} Crítica Retrô: espiões

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Monday, May 17, 2021

Cinco Dedos (1952) / 5 Fingers (1952)

 

“Esta é uma história verídica”: sempre que essas palavras aparecem na tela antes do começo do filme, meu coração acelera. Às vezes a realidade é mais louca e mais inacreditável que a ficção, e este é o caso de “Cinco Dedos” (também conhecido pelo título “Operação Cícero”), um filme de suspense extremamente subestimado protagonizado por James Mason. Desde que eu o vi pela primeira vez em 31 de dezembro de 2012 – foi tão memorável que eu me lembro do dia – eu considero “Cinco Dedos” como um exemplo perfeito de um tesouro escondido do cinema.

This is a true story”: anytime those words pop up on screen before a film starts, my heart skips a bit. Sometimes reality is wilder and more unbelievable than fiction, and this is the case of “5 Fingers”, an extremely underrated thriller starring James Mason. Since I saw it for the first time on December 31st, 2012 – it was so memorable that I remember the day – I consider “5 Fingers” to be a palpable example of a “hidden gem”.

É março de 1944, e o cenário é a Turquia, um país neutro durante a Segunda Guerra Mundial. A condessa Anna Staviska (Danielle Darrieux) é uma francesa que vivia em Varsóvia com o falecido marido, um conde polonês. Ela deixou a Polônia quando os bombardeios começaram. Agora ela só consegue comer quando é convidada para algum jantar por um amigo. São tempos difíceis para ela, como nota o conde Franz Von Papen (John Wengraf), embaixador alemão. Em tempos difíceis são tomadas decisões difíceis: a condessa está disposta a trabalhar como espiã, e Von Papen  a aconselha a desistir da ideia.

It’s March 1944, and the scenery is Turkey, a neutral country during World War II. Countess Anna Staviska (Danielle Darrieux) is a French woman who lived in Warsaw with her late husband, a Polish count. She left Poland when the bombings started. She now can only eat when she’s invited for any friend's reception. These are difficult times for her, as Count Franz Von Papen (John Wengraf), the German Ambassador, notices. In desperate times, desperate measures: the countess is willing to work as a spy, and Von Papen advises her to forget this idea.

L.C. Moyzisch (Oskar Karlweis), que trabalha para Von Papen, é visitado numa noite por um espião de verdade, Ulysses Diello (James Mason), que oferece para os alemães várias informações armazenadas em microfilme. Diello é na verdade o camareiro do embaixador britânico, por isso ele tem acesso a documentos ultrassecretos.

L.C. Moyzisch (Oskar Karlweis), who works for Von Papen,  is visited one night by a real spy, Ulysses Diello (James Mason), who offers a bunch of information in microfilm for the Germans. Diello is actually the valet of the British Ambassador, that’s why he has access to top secret documents.

Moyzisch fica nervoso facilmente e é um pouco tonto. Diello é esperto, muito esperto – ou foi o patriotismo dos alemães que os deixou burros e sem imaginação? Diello consegue abrir o cofre da casa de Moyzisch usando como combinação a data em que Hitler chegou ao poder. Moyzisch fica abestalhado mas, seguindo as ordens que havia recebido, ele diz que a embaixada alemã irá trabalhar com Diello, que dali em diante receberá o codinome Cícero. Diello fica satisfeito porque Cícero, o chefe de Estado romano foi, nas palavras de Diello, “um homem de nobreza, eloquência e insatisfação”. Como podemos ver, Diello é esperto mas também vaidoso.

Moyzisch is nervous and a bit silly. Diello is smart, very smart – or did German’s patriotism made them dumb and unimaginative? Diello is able to open the safe at Moyzisch’s place using the date when Hitler rose to power as the combination. Moyzisch is stunned but, as he was advised to do, he says the German Embassy will now work with Diello, who will from now on be referred to with the codename Cicero. Diello is pleased, as Cicero the Roman statesman was, as he says “a man of nobility, eloquence and dissatisfaction”. As we can see, Diello is clever but also vain.

Agora todas as pontas soltas se unem: Diello dá parte do dinheiro para a condessa Staviska – porque ele era camareiro do conde e, após a morte do patrão, a condessa o demitiu. Ela diz que o demitiu porque ele era “esperto demais para um criado”. Ele sabe que ela o demitiu porque ele gostava dela. Agora ele oferece parte do dinheiro que ganhou para que a condessa alugue uma casa onde Diello possa, de vez em quando, fazer negócios. Em três meses, ele terá dinheiro suficiente para conseguir uma nova identidade e começar uma vida nova com ela na América do Sul.

