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sábado, 14 de julho de 2018

Luz de Inverno / Winter Light (1963)


Às vezes, em situações deprimentes, nos questionamos sobre Deus. Frente a injustiças, desgraças, perdas e até tormentos geopolíticos, nós nos perguntamos se existe realmente Deus, e por que ele não interfere para que nós ou outras pessoas paremos de sofrer tanto. Este mesmo questionamento foi feito por um pastor em uma pequena cidade sueca, no filme de Bergman “Luz de Inverno”, de 1963.

Sometimes, in very sad situations, we ask ourselves about God. In the face of injustices, disgraces, loss and even geopolitical turmoil, we wonder if there is really a God, and why he isn’t interfering to make us or other people from suffering. This same question was made by a pastor in a small Swedish city in 1963, in Bergman’s “Winter Light”.

O filme é relativamente curto - 81 minutos - e os primeiros doze minutos são gastos com o sacramento católico da comunhão / eucaristia durante uma missa. Há uma razão para isso: o título original em sueco, que é muito difícil de pronunciar, pode ser traduzido como “Luz de Inverno” e também como “os Comunicantes” - ou seja, as pessoas que tomam parte na Comunhão.

The film is relatively short - 81 minutes - and the first twelve are spent with the Christian ritual of communion / Eucharist during a mass. This has a reason: the hard to pronounce original title in Swedish can be translated as both “Winter Light” and “the Communicants” - that is, the people who take part in the Communion.

Estes Comunicantes procuram pelo pastor Tomas Ericsson (Gunnar Björnstrand) para que ele os ajude após a missa. Karin Persson (Gunnel Lindblom) pede que o pastor converse com seu marido com tendências suicidas, Jonas (Max von Sydow). Jonas é um pescador com uma grande família, mas após ouvir sobre o desenvolvimento de bombas atômicas na China, ele passa a se questionar o significado da vida e sobre a existência de Deus.

Those Communicants look for pastor Tomas Ericsson (Gunnar Björnstrand) for help after the mass. Karin Persson (Gunnel Lindblom) asks the pastor to have a talk with her suicidal husband, Jonas (Max von Sydow). Jonas is a fisherman with a large family, but since hearing about the development of atomic bombs in China, he is questioning the meaning of life and the existence of God.

O problema é que o pastor Tomas pode não ser a pessoa ideal para dar conselhos espirituais para Jonas. Tomás também está questionando sua fé, e ainda tem de lidar com a atenção não requisitada da professora e ajudante Märta Lundberg (Ingrid Thulin). Ela não foi conversar com ele depois da missa, mas deixou uma carta. Em uma escolha muito sábia de Bergman, o conteúdo da carta é lido não por Ingrid em voiceover, mas por Ingrid em close-up, como um testemunho - um testemunho dos qual não podemos tirar os olhos.

The problem is that pastor Tomas may not be the ideal person to give Jonas spiritual advice. Tomas is also questioning his faith, and also has to deal with the unrequited attention from the teacher and helper Märta Lundberg (Ingrid Thulin). She didn’t talk to him after the mass, but left him a letter. In a very wise choice from Bergman, the content of the letter is read not by Ingrid in voiceover, but by Ingrid in a close-up, like a testimony - one we can’t take our eyes off.

Outra escolha sábia se dá quando vemos a luz de Inverno pra valer: é óbvio que há uma mudança na iluminação quando, depois de conversar com Jonas, Tomas pergunta: “Deus, por que me abandonaste?”. E, se você tem familiaridade com a doutrina cristã, aqui está a chave para interpretar o filme: talvez, no final das contas, o pastor Tomas não acredite naquilo que prega.

Another wise choice is when we really see a winter light: it’s obvious the change of lighting that happens when, after talking to Jonas, Tomas asks: “God, why have you forsaken me?”. And, if you are familiar with the Christian doctrine, here you have the key to interpret the movie: maybe, after all, pastor Tomas isn’t a true believer.

Obviamente, Bergman é um cineasta que faz filmes complexos. As pessoas podem ter diferentes interpretações de sua obra - e eu penso que isto é fascinante. Na minha opinião, quando o ajudante deficiente da igreja Frövik (Allan Edwall) fala sobre a paixão de Cristo, ele não mostra apenas que ele é o único cristão de verdade naquela igreja, mas também revela todos nós temos nossas paixões para enfrentar.

Of course, Bergman is a filmmaker who makes complex movies. People can have several interpretations of his work - and I find it fascinating. In my opinion, when the handicap church helper Frövik (Allan Edwall) talks about Jesus’ passion, he does not only show how he is the only truly believer in that church, but he also reveals that we all have our passions to go through. 

“Luz de Inverno” é a história de muitas paixões: a de Tomas, a de Jonas, a de Märta. Nos podemos não saber se nossa paixão já aconteceu no passado ou se estamos prestes a enfrentá-la, mas todos nós temos um momento crucial na vida em que também perguntamos: “Deus, por que me abandonaste?”.

“Winter Light” is the story of many passions: Tomas’s, Jonas’s, Märta’s. We may not know if our passion already happened in the past or if we are about to face it, but we all have one crucial moment in life when we too ask: “God, why have you forsaken me?”.

