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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Redimida / Letty Lynton (1932)

Em 2013, o responsável pela programação do canal TCM Charlie Tabesh nos revelou que um dos filmes mais solicitados pelo público é “Redimida” (1932). E foi por esta recomendação indireta que eu procurei o filme, e não me decepcionei. Porque é Joan Crawford. E é pre-Code.

In 2013, TCM’s vice-president of programming Charlie Tabesh said that one of the most requested films to be shown on the channel is “Letty Lynton” (1932). And it was because of this indirect recommendation that I looked for the movie, and wasn’t disappointed. Because it has Joan Crawford. And it is a pre-Code!
Letty (Joan Crawford) está em Montevidéu com seu amante, Emile (Nils Asther), mas está decidida a embarcar em um navio de volta para casa. Nas cenas com ele, Joan se comporta de maneira afetada e com ares aristocráticos, lembrando Greta Garbo. E isso não é de se espantar, se considerarmos que o diretor de “Letty Lynton”, Clarence Brown, dirigiu sete filmes com Garbo, incluindo o maravilhoso “A Carne e o Diabo” (1926). E Nils Asther, por sua vez, foi criado na Suécia, descoberto por Mauritz Stiller, mentor também de Garbo, e trabalhou com Greta em dois filmes de 1929.

Letty (Joan Crawford) is in Montevideo with her lover, Emile (Nils Asther), but she has made up her mind and will board a ship back home. In her scenes with Emile, Joan behaves in an affected manner and has an aristocratic look, reminding us of Greta Garbo. And this is something to notice, considering that the director Clarence Brown directed Garbo in seven films, including the wonderful “Flesh and the Devil” (1926). And Nils Asther, in turn, was raised in Sweden, discovered by Mauritz Stiller, also Garbo’s mentor, and worked with Greta in two films from 1929.
No navio, ela conhece Jerry (Robert Montgomery), e os dois conversam. Letty é agora autêntica e risonha, do jeito que estamos acostumados a ver Joan Crawford no começo dos anos 30.

In the ship, she meets Jerry (Robert Montgomery) and they chat. Letty is now authentic and all smiles, in the way we are used to see the early 1930’s Joan Crawford.

Jerry a pede em casamento, na proposta mais simples da história do cinema, e ela aceita. Entretanto, chegando em Nova York, ela reencontra Emile, que a ameaça. E este não é o único problema de Letty: ela precisa retomar a relação com a mãe, de quem se afastou para viver com Emile.

Jerry asks her to marry him, in the simplest proposal in all film history, and she says yes. However, when they arrive in New York, she meets again with Emile and is blackmailed by him. And this is not Letty’s only problem: she needs to fix her relationship with her mother. They are estranged since Letty left home to live with Emile.
Algo que me encanta no pre-Code e que não foi totalmente recuperado até hoje é a ausência de falsos moralismos. Só porque Letty viveu uma relação com um canalha abusivo, significa que ela não merece ser feliz? Uma mulher que “peca” não merece uma segunda chance? No cinema pre-Code, ela merece. No mundo real, na sociedade hipócrita, nem sempre.

Something that pleases me in the pre-Code era (and something that was not yet totally recovered) is the absence of fake moralism. Only because Letty had an abusive relationship with an asshole, does it mean that she will never deserve to be happy?  A woman who sins doesn’t deserve a second chance? In pre-Code cinema, she does. In the real world, in the hypocritical society, not always.  
O filme fica excitante em sua última meia hora. São estes minutos, em especial os finais, que atestam que o filme foi feito na era pre-Code. O final levou o filme a ser banido na Inglaterra, mas esta não foi a maior punição de “Letty Lynton”.

The film becomes exciting in its last half hour. Those minutes, especially the last ones, guarantee that we are watching a pre-Code. The ending made the film be banished in England, but this was not the biggest punishment for “Letty Lynton”.
Em 1936, uma decisão judicial tirou o filme de circulação devido a uma acusação de plágio por parte dos autores da peça “Dishonored Lady”. Desde então o filme é difícil de encontrar: não foi restaurado ou lançado em VHS, DVD ou Blu-Ray, e as cópias disponíveis na internet têm som e imagem de baixa qualidade. “Dishonored Lady” foi legalmente adaptada para o cinema em 1947, em um filme estrelando Hedy Lamarr.

In 1936, a court decision took the film out of circulation because of a plagiarism accusation made by the authors of the play “Dishonored Lady”. Since then the film is hard to find: it wasn’t restored nor released in VHS, DVD or Blu-Ray, and the copies available in the internet have low quality sound and image. “Dishonored Lady” was legally adapted to the screen in 1947, in a film starring Hedy Lamarr.
E toda essa confusão impediu que várias gerações conhecessem o famoso vestido feito por Adrian para Joan em “Letty Lynton’’. Ela o usa quando Jerry a pede em casamento, e o vestido causou uma corrida às lojas. Adrian quis devolver a feminilidade aos figurinos, e conseguiu isto com enormes mangas de organza e uma cintura bem marcada.

