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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Gene Kelly: o mago da dança

Diz o ditado que uma imagem vale mais que mil palavras. Um vídeo, então, deve valer mais que um milhão de palavras. O que eu sei é que todo vídeo de Gene Kelly dançando me deixa sem palavras. Por isso vou deixar o próprio Gene maravilhar vocês hoje. Os vídeos foram editados por mim.

It's known that a picture is worth a thousand words. Then, a video should be worth more than a million words. I only know that whenever I see a video of Gene Kelly dancing, the words escape me. That's why today Gene will be the one amazing you.
The videos below were all edited by me.







This is my contribution to the GottaDance! Blogathon, hosted by Bonnie at Classic Reel Girl.

domingo, 22 de maio de 2016

A Nós a Liberdade / A Nous La Liberté (1931)

Todos os dias eu durmo e acordo com um poster de “A Nós a Liberdade” em cima da cabeceira da minha cama. Dos oito posters que enfeitam o meu quarto, este é o mais esquisito, o mais diferente, o que representa o filme mais desconhecido de todos ali. Escolhi-o não pela estética (embora a ilustração seja adorável), mas pelo meu grande amor por este filme, sem dúvida meu favorito de todo o maravilhoso cinema francês.

Every day I go to sleep and wake up with an “À Nous La Liberté” poster over my bed. I have eight movie posters in my bedroom, and this one is the weirdest, the most different, the only one from an obscure movie. I chose it not because of esthetical issues (OK, the illustration IS adorable), but because I love this film a lot, and it is without a doubt my favorite French film of all time.
Vi o filme pela primeira vez apenas com o intuito de riscá-lo da lista dos “1001 filmes para ver antes de morrer”. Mas ele me pegou de jeito, me conquistou, me surpreendeu, e se tornou inesquecível. A primeira e óbvia surpresa foi a semelhança com “Tempos Modernos” (1936), o que resultou até em um processo do estúdio francês em cima de Charles Chaplin.

I watched the film for the first time only because I wanted to check it out from the list of the “1001 movies you should see before you die”. But the film grabbed me, conquered me, surprised me, and became unforgettable. The first and most obvious surprise was how it resembles “Modern Times” (1936), and this fact led the French studio to sue Charles Chaplin.
Dois amigos estão na cadeia, e fazem juntos um plano de fuga. Na hora de executar o plano, apenas um deles, Louis (Raymond Cordy) consegue escapar. O outro amigo, Émile (Henri Marchand) vai ficar mais algum tempo na cadeia. Louis consegue um emprego em uma fábrica e aos poucos vai subindo de posto, até se tornar gerente. E é aí que o amigo volta a cruzar sua vida: Émile consegue um emprego na linha de montagem da fábrica, e Louis passa a temer que a verdade sobre seu passado seja descoberta.

Two friends are in jail, and make a plan to escape. When they plan their plan to work, only one of them, Louis (Raymond Cordy) escapes. The other pal, Émile (Henri Marchand) stays in he jail a little longer. Louis gets a job in a factory and little by little he gets promotions and becomes the manager. And then his friend returns: Émile gets a job at the assembly line in the factory, and Louis fears that his criminal past is discovered.
Mas a última coisa que Émile, um homem de bom coração, quer fazer é chantagem. Seu desejo é conquistar Jeanne, secretária da fábrica. E a animosidade entre Émile e Louis não dura muito: o tempo não mudou a amizade dos dois.

But Émile has a heart of gold, and he doesn't want to blackmail his old friend. His desire is to conquer Jeanne, a secretary at the factory. And any hostility between Émile and Louis is not something to last: time hasn't changed their friendship.
Você já deve conhecer a ousadia de “Os Guarda-Chuvas do Amor”, de 1964, um filme em que tudo é dito através de música. Não há diálogos, só música. Diferente? Sim! Inovador? Não. “A Nós a Liberdade” também usa este recurso, e sua música é muito simples e repetitiva. Mas isso não é um problema: o cinema no mundo todo estava aprendendo a falar, e a canção dá uma cadência especial à obra – como a repetição de ações em uma linha de montagem. Posso dizer sem medo que “A Nós a Liberdade” é o primeiro musical de altíssima qualidade da história.