This is my contribution to the Winter in July blogathon, hosted by Debbie at Moon in Gemini.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A Porta de Ouro / Hold Back the Dawn (1941)


Todo mundo merece um lugar ao sol? Não sei ao certo, mas todo mundo quer um lugar ao sol. E geralmente a busca por este lugar cheio de alegria e satisfação envolve a migração. E o que acontece quando os imigrantes são parados no meio do caminho? Quando eles são proibidos de entrar no lugar que escolheram como sua nova casa? Você pode ligar a TV e encontrar respostas para estas questões agora mesmo, ou você pode ver “A Porta de Ouro”, um filme feito há mais de 75 anos.

Does everybody deserve a place in the sun? I’m not sure, but everybody wants a place in the sun. And often the pursuit of this place of happiness and fulfillment demands migration. And what happens when migrants are stopped midway their destiny? When they are forbidden to enter the place they chose as their new home? You could turn the TV and find answers for these questions right now, or you could watch “Hold Back the Dawn”, a film made over 75 years ago.
Georges Iscovescu (Charles Boyer) é um romeno que teve um probleminha na Europa e decidiu migrar para os EUA. Ele chega a uma escaldante cidade mexicana na fronteira, e descobre que, dos 150 mil imigrantes que o país deixava então entrar todos os anos, havia uma cota pequena para os romenos – e ele teria de esperar entre 5 e 8 anos para finalmente conseguir entrar no país legalmente. Por isso, ele e outros imigrantes de diversas nacionalidades ficam em um hotel até terem os documentos. O lugar tem um nome sugestivo: Hotel Esperanza.

Georges Iscovescu (Charles Boyer) is a Rumanian who had a little problem in Europe and decided to migrate to the United States. He reaches a hot Mexican city in the border, and finds out that, among the 150 thousand immigrants the US let in every year, there is only a very small quota for Rumanians – and he must wait from 5 to 8 years to finally be able to get in the US legally. So, he and other immigrants from several nationalities stay in a hotel until their visa is ready. The place has a suggestive name: Hotel Esperanza (Hope Hotel).
Mas a esperança não é a última que morre ali. Quando Georges chega ao hotel, um imigrante alemão havia se cansado de esperar e comete suicídio. No hotel, Georges encontra uma velha conhecida, Anita (Paulette Goddard), que lhe dá uma dica: é mais fácil e rápido ser admitido nos EUA se você se casar com uma norte-americana.

But hope is not the last one left standing there. When Georges arrives at Hotel Esperanza, a German immigrant has got tired of waiting and committed suicide. At the hotel Georges finds an old acquaintance, Anita (Paulette Goddard), who gives him a tip: it’s much easier and quicker to be admitted to the US if you marry an American.
Então, Georges começa a paquerar todas as norte-americanas que ele encontra. A primeira delas acaba sendo uma mulher casada, mas a segunda norte-americana que ele encontra é Emmy (Olivia de Havilland), uma professora que levou seus aluninhos bagunceiros para uma excursão no México durante o feriado de 4 de julho – uma atividade pedagógica que desafia a lógica, eu sei. Georges é charmoso e diz coisas lindas para ela, e o plano funciona: no dia seguinte, eles estão casados. O plano de Georges consistia, desde o começo, em se casar com Emmy, ser aceito nos EUA – escapando assim da vigilância do inspetor Hammock (Walter Abel) – e depois pedir a anulação do casamento e viver livremente nos EUA com Anita.

So, Georges starts hitting on all American women he sees. The first one happens to be already married, but the second American woman he finds is Emmy (Olivia de Havilland), a schoolteacher vacationing with her young and loud students in Mexico for the 4th of July holiday – something that defies the logic, I know. Georges is charming and says beautiful things to her, and the plan works: on the following day, they’re married. Georges’s plan has been, all along, to marry Emmy, be accepted in the US – thus escaping the vigilance of Inspector Hammock (Walter Abel) – then ask for an annulment and live freely there with Anita.
Há duas boas surpresas em “A Porta de Ouro”. Uma é a maneira como o filme começa: Georges está fugindo e entra em um estúdio de cinema, onde ele conta toda sua história de imigrante e falso amante para um diretor chamado Dwight Saxon (o próprio diretor do filme, Mitchell Leisen). O senhor Saxon estava filmando uma cena com Veronica Lake, e quando ele liberou a equipe, pôde finalmente ouvir a história de Georges. A outra boa surpresa é a lua de mel de Georges e Emmy em uma vila mexicana, onde eles participam de uma cerimônia religiosa. Não há nenhum estereótipo nesta parte do filme!

There are two nice surprises in “Hold Back the Dawn”. One is the way it starts: Georges is on the run and enters a film studio, where he tells his whole story as an immigrant and fake lover to a director called Dwight Saxon (director Mitchell Leisen himself). Mr. Saxon was filming a scene with Veronica Lake, and when he dismissed the team he was able to listen to Georges’s story. The other nice surprise is Georges’s and Emmy’s honeymoon in a Mexican villa, where they take part in a religious ceremony. There are no ugly stereotypes there!
Foi uma surpresa incrível e uma coincidência assustadora eu ter escolhido este filme para ver exatamente quando acontece um episódio que não pode ser considerado uma crise de imigração, mas um crime humanitário. Eu tento fugir da política, mas ela me persegue! Por falar em perseguir algo – um sonho - , em uma cena emblemática, um professor estrangeiro, no almoço de 4 de julho, recita para um oficial da imigração o poema na base na Estátua da Liberdade – um texto que prega valores que muitos americanos não apenas esqueceram, mas nos quais nunca sequer acreditaram.

