sábado, 19 de abril de 2014

Peter Lorre: o vilão subestimado

Aos 27 anos ele matava criancinhas. Aos 30 tinha um penteado esquisito e sequestrou uma garota de férias em uma estação de esqui. Aos 37 fez parte de um bando complicado que procurava uma estátua valiosa .Aos 39 matou duas pessoas para conseguir passes para sair do Marrocos direto para Portugal e escapar da Segunda Guerra Mundial. Aos 50 era o assistente medroso do capitão meio maluco de um submarino. E aos 59 foi um mágico transformado em corvo. Essas foram algumas das muitas vidas de Peter Lorre no cinema. Baixinho (1,61m), meio gorducho, olhos esbugalhados, sotaque inconfundível, nunca foi sequer indicado ao Oscar. Mas interpretou alguns personagens de arrepiar os cabelos.  
Seu papel mais famoso e de maior destaque é sem dúvida o de protagonista de “M” (1931). A película, escrita pelo diretor Fritz Lang com sua brilhante esposa Thea von Harbou, conta a história de uma cidade apavorada por um assassino de crianças. Com o noticiamento dos crimes, as crianças passam a ser proibidas de saírem na rua e o povo todo fica em alerta. Juntam-se nessa caçada a população, a polícia e até os bandidos, que não querem encontrar o culpado apenas para ganharem a recompensa, mas para acabarem com a intensa vigilância da polícia na cidade toda, o que dificulta seus “negócios”.

Antes de “M”, Peter Lorre fugiu de casa aos 17 anos, fez comédias no teatro e participou de dois filmes, um deles sem receber créditos. Aqui, apesar de ser o protagonista, vemos primeiro sua sombra, reconhecemo-lo pelo assobio (mas quem assobiava por trás das câmeras era Fritz Lang) e então ele se mostra. Sua cena mais marcante é sem dúvida o tribunal improvisado, em que Lorre arrasa na interpretação.
Mas vamos a um vilão com mais presença, e presença caricatural, devo dizer. Impressionado com “M”, Hitchcock convidou Lorre, recém-saído da Alemanha Nazista, para seu filme “O homem que sabia demais” (1934). Nele, uma família tem suas férias em uma estação de esqui interrompidas quando a filha é sequestrada. O sequestrador? Lorre, com uma mecha branca no cabelo que o faz parecer um gambá. O motivo do sequestro? A mãe, Jill Lawrence (Edna Best) presenciou um assassinato e ficou conhecendo detalhes sobre uma conspiração.  

Lorre ainda não era fluente em inglês quando filmou “O homem que sabia demais”, e aprendeu suas falas foneticamente (embora algumas fontes afirmem que ele teve três meses para dominar a língua antes de começar a filmar). Mas isso não importa: Abbott, seu personagem, é o mais memorável do filme. Além do cabelo de gambá, ele tem uma cicatriz bem acima do olho direito. Lorre foi às pressas para a cerimônia de seu primeiro casamento, com a atriz Celia Lovsky, sem tirar a maquiagem de Abbott!
Querida, cheguei!
Os fãs mais comprometidos de Hitchcock dizem que a versão de 1934 é melhor que seu remake, também dirigido por Hitchcock em 1956. Eu tenho de concordar, e grande parte dessa superioridade se deve à presença de Peter Lorre como vilão. Ele inclusive participa daquela que considero a melhor briga do cinema, envolvendo cadeiras voadoras em uma pequena igreja. O casal de sequestradores do garotinho no filme de 1956 não parece de todo perigoso, e nem sequer deixa sua marca de maldade. Outro ponto positivo da versão original é que Jill é a grande heroína. Embora Doris Day cante “Que Sera, Sera” e grite para evitar uma tragédia em 1956, a Jill de Edna Best é mais independente, e usa com sangue frio sua habilidade com armas.
O sucesso de Lorre nestes dois filmes foi estrondoso. Ele voltou a trabalhar com Hitchcock em “Agente Secreto”, de 1936, mas então já estava estereotipado: em Hollywood se tornou o vilão estranho, o maníaco que mora ao lado, o pária da sociedade. Lutou a vida toda contra um vício em morfina, adquirido após complicações de uma cirurgia em 1927. Mesmo assim, ele conquistou admiradores: em um anúncio para seu primeiro filme americano, “Mad Love” (1935), ele é descrito como o melhor ator da época por ninguém mais, ninguém menos que Charles Chaplin. Apesar de parcerias bem-sucedidas com Sidney Greenstreet e Humphrey Bogart (Peter inclusive convenceu Bogie a se casar com Lauren Bacall), sua carreira sofreu com seu ganho rápido de peso depois dos 50 anos, quando enfrentava um problema glandular. Mas isso não afastou Lorre de seus fãs! Porque, para pessoas como eu, que preferem os vilões, Peter Lorre merece um lugar de honra no Hall da Fama do cinema mundial.

