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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Meu Querido Maluco / Love Crazy (1941)

Há pouco mais de sete anos, eu me formei no ensino médio e fiz a melhor escolha da minha vida: decidi não ir à formatura e passar a noite vendo dois filmes clássicos na TV. Um desses filmes era o peculiar faroeste “Johnny Guitar” (1954). O outro filme era “A Ceia dos Acusados” (1934) – e foi ele que me apresentou Myrna Loy e William Powell.

A little over seven years ago, I graduated high school and made the best decision of my life: I decided to not attend prom and watch two classic films on TV instead. One of these films was the unusual western “Johnny Guitar” (1954). The other film was “The Thin Man” (1934) – the one that introduced Myrna Loy and William Powell to me.
Os fãs de cinema clássico não podem negar que Powell e Loy são, especialmente quando interpretam Nick e Nora Charles, um exemplo de casal 20. Juntos, eles fizeram 14 filmes, e é uma árdua tarefa escolher o melhor deles. “Meu Querido Maluco”, de 1941, certamente fica entre os 5 melhores porque trata de um assunto que ninguém relaciona com Powell e Loy: o divórcio.

Classic film fans can’t deny that Powell and Loy, especially when playing Nick and Nora Charles, are #relationshipgoals. Together, they made 14 films, and it’s hard to choose the best of the bunch. And “Love Crazy”, from 1941, is among the TOP 5 because it deals with a subject you wouldn’t associate with Powell and Loy: divorce.
É o quarto aniversário de casamento de Steve (Powell) e Susan Ureland (Loy). Eles têm um jeito tradicional de comemorar a data, mas decidem fazer tudo ao contrário... até que a situação foge do controle. Primeiro a mãe de Susan (Florence Bates) chega com um tapete como presente e uma carta para Steve enviar.

It's Steve's (Powell) and Susan Ireland's (Loy) fourth wedding anniversary. They have a traditional way to celebrate, but decide to do it backwards... until everything goes out of control. First Susan's mother (Florence Bates) arrives with a rug as a gift and a letter for Steve to send.
Depois Steve encontra uma velha conhecida, Isobel (Gail Patrick), no elevador, e descobre que eles moram no mesmo andar do prédio – e também descobre que, mesmo sendo casada, Isobel ainda está interessada em conquistar Steve.

Then Steve meets an old acquaintance, Isobel (Gail Patrick), at the elevator, and finds out they now live in the same floor – oh, and also that, even though she is married, Isobel is still interested in pursuing Steve.
A mãe de Susan, como é de se esperar, é a primeira a reparar que há algo estranho no comportamento de Steve durante e depois do jantar. Quando Susan precisa sair por algumas horas para pegar uma tia na estação de trem, Steve precisa fazer companhia para a sogra. Seguindo o velho estereótipo, ela se mostra uma mulher insuportável, e Steve mente dizendo que vai ver um amigo, mas na verdade sai com Isobel.

Susan's mother, as expected, is the first one to point out that something in Steve's behavior during and after dinner is weird. When Susan has to go out for a couple of hours to get her aunt at the train station, Steve has to stay with his mother-in-law. Following the old trope, she proves to be an unbearable woman, and Steve lies saying he'll meet a friend, but in fact he goes out with Isobel.
Quando Susan descobre como Steve passou a noite, ela fica furiosa. O que se segue é uma sequência muito engraçada envolvendo uma confusão de identidades, e finalmente Susan decide pedir o divórcio. Para que a decisão do tribunal demore o máximo possível, Steve finte ter enlouquecido.

