} Crítica Retrô

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Sunday, June 22, 2014

Irma la Douce (1963)

Amado por quase todos os fãs de cinema que têm bom gosto, Billy Wilder foi um diretor de grandes obras e grandes parcerias. Minha parceria favorita é a de Wilder com Jack Lemmon, que rendeu comédias inesquecíveis. Talvez “Irma la Douce” seja a mais esquecida desses filmes inesquecíveis, mas não porque seja um filme ruim. Pelo contrário: apesar de sua duração um pouco exagerada, a risada corre solta no cais de Paris.


Nestor Patou (Jack Lemmon) é um policial francês que acaba de ser transferido para o cais. Este homem cumpridor da lei acha que o trabalho vai ser fácil, mas ele não sabia que ali funciona um ponto de prostituição. Depois de mandar todas as moças do local para a cadeia, ele perde o emprego, mas se apaixona por uma das “trabalhadoras” do cais: Irma (Shirley MacLaine). Logo Irma e Nestor moram juntos e ele se torna, sem querer, o chefe dos cafetões ao derrotar o ex-namorado de Irma, o nanico Hyppolite (Bruce Yarnell). Mas Nestor não quer que Irma continue trabalhando como prostituta e, com a ajuda do dono do bar Chez Moustache (Lou Jacobi), ele inventa um provedor rico para Irma, o Lorde X.

Já reparou como praticamente todos os filmes de Billy Wilder têm uma festa maluca? Não há melhor lugar para se fazer uma festa no cais de Paris que no Chez Moustache. Os frequentadores são geralmente os cafetões e suas garotas, entre elas Lolita, que usa óculos em formato de coração exatamente como os de Sue Lyon no filme de 1962.


Wilder mostrou que há vários modos de se prostituir com “Se meu apartamento falasse / The Apartment” (1960) e aqui lida com o tema espinhoso da prostituição de uma maneira leve. Shirley MacLaine já havia interpretado uma prostituta em “Sweet Charity” (1957), embora o filme tenha transformado a “mulher da vida” em dançarina. Irma, La Douce (= the sweet) entra para a galeria de adoráveis prostitutas do cinema, que conta também com a Cabíria de Giulietta Masina, a Satine de Nicole Kidman e até a Holly Golightly de Audrey Hepburn. São mulheres que estão no “negócio” por acaso (a própria Irma diz que seguiu os passos da mãe) e sonham em mudar de vida. A chance de Irma aparece quando surge em sua vida o Lorde X, que lhe enche de dinheiro apenas para conversar e jogar cartas.

Shirley MacLaine pode estar adorável com suas roupas verdes, seu charme irresistível e seu penteado exagerado, mas quem brilha é Jack Lemmon. De fato, Jack tem alguns de seus mais memoráveis personagens em filmes de Billy Wilder, a começar pela impagável Daphne de “Quanto mais quente melhor / Some like it hot” (1959), passando pelo simpático C. C. Baxter de “The Apartment” (1960), e indo até “Uma loura por um milhão / The fortune cookie” (1966) e “Avanti!” (1972). É uma pena que Lemmon não ficou com o papel principal de “Beija-me, idiota / Kiss me, stupid!” (1964), filme em que trabalha a esposa de Lemmon, Felicia Farr. Aliás, Lemmon e Felicia se casaram na França durante as filmagens de “Irma la Douce”. Wilder foi o padrinho do casamento.
 
Jack e Felicia
Se foi fácil encontrar o ator perfeito para Nestor, o mesmo não aconteceu com o resto do elenco. Wilder queria, apesar de problemas do passado, contratar Marilyn Monroe para interpretar Irma, isso logo em 1960. Marilyn acabou descobrindo que o diretor a criticou durante as filmagens de “Quanto mais quente melhor” e assim abandonou o projeto. Quando “Irma la Douce” estreou, Marilyn já estava morta. Outro que morreu antes de conseguir o papel foi Charles Lughton, escolhido para ser Moustache. Laughton, que havia sido indicado ao Oscar por outro filme de Wilder “Testemunah de Acusação / Witness for the Prosecution” (1957), faleceu em dezembro de 1962, antes do início das filmagens.

No início, Jack Lemmon foi aconselhado a não aceitar o papel de Nestor, porque ele poderia manchar sua imagem. Mas Lemmon recebeu esse mesmo conselho antes de interpretar Jerry, o músico que se veste de Daphne na divertida comédia de 1959, e foi com esse papel cross-dressing que ele conseguiu sua primeira indicação ao Oscar na categoria Melhor Ator (Jack havia ganhado o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em 1957 por “Mister Roberts”). Já Shirley MacLaine, que aceitou o papel sem ler o roteiro, detestou o resultado. Mas ninguém concordou com ela, e Shirley foi indicada ao Oscar.


“Irma la Douce” foi inspirado em um musical francês que foi também adaptado para a Broadway. Para criar o clima a la française, todos os vidros usados no filme foram importados da França e centenas de objetos franceses foram replicados em Hollywood. Algumas cenas externas foram gravadas na França, inclusive a cena em que Lemmon, como Lorde X, sai do Rio Sena. Mais tarde, recordando-se das inúmeras vacinas que teve de tomar antes de entrar no rio sujo, Lemmon diria que esta tinha sido a cena mais nojenta de sua carreira.