This is my contribution for The Great Villain Blogathon, hosted by Ruth at Silver Screenings, Karin at Shadows & Satin and Kristina at Speakeasy.  

sábado, 12 de abril de 2014

O vento será tua herança / Inherit the Wind (1961)

“O vento será tua herança” é um filme, sobretudo, sobre as relações entre o velho e o novo. O tema principal é o embate entre religião e ciência e, por consequência, entre as velhas e novas crenças. E na tela vemos atores de diversas faixas etárias, desde os mais experientes, ganhadores do Oscar, até novatos na profissão, passando por intérpretes com uma carreira ainda em construção. Embora tenhamos nossa opinião sobre a questão central, criacionismo contra evolucionismo, não podemos negar que o filme só é esplêndido graças à mistura do antigo e do novo. 

Anos 1920, cidade de Hillsboro. Além de ser afastado da escola, o professor Bertram Cates (Dick York) é preso por estar ensinando a teoria da evolução de Darwin para sua turma de biologia. O que era uma questão local acaba se tornando um debate que chama a atenção do país inteiro, boa parte graças à cobertura da imprensa. Entre os jornalistas destaca-se E.K. Hornbeck (Gene Kelly), que faz de tudo em busca de uma grande notícia. E o debate toma tamanhas proporções que são chamados dois renomados advogados para o caso: Matthew Harrison Brady (Fredrich March) fica com a acusação e Henry Drummond (Spencer Tracy) com a defesa. Para piorar a situação, a namorada de Bertram, Rachel (Donna Anderson), é filha do pastor que o está perseguindo.

Muitas vezes o filme mostra como toda a situação é absurda. Em pouco tempo nós nos cansamos e ficamos com raiva da música-tema dos conservadores, “Give me that old time religion”. A recepção calorosa de Matthew Brady é acompanhada por coros de mulheres pedindo decência e um desfile com muitos cartazes que dizem “deixem o demônio longe de Hillsboro”, “fora com Darwin” (“down with Darwin” no original), “não coloque uma cauda em mim” (?!), “Godliness, not gorillas”, “ateísta, volte para seus macacos”, “você não pode nos fazer de macacos” e alguns até aproveitam a situação para fazer propaganda de seus restaurantes, anunciando que “a comida é celestial”. Isso tudo contribui para que o debate pareça ridículo, mas não se engane: em muitos locais (atenção, leitores americanos), os pais ainda podem proibir seus filhos de terem aulas que contradigam o criacionismo!

Mesmo que quase todos vejam o filme já acreditando na teoria da evolução, há ainda um interessante debate que devemos acompanhar. Embora as testemunhas chamadas por Drummond sejam recusadas pela defesa, ele ainda consegue dar seu recado, e o faz de maneira muito interessante: chamando Brady, o advogado da acusação, como testemunha, e fazendo-o confrontar os fatos da Bíblia e os fatos científicos. Mas não se enganem: o filme tem um rumo bem diferente do esperado!

Tanto Spencer Tracy quanto Fredric March tinham dois Oscars na bagagem. March era três anos mais velho que Tracy. Dois dos melhores atores dos anos 30 estão aqui mais velhos, March careca e Tracy mais gordo, mas o talento continua o mesmo. É impossível escolher qual dos dois está melhor, e ambos são absolutamente críveis e, como bons advogados, têm argumentos muito convincentes. Brady e Drummond são velhos conhecidos cujos caminhos se desviaram em um ponto da vida e, mesmo de lados opostos, ainda se estimam. Prova disso é a conversa que têm na varanda. Observe, nesta cena, como as cadeiras de balanço oscilam em direções opostas: são as opiniões conflitantes mostradas através de uma perspicaz metáfora visual.

Mais uma do time mais velho é Florence Eldridge, que interpreta Sarah, a esposa de Brady, e era também casada com March na vida real. Florence alcançou fama e colecionou elogios na década de 1920, tanto nas telas quanto nos palcos. Ao se casar com March, em 1927, sua carreira passou a ser composta de personagens coadjuvantes nas telas, mas ainda alguns sucessos no teatro. Enquanto March e Tracy fizeram seus últimos filmes em 1967, Florence atuou pela última vez em 1978, dez anos antes de falecer e três anos depois de ter ficado viúva de March.

Gene Kelly, vivendo já a decadência dos musicais, desempenha muito bem um papel que não é de todo dramático, mas sim bastante irônico. Na turma mais nova também estão Donna Anderson, naquele que é seu papel mais conhecido, e o sempre reconhecível Dick York, com sua expressão de espanto que ficaria famosa no rosto de Darrin Stephens, esposo da protagonista da série “A Feiticeira”. Este foi o último filme de York, que passou então a atuar exclusivamente na TV. Curiosidade: York foi o responsável por escrever a cena da prisão de seu personagem em “O vento será tua herança”.