It was an incredible surprise and a chilling coincidence that I chose to watch this movie exactly in the middle of an episode that can't be considered an immigration crisis, but a humanitarian crime. I try to stay away from politics, but they go after me! And talking about going after something, in an emblematic scene, a foreign professor, on the 4th of July lunch, recites to an immigration officer the poem on the basis of the Statue of Liberty – a text that shows values that many Americans not only have forgotten, but have never believed in the first place.
Um momento ruim aqui: Emmy fala dos EUA como a tão divulgada “terra de oportunidades” e compara o país com um lago que deve receber sempre novas correntezas para não ficar parado. Georges comenta: “o seu povo está construindo diques bem altos para parar estas correntezas”. A resposta dela? “Só para deixar o LIXO de fora”. Meu Deus. Isso poderia ter sido dito por um ultraconservador ontem mesmo.

A bad moment here: Emmy talks about the US as the so-called “land of opportunities” and compares the country to a lake that must keep receiving new streams to never go stank. Georges comments: “your people are building pretty high damps to stop these streams”. Her answer? “Just to keep out the SCUM”. Oh my God. This could have been said by an ultraconservative yesterday.
Não nos esqueçamos de que os roteiristas eram Charles Brackett e Billy Wilder – e Wilder era um imigrante, assim como as estrelas Charles Boyer (francês) e Olivia de Havilland (nascida no Japão). A maioria dos coadjuvantes também eram imigrantes, e formaram um grupo muito interessante que merecia muito mais destaque no filme.

Let's not forget that the screenwriters were Charles Brackett and Billy Wilder – and Wilder was an immigrant. So were the stars Charles Boyer (French) and Olivia de Havilland (born in Japan). Most of the supporting cast was also made of immigrants, and they were a very interesting group that deserved a lot more screen time.
Vamos dar uma olhada nestes personagens incríveis que esperam por seus vistos no Hotel Esperanza. Há o casal Kurz, Berta (Rosemary DeCamp) e Josef (Eric Feldary, vindo da antiga Áustria-Hungria). Eles esperam um bebê, e o sonho deles é que o bebê possa nascer sendo um cidadão norte-americano. Bonbois (interpretado por Curt Bois, um ator alemão que fez seu primeiro filme em 1908 e o último em 1988) é um nervoso cabeleireiro francês que serve de alívio cômico. Há também o porfessor Van Den Luecken (o ator belga Victor Francen) e suas duas filhas, Christine (Micheline Cheirel) e Anni (Madeleine Lebeau). Ambas eram atrizes francesas – e Madeleine é parte importante da icônica cena da Marselhesa em “Casablanca” (1942).

Let’s take a look at these amazing characters waiting for their visas at the Hotel Esperanza. There is the Kurz couple, Berta (Rosemary DeCamp) and Josef (Eric Feldary, from former Austria-Hungary). They are expecting a baby, and dream that him or her can be born an American citizen. Bonbois (played by Curt Bois, a German actor who made his first film in 1908 and his last in 1988) is a nervous French coiffeur who serves as the comic relief. There is also professor Van Den Luecken (Belgian actor Victor Francen) and his two daughters, Christine (Micheline Cheirel) and Anni (Madeleine Lebeau). Both actresses were French – and Madeleine is an important part of the iconic Marsellaise scene from “Casablanca” (1942).
Curt Bois in "Casablanca"
Madeleine LeBeau
Boyer é suave e charmoso como sempre. Olivia é adorável como sempre, tendo de ser ingênua a maior parte do tempo. Paulette Goddard está bem como uma femme fatale da fronteira. Mas os reais destaques são os imigrantes desesperados do hotel. Eles são a prova cabal e tangível de que a diversidade é o tempero da vida – e a melhor coisa deste filme.

Boyer is suave and charming as always. Olivia is lovely as always, having to be naïve most of the time. Paulette Goddard is good as a femme fatale of the border. But the true MVPs are the desperate migrants in the hotel. They are the real, touchable proof that diversity is the spice of life – and the best thing in this film.

This is my contribution to the third annual Olivia de Havilland blogathon, hosted by Laura and Crystal at Phyllis Loves Classic Movies and In the Good Old Days ofClassic Hollywood.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Springtime Silent Movie Challenge – girls run the silent film world


Eu amo desafios – especialmente quando eles envolvem filmes. Por isso, quando a Fritzi do site Movies, Silently propôs um desafio de primavera para nós, amantes do cinema, eu tive de aceitar. O desafio consiste em ver dez filmes bem antigos. Mas estes não são filmes antigos como “O Cantor de Jazz” (1927) ou “Hollywood Revue” (1929). Nós tínhamos de ver 10 filmes feitos antes de 1914.

I love challenges - especially when they involve movies. So, when Fritzi from the site Movies, Silently proposed a springtime challenge for us, movie lovers, I had to join. The challenge consists in watching ten early movies. But those aren’t early movies like “The Jazz Singer” (1927) or “The Hollywood Revue” (1929). We had to watch 10 films from 1914 or before.

