} Crítica Retrô: Joan Blondell

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Saturday, October 12, 2019

Amor Eletrônico (1957) / Desk Set (1957)


Muitas profissões desapareceram no último século, em especial por causa de mudanças na tecnologia. Entre essas profissões, temos condutores de coches, telefonistas, ascensoristas, cortadores de gelo e pessoas que empilhavam os pinos de boliche após cada tacada. “Amor Eletrônico” é um filme sobre uma dessas profissões desaparecidas: o quarteto feminino principal trabalha no departamento de referências de uma empresa de telecomunicações, pesquisando informações para pessoas que ligam fazendo perguntas.

Many professions have disappeared in the last century, in special because of technological changes. Among those professions, we have carriage conductors, switchboard operators, elevator operators, ice cutters and bowling alley pinsetters. “Desk Set” is a film about one of these vanished professions: our leading female quartet work in the reference department of a broadcasting company, researching info for people who call them with questions.


Mas as meninas estão prestes a se tornar obsoletas. Richard Sumner (Spencer Tracy) é um engenheiro contratado pela empresa delas para instalar um “cérebro eletrônico” para substituir o departamento de referências. Entretanto, ele não pode contar a verdade sobre o que está fazendo para as meninas, e deve questionar a chefe do departamento de referências, Bunny Watson (Katharine Hepburn), acerca do trabalho que elas fazem lá antes de trazer o cérebro eletrônico.

But the girls are about to become obsolete. Richard Sumner (Spencer Tracy) is an engineer hired by their company to install an “electronic brain” to replace the reference department. However, he can’t tell the truth about what he’s doing to the girls, and he must inquire the head of the reference department, Bunny Watson (Katharine Hepburn), about the work done there before the electronic brain is brought over.


Joan Blondell está interpretando mais uma vez a melhor amiga esperta, uma personagem que ela interpretava com perfeição desde o começo dos anos 1930. Como amiga de Bunny, Peg Costello a aconselha a parar de acreditar nas promessas vazias do namorado. Bunny vive uma relação complicada com seu chefe, Mike Cutler (Gig Young), já há sete anos. Gig Young interpreta o terceiro elemento do triângulo amoroso - ou, como eu gosto de dizer, ele é o Ralph Bellamy dos anos 1950 e 60.

Joan Blondell is back at playing the witty best girl friend, a character she excelled in playing in the early 1930s. As Bunny’s best friend, Peg Costello advises her to stop believing in her boyfriend’s empty promises. Bunny is in a complicated relationship with her boss, Mike Cutler (Gig Young), that has been on for seven years. Gig Young plays the second element of a romantic triangle here - or, as I like to call, he is the Ralph Bellamy of the 1950s and 60s.


Este é o oitavo de nove filmes que Hepburn e Tracy fizeram juntos. “Amor Eletrônico” é uma comédia romântica - muitas de suas parcerias eram comédias, como “A Mulher do Dia” (1942), “A Costela de Adão” (1949) e “A Mulher Absoluta” (1952). De fato, há muitos momentos cômicos no filme, incluindo o jantar no apartamento de Bunny e a festa de Natal da empresa. Hepburn e Tracy estão ótimos como sempre, e podemos sentir que eles estavam se divertindo enquanto faziam o filme.

This is the eighth of nine films Hepburn and Tracy together. “Desk Set” is a romantic comedy - many of their partnerships were comedies, like “Woman of the Year” (1942), “Adam’s Rib” (1949) and “Pat and Mike” (1952). Indeed, there are many humorous moments in the film, including the dinner at Bunny’s apartment and the Christmas party at the office. Hepburn and Tracy are delightful as well, and we can feel they were having a good time shooting the film.


A dupla responsável pelo roteiro é Phoebe e Henry Ephron, pais de Nora Ephron. Como coincidência interessante, Nora mais tarde escreveu e dirigiu “Mensagem para Você” (1998), um filme que também é sobre uma mulher que se apaixona por um homem cujo trabalho poderá deixá-la desempregada - no caso, Meg Ryan interpretava a dona de uma pequena livraria e Tom Hanks era o dono de uma grande rede de livrarias. Há mais uma conexão curiosa com o cinema clássico aqui: “Mensagem para Você” é um remake da comédia de 1940 de Ernst Lubitsch, “A Loja da Esquina”.