Now everything comes full circle: Diello gives part of the money to Countess Staviska – because he was the count’ valet and, after his boss died, the countess fired him. She says she fired him because he was “too clever for a servant”, he knows she fired him because he liked her. Now he offers part of the money he made for the countess to get a house where Diello can, sometimes, do his business. In three months, he will have enough to adopt a new identity and start a new life with her in South America.

Obviamente, não demora para que a embaixada britânica desconfie de que há um espião entre eles. O agente especial Colin Travers (Michael Rennie) é enviado da Inglaterra para investigar o caso. Agora todos são suspeitos, incluindo Diello e a condessa Anna Staviska. 

Of course, soon the British Embassy suspects that there is a spy among them. Special agent Colin Travers (Michael Rennie) is sent from England to investigate the case. Now everybody is a suspect, including Diello and the Countess Anna Staviska.

Cinco Dedos” foi filmado em locação na Turquia, com o objetivo de parecer mais real. Entretanto, a produção se recusou a deixar tudo ainda mais real quando dispensaram serviços de consultoria do verdadeiro Cícero, o espião Elyesa Bazna, e de Moyzisch, que escreveu o livro que deu origem ao filme. O Moyzisch verdadeiro não gostou da maneira como foi retratado nas telas. A história foi recontada em 1956 em um episódio da série de TV antológica “The 20th Century-Fox Hour”, com Ricardo Montalban como Diello/Cicero e com Peter Lorre como Moyzisch.

5 Fingers” was shot in location in Turkey, aiming for reality. However, the production refused to make things even more real when they refused technical advice from both the real Cicero, the spy Elyesa Bazna, and from Moyzisch, who wrote the book who originated the film. The real Moyzisch was displeased with the manner he was portrayed on screen. The story was told again in 1956 in an episode of the TV anthology series “The 20th Century-Fox Hour”, with Ricardo Montalban as Diello/Cicero and Peter Lorre as Moyzisch.

Cinco Dedos” foi dirigido por Joseph L. Mankiewicz, que também dirigiu “Quem é o Infiel?” (1949) e “A Malvada” (1950). Mas a direção e as mudanças no roteiro feitas pelo outro Mank não são a parte mais importante do filme: na minha opinião, a música de Bernard Herrmann é o elemento que se destaca. Herrmann havia estreado no cinema com “Cidadão Kane” (1941) e suas colaborações com Hitchcock ainda aconteceriam dali a alguns anos, mas em “Cinco Dedos” sua trilha sonora cria suspense da maneira que só um mestre da música conseguiria.

5 Fingers” was directed by Joseph L. Mankiewicz, who also directed “A Letter to Three Wives” (1949) and “All About Eve” (1950). But the other Mank's direction and changes in the script aren't the most important part of the film: I think the music by Bernard Herrmann is the real outstanding element. Herrmann had debuted in films with “Citizen Kane” (1941) and his collaborations with Hithcock were still a few years in the future, but in “5 Fingers” his soundtrack creates suspense like only a master musician could do. 

É interessante perceber como é a relação entre Diello e a condessa Anna Staviska. Em alguns momentos ela fala para ele preparar um drink para ela, como se ele fosse empregado dela. Quando eles finalmente se beijam, isto mudo e ele que fala para ela preparar-lhe um drink, o que ela faz com um sorriso tímido nos lábios. Entretanto, existe sempre a sensação de que eles vão entregar um ao outro, em especial quando Diello fala para Colin Travers sobre seus anos trabalhando para o conde.

It’s interesting to notice the relationship between Diello and Countess Anna Staviska. In some moments she tells him to fix him a drink, as if he was her servant. When they finally kiss, this changes and he tells her to fix him a drink, which she does with a shy smile in her lips. However, there is always the feeling that they are going to betray each other, in special when Diello talks to Colin Travers about the years he worked for the count.

Von Papen é um personagem extremamente interessante. Ele é um embaixador alemão, mas diz que “representamos um governo de delinquentes juvenis” - que é um jeito bem leve de se referir a nazistas. Começamos a ver que ele é diferente dos outros alemães na primeira cena, quando ele confessa que não suporta as composições de Wagner. Mais humano e preocupado com os outros, ele acredita que os alemães precisavam contar aos outros povos – os romenos, no caso – que seu país estava prestes a ser bombardeado pela Inglaterra, de acordo com os documentos vendidos por Diello, em vez que ficar esperando para confirmar se esta informação era correta. Na vida real, Franz Von Papen não era tão legal: enquanto chanceler, ajudou Hitler a chegar ao poder e serviu por dois anos como vice-chanceler de Hitler. Não faço ideia do motivo que levou Hollywood a retratá-lo como um cara legal.

