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sábado, 19 de abril de 2014

Peter Lorre: o vilão subestimado

Aos 27 anos ele matava criancinhas. Aos 30 tinha um penteado esquisito e sequestrou uma garota de férias em uma estação de esqui. Aos 37 fez parte de um bando complicado que procurava uma estátua valiosa .Aos 39 matou duas pessoas para conseguir passes para sair do Marrocos direto para Portugal e escapar da Segunda Guerra Mundial. Aos 50 era o assistente medroso do capitão meio maluco de um submarino. E aos 59 foi um mágico transformado em corvo. Essas foram algumas das muitas vidas de Peter Lorre no cinema. Baixinho (1,61m), meio gorducho, olhos esbugalhados, sotaque inconfundível, nunca foi sequer indicado ao Oscar. Mas interpretou alguns personagens de arrepiar os cabelos.  
Seu papel mais famoso e de maior destaque é sem dúvida o de protagonista de “M” (1931). A película, escrita pelo diretor Fritz Lang com sua brilhante esposa Thea von Harbou, conta a história de uma cidade apavorada por um assassino de crianças. Com o noticiamento dos crimes, as crianças passam a ser proibidas de saírem na rua e o povo todo fica em alerta. Juntam-se nessa caçada a população, a polícia e até os bandidos, que não querem encontrar o culpado apenas para ganharem a recompensa, mas para acabarem com a intensa vigilância da polícia na cidade toda, o que dificulta seus “negócios”.

Antes de “M”, Peter Lorre fugiu de casa aos 17 anos, fez comédias no teatro e participou de dois filmes, um deles sem receber créditos. Aqui, apesar de ser o protagonista, vemos primeiro sua sombra, reconhecemo-lo pelo assobio (mas quem assobiava por trás das câmeras era Fritz Lang) e então ele se mostra. Sua cena mais marcante é sem dúvida o tribunal improvisado, em que Lorre arrasa na interpretação.
Mas vamos a um vilão com mais presença, e presença caricatural, devo dizer. Impressionado com “M”, Hitchcock convidou Lorre, recém-saído da Alemanha Nazista, para seu filme “O homem que sabia demais” (1934). Nele, uma família tem suas férias em uma estação de esqui interrompidas quando a filha é sequestrada. O sequestrador? Lorre, com uma mecha branca no cabelo que o faz parecer um gambá. O motivo do sequestro? A mãe, Jill Lawrence (Edna Best) presenciou um assassinato e ficou conhecendo detalhes sobre uma conspiração.  

Lorre ainda não era fluente em inglês quando filmou “O homem que sabia demais”, e aprendeu suas falas foneticamente (embora algumas fontes afirmem que ele teve três meses para dominar a língua antes de começar a filmar). Mas isso não importa: Abbott, seu personagem, é o mais memorável do filme. Além do cabelo de gambá, ele tem uma cicatriz bem acima do olho direito. Lorre foi às pressas para a cerimônia de seu primeiro casamento, com a atriz Celia Lovsky, sem tirar a maquiagem de Abbott!
Querida, cheguei!
Os fãs mais comprometidos de Hitchcock dizem que a versão de 1934 é melhor que seu remake, também dirigido por Hitchcock em 1956. Eu tenho de concordar, e grande parte dessa superioridade se deve à presença de Peter Lorre como vilão. Ele inclusive participa daquela que considero a melhor briga do cinema, envolvendo cadeiras voadoras em uma pequena igreja. O casal de sequestradores do garotinho no filme de 1956 não parece de todo perigoso, e nem sequer deixa sua marca de maldade. Outro ponto positivo da versão original é que Jill é a grande heroína. Embora Doris Day cante “Que Sera, Sera” e grite para evitar uma tragédia em 1956, a Jill de Edna Best é mais independente, e usa com sangue frio sua habilidade com armas.
O sucesso de Lorre nestes dois filmes foi estrondoso. Ele voltou a trabalhar com Hitchcock em “Agente Secreto”, de 1936, mas então já estava estereotipado: em Hollywood se tornou o vilão estranho, o maníaco que mora ao lado, o pária da sociedade. Lutou a vida toda contra um vício em morfina, adquirido após complicações de uma cirurgia em 1927. Mesmo assim, ele conquistou admiradores: em um anúncio para seu primeiro filme americano, “Mad Love” (1935), ele é descrito como o melhor ator da época por ninguém mais, ninguém menos que Charles Chaplin. Apesar de parcerias bem-sucedidas com Sidney Greenstreet e Humphrey Bogart (Peter inclusive convenceu Bogie a se casar com Lauren Bacall), sua carreira sofreu com seu ganho rápido de peso depois dos 50 anos, quando enfrentava um problema glandular. Mas isso não afastou Lorre de seus fãs! Porque, para pessoas como eu, que preferem os vilões, Peter Lorre merece um lugar de honra no Hall da Fama do cinema mundial.

This is my contribution for The Great Villain Blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings, Karen at Shadows & Satin and Kristina at Speakeasy.  


20 comentários:

•♥• Blog-PinagirlsCris •♥•Cris disse...

Adoro os personagens de Peter,nunca com a mesma característica,apesar de a grande maioria ser vilão,mas as personalidades sempre diferente nunca a mesma.
Adorei o post Lê ficou fantástico.
Beijos e Boa Páscoa!
http://pinagirlscris.blogspot.com

Pedrita disse...

sempre adorei. beijos, pedrita

Karen disse...

