} Crítica Retrô: Robin Hood

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Saturday, December 18, 2021

Robin e Marian (1976) / Robin and Marian (1976)

 

Costumamos focar tanto na aventura que em geral esquecemos que a lenda de Robin Hood também é uma história de amor. Maid Marian, a garota de Robin Hood, foi interpretada por Olivia de Havilland em “As Aventuras de Robin Hood” (1938) e retratada como uma raposa de vestido rosa e lilás em “Robin Hood” (1973) da Disney, mas o relacionamento deles nunca foi o foco do filme. Corta para 1976, quando os superastros Sean Connery e Audrey Hepburn – que estava longe das telas desde 1967 – foram escalados como Robin e Marian maduros em um filme que mostra que o amor pode ser a maior aventura de todas.

We focus so much in the adventure side of the tale that we often forget that the Robin Hood legend is also a love story. Maid Marian, Robin Hood’s girl, was played by Olivia de Havilland in “The Adventures of Robin Hood” (1938) and portrayed as a fox in a pink and lilac dress in Disney's “Robin Hood” (1973), but their relatioship was never the focus of the movie. Cut to 1976, when superstars Sean Connery and Audrey Hepburn – who had been far from the screens since 1967 – were cast as older Robin and Marian in a film that shows that love may be the biggest adventure there is.

Depois de 20 anos seguindo o rei Ricardo Coração de Leão (Richard Harris), Robin Hood (Sean Connery) o desobedece pela primeira vez. Parece que o coração de Ricardo não era tão bom assim, pois ele ordena que Robin destrua um castelo francês ocupado apenas por mulheres, crianças e um velho. Por sua desobediência, Robin é enviado para um calabouço com seu braço direito, Little John (Nicol Williamson). No dia seguinte, pouco antes de morrer, o rei Ricardo liberta Robin e John.

After 20 years following king Richard the Lionheart (Richard Harris), Robin Hood (Sean Connery) disobeys him for the first time. It looks like Richard’s heart is not so good after all, as he orders Robin to destroy a French castle that has only women, children and an old man inside. For his disobedience, Robin is sent to the dungeons with his right-hand man, Little John (Nicol Williamson). The following day, just before dying, king Richard lets Robin and John go.

Atravessando as florestas rumo à Inglaterra, Robin e John encontram velhos amigos, como Friar Tuck (Ronnie Barker), para quem Robin pergunta sobre Marian, alguém em quem, ele afirma, ele não havia pensado por anos. Marian ainda está nas redondezas, e o mesmo se aplica ao Xerife de Nottingham (Robert Shaw). Robin vai atrás dela e se surpreende ao descobrir que Maid Marian (Audrey Hepburn) é agora uma freira que ajuda os doentes.

Going through the woods back to England, Robin and John meet old friends, such as Friar Tuck (Ronnie Barker), to whom Robin inquires about Marian, someone who, he claims, he hasn’t thought about in years. Marian is still around, and so is the Sheriff of Nottingham (Robert Shaw). Robin goes after her and is surprised to find out that maid Maid Marian (Audrey Hepburn) is now a nun helping the sick.

O Xerife de Nottingham ordenou a prisão de Marian num ato de intolerância religiosa, e ela está disposta a ir sem lutar. Robin não deixa que ela seja presa e a leva para a floresta e, acampados junto aos amigos de Robin e a outras freiras resgatadas, eles reiniciam seu romance enquanto esperam pelo confronto com o Xerife de Nottingham.

The Sheriff of Nottingham has ordered Marian’s arrest in an act of religious intolerance, and she’s willing to go without fighting. Robin doesn’t let her and takes her to the woods and, camping along Robin’s friends and other rescued nuns, they reignite their romance while waiting for the confront with the Sheriff of Nottingham.

"Robin e Marian” foi dirigido por Richard Lester, que também dirigiu “Os Reis do Iê-iê-iê” (1964) e “Help!” (1965), entre outros filmes. Aqui, ele está muito mais contido e escolhe tons de marrom e bege como predominantes na fotografia. Como Roger Ebert escreveu em sua crítica, “ele fotografa a Floresta de Sherwood e seus personagens com um bom realismo que é melhor que a solenidade pretensiosa que às vezes vemos em filmes históricos”.

"Robin and Marian” was directed by Richard Lester, who also directed “A Hard Day’s Night” (1964) and “Help!” (1965), among other movies. Here, he is much more restrained and chooses tones of brown and beige as predominant in the photography. As Roger Ebert wrote in his review, “he photographs Sherwood Forest and its characters with a nice off-hand realism that's better than the pretentious solemnity we sometimes get in historical pictures.”

A trilha sonora foi composta por John Barry. Ele também compôs a trilha de 11 filmes de James Bond e foi responsável por dar forma ao inconfundível tema musical de 007. Barry escolheu “007 Contra Goldfinger” (1964) como sua trilha sonora favorita e “007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro” (1974) como a que menos gostou, pois teve apenas três semanas para compô-la.