When Susan finds out how Steve spent the evening, she gets mad. A very funny follow-up with a few mistaken identities follow, and finally Susan decides to file for divorce. In order to postpone the divorce from going to court, Steve pretends he's insane.
William Powell está simplesmente perfeito como Steve. “Meu Querido Maluco” é um dos pontos altos de sua longa carreira – Powell trabalhou no cinema de 1922 a 1955, em diversos gêneros. Ele era charmoso, às vezes assustador, e tinha um timing especial para a comédia. Neste filme ele tem falas divertidíssimas e, bem, este momento:

William Powell is nothing but delightful as Steve. “Love Crazy” is a highlight in a long career – Powell worked in films from 1922 to 1955, in several genres. He was charming, sometimes scary, and had a special timing for comedy. In this film he has wonderful funny lines and, well, this moment:
Já falamos o suficiente sobre Myrna e Bill – vamos falar agora sobre os coadjuvantes. Logo no começo do filme, fique com os olhos bem abertos e você verá que o jovem ascensorista é ninguém menos que Elisha Cook Jr. Jack Carson é Ward Willoughby, morador do mesmo prédio em que Steve, Susan e Isobel vivem. Lá pela metade do filme, você verá que a matrona dona da festa, Mrs. Bristol, é interpretada por Kathleen Lockhart, que era esposa de Gene Lockhart e mãe de June Lockhart. Vladimir Sokoloff, ator russo que também trabalhou na Alemanha, interpreta um médico, e outro membro da equipe médica é interpretado por Edward Van Sloan, que fez Van Helsing em “Drácula”, de 1931. A secretária ajudando os médicos é May McAvoy, antiga protagonista de filmes mudos, como “Ben-Hur” (1925).

Enough about Myrna and Bill – let’s talk about the supporting cast. In the beginning of the movie, keep your eyes sharp and you'll realize the elevator boy is no other than Elisha Cook Jr.. Jack Carson is Ward Willoughby, also a resident of the building Steve, Susan and Isobel live in. By the middle of the movie, you'll see the matron at the party, Mrs. Bristol, played by Kathleen Lockhart, who was Gene Lockhart's wife and June Lockhart's mother. Vladimir Sokoloff, Russian actor who also worked in Germany, plays a doctor and you'll also find a doctor played by Edward Van Sloan, who was Van Helsing in 1931's “Dracula”. The secretary helping the doctors is May McAvoy, former leading lady in silents like “Ben-Hur” (1925).
Steve e Susan têm tradições e atitudes peculiares, assim como Nick e Nora. Talvez um hipotético divórcio de Nick e Nora se parecesse muito com o que vemos em “Meu Querido Maluco” – embora eu duvide que Nora possa ser tomada pelos ciúmes. Na verdade, Nora provavelmente riria da ideia de que o marido a traiu, pediria um Martini para si e outro para Nick, e continuaria curtindo a vida.

Steve and Susan are as peculiar in their traditions and actions as Nick and Nora. Maybe a Charles vs. Charles divorce would be just like the one in “Love Crazy” – although I doubt that Nora Charles could be consumed by jealousy. Actually, Nora would laugh all the suspicions off, ask a Martini for her, another for Nick, and keep on enjoying life.
“Meu Querido Maluco” é mais uma das comédias sobre divórcio que – você já deve estar imaginando – não termina em divórcio. Claro que não poderia terminar assim: Powell e Loy tinham muita química, e o apelido de Loy era “A Esposa Perfeita”. Mais uma vez ela teve de provar que era uma nas telas, mostrando como uma esposa deve confiar no marido e aceitar as esquisitices e até criancices dele.

“Love Crazy” is another divorce comedy that – I bet you already know – doesn’t end in divorce. Of course it couldn’t: Powell and Loy had great chemistry, and Loy’s nickname was “The Perfect Wife”. Once again she proved she was one onscreen, showing how a wife must trust her husband and keep up with his shenanigans or even childishness.
“Meu Querido Maluco” deveria figurar entre as melhores comédias já feitas – em muitos momentos, o filme me fez rir mais do que “Cupido é Moleque Teimoso” (1937). Além de ter uma dupla perfeita e um ótimo grupo de coadjuvantes, ainda há as falas engraçadas e uma boa quantidade de comédia física. Mesmo que tenham se passado mais de 75 anos de sua estreia, podemos dizer que “Meu Querido Maluco” ainda é adorável, amalucado e muito divertido.