And all this confusion prevented several generations from knowing the famous dress made by Adrian to Joan in “Letty Lynton”. She wears it when Jerry proposes, and the dress caused a race to stores in search for copies. Adrian wanted to give femininity back to outfits, and succeeded with huge organza sleeves and a very marked waist.
É uma pena que “Letty Lynton” não esteja disponível para todos. Passados os primeiros minutos monótonos, é um bom filme, com Joan magnífica. Seria ótimo se, à moda pre-Code, a velha lei fosse revista e este filme voltasse a ser exibido.

It is a shame that “Letty Lynton” is not availabe for us all. After the first monotonous minutes, the film becomes good, with a magnificent Joan. It’s be great if, in pre-Code fashion, the old law was reconsidered and this film was once again shown.

This is my contribution to the Joan Crawford Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood.

sábado, 9 de julho de 2016

Monstros / Freaks (1932)

O ano era 2009, e eu era uma recém-chegada no mundo do cinema. Tinha 16 anos e era fácil de impressionar. Não sei por que abri uma lista com o título “os 10 filmes mais impressionantes da história”. Lá, na 10ª posição, uma imagem já me assustou: o Homem-Torso de “Monstros”, um estranho filme de 1932 que eu desconhecia. Era um filme sobre um circo de horrores, feito com membros do circo de horrores. Eu fui perseguida por aquela imagem durante um bom tempo – e, claro, resolvi não assistir ao filme quando ele passou na televisão.

The year was 2009, and I was a newcomer to the film world. I was 16 and easily impressed. I don’t know why I opened a list with the title “the 10 most horrifying films ever”. There was, in the 10th place, an image that scared me: the Living Torso from “Freaks”, a weird 1932 film I hadn’t heard about until then. It was a film about a freak show, with real freak show attractions as actors. I was haunted by that image for a good time – and, of course, I decided not to watch the film when it was on TV.
Mas chega uma hora em que temos de enfrentar nossos medos – mesmo que eles estejam na figura de um filme de mais de 80 anos e apenas uma hora de duração. De 2009 até hoje, enfrentei outros medos – e inclusive vi American Horror Story: Freak Show, que se passa em um show de horrores com muito sangue.

But there comes a time when we have to face our fears – even if they appear to us as an 80 year-old, 60 minute-long film. From 2009 until today, I faced other fears – and even watched American Horror Story: Freak Show, that is set in a circus with a lot of blood.
Em geral, os mais assustadores filmes de terror não têm nenhum monstro ou atividade paranormal: o horror surge quando nos damos conta do que um ser humano é capaz de fazer com o outro. O que o diretor Tod Browning queria que assustasse o público é a maneira fria como a trapezista Cleopatra (Olga Baclanova) e seu parceiro Hercules (Henry Victor) planejam ficar com a fortuna do anão Hans (Harry Earles), que está apaixonado por Cleopatra.

In general, the scariest horror films don’t have any monster or supernatural activity: the source of horror is what a human being is willing to do with another human being. The one thing director Tod Browning wanted to cause repulsion in the audience was the way trapeze girl Cleopatra (Olga Baclanova) and her partner Hercules (Henry Victor) plan to get the money from the dwarf Hans (Harry Earles), who is in love with Cleopatra.
O filme sofre um pouco por não ter atores profissionais nos papéis de Hans e Daisy. Entretanto, as lágrimas de Daisy na cena do casamento compensam todos os erros, e dão início à cena mais emblemática do filme. Como Pauline Kael disse, “Monstros” é ótimo, mas teria sido ainda melhor e mais poderoso se fosse um filme mudo.

The film suffers a little because Hans and Daisy are not played by Professional actors. However, Daisy’s tears in the wedding scene compensate all the mistakes, and mark the beginning of the most emblematic scene in the film. As Pauline Kael said, “Freaks” is great, but would have been better and more powerful had it been a silent film.
Como um longo texto que precede o filme nos conta, a humanidade sempre amou a beleza – e talvez você, cinéfilo, conhece alguém que se recusa a ver um filme que “não seja bonito”. Mas o que pode ser considerado “bonito”? A beleza não está nos olhos de quem a vê?

As a long text before the movie tells us, the humanity has always loved beauty – and maybe you, cinephile, know some people who won’t watch a movie because “it’s not beautiful”. But what can be considered “beautiful”? Isn’t beauty in the eyes of the beholder?

O problema é que as pessoas normalmente não conseguem ver além das aparências. Esta é a lição do filme: algumas pessoas podem ser lindas por fora, mas são podres por dentro.

The problem is that people can’t usually see through the appearance. This is the lesson of the film: some people can be beautiful on the outside, but rotten inside.
Mas o público e o alto escalão da MGM ficaram chocados com as “aberrações”. Há, sim, situações chocantes, como por exemplo o casamento de uma das irmãs siamesas, sendo que a outra não gostava do noivo... mas teria de dividir a cama com ele e sentir as mesmas coisas que a irmã.

But the audience and MGM’s high chiefs were shocked only with the “freaks”. There are shocking moments, indeed, like when one of the conjoined twins gets married and the other twin, who doesn’t like her sister’s groom, has to share the bed with him and feel everything the sister does with him.
O resultado do escândalo foi um longo corte no filme, com 30 minutos extras hoje considerados perdidos, e que certamente fariam toda a diferença na narrativa. Mais uma vez, a intolerância e a hipocrisia ganharam. Não duvido que as pessoas que mais reclamaram do filme não estavam enojadas com as “aberrações”, mas sim consigo mesmas e com seu comportamento em relação àqueles deficientes.