The soundtrack was composed by John Barry. He also composed the soundtrack of 11 James Bond movies, and was responsible for shaping the now unmistakable 007 theme song. Barry has chosen “Goldfinger” (1964) as his favorite score, and “The Man with the Golden Gun” (1974) as his least favorite, because he had only three weeks to work on it.

Esta não é a primeira vez em que Audrey Hepburn interpreta uma freira. Em 1959 ela fez “Uma Cruz à Beira do Abismo”, sobre as dificuldades enfrentadas por uma jovem ingênua ao entrar para o convento. Em “Robin e Marian”, ela interpreta uma freira mais independente, e tem ótima química com Sean Connery – o que é bastante curioso, porque os produtores queriam que Connery interpretasse Little John, com Albert Finney como Robin Hood.

This is not the first time Audrey Hepburn has played a nun. In 1959 she did “A Nun’s Story”, about the hardships a young and naïve woman faces when she joins a nunnery. In “Robin and Marian”, she plays a more independent nun, and has a great chemistry with Sean Connery – which is quite curious, since the producers wanted Connery to play Little John, with Albert Finney as Robin Hood.

A Wikipedia diz que “Robin e Marian” foi a primeira vez na cultura popular que o rei Ricardo Coração de Leão foi retratado como uma figura menos-que-perfeita. Na vida real, Ricardo realmente morreu com uma flechada no pescoço por pensar que não precisava usar armadura durante o cerco de um castelo. Ricardo Coração de Leão também é conhecido como Ricardo I da Inglaterra, e foi rei por apenas 10 anos, de 1189 a 1199.

Wikipedia says that “Robin and Marian” was the first time in popular culture that king Richard the Lionheart was portrayed as a less-than-perfect figure. In real life, Richard did die from an arrow in his neck because he thought he didn’t need to wear armor while besieging a castle. Richard the Lionheart is also known as Richard I of England, and was king for only ten years, from 1189 to 1199.

"Robin e Marian” tem um equilíbrio perfeito de romance e aventura. Há beijos e promessas de amor, mas também paredes sendo escaladas, luta de espadas e muitas flechadas. Parcialmente filmado na Espanha, o estilo do filme é um destaque e “Robin e Marian” acerta em tantos aspectos que se mostra uma excelente adição ao cânone de Robin Hood.

Robin and Marian” has the right balance of romance and adventure. There’s kissing and love promises, but there is also wall climbing, sword fights and many arrows shot. Partially shot in Spain, the looks of the movie are a highlight and “Robin and Marian” does it right in so many aspects that ends up being a great addition to the Robin Hood canon.

This is my contribution to the You Knew my Name: The Bond Not Bond blogathon, hosted by Gill and Gabriella at Realweegiemidget Reviews and Pale Writer.

Friday, November 29, 2013

Estudando cinema... sem sair de casa!

