico, ao mesmo tempo pitoresco e natural; em uma palavra ela deve criar, com o maior entendimento artístico, uma ‘atmosfera’”. Esta parágrafo não define apenas o cinema de Feyder, mas também “Visões de Criança”, sua obra-prima.

In 1923, Jacques Feyder wrote an article for the Austrian magazine “Der Internationale Film” saying that successful films had two components: “a simple story, an event that speaks to all intelligences, to all hearts and the story should be situated in a characteristic setting, at the same time picturesque and natural; in one word it should create, with the greatest artistic understanding, an 'atmosphere'”. This paragraph doesn't only define Feyder's cinema, but also “Faces of Children”, his masterpiece.

This is my contribution to the Vive la France! blogathon, hosted by Patty and Christian at Lady Eve’s Reel Life and Silver Screen Modes.

Saturday, January 23, 2016

Dupla dinâmica: Lillian Gish e D.W. Griffith

Alexander Graham Bell foi o pai da telefonia. Santos Dumont (e não os irmãos Wright!!!) foi o pai da aviação. Quem teria sido, então, o pai do cinema? Georges Méliès? O esquecido William Friese-Greene? Teria o cinema dois pais, os irmãos Lumière? Se perguntarmos para aquela que talvez seja a mãe do cinema, Lillian Gish, a resposta é uma só: D.W. Griffith inventou o cinema como o conhecemos, e a ele devemos grande adoração.

Lillian Gish estreou no cinema em um filme de Griffith, “An Unseen Enemy”, de 1912. Junto com ela estreou a irmã Dorothy Gish. Lillian e Dorothy entraram no mundo do cinema graças a uma amiga da época do teatro, que já fazia filmes desde 1909 e se chamava... Mary Pickford. Ainda em 1912 Lillian e Mary fariam um filme juntas, o singelo “The New York Hat”, em que Mary era a protagonista. Se em 1905, quando se conheceram, Lillian ficou com um papel na Broadway desejado por Mary, agora era Pickford quem dominava o novo meio cinematográfico... mas o cinema mostrou que, ao contrário do teatro, poderia ter duas rainhas.

Lillian  e Mary: BFF
Enquanto filmava “An Unseen Enemy”, Griffith confundia as irmãs Gish e, segundo Lillian, colocou fitas de cores diferentes nas roupas de cada uma para poder diferenciá-las. Nos anos seguintes, Lillian se mostrou mais adequada ao estilo super-dramático dos filmes de Griffith, e Dorothy se dividiu entre o drama e a comédia. Essa versatilidade de Dorothy para atuar bem em gêneros diferentes fazia ela ser considerada, na época, uma atriz mais completa que a irmã Lillian.

Dorothy, DW, Lillian
Ela estava na maioria dos filmes mais importantes da década de 1910. “O Nascimento de uma Nação” (1915)? Lillian era a protagonista. “Intolerância” (1916)? Lillian era a mais importante personagem, aquela que nunca muda com o apesar de milhares de anos: o amor de mãe. “Lírio Partido / Broken Blossoms” (1919) não seria tão tocante sem a pureza e a fragilidade de Lillian.

Lillian foi estrela de cinema antes de Hollywood ser construída. Na década de 1910, os estúdios ficavam em Nova York. Lillian seguiu Griffith da Biograph para a Mutual, e depois esteve nos maiores sucessos da Triangle Pictures, fundada pelo próprio Griffith e que durou apenas três anos. Ambos foram para a Famous Players, mais tarde renomeada como Paramount, e em 1918 surgiu a D.W. Griffith Productions.

Lillian já sabia atuar muito bem quando conheceu Griffith, mas foi com o diretor que ela aprendeu outras habilidades necessárias para o cinema. Lillian aprendeu a editar filmes, acertar a iluminação do cenário e escolher figurinos perfeitos. Para trabalhar com Griffith, ela fez questão de nunca usar dublês. Ele instruiu Lillian a frequentar lutas de boxe e hospícios, para “estudar melhor as expressões humanas”. Lillian andava a cavalo, dançava, lutava esgrima, mergulhava no gelo e atirava, fato que anos depois surpreendeu o diretor John Huston.

Em 1921, após nove anos e quarenta filmes juntos, Lillian Gish e D.W. Griffith terminaram a parceria. Gish deu como motivo para o término desentendimentos sobre dinheiro, e Griffith estava incomodado por Lillian receber todo o crédito quando seus filmes eram sucesso. De alguma forma, a carreira de ambos nunca mais foi a mesma após a separação.