The duo responsible for the screenplay is Phoebe and Henry Ephron, Nora Ephron’s parents. As a nice coincidence, Nora later wrote and directed “You’ve Got Mail” (1998), a film also about a woman who falls in love with a man whose work may leave her unemployed - in that case, Meg Ryan played the owner of a small bookstore and Tom Hanks the owner of a big branch of libraries. There is one more nice classic film connection here: “You’ve Got Mail” is a remake of the 1940 Ernst Lubitsch comedy “The Shop Around the Corner”.

"A Loja da Esquina / The Shop Around the Corner"
"Mensagem para Você / You've Got Mail"

Como podemos ver no filme, antes da internet, as pessoas ligavam para departamentos de referências sempre que precisavam de alguma informação - por exemplo, os versos exatos de um poema ou os nomes das renas do Papai Noel - em especial em empresas de telecomunicações como a do filme. É interessante ver que este departamento só tem mulheres como funcionárias - e Peg diz em uma cena que há só homens no departamento legal. De fato, as meninas do departamento de referências são bibliotecárias, e há mais bibliotecárias do que bibliotecários: de acordo com o censo norte-americano, atualmente 83% dos bibliotecários são mulheres, e nos anos 1930 essa porcentagem era muito maior: incríveis 92%!

As we can see in the movie, before the internet, people called reference departments whenever they wanted any information - for instance, the exact words of a poem or the names of Santa Claus’ reindeers - in special in broadcasting companies like the one in the film. It’s interesting to see that this department has only women working in - and Peg later says that there are only men in the legal department. Indeed, the girls at the reference department are librarians, and there are more female librarians than male ones: according to the US census, today 83% of librarians are female, and in the 1930s this percentage was much higher: a whopping 92%!


Eu adoraria trabalhar no mesmo departamento de referências de Miss Watson, Miss Costello, Miss Saylor e Miss Blair. Estar cercada de livros - estar cercada de conhecimento! - o dia todo é emocionante. Além disso, eu sou muito boa em memorizar informações inúteis e curiosidades estranhas. Talvez eu pudesse ser uma especialista em cinema clássico, assim como Miss Costello é especialista em fatos sobre baseball.

I’d love to work in the same reference department as Miss Watson, Miss Costello, Miss Saylor and Miss Blair. Being around books - being around knowledge! - all day long is exciting. Moreover, I excel at keeping useless information and weird trivia memorized. Maybe I could be an expert in classic film info, just like Miss Costello is an expert in baseball facts.


Quando Miss Warriner (Neva Patterson) chega para instalar o EMMARAC, o cérebro eletrônico, as meninas do departamento de referências mantêm seus empregos apenas para inserir no cérebro todas as informações que elas possuem - e então elas serão demitidas. EMMARAC foi baseado em computadores da IMB, e assim como todos os computadores primitivos, ele era muito grande, do tamanho de uma casa. Agora temos smartphones que cabem na palma de nossas mãos e são mais poderosos do que qualquer computador primitivo. Mas uma coisa não mudou: se o usuário não conseguir usar o cérebro eletrônico com sabedoria - fazendo a questão certa para chegar à resposta correta, e interpretando a resposta - o cérebro eletrônico é inútil, mesmo com toda a informação do mundo.

As Miss Warriner (Neva Patterson) arrives to install EMMARAC, the electronic brain, the girls from the reference department are kept there only to feed the brain with all the available information they have - and then they will be fired. EMMARAC was based on a real computer by IBM, and as all other primitive computers, it was very big, the size of a room. Now we have smartphones that are the size of our hands and are also more powerful than any primitive computer. But one thing remains: if the user can’t use the electronic brain properly - by asking the precise question to get a precise answer, and by interpreting this answer - the electronic brain is useless, even with all the information in the world.