“Love Crazy” should be among the best screwball comedies ever made – some moments made me laugh harder than I did with “The Awful Truth” (1937). It not only has the perfect duo and a great supporting cast, but also very funny lines and a good amount of physical comedy. Even if more than 75 years have passed after its initial release, we can say something: “Love Crazy” is still lovely, zany and extremely funny.


This is my contribution to the Bill and Myrna New Year’s blogathon, hosted by Emily and Laura at The Flapper Dame and Phyllis LovesClassic Movies.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Resoluções cinematográficas 2017 – Resultado / 12 classics for 2017 – results

Eu falhei.

I failed.
Pela primeira vez desde que me comprometi a cumprir esta tarefa hercúlea, três anos atrás, eu falhei e não assisti a todos os filmes da minha lista. E não foi minha culpa: eu simplesmente não consegui encontrar uma cópia de “Cilada Amorosa” (1929). Ele nunca saiu em DVD onde eu moro e eu não consegui encontrar o filme mesmo através de, hum, meios nem sempre legalizados. Mas eu não desisti: ainda estou procurando por “Cilada Amorosa” como quem procura o Santo Graal, e um dia eu assistirei ao filme e completarei esta lista.

For the first time since I took on this yearly Herculean task, three years ago, I failed to watch all the films on my list. And it was not my fault: I simply couldn't find a copy of “The Love Trap” (1929). It was never released on DVD where I live and it couldn't even be found in, er, less than legal ways. I haven't given up: I'm still looking for “The Love Trap” as one looks for a Holy Grail, and one day I intend to watch it and complete my list.

Agora, vamos esquecer minha vergonha por um momento e ler minhas impressões sobre cada clássico que eu vi pela primeira vez em 2017:

Now, let's forget my shame for a while and read my thoughts on each of the classics I saw for the first time in 2017:

Judith of Bethulia (1914): Esta é a história bíblica de como Jerusalém foi salva quando a mística Judith (Blanche Sweet) seduziu e matou o príncipe Holofernes (Henry B. Walthall.) Não seo fã de Griffith, e não estava tão familiarizada com a história quanto o público de 1914 provavelmente estava, mas este filme me lembrou do estilo das novelas da Record.

Judith of Bethulia (1914): This is the biblical story of how Jerusalem was saved when mystical Judith (Blanche Sweet) seduced and killed prince Holofernes (Henry B. Walthall). I’m not a Griffith fan, and I was not as familiar with story as the 1914 moviegoers probably were, but this film reminded me of the production values of a corny biblical soap opera.
Himmelskibet (1918): É basicamente o que o título em inglês diz – uma viagem para Marte – mas é muito impressionante para algo feito em 1918. E é ainda mais surpreendente o fato de que eles acertaram o tempo que leva uma viagem da Terra à Marte – cerca de seis meses! Os efeitos especiais são muito bons, e você se surpreenderá ao descobrir como os marcianos vivem. Eu também adorei os nomes dos personagens em Latim – Planetaros, Corona, Dubius.

A Trip to Mars / Himmelskibet (1918): It’s basically that – A Trip to Mars – but very impressive for 1918. And it’s even more impressive that they got right the time to travel from Earth to Mars – about six months! The special effects are very good, and you’ll be surprised to find out how Martians live. I also loved the Latin names– Planetaros, Corona, Dubius.
A Morte Cansada / Der Müde tod (1921): Este feito só poderia ter sido feito durante o Expressionismo Alemão. Em Hollywood, o filme teria um final feliz, mais facilmente digerível, mas nada realista. Na Alemanha, a história da mulher (Lil Dagover) que tenta salvar uma das três almas em diferentes lugares e épocas com o intuito de trazer seu amado de volta dos mortos é contada com perfeição – como se “Intolerância” (1916) tivesse sido bem feito.

