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Sunday, January 12, 2014

1925: um ano inesquecível / 1925: an unforgettable year

AVISO: este post é muito, muito longo. Mas vale a pena ser lido / assistido.

WARNING: this post is very, very long. But it is one worth reading / watching.

1925 não foi um ano bom para o cinema. Foi um ano ótimo. Excelente. Sensacional. Os três grandes nomes da comédia muda estrelaram longas-metragens (Buster Keaton estrelou dois!), o filme mais caro do cinema mudo foi feito depois de muito atraso (Ben-Hur), uma obra de referência para aspirantes a cineastas e revolucionários surgiu na URSS (O encouraçado Potemkin), Garbo fez o filme que a traria para a América (Rua das Lágrimas) e uma obra-prima sacudiu o mundo (O Grande Desfile).

1925 wasn't a good year for film. It was an excellent year. Fantastic. Sensational. The three greats of silent comedies made feature films (Buster Keaton made two!), the most expensive silent film was releaed after a lot of delay (Ben-Hur), an essential work for wannabe filmmakers and revolutionaries was made in the USSR (Battleship Potemkin), Garbo made the film that would bring her to the US (Joyless Street) and a masterpiece shook the world (The Big Parade).

Technicolor in "Phantom of the Opera"

Muitos dos futuros astros e estrelas fizeram suas primeiras participações. Myrna Loy, Clark Gable, Carole Lombard estavam lá, como extras irreconhecíveis na multidão. Mas por pouco tempo. Outros tantos futuros astros nasceram em 1925: Jack Lemmon, Julie Harris, Paul Newman, Dorothy Malone, Lee Van Cleef, Joan Leslie, Farley Granger, Peter Sellers, Angela Lansbury, Richard Burton, Tony Curtis, Rock Hudson, Sammy Davis Jr, Dick Van Dyke...

Many future stars made their first movie appearances. Myrna Loy, Clark Gable, Carole Lombard were there, as unknonw extras in the crowd. But not for long. Other future stars were born in 1925: Jack Lemmon, Julie Harris, Paul Newman, Dorothy Malone, Lee Van Cleef, Joan Leslie, Farley Granger, Peter Sellers, Angela Lansbury, Richard Burton, Tony Curtis, Rock Hudson, Sammy Davis Jr, Dick Van Dyke...

Mas quais os melhores filmes de 1925? Se já houvesse Oscar naquele ano, quem ganharia? Para responder isso, eu criei meu próprio Oscar, disponível no vídeo abaixo.

But which were the best movies of 1925? If there was already the Oscars that year, who would be the winners? To answer this question, I made my own Oscar ceremony, availabe in the video below.

E agora, uma breve sinopse dos 19 filmes de 1925 que eu vi para escrever este post:

And now, a brief synopsis of the 19 films from 1925 that I watched to write this post:

Chess Fever: Uma cidade russa recebe um campeonato de xadrez, fazendo com que todos os habitantes se tornem entusiastas do jogo. Mas um deles exagera.

Chess Fever: A Russian town hosts a chess championship, and all the citizens become chess enthusiasts. But one citizen goes too far.

Em Busca do Ouro / The Gold Rush: Charles Chaplin é o adorado vagabundo no Klondike, onde ele espera encontrar ouro para dar uma vida melhor à mulher que ama (Georgia Hale).

The Gold Rush: Charles Chaplin is the adorable tramp in the Klondike, where he expects to find gold to provide a better life for the woman he loves (Georgia Hale).

Vaqueiro Avacalhado / Go West: Um homem sem amigos (Buster Keaton) vai para o Oeste e começa uma história de amor e amizade com uma vaca.

Go West: A friendless man (Buster Keaton) goes West and starts a story of love and friendship with a cow.

O Calouro / The Freshman: Harold Lamb (Harold Lloyd) está ansioso para ir para a faculdade. Ele acredita que poderá ser popular se agir como o personagem de um filme, o que inclui fazer uma dancinha e jogar futebol americano.

The Freshman: Harold Lamb (Harold Lloyd) is anxious to go to college. He believes he can be popular if he acts like a character from a film, and that includes a little dance and playing football.

Sete Oportunidades / Seven Chances: Buster Keaton herdará sete milhões de dólares se se casar até as sete horas de seu vigésimo sétimo aniversário. Ele então sai em busca de uma noiva.

Seven Chances: Buster Keaton will inherit seven million dollars if he gets married before seven on the day of his twenty-seventh birthday. So he starts searching for a bride.