I greatly enjoyed your write-up. I've seen the 1951 version of M, directed by Joseph Losey, but not this one, which, from your description, seems much creepier! I will definitely have to give this one a look-see. Good stuff!

Kristina Dijan disse...

well done, nice bio details and I agree, Lorre could be lovable which is what makes him really disturbing when he's evil. I've seen the movies you write about here and he does a fantastic job in them. thanks for being part of this event :)

Lasso The Movies disse...

He's such a great villain, and "The Man Who Knew Too Much" is clearly, one of his best. It's not just the scar, or that strange white streak in his hair. It's Lorre himself, and that glint in his eye that says" look out!, I might come and get you next." What a villain.

Rich disse...

I once saw a film that Lorre directed, called 'Der Verlorene,' which means 'The Lost One.' It's German, but the print I saw had crappy subtitles, so I couldn't tell you a great deal about it. It looked not unlike his American crime/noir films.

girlsdofilm disse...

I had been looking forward to reading your post after the James Stewart blogathon! I think this is where my problem with the first version of The Man Who Knew Too Much is, Lorre is just too good - and I can't possibly prefer a film just for the villain ;)
He has a lot of other great roles too (I recently re-watched The Maltese Falcon), and I think he's one of my favourite 'character' villains, it's just a shame he couldn't seem to break the typecast!

Silver Screenings disse...

Peter Lorre is such a great actor, and you've pointed out the variety of films in which he's appeared. He's believable in all those roles.

Thanks for participating in the blogathon and for profiling the great Peter Lorre! :)

Silver Screenings disse...

Peter Lorre is such a great actor, and you've pointed out the variety of films in which he's appeared. He's believable in all those roles.

Thanks for participating in the blogathon and for profiling the great Peter Lorre! :)

Hugo disse...

Ótima postagem, realmente Peter Lorre foi um dos grandes vilões do cinema, ator que sempre colocava pitadas de comédia e ironia em seus personagens.

Vale destacar ainda os filmes com Vincent Price no final da carreira. São muito divertidos "Farsa Trágica", "O Corvo" e "Muralhas do Pavor".

Bjos e uma ótima semana.

Caftan Woman disse...

I love that you mentioned "Comedy of Terrors". Peter Lorre is the funniest crow of all time!

You wrote most feelingly about Lorre and his career. He is certainly deserving of all the praise.

ImagineMDD disse...

Peter Lorre was a brilliant character actor, and as a villain he could be frighteningly charming, creepy and cute. He was perfect for Hitchcock. Thanks for this post. It's so rare to get to compare a film that a director creates two versions of. A Peter Lorre film is always worth watching.

Carol Caniato disse...

Ele tem um rosto muito marcante, né? Acho que coube bem nos personagens de Hitchcock!
Agora, até hoje não assisti M... que vergonha. Vou subir ele na minha lista, haha!
Beijo!

Iza disse...

Adorei o post! M é um clássico do cinema e o Peter um ícone :)
Beijos <3

TELA PRATEADA disse...

Oi, Letícia
Me desculpe por ter sumido por tanto tempo, ok?
Estou aos poucos tentando colocar minha vida nos eixos novamente.
Apesar de não ser fã do Peter, amo O Homem Que Sabia Demais. E concordo que seja melhor que a segunda versão. Demais.
Um abraço
Dani

DorianTB disse...

Le, I've been looking forward to your blog post about Peter Lorre at last (so many bloggers to catch up with! :-)), and now that I've caught up with it, it was well worth the wait! Lorre may have made his early mark as the the child-killer of "M", but we've enjoyed many of Lorre's roles, including comedy like ALL THROUGH THE NIGHT, COMEDY OF TERRORS, SILK STOCKINGS, and so much more! Peter would be proud of your excellent salute to him! Great job, my friend!

Danny disse...

Great post. And if you haven't seen him in Mad Love, I highly suggest you seek that out too-- he's completely nuts in it!

Gilberto Carlos disse...

Gostei muito dele em M - O vampiro de Dusseldorf, que é com certeza seu filme mais famoso.

Abraços

Leah Williams disse...

Such a fan of Lorre's. Thanks for such a great post on him! Leah

Claudio disse...

Peter Lorre foi o melhor ator de todos, mas um dos ou o mais injustiçado. Nunca ter recebido um indicação ao oscar é um absurdo. Era tão bom ator que numa cena de uma peça onde ele perseguia alguém com uma faca, a plateia e até mesmo os outros atores gritaram para ele parar, de tão convincente que ele estava. Quando ele foi para uma entrevista com Hitchcock, ele sabia quase nada de inglês, mas sabia que Hitch gostava de contar histórias e ele fingiu que entedia o que o diretor dizia e ria nos momentos certos, então Hitchcock achou que ele sabia inglês e o contratou.
São tantas interpretações maravilhosas:

M;
O Homem dos Olhos Esbugalhados,(Stranger on the Third Floor);
Três Desconhecidos,(Three Strangers);
Crime e Castigo,(Crime and Punishment);
Relíquia Macabra, (The Maltese Falcon);
Mendigo Milionário, (I'll Give a Million);
Epara mim a melhor de todas em Supremo Sacrifício (Crack Up).

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