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terça-feira, 12 de maio de 2015

Fritz Lang e a ficção científica

O cineasta mais criativo do cinema mudo, a quem devemos toda a estética inventiva dos filmes, foi Georges Méliès. Ele foi o pai da arte cinematográfica como um todo e da ficção científica em particular, com sua “Viagem à Lua” em 1902. O outro pai da ficção científica durante a era muda foi Fritz Lang. Depois da saga dos Nibelungos, ele presenteou o mundo com os dois mais influentes filmes de ficção científica da história.
Metropolis” poderia ser uma história de amor, mas não é. Poderia ser sobre um conflito de gerações, mas não é. Poderia ser apenas mais uma distopia. Mas não é. “Metropolis” é uma mistura de todos estes temas com a maior beleza possível. Em um futuro distante para Lang, mas não tão distante para nós, Freder Fredersen (Gustav Fröhlich), o filho do chefe de Metropolis, vive com todos os privilégios que sua classe de garotos mimados tem. O lugar de diversão de Freder lembra muito a imagem que sempre foi pintada do Monte Olimpo, com a adição dos moços / heróis / atletas praticando esportes vestindo roupas incrivelmente brancas. Freder toma contato com a realidade dos trabalhadores de Metropolis quando Maria (Brigitte Helm) invade o tal clube de recreação e mostra para as crianças pobres que os ricos são seus irmãos.


Freder vai atrás de Maria, e vê a moça pregar para os pobres e cansados trabalhadores sobre a vinda de um mediador que resolverá os problemas entre os pensadores e os operários. Ao mesmo tempo, o pai de Freder, Joh “Alfred Abel), está possesso com a influência de Maria, e persuade o cientista Rotwang (Rudolf Klein-Rogge) a modelar seu robô para que ele fique parecido com Maria e possa ser usado para causar discórdia na Metropolis. É uma mistura inebriante de ficção científica e épico bíblico.
Metropolis” nos arrebata em menos de dez minutos. Em um piscar de olhos já estamos hipnotizados pelos cenários suntuosos, criados com muita ilusão de óptica (alguns cenários eram apenas miniaturas, e espelhos eram usados para dar a impressão de que eram prédios enormes com pessoas ao redor, através do inovador “processo Schüfftan”) e técnicas de stop motion.
Este link traz mais informações sobre os bastidores

A Mulher na Lua” conta a história de (adivinha?) uma viagem à Lua em que uma mulher é uma das tripulantes da missão. Esta mulher é a bela Friede (Gerda Maurus), que acaba de ficar noiva de Windegger (Gustav von Wangenhein), mas por quem Wolf Helius (Willy Fritsch), melhor amigo de Windegger, também era apaixonado. Quem propôs a expedição foi o maluco professor Manfeldt (Klaus Pohl), que acredita que o subsolo da Lua contém ouro – muito ouro. Manfeldt foi humilhado por seus colegas da universidade, mas Helius acredita nele.

A Mulher na Lua” acerta em algumas previsões, como os foguetes que têm de abandonar partes de sua estrutura após a decolagem, e a imensa pressão que os tripulantes do foguete teriam de aguentar ao sair da Terra (nada de traje de astronauta! Mas eles compensam a gravidade zero de uma maneira bem criativa). E há inclusive uma imagem sensacional da Terra vista do espaço (Yuri Gagarin ainda não tinha falado que a Terra era azul, mas isso não foi problema porque o filme era em preto e branco).


O grande problema de “A Mulher na Lua” é que o prólogo, que reúne todos os personagens que partem rumo à Lua e explica suas relações, poderia durar quinze minutos, mas se estende por uma hora e vinte minutos! Mas, a partir daí, é mágica pura, com cenas que até hoje nunca foram superadas em grandeza nos filmes de ficção científica.


Durante décadas o público só teve acesso a uma versão truncada de “Metropolis”, com 90 minutos de duração (que H.G. Wells disse ser “o filme mais bobo que já vi”). Em 2008 tudo mudou: a versão (quase) original do filme foi encontrada na cinemateca de Buenos Aires e restaurada. Hoje podemos ver toda a glória dos 150 minutos de projeção, em que nada é simplista, em que a história de amor fica em segundo plano, em que há profunda ligação entre os temas diametralmente opostos. “Metropolis” é um filme mais poderoso, mais incrível do que se imaginava. É uma obra-prima completa, parida pelo casal Thea von Harbou e Fritz Lang.
Você gostaria que outros filmes mudos fossem redescobertos, restaurados e devolvidos à sua glória original, assim como “Metropolis”? Pois você pode ajudar! Clique no link abaixo para doar para o National Film Preservation Association e garantir a restauração de “Cupid in Quarantine” (1918), que depois de restaurado será disponibilizado para ser visto online!

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This is my contribution to the For the Love of Film: The Film Preservation blogathon, hosted by Ferdy on Films, This Island Rod and Wonders in the Dark. Join us if you love film!

6 comentários:

Marcelo Castro Moraes disse...

Um gênio do expressionismo alemão

Pedrita disse...

adoro. é absolutamente genial. incríveis as imagens, adorei o texto. beijos, pedrita

Joe Thompson disse...

Hi Lê. That was a good essay. We are lucky to be able see the longer version of Metropolis. I have never gotten to see The Woman in the Moon. Your essay makes me want to see it even more.

eususpiro disse...

Oi Lê! Eu não sou a maior fã do surrealismo, mas adoro ver as produções de ficção científicas antigas. Eles se puxavam muito! Não vi nada ainda do Fritz Lang mas morro de curiosidade, uma vez na Livraria Cultura, quase levei pra casa um box de filmes dele, mas achei melhor assistir algo primeiro. E quanto aquela lua clássica do Méliès, tirei uma foto com uma versão gigante dela no museu de Cinema de Lisboa. Acho ela incrível! Apesar também de não ter visto Viagem a Lua ainda. Preciso colocar meus filminhos antigos em dia!! Beijo!!

silentsplease disse...

I still haven't seen Frau i Mond! Really need to. As for Metropolis, I have a bit mixed feelings on it, but I agree that the Argentinian footage clarifies the story. Nice post :)

Carol Caniato disse...

Eu ainda não consegui assistir Metrópolis inteiro, sabe? hahaha vergonha, né? Mas não sabia desse Mulher na Lua! Acho que é bem pouco comentado. As pessoas sempre lembram dele por causa do Metrópolis...
Mas enfim, durante meu intercâmbio na Argentina, assisti ao documentário Metrópolis Refundada num festival. Ele tinha acabdo de ser lançado e contava exatamente sobre a descoberta do filme original, o processo de restauração e as diferenças entre as duas versões. Vale a pena procurar pra assistir!

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