As palavras são muitas para descrever como o clima do filme é adorável. Atrevo-me a dizer que nunca houve nada tão parisiense na tela do cinema americano, o que inclui um cachorrinho bêbado (não tente fazer isso em casa!). “Irma la Douce” foi o filme mais rentável da carreira de Billy Wilder, e só isso já seria motivo suficiente para vê-lo. Em novos tempos, com menos restrições e censuras, não havia dúvidas de que seria o bom e velho Billy o responsável por uma ousadia tão bem-sucedida.


This is my contribution to the Billy Wilder Blogathon, hosted by Aurora at Once Upon a Screen and Kellee at Outspoken & Freckled. But that’s another story!

Thursday, June 19, 2014

O Fabuloso Dr. Dolittle (1967) / Doctor Dolittle (1967)

Considerado um dos piores (se não O pior) indicados ao Oscar de Melhor Filme, “O Fabuloso Doutor Dolittle” também representou o ponto mais baixo da carreira do grande Rex Harrison. Mas, querendo ou não, eu adoro este filme. É meu “guilty pleasure”. E nem posso dizer que o que sinto é uma nostalgia de quem viu um filme na infância e não liga para a qualidade real da obra, porque eu só fui ver as infames aventuras do médico que fala com os animais quando eu tinha 20 anos.

Considered one of the worst (if not THE worst) films to be ever nominated to the Best Picture Oscar, “Doctor Dolittle” also represented the lowest point in Rex Harrison's career. I can't help but love this film. It is my guilty pleasure. And I can't even say that it is a nostalgic feeling of someone who saw this film as a child and doesn't care for the real artistic qualities, because I only saw the infamous adventures of the doctor who talks to animals when I was 20.


John Dolittle (Rex Harrison) é um veterinário que fala com os animais. Seu maior objetivo no momento é encontrar o misterioso caracol rosa gigante (“Great Pink Sea Snail”). Já dá para imaginar como o filme vai ser bizarro. Junto com ele vão Emma Fairfax (Samantha Eggar), Matthew Mugg (Anthony Newley) e o garotinho Tommy Stubbins (William Dix). Antes de partir, ele conta a seus novos amigos que foi com a ajuda do papagaio Polinésia que ele, um médico comum, aprendeu a se comunicar com os animais.

John Dolittle (Rex Harrison) is a veterinarian who talks to animals. His biggest goal at the moment is to find the mysterious Great Pink Sea Snail. For this alone you can imagine how bizarre the film is. Accompanying him there are Emma Fairfax (Samantha Eggar), Matthew Mugg (Anthony Newley) and the little boy Tommy Stubbins (William Dix). Before leaving, he tells his new friends that he, a common doctor, learned to talk to animals with a little help from the parrot Polinesia.
"Great Pink Sea Snail"

Embora estar cercado de animais possa parecer um sonho para muitos (e certamente é um prazer para o doutor Dolittle), o que aconteceu nas gravações foi um pequeno inferno na Arca de Noé. Rex Harrison foi ferido diversas vezes pelos animais e serviu de vaso sanitário para as ovelhas urinarem. Esquilos comeram parte do cenário, um esquilo desmaiou depois de tomar gim e uma cabra comeu o roteiro. Polinésia, o papagaio, aprendeu a dizer “corta” e atrapalhou a gravação de um número musical, fazendo com que Harrison dissesse, bem-humorado: “é a primeira vez que eu sou dirigido por um papagaio!”.

Although being sorrounded by animals may sound like a dream for many (and it certainly is a pleasure for doctor Dolittle), the shooting was like a small hell in Noah's Ark. Rex Harrison was hurt several times by the animals and was used as a toilet by sheep. Squirrels ate part of the set, a squirrel passed out after drinking gin and a goat ate the script. Polinesia, the parrot, learned to yell “cut” and interrupted the shooting of a musical number, to what Harrison, in a good mood, answered: “it's the first time I'm directed by a parrot!”


E por que “O Fabuloso Doutor Dolittle” foi um fracasso? Talvez por sua duração exagerada (152 minutos)? Ora, “Mary Poppins” (1964) tem 144 minutos e tudo mundo ama Mary Poppins! Seriam os animais (em especial o caracol rosa que não é rosa)? Não, todas as crianças adoram animais, e o dito caracol ajudou o filme a ganhar o Oscar de Melhores Efeitos Especiais (a lhama de duas cabeças “Pushmi-Pullyu” já é outra história). Hum, talvez a história inverossímil e cheia de reviravoltas em circos, tribunais e hospícios? Talvez, talvez...

Why was “Doctor Dolittle” a disappointment? Maybe because it was 152 minutes long? Well, “Mary Poppins” (1964) is 144 minutes long and everybody loves Mary Poppins! Were the animals the cause (in special the pink snail that wasn't pink)? No, all kids love animals, and the said snail made the film win the Best Special Effects Oscar (the two-headed llama Pushmi-Pullyu is something eles). Maybe it was the unbelievable story, full of plot twists in circuses, courts and asylums? Maybe, maybe...