O filme é a adaptação de uma peça que conta, com várias mudanças, o evento de 1925 que ficou conhecido como “Scopes Monkey Trial”, sendo Scopes o sobrenome do professor real. Os nomes foram todos trocados e aqui uma decisão é muito curiosa: Matthew Brady, nome escolhido para o advogado conservador, foi o responsável pela acusação no caso que acabou com a carreira de Roscoe “Fatty” Arbuckle. Os autores da peça também aumentaram a tensão acrescentando cenas de hostilidade para com Drummond. E lembre-se de que a peça foi escrita durante o McCarthismo, e o direito de pensar livremente é um ponto fundamental.

Mesmo depois de escrever tudo isso sobre o filme, creio que ainda não lhe fiz justiça. Nem se o roteiro inteligentíssimo estivesse publicado aqui, ainda não seria suficiente para demonstrar a grandeza do filme. Veja (ou reveja) “O vento será tua herança”. Preste atenção nos diálogos, nos detalhes, tire um tempo para refletir depois que o filme acabar. Talvez não seja um filme que mudará drasticamente sua vida. Mas, se todos vissem este filme, creio que o mundo seria um lugar melhor.

This is my contribution for the Diamonds and Gold Blogathon, hosted by dynamic duo Rich at Wide Screen World and Patricia at Caftan Woman.


P.S.: Não se esqueçam de conferir minhas duas novas empreitadas: a coluna semanal Crítica Retrô no site Os Cinéfilos e o blog de literatura Diário de uma Quase-Escritora.

domingo, 6 de abril de 2014

Ouro do Céu / Pot o’Gold (1941)

James Stewart é sem dúvida um dos atores mais adoráveis da história do cinema. No período antes da Segunda Guerra, então, ele estava em seu período mais adorável. Quando voltou da guerra, mudou um pouco seus papéis e suas experiências traumáticas no front deixaram-se transparecer em personagens mais sombrios. Mas vamos falar de coisas boas. Stewart é mais conhecido por ser protagonista de “A felicidade não se compra / It’s a wonderful life” (1946), mas cinco anos antes ele fez um musical que, apesar de ter considerado ruim, bem que serviu como ensaio para encarnar o herói favorito de todos: George Bailey.

Jimmy Haskell (Stewart) é o simpático proprietário de uma loja de instrumentos musicais que herdou do pai. Seu tio Charles (Charles Winninger, excelente) não vê futuro no negócio, e convence Jimmy a ir trabalhar com ele no programa de rádio “Haskell Happiness Hour”. Além do programa, Charles tem também uma indústria de alimentos. E é chegando a esta indústria que Jimmy encontra uma animada banda ensaiando na rua. Logo ele fica amigo dos músicos, em especial da cantora Molly McCorkle (Paulette Goddard). Além de tocar sua gaita com os músicos, Jimmy também joga um tomate no tio, que vai reclamar do barulho da banda. E é aí que a confusão começa: sem revelar ser sobrinho do odioso Charles Haskell, Jimmy quer ajudar seus novos amigos a fazer sucesso no rádio.

Todos os elementos de “It’s a wonderful life” já estão aqui: James Stewart como um personagem muito bonzinho, uma moça sensacional que é muito importante para ele, um velhinho mal-humorado que quer acabar com a alegria de todo mundo. Só faltam as crianças. Mas, para compensar, há música! Harold Heidt traz sua banda, que tocava no programa de rádio Pot o’Gold, que inspirou o filme. Mas o que o ouro tem a ver com tudo isso? A atração do rádio foi a primeira a distribuir dinheiro para os telespectadores, da mesma maneira que Molly promete que o “Haskell Happiness Hour” fará.


James Stewart falou abertamente eu esse era seu pior filme. Tudo pareceu colaborar para que Jimmy não gostasse da película: o relacionamento não muito amigável com Paulette Goddard (embora o departamento de publicidade quisesse divulgar um falso clima de romance entre eles), o desconforto na hora de cantar (sim, Jimmy canta duas músicas adoráveis!) e o fato de nada ali estar em suas mãos. Stewart havia sido emprestado da MGM somente porque o produtor de “Pot o’Gold” era James Roosevelt, filho do presidente Franklin Delano Roosevelt, e Louis B. Mayer queria agradar o político.

Em meio a esses dissabores, no entanto, James Stewart teve uma noite excelente: a entrega do Oscar. Ele ganhou seu único prêmio como Melhor Ator por “Núpcias de Escândalo / The Philadelphia Story” (1940) cinco semanas antes da estreia de “Pot o’Gold”. É bem verdade que hoje vemos esse Oscar como uma compensação por Jimmy ter perdido no ano anterior. Mas Stewart, de início, não queria ir à cerimônia, que marcava a primeira vez em que os vencedores seriam descobertos ali, na hora da entrega. Jimmy tinha certeza de que o ganhador seria Charles Chaplin por “O Grande Ditador”. E Chaplin era casado com quem? Paulette Goddard. Mundo pequeno esse de Hollywood.