Ainda megalomaníaco e estacionado na Era Vitoriana, Griffith fez épicos longos nos anos 20, época de mais liberdade e modernidade no cinema. Gish fez dois filmes para a Inspiration Pictures, e finalmente encontrou seu lugar ao sol (e controle criativo sobre seus papéis) na MGM. Mas não por muito tempo: com a chegada dos filmes sonoros, sua aura virginal (e os espetáculos trágicos de Griffith) perdeu o interesse do público.

Lillian seria uma grande estrela sem Griffith? Provavelmente, uma vez que Mary Pickford conseguiu se tornar a queridinha da América sem associar seu nome e sua persona a um só diretor. Mas D.W. Griffith não seria o mesmo sem Lillian Gish. Em um mundo dominado por Theda Bara, Gloria Swanson, irmãs Talmadge e Mabel Normand, o mais perto que Griffith chegaria da pureza intocada que Gish transparece é com Mae Marsh, adorável e menosprezada.

D.W. Griffth era mais que um chefe para Lillian Gish, como ela deixava transparecer em entrevistas mais tarde na carreira. Griffith era uma figura paterna para a menina que viu seu pai abandonar a família muito cedo, era o mentor para a atriz de teatro sem treinamento formal que um dia se viu em frente às câmeras. Mas Griffith parou no tempo, tentou seguir a carreira com uma “Gish genérica” como musa (Carol Dempster) e Lillian progrediu no teatro, na TV e em papéis coadjuvantes. A aprendiz superou o mestre, mas sempre se mostrou grata aos ensinamentos dele.

This is my contribution to the Classic Symbiotic Collaborations blogathon, hosted by Theresa at CineMaven's Essays from the Couch.

Sunday, October 14, 2012

Aos mestres, com carinho


Além do Dia dos professores, comemorado neste quinze de outubro, os mestres têm outro dia este mês para comemorar, embora a maioria não saiba disso: o Dia Mundial do Professor, 5 de outubro. Como uma imagem vale mais que mil palavras, ao invés de escrever longamente deixo um vídeo e uma galeria com 16 professores notáveis da sétima arte e mais alguns que aparecem no vídeo que abre esta postagem. 

  • O Professor de “Inocente Pecadora / Way Down East” (1920), que estudava borboletas.
  • Emil Janings em “O Anjo Azul” (1931)
  • Cary Grant em “Levada da Breca / Bringing up Baby” (1938)
  •  Robert Donat em “Adeus, Mr Chips / Goodbye Mr Chips” (1939)
Peter O'Toole também interpretou Mr. Chips em 1969
  •  Marie (Greer Garson) e Pierre Curie (Walter Pidgeon) em “Madame Curie” (1943)
  • William Holden em “Nascida Ontem / Born Yesterday” (1951)
  • Glenn Ford em “Sementes da Violência / Blackboard Jungle” (1956)
  • Deborah Kerr em “O Rei e Eu / The King and I” (1956)
  • Anne Bancroft em “O Milagre de Anne Sullivan / The Miracle Worker” (1962)
  • Jerry Lewis no original “O Professor Aloprado / The Nutty Professor” (1963)

  • Rex Harrison em “My Fair Lady” (1964)
  • Sidney Poitier no inesquecível “Ao mestre, com carinho / To sir, with love”(1968)
  • Indiana Jones (Harrison Ford) na série homônima
  • William Hurt em “Filhos do Silêncio / Children of a Lesser God” (1986)

  • Edward James Olmos em “O Preço do Desafio / Stand and Deliver” (1987)
  • Robin Williams em “Sociedade dos Poetas Mortos / Dead Poets Society” (1989) 
E vocês, leitores, quem gostariam de ter como mestres nessa notável galeria? 

Thursday, October 13, 2011

Inocente Pecadora (1920) / Way Down East (1920)

Um melodrama singular dirigido por D. W. Griffith e estrelado por sua musa e constante colaboradora Lillian Gish, “Inocente Pecadora” ("As Duas Tormentas" em Portugal), com seus 145 minutos, embora com o subtítulo de "uma história simples de pessoas comuns", é prolixo e ao mesmo tempo fluente como a catarata para que Anna se dirige sobre uma pedra de gelo, no clímax da produção.

A singular melodrama drected by D.W. Griffith, starring his muse and Constant collaborator Lillian Gish, “Way Down East”, with its 145 minutes, although with the subtitle “a simple story of common people”, is exaggerate and at the same time fluent as the waterfall where Anna is going to, over a huge ice rock, in the film’s climax.


Assim como a maioria dos filmes mudos, esse tem também uma série de intertítulos que servem de prólogo da ação. Aqui vemos uma celebração do casamento monogâmico e o sofrimento que a infidelidade masculina pode causar para a mulher. As personagens têm nome, mas, como o próprio filme explicita, poderiam ser qualquer pessoa (ainda não houve a sacada de chamar as personagens apenas de "esposa" ou "marido", como faria Murnau em "Aurora", em 1927). Por si só, uma apresentação interessantíssima. E, quando a ação começa, nos vemos enfeitiçados pelo encanto virginal de Lillian e torcemos para sua personagem, embora, como em outros filmes, ela sofra, sofra, sofra e sofra mais um pouco durante toda a projeção.