Mesmo o fato de Dolittle ser um homem que gosta mais de animais do que de pessoas (nas próprias palavras do médico) já foi apontado como uma das causas do fracasso do filme. Em um ano dominado por “No Calor da Noite / In the Heat of the Night”, que ganhou 5 Oscars, foi surpreendente ver “O Fabuloso Doutor Dolittle” com nove indicações e dois prêmios – um deles, o de Melhor Canção Original pela adorável “Talk to the Animals”. Truman Capote, enfurecido pelo filme “A Sangue Frio”, baseado em seu livro, não ter sido indicado ao Oscar, disse na ocasião: “Anything allowing a Dolittle to happen is so rooked up it doesn’t mean anything!”.

The fact that Dolittle was a man who likes animals more than people (he says that in the movie) was also cited as one of the causes for the film’s box-office failure. In a year dominated by “In the Heat of the Night”, a film that won 5 Oscars, it was a surprise to see “Doctor Dolittle” with nine nominations and two awards – one of them being Best Original Song for the adorable “Talk to the Animals”. Truman Capote, angered because the movie “In Cold Blood”, based on his book, wasn’t nominated to the Oscar, said: “Anything allowing a Dolittle to happen is so rooked up it doesn’t mean anything!”.


Talvez a maior crítica feita ao filme seja o fato de Rex Harrison não saber cantar. Talvez a escolha de um cantor profissional para o papel protagonista tivesse sido mais interessante. Eu, pessoalmente, adoraria ver Frank Sinatra ou Bing Crosby como Doutor Dolittle! (Pense bem: Sinatra seria a escolha mais FASCINANTE possível para o papel!).

Maybe the biggest criticism made to the film is that Rex Harrison can’t sing. Maybe it’d have been more interesting if a professional singer was chosen instead. I, personally, would love to see Frank Sinatra or Bing Crosby as Doctor Dolittle! (Think: Sinatra would have been the most FASCINATING choice for the role!).

Quem quer um boneco do Rex Harrison? /
Who wants a Rex Harrison doll?
Mas a polêmica é maior: Rex Harrison aceitou o papel porque trabalharia novamente com o letrista Alan Jay Lerner, de “My Fair Lady”, peça que rendeu um Tony e um Oscar a Rex (e não é uma estranha coincidência que o nome da protagonista de “My Fair Lady” seja Eliza Doolittle?). Mas Lerner foi demitido na fase de pré-produção e, devido às suas reclamações, Rex perdeu o emprego pouco depois. Mas, ao saber que Christopher Plummer poderia ser seu substituto, o bom e velho Rex Harrison foi pedir o papel de volta. Mesmo assim, Plummer recebeu os 300 mil dólares do contrato. Outras opções para o papel principal eram Alec Guinness, Jack Lemmon, Peter Sellers e Peter Ustinov (eu escolheria Jack Lemmon).

But there is more trouble: Rex Harrison only accepted the role because he’d work again with lyricist Alan Jay Lerner, from “My Fair Lady”, a play and movie that gave a Tony and an Oscar to Harrison (and isn’t it a weird coincidence that the lead of “My Fair Lady” is named Eliza Doolittle?). However, Lerner was fired during pre-production and, after complaining, Rex Harrison was also fired. When he learned that Christopher Plummer could replace him, good old Rex begged to have the role back. Plummer received 300 thousand dollars anyway, because he had signed a contract. Other options for the role were Alec Guinness, Jack Lemmon, Peter Sellers and Peter Ustinov (I’d have picked Jack Lemmon).


Logo após o sucesso estrondoso de “A Noviça Rebelde / The Sound of Music” (1965), a Fox decidiu investir em musicais grandiosos. Foram três tentativas, e todas fracassaram. “O Fabuloso Doutor Dolittle” foi a aposta de 1967, enquanto em 1968 a grande produção era “A Estrela / Star!”, com Julie Andrews, e em 1969 foi a vez de “Hello, Dolly!”, estrelando Barbra Streisand e com direção de Gene Kelly.

Right after “The Sound of Music” (1965), which was a huge triumph, Fox decided to invest in big musicals. Three attempts were made, and all three failed. “Doctor Dolittle” was the 1967 attempt, while in 1968 the big production was “Star!”, with Julie Andrews, and in 1969 it was “Hello, Dolly!”, syarring Barbra Streisand and directed by Gene Kelly.

DENTRO do "Great Pink Sea Snail"! /
Inside the Great Pink Sea Snail!

O personagem doutor Dolittle foi inventado por Hugh Lofting nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, de onde ele escrevia cartas esperançosas para os filhos. As histórias foram publicadas em 1920, com sucesso instantâneo, e serviram de base para um desenho animado alemão de 1928 e uma série de rádio na década de 1930. A personagem Emma não existia nos livros e foi criada exclusivamente para adicionar romance ao filme. E que romance: ela é cobiçada ao mesmo tempo por Dolittle e Matthew!