Eu gostei muito da sequência “A knife, a fork and a spoon”, que representa bem a inocência e a própria lógica meio estranha dos musicais da época: “burst into song no matter where you are!”. Paulette canta vestida de homem em “Broadway Caballero”, e é uma pena pensar que isso seria um número de rádio, em que a plateia não poderia ver as belas roupas e a coreografia da banda. Mas atenção: aqui Paulette é dublada por Vera Van.

Despretensioso, charmoso e com um pouco de intrigas nos bastidores para apimentar as coisas, “Pot o’Gold” mostra que até os filmes ruins de James Stewart são bons. : )

“Pot o’Gold” está disponível no YouTube e no Internet Archive.


This is my contribution for the James Stewart Blogathon, hosted by Rick at The Classic Film & TV Cafe.     

segunda-feira, 31 de março de 2014

Tudo que sei sobre beisebol, eu aprendi no cinema

Nelly Kelly loved baseball games,
Knew the players, knew all their names.
You could see her there ev'ry day,
Shout "Hurray"
When they'd play.
Her boyfriend by the name of Joe
Said, "To 
Coney Isle, dear, let's go",
Then Nelly started to fret and pout,
And to him, I heard her shout:
Take me out to the ball game,
Take me out with the crowd;
buy me some 
peanuts and Cracker Jack,
I don't care if I never get back.
Let me root, root, root for the home team,
If they don't win, it's a shame.
For it's one, two, three strikes, you're out,
At the old ball game.
Antes de tudo: eu não entendo nada de esportes. Seguindo o bom e velho estereótipo nerd, eu detesto esportes. Por isso, não é de se espantar que eu saiba muito pouco sobre beisebol. E, estando no Brasil, isso talvez não fizesse muita falta para mim, afinal, eu sei um pouco sobre futebol, o esporte favorito da nação. Mas o beisebol é parte importante da cultura americana, e aparece em muitos filmes. Para entendê-los, é necessário saber um mínimo sobre o beisebol. E foi graças a esses filmes que eu aprendi um pouquinho sobre o esporte. Não a ponto de me tornar a Nelly Kelly da música acima, mas...

Gene Kelly e Frank Sinatra interpretaram jogadores de beisebol que eram também artistas de vaudeville em “A Bela Ditadora / Take me out to the ball game” (1949). E foi esse filme que me ensinou que, além de O’Brien, Ryan e Goldberg, citados na música, há outros seis jogadores num time, totalizando nove. E essa música em particular me ensinou também que um jogo de beisebol é dividido em innings. Mas “O’Brien to Ryan to Goldberg” não é a música mais importante do filme. A mais importante é a que dá título ao filme, composta em 1908. A história de Gene e Frank como jogadores de beisebol se passa entre 1909 e 1911, mas a letra que eles cantam para “Take me out to the ball game” é de 1927. Incongruências à parte, essa música é o hino do beisebol.


Também de 1908 é o poema “Casey at the bat” (a letra original de “Take me out...” apresentava Katie Casey, e não Nelly Kelly), adaptado para as telas do cinema mudo e animado pelos estúdios Disney em 1946. A rima divertida não acabou por aí, pois em 1954 Disney atacou de novo com “Casey bats again”, mostrando desta vez o time de beisebol formado pelas filhas de Casey. 

Além de Gene Kelly, havia outros fãs de beisebol em Hollywood. Um dos mais notáveis é Joe E. Brown (segundo meus avós, o apelido dele aqui no Brasil era “boca larga”), mais conhecido pelo papel de Osgood Fielding III em “Quando mais quente melhor / Some like it hot” (1959). Antes de se apaixonar por Jack Lemmon em roupas de mulher, Joe protagonizou filmes sobre beisebol: “De bom tamanho / Elmer the Great” em 1933 e “Alibi Ike” em 1935. Ambos foram adaptados para o rádio poucos anos depois, e Joe reprisou seu papel.


Joe E. Brown fez outro filme sobre beisebol, “Fumo e Fumaça / Fireman, save my children” (1932), mas seu fanatismo pelo esporte ia além das telas: na vida real, ele serviu muitas vezes como radialista em dias de transmissão de jogos. O filho de Joe também era fanático pelo esporte e foi empresário do time Pittsburgh Pirates por mais de 20 anos.

Por falar em comediantes e beisebol, há também a famosíssima sequência “Who’s on First?”, retirada do filme de Abbott e Costello “The Naughty Nineties”, de 1945. Embora eles já tenham feito essa cena anteriormente, aqui ela aparece por completo:

Vamos voltar um pouco no tempo, para o cinema mudo. A comédia era o gênero que mais usava o beisebol, embora o esporte tivesse seu lugar até mesmo nas cinebiografias do período, como “The Babe Ruth Story” (1920), em que o próprio jogador encena sua vida de maneira bem fantasiosa. Já na comédia, Buster Keaton, interpretando um nerd, tenta com muita atrapalhação aprender a jogar beisebol em “Amores de Estudante /College” (1927). E podemos ir um pouco mais longe, com “The Busher” (1919), divertido filme sobre beisebol que traz John Gilbert como antagonista (!).