Like many other silent films, here we also have some intertitles used to set the prologue. Here we see a celkebration of monogamy and the suffering that the male infidelity causes in a woman. The characters have a name, but the movie reinforces that they could be anyone (there hadn’t yet been the case of naming the characters just “the wife” and “the man” like it was done in “Sunrise”, from Murnau, in 1927). Standing alone, this is a very interesting prologue. And, when the action finally starts, we are bewitched by Lillian Gish’s virginal spell and we start rooting for her character, even though she suffers, suffers and suffers a little more, like other characters played by Lillian in other movies.


Anna, uma pobre jovem da Nova Inglaterra, vai a Boston pedir ajuda financeira para uma tia rica. Acolhida falsamente pela ricaça, ela acaba participando de uma festa na mansão, chamando a atenção do mulherengo Lennox Sanderson (Lowell Sherman). Depois de algumas investidas, ele a pede em casamento, mas implora que ela mantenha segredo sobre a cerimônia, pois ele não quer perder a “mesada” que ganha do tio. Mas ela não pode esconder a verdade por muito mais tempo, pois um herdeiro está a caminho. É aí que ele revela que eles não são realmente casados, deixando-a sozinha e desamparada após a morte da mãe. Anna passa a ser vista como “pecadora” por ter um filho sem ser casada, embora seja “inocente” por ter sido enganada por Lennox.


Anna, a poor Young woman from New England, goes to Boston to ask for financial help to a rich aunt. Taken without affection by the old woman, Anna takes part in a party at the mansion, and there she meets Lennox Sanderson (Lowell Sherman). After a few hits, he proposes to her, but begs her to not tell anyone about the marriage, so he won’t lose the ‘allowance’ his uncle gives him. But she can’t hide the truth for much longer, because she is with child. Then he reveals that their wedding was not valid, and he leaves her completely alone, because she had just lost her mother. Anna is now a ‘sinner’ because she had a child out of wedlock, but she is ‘innocent’ because her confidence was betrayed by Lennox.


Mais uma série de tragédias se segue. Numa sequência comovente, Anna batiza seu bebê sabendo que ele está muito doente e segura-o nos braços até ele morrer, quando ela tenta, sem sucesso, reaquecer seu corpinho. Lillian relembra que o pai do bebê estava no set de filmagem e, com a comoção causada pela cena, desmaiou. A sinistra mulher que alugava a casa para a jovem a obriga a sair, pois ela não tem boa reputação. Anna tenta recomeçar sua vida na fazenda Bartlett, escondendo seu passado. Mas um dos vizinhos próximos é o próprio Lennox, que a enganara e agora teme que sua presença estrague seus novos planos de romance com Kate (Mary Hay), até então comprometida com David (Barthelmess). Curiosamente, Barthelmess e Hay se casaram na vida real. Corine Seymour, presença constante nos filmes de Griffith, gravou várias cenas como Kate antes de adoecer gravemente e falecer aos 21 anos. Ela foi substituída por Mary e o que vemos na tela é uma mistura das atuações das duas atrizes.

Another series of tragedies strike. In a moving sequence, Anna baptizes her baby knowing he is very sick and holds him in her arms until he dies, and then she tries, without success, to keep his little body warm. Lillian remembers that the baby’s father was on the studio watching the scene and, moved by it, passed out. The sinister woman who rented Anna a room sends her away because of her bad reputation. Anna tries to start again at the Bartlett farm, hiding her past. But one of the neiughbors is Lennox himself – he now fears that Anna’s presence so near spoils his plans to romance Kate (Mary Hay) who was until then dating David (Richard Barthelmess). As ca curiosity, Barthelmess and Hay got married in real life. Corine Seymour, a constant presence in Griffith’s films, shot several scenes as Kate before she fell gravely ill and passed away at age 21. She was replaced by Mary Hay and what we see on screen is a mix of the two girls’ performances.



Lillian está especialmente bonita nesse filme, quase sempre com seus longos cachos presos em um coque. Os closes durante a festa chique são de uma beleza única, assim como a interação infantil com uma pombinha. É impossível não ser ofuscado por sua presença. Seu co-protagonista Richard Barthelmess (com quem também atuou em “Lírio Partido / Broken Blossoms”, no ano anterior), o sensível fazendeiro David Bartlett, não chega aos pés dela em tempo em cena. Seu grande momento é quando recita um poema para ela e diz que sempre a amou – além, é claro, dos momentos como herói perto do final.