The character Doctor Dolittle was invented by Hugh Lofting when he was fighting in World War I, and wrote, from the trenches, hopeful letter to his children. The stories were published in 1920, with instant success, and inspired a German cartoon in 1928 and a radio series in the 1930s. The character Emma didn’t exist in the books and was created to add romance to the movie. And what a romance: she is courted by both Dolittle and Matthew!


Mas vamos analisar com calma: “O Fabuloso Doutor Dolittle” é um belo filme, não apenas visualmente. As músicas são adoráveis, embora não memoráveis, e Rex Harrison dá ao médico ares de gentleman poliglota. O modo como os nativos africanos são retratados, como homens inteligentes, vai na contramão dos costumes da época e também dos livros de Hugh Lofting. E pensar que o papel do rei William Shakespeare X (Geoffrey Holder) tinha sido oferecido para Sidney Poitier!

But let’s analyze it with calm: “Doctor Dolittle” is a beautiful film, and not only visually speaking. The songs are adorable, although not remarkable, and Rex Harrison makes the doctor look like a multilingual gentleman. The way the African people is portrayed, as intelligent men, is the opposite of what was expected at the time, and also the opposite of what can be found in Hugh Lofting’s books. Imagine that the role of king William Shakespeare X (Geoffrey Holder) was offered to Sidney Poitier!


Esqueça o que foi dito sobre “O Fabuloso Doutor Dolittle”. Veja o filme. Se este post de defesa de um filme tão adorável não foi capaz de convencer você de que vale à pena vê-lo, talvez estes créditos iniciais fofos o convençam:

Forget about what has been said about “Doctor Dolittle”. Watch the movie. If this article defending such an adorable film wasn’t enough to convince you that it is worth watching, maybe these cute opening credits can convince you:


This is my contribution to the “1967 in Film” Blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings and Rosie at The Rosebud Cinema.

Monday, June 2, 2014

Interlúdio (1946) / Notorious (1946)

O mestre do suspense. Dois dos melhores e mais charmosos atores da época: uma pérola sueca e um diamante inglês. Um beijo provocante e quente. Um coadjuvante brilhante. A cidade maravilhosa. Essa combinação só poderia resultar em uma obra-prima.

The Master of Suspense. Two of the Best and most charming performers from the time: a Swedish pearl and an English diamond. A provocative hot kiss. A brilliant supporting player. The Marvelous City. This mix could only generate a masterpiece.


Alicia Huberman (Ingrid Bergman) sofreu um duro golpe familiar: seu pai foi considerado traidor do país e condenado à prisão. Depois de ser convencida de que seu desprezo pelo pai traidor é uma prova de amor à América, Alicia aceita a proposta de T. R. Devlin (Cary Grant) e se torna uma caçadora de nazistas no Rio de Janeiro. A missão parece ser levada longe demais quando Alicia se casa com Alexander Sebastian (Claude Rains), prova viva de que por trás de um grande vilão há sempre uma mãe insuportável (Madame Konstantin).

Alicia Huberman (Ingrid Bergman) suffered a hard familiar disappointment: her father was considered a traitor to his country and arrested. After being convinced that despising her father is a way to prove she loves America, Alicia accepts and offer from T.R Devlin (Cary Grant) and becomes a Nazi hunter in Rio de Janeiro. Her mission goes too far when she married Alexander Sebastian (Claude Rains), the living proof that behind a great villain there is always a horrible mother (Madame Konstantin).


Alicia e Devlin continuam se encontrando. Ela está apaixonada, apesar do casamento com Alexander, mas Devlin esconde seus sentimentos. Juntos em uma festa na luxuosa mansão Sebastian, eles vão revistar a adega em uma das cenas mais angustiantes do filme. Logo antes de Alicia e Devlin descerem à adega, temos o famoso travelling em que Hitchcock começa do topo das escadas e termina focalizando a chave na mão de Alicia. Após as filmagens, Grant ficou com a chave e, anos depois, deu-a para Ingrid Bergman, desejando que o objeto lhe servisse de amuleto.

Alicia and Devlin still meet. She is in love with him, no matter if she is married to Alexander, but Devlin hides his feelings. Together in a party in the sumptuous Sebastian house, they visit the wine cellar in one of the most suspenseful scenes in the movie. Right before Alicia ands Devlin go to the wine cellar, we have the famous travelling starting in the top of the staris and ending in a close-up of the key in Alicia’s hand. When shooting wrapped, Grant got the key and years later gave it to Bergman, wishing it could work as a good luck charm for her.


Embora o projeto do filme tenha sido iniciado por David O. Selznick, no meio do caminho ele vendeu todo o pacote para a RKO (o diretor / produtor estava tendo problemas com “Duelo ao Sol”) e lá se foi, feliz da vida, Hitchcock filmar com liberdade, livre dos memorandos contínuos do patrão Selznick.

Although David O. Selznick started the film project, he ended up selling the whole package to RKO – because of his problems in the making of Duel in the Sun – and there Hitchcock went, happy for the first time in the US: he could finally have creative freedom over his films, and wouldn’t have to be ruled by Selznick’s memoranduns. 