Embora tenha sido recebido com críticas moderadas em 1957, hoje muitas pessoas consideram “Amor Eletrônico” a mais divertida das colaborações de Hepburn e Tracy. No site Rotten Tomatoes, o filme tem 100% de aprovação. Não há dúvidas de que o filme envelheceu bem, não apenas com humor atemporal, mas também com um tema ainda relevante: homem contra máquina, o coração humano contra o cérebro metálico. Ainda estamos debatendo sobre as profissões que se tornarão obsoletas graças à tecnologia, e bibliotecárias são geralmente citadas em listas de profissões que em breve desaparecerão. Como Katharine Hepburn mostra no filme - e eu, como estudante de biblioteconomia, concordo - nos sempre precisaremos de cérebros humanos preparados para lidar com a informação. Nenhum computador saberá como usar e interpretar informações sabiamente ou, digamos, escrever uma crítica de filme como essa.

Although it was received with moderate reviews in 1957, many people today consider “Desk Set” to be the funniest of the Hepburn / Tracy collaborations. On Rotten Tomatoes, the film holds a 100% rate of approval. There is no doubt the film stands the test of time, not only with atemporal humor, but also with a still relevant theme: man versus machine, the human heart versus the metallic brain. We’re still debating about what professions will become obsolete thanks to technology, and librarians are often cited in lists of professions doomed to disappear. As Katharine Hepburn shows in this movie - and, as a library science student, I agree - we’ll always need prepared human brains to handle information. No computer will know how to properly use and interpret information or, let’s say, write a movie review like this.


This is my contribution to the Second Spencer Tracy and Katharine Hepburn blogathon, hosted by Crystal and Michaela at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Love Letters to Old Hollywood.

Saturday, April 2, 2016

Três... Ainda é Bom (1932) / Three on a Match (1932)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS.

THIS ARTICLE HAS SPOILERS.

Durante a Primeira Guerra Mundial, havia a superstição que dizia que, se três pessoas acendessem seus cigarros no mesmo fósforo, uma delas morreria em pouco tempo. Uma justificativa era que um fósforo aceso durante vários segundos chamaria a atenção do exército inimigo, e os três fumantes seriam bombardeados. Mais tarde, descobriu-se que essa superstição era só uma jogada de marketing para vender mais fósforos! Mas este filme da Warner Brothers de 1932 mostra que o melhor mesmo é acreditar nas superstições...

During World War First, there was a superstition saying that, if three people light their cigarrettes with the same match, one of them will die soon. One justification for the belief was that a match lit for several sconds would call the attention of the enemy, and the three people with the cigarrettes would be shot down or bombed. Later, it was discovered that this superstition was only a way companies found to sell more matches! But this Warner Bros film from 1932 shows us that sometimes it's better to believe in superstitions...


O ano é 1919. Vivian Revere, Mary Keaton e Ruth Westcott estudam juntas na Escola Pública número 62. Vivian é popular, Ruth é aplicada, e Mary desobedece às regras. Seis anos depois, Vivian (Ann Dvorak) está no colégio interno sonhando com romance, Ruth (Bette Davis) estuda datilografia e Mary (Joan Blondell) foi parar em um reformatório.

The year is 1919.Vivian Revere, Mary Keaton and Ruth Westcott study at Public School Number 62. Vivian is popular, Ruth is a bookworm and Mary doens't follow the rules. Six years later, Vivian (Ann Dvorak) is in boarding school dreaming about romance, Ruth (Bette Davis) suties typing and Mary (Joan Blondell) went to a reformatory. 


O ano agora é 1930, e as três mulheres se reencontram. Vivian, apesar de ter uma vida considerada perfeita, está infeliz. Ela tem um marido rico e compreensivo, Robert Kirkwood (Warren William), um filho fofo e vive com luxo e conforto. Mesmo assim, ela confessa ter inveja das ex-colegas, que precisam trabalhar duro para conseguir o que querem.

The year is now 1930, and the three friends meet again. It looks like Vivian has a perfect life, but she is unhappy. She has a rich and understanding husband, Robert Kirkwood (Warren William), a cute son and lives with luxury and comfort. But she confesses she is jealous of her former mates, who must work hard to get what they want. 


Deprimida, Vivian vai fazer uma viagem internacional de navio e leva o filho consigo. Mary está no mesmo navio, se despedindo de um amigo. Mary apresenta seus conhecidos a Vivian que, depois de beber e dançar com um deles, Loftus (Lyle Talbot), ela decide que não vai mais viajar. Vivian vai viver com Loftus, e leva seu filho junto. Não vai demorar para que Mary e Ruth interfiram na situação, e tudo fica mais difícil quando criminosos aparecem para cobrar uma dívida de Loftus. Preste atenção: em um pequeno, mas importante, papel como criminoso está Humphrey Bogart!