Isso é difícil? Nem um pouco. Por isso eu resolve deixar as coisas mais interessantes criando minha própria regra: no espírito do meu site colaborativo e feminista, Cine Suffragette, eu veria dez filmes estrelados por mulheres ou, de preferência, com mulheres atrás das câmeras – como produtoras, roteiristas ou diretoras. E, bem, ainda ficou fácil! Vamos ver o que eu consegui...

Is it difficult? Not at all. So I decided to spice things up and created my own rule: in the spirit of my collaborative feminist site Cine Suffragette, I’d watch ten films starring women or, preferably, with women behind the cameras - as producers, writers or directors. And, well, it was still easy! Let’s see what I came up with..


Cinco filmes feitos em 1905 ou antes:

Five Movies made in 1905 or before:

Carmencita (Estrelando Carmencita, 1894): Eu posso ter trapaceado com este, mas aqui está uma curiosidade interessante: a dançarina espanhola Carmencita foi provavelmente a primeira mulher a ser filmada nos Estados Unidos. O diretor William K.L. Dickson fazia experimentos com câmeras desde a série Monkeyshine, em 1890, e demorou quatro anos para finalmente filmar uma mulher. Esta exibição de dança de apenas um minuto foi a primeira e única experiência de Carmencita no cinema, enquanto Dickson fundou em 1895 o estúdio que depois viria a ser conhecido como Biograph.

Carmencita (Starring Carmencita, 1894): I may be cheating on this one, but here it is some interesting trivia: Spanish dancer Carmencita is probably the very first woman to appear in a motion picture in the US. Director William K.L. Dickson was making experiments with cameras since his Monkeyshine series in 1890, and it took him four years to finally film a woman. This one minute long dancing exhibition was the first and only experience Carmencita had with films, while Dickson founded in 1895 the studio later known as Biograph.

Cendrillon (Estrelando Jeanna D’Alcy, 1899): Georges Méliès leva o conto de fadas da Cinderela para as telas pela primeira vez em 1899. Como a fada madrinha, temos a esposa de Méliès, Jeanne D’Alcy. Assim como tudo o mais que o pioneiro do cinema fez, sua Cinderela é divertida e cheia de truques – sempre que um desejo é concedido à nossa heroína, um pouquinho de mágica acontece nas telas. Há também o uso de transições interessantes em várias ocasiões. Não há maneira melhor de passar cinco minutos ociosos do que com Méliès.

Cendrillon (Starring Jeanne D’Alcy, 1899): Georges Méliès brings the Cinderella fairy tale for the first time to the screen in 1899. As the fairy godmother, we have Méliès’s wife, Jeanne D’Alcy. As everything the pioneer did, his Cinderella is amusing and full of clever tricks whenever a wish was granted for our heroine. There is also the interesting use of “dissolve” transition in several occasions. There is no better way to spend five lazy minutes than with Méliès.

Pierrette’s Escapade (Dirigido por Alice Guy, 1900): A Pierrette conversa com o Pierrot através de gestos muito teatrais e enérgicos. E então, quando ele não está olhando, ela dá uma ‘escapadinha’ com a Arlequina, dançando com ela e beijando-a – sim, é um pequeno romance LGBT de 118 anos atrás. A dança é uma das melhores coisas aqui – a outra é que este é um filme colorido! O filme foi pintado à mão e, mesmo que a versão em domínio público esteja em condições não tão boas, ainda é possível aproveitar o filme, que nos mostra como as cineastas estavam sempre procurando trazer realismo e novidades para o público.

Pierrette’s Escapades (Directed by Alice Guy, 1900): The Pierrette talks to the Pierrot putting a lot of energy in her very theatrical gestures. And then, when he is not looking, she makes an escapade with the Harlequin, dancing and kissing her - yeah, it’s a petit 118 year-old LGBT romance. The dance is one of the best things here - the other being the color! The film was hand-tinted and, even if the public domain print is not in the best conditions, it is still enjoyable and shows us how filmmakers were always looking for realism and novelties for the audience.

A Parteira da Classe Média (Dirigido por Alice Guy, 1902): Os nostálgicos tinham razão: a vida era bem melhor no começo do século. Por exemplo, um casal que decidia ter um filho – depois de o homem insistir muito – poderia simplesmente... comprar um bebê de uma parteira! Sem dor, sem bagunça, sem sangue. Obviamente, isso era uma fábula, e Alice Guy já a havia filmado em 1896, também para o estúdio Gaumont, em “A Fada do Repolho”: era a velha superstição de que meninas nasciam de rosas, e meninos, de repolhos. O casal quer um menino – eu até acho que consegui ler os lábios da moça dizendo “garçon” – mas não ficam contentes com as opções mostradas pela parteira. Então, a parteira leva os dois até uma plantação de repolhos e começa a tirar BEBÊS DE VERDADE dos repolhos.

Midwife to the Upper Classes (Directed by Alice Guy, 1902): Nostalgic people were right: life was much better in the beginning of the century. For instance, a couple that decided to have a baby – after the man insists on the issue – could just... buy one with a midwife! No pain, no mess, no blood. Of course, this was a fable, and Alice Guy had already filmed it in 1896, also for the Gaumont studio, in “The Cabbage Fairy”: the old wives' tale that baby girls came from roses, and baby boys, from cabbages. The couple wants a boy – I even think I can read the woman's lips saying “garçon” - but is not happy with the “ready-made” options. So the midwife just shows them a cabbage field and starts taking REAL BABIES from the cabbage.