Destiny / Der Müde Tod (1921): This film could only be made during the German Expressionism movement. In Hollywood, it would have been pushed to a palatable, but not realistic, happy ending. In Germany, the story of a woman (Lil Dagover) who tries to save one of three souls in different places and times to have her boyfriend back from the dead is perfectly developed – like an “Intolerance” (1916) done right.
L’Inhumaine (1924): A história envolve uma cantora fria, Claire (Georgette Leblanc) e seus muitos admiradores. Há um toque dramático e ao fim o filme se transforma em ficção científica. Mas os cenários são a verdadeira atração: idealizados por dois diretores de arte (o brasileiro Alberto Cavalcanti e o francês Claude Autant-Lara), os cenários são ousados, futuristas, assimétricos, cubistas, assustadores e tão impressionantes quanto os de “Metrópolis” (1927) – ou até um pouco mais.

The New Enchantment / L’inhumaine (1924): The story involves a cold singer, Claire (Georgette Leblanc) and her many admirers. There is a dramatic touch and then it becomes science fiction. But the sets are the real attraction here: designed by two art directors (Brazilian Alberto Cavalcanti and French Claude Autant-Lara), they’re bold, futuristic, cubist, asymmetric, awe-inducing and as impressive as the sets in “Metropolis” (1927) – maybe even more.
Uma Página de Loucura (1926): Este clássico japonês é contado sem intertítulos e é, por causa disso e de outras coisas, fascinante. O final é maravilhoso, e trata-se de um filme que você deve assistir muitas vezes para apreciá-lo por completo. Leia minha crítica completa AQUI.

A Page of Madness (1926): This Japanese classic is told without intertitles and is, because of this and other things, fascinating. The ending is wonderful, and it is one film you should watch many times to fully appreciate it. My full review is HERE.
Aurora / Sunrise (1927): Eu devo confessar que na metade do filme pensei ser estranho e até sexista o fato de que a esposa (Janet Gaynor) havia perdoado o marido (George O’Brien) e estava se divertindo muito com ele algumas horas depois de ele ter tentado matá-la. Mas então os 15 minutos finais me deixaram sem palavras. Que surpresa. Bravo, Murnau, você merece ser aplaudido de pé.

Sunrise (1927): I must confess that in the middle of the film I thought it was weird and even sexist the fact that the wife (Janet Gaynor) forgave her husband (George O’Brien) and was having the time of her life with him some mere hours after he tried to kill her. But then the final 15 minutes came and OH MY. What a plot twist. Bravo, Murnau, I ended up giving you a standing ovation.
Cilada Amorosa / The Love Trap (1929)

Ver para Crer / Why Be Good? (1929): Este filme tem um subtexto feminista e Colleen Moore arrasa na pista de dança. Ela é Pert Kelly, uma vendedora que adora festejar – e cuja reputação a prejudica quando o filho de seu patrão (Neil Hamilton) se apaixona por ela. Eu pretendo escrever mais sobre este filme.

Why Be Good? (1929): This film has a feminist subtext and Colleen Moore rocks some dance movements. She’s Pert Kelly, a salesgirl who loves to party – and whose reputation precedes her when the boss’s son (Neil Hamilton) falls in love with her. I intend to write more about this movie.
O Presídio / The Big House (1930): Este filme foi escrito por Frances Marion – a primeira mulher a ganhar um Oscar de roteiro e também a primeira mulher a ganhar um Oscar em categorias diferentes da atuação. É a história de Kent (Robert Montgomery), que dirigia embriagado e matou um homem atropelado, e seus companheiros de cela durões: Butch (Wallace Beery) e Morgan (Chester Morris). O filme também deu a Douglas Shearer o primeiro Oscar de Mixagem Som da história.