The result of the scandal was a long second cut, with 30 extra minutes that today are considered lost, and that certainly would shine a new light in the storytelling. Once again, intolerance and hypocrisy won. I have no doubt that the people who complained the most about the film weren’t disgusted by the “freaks”, but by themselves and their behavior towards those handicapped people.
Se você já sofreu bullying, ou se já foi chamado de aberração, este filme será doloroso de assistir. Em 2009, ano em que ouvia falar pela primeira vez deste filme, estava no pior momento da minha vida. Infelizmente, eu não tinha um grupo de amigos com um código de honra, prontos a se vingarem por mim. Foi bom eu não ter visto o filme naquela época. E, quando finalmente o vi, não precisei aprender a lição: eu já sabia que o segredo da vida é tolerância, sempre.

If you’ve ever been bullied, if you’ve been ever called a freak, this film will be painful to watch. In 2009, the year I first heard about this film, I was in the lowest point of my life. Unfortunately, I didn’t have a group of friends with an honor code to avenge me. It was good that I didn’t watch the film back then. And, when I finally saw it, I didn’t have to learn the lesson: I already knew that the secret of a good life is tolerance, always.

This is my contribution to the Hot and Bothered: the films of 1932 blogathon, hosted by Aurora and Theresa at Once Upon a Screen and CineMaven’s Essays from the Couch.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Helena de Troia / Helen of Troy (1956)

Páris (Jacques Sernas) é um sujeito orgulhoso. Ele tem a missão de fazer um acordo para que não haja exploração econômica entre Esparta e Troia. Além disso, ele diz não adorar nenhum deus (apenas “admira” Afrodite), mesmo vivendo dentro de uma cultura politeísta, e acredita que mulher alguma será capaz de interferir em seu destino. Só sua predileção por Afrodite mostra que Páris prefere o romance à razão, e logo todas as suas convicções serão destruídas.

Paris (Jacques Sernas) is a proud guy. He has the mission to make an economical agreement between Sparta and Troy. Besides that, he has the petulancy to not adore any god (he only “admires” Aphrodite), even though he lives in a polytheistic society, and he also believes that no woman can interfere in his destiny. His love of Aphrodite alone shows that Paris prefers heart to brains, and soon all his convictions will be destroyed.
Páris é atingido por um raio durante uma tempestade e, desacordado vai parar em uma praia. Lá ele é resgatado por Helena (Rossana Podestà), que ele logo associa à figura de Afrodite. Helena se apaixona à primeira vista, mas mente, dizendo que é uma escrava e não a rainha de Esparta. Ela aconselha Páris a voltar para Troia, mas ele está decidido a ir ao palácio.

Paris is struck by lightning during a thunderstorm and, unconscious, he goes on to wake up in an island. There he is greeted by Helen (Rossana Podestà), who he thinks not only resembles Aphrodite, but is the goddess herself. It’s love at first sight for Helen, but she lies saying she is a slave, and not the queen of Sparta. She tells Paris to go back to Troy, but he is affirmative about talking to the king at the palace.
Páris se torna prisioneiro no palácio, e consegue escapar com a ajuda de Helena e da escrava dela, Andraste (Brigitte Bardot).  Mas Páris não volta sozinho para Troia: apaixonada, Helena o acompanha. E o marido de Helena, o rei Menelau (Niall MacGinnis), se revolta ao saber que a esposa foi “levada” pelo troiano, e declara guerra à Troia.

Paris becomes prisoner at the palace, and manages to escape with the help of Helen and her slave, Andraste (Brigitte Bardot). But Paris doesn’t return alone to Troy: infatuated, Helen joins him. And Helen’s husband, king Menelaus (Niall MacGinnis), becomes mad when he finds out that his wife was “taken” by the Trojan, and then the war is declared.
É a história da guerra de Troia, que talvez você já conheça bem por ter estudado na escola ou, se for mais maluco (tipo eu), por ter lido a Ilíada. Mas o mais interessante é o foco nos perdedores, algo que quase nunca acontece nos filmes de guerra. Ora, a própria história normalmente se encarrega de apagar e menosprezar os perdedores das guerras, então por que um filme vai focar no ponto de vista deles?

It is the story of the Trojan War, one that you might already know well because you studied about it at school or, if you were a bit crazier (like me), because you read The Iliad. But the most interesting point is the focus on the losers, something that almost never happens in war movies. Well, history itself manages to erase and underestimate the ones who lose the war, so why would a movie focus on a loser point of view?
Simples: porque o filme é sobre Helena de Troia, a mulher que causou uma guerra apenas porque teve vontade própria e abandonou seu marido para fugir com Páris. Em momento algum perguntaram para Helena se ela foi raptada ou acompanhou Páris de livre e espontânea vontade. E, por acreditarem que uma mulher não deve ter vontade própria, milhares de vidas foram perdidas, incluindo a do herói Aquiles (Stanley Baker).