Von Papen is an extremely interesting character. He is a German ambassador, but says that “we represent a government of juvenile delinquents” - which is a rather light term to refer to Nazis. We start to see that he’s different from other Germans in his very first scene, when he confesses that he can’t stand Wagner’s compositions. More human and concerned with others, he believes the Germans needed to tell other people – the Romanians, in this case – that their country was about to be bombarded by England, according to the documents Diello sold, rather than wait and watch to confirm the information is correct. In real life, Franz Von Papen was nowhere as nice: as a Chancellor, he helped Hitler rise to power and served as Hitler's Vice-Chancellor for two years. I have no idea why Hollywood portrayed him as a nice guy.

Ulysses Diello é esperto, sedutor e por vezes esnobe. Ele está trabalhando para os nazistas – somente por dinheiro, porque ele não é simpatizante nazista – e mesmo assim torcemos por ele. Talvez a razão para esta torcida seja porque ele é interpretado pelo sempre fabuloso James Mason. Outro dia eu me surpreendi novamente com o fato de que Mason nunca ganhou o Oscar. Talvez seja porque a Academia não foi capaz de reconhecer a facilidade e a classe com que ele atuava – e essas são as características de um ótimo espião, não?

Ulysses Diello is clever, seductive and sometimes a snob. He’s working for the Nazis – only for money, because he isn't a sympathizer – and yet we root for him. Maybe the reason why we root for him is because he’s played by the always fabulous James Mason. The other day I was once again surprised with the fact that Mason won no Oscars. Maybe it's because the Academy couldn't recognize the effortlessness and class with which he acted – and an effortless and classy spy sounds like a great spy, doesn't it?

Cheio de reviravoltas até o final, “Cinco Dedos” é um ótimo suspense que deveria ser mais conhecido. Joseph L. Mankiewicz disse que Darryl F. Zanuck, o produtor, supervisionou o processo de edição e eliminou algumas das melhores cenas. O que vemos na tela já é incrível – e eu posso apenas imaginar como este filme poderia ter sido ainda melhor se acreditarmos na palavra de Mankiewicz.

Full of plot twists until the very end, “5 Fingers” is a thrilling movie that should be better known. Joseph L. Mankiewicz said that Darryl F. Zanuck, the producer, supervised the editing process and ended up cutting some of the best scenes. What we see on screen is already amazing – and I can only wonder how much better the film could have been if we believe Mankiewicz's claim.

This is my contribution to the CMBA Hidden Classics blogathon, hosted by the Classic Movie Blog Association.

Thursday, April 25, 2019

Ipcress: Arquivo Confidencial (1965) / The Ipcress File (1965)


O investigador Harry Palmer foi criado para ser o oposto de James Bond. Ele deveria ser um homem comum que não usa engenhocas em suas missões e que nem sempre se ocupa de seduzir mulheres bonitas. Até seu nome deveria ser bobo: Harry Palmer foi o nome mais bobo em que Michael Caine conseguiu pensar para o personagem. Mas o primeiro filme de Harry Palmer, “Ipcress – Arquivo Confidencial” (1965), não tem nada de bobo.

Investigator Harry Palmer was created to be an anti-Bond. He is supposed to be a common man who does not use gadgets in his missions and who is not always seducing beautiful women. Even his name is supposed to be boring: Harry Palmer was the most boring name Michael Caine could come with for the character. But Harry Palmer’s first film, “The Ipcress File” (1965), is not boring at all.


O ótimo porém insolente sargento Harry Palmer (Michael Caine) é transferido pelo coronel Ross (Guy Doleman) para uma nova função, ficando no lugar de um homem que foi morto recentemente. Este homem estava investigando a aposentadoria repentina de grandes cientistas que estavam bem e de repente perderam suas habilidades.

Great yet insolent sergeant Harry Palmer (Michael Caine) is transferred by Colonel Ross (Guy Doleman) to a new position, replacing a man who had just been killed. This deceased man was investigating the sudden retirement of top-notch scientists who were just fine and suddenly couldn't function anymore.


Harry pode estar trabalhando para o major Dalby (Nigel Green), mas ele ainda prefere suas velhas técnicas de investigação. Não importa o que Harry faça, Dalby acha que “não é bom o suficiente”. Isso acontece até que Harry e a equipe encontram uma fita de áudio onde está escrito “Ipcress”.

Harry might be working for major Dalby (Nigel Green) now, but he still prefers his old investigation techniques. No matter what Harry does, Dalby thinks “It's not good enough”. This happens until Harry and the team find an audiotape with “Ipcress” written on it.