The Big House (1930): This film was written by the great Frances Marion – the first woman to win a Screenplay Oscar and also the first woman to win a non-acting Oscar. It’s the story of Kent (Robert Montgomery), who killed a man by driving drunk, and his though cell companions: Butch (Wallace Beery) and Morgan (Chester Morris). The film also gave Douglas Shearer the first Best Sound Mixing Oscar ever.
Glória e Poder / The Power and the Glory (1933): É Cidadão Kane oito anos antes de Cidadão Kane – ou quase isso. Este filme tem um excelente roteiro – obrigada, Preston Sturges! – e traz Colleen Moore naquele que é provavelmente seu melhor momento. Crítica completa AQUI.

The Power and the Glory (1933): It is Citizen Kane eight years before Citizen Kane – kind of. This film is beautifully written – thanks, Preston Sturges! – and showcases Colleen Moore at probably her best moment. Full review HERE.
A Mulher de Branco / Woman in White (1948): É místico, e se parece muito com um conto de fadas noir. O filme também trata de alienação e roubo. Crítica completa AQUI.

Woman in White (1948): It’s mystical, and it’s much like a noir fairy tale. It also involves alienation and robbery. Eleanor Parker is amazing. Full review HERE.
Papai é do Contra / Hobson’s Choice (1954): Charles Laughton está ótimo como o conservador Hobson, mas eu gostei especialmente de Brenda de Banzie como sua esperta filha mais velha e do brilhante John Mill como um funcionário talentoso porém ingênuo. Crítica completa AQUI.


Hobson’s Choice (1954): Charles Laughton is great as old-fashioned Hobson, but I especially loved Brenda de Banzie as his smart older daughter and brilliant John Mills as a talented but naïve employee. Full review HERE.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Com os Braços Abertos / Boys Town (1938)

Nós precisamos desesperadamente de heróis.

We're in desperate need of heroes.

Mas não é qualquer herói que serve. Nós dispensamos o Batman, o Aquaman, o Super-Homen, o Homem de Ferro, a Mulher-Maravilha – se bem que ela é demais – e continuamos procurando por outro tipo de herói. Um herói – ou heroína – cujo superpoder é ser, acima de tudo, humano. Nós precisamos destas pessoas.

But not any hero can do. We'll pass Batman, Aquaman, Superman, Iron Man, Wonder Woman – even though she is a badass – and keep on looking for another kind of hero. A hero – or heroine – whose superpower is being, above all, human. These are the people we need.
Será que o padre Flanagan é bom o suficiente para a vaga? Vejamos seu dossiê de herói:

Will Father Flanagan be good enough for the position? Let's see his hero file:


Nome: Edward Joseph Flanagan
Name: Edward Joseph Flanagan

Data e local de nascimento: 13 de julho de 1886, Irlanda.
Date and place of birth: July 13th 1886, Ireland

Foto (com disfarce):
Photo (undercover):

Foto (pronto para entrar em ação): ele se parece um pouco com Spencer Tracy, não?
Photo (ready for action): looks like Spencer Tracy, right?


Superpoderes:
Paciência – super paciência
Acreditar que “não há maus meninos no mundo”
Cuidar de garotos órfãos ou sem-teto e construir uma comunidade para eles.
Dar aos meninos liberdade de crença – qualquer religião poderia ser professada na vila de Boys Town.
Ensinar aos meninos lições de cidadania e disciplina.
Provar que jornalistas ambiciosos, céticos e “cidadãos de bem” estavam errados quando duvidaram de seu projeto.

Superpowers:
Patience – super patience
Believing “there is no such a thing in the world as a bad boy”
Taking care of orphaned or homeless boys and building a community for them
Giving the boys freedom of worship – any religion was valid at Boy's Town
Teaching the boys notions of citizenship and discipline
Proving wrong greedy journalists, skeptics and angry “fine citizens”


Ajudante: o lojista Dave Morris (Henry Hull) é ajudante “sem querer” do padre Flanagan, e contribui com empréstimos de dinheiro.
Sidekick: Shop owner Dave Morris (Henry Hull) is Father Flanagan's reluctant sidekick, helping with the money needed.