Simple: because the film is about Helen of Troy, the woman who caused a war just because she had her own will and left her husband to run away with Paris. Nobody asked Helen if she was kidnapped or if she went with Paris because she just wanted to. And, because it was believed that a woman couldn’t have desires or opinions, thousands of lives were lost, including the hero Achilles (Stanley Baker).
Sem o apelo de outros épicos, o filme ainda consegue ser interessante e tem breves, mas grandiosas, cenas de batalha. Ajudando Robert Wise na direção estavam Raoul Walsh e um jovem italiano chamado... Sergio Leone. Versátil, Wise já havia editado “Cidadão Kane” (1941) e ficaria mais conhecido por dirigir “Amor, Sublime Amor” (1961) e “A Noviça Rebelde” (1965).

Without the appeal of other epic movies, this one still can be interesting and has brief, yet huge, battle scenes. Helping Robert Wise direct were Raoul Walsh and a young Italian man called… Sergio Leone. The versatile Wise had already been the editor in “Citizen Kane” (1941), but would be better remembered for directing “West Side Story” (1961) and “The Sound of Music” (1965).
Hoje, é estranho imaginar que não seja a estonteante Brigitte Bardot a interpretar Helena de Troia. O diretor Robert Wise considerou diversas belas atrizes, incluindo Ava Gardner, mas escolheu a italiana Rossana Podestà, relativamente desconhecida em Hollywood. Rossana é linda e exibe belas tranças ao longo do filme. Brigitte, no mesmo ano, seria revelada para o mundo com o filme “E Deus Criou a Mulher”, também sobre uma moça cheia de vontade própria.

Today, it’s hard to believe that gorgeous Brigitte Bardot didn’t play the leading role. Director Robert Wise considered several beautiful actresses for the role, including Ava Gardner, but he at last chose the relatively unknown (at least in Hollywood) Italian actress Rossana Podestà. Rossana is gorgeous and has a strong braid game throughout the movie. In the same year, Brigitte would be revealed to the world with the movie “And God Created Woman”, also about a lady who has her own free will.
No começo do filme, a irmã sacerdotisa de Páris, Cassandra (Janette Scott), o aconselha a não fazer a viagem para Esparta. Ninguém acredita na visão dela, e ela é tomada como louca. Mais tarde no filme, ela aconselha os troianos a não aceitarem o grande cavalo de madeira deixado pelos espartanos. Eles novamente a ignoram – e você já sabe o que acontece. Se há uma coisa que aprendemos com “Helena de Troia”, é “nunca subestime as mulheres”.

At the beginning of the movie, Paris’s sister, Cassandra (Janette Scott), advises him not to travel to Sparta. Nobody believes that she had foreseen something bad, and she is considered crazy. Later in the movie, she advises the Trojans to not bring inside the city the huge wooden horse left by the Spartans. They once again ignore her – and you already know what happens. If there is one lesson we learn from “Helen of Troy”, it is “never underestimate women”.

This is my contribution to The Sword and Sandal blogathon, hosted by Debra at Moon in Gemini.

sábado, 2 de julho de 2016

Uma Loira com Açúcar / The Strawberry Blonde (1941)

