} Crítica Retrô: dança

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Showing posts with label dança. Show all posts
Showing posts with label dança. Show all posts

Friday, October 19, 2018

Carmen (1948) / The loves of Carmen (1948)


Quando falamos sobre Rita Hayworth e Glenn Ford, pensamos na dupla que protagoniza “Gilda”, de 1946. Mas eles fizeram outros filmes juntos, incluindo “Carmen”, produzido e dirigido por Charles Vidor – também diretor de “Gilda” – e filmado num belo Technicolor que ressaltou a beleza de ambos os astros.

When we talk about Rita Hayworth and Glenn Ford, we think of the duo in 1946’s Gilda. But they starred together in more movies together, including “The loves of Carmen”, produced and directed by Charles Vidor – also the director of Gilda – and shot in ravishing Technicolor that highlighted both their beauties.


Don Jose (Ford) é um novato vindo de Navarra. Ele chegou a Andaluzia para ser um soldado da guarda, e a primeira pessoa que ele conhece em seu primeiro dia é a provocante cigana Carmen (Hayworth). Assim como todos os ciganos, Carmen é desprezada pelos “cidadãos de bem” do local.

Don Jose (Ford) is a newcomer from Navarra. He has arrived in Andalucía in order to serve the guard, and the first person he meets in his first day is the provocative gypsy Carmen (Hayworth). Like all gypsies, Carmen is despised by the “good citizens” of the town.


Ela provoca Jose e ele fica caidinho por ela. Entretanto, ela não aceita o amor dele por causa de uma previsão de má sorte revelada nas cartas. Mas ela muda de ideia e faz com que Jose mate seu comandante em um duelo – sendo agora um fora da lei, resta a Jose seguir com Carmen e um grupo de ladrões rumo às montanhas, onde ele conhece o líder do grupo, García (Victor Jory), um homem que acaba de sair da prisão... e que por acaso é marido de Carmen.

She teases Jose and he falls for her. However, she won’t accept his love because of a bad omen revealed in the cards for her. But she changes her mind and arranges a duel for Jose to kill his commander - now an outlaw, Jose can only follow Carmen and her group of thieves to the mountains, where he meets the group leader, García (Victor Jory), a man who has just been released from prison... and who happens to be Carmen’s husband.


Antes da fuga, vamos a cidade espanhola recriada no estúdio sendo fotografada de maneira pouco inspirada, não tendo nada a ver com outros cenários europeus feitos em estúdio. Esta primeira metade do filme nos lembra de “Sangue e Areia” (1941), no qual um toureiro interpretado por Tyrone Power é seduzido por ninguém menos que Rita Hayworth. Em Hollywood, cidades espanholas e vilas latino-americanas são muito parecidas.

Before they run away, we see the Spanish city recreated in studio is photographed in an uninspired way, unlike other European sets built in studio. This first half of the movie reminds us of “Blood and Sand” (1941), in which a toreador played by Tyrone Power is seduced by none other than Rita Hayworth. In Hollywood, Spanish towns and Latin American villas are very much alike.


Na segunda metade, conforme o grupo foge pelas montanhas, temos a sensação de estarmos assistindo a um faroeste, com armadilhas, recompensas por um foragido, tropas perseguindo o grupo e muitos tiros disparados. Jose trocou de lado completamente e agora está roubando carruagens e se tornando mais violento a cada dia – não porque ele queira, mas porque precisa.

In the second half, as the group escapes through the mountains, we get the feeling that we are now watching a western, with traps, rewards for an outlaw, troops coming for our group and a lot of shootings. Jose traded places completely and is now stealing from stagecoaches and becoming more violent each day- not because he wants to, but because he has to.


É uma delícia ver Rita Hayworth cantando e dançando músicas folclóricas neste filme. Quando garota, sob seu nome verdadeiro, Rita Cansino, ela dançava profissionalmente, em uma dupla com o pai, Eduardo Cansino, que inclusive trabalhou em “Carmen” como coreógrafo. Ela dançava coreografias como as do filme desde pequena. O único ponto negativo é que ela é dublada ao cantar. A voz dela é dublada por Anita Ellis, que também a dublou em “Gilda”.

It’s delightful to see Rita Hayworth singing and dancing folk songs in this film. As a young girl, under her real name Rita Cansino, she danced for a living, making a duo with her father, Eduardo, who even worked here in “The loves of Carmen” as a choreographer. She had been performing dances like the ones in the film since a very early age. The only downside is that she is dubbed in the songs. Her singing voice is dubbed by Anita Ellis, who also dubbed her in “Gilda”.