The Spring Fairy (1902): Este pequeno filme tem duas personagens femininas, mas infelizmente os nomes das atrizes que as interpretam são desconhecidos. O filme conta a história de um casal solitário que dá comida e abrigo a uma velha senhora durante um dia de inverno. A velha senhora revela, na verdade, ser uma fada, e concede um desejo ao casal, porque eles foram bondosos com ela. O casal quer um bebê, e a fada transforma um pouco da neve em flores e das flores o casal tira duas meninas – parece que a nossa fada aprendeu algumas coisas com Alice Guy! E deixe-me dizer que tanto o vestido da fada quanto as flores de primavera são pintadas de amarelo, enquanto o resto da cena continua em preto e branco – um truque de cor bolado pelo incrível Segundo de Chomón.

The Spring Fairy (1902): This little film has two female characters, but unfortunately the names of the actresses portraying them are unknown. The film depicts the story of a lonely couple that gives food and shelter to an old woman during a cold winter day. The older woman reveals to be, actually, a fairy, and concedes the couple a wish, because they were nice to her. The couple wants a baby, so she transforms some of the snow into flowers and from the flowers the couple collects two baby girls – it looks like our fairy learned a few things with Alice Guy! And let me say that both the fairy’s dress and the spring flowers are painted in yellow, while the rest of the scene remains in black and white - a color trick applied by the great Segundo de Chomón.


Cinco filmes feitos entre 1906 e 1914:

Five Movies made between 1906 and 1914:

Canned Harmony (Dirigido por Alice Guy-Blaché, 1912): Que diferença dez anos fazem! Alice se casou com Herbert Blaché em 1907 e foi para os EUA. Em 1912, ela já assinava como Alice Guy-Blaché e tinha seu próprio estúdio, Solax, onde ela fez “Canned Harmony” e muitos, muitos outros filmes. Aqui, um professor de música só aceita que um músico virtuoso se case com sua filha, Evelyn (Blanche Cornwall). O namorado de Evelyn, Billy (Billy Quirk), sofre muito com esta exigência, até que seu colega de quarto o aconselha a usar um fonógrafo e um disco de um violinista para impressionar o futuro sogro. Sim, esta é uma comédia muda que depende do som para ser engraçada – e funciona! É interessante notar como, neste filme em particular, os intertítulos são usados para explicar a ação antes de ela acontecer. E há também um uso notável da tela dividida.

Canned Harmony (Directed by Alice Guy-Blaché, 1912): What a difference 10 years make! Alice married Herbert Blaché in 1907, and then went to the US. By 1912, she signed as Alice Guy-Blaché and had her own studio, Solax, where she made “Canned Harmony” and many, many more films. In this, a music professor will only accept a virtuoso musician to marry his daughter, Evelyn (Blanche Cornwall). Evelyn's beau, Billy (Billy Quirk), will suffer a lot with this exigency, until his roommate tells him to use a phonograph and a record of a violin virtuoso to impress his future father-in-law. Yes, this is a silent comedy that relies on sound to be funny – and it works! It's interesting that, in this particular film, the intertitles are used to explain the action before it happens. And there is also a notable use of split screen.

His Mother (Escrito e estrelado por Gene Gauntier, 1912): Dois turistas americanos estão na Irlanda quando ouvem uma melodia maravilhosa. O senhor Foster, um banqueiro, e sua filha (Gene Gauntier) descobrem que a música vem de uma casa pobre, onde o jovem Terence (J.J. Clark) toca seu violino. O senhor Foster dá seu cartão a ele, para quando Terence for à Nova York. Alguns meses depois, a mãe de Terence (Anna Clark – não sei se ela era de fato parente de J.J., mas me parece que não) dá a ele todas as suas econômicas para comprar uma passagem para Nova York. Terence faz isso e obtém sucesso, mas com o êxito profissional e a felicidade ele se esquece de mandar notícias para a mãe. Então a velha senhora decide ir atrás dele. E um filme simples, emocionante e com cenários ricamente decorados.

His Mother (Written and starred by Gene Gauntier, 1912): Two American tourists are in Ireland when they hear an incredible music. Mr Foster, a banker, and his daughter (Gene Gauntier) find out that the music comes from a poor house, where Terence (J.J. Clark) plays his violin. Mr Foster gives the man his card, for when the man goes to New York. A few months later, the Terence’s mother (Anna Clark – I don’t know if she was really related to J.J., but I believe she wasn’t) gives him all her savings to buy a passage to New York. Terence does it and succeeds, but with success and happiness he stops writing to his mom. So the old woman decides to go after him. Simple, moving, and with great set decoration.

Suspense (Dirigido e estrelado por Lois Weber, 1913): Você quer ser maravilhado, surpreendido e assustado por um filme feito há 105 anos? Veja “Suspense”. Nele, uma dona de casa (interpretada pela própria diretora Lois Weber) é deixada sozinha em casa. Ela mora em uma área quase desértica, e um andarilho (Sam Kaufman) decide invadir sua casa. Ela telefona para o marido (Valentine Paul), e ele começa uma corrida frenética para chegar em casa antes que algo trágico aconteça. Devemos prestar atenção aos truques de câmera de Lois – como a tomada pelo buraco da fechadura – e àquele que é provavelmente o primeiro uso de tela dividida no cinema. E eu estou vendo Lon Chaney sendo atropelado por um carro? À primeira vista eu achei que sim, mas agora não tenho certeza...