E essa liberdade ficou óbvia na cena mais ousada do filme, quiçá da década: o demorado beijo entre Cary Grant e Ingrid Bergman no apartamento de frente para o mar. Se na época do Código Hays a duração máxima de um beijo era de três segundos, Hitchcock contornou a regra ao juntar vários beijos de três segundos, entrecortados por uma conversa simples e caseira, em uma cena de três minutos de pura luxúria tropical.

And this creative freedom is better seen at the most daring scene of the film – and maybe even of the decade: the long, long kiss between Cary Grant and Ingrid Bergman in the apartment. Under the Hays Code, the maximum duration of screen kiss was three seconds, and Hitchcock worked wisely in order to not break the rule: he put together several three-second kisses, cut by an irrelevant conversation, in a scene of pure tropical luxury.


O elenco do filme é primoroso. Mesmo assim, algumas brigas ocorreram até que todos fossem escalados. Hitchcock queria Grant para o papel de Devlin. Selznick queria Joseph Cotten. Hitchcock queria Clifton Webb para interpretar Alexander. A opção de Selznick sempre foi Claude Rains. Hitchcock e Selznick tentaram contratar Ethel Barrymore para o papel da Madame Anna Sebastian. Com o fracasso veio a indicação da atriz alemã Leopoldine Konstantin, que teve em “Interlúdio” seu único trabalho em Hollywood. Mas que grande trabalho foi esse! 

The cast is just fabulous. But there were still troubles in assembling them. Hitchcock wanted Grant for the role of Devlin. Selznick wanted Joseph Cotton. Hitchcock wanted Clifton Webb to play Alexander. Selznick always insisted on casting Claude Rains. Both Hitchcock and Selznick tried to hire Ethel Barrymore to play Madame Anna Sebastian. With the negative they were introduced to German actress Leopoldine Konstantin, who only made “Notorious” in Hollywood. But what an impression she left!


Embora a maioria dos filmes sobre espionagem seja protagonizada por homens, “Interlúdio” mostra a bravura das mulheres em tempos de guerra. De fato, a maioria das espiãs agiu em meio à guerra (alô, alô Mata Hari), e muitas não sobreviveram para contar suas várias histórias. Essas moças corajosas muitas vezes usavam como principal arma a sedução, o que acontece também aqui com Alicia. E ela também corre o risco de ser eliminada. Mas, no caso de Alicia, ela não deve temer um pelotão de fuzilamento, mas sim sua própria xícara de chá envenenado!

Even though most spy films have male leads, “Notorious” shows how brave women are in war. Indeed, most female spies worked during wars (cof, cof, Mata Hari), and so many of them didn’t survive to tell their missions. These bold women often used seduction as their main weapon, and Alicia does it, too. And she is also risking to be killed. But, in Alicia’s case, she must not fear a firing squad, but a cup of poisoned tea!


Não podemos nos esquecer de que a maior parte da ação se passa no Brasil! O erro de geografia foi pequeno, pois muitos nazistas de fato vieram para a América do Sul, mas o destino deles foi majoritariamente a Argentina. Mesmo assim, há um fato sinistro envolvendo nazistas: Josef Mengele passou os últimos anos da vida no Brasil, morrendo afogado em uma praia de Bertioga. Aliás, associar nazistas com o Brasil foi um ato também do novelista Ira Levin, autor de “Os meninos do Brasil”. 

We can’t forget that most of the action happens in Brazil! The geographical mistake was no so big, because many Nazis came to Latin America, but most of them went to the neighboring country of Argentina. But there is still a chilling fact connecting Brazil and the Nazis: Josef Mengele spent the last years of his life in Brazil, and his cause of death was drowning in a beach in Bertioga. By the way, another person who associated Nazis with Brazil was novelist Ira Levin, the author of “The Boys from Brazil”. 



O sempre talentoso roteirista Ben Hecht mais uma vez trabalhou com Hitchcock em uma história tão explosiva quanto o urânio que aparece em um possível plano de Alexander Sebastian e seus camaradas nazistas criarem uma bomba atômica. Depois de lidar com o tema do urânio no filme, Hitchcock ficou alguns meses sendo vigiado pelo FBI. Mas o que realmente é explosivo é o elenco. O nanico Claude Rains mostra seu talento gigante. E só uma coisa pode ser dita sobre Grant e Bergman: que pena que não fizeram mais filmes juntos!

Ben Hecht, always a talented screenwriter, once more worked with Hitchcock to develop a story as explosive as the uranium we find in a plan Alexander Sebastian and his fellow Nazis have to create an atomic bomb. After dealing with uranium in the film, Hitchcock was followed by FBI for months. But the most flammable thing here is the cast. Short man Claude Rains shows his gigantic talent. And only one thing can be said about Grant and Bergman: too bad they only worked together in two films!

This is my contribution to the Snoopathon, a classic detective blogathon hosted by Fritzi at Movies, Silently.  