Lillian is particularly pretty in this film, with her long curls almost always in a bun. Her close-ups in the fancy party are beautiful and unique, almost as beautiful as her childish interaction with a dove. It’s impossible not to be overshadowed by her. Her scene partner Richard Barthelmess (with whom she did “Broken Blossoms” the previous year), as the sensitive farmer David Bartlett, has much less screen time than her. His great moment arrives when he recites a poem to her and tells her he has always loved her – besides, obviously, his moments as a hero in the end.


A versão a que eu assisti tem a maioria de suas cenas em tons de sépia, com algumas poucas – em especial a da catarata – em um tom de azul que me lembrou da própria Gish balançando o berço em “Intolerância” (1916). Em se tratando de visual, não podemos deixar de falar da sequência na nevasca, criada exclusivamente para o cinema, que culmina com Anna desmaiada em uma pedra de gelo (feita de madeira pela equipe cenográfica) e sendo levada para a morte. Lillian permaneceu horas com a mão mergulhada nas águas geladas de um rio para completar a cena, ficando com problemas motores na mão direita pelo resto da vida.

The version I watched has mosto f its scenes in sepiatone, with a few – in special the waterfall sequence – in a blue tone that reminded me of Gish herself rocking the cradle in “Intolerance” (1916). If we’re talking about visuals, we have to mention the snowfall sequence, created especially for the film, that culminates with Anna passed out on an ice rock (made of wood by the scenographic team) and being taken slowly to her death. Lillian spent several hours with her hand in the icy waters of a river, what led her to have motor problems in her right hand for the rest oif her life.



A música é simpática, combinando melodias agradáveis que se intercalam e algumas músicas conhecidas usadas em pequenos momentos, como a Marcha Nupcial, uma canção de ninar e a cantiga folclórica infantil "Three Blind Mice". Em uma cena de dança (dança no cinema mudo é algo bastante peculiar) a futura estrela Norma Shearer participa como extra. Para surpresa geral, Griffith, em meio ao drama de Anna, salpica momentos e personagens cômicos. Mais uma vez ele constrói histórias paralelas (um gosto pessoal) que nem sempre se mostram úteis (um defeito pessoal).

The soundtrack in this version is very nice, as it mixes pleasant tunes and some well-known songs used in particular moments, such as the Wedding March, a lullaby and the folkloric “Three Blind Mice”. In a dance scene (something that is quite peculiar in a silent movie) future film star Norma Shearer is an extra. As a surprise, Griffith adds, in the middle of Anna’s drama, many comic reliefs. Once more, he builds parallel stories (something he was fond of) that are not exactly useful (something he is guilt of). 


O tema excessivamente puritano soa datado. Anna não poderia mais se casar porque ela não é "a branca flor virginal" com que David sempre sonhou. Hoje isso não mais se aplica (e se aplicasse, meu Deus!).  No entanto, outros aspectos moderninhos prevalecem, como Anna acusando Lennox de tê-la enganado sem medo da reação alheia (OK, ela não tinha medo porque sua situação não podia ficar pior), David atacando o pai após este expulsar Anna e alguns detalhes finais: um beijo cômico entre dois homens e o beijo entre Anna e a sogra, selando a união e terminando a película.

The excessively puritane theme sounds dated. Anna couldn’t get married anymore because she is not the “white virginal flower” that David has always dreamed of. Today, the exigence of being a virgin is almost over in the world (thank God!). However, there are some modern aspects in this movie, for instance: Anna confronting Lennox and accusing him of betraying her, a confront in a fearless way (even though her sitation couldn’t get any worse), David attacking his father after he expels Anna and some final details: a comic kiss between two men and the kiss between Anna and her mother-in-law, a gesture that shows the union is sealed and the movie is over.



Como não gosto do melodrama exagerado de Griffith, não me empolguei com o clímax no gelo, mas confesso que é uma sequência tecnicamente impressionante e de beleza pungente. Este filme foi 175 mil dólares mais caro que o épico "O Nascimento de uma Nação / The Birth of a Nation" (1915). Nada controverso, ele acabou se tornando um sucesso absoluto de público. Surpreendente, incrivelmente moderno em alguns pontos e ultrapassado em outros, "Inocente Pecadora" ainda emociona, diverte, prende o espectador e, em especial, mostra o talento incontestável de Lillian Gish.


I’m not a fan of Griffith’s exaggerated melodrama, so I wasn’t that moved by the clímax in the ice, but I have to agree that the sequence is impressive and very beautiful. This film costed 175,000 dollars more than “The Birth of a Nation” (1915). As it was not controverse, it ended up being a box-office hit. It is surprising, incredibly modern in some points and dated in others, but “Way Down East” is still able to move, entertain, attract the viewer’s attention and, in special, show Lillian Gish’s indisputable talent. 


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