Vivian is depressed, and decides to go on an international sea trip and takes her son with her. Mary is aboard the same boat, saying goodbye to a friend. Mary introduces her acquaintances to Vivian. After she dances and drinks with one of them, Loftus (Lyle Talbot), Vivian decides that she'll  leave her husband, live with Loftus and take her son with her. It don't be long until Mary and Ruth have to interfere, and everything gets more difficult when criminals appear to 'ask' Loftus to pay a debt. Pay attention: in a small, but important role as a criminal, we can see Humphrey Bogart! 


O filme tem apenas 63 minutos, e o foco é na personagem de Ann Dvorak. Seria interessante, entretanto, haver um aprofundamento na personagem de Joan Blondell, que certamente teria várias nuances e poderia nos surpreender. Bette Davis tem muito pouco a oferecer como a nerd da turma que precisa trabalhar duro e acaba se tornando... babá. Bette ainda estava no início da carreira, sofreu com a antipatia do diretor Mervin LeRoy e, embora tenha trabalhado em vários filmes pre-Code, são suas colegas de cena que ficaram mais associadas com esta época da história do cinema.

The film is only 63 minutes long, and focuses on Ann Dvorak's character. However, it'd be interesting if Joan Blondell's cahracter could be deeper explored: she certainly would have several nuances and could surprise us. Bette Davis has little to offer as the nerd girl who has to work hard and ends up as a … nanny. Bette was still in the beginning of her career, and she didn't get along with director Mervin LeRoy. Although Bette has worked in many pre-Codes, her two co-starring actresses are the ones most often associated with the pre-Code era.


Ann Dvorak, recém-saída de sua maior atuação em “Scarface – a Vergonha de uma Nação” (1932), está muito bem como protagonista. O filme funciona, obviamente, como uma lição de moral para as mulheres. Nos pre-Codes, é normal que mulheres casadas e com filhos sejam punidas quando traem o marido e abandonam a família. O mesmo não acontece com as mulheres solteiras que seduzem homens casados, e o exemplo mais contundente disso é Jean Harlow em “A Mulher Parisiense dos Cabelos de Fogo”, também de 1932.

Ann Dvorak, coming from her best performance in “Scarface” (1932), is a very good leadin lady. Thefilm works, obviously, as a cautionary tale for women. In pre-Codes, it's common that married women, with children, are punished when they leave their families. The same, however, doesn't happen to single women who get involved with married men, and the best example of this is Jean Harlow in “Read-Headed Woman”, also released in 1932.


Muitos filmes pre-Code são escandalosos mesmo para quem os vê no século XXI. “Três... Ainda é Bom”, entretanto, será melhor apreciado se olharmos para ele com a mentalidade de 1932. Há detalhes muito sutis que podem escapar a uma plateia acostumada a receber tudo muito bem explicado (exemplo: no GIF acima, o fato de Ann coçar repetidamente o nariz sugere que ela estava usando drogas. Você percebeu isto?). Outros fatos também ressoam com mais força para o público de 1932, como o sequestro de Junior que lembra o de Charles Lindbergh Jr, e também a própria moral da história de que uma vida boêmia e louca, a la Gatsby, leva à autodestruição. Veja, sim, este filme – mas usando seu cérebro como uma máquina do tempo.

Many pre-Code movies are scandalous even for today's standards. “Three on a Match”,  on the other hand, will be better appreciated if we look at it from 1932's perspective. There are very subtle details that may escape an audience that is used to have everything perfectly explained to them (for instance: in the GIF above, Ann scratching her nose several times suggests that she is using drugs. Have you realized that?). Other facts also were more meaningful for the 1932 audience, like Junior's kidnapping being so similar to Charles Lindbergh Jr's, and also the whole moral of the story: a crazy bohemain life, a la Gatsby, xcan only cause self-destruction. Yes, you must watch this film – but be sure to use your brain as a time machine while you do it. 