Thursday, May 22, 2014

Estudando cinema... sem sair de casa! – Parte 2

Oops I did it again! Sim, eu me matriculei em mais um curso online. Sim, era um curso online sobre cinema. E sim, era da Wesleyan University. Acompanhe agora mais um episódio das minhas aventuras como caçadora de diplomas!
                                         
Vendo a sessão sobre cursos de arte, ainda no mês de março, eu vi um anúncio de um novo curso sobre cinema chamado “I Do and I Don’t”, que começaria no dia 21 de abril. O assunto: casamento no cinema. Como os filmes mostraram a vida de casados? Quais as diferenças entre uma época e outra? Quais os problemas que os casais cinematográficos enfrentavam? O que constitui um “marriage movie”? Essas eram as perguntas a serem respondidas pela professora (e responsável pelo rico acervo da Wesleyan University) Jeanine Basinger. Ela é também autora do livro que serviu de base para o curso, e sobre o qual eu só ouvi elogios.
Foram cinco semanas de aula e dez filmes para serem assistidos como exemplo e dever de casa. Entretanto, vê-los não era obrigatório, de modo que se alguém não conseguisse encontrar alguns deles, não ficaria prejudicado (talvez só recebesse spoilers). Os filmes eram mais para exemplificação que para análise, o contrário do que aconteceu no primeiro MOOC de cinema da Wesleyan, The Language of Hollywood.

Por incrível que pareça, eu e mais outras pessoas do curso gostamos mais do filme que não era para ser assistido como exemplo, mas que foi recomendado em uma lição: “Fogo de Outono / Dodsworth” (1936). Um casal de meia idade, Sam e Fran Dodsworth (Walter Huston e Ruth Chatterton) vai para a Europa depois que Sam vende sua fábrica de automóveis. Ambos têm medo da velhice, e cada um a enfrenta de seu jeito: enquanto Sam quer mostrar-se útil e ativo, Fran prefere paquerar homens mais novos (!). Excluindo este filme, o melhor é o belo e agridoce “Desencanto / Brief Encounter” (1945), sobre uma dona de casa simplória (Celia Johnson) que começa um affair com um médico (Trevor Howard), encontrando-se com ele todas as quintas-feiras.
Dodsworth (1936)
Outro escolhido foi “A costela de Adão / Adam’s Rib” (1949) e, embora seja um bom filme sobre problemas na vida conjugal, eu acredito que seria melhor ter passado aos alunos a tarefa de ver “A mulher do dia / Woman of the Year” (1942), com a mesma dupla Hepburn-Tracy, mas com um enredo no qual a maioria dos casais se identificaria. E mais um filme excelente indicado foi “Desde que partiste / Since you went away” (1944), com um elenco esplêndido.

Embora a terceira semana, sobre os sete problemas que o cinema impunha para transformar em drama a vida de um casal feliz, tenha sido muito interessante, a minha semana preferida foi a primeira, sobre “marriage movies” no cinema mudo. Esta semana também me deixou com excelentes indicações de filmes para procurar, entre eles os muitos de De Mille com Gloria Swanson. E, para melhorar, a primeira semana também teve a exibição de “Orquídeas Silvestres / Wild Orchids” (1929), uma espécie de “O Véu Pintado / The Painted Veil” (1934) em Java estrelando Greta Garbo, Lewis Stone e o belo e exótico Nils Asther.

Um problema que eu vi neste curso e não havia visto em nenhum outro foi a quantidade de pessoas insatisfeitas nos fóruns. Muitas reclamavam que tinham de comprar ou alugar os filmes para um curso que se dizia gratuito. Outras tantas começaram a levar para o lado pessoal, dizendo que não gostavam de filmes tristes ou, pior, o que aconteceu comigo: comecei um tópico sobre “remarriage comedy”, um termo que vi pela primeira vez em um blog que comentava o filme “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940). “Remarriage comedy” é aquele filme que começa com o divórcio e toma todo o caminho para mostrar que o casal deve ficar junto no final. Pois bem, a resposta que eu recebi foi de uma pessoa reclamando sobre como os participantes do curso se achavam verdadeiros psicólogos, “marriage consultants”, e ainda essa pessoa começou a dizer como o casamento dela havia sido horrível! Na próxima sessão de cursos como esse eu sugiro que a plataforma Coursera proíba comentários anônimos.
Jeanine Basinger
Mas, afinal, o que é “marriage movie”? Segundo Jeanine, é aquele filme que seria completamente diferente se os personagens não fossem casados. Mas, mais do que isso, eu aprendi algo muito profundo com esse curso: que o divórcio foi uma das melhores coisas já inventadas. Ou, nas palavras de Gloria Swanson:


“I don’t believe in marriage as an institution. I believe in divorce as an institution”.