You must already have heard about “The Umbrellas of Cherbourg” (1964), a film in which everything is said through music. There is no dialog, only music. Different? Yes! Groundbreaking? No. “À Nous la Liberté” also used this resource, and its music is very simple and repetitive. But this is not all: cinema all over the world was learning how to talk, and the song gives a special rhythm to the film – like the repeated actions done in the assembly line. I can say with no fear that “À Nous la Liberté” is the first top-notch musical in film history.
René Clair
René Clair não estava nem um pouco satisfeito com a chegada do som ao cinema. Em seus primeiros filmes falados, ele fez muitas experimentações, como a deste filme envolvendo supostas flores cantantes e um toca-discos. Se os filmes mudos de René Clair usavam muito da fantasia, seus primeiros filmes falados tinham também um toque fantástico no uso do som, que era tudo, menos realista. E o mais interessante em “A Nós a Liberdade” é o fato de a fábrica onde Louis e Émile trabalham ser um local que fabrica justamente vitrolas – ou seja, a nova vida dos amigos gira em torno do som.

René Clair wasn't happy with the arrival of sound. In his first sound films, he did many experiences, and in this film here we have one involving singing flowers and a phonograph. If René Clair's silent films had a lot of fantasy, his early talkies had a fantastical touch in the use of sound, that was never used realistically. And the most interesting thing to notice in “À Nous la Liberté” is that Louis and Émile work in a phonograph factory – their lives now are built around sound.
“A Nós a Liberdade” é um filme que me faz sentir bem. Sempre paro para ver quando ele está na televisão. Há comédia, romance, crítica social, ação, amizade e música em apenas 82 minutos de filme. E, o que mais me atrai, é um filme com um desfecho não previsível (a imagem do pôster foi inspirada nas cenas finais). É um filme lindo, inovador, e meu favorito de toda a história do cinema francês. J'aime “À Nous la Liberté”!

“À Nous la Liberté” is a feel-good movie to me. I always stop and watch it when it's on TV. There is comedy, romance, social issues, action, friendship and music in only 82 minutes. And something that always atracts me: it is not a film with a predictable ending (the image in the poster is inspired by the final scenes). It is a beautiful, innovative movie, and my personal favorite of all French cinema. J'aime “À Nous la Liberté”!

This is my contribution to the Classic Movie Ice Cream Social, hosted by Fritzi at Movies, Silently.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Puxe a Alavanca, Max! Professor Fate e a vilania

Pull the Button, Max! Professor Fate and villainy

Um grande filme de comédia feito por um dos melhores diretores do gênero. Um filme que é, além do mais, uma ode ao cinema mudo. Um vilão que é simplesmente mau – e adora isso. E mais: um vilão que serviu de molde para outros tantos. A atuação que Jack Lemmon considerava sua melhor. São estes os ingredientes de “A Corrida do Século”, um filme dominado pelo maravilhoso vilão Professor Fate.

A great comedy movie made by one of the best directors in the genre. A film that is also an ode to silent film. A villain that is simply up to no good – and loves it! And more: a villain that was an inspiration to many others. It’s the performance Jack Lemmon considered his best. These are the ingredients of “The Great Race”, a film dominated by the wonderful villain Professor Fate.
O Grande Leslie (Tony Curtis) entra em uma corrida transcontinental de Nova York a Paris. A repórter Maggie DuBois (Natalie Wood) faz de tudo para cobrir o grande evento, como jornalista e como participante. Quem quer atrapalhar a proeza de Leslie é o Professor Fate (Jack Lemmon), e ele será capaz de todas as trapaças imagináveis, sempre com a ajuda (ou os atos atrapalhados) de Max (Peter Falk).

The Great Leslie (Tony Curtis) joins a transcontinental car race from New York to Paris. Journalist Maggie DuBois (Natalie Wood) also wants to take part in the event, both as a reporter and a competitor. And to stop Leslie from winning we have Professor Fate (Jack Lemmon), a man willing to do any kind of cheating, always with Max’s (Peter Falk) help (or rather the confusing acts).
O filme é ambientado em 1908, e foi concebido por Blake Edwards como uma homenagem às comédias do cinema mudo. A grande guerra de tortas, a confusão das portas e os créditos são as homenagens mais óbvias. Entretanto, o que não ajuda muito na reputação do cinema silencioso é a construção estereotipada do Professor Fate como vilão. Ele é uma cópia óbvia de Snidely Whiplash, o antagonista de Dudley Do-Right criado em 1961, em uma paródia dos filmes mudos. É de Snidely que vem a imagem errada de que os vilões dos filmes de 100 anos atrás se limitavam a amarrar moças na linha do trem.