This is my contribution to the Bette Davis Blogathon, hosted by my friend Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

Wednesday, January 20, 2016

Triunfos de Mulher / Night Nurse (1931)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS.
Antes de ER, Grey's Anatomy Private Practice, House e tantas outras séries mostrarem a vida pessoal dos profissionais de saúde, o grande diretor William A. Wellman, em tempos de pre-Code, desfez parte da aura de caridade e desprendimento que tantas vezes é criada em torno de médicos e enfermeiros. Ao mostrar que médicos e enfermeiros têm desejos, se comportam mal e às vezes são realmente detestáveis, este filme de mais de 80 anos nos ensina que há muitas maneiras de salvar uma vida – incluindo formas jamais consideradas em casos clínicos.
Lora Hart (Barbara Stanwyck) não tem experiência nenhuma, mas, por ser bonita, agradável e ter lindas pernas, recebe a ajuda do influente Doutor Bell (Charles Winninger) para conseguir uma vaga no curso de formação de enfermeiras. A colega de quarto de Lora é Maloney (Joan Blondell), que não muito entusiasmada pela profissão, costuma chegar muito tarde no dormitório e vive mascando chiclete, tendo assim um ar despreocupado sempre. Maloney não leva Lora para um mau caminho, felizmente, e as duas se formam no curso e se tornam, finalmente, enfermeiras profissionais.
O trabalho noturno de Lora consiste em cuidar de duas meninas que já tinham ficado internadas no hospital sob seus cuidados. As irmãs não apresentaram nenhuma melhora depois de voltar para casa, e Lora desconfia de que elas estão desnutridas. Órfãs de pai, com uma mãe constantemente bêbada, as meninas ficam sob o cuidado de uma empregada, e também do motorista Nick (Clark Gable).
Uma enfermeira não deve se intrometer nos assuntos pessoais de seus pacientes, mas e quando essa intromissão pode fazer a diferença entre a vida e a morte de uma criança? É quando a mais nova das meninas de quem Lora cuida começa a piorar que a enfermeira passa a desconfiar de Nick e seu cúmplice, o médico exclusivo do caso, Doutor Ranger (Ralf Harolde). E Lora poderá pedir ajuda apenas para um velho “amigo”, Mortie (Ben Lyon), um contrabandista de bebidas de quem ela extraiu uma bala de revólver e mentiu para que ele não fosse preso.
Desmistificar a profissão médica é algo que não se vê muito em filmes. Mostrar médicos e enfermeiros como seres normais, não endeusados que têm “a nobre vocação de salvar vidas” é louvável e, como podemos ver, acontece no cinema há muito mais tempo que imaginamos. Embora Nick seja o grande vilão da história, doutor Ranger é seu cúmplice, e a quantidade de médicos imprestáveis e interesseiros no mundo é muito maior do que se pensa.
A inversão das expectativas é, portanto, o que torna o filme mais interessante. A Maloney de Joan Blondell não é divertida, mas sim entediada, e a qualquer momento ela poderia dizer “frankly, my dear, I don't give a damn”. E Clark Gable como vilão é algo quase inimaginável, mas ele está detestável em seus poucos minutos em cena, em um papel que quase foi interpretado por James Cagney.
Em muitas cenas Stanwyck e Blondell ficam só de lingerie enquanto colocam seus uniformes de enfermeiras. Blondell é sedutora e está mais preocupada com seus encontros que com seu trabalho. Mais tarde, Gable agride Stanwyck violentamente. O mundo pre-Code é a vida real, sem retoques ou atenuantes.
Ainda sem seu bigode famoso, Clark Gable foi dispensado da Warner Brothers por ter orelhas muito grandes. Blondell e Stanwyck viram nele o potencial de um astro, e estavam certas: Gable logo foi contratado pela MGM, onde se tornou o “rei de Hollywood”.
Os primeiros filmes da carreira de Barbara Stanwyck, feitos na era pre-Code (1929-1934) nunca decepcionam. Barbara brilha em cada um deles, e “Triunfos de Mulher / Night Nurse” é um dos melhores trabalhos da atriz, e um dos melhores filmes dos anos 30. Temos assédio envolvendo enfermeiras, médicos e residentes, mães alcoólatras, motoristas elegantes e perigosos, um impensável herói contrabandista e um profundo debate sobre ética em mais uma obra-prima estrelada por nossa querida Stanwyck.
This is my contribution to the Remembering Barbara Stanwyck Blogathon, hosted by my friend Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.
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