Para o povo, Carmen é nojenta. Para a elite, ela é fonte de entretenimento, pois dança nas festas. Isso significa que ela é uma curiosidade para a sociedade, e nada mais. É um comportamento bem hipócrita. Carmen não é apenas uma excluída porque faz parte de um grupo nômade – os ciganos – ela também é vítima de preconceito porque é uma mulher livre que não pode “pertencer” a um homem só.

For the people, Carmen is disgusting. For the elite, she is source of entertainment when she dances at parties. That means that she is a curiosity for society, and nothing else. It’s a very hypocritical behavior. Not only Carmen is an outcast because she is part of a nomad group – the gypsies – she is also frown upon because she is a free woman that can’t “belong” to one man.


Um texto inicial cheio de preconceitos, chamando os ciganos de “uma raça infeliz”, mostra o pensamento que foi responsável pela perseguição de milhões de ciganos durante o Holocausto – ou melhor, o “Porajmos”. Sim, os ciganos rom têm seu próprio termo para a perseguição que sofreram dos nazistas – não há números oficiais, alguns historiadores estimam que 200 mil ciganos foram mortos em campos de concentração, e outros colocam a estimativa em 1,5 milhão. Hollywood não estava fazendo um favor a estas pessoas três anos após a queda de Hitler com tanto preconceito.

An opening text full of prejudice, calling the gypsies “an unhappy breed”, shows the mindset that was responsible for the persecution of millions of gypsies during the Holocaust – or better, the “Porajmos”. Yes, the Romani gypsies have their own word for the persecution they suffered under the Nazis – there are no official numbers, some historians estimate 200000 gypsies were killed in concentration camps, and other put the number up to 1,5 million. Hollywood wasn’t doing a favor to those people three years after Hitler’s fall with so much prejudice.


Se refletirmos um pouco, “Carmen” tem algumas coisas em comum com “Gilda”: a protagonista sedutora, o protagonista que é bobo no começo mas fica mais durão e ciumento por causa de uma mulher, muitas traições, o fatalismo que paira sempre no ar. “Carmen” só se difere por causa do cenário e do Technicolor, os elementos da história são os mesmos. Eu não estou falando que “Carmen” é um filme noir: eu estou dizendo que as histórias do noir bebem de uma fonte universal.

If we think a little, “The loves of Carmen” has some things in common with “Gilda”: the seductive leading lady, the leading man who is at first silly then becomes tougher and more jealous because of a woman, the many betrayals, and the fatalism that is all over. “The loves of Carmen” is different only for its setting and the Technicolor, the story elements are the same. I’m not saying that this film is noir: I’m saying that the noir stories drink from a universal fountain.


“Carmen” certamente se beneficia da química entre os protagonistas. Entretanto, não é tão interessante quanto outras versões da mesma história, como “Carmen Jones”, de 1954. Mas pelo menos podemos ver Glenn Ford mais bonito que nunca e Rita Hayworth dançando danças espanholas.

“The loves of Carmen” certainly profits from the chemistry the two leads have. However, it’s not as interesting as other versions of the same story, like “Carmen Jones”, from 1954. But at least we are able to see Glenn Ford more handsome than ever and Rita Hayworth dancing Spanish songs.  

This is my contribution to the 100 Years of Rita Hayworth blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood.

Saturday, August 5, 2017

Nunca Me Deixes Ir / Never Let Me Go (1953)

Alguns relacionamentos estão amaldiçoados desde o começo – como o de Romeu e Julieta, que eram membros de famílias rivais. E não havia nada mais moderno em termos de rivalidade em 1953 do que a Guerra Fria. Por isso temos em “Nunca Me Deixes Ir” Romeu e Julieta modernos: ele, Philip Sutherland (Clark Gable), é americano, e ela, Marya Lamarkina (Gene Tierney), é russa.

Some relationships are doomed from the start – like Romeo and Juliet, who were the children of rival families. And there was nothing more modern in terms of rivalry in 1953 than the Cold War. So, we have in “Never Let Me Go” a modern Romeo and Juliet: he, Philip Sutherland (Clark Gable), is an American, and she, Marya Lamarkina (Gene Tierney), is Russian.
A história começa no dia da vitória – o dia em que a Segunda Guerra Mundial foi oficialmente vencida pelos Aliados. Philip, um jornalista, vem mandando flores para Marya, uma bailarina, há mais de um ano. Ele nem imagine que ela corresponde o seu amor e está aprendendo inglês para finalmente poder falar com ele. A oportunidade aparece naquela noite, quando ela dá uma entrevista a uma rádio da Inglaterra e se dirige a ele. É a primeira vez que eles conversam, e as coisas vão bem rápido a partir daí. Em pouco tempo eles estão casados.