Hoje todos os olhares e homenagens estão voltados para ela. Não são todas as talentosas lendas de Hollywood que chegam aos 100 anos, mas Olivia de Havilland conseguiu, e no meio do caminho ainda ganhou dois Oscars e lutou pelos direitos dos atores.
Today, all the eyes and tributes are for her. Not all talented Hollywood legends live to be 100, but Olivia de Havilland made it, and also won two Oscars and fought for actors’ rights.
O filme escolhido, “Uma loira com açúcar”, tem James Cagney no papel principal e Olivia como segunda mais importante nos créditos. Já é difícil superar Cagney em tela, e Olivia tem uma rival ainda mais perigosa: Rita Hayworth, com uma personagem exuberante que atrai todos os olhares para si, deixando a personagem de Olivia em segundo plano. Mas às vezes (ou talvez quase sempre?) escolher a moça menos cobiçada compensa.
The film I chose, “The Strawberry Blonde”, has James Cagney in the lead and Olivia as second billed. It is already difficult to shine more than Cagney in a film, and Olivia has a much more dangerous rival: Rita Hayworth, playing an exuberant character that attracts all the attention to her, leaving Olivia behind. But sometimes (or maybe almost all the time?) it is rewarding to choose the less sought-after girl.
Virginia Brush (Hayworth) é uma mulher comum da Era Vitoriana. Sua amiga Amy Lind (Olivia) é a mulher batalhadora e inconformada que amamos: trabalha como enfermeira, é sufragista e luta pela igualdade entre os sexos. Não tem vergonha de flertar e detesta qualquer hipocrisia disfarçada de bons modos.
Virginia Brush is a regular Edwardian woman. Her friend Amy Lind (Olivia) is the strong and independent kind of woman we love: she works as a nurse, is a suffragette and fights for gender equality. She is not ashamed to flirt and hates any kind of hypocrisy that can pass as good manners.
Virginia é a moça dos sonhos de todos os homens. Amy é a moça que causa escândalo na sociedade do começo do século XX: independente, com ideias modernas, fuma, flerta e sabe que as mulheres gostam de sentir prazer tanto quanto os homens. Ela assusta Biff (Cagney), mas ao final mostra como é de verdade o encanta (e me decepciona um pouco).
Virginia is the girl all men dream of. Amy is the girl that causes scandal in the turn-of-the-century society: she is independent, has modern ideas, smokes, flirts and knows that women like to have pleasure as much as men. She scares Biff (Cagney), but in the end she shows how she really is and he is charmed (and I felt a little deceived).
Mas Virginia é uma moça caprichosa, que gosta de coisas e atrações caras. E Biff é um pobre aprendiz de dentista, que além do mais vive se metendo em brigas, algo que ele herdou do pai. E Virginia decide se casar com o velho amigo de Biff, Hugo Barnstead (Jack Carson). Hugo é empreendedor, mas não é honesto, e acaba envolvendo Biff em um esquema ilegal.
But Virginia is a frivolous woman who likes expensive gifts and dates. And Biff is a poor guy studying to be a dentist, who also is always getting into fights, just like his father. And Virginia decides to marry Biff’s old friend, Hugo Barnstead (Jack Carson). Hugo is an entrepreneur, but he’s not honest, and gets Biff involved in an illegal scheme.
Isso tudo descrito acima é contado em flashback, quando Biff está prestes a reencontrar Hugo após cinco anos na prisão. O que mais esperar de Raoul Walsh? Como ator, seu mais importante papel foi o de John Wilkes Booth, o assassino do presidente Lincoln, em “O Nascimento de uma Nação” (1915). Como diretor, seu mais famoso trabalho também é ao lado de James Cagney: “Fúria Sanguinária” (1949).
Everything narrated above is told in flashback, when Biff is about to meet Hugo again, after spending five years in prison. What else could be expected from Raoul Walsh? As an actor, his most important role was the one of John Wilkes Booth, the man who killed President Lincoln, in “The Birth of a Nation” (1915). As a director, his most famous work is also with James Cagney: “White Heat” (1949).
Uma Loira com Açúcar” é o remake de “A Mulher Preferida” (1933), em que Gary Cooper interpreta Biff, Fay Wray é Virginia e a pouco conhecida Frances Fuller fica com o papel de Amy. O remake ganhou um novo nome em homenagem à mãe de Cagney, que visitou o set um dia e se lembrou de uma ocasião relacionada à música principal, “(Casey would waltz with a strawberry blonde) And the band playedon!”. Raoul Walsh dirigiu também o segundo remake do filme, em 1948.
The Strawberry Blonde” is the remake of “One Sunday Afternoon” (1933), in which Gary Cooper plays Biff, Fay Wray is Virginia and little-known Frances Fuller plays the role of Amy. The remake got a new name in a tribute to Cagney’s mother when she, a strawberry blonde herself, visited the set one day and remembered one occasion in her youth linked to the theme song, “(Casey would waltz with a strawberry blonde) And the band played on!”. Raoul Walsh also directed the second remake of the film, in 1948.
É um papel bom, mas nem tanto, para Cagney. É um papel que alçou Hayworth ao estrelato, e nos proporcionou ouvir brevemente sua verdadeira voz ao cantar. É um papel um pouco ingrato para Olivia, mas com ótimos momentos cômicos. O filme, no geral, serve como uma fábula ou um ode à nostalgia, divertindo muito e ensinando pouco.
It is a good role, yet not ideal, for Cagney. It is a role that made Rita Hayworth to be noticed, and made possible for us to hear her real singing voice briefly. It is an ungrateful role for Olivia, but with great comic moments. The film, after all, works as a fable or an ode to nostalgy, entertaining a lot and teaching very little.
This is my contribution to the Olivia de Havilland Centenary blogathon, hosted by Crystal and Laura at In the Good Old Days of Classic Hollywood and Phyllis Loves Classic Movies. Hooray for Livvie! 

terça-feira, 28 de junho de 2016

A História do Mundo – Parte 1 / History of the World – Part I (1981)

As paródias são tão antigas quanto a própria arte. Assim que a arte séria é criada, logo depois surge a paródia. Isso não foi diferente no cinema. E, se me perguntassem quem é responsável pelas melhores paródias da história do cinema, eu responderia em um segundo: Mel Brooks. Mel é o homem que zoou Drácula, Frankenstein, Hitchcock, e gêneros inteiros como o suspense e o western. E não é de se espantar que ele se aventurasse também pelo gênero épico, no filme que, além de tudo, deu origem a este GIF maravilhoso:

Parodies are as old as art itself. Right after serious art is created, the parody comes. This wasn’t different in film history. And, if I was asked who is responsible for the best film parodies ever, I’d answer in a second: Mel Brooks. Mel is the man who mocked Dracula, Frankenstein, Hitchcock and whole genres such as thriller and western. So we should expect that Mel mocked also the epic genre, in a film that, besides everything, gave us this wonderful GIF:
Começando com a pré-história (com a clássica música “Assim falou Zaratrusta”), e passando por outros quatro esquetes de duração variável, Mel Brooks nos mostra a “evolução” do homem e também a origem de coisas como a arte (e a consequente origem do crítico de arte), a música e a comédia.