The film is set in 1908 and was envisioned by Blake Edwards as a tribute to silent film comedies. The huge pie fight, the confusion of the doors and the credits are the most obvious tributes. However, something that does not help with the reputation of silent films is the stereotyped construction of Professor Fate as a villain. He is an obvious copy of Snidely Whiplash, the villain who fought Dudley Do-Right since 1961, in a silent film parody. From Snidely we see coming the wrong image of silent film villains tying girls to railroad tracks.
E Maggie está muito longe de ser uma donzela indefesa. A personagem é a mais bem construída do filme, e sua independência ressoa bem tanto em 1965 quanto hoje.

Maggie is far from being a damsel in distress. Her character is the best one in the movie, and her independence makes a good impression both in 1965 and nowadays.

Talvez mais interessante ainda que “A Corrida do Século” seja o desenho animado que ela inspirou. Sim, eu estou falando da inesquecível Corrida Maluca. O Professor Fate inspirou Dick Vigarista, seu incompetente capanga Max deu origem a Muttley, o grande Leslie se tornou Peter Perfeito e, obviamente, Maggie DuBois foi a inspiração para Penélope Charmosa.

Even more interesting than “The Great Race” is the cartoon it inspired. Yes, I'm talking about the unforgettable Wacky Races. Professor Fate inspired Dick Dastardly, his incompetent minion Max originated the dog Muttley, the Great Leslie became Peter Perfect and, obviously, Maggie DuBois was the inspiration for Penelope Pitstop.
Professor Fate e Dick Vigarista nos ajudaram a acostumar desde cedo com a ideia de que os vilões podem também ser os personagens mais importantes. Para quem cresceu, como eu, cercado de Disney, contos de fadas, lutas do bem contra o mal e esperanças de “felizes para sempre”, torcer para o vilão era um ato de rebeldia. Mas torcer para um vilão que humano e bastante atrapalhado é totalmente aceitável.

Professor Fate and Dick Dastardly helped us get acquainted since an early age with villains that are also the most important characters in a film or cartoon. If you, like me, grew up with Disney, fairy tales, bad against evil and hopes of “happily ever after”, rooting for a villain was an act of rebellion. But rooting for a human, goofy villain is perfectly OK.  

A persona do vilão todo vestido de preto, com capa, cartola e bigode, e sempre pronto para vilanias vem de 1940, da sátira “O Vilão Ainda a Perseguia”. Silas Cribbs, interpretado por Alan Mowbray, quer destruir o personagem de Richard Cromwell, quebrando com frequência a quarta parede para compartilhar seus planos malignos com a plateia. Todas as atuações neste filme são muito exageradas e Silas definitivamente não é um vilão para ser levado a sério.
The image of the villain all dressed in black, with cape, top hat and a moustache, always ready to be bad, comes from 1940, from the satire “The Villain Still Pursued Her”. Silas Cribbs, played by Alan Mowbray, wants to destroy Richard Cromwell’s character, and frequently breaks the fourth wall to share his evil plans with the audience. All the performances in this film are much exaggerated, and Silas definitely isn’t a villain to be taken seriously.
Silas Cribbs, Snidely Whiplash, Dick Vigarista, Professor Fate: quatro vilões com muito em comum. São carismáticos, engraçados e fadados ao fracasso. São vilões que são simplesmente maus – não há explicação para a vilania. Eles nasceram vilões, morrerão vilões e farão maldades enquanto viverem. Agora, se o plano maligno vai ou não funcionar, esta é outra história.

Silas Cribbs, Snidely Whiplash, Dick Dastardly, Professor Fate: four villains with a lot in common. They are charismatic, funny and always fail. They are simply mean villains – there is no explanation for their preference of evil. They were born villains, will die villains and will do villainies as long as they live. But, will the evil plan work? That’s another story!

