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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Todos os homens do presidente: investigações e reflexões

O escândalo do Watergate foi responsável pela renúncia do presidente norte-americano Richard Nixon nos anos 1970. Fato bem conhecido dos americanos, mas não tão famoso no Brasil. Ele é tão importante na história americana que não poderia deixar de virar filme. “Todos os homens do presidente” torna o Watergate e todo seu processo mais acessíveis aos não-americanos e também gera no espectador uma série de questionamentos e reflexões.
Bob Woodward (Rober Redford) e Carl Bernstein (Dustin Hoffman) são os dois jornalistas do Washington Post que veem no roubo de documentos da sede do comitê de reeleição algo além de um simples furto. Com algum esforço eles convencem o chefe (Jason Robards, ganhador do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) a deixá-los investigar o caso, embora em muitas ocasiões o chefe se oponha a publicar as matérias deles por falta de provas concretas. Mal sabia ele que o jornal tinha nas mãos o furo do século.
Ė muito interessante observar como a investigação era feita nas redações de jornal antes da era digital. Bob fica longo tempo no telefone, consulta listas telefônicas e tenta montar uma rede de pessoas ligadas ao caso. De conversa em conversa percebe que muitos documentos de conteúdo indesejado foram sumindo. Carl, por sua vez, é um homem de ação, que sai às ruas para procurar os envolvidos, sem medo de baterem a porta em sua cara.
O trabalho de detetive dos dois é emocionante, embora hoje possamos todos nós ser um pouco detetives. Com a explosão das redes sociais e de mecanismos de busca é possível encontrarmos antigos colegas, parentes distantes ou qualquer outra pessoa de nosso interesse. Basta termos uma informação, um nome que seja, e temos acesso imediato a mais toneladas de outras informações. Hoje quase todas as pessoas usam a Internet e é praticamente impossível utilizá-la sem deixar rastros.
Woodward e Bernstein, os originais
É muito interessante ver como os dois repórteres não fazem sua investigação incógnitos. Eles sempre se apresentam como funcionários do Washington Post, seja em um encontro com um figurão ou em uma conversa telefônica. Não conheço a fundo o funcionamento das investigações jornalísticas, mas acredito que pelo menos atualmente as buscas para reportagens importantes sejam feitas com mais discrição. 
Em 2000 foi feito um making-off do filme com todos os envolvidos que ainda estavam vivos, incluindo Woodward e Bernstein, e Redford disse que se o Watergate ocorresse hoje, ele teria um desdobramento muito diferente. Com certeza o poder da mídia aumentou, mas as grandes reportagens investigativas não são comuns, aparecendo vez ou outra em programas jornalísticos ou livros escritos por jornalistas. O certo é que, independente de como é feita uma investigação, é a pressão da opinião pública que leva um político como Nixon a renunciar e, em uma época em que acompanhamos praticamente na íntegra a alguns julgamentos pela televisão, a opinião do povo deveria servir cada vez mais como um décimo terceiro jurado.
Para concluir, já que estamos tratando de assuntos virtuais, quem tem boa memória deve se lembrar de um post feito lá em meados de maio e intitulado “Hitchcock, cinema mudo, perda e restauração” que, entre outras coisas, falava sobre a redescoberta de fragmentos de um dos primeiros esforços de Hitch no cinema, “The White Shadow” (1924). Esse post foi parte de uma blogagem coletiva que deu resultado: conseguimos o suficiente para restaurar a cópia, inserir trilha sonora e, o melhor de tudo, exibir o filme! Até o dia 15 de janeiro esta pequena joia estará disponível de graça para qualquer cidadão no site do National Film Preservation. Eu já conferi e posso dizer que quase nem se nota que o filme está incompleto. Não percam essa chance que só a Internet nos proporciona!

10 comentários:

Marcelo C,M disse...

Vi esses tempos esse filme e fico impressionado como o filme envelheceu bem conforme os anos foram passando.

Rubi disse...

Estou pra assisitir este filme há tempos; mas por alguma razão fui deixando passar. No entanto, como não ficar curiosa depois de ler uma resenha dessas?

Beijos!

Hugo disse...

O caso Watergate deveria servir de exemplo para os escândalos que ocorrem no Brasil e que poucos são responsabilizados.

O filme é ótimo, um exemplo de como fazer um longa tenso sem precisar de cenas de ação.

Até mais

Regi disse...

Todos os homens do presidente é um dos meus filmes preferidos. Me dá mais coragem para terminar a faculdade: o poder de denúncia da mídia.

Sobre o filme do Hitchcock fiquei curiosa, e parabéns a todos que ajudaram na restauração de mais um clássico.

Nina disse...

Não sabia desse filme, gostei da história e de como era difícil investigar naqueles tempos. Mas espera um segundo: você conseguiu um filme do Hitch? Como assim? Que maravilha, depois posta o link aqui, preciso conferir essa!
Abraços.

As Tertulías disse...

Le, eu AMO este film... Me lembro ainda de te-lo visto na "época". Vou procurar reve-lo... Obrigado pela lembranca! Beijos Ricardo

Iza disse...

Não conhecia este fato. Não sabia que Nixton tinha renunciado. E não sabia do filme também. Bem interessante, querida. Gostei do seu post.
Beijinhos <3

Patricia Baleeira disse...

Oi Lê,
Gosto muito da história política dos EUA e este filme retrata esse período de forma brilhante.

Parabéns, pela resenha!

beijaõ.

Gilberto Carlos disse...

Um filme muito comentado e premiado, mas você acredita que ainda não vi? Tenho que ver... Abraços.

mongiardim saraiva disse...

Gostei do seu estilo e da particularidade de se assemelhar ao Sheldon...Isso conta muitos pontos a seu favor !!! Parabéns.

O meu blog: www.planetarioterra.blogspot.com

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