Monday, May 12, 2014

Sonata de Amor / Song of Love (1947)

Aqui no blog eu já falei muitas vezes sobre meu ator favorito (James Cagney), meu diretor favorito (OrsonWelles) e meu filme favorito (Nasce uma Estrela, de 1937). Mas nunca havia dedicado um post sequer à minha atriz favorita. Nunca, mas isso muda agora. E por que eu não havia me atrevido a escrever sobre Katharine Hepburn? Simples: porque, mesmo para uma pessoa que tem afinidade com as palavras, eu não sabia como expressar corretamente e com a real intensidade o que eu sinto quando vejo Kate na tela. A vitalidade, o talento inigualável, a independência, a irreverência, o exemplo maior de mulher que um dia eu sonho ser. Vou tentar, mas não sei se conseguirei demonstrar toda minha admiração por Kate nesse filme em que ela, oportunamente, interpreta uma grande mulher: Clara Schumann.
O ano é 1839. A pianista Clara Wieck está se apresentando para o rei e, ousadamente, desobedece ao pai e toca a nova composição do homem por quem está apaixonada, Robert Schumann (Paul Henreid). O pai dela não fica nem um pouco satisfeito, e a raiva aumenta quando Clara diz que quer se casar com Robert. Mr. Wieck protesta, dizendo que ela precisa de um marido rico e não um pianista que está tentando fazer sucesso. Mas, se o sucesso era necessário, ele veio na figura do homem que defendeu a união de Clara e Robert: o já famoso pianista e compositor Franz Liszt (Henry Daniell).
Dez anos mais tarde, o jovem Johanness Brahms (Robert Walker) chega à casa de Schumann, professor de piano, onde encontra uma empregada mal-humorada, oito crianças e uma galinha. Ele é recebido pelo casal Schumann, e ambos ficam encantados com a composição de Brahms que, além de ser convidado a morar e estudar com eles, ainda ajuda a cozinhar durante a festa de Ano Novo.
Uma crise conjugal começa a se delinear quando Clara faz um concerto para pagar as contas, de modo que Robert possa compor suas melodias. Como ela mesma diz, “o que eu faço está aqui hoje e amanhã sumiu. Sua música é para o futuro!”. Enquanto isso, Robert passa a sentir fortes dores de cabeça e Brahms precisa esconder seus sentimentos por Clara.
Clara Schumann (1819-1896) também foi compositora, embora a obra de eu marido seja mais famosa que a dela. O caso dos Schumann foi um exemplo clássico em que a mulher fez o homem: foi apresentando as canções de Robert em seus concertos que Clara tornou-o conhecido e admirado.
No início do filme, Clara deveria ter 20 anos, o que não parece verdade, pois Katharine Hepburn tinha 40 na época da filmagem. É interessante como o pai de Clara reclama por Robert ser dez anos mais velho e sem perspectiva, pois Paul Henreid, além de ser um ator respeitado, era um ano mais novo que Hepburn. Apesar de não ter filhos, Kate brilha nas cenas emocionantes com as crianças, embora o mais à vontade com os pequenos seja mesmo Robert Walker, já que Brahms se transforma em um “tio querido”. E, por falar em homens importantes, Paul Henreid conta em sua autobiografia que todas as manhãs Spencer Tracy visitava o set de filmagem e perguntava a Henreid se Kate estava se comportando bem.
Quando eu me sentei para ver este filme, fazia já alguns meses que eu não via uma película com Hepburn. E como eu senti falta dela! Daquela voz inconfundível, dos olhos que se enchem de lágrimas nos momentos tristes, do rosto firme e enérgico, das bochechas inigualáveis, da vulnerabilidade em cena, do porte ao andar, do talento! Como eu sentia saudade da mulher que disse “If you obey all the rules, you’ll miss all the fun”!
Como a maioria dos filmes de época, este também tem figurinos lindos e uma trilha sonora clássica ainda mais linda. Com “Sonata de Amor”, eu aprendi a admirar Clara Schumann, não apenas porque ela foi uma mulher extraordinária, mas porque Katharine Hepburn foi ela. Ou será que Clara é que foi Katharine Hepburn?


This is my contribution to the Great Katharine Hepburn blogathon, hosted by Margaret Perry, the most knowledgeable Kate Hepburn expert on the internet.

Monday, May 5, 2014

Lloyd’s de Londres / Lloyd’s of London (1936)

Na minha humilde opinião, Tyrone Power foi o homem mais bonito a aparecer numa tela de cinema. Esqueça Valentino,Gable, Paul Newman, George Clooney ou Johnny Depp. A beleza de Ty era perfeita. Alto, magro, moreno, olhos expressivos, nariz perfeito. Sua beleza estava no auge nos anos 30 (mais uma vez, esta é uma opinião pessoal), e ver Ty neste momento do auge da juventude e de maturação do talento não tem preço.

In my humble opinion, Tyrone Power was the most handsome man to ever appear in a movie screen. Forget Valentino, Gable, Paul Newman, George Clooney or Johnny Depp. Ty's beauty was perfect. Tall, slim, dark, expressive eyes, perfect nose. He was his most beautiful during the 1930s (again, my own personal opinion), and to see Ty at this moment, in the climax of his youth and maturing as an actor, is priceless.
Lloyd’s of London” é o primeiro filme em que ele é creditado apenas como Tyrone Power, e não Tyrone Power Jr. Seu pai havia sido um famoso ator de teatro que também fez filmes mudos (e se parecia um pouco com Francis X Bushman). Mas na primeira meia hora nem vemos sinal da nova estrela da 20th Century Fox. No começo do filme, o garoto destemido Jonathan Blake é vivido por Freddie Bartholomew, ator mirim de sucesso que recebe top billing (seu nome é o primeiro nos créditos). Jonathan deixa seu amigo rico Horatio Nelson no interior e vai até Londres a pé para avisar uma companhia de seguros sobre planos de um navio pirata.