Se estes filmes todos foram informação demais para você, leitor, não se preocupe. Um único filme é suficiente para transformar qualquer um em perito no esporte. Em menos de oito minutos você pode aprender tudo sobre beisebol... com a Disney:
 This is my contribution to the Big League Blogathon, hosted byTodd at Forgotten Films. Nelly Kelly loved baseball games…

quinta-feira, 20 de março de 2014

Casal 20 / Hart to Hart e o ilustre Ray Milland

Charme, elegância, riqueza e assassinato. É essa a receita do sucesso de “Casal 20 / Hart to Hart”. A série se concentra na vida de Jonathan (Robert Wagner) e Jennifer (Stefanie Powers), um casal rico, lindo e que adora viver perigosamente. Exatamente quando estão curtindo a vida, Jonathan e Jennifer se envolvem em algum tipo de crime e sempre, sempre, o solucionam. Na mansão junto com eles vivem o simpático mordomo Max (Lionel Stander) e o cãozinho Freeway.

Um episódio em particular foi muito interessante, por contar com uma participação super especial: Ray Milland. No 12º episódio da terceira temporada, “My Hart Belongs to Daddy”, Ray interpreta Stephen Harrison Edwards, o pai de Jennifer.


No episódio, Jonathan e Jennifer vão visitar o pai dela em uma bela mansão em Washington, afinal, Jennifer já vinha de família rica. Embora simpático, Stephen se mostra distante e não consegue esconder o fato de que algo o está perturbando. Jonathan e Jennifer descobrem que, após a guerra, Stephen e alguns colegas do exército ficaram encarregados de capturar e levar um nazista a julgamento. Agora, o filho deste nazista busca vingança, e começou matando alguns dos homens que participaram desta missão. O pai de Jennifer é o próximo da lista.

O ponto alto do episódio é uma briga no museu, envolvendo Jonathan e o criminoso. Este episódio foi ao ar originalmente em janeiro de 1982. Ray Milland participou de outro episódio, intitulado “Long Lost Love” e exibido em novembro de 1983. Desta vez, Stephen vê Jillian, uma mulher muito parecida com uma enfermeira com quem ele se envolveu durante a guerra, e passa a acreditar que Jillian é meio-irmã de Jennifer. Jillian é interpretada por Samantha Eggar, de “Devagar, não corra / Walk, don’t run” (1966) e “O Fabuloso Dr. Dolittle / Doctor Dolittle” (1969).   

Essas não são as únicas ligações da série com o cinema clássico. As outras ligações aconteciam fora dos estúdios: enquanto Robert Wagner era casado com Natalie Wood, atriz que começou ainda criança e conquistou seu espaço merecido graças ao talento e à beleza, Stefanie Powers tinha um romance com William Holden. Natalie morreu em um acidente no mar, enquanto Holden sofreu uma hemorragia severa após cair e cortar a testa. Há indícios de que ele estaria muito bêbado no momento fatal, mas algumas pessoas acreditam que tanto Natalie quanto Holden foram assassinados. O corpo de William foi encontrado em 20 de novembro de 1981, e Natalie faleceu nove dias depois.


Além das ligações amorosas, os astros marcaram presença no cinema: Robert estreou nos anos 50 e contracenou com alguns dos mestres, como James Cagney em “Sangue por Glória / What Price Glory” (1952) e Barbara Stanwyck, com quem ele pode ou não ter tido um romance, em “Náufragos do Titanic / Titanic” (1953). Ele também esteve no filme cheio de estrelas “O mais longo dos dias / The Longest Day” (1962) e protagonizou a série “O Rei dos Ladrões / It takes a thief” durante três temporadas, na qual seu pai era interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Fred Astaire. Desta série participaram também Joseph Cotten e Fernando Lamas.

Stefanie Powers, em seus tempos de adolescente, estudava balé na mesma classe de Natalie Wood. Powers, entretanto, só começou a atuar aos 18 anos, participando de muitas séries de TV. Em 1966 ela esteve no remake de “No tempo das diligências / Stagecoach”, no papel que foi de Louise Platt. Três anos antes, ela esteve nos cinemas com o protagonista original de Stagecoach, John Wayne. Em “Quando um homem é um homem / McLintock!”, ela interpreta a filha de Wayne. Ela também participou de um dos meus guilty pleasures: “As novas aventuras do fusca / Herbie rides again” (1974).      