O Encouraçado Potemkin: Com um bocado de glamour, o filme conta como os marinheiros do Potemkin se rebelaram contra as condições terríveis do navio e assim iniciaram um levante que contagiou a cidade de Odessa.

Battleship Potemkin: With a touch of glamour, the film tells how the sailors from the Battleship Potemkin started a rebellion against the terrible conditions they worked in and how this rebellion changed the city of Odessa.

Variety / Varieté: Um acrobata (Emil Jannings) e sua amante (Lya de Putti) têm a chance de se apresentar em um grande espetáculo, mas o dono do show começa a flertar com a moça, despertando ciúmes.

Variety / Varieté: An acrobat (Emil Jannings) and his lover (Lya de Putti) have the chance to present their act in a big show, but the owner of the place starts flirting with the girl, causing jealousy.

O Fantasma da Ópera / Phantom of the Opera: A ópera de Paris é surpreendida por rumores de que uma estranha criatura (Lon Chaney) mora no subsolo e faz de tudo para ajudar a cantora Christina (Mary Philbin) a prosperar na carreira. 

Phantom of the Opera: The Paris Opera is surprised to hear about rumors of a strange creature (Lon Chaney) who is living in the underground and doing everything he can to help the singer Chrisitna (Mary Philbin) to be successful.

O Mundo Perdido / The Lost World: O professor Challenger (Wallace Beery) organiza uma expedição para a Amazônia com o objetivo de provar a existência de dinossauros vivos. No grupo estão o repórter Ed Malone (Lloyd Hughes), o rico aventureiro Lorde Roxton (Lewis Stone) e Paula White (Bessie Love), filha de um explorador morto na expedição anterior.

The Lost World: Professor Challenger (Wallace Beery) organizes an expedition to the Amazon in order to prove that living dinosaurs still exist. In the expedition we can find the reporter Ed Malone (Lloyd Hughes), the rich adventurer Lord Roxton (Lewis Stone) and Paula White (Bessie Love), the daughter of an explorer who was killed in a previous expedition.

Body and Soul: O criminoso “Big Carl” foge da prisão e passa a se apresentar como reverendo Jenkins (Paul Robeson em seu filme de estreia). Na cidade em que ele prega vive a carola Martha Jane (Mercedes Gilbert), que deseja que a filha Isabelle se case com o perigoso reverendo.

Body and Soul: The criminal “Big Carl” runs away from prison and starts presenting himself as the Reverend Jenkins (Paul Robeson in his film debut). In the city where he preaches there is the very religious Martha Jane (Mercedes Gilbert), who wants her daughter Isabelle to get married to the dangerous reverend.


O Águia / The Eagle: Valentino é um oficial da guarda da czarina que deserta ao saber que o pai está morrendo. Ele então decide se vingar do homem que roubou o patrimônio da família, adotando a identidade de Águia Negra.

The Eagle: Valentino is an officer from the Tsarina's guard who leaves when he gets the word that his father is dying. He then decides to seek revenge from the man who stole the family's fortune, and adopts the identity of the Black Eagle.

Sua Vida Pelo Seu Amor / Little Annie Rooney: Em um de seus últimos papéis de criança, Mary Pickford é Annie, uma garota pobre que se apaixona pelo amigo do irmão, membro de uma gangue.

Little Annie Rooney: In one of her last childish roles, Mary Pickford plays Annie, a poor girl who falls in love with her brother's friend, who is a member of a gang.

Rua das Lágrimas aka Joyless Street / Die Freudlose Gasse: Greta (Greta Garbo) e Marie (Asta Nielsen) vivem na pobreza em Viena em 1921. Enquanto Marie foge de casa e cai na prostituição, Greta tem dificuldades para pagar as dívidas do pai e vê como única saída dançar em um cabaré.

Joyless Street / Die Freudlose Gasse: Greta (Greta Garbo) and Marie (Asta Nielsen) live in poverty in Vienna in 1921. While Marie runs away from home and becomes a prostitute, Greta has trouble to pay her father's debts and has to dance in a cabaret.

Ben-Hur: A Tale of the Christ: Judah Ben-Hur (Ramon Novarro) quer se vingar do velho amigo Messala (Francis X. Buschman), que se tornou um soldado romano preconceituoso. Em sua jornada, Ben-Hur conhece Jesus e decide então seguir e defender o Messias.

Ben-Hur: Judah Ben-Hur (Ramon Novarro) wants revenge from his old friend Messala (Francis X. Bushman), who became a prejudiced Roman soldier. In his journey, Ben-Hur meets Jesus and decides to follow and to defend the Messiah.