Lloyd's of London” is the first film in which he is credited only as Tyrone Power, and not as Tyrone Power Jr. His father was a famous theater actor who also appeared in silent films (and looked a lot like Francis X. Bushman). But in the first half hour we don't even see the new star of 20th  Century Fox. At the beginning of the movie, the boy Jonathan Blake is played by Freddie Bartholomew, the child star with the top billing. Jonathan leaves his rich friend Horatio Nelson on the countryside and goes on foot until London to warn an insurance company about plans from a pirate ship.
Quando a casa de seguros Lloyd’s percebe que o menino falou a verdade e que isso os livrou de um prejuízo milionário, Jonathan se torna o protegido do administrador do local, e cresce naquele ambiente. Seu amigo Horatio se alista na Marinha e alcança um alto cargo como comandante de um navio nas guerras contra Napoleão Bonaparte (o ano então é 1784).

When the insurance house Lloyd's realizes that the boy told the truth and that he prevented them from losing millions, Jonathan becomes the local head's protegée and grows up in that environment. His friend Horatio joins the Marines and achieves a high position as the commander of a ship during the wars against Napoleon Bonaparte (the year then is 1784).

E já que o cenário é França contra Inglaterra, Jonathan vai a Paris e resgata uma bela inglesa, Elizabeth (Madeleine Carroll), que está sendo hostilizada por um grupo francês. Jonathan se apaixona, mas Elizabeth prefere manter sua identidade oculta enquanto os dois dividem um barco de volta para casa.

And since the issue is France against England, Jonathan goes to Paris to rescue a beautiful English lady, Elizabeth (Madeleine Carroll), who is being hostilized by a French group. Jonathan falls in love, but Elizabeth prefers to keep her real identity a secret while the two share a boat back home.
Jonathan descobre, depois de um breve período de depressão, que Elizabeth é da nobreza e, pior, é casada. Para provar seu valor, ele passa a ascender socialmente com seu trabalho, arriscando cada vez mais os negócios da seguradora. E uma decisão da frota de Horatio será decisiva não apenas para salvar a Lloyd’s, mas também para recuperar o dinheiro que Elizabeth investiu na seguradora e até mesmo para que Jonathan continue vivo e fora da cadeia.

Jonathan finds out, after a short sad period, that Elizabeth is a noblewoman and, worse, is married. To prove his value, he ascends socially through his work, putting more and more the businesses of the insuracne house at risk. And a decision coming from Horatio's ships will be very important not only to save the Lloyd's, but also to recover the money Elizabeth invested in the insurance house and also to keep Jonathan alive and far from the jail.
Este, entretanto, não é o filme em que Ty está mais bonito. Na minha opinião (estou opinando muito hoje), é em “Maria Antonieta” (1938) que sua beleza está mais acentuada. E olhem bem: ambos Maria Antonieta e Lloyd’s of London são filmes históricos, que se passam na mesma época, com uma década de diferença. Ty certamente se deu bem em filmes históricos, embora vez ou outra o figurino não ajudasse. Aqui, por exemplo, ele usa em uma cena uma roupa digna de gnomo na parada do St. Patrick’s Day!

This isn't, however, the film in which Ty looks his most handsome. In my opinion (I'm opinating a lot today), it is in “Marie Antoinette” (1938) that he looks his best. And pay attention: both Marie Antoinette and Lloyd's of London are historical films set in the same time period, with  a decade separating the settings. Ty certainly did well in historical pieces, even if the wardrobe didn't help him always. Here, for instance, his uses in one scene an outfit that could belong to a leprechaun at the St. Patrick's Day parade!
Lloyds’ of London” está longe de ser uma obra-prima. Mas foi importante por ser o primeiro grande filme da carreira de Tyrone. No início, o papel de Jonathan era do grande amigo de Power, Don Ameche, mas Ty foi escalado no lugar e se tornou a estrela que Ameche nunca seria (apesar do relativo sucesso na época, hoje Power é mais conhecido e lembrado que Ameche).

Lloyds' of London” is far from being a masterpiece. But it was important because it was the first film from Tyrone's career. Before production started, the role of Jonathan was going to Power's good friend, Don Ameche. But Ty was chosen instead and became the star Ameche never could be (although Ameche was a successful actor, nowadays Power is better known than him).
Ty viveu apenas 44 anos, mas deixou sua marca no mundo. Ator de cinema e teatro, combatente na Segunda Guerra Mundial, ídolo das multidões. Vê-lo aos 22 anos em “Lloyd’s of London” é a oportunidade única que temos de dizer: “assim nasce uma estrela”.

Ty lived for only 44 years, but left his mark in the world. A film and theater actor, he was also a combatent during World War II and the idol of the crowds. To see him at age 22 in “Lloyds' of London” is the opportunity we have to say: “this is how a star is born”.

This is my contribution to the Power- Mad blogathon, hosted by Patty at The Lady Eve and Patti at They Don't Make 'Em Like They Used To in honor of the 100th birthday of Tyrone Power, the Greek god of the 20th century.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...