Descobrir a função da fita não será o único desafio de Harry: ele também se envolverá com uma agente, descobrirá que tanto Rossa quanto Dalby querem a fita e será cobaia em um experimento torturante. Para tornar tudo um pouco pior, Harry será seguido por um homem com óculos de armação quebrada.

Finding out what the tape does won't be Harry's only challenge: he will also get involved with a female agent, he will find out that both Ross and Dalby want the tape and he will go through a torturing experience. To make things a bit worse, Harry will be followed everywhere by a man with broken glasses.


“Ipcress – Arquivo Confidencial” é um filme com uma trama muito complexa – quase tão complexa quanto a de “O Espião que Sabia Demais” (2011). Mesmo assim, há espaço para humor quando Harry e seu chefe conversam, de maneira não muito amigável, enquanto fazem compras de supermercado. Há também uma sequência de muito suspense em uma garagem subterrânea onde um homem ferido é resgatado.

“The Ipcress File” is a film with a very complex plot – almost as complex as “Tinker Taylor Soldier Spy” (2011). Nevertheless, there is room for humor as Harry and his boss talk, not exactly in an amicable way, while they do grocery shop. There is also a very suspenseful sequence in an underground parking lot as a hurt man is traded by cash.


Há uma boa quantidade de ângulos criativos, que nos fazem ver a ação através de lentes de óculos, cabines telefônicas transparentes, pequenas aberturas e buracos nas paredes. De acordo com Michael Caine, o diretor Sidney Furie decidiu filmar as cenas como se o público estivesse seguindo a ação detrás de alguma coisa, como um agente escondido.

There is a fine amount of creative shots, making us see the action through glass lenses, transparent telephone boots, small apertures and holes in walls. According to Michael Caine, director Sidney Furie deliberately chose to shoot the film as the public was following the action hiding behind something, as an undercover agent.


Havia muitas pessoas trabalhando em “Ipcress – Arquivo Confidencial” que haviam trabalhado em filmes do 007:  o produtor Harry Saltzman, o editor Peter Hunt, o designer de produção Ken Adam e o compositor John Barry. Sendo profissionais versáteis, eles conseguiram criar uma atmosfera muito diferente da dos filmes de James Bond – a diferença mais perceptível é a música.

There were many people working on “The Ipcress File” who had also worked in Bond movies: producer Harry Saltzman, editor Peter Hunt, production designer Ken Adam and composer John Barry. As versatile professionals, they managed to create an atmosphere as far from the Bond movies as possible – the most perceptible difference is the soundtrack.


“Ipcress – Arquivo Confidencial” foi um livro escrito por Len Deighton e publicado em 1962. No livro, narrado em primeira pessoa, o agente principal não tem nome. Já que é raro para uma película ser filmada com ponto de vista de primeira pessoa – a primeira metade de “Prisioneiro do Passado” (1947) é uma exceção – os produtores precisavam de um nome para nosso anti-herói. Michael Caine sugeriu o nome, e usou o sobrenome de seu colega de escola mais chato. Caine também escolheu manter os óculos que o personagem usava no livro para fazer Palmer mais humano – e para ajudar na caracterização de Caine, já que o ator usa óculos na vida real. Como alguém que usa óculos, fico feliz em ver um investigador cuja vista é tão ruim quanto a minha.

“The Ipcress File” was a book written by Len Deighton and published in 1962. In the book, narrated in the first person, the lead agent had no name. Since it’s rare for a movie to be filmed with a first person point-of-view – with the first half of “Dark Passage” (1947) being one exception – the producers needed a name for our anti-hero. Michael Caine suggested the name, and took the surname from his most boring school classmate. Caine also chose to keep the glasses the character used in the novel as a way to make Palmer more down-to-Earth – and to help Caine’s characterization, as the actor wears glasses in real life. As someone who wears glasses, I’m happy to see an investigator whose sight is as bad as mine.


“Ipcress – Arquivo Confidencial” deu origem a uma pequena série de filmes – foram seis no total. Michael Caine não interpretou o protagonista em apenas um deles, “Spy Story” (1976), no qual o protagonista recebeu outro nome. Os dois últimos filmes da série não oficial de Harry Palmer foram feitos diretamente para a TV.

“The Ipcress File” originated a small series of films – there were six in total. Michael Caine didn’t play the lead in only one of the films, “Spy Story” (1976), in which the lead was also renamed. The last two films of the unofficial Harry Palmer series were made for TV in the 1990s.