O Jardim dos Prazeres / The Pleasure Garden: Neste primeiro filme dirigido por Hitchcock, as coristas Patsy (Virginia Valli) e Jill (Carmelita Geraghty) precisam tomar uma decisão quando seus namorados vão para a América. Jill promete esperar para se casar, enquanto Patsy se casa rapidamente com homem que é infiel.

The Pleasure Garden: In this first film directed by Hitchcock, the chorus girls Patsy (Virginia Valli) and Jill (Carmelita Geraghty) need to make up their minds when their boyfriends go to America. Jill promises to wait for him to get married, while Patsy quickly marries a man who later proves to be unfaithful.

O Grande Desfile / The Big Parade: O jovem e rico Jim Apperson (John Gilbert) vai para a Primeira Guerra Mundial e faz amizade com o operário Slim (Karl Dane) e o barman Bull (Tom O’Brien). Com a divisão do exército treinando em vila francesa, Jim conhece a adorável Melisande (Renée Adorée), mas precisa deixá-la para ir ao front.

The Big Parade: Young and rich Jim Apperson (John Gilbert) enlists to fight in the First World War and becomes friends with the construction worker Slim (Karl Dane) and the barman Bull (Tom O'Brien). As the army is in training in a French village, Jim gets to know the adorable Melisande (Renée Adorée), but has to abandon her to go to the front.

A Viúva Alegre / The Merry Widow: O príncipe Danilo Petrovich (John Gilbert) se apaixona pela dançarina Sally O’Hara (Mae Murray), mas sua posição e sua família impedem o casamento. Devastada, Sally se casa com velho banqueiro que sustenta a família real.

The Merry Widow: Prince Danilo Petrovich (John Gilbert) falls in love with the dancer Sally O'Hara (Mae Murray), but his position and his family prohibit the union. Devastated, Sally gets married to an old banker who financially supports the royal family.

Ação, ciúme, pancadaria! / Action, jealousy, fighting!

O Feiticeiro de Oz / The Wizard of Oz: Esta versão muito louca da história de L. Frank Baum mostra Dorothy (Dorothy Dwan) como a rainha perdida de Oz, que foi levada ainda bebê para o Kansas. Já crescida, ela desperta a paixão de um fazendeiro (Larry Semon, o faz-tudo do filme). Oliver Hardy interpreta outro fazendeiro.

The Wizard of Oz: Thisvery crazy version of the L. Frank Baum story brings Dorothy (Dorothy Dwan) as the lost queen of Oz, who was taken to Kansas as a baby. As an adult, she becomes the object of desire of a farmer (Larry Semon, the man who did it all in the movie). Oliver Hardy plays another farmer.

O Leque da Lady Margarida / Lady Windermere’s Fan: Oscar Wilde é o autor da história de lady Margaret Windermere (May McAvoy), ou melhor, da mãe dela, Mrs Erlynne (Irene Rich), que foi uma mulher de vida desregrada. Depois de muitos anos, Mrs Erlynne volta a Londres mas, para evitar que Margaret, que pensa que a mãe morreu, tenha uma surpresa desagradável, o Lorde Windermere paga uma quantia para Mrs Erlynne deixá-los em paz.  

Lady Windermere's Fan: Oscar Wilde is the author of the story about Lady Margaret Windermere (May McAvoy), or better, her mother's, Mrs Erlynne's (Irene Rich), story. Mrs Erlynne lived an unruly life. After many years, she goes back to London but to avoid an unpleasant surprise for Margaret, who thinks her mother is dead, Lord Windermere pays a good sum so Mrs Erlynne will leave her daughter alone. 

Wow! This is my contribution for the Film History Project Blogathon, hosted by Fritzi, Aurora and Ruth, respectively at Movies, Silently, Once Upon a Screen and Silver Screenings.


Thursday, May 30, 2013

What’s my Line?

A fórmula é muito simples: adivinhar o que a pessoa faz podendo fazer apenas perguntas a serem respondidas com “sim” ou “não”. Essa brincadeira simples e até infantil de adivinhação deu origem a um dos mais duradouros a amados programas de televisão: o original “What’s my Line?” ficou no ar por 17 anos, entre 1950 e 1967, não sem passar por algumas situações curiosas e trágicas.
A televisão ainda era um meio de comunicação jovem e raro quando surgiu o programa de meia hora nas noites de domingo. Quatro pessoas sentadas em um painel deveriam adivinhar a profissão do convidado. Quando vinha o convidado misterioso, alguém facilmente reconhecível, os competidores usavam máscaras e o travesso convidado disfarçava a voz. Quanto mais diferente a profissão ou quanto mais o convidado enganasse os competidores, melhor para o público. Eu, pessoalmente, adoro quando os competidores não acertam!