The story begins on V Day – the day the Second World War was oficially won by the Allies. Philip, a journalist, has been sending flowers to Marya, a ballerina, for over a year. Little does he know that she corresponds his affection and is learning English in order to finally talk to him. The opportunity appears that night, when she gives an interview to a radio from England and hints at him. It's the first time they talk, and things move pretty quickly for them. In little time they are married.
Mas a alegria não dura para sempre. Os pais dela foram mandados para o exílio e a deixaram na escola de balé. Ela sabe que os soviéticos podem ser cruéis e negar um visto para que ela vá para os Estados Unidos com o marido – eles já fizeram isso com a amiga dela, Svetlana. Ele não liga para a paranoia dela – afinal, 'isso não vai acontecer conosco', ele diz, 'Joe' Stalin – como ele se refere ao líder – não vai se importar com um simples casal.

But joy doesn't last forever. Her parents were sent to exile and left her in ballet school. She knows that the Soviets can be cruel and deny her a visa to go to the US with her husband – they already did it to her friend Svetlana. He doesn't care for her paranoia – after all, 'it won't happen to us', he keeps repeating, 'Joe' Stalin – as he refers to the leader – won't care for a simple couple.
Nós temos um aliado que vai tentar ajudar o casal a ficar junto: Steve Quillan (Kenneth Moore), um radialista inglês que conhece a censura logo no começo do filme e mais tarde decide desafiar as autoridades soviéticas mandando mensagens cifradas através de seu programa de rádio.

We have an ally who will try to help the couple stay together: Steve Quillan (Kenneth Moore), an English radio journalist who feels the censorship right in the beginning of the film and later decides to defy the Soviet authorities by sending secret messages through his radio program.
Este filme tem um quê de propaganda – não há dúvidas a respeito disto. Como a liberdade é um direito tão importante e amado nos Estados Unidos e em outros países ocidentais, o filme foca na pouca liberdade que o povo da União Soviética tem – eles não podem ser felizes a não ser que isso beneficie os sovietes, ou o coletivo. A busca pelo amor é o tema aqui – e vamos combinar: a indústria do cinema em Hollywood foi basicamente construída em cima de filmes sobre a busca pelo amor.

This movie has a propaganda feeling – there is no doubt about it. Being liberty such a beloved and important right in the US and other western countries, the film focuses on the lack of freedom the people of the Soviet Union have – they can't be happy unless it benefits the Soviets, the collective. The pursuit of love is the theme here – and let's face it: the Hollywood industry was basically built with movies about the pursuit of love.
O filme é narrado por Clark Gable, até que de repente o narrador muda, na marca de 40 minutos. Agora é Joe (Bernard Miles), um engenheiro naval, que dá sua opinião sobre as atitudes de Philip. Alguns minutos depois, Gable volta à sua função de narrador. Eu me pergunto se o mesmo acontece no livro que inspirou o filme. E falando em estranhezas, “Nunca Me Deixes Ir” tem pouco balé e muita vodca. Os momentos com vodca são, entretanto, os mais divertidos.

The film is narrated by Clark Gable, until it suddenly shifts narrator at 40 minutes or so. Now it's Joe (Bernard Miles), a boat engineer, who gives his impressions about Philip's actions. A few minutes later, Gable is back at his position as narrator. I wonder if it also happens in the book that served as the source for the movie. Speaking of oddities, “Never Let Me Go” has too much vodka and too little ballet. The vodka moments are, nevertheless, the funniest.
É Gene Tierney mesmo dançando? Bem, ela começou a fazer aulas de balé para fazer o filme, mas o mais provável é que não seja ela nos momentos mais complicados – como quando vemos a Rainha dos Cisnes dançando na ponta dos pés em O Lago dos Cisnes, porque é uma tomada longa e não podemos ver com clareza o rosto da bailarina. Vemos Gene em close-ups, mas uma coisa é verdade: por causa do filme ela se apaixonou por balé e continuou indo a e patrocinando espetáculos de balé até o fim da vida.