“Ipcress – Arquivo Confidencial” foi um grande sucesso. E como foi também o primeiro filme de Michael Caine como protagonista, ele logo se tornou uma grande estrela – e ele nem era a primeira opção do produtor: Saltzman queria Christopher Plummer para o papel, mas Plummer preferiu fazer “A Noviça Rebelde”. Em 1999, “Ipcress – Arquivo Confidencial” foi escolhido o 59º melhor filme inglês pelo Instituto de Cinema Britânico. E, mesmo com Harry Palmer tendo sido criado para ser o oposto de James Bond, temos de concordar que Michael Caine é tão bacana quanto qualquer ator que fez 007, não?

“The Ipcress File” was a huge success. As it was Michael Caine’s first time as he lead, he soon became a superstar – and he wasn’t even the producer’s first choice: Saltzman wanted Christopher Plummer for the role, but Plummer chose to do “The Sound of Music” instead. In 1999, “The Ipcress File” was voted the 59th best British film ever by the British Film Institute. And, even though Harry Palmer was created to be an anti-Bond, we all can agree that Michael Caine is as cool as any actor who played agent 007, isn’t he?

This is my contribution to the Second Marvellous Michael Caine blogathon, hosted by Gill at Realweegiemidget Reviews.



Friday, March 27, 2015

Série Retrô: Agente 86 / Get Smart

Cone do silêncio. Sapatofone. “O velho truque!” “Você acreditaria se...” Coisas e frases que me fazem simplesmente sorrir. Eles me lembram um dos meus seriados favoritos, aquele que alegrou muitas noites tristes da adolescência e me apresentou o maravilhoso mundo dos clássicos.
Eu tinha 13 anos quando vi meu primeiro episódio de “Agente 86 / Get Smart”. Era o primeiro para mim, mas “And the Baby Makes Four: Part 2” é na verdade parte da última temporada da série. Nunca me esquecerei da grande briga no hospital e as reações que me fizeram querer assistir mais da série.
É muito difícil escolher meu episódio favorito entre os 138 que foram gravados em cinco temporadas. Mas vou analisar o episódio piloto, “Mr Big”, que deu origem à série e, curiosamente, foi o único gravado em preto e branco.
O episódio piloto já apresenta todos os ingredientes para o sucesso da série: a química entre Maxwell Smart, o agente 86 (Don Adams) e a agente 99 (Barbara Feldon), as bugigangas de espião como o sapatofone e o cone do silêncio, os esconderijos mirabolantes do agente 44, um cachorro adorável, a maneira como Max irrita o chefe do CONTROLE (Edward Platt), a presença de um vilão da KAOS, uma ameaça internacional e um ritmo rápido (e por vezes até bobinho).
Os anos 60 tinham dois grandes ídolos espiões, diametralmente opostos: James Bond e inspetor Clouseau. E, por incrível que pareça, Maxwell Smart foi o resultado da junção de Sean Connery com Peter Sellers. Sim, trata-se de uma paródia, e não se podia esperar nada diferente do homem por trás da série: um dos criadores é Mel Brooks, ainda longe do seu auge (mas já genial). O outro criador da série é Buck Henry, co-roteirista de “A primeira noite de um homem / The Graduate” (1967) e diretor da versão de “O Céu pode Esperar / Heaven Can Wait” protagonizada por Warren Beatty em 1978. Brooks disse que a ideia era fazer uma sitcom não sobre uma família, o que era comum na época, mas (por que não?) sobre um idiota. Nascia assim Maxwell Smart.
E a série teve muito, muito êxito (não apenas porque tem gente como eu que vê seus episódios até hoje). Don Adams ganhou o Emmy de Melhor Ator de Comédia três anos seguidos (1967-1969), e “Agente 86 / Get Smart” foi eleita por dois anos (1968 e 1969) a Melhor Série de Comédia. Apesar de ficar feliz com o fim da série após a quinta temporada em 1970, Adams ficou para sempre marcado como Maxwell Smart, e seu maior projeto posterior foi a dublagem do também atrapalhado espião “Inspetor Bugiganga / Inspector Gadget”. Por falar em voz de personagens, Adams afirmou que baseou-se em William Powell para criar a voz de Maxwell Smart.
Agente 86 / Get Smart” foi apenas o começo de uma maravilhosa experiência de mergulho em filmes e séries do passado. Mas como a primeira vez a gente nunca esquece, a série tem um lugar quentinho e cativo no meu coração: sempre serei grata pelas muitas alegrias que Maxwell Smart me trouxe.

This is my contribution to the Favourite TV Show Episode blogathon, hosted by my friend Terence at A Shroud of Thoughts. Lights, camera, action!

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