Vários esportistas, em especial do mundo do beisebol, foram direto do campo, onde haviam jogado minutos antes, para o estúdio, aparecendo ao vivo no programa. Com certeza os mais divertidos são os artistas convidados, e eu recomendo que vocês vejam os clipas das participações de Yul Brynner e Rosalind Russell.
Uma das principais competidoras no painel era a jornalista Dorothy Kilgallen, que foi morta em 1965. Horas antes, ela havia aparecido ao vivo no episódio em que Tony Randall participa do painel. Tendo várias informações sobre o caso entre Marilyn e John Kennedy, e também havendo a possibilidade de ela saber algo sobre a morte do presidente, a morte de Dorothy foi considerada uma queima de arquivo. Mesmo assim, havia rumores de que ela sofrera uma overdose, pois não eram poucos os boatos de que Dorothy tinha problemas com drogas e bebida, e algumas pessoas garantem que ela aparece um pouco bêbada em alguns episódios. Em todo caso, Dorothy não era a competidora mais querida, uma vez que era muito competitiva e preferia acertar logo a satisfazer o público.
Arlene Francis talvez seja a competidora mais querida e, muitas vezes, a mais divertida. Ela ficou do segundo ao último programa, e só o apresentador John Daly apareceu em mais episódios do que ela.

Ao assistir a esse adorável programa de TV, temos a mesma sensação de ver filmes antigos, e podemos até falar o mesmo: os programas não são mais como antigamente!  

Wednesday, April 10, 2013

James Cagney: memórias (vlog)

Eu adoro participar de blogagens coletivas (blogathons) e fiquei em êxtase quando descobri que haveria uma em homenagem a meu ator favorito de todos os tempos: James Cagney. Aí surgiu o problema: eu não sabia sobre o que escrever. Já havia escrito críticas sobre vários de seus filmes, de diferentes gêneros, e também já abordei a vida do ator. Foi quando surgiu a ideia de falar de Jimmy de maneira mais intimista e, literalmente, “falar” sobre ele: hoje o post é em vídeo.
Como a blogathon é internacional, gravei um vídeo em português, para meus leitores brasileiros habituais, e um em inglês. Já me desculpo com quem fala outra língua, mas creio que estas duas opções já ajudam a mensagem a chegar a um público bem grande.
Luzes, câmera, ação!
Versão em português:

Versão em inglês: 

Crítica de “A canção da vitória / Yankee Doodle Dandy” (1942): http://criticaretro.blogspot.com/2011/03/cancao-da-vitoria-yankee-doodle-dandy.html
Crítica de “Cupido não tem bandeira / One, two, three” (1960): http://criticaretro.blogspot.com/2011/05/cupido-nao-tem-bandeira-one-two-three.html
P.S.1: Por coincidência, esse vídeo foi gravado no 27º aniversário de morte de James Cagney, 30 de março de 2013. Uma data bem propícia para uma homenagem.
Obrigado, Letícia, não precisava!
P.S.2: Se você e uma pessoa bem-informada e acompanha diversos blogs, deve estar sabendo que o Google Reader encerrará suas atividades no dia primeiro de julho. Para não perder nenhuma atualização do blog Crítica Retrô e de seus outros blogs favoritos, transfira agora sua lista de leitura para o Bloglovin, é fácil e rápido. Você pode começar a tarefa seguindo o blog pelo Bloglovin através do botão na barra lateral.

Leia as outras contribuições para James Cagney Blogathon aqui.

Friday, October 19, 2012

Uma carta para Giulietta

Dear readers, before you start, please note that Google translator is a little dumb, so it refers to Giulietta almost always as a male. Please change in your heads the male possessive pronouns to female ones and, if any doubt still persists, feeel free to ask me. 