Starting with “the dawn of men” (with the classic song “Also sprach Zarathustra”), and going through four other sketches of different durations, Mel Brooks shows us the human “evolution” and also the origin of stuff such as art (and consequently, the origin of the art critic), music and comedy.

Na sequência de Roma, Mel é Comicus, um “filósofo stand-up”, que consegue a oportunidade de se apresentar no Caesar's Palace. Pelas ruas de Roma ele conhece o escravo Josephus (Gregory Hines) e a virgem Miriam (Mary-Margaret Humes).

In the Roman sketch, Mel plays Comicus, a “stand-up philosopher” Who has the chance to perform at Caesar’s Palace. In the streets of Rome he meets the slave Josephus (Gregory Hines) and the vestal virgin Miriam (Mary-Margaret Humes).
É impagável, entretanto, o musical da Inquisição, com direito a sapateadores e freiras nadadoras ao estilo de Esther Williams. Não chega a ser melhor que o esquete do Monty Python, mas é a melhor parte do filme.

However, the most priceless bit is the Inquisition musical that has even tap dancers and swimming nuns inspired by Esther Williams. It’s not better than the Monty Python “Spanish Inquisition” sketch, but this is the best part of the film.



O que me incomodou neste filme é o tanto que ele é sexista. Muitas vezes as mulheres são tratadas como objetos (embora a imperatriz interpretada por Madeline Kahn também trate os homens como objetos), e focado em sexo para fazer rir, da mesma maneira que tantas comédias fazem e sofrem ainda hoje. Não posso culpar uma má fase de Mel Brooks, pois ainda nos anos 80 ele faria filmes menos explícitos e apelativos como “Sou ou não Sou?” (1983, como ator e produtor) e “SOS – Tem um louco solto no espaço” (1987, como ator e diretor).

What really bothered me in this film was sexism. It often treats women like objects (although the empress played by Madeline Kahn also treats men like objects) and it focuses on sex to make people laugh, in the same poor way many comedies do still today. I can’t say it was a bad phase for Mel Brooks, because in the 1980s he also made less explicit films such as “To be or not to be?” (1983, as actor and producer) and “Spaceballs” (1987, as actor, producer and director).
Mel convidou uma voz ilustre para ser o narrador: Orson Welles. É verdade que a voz inconfundível de Welles só é ouvida muito brevemente no começo de cada esquete, mas mesmo assim Welles ganhou 25 mil dólares pelo trabalho – que foi todo gravado em uma manhã.

Mel invited an illustrious voice to be the narrator: Orson Welles. It is true that Welles’ iconic voice is only heard briefly at the beginning of every sketch, but Welles was paid 25 thousand dollars for his work – that was all recorded in a morning.
“História do Mundo – Parte 1” não é o melhor filme de Mel Brooks, que esteve no auge nos anos 70. Mas preste atenção nos detalhes: é neles que está a maior graça (como no cartaz do “Cavalo de Troia”).  Mas Mel triunfou assim mesmo, ao interpretar cinco papéis e ainda foi roteirista, diretor, produtor, compositor e liricista para os dois números musicais. E ainda nos deixou com vontade de ver “Hitler no Gelo” na parte 2.

“History of the World – Part 1” is not Mel Brooks’ best film. Mel was at his best in the 1970s. But pay attention to the details: in them you find the best jokes (like in the “Trojan Horse” poster). But Mel triumphed, playing five roles and working as writer, director, producer, composer and also songwriter for the two musical numbers. And he even made us want to see “Hitler on Ice” in Part 2.

This is my contribution to the Mel Brooks Blogathon, hosted by Louis at The Cinematic Frontier and honoring the legend who turns 90 today.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Harold Lloyd – um adorável nerd