This is my contribution to the Third Annual Great Villain Blogathon, hosted by evil trio Ruth, Kristina and Karen at Silver Screenings, Speakeasy and Shadows and Satin.

domingo, 15 de maio de 2016

Cinco clássicos para uma ilha deserta

Qual seu dia favorito do ano? Seria seu aniversário? Ou talvez um feriado? Seria o Natal ou a Páscoa? Bem, meu dia favorito do ano (e que eu comemoro como um feriado) é o Dia dos Filmes Clássicos, o maravilhoso 16 de maio.

What is your favorite holiday? Your birthday should be a holiday? Or maybe you prefer Christmas or Easter? Well, my favorite day of the year (and one I celebrate like a holiday) is National Classic Movie Day, the wonderful May 16th.

Eu gosto de muitos filmes, de muitos gêneros. Para um cinéfilo, escolher um filme favorito é uma tarefa difícil. E que tal escolher apenas cinco para levar para uma ilha deserta? O desafio foi lançado, e esta é minha lista dos cinco clássicos que eu veria muitas e muitas vezes na minha ilha, até ser resgatada e, assim, poder ver mais clássicos.

I love many films, from many genres. For a cinephile, to choose a favorite film is a difficult task. And how about choosing five films to take to a desert island with you? The challenge was given, and this is my list of five classic movies I'd watch over and over again in my island, until I could be rescued to see more classics.
1- Ben-Hur (1925): Qualquer um enlouqueceria em uma ilha deserta se não tivesse apoio espiritual. Por isso meu filme religioso favorito seria item indispensável na bagagem. Além de ter uma história linda e inspiradora, este filme mudo tem sequências em Technicolor de tirar o fôlego!

1- Ben-Hur (1925): Anyone would freak out in a desert island without spiritual support. That's why my favorite religious film would be an essential item. Besides the wonderfully inspiring story, this silent movie has breathtaking sequences in two-strip Technicolor!
2- Sem Novidade no Front (1930): Ter uma ilha deserta só para você pode parecer maravilhoso, mas cedo ou tarde você sentirá falta de pessoas ao seu redor. Por isso, quando chegar a saudade, minha arma será este filme de partir o coração. Depois de vê-lo, ficarei feliz novamente por estar longe das bestialidades que as pessoas são capazes de cometer.

2- All Quiet on the Western Front (1930): Having a desert island only for you may seem wonderful, but sooner or later you'll miss having people around you. When this happens, my solution will be this heartbreaking film. After watching it, I'll be glad again to be far away from the human bestialities.
3- Os Gênios da Pelota (1932): Os irmãos Marx são gênios da comédia, e eu realmente os adoro. Toda vez que “Os Gênios da Pelota”, um filme curto mas engraçadíssimo, passa na TV, eu preciso parar o que estou fazendo e assistir. E toda vez eu acabo descobrindo um trocadilho ou um gracejo que havia me escapado. Não há melhor companhia em uma ilha deserta que Harpo, Chico, Groucho, Zeppo e Thelma Todd!

3- Horse Feathers (1932): The Marx brothers are comedy geniuses, and I really, really love them. Every time “Horse Feathers”, a relatively short but very funny movie, is on TV, I need to stop whatever I'm doing and watch it. And every time I discover a new pun or funny quote that had escaped me earlier. There is no better companion in a desert island than Harpo, Chico, Groucho, Zeppo and Thelma Todd!
4- Nasce uma Estrela (1937): Há filmes que não dá para explicar. Eles simplesmente mexem com a gente, falam com a gente, tocam nossos corações de maneira que os milhares de outros não fazem. “Nasce uma Estrela” tem comédia, drama, romance, bastidores do cinema, Technicolor e lágrimas. É simplesmente um filme importante para mim – e importante para minha sobrevivência na ilha deserta.

4- A Star is Born (1937): There are some films that we cannot explain. They simply move us, talk to us, touch our hearts in a way that other thousands of films haven't done. “A Star is Born” has comedy, drama, romance, the film industry, Technicolor and tears. It's simply an important film to me – and an important film to make me survive in the desert island.
5- Cantando na Chuva (1952): Tenho a impressão de que este filme estará em outras listas de náufragos amantes de clássicos. Simplesmente porque este é o melhor filme para levantar o astral. Sempre que estou triste, uma cena ou canção do filme pode me deixar feliz de novo. Para escapar dos maus momentos na ilha, “Cantando na Chuva” é item obrigatório – mesmo que, a esta altura, eu provavelmente já saiba o filme de cor.