Atos heroicos:
Fundou a primeira casa de meninos órfãos em 1917.
Desafiou o círculo vicioso de abandono, abuso, violência e criminalidade na vida dos meninos.
Fundou a vila de Boys Town em 1921.
Ajudou pessoalmente mais de 6 mil pessoas com sua obra – muitos deles eram meninos durões como o personagem Whitey (Mickey Rooney), que, se não tivesse ajuda do padre Flanagan, teria se tornado um criminoso.
Depois de sua morte em 1948, seu trabalho se expandiu por 10 estados. Hoje, mais de 1,4 milhões de pessoas recebem cuidados e apoio da Boys Town.


Heroic actions:
Founded the first Boys Town in 1917
Challenged the vicious cycle of abandonment, child abuse, violence and crime
Founded the current Village of Boys Town in 1921
Personally helped 6000 people with his program – many of them hard-boiled boys like character Whitey (Mickey Rooney), who, without Father Flanagan, would turn into crime.
After his death in 1948, his work expanded through 10 states. As for today, more than 1,4 million people are helped by Boys Town.


Reconhecimentos:
Spencer Tracy ganhou seu Segundo Oscar pela performance como o Padre Flanagan na cinebiografia “Com os Braços Abertos”. A esposa de Tracy recebeu o prêmio no lugar dele durante a cerimônia.
O padre Flanagan é membro do Hall da Fama do estado de Nebraska. Seu processo de canonização foi aberto em 2012.

Accolades:
Spencer Tracy won his second Oscar for his portrayal of Father Flanagan in the biopic “Boys Town”. Tracy’s wife received the prize in his behalf during the ceremony.
Father Flanagan is a member of the Nebraska Hall of Fame. His canonization process started in 2012.


Heroína à altura: Você já percebeu que para todo herói há uma heroína semelhante – mesmo que eles não sejam romanticamente ligados? Bem, a primeira pessoa que me veio à mente quando conheci a história do padre Flanagan foi a missionária Gladys Aylward. Esta inglesa notável cuidou de crianças chinesas na Guerra Sino-Japonesa de meados dos anos 30 e também virou personagem de filme: em “A Morada da Sexta Felicidade” (1958), ela é interpretada por Ingrid Bergman.

Female counterpart: Have you realized that all heroes have a female counterpart – even if they are not romantically linked? Well, the first person I thought about when I first got to know Father Flanagan's story was missionary Gladys Aylward. This notable English lady took care of Chinese kids during the 1930s war against Japan and was also portrayed in film: in “The Inn of the Sixth Happiness” (1958), she is played by Ingrid Bergman.
Precisamos de pessoas como o padre Flanagan – e também Gladys Aylward – que acreditam no potencial do ser humano, que querem acabar com as desigualdades e não perpetuar os privilégios. Como o próprio padre Flanagan disse:

We need people like Father Flanagan – and also Gladys Aylward – who believe in the human potential, want to fight inequality and put a stop in privileges. As Father Flanagan himself said:

“Custa tão pouco ensinar uma criança a amar, e custa tanto ensiná-la a odiar”.

“It costs so little to teach a child to love, and so much to teach him to hate”.

This is my contribution to the Inspirational Heroes blogathon, hosted by Quiggy and Hamlette at The Midnite Drive-In and Hamlette’s Soliloquy.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Porky Pig’s Picture Album / O álbum de fotos do Gaguinho

Eu nasci em meados dos anos 1990, o que faz de mim uma representante da geração millennial – aquela que está estragando tudo o que um dia já houve de belo e puro na Terra. Eu cresci na frente da TV e me lembro bem de assistir aos Looney Tunes tanto na TV aberta quanto na TV a cabo. Anos depois, eu fiquei surpresa ao descobrir que aqueles desenhos que eu via repetidas vezes no começo dos anos 2000 tinham sido feitos nos anos 1950 ou mesmo antes – tudo neles parecia tão moderno! Mas minha maior surpresa foi descobrir que o porco Gaguinho, que eu via apenas como coadjuvante, foi a estrela de sua própria série de desenhos.