Eu uso óculos. Na verdade, toda minha família usa óculos. Muitas pessoas que eu admiro usam óculos. E não é de se espantar que eu ache óculos um acessório sexy. Você talvez nunca tenha achado óculos sexy, mas eles realmente me atraem – em especial se estiverem no rosto de uma pessoa charmosa, simpática e de bom coração. E você provavelmente nunca achou Harold Lloyd sexy – mas eu o considero o mais fofo dos nerds do cinema mudo.
I wear glasses. In fact, my whole family wear glasses. Many people that I admire wear glasses. And it is not surprising that I think glasses are sexy. Maybe you have never thought glasses could be sexy, but they really attract me – especially if they are on the face of someone who is charming, nice and has a heart of gold. And you probably never thought Harold Lloyd could be sexy – but I consider him the cutest nerd of silent cinema.
O Harold Lloyd dos filmes mudos é o molde perfeito do loser. Ele é muito atrapalhado, sempre se torna alvo de gozação, mas está cheio de boas intenções e mantém sempre um grande sorriso no rosto.
Silent Harold Lloyd is the perfect example of the loser. He is very goofy, is always bullied and laughed at, but has a lot of good intentions and keeps a huge smile in his face.
Harold estreou no cinema em 1913, e a partir de 1915 ele passou a interpretar o personagem Lonesome Luke. Para atrair o público, na época e também agora, era preciso desenvolver uma persona identificável. Lonesome Luke era facilmente reconhecido por seu bigode, entretanto era muito semelhante ao vagabundo de Chaplin.
Harold entered the movie business in 1913, and in 1915 he started to play a character called Lonesome Luke. To attract the public, then and also now, some actors had to develop an identifiable persona. Lonesome Luke was easily indentified by his moustache, but he was very similar to Chaplin's tramp.
E foi quando Harold, com a ajuda de Hal Roach, desenvolveu um personagem original que ele encontrou seu lugar ao sol em Hollywood. Em 1917 surgiu o personagem “Glasses” - um garoto comum, que em muitos filmes recebia o nome de Harold. Em uma entrevista em 1962, Lloyd declarou sobre seus óculos: “eles mais ou menos me colocaram em uma categoria diferente porque eu me tornei um ser humano. Meu personagem era o garoto que mora na casa ao lado ou na sua rua, mas que ao mesmo tempo podia fazer todas as coisas malucas que fazíamos antes [com Lonesome Luke], mas era crível. Era algo natural e o romance era crível”.
And it was only when Harold, with Hal Roach's help, developed an original character that he found his place in the sun in Hollywood. In 1917 the character “Glasses” appeared – he was a regular boy, and in many films was named Harold. In an interview in 1962, Lloyd recalled about his glasses: “"it more or less put me in a different category because I became a human being. He was a kid that you would meet next door, across the street, but at the same time I could still do all the crazy things that we did before, but you believed them. They were natural and the romance could be believable."
São muitos os filmes, entre longas e curtas-metragens, em que Harold conquistou meu coração – e o do público também. São especialmente adoráveis os filmes em que Harold quer conquistar uma garota, mas não sabe muito bem como (por exemplo, em “Ask Father”, 1919, “Harold, Neto Mimado”, 1922 e as obras-primas “OHomem-Mosca”, 1923, e “O Calouro”, 1925). E há também os filmes com situações mais mundanas, como “Just Neighbors” (1919), que foi o primeiro curtas-metragem de Harold Lloyd que eu vi.
In many of his films, both shorts and features, Harold Llloyd conquered me – and also the audience. There are adorable films in which Harold tries to get a girl (like “Ask Father”, 1919, “Grandma's Boy”, 1922 and the masterpieces “Safety Last!”, 1923, and “The Freshman”, 1925). And there are also the films showing daily situations, like “Just Neighbors” (1919), the first short film I've ever seen from Harold.
É difícil apontar precisamente o que tornava esta persona de Harold Lloyd tão amável. Provavelmente era a maneira com que o público se identificava com ele, e torcia por ele. Talvez fossem mesmo os óculos. Mas o fato é que Harold é carismático e apaixonante. Afinal, não é à toa que Harold Lloyd e seu adorável loser de óculos tenha servido de inspiração para Clark Kent, o jornalista comportado mais famoso dos quadrinhos – e, secretamente, um herói. Igualzinho a Harold Lloyd.
It's difficult to point out precisely what made Harold Lloyd's persona so easy to love. It probably was because the public had an identification with him, and therefore rooted for him. Maybe it was the glasses, after all. The truth is that Harold is charismatic and lovely. And that's why Harold Lloyd and his cute loser with glasses were the inspiration for Clark Kent, the most famous well-behaved journalist from comic books – who was secretely a hero. Just like Harold Lloyd.
This is my contribution to the Reel Infatuation blogathon, hosted by lovely ladies Ruth and Maedez at Silver Screenings and Font and Frock.

sábado, 11 de junho de 2016

Fúria / Fury (1936)

Às vezes precisamos de um soco no estômago. Um soco metafórico, obviamente: algo que nos tire da zona de conforto, que nos incomode, que nos deixe insatisfeitos com nós mesmos. Isso é possível com muitos filmes. Isso aconteceu comigo vendo o primeiro filme feito por Fritz Lang em Hollywoo, “Fúria” (1936), que tenta responder duas perguntas principais: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? E como isso pode destruir a bondade que existe nelas?

Sometimes we need a punch in the stomach. A metaphoric punch, obviously: something to take us out of our comfort zone, to bother us, to leave us dissatisfied with ourselves. This is possible with many films. This happened to me while I was watching Fritz Lang's first Hollywood film, “Fury” (1936), that tries to answer two main questions: Why bad things happen to good people? And how can these things destroy the goodness in those people?
Joe Wilson (Spencer Tracy) era um cara legal. Ele queria se casar com seu grande amor, Katherine Grant (Sylvia Sidney), mas para isso precisava juntar dinheiro. Ele prospera junto dos irmãos com um posto de gasolina em Chicago, enquanto Katherine vai trabalhar em outra cidade. Quando Joe finalmente consegue o dinheiro, decide ir até sua amada, acompanhado de seu fiel cachorro Rainbow (Terry, mais conhecido por interpretar Toto em “O Mágico de Oz” em 1939). E no caminho começam os problemas.

