} Crítica Retrô: lenda

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Saturday, March 14, 2015

Rodolfo Valentino: o homem, a lenda

Quando a lenda se torna fato, imprima a lenda”
“When the legend becomes fact, print the legend”

A frase acima é do filme “O Homem que matou o Facínora / The Man who Shot Liberty Valance” (1962), mas se aplica perfeitamente ao caso de Rodolfo Valentino. O amante latino estava no auge da fama quando morreu de repente, aos 31 anos, em 1926, e sua morte causou histeria e comoção internacionais. Ele foi o primeiro de uma longa lista de personalidades que morreram muito jovens, mas (talvez por causa da morte prematura) influenciaram muitas gerações. Elvis Presley, Marilyn Monroe, James Dean, Janis Joplin: o fascínio atravessou décadas e não foi apenas pela suposição de “o que poderia ter sido se eles não tivessem ido embora tão jovens”. A morte os eternizou, mas a vida atribulada, desregrada e cercada de mistérios continua impressionando quem toma contato com essas personalidades.
E muitas vezes a polêmica e os boatos se tornam mais importantes que as obras do artista. Afinal, quem quer conhecer os filmes de Marilyn se é muito mais divertido discutir quantos abortos ela teria feito? Quem não ama romances atribulados e proibidos das estrelas do passado? E as supostas relações homossexuais, então: são perfeitas para atrair curiosos. E com esses ingredientes foram feitos muitos filmes sobre a vida de Valentino.
A maioria das pessoas que conheceram Valentino ainda estavam vivas em 1951, incluindo sua ex-mulher Natacha Rambova. Isso gerou uma onda de protestos e processos por difamação, e o estúdio foi obrigado a adaptar a história ocultando nomes e fatos. No final, o que temos é o bailarino Valentino (Anthony Dexter, parecidíssimo), que se torna um ator muito popular do dia para a noite, e precisa enfrentar muitos problemas com a mulher que ama, que pode atender pelos nomes Joan Carlisle ou Sarah Gray, dependendo do momento da carreira em que está (ela é interpretada por Eleanor Parker). Assim como na cinebiografia “O Palhaço que Não Ri / The Buster Keaton Story”, de 1951, o filme tem de tudo... menos verdade.
Uma cinebiografia melhor, também denominada “Valentino”, foi feita em 1977 e parte do funeral do astro para apresentar a vida dele em flashback, incluindo as muitas mulheres que se apaixonavam por ele. Alla Nazimova (Leslie Caron) é uma delas, e aparece no funeral vestida de rainha tarântula. Não é, de maneira alguma, um retrato lisonjeiro de Nazimova. Quem interpreta Valentino é o dançarino russo Rudolf Nureyev, que em nada se parecia com o astro dos anos 20, mas dançava lindamente e surpreende como ator.
De acordo com o filme, Valentino atraiu a atenção da roteirista June Mathis durante uma festa particular de Fatty Arbuckle, na qual Valentino teria enfurecido o comediante. Arbuckle é retratado como uma pessoa muito, muito desagradável, sempre arrancando risadas à custa da humilhação de outras pessoas. Jesse L. Lasky, um dos fundadores da Paramount, só pensa em lucros... e mantém um macaco de estimação preso em uma jaula.
Quase sempre colocada de lado pelas obras que se referem a Valentino, a esposa Natacha Rambova ganha muita importância aqui: ela é mostrada como a força motriz ambiciosa por trás da carreira de Valentino, é demasiado controladora e deseja ser responsável por todos os aspectos dos filmes do marido: figurino, cenário, roteiro, direção e produção. Não é de se espantar que ela não goste de dividir Rudy com as milhões de fãs histéricas.
Apesar das falhas, há muitas coisas boas: é impagável a cena em que Valentino exige escolher os roteiros que quer filmar. Repare bem e você verá que há todo um western clichê sendo gravado ao fundo da cena! E a sequência de abertura, com manchetes de jornal e a canção “There is a new star in Heaven tonight”, é o convite perfeito para que entremos na vida de Valentino.
Em 1975, Franco Nero interpretou Valentino em um filme feito para a TV. Em 1977, Gene Wilder parodiou a imagem do amante latino no filme “O Maior Amante do Mundo / The World’s Greatest Lover”. No quase desconhecido “Return to Babylon”, de 2013, Valentino aparece brevemente. Mais um filme sobre ele, “Silent Life”, já tem até pôster no IMDb e pode ser lançado em 2015, mas há constantes atrasos em sua produção.
Quem poderia interpretar Valentino em um filme feito hoje? Robert Pattinson? Mario Lopez? Um talento ainda não descoberto? Definitivamente, ainda não foi feita uma cinebiografia de Valentino que agradasse a todos. Talvez porque seja impossível transportar para as telas, mais uma vez, todo o fascínio que Rodolfo Valentino sempre gerou.

This is my contribution to the Rudolph Valentino blogathon, hosted by Timeless Hollywood.

Friday, May 6, 2011

As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood (1938)

Muitos costumam dizer que a versão original é sempre a melhor. Talvez valha para este caso: o primeiro Robin Hood do cinema sonoro é um filme a cores, quando essa tecnologia ainda surgia, e traz o grande par romântico Olivia de Havilland e Errol Flynn, um dos maiores expoentes nos filmes de capa e espada. 
Com vocês, o biografado: Por trás do mito Robin Hood existe Sir Robin de Locksley, um nobre inglês cujos bens foram destruídos. Reza a lenda que, para reaver sua posição, Robin se juntou a um bando na floresta de Sherwood. Era um fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Pouco se sabe sobre a veracidade dos fatos aqui narrados, mas, se realmente existiu, Robin Hood teria vivido no século XII e, desde então, tornado-se inspiração para contos, romances, quadrinhos e, é claro, filmes.    
Variações sobre um mesmo tema: Por seu caráter heroico, Robin Hood despertou cedo o interesse dos cineastas. A primeira versão é de 1908, seguida por outras duas versões mudas, de 1912 e 1922, esta última com o galã Douglas Fairbanks. Depois da versão de 1938 sobre a qual tratamos, vieram duas em 1952 e uma em desenho animado em 1973, na qual Robin, sugestivamente, era personificado por uma raposa. Tivemos duas versões brasileiras com Renato Aragão, em 1974 e 1990; uma em 1976 que mostrava Robin já na meia-idade; três remakes na década de 1990 e, finalmente, um em 2010, estrelando Russel Crowe.
Além disso, a premissa de “roubar dos ricos para dar aos pobres” foi usada em outras produções, como “Robin Hood de Chicago”, de 1964, uma comédia musical com Frank Sinatra, Bing Crosby, Bob Hope e Sammy Davis Jr.
É bom saber: Esta primeira versão para cinema sonoro foi planejada para ser estrelada por James Cagney, mas antes de o projeto se realizar ele saiu da Warner Brothers.
Errol Flynn teve uma boa atuação, mas considerava o papel de Robin Hood chatíssimo.
O filme custou cerca de 2 milhões do dólares (na época). Foi o filme com o maior número de dublês usados até então e, para ser filmado em cores, utilizou todas as câmeras Technicolor existentes em 1938.
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