Suspense (Directed and starred by Lois Weber, 1913): Do you want to be amazed, surprised and scared by a film that is 105 years old? Just watch “Suspense”. In it, a housewife (played by director Lois Weber herself) is left home alone. She lives in a near-desert area, and a tramp (Sam Kaufman) decides to invade her house. She phones her husband (Valentine Paul), and he starts a frantic race to arrive home before something tragic happens. We must pay attention to Lois’s camera tricks – like the door lock shot – and what is probably the first use of split screen on film. And is that Lon Chaney being hit by a car? At first I thought so, but now I’m not so certain…

Daisy Doodad’s Dial (Produzido, escrito e estrelado por Florence Turner, 1914): Florence Turner – anteriormente conhecida como “a Vitagraph Girl” – interpreta Daisy Doodad, que lê em um jornal o anúncio de um concurso de caretas. Infelizmente, ela não pode ir ao grande evento, por causa de uma dor de dente, e seu marido (talvez Tom Powers ou Lawrence Trimble, não há consenso) entra no concurso e ganha o primeiro prêmio. Mas outra competição de caretas acontece pouco tempo depois e, a caminho do evento, Daisy decide praticar suas caretas e acaba criando problemas com a polícia. O filme é muito divertido – ou talvez meu humor seja muito vintage – e há um bom uso de efeitos especiais perto do final.

Daisy Doodad's Dial (Produced, written and starred by Florence Turner, 1914): Florence Turner – formerly known as “The Vitagraph Girl” - plays Daisy Doodad, who reads in the newspaper about a face making contest that is about to happen. Unfortunately, she can't attend the great event, because of a toothache, and her husband (maybe Tom Powers or Lawrence Trimble, there is no consensus) goes instead and wins first prize. But another face making competition takes place a little time later, and, while en route to it, Daisy decides to practice her faces and ends up creating trouble with the police. The film is very funny – or maybe my humor is very vintage – and there is a good use of special effects near the end.

Caught in a Cabaret (Dirigido, escrito e estrelado por Mabel Normand, 1914): Neste curta-metragem, Chaplin trabalha como garçom em um bar da periferia. Em sua folga, ele ajuda uma mulher rica (Mabel) que está sendo assediada por um homem. Chaplin se apresenta a ela como Primeiro-Ministro, e é convidado para uma festa na casa de Mabel, o que deixa o pretendente ela (Harry McCoy) furioso. E, obviamente, Chaplin não para de trabalhar no bar enquanto mantém a farsa, o que leva Harry a bolar um plano para desmascará-lo.

Caught in a Cabaret (Directed, written and starred by Mabel Normand, 1914): In this, Chaplin works as a waiter in a bar at the slums. In his free hour, he helps a rich woman (Mabel) who is being harassed by a man. Chaplin then presents himself as a Prime Minister and is invited to a party at Mabel’s house, what makes her beau (Harry McCoy) furious. And, of course, Chaplin doesn’t really stop working at the bar during his farce, and this gives Harry an idea of what to do to expose Chaplin.


O que eu aprendi com o desafio

Mesmo que eu tenha visto apenas uma porcentagem ínfima dos filmes disponíveis deste primeiríssimo período do cinema – não nos esqueçamos de que muitos destes filmes com mais de 100 anos foram perdidos, e na minha seleção, por causa de questões de tempo, eu não incluí longas-metragens – eu consegui aprender algumas coisas.
O cinema está sempre evoluindo, portanto a história do cinema é a história desta evolução. Os primeiros filmes tinham apenas uma cena, então eles evoluíram para múltiplas cenas, múltiplos cenários e múltiplas histórias em um mesmo filme. Transições e técnicas de edição foram criadas. Houve experimentação com edição, cores, tela dividida, ângulos de câmera e muito mais. O cinema evoluiu muito de 1894 até 1914.
Muitas mulheres estavam envolvidas no ‘fazer cinematográfico’ neste período, e muitas mais na “era de ouro do cinema mudo” – um conceito que eu mesma criei. Quando o cinema era visto como moda passageira, uma curiosidade sem futuro, as mulheres podiam ir para trás das câmeras, escrever, editar, experimentar e ter suas próprias produtoras. Quando as pessoas começaram a ver que o cinema era lucrativo, os homens tomaram conta de tudo. Nós temos, agora, menos mulheres atrás das câmeras do que tínhamos 100 anos atrás. É hora de nos inspirarmos por Alice Guy, Gene Gauntier, Mabel Normand e muitas outras e recobrar nosso lugar como cineastas.
Lois Weber
What I have learned with the challenge

Even though I have barely scratched the surface of the earliest cinema available - let’s not forget that many of these 100+ year-old movies are lost, and in my selection, because of time constraints, I didn’t include feature films - I was able to learn a few things.
Film is always evolving; therefore film history is the history of this evolution. The first movies had only one scene, and then they evolved to multiple scenes, multiple sets, and multiple storylines. Transitions and editions were created. There was experimentation with edition, color, split screen, camera angles and so on. Cinema evolved a lot from 1894 to 1914.
Many women were involved in the making of movies in this first period, and even more in the “golden age of silent cinema” - a concept created by me. When film was viewed as a fad, a curiosity with no future, women could handle cameras, write, edit, experiment and have their own production companies. When people started seeing that cinema was profitable, men took charge of everything. We are, now, with fewer women behind the cameras than there was 100 years ago. It’s time to be inspired by Alice Guy, Gene Gauntier, Mabel Normand and many more and recover our place as filmmakers.