Querida Giulietta Masina (ou Giulia Anna Masina, seu nome de batismo),



Acredito que você vá ficar feliz ao receber minha carta, que mostra como você foi e ainda é importante para muitas pessoas. Não deixou filhos, mas todos que tomam contato com as obra-primas “A Estrada da Vida / La Strada” (1954) e “Noites de Cabíria” (1957) se impressionam e se apaixonam por você. Por seu sorriso, por sua simplicidade e, acima de tudo, por seu talento.
Poucas pessoas conhecem você, e isso me entristece. Quantas vezes eu já me enfureci por ver seu nome ser escrito ou pronunciado errado! Mesmo encontrar dados sobre sua vida é difícil, e quer coisa mais frustrante para um fã? Creio que na Itália as novas geraçoes também não te conheçam muito, o que é uma pena, ainda mais porque você foi uma grande sortuda em seu trabalho. Invejo-a por ter a oportunidade de contracenar com Katharine Hepburn em “A Louca de Chaillot / The Madwoman of Chaillot” (1969). E que dizer da sua parceria com Marcello Mastroianni em “Ginger e Fred” (1985)? Mesmo já tendo ambos passado dos 60 anos, como vocês dançaram!
Clique aqui para ler o que Giulietta disse sobre trabalhar com Katharine
E por falar em dança e música, como não me lembrar de Nino Rota, que deu mais vida a seus filmes com músicas espetaculares? Sabendo que a trilha sonora de “A Estrada da Vida” era sua favorita e foi tocada em seu funeral, não pude deixar de emocionar ainda mais.  E outra música bela e emocionante foi composta em sua homenagem por um cantor brasileiro, Caetano Veloso:
Com certeza, Giulietta, muitos conhecem o seu Romeu, o diretor Federico Fellini. Mas o que a maioria não sabe é como você foi importante para ele. Existiria Giulietta sem Fellini, mas nunca o Fellini que conhecemos sem sua Giulietta. Você costumava ficar quieta enquanto ele criava seus filmes mirabolantes, mas sempre chegava um momento em que ele pedia sua opinião. Gosto de imaginar o que em cada filme de Fellini foi sugerido por você. Gosto ainda mais de pensar em vocês dois no apartamento do casal, nas viagens, nas reuniões com amigos, sempre uma dupla de respeito que, além de ter muito talento, se amava muito. Um amor tão forte e tão comovente que ele a deixou um dia depois de suas Bodas de Ouro, e você conseguiu esperar só cinco meses para se juntar a ele. Você dizia que sofria de “crepacuore”: “coração partido”.
Claro que eu não concordo com todos os passos que você deu durante seus 73 anos de vida. Eu nunca imaginaria largar uma carreira de atriz para ser mãe e dona-de-casa. Assim que você se casou com Fellini você fez isso. Infelizmente um aborto e a morte de um filho com um mês de vida trouxeram muita tristeza para a vida conjugal, mas devolveram você aos palcos e depois a introduziram às telas. O que seria de Cabíria e Gelsomina se elas fossem interpretadas por outras atrizes?
Também discordo com o fato de você não querer fazer filmes longe de sua casa e de seu marido. Sei que você cresceu durante o regime fascista de Mussolini, foi uma época difícil, e também que várias ideias conservadoras ficaram enraizadas em seu pensamento. Talvez eu seja liberal ou ambiciosa demais para prender-me a um marido e perder uma oportunidade de emprego. Pensando mais um pouco, não sei se Hollywood seria o lugar ideal para seu talento. Talvez você ficasse estereotipada como Gelsomina, a Chaplin de saias. Aliás, não sei se Charlie teve a oportunidade de conversar com você aí no céu, mas você era a atriz favorita dele. Que honra, não?  
Não escrevo só para reclamar, de maneira nenhuma. Escrevo para dizer o quanto você me inspira. A ser uma pessoa melhor. Encontro vários documentários sobre você em italiano e francês e foi essa sede de informação que me fez começar a aprender italiano sozinha e, no futuro, também francês. Suas roupas também me inspiram. Você usava roupas adoráveis e, com seu sorriso constante, sua baixa estatura e seus cabelos ruivos, era uma verdadeira boneca!   
Realmente não encontro mais palavras para esta carta. Você foi um daqueles nomes do cinema clássico que entrou na minha vida e me deixou obcecada. Você se tornou uma das minhas atrizes favoritas, motivo constante de buscas na Internet, nas redes sociais, e cada vez que eu me deparo com alguém que sabe quem você é eu abro um sorriso. Porque isso significa que sua genialidade não será perdida com o tempo.   
Um baccio, Giulietta! 

This is my blog contribution to the A Letter to the Stars Blogathon, hosted by Marcela, Rianna and Natalie at Best of the Past; Frankly, My Dear and In the Mood. Good reading!

Sunday, February 20, 2011

Um comercial curioso

Boa tarde, leitores! Interrompe brevemente a série de preparação para o Oscar para mostrar algo interessante que encontrei outro dia na internet: um comercial da Volkswagen estrelando dois dos meus astros favoritos: Gene Kelly e Donald O'Connor!


Embora fique claro que trata-se de uma montagem, mesmo  para os leigos que não conhecem os dois dançarinos, achei uma boa iniciativa de trazer os clássicos para a nova geração!
O que vocês me dizem?
Abraços cinematográficos,
Lê ^_^
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