Lionel Stander, antes de ser o fiel mordomo Max, era o fiel e esperto amigo de Vickie Lester (Janet Gaynor) em “Nasce uma Estrela / A star is born” (1937). Você pode não ter prestado atenção, mas ele esteve em filmes como “O galante Mr. Deeds / Mr. Deeds comes to town” (1936) e “Era uma vez no Oeste” (1968). Ao se tornar alvo de investigações durante a caça aos comunistas, ele saiu dos Estados Unidos e fez carreira na Itália. Lionel faleceu em 1994, e sua morte foi usada na trama de um dos oito filmes que se seguiram à série Hart to Hart.

Ray Milland é um velho conhecido: nascido no País de Gales, fez carreira na Hollywood dos anos 30 trabalhando em comédias. Sua escalação em “Farrapo Humano / The Lost Weekend” (1945), foi uma manobra arriscada de Billy Wilder que deu muito certo, afinal, Ray ganhou o Oscar de Melhor Ator. Depois de ter de deixar seu cabelo cacheado para o filme “Vendaval de Paixões / Reap the Wild Wind” (1942), Ray começou a ficar careca. A partir da década de 70, passou a fazer papéis coadjuvantes, destacando-se em “Love Story” (1970). Ray Milland faleceu em 1986.

Outros atores e atrizes do cinema clássico participaram de Hart to Hart, entre eles Roddy McDowall, Jeanette Nolan, Eva Gabor e Gilbert Roland. A série teve cinco temporadas (1979-1984), oito filmes e muitas reprises. Escrevendo este post, lembrei-me de quanto amo Jonathan, Jennifer, Max e Freeway. Afinal, de uma série criada por Sidney Sheldon, baseando-se em Nick e Nora Charles, só se poderia esperar um bom toque clássico.

This is my contribution to the Big Stars on the Small Screen blogathon, hosted by the always great Aurora at How Sweet it Was. 


domingo, 16 de março de 2014

William Powell: nosso detetive favorito

Com seu cabelo preto repartido no meio, seu bigode impecável, seus olhos claros cristalinos na película e seu charme inconfundível, William Powell dominou a década de 1930. Ele foi um dos grandes abençoados com a chegada do som, pois sua voz foi prontamente considerada “afrodisíaca” pelo público feminino. Seu personagem mais famoso do período é o detetive movido a álcool Nick Charles, mas foi outro detetive que solidificou a carreira de Powell.

Assim como muitos homens da lei que foram da literatura para o cinema (I’m looking at you, Sam Spade), Nick Charles fez o mesmo caminho. O livro “A ceia dos acusados / The Thin Man”, de Dashiell Hammett, foi publicado em 1934. Antes disso, entretanto, surgiram as histórias do detetive Philo Vance, de autoria de S. S. Van Dine. Foram ao todo doze livros, publicados de 1926 a 1939, todos com o título genérico “The ? Murder Case”, em que a interrogação era sempre substituída por uma palavra de seis letras. O sucesso dos livros foi tanto que logo eles foram adaptados para o cinema.   


Em “The Canary Murder Case”, Philo Vance aparece para investigar a morte da showgirl apelidada de Canary (Louise Brooks), embora seu nome verdadeira seja Margareth O’Doe. Ela havia anunciado seu noivado com o herdeiro de uma fortuna, Jimmy Spottswoode (James Hall) o que desagradou ao pai dele, Charles (Charles Lane) e aos vários amantes de Canary.

Este primeiro filme de Philo foi gravado como um filme mudo. Bill Powell fez sua estreia no cinema mudo, em 1922, e foi conseguindo papéis cada vez melhores, porém quase sempre como coadjuvante. Pouco antes do lançamento, os executivos da Paramount decidiram transformar a obra em um filme falado, e todo o elenco foi recrutado para dublar suas próprias falas. Louise Brooks não voltou para a dublagem, pois havia se mudado para a Europa, e a atriz Margaret Livingston foi contratada para o serviço. Embora seja difícil de notar que os diálogos foram dublados, pois a sincronização é muito bem feita, é verdade que a voz de Canary não combina muito com sua imagem de flapper interesseira (a pronúncia “dahling” em especial).


O segundo filme, também de 1929, é “The Greene Murder Case”. Aqui, Vance chega a uma casa que vê uma tragédia acontecer no ano novo: o patriarca é morto e uma de suas filhas, baleada. Ele havia acabado de ler seu testamento para os três filhos, a esposa inválida e o médico da família, disputado pelas duas irmãs, Ada (Jean Arthur) e Sibella (Florence Eldridge). Há também os excêntricos empregados, entre eles uma viúva alemã e uma mulher que anuncia o apocalipse. Este filme se destaca pelos incríveis travellings e tomadas aéreas.