Três anos atrás, em 2010, na roda-viva do fim do ensino médio, tive de fazer uma redação sobre educação em casa (homeschooling) e educação a distância. Eu fui a única da classe a defender ambas, dissertando com entusiasmo sobre os cursos que podemos acessar sem sair de casa. Logo em seguida eu entrei nesse mundo de cursos online. Hoje estou cada vez mais apaixonada pelos MOOCs (Massive Open Online Courses, ou Cursos Online Abertos em Massa), aquelas pérolas oferecidas por grandes universidades, totalmente grátis. Um dos melhores MOOCs que eu fiz foi sobre, adivinha o quê? Cinema. 
O curso “The Language of Hollywood: Storytelling, Sound and Color” chamou minha atenção por sua proposta de analisar as mudanças causadas pela chegada do som e da cor através de filmes-chave, e nem sempre as películas escolhidas eram as mais óbvias. O curso, oferecido pela Wesleyan University de Connecticut, teve duração de seis semanas que passaram rápido demais para um assunto tão interessante.
Com o curso pude ver filmes que há muito estavam na minha lista, como “Scarface”(1932), e também assisti a outros que não conhecia, mas que se tornaram favoritos logo nos primeiros minutos, a exemplo de “Aplauso / Applause” (1929) e “A Filha do Bosque Maldito / The Trail of the Lonesome Pine” (1936), que também é conhecido como "Amor e Ódio na Floresta". Pude prestar atenção a detalhes que em geral passariam despercebidos, graças às lições longas mas proveitosas do professor Scott Higgins, sempre divertido e claro em suas explicações. No escritório do professor, aliás, é possível uma imagem de Judy Garland em “O Mágico de Oz” enfeitando uma estante.
As análises dos filmes, durando geralmente mais de meia hora, me deram uma nova percepção deles. Como gosto de escrever e criar histórias, é geralmente no roteiro que presto atenção. Pergunto-me se a história é convincente, bem elaborada e se é desenvolvida com maestria. Raramente outros detalhes chamam a minha atenção, a não ser nos raros casos em que eles são demasiado exóticos (ex.: roupas de Carmem Miranda). Observando cenas congeladas, foi possível ver muito além do roteiro, e percebi como tudo é milimetricamente pensado no cinema: às vezes um assobio ou um risco em um mapa dão dicas valiosas para o andamento e desfecho do filme. Cada segundo do rolo de filme é precioso, por isso cada imagem deve ser escolhida com uma finalidade. E foi assim que também passei a dar mais importância às pessoas que ganham o Oscar de Melhor Direção de Arte (categoria que até 1946 era chamada de Melhor Decoração de Interiores).
George Raft e Ann Dvorak em Scarface
Os grandes temas do curso eram o som e a cor, e como a chegada dessas novas tecnologias sacudiu o mundo do cinema. Assim foram analisados alguns dos últimos e melhores filmes mudos (“Anjo das Ruas / Street Angel” e “Docas de Nova York”, ambos de 1928) e os primeiros filmes falados de qualidade. Aliás, algo que eu já sabia, o silêncio é excelente recurso para criar os mais diversos efeitos. E se há alguém que entende de silêncio, é Harpo Marx. Por isso um dos filmes analisados foi “Os Quatro Batutas / Monkey Businnes” (1931), sobre o qual eu aprendi muito.
Muitas anotações... e Groucho Marx
E quem disse que todos os cenários eram construídos em estúdio? Eles podiam ser reaproveitados (como em “O Navio Fantasma / The Ghost Ship”, 1941) ou mesmo pintados em vidro e fotografados pelas câmeras (como em “Tudo que o céu permite / All that heaven allows”, 1957). E as filmagens em locação também podem criar maravilhas, como em “Trail of the Lonesome Pine”, em que vemos Sylvia Sidney, Henry Fonda e Fred MacMurray jovens e lindos, no início de suas carreiras e sempre usando roupas que condizem com suas mudanças de humor.
Com o curso descobri o que é “motif” (para quem não sabe, é um elemento simbólico que se repete ao longo do filme, como uma música, um gesto ou objeto), o que é o “Borzagian shot” (veja a pose de Janet Gaynor e Charles Farrell abaixo) e percebi alguns temas recorrentes nas filmografias de Henry Hathaway e Val Lewton. A avaliação foi muito fácil, com algumas perguntas para recapitular o conteúdo no final de cada vídeo e um teste final com 20 perguntas que podia ser refeito até 100 vezes. Assim como eu, outros estudantes ficaram animados e sugeriram outros cursos online sobre cinema, incluindo temas como noir, cinema mudo, musicais, Hitchcock e Truffaut. Uma coisa é certa: se houver outro MOOC sobre cinema, eu estarei lá!  

A Victoria do blog Girls Do Film está fazendo uma resenha de cada filme analisado no curso, destacando os pontos importantes de cada um. Veja no blog!

Friday, May 6, 2011

As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood (1938)

Muitos costumam dizer que a versão original é sempre a melhor. Talvez valha para este caso: o primeiro Robin Hood do cinema sonoro é um filme a cores, quando essa tecnologia ainda surgia, e traz o grande par romântico Olivia de Havilland e Errol Flynn, um dos maiores expoentes nos filmes de capa e espada. 
Com vocês, o biografado: Por trás do mito Robin Hood existe Sir Robin de Locksley, um nobre inglês cujos bens foram destruídos. Reza a lenda que, para reaver sua posição, Robin se juntou a um bando na floresta de Sherwood. Era um fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres. Pouco se sabe sobre a veracidade dos fatos aqui narrados, mas, se realmente existiu, Robin Hood teria vivido no século XII e, desde então, tornado-se inspiração para contos, romances, quadrinhos e, é claro, filmes.    
Variações sobre um mesmo tema: Por seu caráter heroico, Robin Hood despertou cedo o interesse dos cineastas. A primeira versão é de 1908, seguida por outras duas versões mudas, de 1912 e 1922, esta última com o galã Douglas Fairbanks. Depois da versão de 1938 sobre a qual tratamos, vieram duas em 1952 e uma em desenho animado em 1973, na qual Robin, sugestivamente, era personificado por uma raposa. Tivemos duas versões brasileiras com Renato Aragão, em 1974 e 1990; uma em 1976 que mostrava Robin já na meia-idade; três remakes na década de 1990 e, finalmente, um em 2010, estrelando Russel Crowe.
Além disso, a premissa de “roubar dos ricos para dar aos pobres” foi usada em outras produções, como “Robin Hood de Chicago”, de 1964, uma comédia musical com Frank Sinatra, Bing Crosby, Bob Hope e Sammy Davis Jr.
É bom saber: Esta primeira versão para cinema sonoro foi planejada para ser estrelada por James Cagney, mas antes de o projeto se realizar ele saiu da Warner Brothers.
Errol Flynn teve uma boa atuação, mas considerava o papel de Robin Hood chatíssimo.
O filme custou cerca de 2 milhões do dólares (na época). Foi o filme com o maior número de dublês usados até então e, para ser filmado em cores, utilizou todas as câmeras Technicolor existentes em 1938.
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