I was born in the mid-1990s, which makes me a millennial – one of those people who are destroying everything that was once good and pure on Earth. I grew up in front of the TV, and I remember, vividly, both on cable and on public television, watching Looney Tunes. Years later, I was shocked to learn that the cartoons I watched over and over in the beginning of the 2000s were actually made in the 1950s or even before – everything looked and sounded so up to date to them! But my biggest shock was to learn that Porky Pig, who I saw as a forever-sidekick, had actually had his own series of cartoons as a main character.
Eu estava acostumada a ver Gaguinho como o companheiro gago do estressado e prepotente Duck Dodgers. Ou como Friar Tuck, o fofo monge suíno em “Robin Hood Daffy” – um desenho que era exibido ao menos duas vezes ao mês na TV. Ou como o mentor do jovem e faminto Presuntinho em “Tiny Toons”.

I was used to seeing Porky Pig as the stuttering company to the distempered and unsympathetic Duck Dodgers. Or as Friar Tuck, the sweet religious swine in “Robin Hood Daffy” – a cartoon that was shown about twice a month on TV. Or as the mentor to young and hungry Hamton J. Pig in “Tiny Toon Adventures”.
Na verdade, Gaguinho veio antes de todos eles: de Pernalonga, Patolino, Frajola e Piu-Piu, Hortelino Troca-Letras… Gaguinho fez sua estreia no cinema em 9 de março de 1935. Ele rapidamente se transformou na personagem mais popular da série de curtas chamada Looney Tunes – uma das duas séries de curtas-metragens animados produzidas pela Warner Brothers nos ano 30. A outra série, Merrie Melodies, era feita a cores, enquanto os Looney Tunes eram em preto e branco.

Actually, Porky Pig preceded them all: Bugs Bunny, Daffy Duck, Sylvester and Tweety, Elmer Fudd... Porky Pig debuted on the screen on March 9th, 1935. He quickly became the most popular animated character from the Looney Tunes short series - one of the two animated series produced by Warner Brothers in the 1930s. The other series, Merrie Melodies, had only short films in color.

Gaguinho foi concebido como um coadjuvante que apenas gaguejava porque seu dublador, o ator Joe Dougherty, também gaguejava. Joe dublou Gaguinho durante dois anos, até que o versátil Mel Blanc o substituísse em 1937. Foi neste mesmo ano que Gaguinho conheceu sua namorada Petúnia e seu grande amigo Patolino.

Porky was conceived as a supporting character, and one that stuttered because the actor who voiced him, Joe Dougherty, also stuttered. Joe voiced Porky Pig for two years, before versatile Mel Blanc took on the job in 1937. That same year, Porky Pig met his significant oinker other, Petunia Pig, and his closest pal, Daffy Duck.
A girl pig with an attitude
First meeting
Por causa de seu jeito bondoso, Gaguinho era ideal para o papel de um porco cara comum e sério, um contraponto perfeito para Patolino, o mais louco personagem já criado pela Warner Brothers. Em sua gênese, Patolino é o personagem de desenho animado que mais se aproxima da screwball comedy.

For his good nature, he became an ideal straight man - or rather pig - type to appear with Daffy Duck, the zaniest character created by Warner Brothers. The original Daffy is the closest thing we have from screwball in cartoons.
Mas para um suíno plácido e agradável, Gaguinho tem a honra curiosa: ele foi o primeiríssimo personagem a xingar em um filme. Bem, quase isso: ele pronunciou um xingamento em um desenho de 1938, que foi censurado pelos responsáveis pelo Código Hays e pôde estrear apenas 50 anos depois. Felizmente, hoje “Breakdowns of 1939” está disponível online:

But for a pacific straight pig, Porky had a curious and not so honorable honor: he was the first character ever to curse on film. Well, he almost was. He cursed in a 1938 cartoon, but it was censored by the Hays Office and could only be shown 50 years later. Luckily, nowadays “Breakdowns of 1939” is available online:
Gaguinho foi brevemente dono do gato Frajola, durante os anos 1940 e 50. Ele foi também o Jovem Cadete Espacial em “Duck Dodgers in the 24 ½th Century”, um curta-metragem de 1953 que originou uma série de TV 50 anos depois. O Jovem Cadete era um ajudante que em geral se mostrava bem mais esperto que seu chefe. Nos anos 50, Gaguinho teve sua própria revista em quadrinhos nos EUA, e nos anos 60 teve seu próprio programa, chamado “The Porky Pig Show”.

Porky was also briefly Sylvester’s owner, during the 1940s and 1950s. He was Space Cadet in “Duck Dodgers in the 24 ½th Century”, a 1953 cartoon that originated a whole series 50 years later. Space Cadet was a simple minion who was often smarter than his chief. In the 1950s, Porky even had his own comic book, and in the 1960s he had his own Saturday morning show, aptly called “The Porky Pig Show”.

Este foi o final da era de ouro dos Looney Tunes. Nos anos 70 e 80, Gaguinho fez breves aparições em filmes que eram na verdade coletâneas de curtas-metragens feitos nas décadas anteriores. Mas ele daria a volta por cima no século XXI.

This was the end of the Looney Tunes golden age. In the 1970s and 1980s, Porky appeared briefly in films that were actually compilations of shorts made in past decades. But he would return in the 21st century.
Noirish

Space Jam
Gaguinho voltou como o cara comum zoado por sua ingenuidade em “O show dos Looney Tunes”, uma genial versão de 2012 que colocava os já popularizados personagens em situações semelhantes às de sitcoms. Foi nesta série que Gaguinho finalmente começou a interagir mais com Pernalonga, embora seu mais próximo “amigo” continue sendo Patolino.

Porky was the definitive straight man who was mocked by his naïveté in “The Looney Tunes Show”, a new iteration from 2012 that put the characters in sitcom-like situations. It was in this show that Porky finally started interacting more with Bugs Bunny, although Daffy Duck remains his closest frenemy.

Seguindo a tendência de homenagear os traços mais antigos, os curtíssimos segmentos de “Wabbit” (também chamado de “Novos Looney Tunes”) trouxeram de volta um Pernalonga magérrimo, um Patolino amalucado e um Gaguinho imenso. Esta é a mais recente encarnação do personagem na TV.

Following a thread of paying tribute to old-style cartoons, the über-short segments of “Wabbit “(also called New Looney Tunes) brought back an extremely skinny Bugs, a slapstick-y Daffy and a rotund Porky Pig. This is the most recent way the character has been seen on TV.

Assim como a maioria dos personagens dos Looney Tunes, Gaguinho se tornou popular, figurou em diversos produtos de merchandising e é agora parte da cultura pop – especialmente por causa de sua frase mais conhecida. Até hoje, apenas um curta-metragem dos Looney Tunes foi escolhido para ser preservado no National Film Registry: “Porky in Wackyland”, de 1938. Como você deve imaginar, a estrela do curta é o inesquecível e adorável Gaguinho – um suíno que, aos 82 anos, está cada vez mais popular.

Like many of the Looney Tunes characters, Porky Pig became a household name, appeared in a lot of merchandising and is now part of the pop culture – especially because of his catchphrase. So far, only one short form the Looney Tunes was inducted to the National Film Registry: “Porky in Wackyland”, from 1938. As you may have imagined, it starred the unforgettable and adorable Porky Pig – a swine still going strong at 82 years old.

This is my contribution to the 6th Annual What a Character! Blogathon, hosted by Aurora, Kellee and Paula at Once Upon a Screen, Outspocken & Freckled and Paula’s Cinema Club
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