Joe Wilson (Spencer Tracy) was a nice guy. He wanted to marry his sweetheart, Katherine Grant (Sylvia Sidney), but to do it he needed to save money. He does well with his brothers in a gas station in Chicago, while Katharine goes to work in another town. When Joe finally gets enough money, he decides to go meet his sweetheart, carrying along his loyal dog Rainbow (Terry, best known for playing Toto in “The Wizard of Oz” in 1939). And then troubles start.
Joe é detido na estrada e levado para ser interrogado sobre o sequestro de uma moça. Infelizes coincidências levam o delegado a acreditar que Joe sabe algo sobre o crime, e ele é preso até que os fatos sejam apurados. Mas não dá tempo de descobrir a verdade: em pouco tempo se espalha a notícia de que um envolvido no sequestro foi preso, e ninguém quer saber a versão de Joe antes de formarem uma opinião sobre ele. Em uma poderosa e sábia metáfora envolvendo pessoas fofoqueiras e galinhas cacarejantes, fica claro que a verdade é o que menos importa quando os ânimos estão em ebulição.

Joe is stopped on the way and taken to be asked about the kidnapping of a girl. Unfortunate coincidences make the sheriff believe that Joe knows something about the crime, and he is arrested until the facts are checked. But there is no time to find out the truth: quickly the news about a man involved in the kidnapping being arrested spread through town, and nobody wants to know Joe's version before making a judgement about him. In a powerful and wise metaphor involving people who spread gossips and sassy chickens, it becomes clear that the truth is the less important thing when there is too much animosity.
E é por isso que eles colocam fogo na delegacia – e vibram com a ideia de Joe sendo queimado vivo. Quando os verdadeiros sequestradores são presos e confessam o crime, todos os moradores que apoiaram o linchamento preferem esquecer o infortúnio. Mas Joe, que sobreviveu, não esquecerá: ele quer vingança, e mais nada. E há um povoado inteiro a ser julgado e condenado – não apenas os 22 homens acusados de homicídio, mas suas famílias, as pessoas que passaram adiante o boato, e as que se deliciaram com a morte de um inocente.

And that's why they burn down the jail – and rejoice with the idea of Joe being burned alive. When the real kidnappers are arrested and confess the crime, all the people who supported the lynching prefer to forget the misfortune. But Joe, who survived, won't forget: he wants revenge, and nothing else. And there is a whole town to be condemned – not only the 22 people indicted for murder, but their families, the people who spread the rumors and the ones who became happy with the death of an innocent man.
A verdade é que somos julgados diariamente – e em geral por pessoas que têm pouca ou nenhuma moral para nos julgar. E é quando isso acontece que ficamos menos esperançosos com relação à humanidade, perdemos a confiança em outras pessoas e até mesmo pensamos em vingança. Isso já aconteceu comigo.

The truth is that we are all judged every day – and in general by people who have no moral to judge us. And it is when this happens that we lose hope for mankind, can't trust people and even think about revenge. This already happened to me.

Este é um dentre muitos filmes sobre o perigo das massas sedentas por justiça, nem um pouco abertas ao diálogo. Outros filmes com o tema são “Consciências Mortas” (1943) e “”O Sol é para Todos” (1962). Há também um tema menos abordado, que é a corrupção por amizade. Todos na cidade querem defender os culpados – porque, no fundo, todos são também um pouco culpados, inclusive o delegado.

This is one among many movies about the dangers of the mobs looking for justice and not interested in dialog. Other movies about the theme are “The Ox-Bow Incident” (1943) and “To Kill a Mockingbird” (1962). There is also a less common theme, the 'corruption by friendship'. Everybody in the city want to stand for the guilty ones – because, deep down inside, they are all guilty, including the sheriff.
Spencer Tracy está ótimo em momentos tão contrastantes: do moço apaixonado ao sobrevivente cheio de ódio, ele brilha e convence, embora o destaque seja para sua versão mais sombria. Walter Abel também está espetacular como o advogado de acusação, que usa muito a técnica de “você pode apagar uma pergunta da ata, mas não da mente dos jurados”.

Spencer Tracy is great in very distinct moments: from the young man in love to the survivor full of rage, he shines and is convincing, although he is better as the darkest version. Walter Abel is also spectacular as the district attorney, who uses the technique of “you can erase an answer from the report, but not from the jury's minds”.
Fritz Lang havia acabado de sair da Alemanha nazista, e podemos ver reflexos de seu último filme alemão, “M” (1931), em “Fúria”. Entretanto, Lang estava mergulhando em um problema atual de seu novo país, o linchamento, e conseguiu fazer um filme pertinente não apenas para 1936, mas também para os dias atuais. Em “Fúria”, aprendemos que às vezes a razão não consegue vencer a bestialidade. Mas é sempre bom tentar manter a razão – afinal, é ela que nos torna humanos.

Fritz Lang had just left Nazi Germany and we can see an influence from his last German film, “M” (1931), in “Fury”. However, Lang was dealing with a current problem happening in his new country, lynching, and was able to make a pertinent film not only for 1936, but also nowadays. In “Fury”, we learn that sometimes reason cannot defeat bestiality. But it is always good to try to keep reason – after all, it is reason that makes us human.

This is my contribution to the Order in the Court! The Classic Courtroom Movies blogathon, hosted by Theresa and Lesley at Cinemaven’s Essays from the Couch and Second Sight Cinema.
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