Jean Arthur, cujo sobrenome verdadeiro era, por coincidência, Greene, esteve nestes dois primeiros filmes, tendo um papel de menor destaque em “The Canary...”. Além de William Powell, outra presença constante na série de Philo Vance é Eugene Pallette como o sargento Ernest Heath, um policial cheio de teorias ruins para os crimes, mas que sempre busca levar o crédito quando o mistério é solucionado. Isso não torna o personagem antipático, mas sim divertido. Aliás, a adaptação dos livros de S. S. Van Dine foi bem generosa ao tornar também Philo Vance mais simpático.

William Powell apareceu, em 1930, em um esquete de “Paramount on Parade” como Philo.

O terceiro filme não foi feito pela Paramount, mas sim pela MGM, que comprou os direitos de “The Bishop Murder Case” e transformou-o em filme em 1930, com Basil Rathbone como protagonista. Vale lembrar que Rathbone mais tarde faria 15 filmes como Sherlock Holmes. O terceiro da série com William Powell é “The Benson Murder Case”, que, infelizmente, só está disponível em um Box de DVDs.  Neste filme, o acaso faz com que Philo esteja na cena do crime quando um homem que trabalhava na bolsa de valores é assassinado.

A última vez que Powell encarnou Philo Vance foi em “The Kennel Murder Case”, de 1933. Aqui, Philo desiste de uma viagem à Europa com seu cachorro de estimação após saber que um colecionador de antiguidades, que ele vira na tarde anterior em uma competição de cães, cometera suicídio. Sem acreditar em suicídio, hipótese que o sargento Heath abraça de corpo e alma, Philo decide investigar o caso, que envolve inimigos dentro da família e a venda de vasos antigos. O filme conta com a excelente presença de Mary Astor e com a direção do ótimo Michael Curtiz (Malcolm St. Clair dirigiu o primeiro filme da série e Frank Tuttle, seu assistente, os outros dois). Este é considerado o melhor da série de Philo Vance, embora eu também tenha gostado muito de “The Greene Murder Case”.

“The Kennel Murder Case” marca também a tomada de território de William Powell na Warner Brothers, estúdio para o qual havia se mudado em 1931 e que continuaria a série de Philo Vance com Warren William e Eugene Pallette em uma última participação. Powell mudaria de estúdio mais uma vez, e encontraria um lugar ao sol na MGM, onde Nick Charles foi criado. Mas isso já é outra história...



This is my contribution to the Sleuthathon, hosted by the adorable Fritzi at Movies, Silently.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Bolão do Oscar 2014

Chegou o fim de semana mais esperado do ano (para os cinéfilos, é claro)! O Oscar está aí e os nervos estão à flor da pele, não apenas para os indicados, mas também para pessoas que, assim como eu, topam participar de apostas. Seja com firmeza ou jogando um dado para decidir, aí vão minhas apostas para 2014:

MELHOR FILME: 12 Anos de Escravidão

MELHOR ATOR: Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas

MELHOR ATRIZ: Cate Blanchett, por Blue Jasmine

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong'o, por 12 Anos de Escravidão

MELHOR DIRETOR: Alfonso Cuarón, por Gravidade

MELHOR ANIMAÇÃO: Frozen: Uma Aventura Congelante

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Ela, escrito por Spike Jonze

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: 12 Anos de Escravidão

EFEITOS VISUAIS: Gravidade

TRILHA SONORA: Steven Price, por Gravidade

FOTOGRAFIA: Gravidade

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Let it Go, de Frozen - Música e letra de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez

FIGURINO: 12 Anos de Escravidão

CABELO E MAQUIAGEM: Clube de Compras Dallas

MELHOR EDIÇÃO: Gravidade

EDIÇÃO DE SOM: Gravidade

MIXAGEM DE SOM: Gravidade

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: A Grande Beleza (Itália)

MELHOR DOCUMENTÁRIO: O Ato de Matar

DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: The Lady in Number 6: Music Saved My Life

MELHOR CURTA: Avant Que De Tout Perdre (em inglês, Just Before Losing Everything)

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: Get a Horse!


Este post faz parte do Bolão do Oscar do blog DVD, Sofá e Pipoca.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

“Opostos que se atraem: as vidas de Erich Maria Remarque e Paulette Goddard”, de Julie Gilbert