Thanks again to Fritzi at Movies, Silently for creating this amazing challenge.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Sinatramania

Adolescentes e jovens mulheres gritando até perder a voz. Quando elas finalmente veem o ídolo, elas gritam mais alto, choram, desmaiam. Algumas delas até perseguiam o ídolo, em busca de um autógrafo, foto ou talvez, uma mecha de cabelo. Seriam elas fãs do século XXI, loucas pelo cantor mais famoso do momento? Não. Fãs malucas não são novidade. Será que Al Jolson teve de lidar com flappers malucas? Havia groupies que seguiam Beethoven? Obviamente, eu não posso responder a estas perguntas por falta de provas, mas posso mostrar um exemplo de super-estrelato de 70 anos atrás. Nos anos 40, quase todas as garotas eram loucas por Sinatra.

Teenagers and young women screaming until they become voiceless. When they finally see their idol, they scream louder, cry, faint. Some of them even go after the idol, in the pursuit of an autograph, photo or, maybe, a lock of hair. Are they 21st century fans of the newest singer who is currently in vogue? No. Insane fans is nothing new. Did Al Jolson have to deal with crazy flappers? Were there any Beethoven groupies? Of course, I can't answer these questions because I don't have any proof, but I can show an example of superstardom from 70 years ago. In the 1940s, almost all girls were crazy for Sinatra.  


Francis Albert Sinatra nasceu em 1915. O jovem Frank amava música e, de acordo com livros biográficos, começou a cantar em reuniões familiares e no bar de seus pais em Hoboken – ele aprendeu música de ouvido, ou seja, sem aprender a ler partituras. Quando ele tinha 20 anos, conheceu o sucesso pela primeira vez: como membro do grupo “The Hoboken Four”, ele conseguiu seu primeiro contrato para uma turnê. E adivinhe qual dos quatro meninos de Hoboken chamava a atenção de todas as garotas?

Francis Albert Sinatra was born in 1915. Young Frank loved music and, according to biographic books, started performing at family gatherings and at his parents' tavern in Hoboken – he only learned music by ear, that is, he couldn't read music sheets. When he was 20, he had his first break: as a member of the group “The Hoboken Four”, he got his frst contract for a tour. And guess which of the four boys from Hoboken attracted all the girls' attention?


Depois de cantar com a orquestra de Tommy Dorsey, era a hora de Frank Sinatra começar a carreira solo e causar furor no mundo da música. Em dezembro de 1942, Frank estava nervoso com esta mudança na carreira, mas quando ele chegou ao teatro Paramount em Nova York, foi outra coisa que o deixou nervoso: a animação das fãs. Havia milhares de adolescentes histéricas, que conheciam suas canções do rádio e estavam agora mais do que animadas para vê-lo ao vivo.

After singing with the Tommy Dorsey orchestra, it was time for Frank Sinatra to go solo and cause mayheim in the music world. In December 1942, Frank was nervous as he was beginning his solo career, but when he arrived in the Paramount Theater in New York, something else made him nervous: the excitement of his fans. There were thousands of hysterical bobby-soxers, teenagers who had heard him on the radio and now were more than excited to see him live.


E durante os três anos seguintes, Sinatra continuou levando as adolescentes à loucura – mesmo sendo um homem casado de quase trinta anos... ou talvez tenha sido essa a razão? O clímax de sua popularidade e um pináculo na cultura pop americana é o chamdo “Columus Day riot”: um concerto, novamente no teatro Paramount em Nova York, em 12 de outubro de 1944, atraiu um recorde de fãs malucas. À meia-noite, a fila começou a se formar, e em quatro horas já havia 500 adolescentes esperando na fila para ver Frank. Algumas delas nem tinham ingressos, elas só queriam a oportunidade de ver o ídolo de perto. Soa familiar, não?

And during the following three or four years, Sinatra kept on driving teenagers crazy – even though he was a married man in his late 20s... or maybe this was the reason? The climax of his popularity and a pinnacle in American pop culture is the Columbus Day riot: a concert again at the Paramount Theater in New York on October 12th 1944 that attracted more crazy fans than ever. At midnight, the line started forming, and in four hours there were already 500 teenagers waiting to see Frank. Some of them didn't even have tickets, they only wanted the opportunity to catch a glimpse of the idol. Sounds familiar, doesn't it?


Essas garotas eram loucas por estarem apaixonadas por Frank Sinatra? Eu acho que não. Ele era um homem muito magro, com olhos azuis, cabelos pretos e uma voz que não parecia combinar com seu corpo. Ele tinha beleza e talento. Em um nível subconsciente, ele era um símbolo dos tempos de guerra: ele foi considerado inapto a servir o exército e ficou nos EUA cantando, e para muitas garotas ele representava o garoto conhecido que estava lutando na Europa – e que poderia nunca mais voltar. O próprio Sinatra disse que a solidão dos anos de guerra foi uma das coisas responsáveis por seu imenso sucesso.