Did Gene Tierney do her own dancing? Well, she started having ballet lessons in order to do this film, but it's more probable that it's not her in the more complicated moments – like when we see the Swan Queen dancing en pointe in The Swan Lake, because it is a long shot and we can't clearly see the ballerina's face. We see Gene only in close-ups, but one thing is true: because of this film she fell in love with ballet and kept going to and sponsoring ballet recitals until the end of her life.
Tierney é linda e adorável, embora seu sotaque incomode um pouco. Mas o filme é de Gable – é ele que faz todo o esforço para 'nunca deixá-la ir'. É impossível não torcermos por Philip e Marya – e isto por causa de uma escolha sábia de elenco porque, convenhamos, que ator do cinema clássico representa os Estados Unidos melhor que Clark Gable, que pode inclusive ser considerado o melhor exemplo de estrela do sistema de estúdio? É um filme pró-americano, mas com um detalhe interessante: uma russa em particular não vê problema em dedurar camaradas quando necessário – algo que americanos bons e preocupados estavam fazendo então durante as investigações anti-comunistas da caça às bruxas, e estão fazendo agora também. No final, americanos e russos não são tão diferentes.

Tierney is gorgeous and lovely, even though her accent bothers us a little. But it is Gable's film – he is the one making all the effort to 'never let her go'. We can't avoid rooting for Philip and Marya – and this due to a wise casting choice because, come on, which classic Hollywood actor embodies America better than Clark Gable, who may even be the best example of star of the studio system? It is a pro-America film, but with an interesting twist: a particular Russian sees no problem in 'naming names' when necessary – something good, worried Americans were doing in the HUAC investigations back then, and are even doing now. In the end, Americans and Russians are not very different from each other.

For a different take on this film, check the review at Phyllis Loves Classic Movies!

This is my contribution to the En Pointe: The Ballet blogathon, hosted by Michaela at Love Letters to Old Hollywood and Christina at Christina Wehner.

Thursday, July 12, 2012

As várias danças acrobáticas de Russ Tamblyn

Musicais não são feitos só de sapateados e danças de rosto colado! Bem, ao menos não a partir da década de 1950. Profissionais cada vez mais bem preparados fisicamente foram incorporados e junto com eles foram inseridas técnicas novas, oriundas, por exemplo, do circo. Russ Tamblyn, um ginasta, foi absorvido por Hollywood e dançou como ninguém nunca havia bailado: com uma leveza e travessura encantadoras.

Sete noivas para sete irmãos / Seven brides for seven brothers (1954): Como Gideon Pontipee, o mais novo dos filhos, participa do número “Lonesome polecat”, em que os irmãos mostram suas várias habilidades, incluindo equilíbrio em troncos de árvores e malabarismos com machados. Nunca houve número de dança mais macho!
Gatilho Relâmpago / The fastest gun alive (1956): A festa no saloon está desanimada? E só chamar Russ que ele faz um espetáculo com apenas uma pá. Ou duas. E um chão forrado de feno, é claro.
Tom Thumb (1958): Neste filme parecido com a fábula do Pequeno Polegar, Russ interpreta o protagonista e, estando em miniatura, dança entre objetos do cotidiano em um belo e colorido balé.
Amor, sublime amor / West side story (1961): Como Riff, o líder dos Jets, Russ tem bons momentos, como o prólogo, além de “Cool” e “Gee, Officer Krupke!”. Curiosamente, ele fez o teste para o papel de Tony.
The Wonderful World of Brothers Grimm (1962): Os contos de fada foram transportados para as telas neste espetáculo visual. Aqui, Russ faz a dança cigana com Yvette Mimieux e, pasmem, ele tem até uma capa da invisibilidade!
Semana passada tive a honra de receber de minha amiga Iza do blog Vintage Iz este lindo selinho que veio com algumas regras. E uma delas é indicar outras 10 pessoas para ganhá-lo!

Bem vocês podem ver que é um selinho bem de mulherzinha. Por isso, só escolhi meninas para receberem. Desculpe, amigos blogueiros do sexo masculino, mas sei que vocês entendem a situação. E as escolhidas são:
All Classics                                                                                          

Sunday, February 20, 2011

Um comercial curioso

Boa tarde, leitores! Interrompe brevemente a série de preparação para o Oscar para mostrar algo interessante que encontrei outro dia na internet: um comercial da Volkswagen estrelando dois dos meus astros favoritos: Gene Kelly e Donald O'Connor!


Embora fique claro que trata-se de uma montagem, mesmo  para os leigos que não conhecem os dois dançarinos, achei uma boa iniciativa de trazer os clássicos para a nova geração!
O que vocês me dizem?
Abraços cinematográficos,
Lê ^_^
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...