Quando comecei a ler o livro “Opostos que se atraem: as vidas de Erich Maria Remarque e Paulette Goddard”, de Julie Gilbert, confesso que estava mais interessada na estrela de cinema que no escritor. Com o passar das páginas, esta opinião mudou completamente, e fiquei surpresa com o quanto me identifiquei com Remarque, e não apenas por termos o mesmo signo e escrevermos.  Já com Paulette, minha experiência foi diferente, mas também terminei o livro com uma impressão nova sobre ela.
Erich Paul Remark nasceu em Osnabrück, Alemanha, em 22 de junho de 1898. Serviu na Primeira Guerra Mundial, indo para o front durante um mês em 1917. Sofreu ferimentos sem grandes consequências e passou o resto da guerra se recuperando. Alcançou fama mundial com “Nada de Novo no Front”, seu terceiro romance, publicado em 1928. Marion Goddard Levy nasceu em 3 de junho de 1910, em Nova York, foi dançarina do Ziegfeld Follies ainda adolescente, fez pontas no cinema e conquistou a fama em “Tempos Modernos”, de 1936. Embora seus caminhos tenham se cruzado diversas vezes, eles só começaram a se relacionar em 1950, casando-se em 1958.
Remarque sempre teve uma vida muito atrelada ao cinema. Seu best-seller virou filme em 1930 e ganhou dois Oscars. Remarque havia sido, inclusive, convidado a estrelar o filme, mas recusou o convite e o papel principal ficou para Lew Ayres. O autor só viraria ator em outra adaptação de um de seus livros: “Amar e Morrer”, de 1957. Entretanto, em suas várias temporadas nos Estados Unidos, ele se envolveu com Marlene Dietrich, que conheceu ainda na Alemanha, e teve uma espécie de amizade colorida com Greta Garbo.  
Paulette foi moldada por Chaplin, e é imortal graças às suas duas participações em filmes dele (sendo a outra em “O Grande Ditador”, de 1940). Assim como as outras companheiras de cena de Chaplin (Edna Purviance, Lita Grey, Virginia Cherrill...), ela não teve grandes sucessos longe dele, mas conseguiu se manter em Hollywood graças à sua beleza e um jeitinho especial. Foi casada quatro vezes. Seu segundo marido foi Chaplin e o terceiro, o ator Burgess Meredith.
Paulette sabia falar sobre qualquer assunto e parecia esbanjar cultura, mas o tempo todo fiquei com uma sensação de que Paulette era fútil. Caprichosa e apaixonada por joias, ela tratava bem a quem poderia lhe dar algum benefício, e era só. Remarque era um homem, no geral, sério, mas dado ao abuso do álcool. Os trechos do diário de Remarque, nunca antes publicados, são o grande trunfo do livro e trazem muitos esclarecimentos sobre a vida amorosa do autor. Em geral, ele se relacionou com mulheres que prezavam mais sua independência do que o companheirismo com o parceiro, e não digo que isto é de tudo ruim. Mas creio que não gostaria de passar um tempo com Paulette.  
Remarque foi um excelente escritor, e o tema que definiu todas as suas obras tem um quê de autobiográfico: a guerra. Seja nas trincheiras, na volta para casa e readaptação ou no ato de fugir da guerra, os livros do autor sempre estão envoltos no conflito que marcou o século XX para a pátria alemã. Tendo se refugiado na Suíça pouco depois de o partido nazista chegar ao poder, Remarque tinha uma relação estranha com seu país de origem e, mesmo com todas as homenagens, a Alemanha nunca o perdoou totalmente pelo pacifista “Nada de Novo no Front”.
Paulette foi construída por Chaplin, e, no resto da carreira, esperava que houvesse um diretor de mão firme para guiá-la sempre. Assim se deu bem com Cecil B. DeMille, com quem fez três filmes a cores nos anos 40. Um deles, “Vendaval de Paixões / Reap the wild Wind” (1942), foi seu prêmio de consolação por ter perdido o papel de Scarlett O’Hara. Uma das justificativas era que Paulette e Chaplin viviam juntos em 1939, mas não eram casados, e era inaceitável que uma grande estrela vivesse nesta situação “ilegal”. Ela perdeu o papel que 10 entre 10 moças de Hollywood queriam, mas isso não a impediu de se tornar uma diva do cinema, rica e linda (em especial em seus filmes em Technicolor). 
A autora Julie Gilbert, da Universidade de Nova York, foi estimulada a escrever o livro após ler o obituário de Paulette, em 1990. Como ela já tinha desejo de escrever sobre Remarque, morto em 1970, foi aconselhada por Harriet Pilpel, antiga advogada e confidente de Remarque, a unir os temas e escrever um livro sobre os dois. Os capítulos alternam o ponto de referência, e de fato funcionam bem separados: você pode ler só sobre quem lhe interessa. Mas estará perdendo muito: Julie foi indicada ao Prêmio Pulitzer, o que mostra a qualidade do livro.

As fotos bem no meio do livro são espetaculares. Conhecemos a família e os cães de Remarque, a mulher com quem ele se casou duas vezes, Jutta, e temos a rara oportunidade de ver Paulette loira, no começo da carreira, no Ziegfeld Follies e como figurante no cinema. As entrevistas com personalidades de Hollywood, de Luise Rainer a Ruth Albu (companheira de Marlene Dietrich nos palcos alemães), de Douglas Fairbanks Jr a Billy Wilder. Fiquei um pouco chateada apenas com o fato de haver spoilers da maioria dos livros de Remarque. Bem, tirando isso, esta é uma biografia nota dez, que merece ser lida por todos que querem entender melhor a cultura literária e cinematográfica do século XX. 
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