Were these girls right to be crazily in love with Frank Sinatra? I think so. He was a very skinny, blue-eyed, black-haired man with a powerful voice that didn't seem to match his physique. He had looks and talent. In a subconscious level, he was a symbol in war times: he was considered unfit to serve the army and stayed in the US singing, and for many girls he represented the boy-next-door that was fighting in Europe – and could never return. Sinatra himself said that the loneliness of war years was one of the things responsible for his massive success.


Em seus primeiros filmes, esta imagem foi explorada. Em “Marujos do Amor” (1945), seu personagem, Clarence, é muito tímido e pede para que o maigo Joe (Gene Kelly) o ensine a conquistar as garotas. Ele é, no filme, o tipo mais fofo de tímido, e até canta a doce “I Fall in Love Too Easily”. Um comportamento semelhante é encontrado em Chip, seu personagem em “Um dia em Nova York” (1949). chip quer ver todos os pontos turístico de NY que seu avô um dia viu – o problema é que a maioria destes pontos não existe mais. Chip não corre atrás de uma garota como o Gabey de Gene Kelly faz – é a esperta taxista Hildy (Betty Garrett) que tem de flertar agressivamente com ele mais de uma vez.

In his first films, this image was explored. In “Anchors Aweigh” (1945), his character, Clarence, is too shy and asks his friend Joe (Gene Kelly) to teach him how to get girls. He is, in this film, the cutest kind of shy, and even sings the sweet song “I Fall in Love Too Easily”. Almost the same kind of behavior can be found in Chip, his character in “On the Town” (1949). Chip wants to see all the New York landmarks his grandfather has once seen – the problem is that almost all of these landmarks don't exist anymore. Chip doesn't pursue a girl like Gene Kelly's Gabey does – it's smart taxi driver Hildy (Betty Garrett) that must flirt with him aggressively again and again.



É interessante notar como nós ainda usamos alguns termos e ideias da Sinatramania em conceitos de fandoms de internet. Frank era comumente chamado de “Swoonatra”. As garotas da fandom chamavam a si mesmas de “Sinatratics” - da mesma maneira que a fandom da Beyonce é a “beyhive” e nós fãs de Benedict Cumberbatch nos chamamos de “Cumberbitches”. Eu só imagino que hashtags as fãs de Sinatra usariam no Twitter e no Tumblr...

It's very interesting to notice how we still use some terms and ideas from the Sinatramania in our concepts of internet fandom. Frank was commonly referred to as “Swoonatra”. The girls in his fandom called themselves “Sinatratics” - in the same way that the Beyonce fandom is the “Beyhive” and we Benedict Cumberbatch's fans call ourselves “Cumberbitches”. I only wonder what hashtags the Sinatratics would use on Twitter and Tumblr...


Elas também faziam “cosplay”: as fãs usavam gravata-borboleta, assim como o ídolo, e geralmente prendiam uma foto de Sinatra com um alfinete na roupa. E muitas pessoas encontraram um jeito de explorar a Sinatramania para ganhar dinheiro: havia vários produtos com o rosto de Sinatra estampado, ele foi capa de diversas revistas e, uma vez, algumas fotos foram tiradas mostrando Frank Sinatra como membro de um coral no ensino médio. O problema é que as fotos foram tiradas pelo fotógrafo Peter Martin para trazer Sinatra ainda mais perto de suas fãs – na verdade, ele nunca foi parte de um coral e já tinha 27 anos quando a foto foi tirada. Suas fãs, obviamente, não se importaram.

They also kind of cosplayed: the Sinatratics wore bow-ties, just like their idol, and usually pinned Sinatra's pictures to their outfits. And many people found a way of exploring the Sinatramania in order to make money: there were several products with Sinatra's face on it, he was on the over of many magazines, and once, some publicity photos were taken showing Frank Sinatra as a member of a high school glee club. The problem was that the photos were staged by photographer Peter Martin in order to make Sinatra even closer to his fans – in reality, he was never a part of a glee club and was actually 27 when the pic was taken. The fans, of course, didn't care.


Frank Sinatra viu sua carreira cinematográfica sofrer no final dos anos 40, mas retornou em 1953 com uma performance ganhadora do Oscar em “A um passo da eternidade”. Sua carreira na música foi um sucesso até sua morte, em 1998 – 20 anos atrás – e não podemos negar que ele ainda é uma das maiores influências no mundo da música (de acordo com o Spotify, Frank tem mais de 5 milhões de ouvintes mensais fiéis na plataforma de streaming, incluindo eu). Para ele e para a cultura pop, a Sinatramania foi só o começo.

Frank Sinatra saw his film career suffer a little in the end of the 1940s, but he returned in 1953 with an Oscar-winning performance in “From Here to Eternity”. His singing career was successful until his death, in 1998 – 20 years ago – and we can't deny that he is still a major influence in the music world (according to Spotify, Frank has more than 5 million faithful monthly listeners on the straming platform, me included). For him and for pop culture, Sinatramania was just the beginning.



This is my contribution to the Reel Infatuation blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings and Maedez at Font & Frock.

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