5- Singin’ in the Rain (1952): I have the impression that this film will also be included in other “5 Movies on an Island” lists. Simply because it is the best feel-good movie of all times. If I’m sad, a scene or a song from the movie can make me happy again. To escape from bad mood in the island, “Singin’ in the Rain” is mandatory, even though I probably already know the film by heart.

This is my contribution to the “5 Movies on an Island” blogathon, hosted by Rick at Classic film and TV Cafe.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A Mulher que Soube Amar / Alice Adams (1935)

Se você gosta de cinema clássico, já deve ter ouvido falar do renascimento da carreira de Katharine Hepburn em 1940, dois anos depois de ela ter sido chamada de “veneno de bilheteria”. Mas talvez você não saiba que este foi o segundo renascimento da carreira da moça de pouco mais de 30 anos. Em 1934 ela ganhou seu primeiro de quatro Oscars, mas a RKO lhe continuou lhe oferecendo péssimos papéis. Em 1935 ela conseguiu se recuperar de vários fracassos com uma performance emocionante que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. O filme responsável por este primeiro renascimento foi “A Mulher que Soube Amar”.

If you like classic movies, you must have heard about Katharine Hepburn’s career Renaissance in 1940, two years after she was labeled “box-office poison”. But maybe you don’t know that this was the second Renaissance in the career of the actress in her early thirties. In 1934 she won her first of four Oscars, but RKO Studios kept offering her terrible roles. In 1935 she recovered from a series of film flops with an emotional performance and a second Oscar nomination. The film responsible for this first Renaissance was “Alice Adams”.
Alice Adams (Katharine Hepburn) é filha de um operário que está doente e, por isso, afastado do trabalho. Alice tem um desejo na vida: ser como as garotas ricas da cidade. Ela vai à badalada festa dos Palmer com um vestido que tem há dois anos, e com um buquê de violetas apanhadas na praça. Na festa, apesar de menosprezada pelas meninas, ela mantém o sorriso no rosto. Até me lembrou de mim mesma na adolescência.

Alice Adams (Katharine Hepburn) is the daughter of a sick, out of work factory worker. Alice has one desire in her life: to be like the rich girls in her city. She goes to the trendy Palmer ball wearing a dress she’s had for a couple of years and a bouquet of violets she has gathered from the local square. At the party, she is ignored by the girls, but keeps a huge smile on her face. She even reminded me of my teenage self!
Alice Adams é uma garota otimista, e que acredita com toda força na vida perfeita que ela diz ter. Dentro de casa, despida da falsa extroversão, ela é uma filha carinhosa e preocupada. A mãe de Alice (Ann Shoemaker) insiste que o pai, Virgil (Fred Stone), ganhe mais dinheiro para que a filha possa competir com as meninas ricas da cidade. Ela sugere que Virgil abra uma fábrica para comercializar uma cola superpotente que ele inventou com o patrão, muitos anos atrás.

Alice Adams is an optimistic girl, and she really believes in the perfect life she has invented. When she is with her family, without her fake extroversion, she is a worried and affectionate daughter. Alice's mother (Ann Shoemaker) insists that Alice's father, Virgil (Fred Stone), should earn more money so his daughter can compete with the rich girls from the city.  She suggests that Virgil should open a factory to sell the superglue he has invented with his boss, many years earlier.
Alice Adams” funciona muito bem como uma fábula, resumida na moral da história: “seja você mesma”. Alice aprenderá que jogar o “jogo do contente” de Poliana só serve para jovens órfãs. Para moças enfrentando a dura realidade das diferenças entre as classes sociais, fingir não é a solução.

Alice Adams” works very well as a fable, or a cautionary tale. It can be resumed in the moral lesson “be yourself”. Alice will learn that playing Pollyanna's “glad game” only works for young orphans. If you are a young lady facing the tough reality of social differences, to pretend that everything is OK is not the best solution.
O filme pertence a Katharine Hepburn. Fred MacMurray interpreta Arthur Russell, que se apaixona por Alice, mas não tem muito a fazer além de sorrir e ser muito bonito. Há também a presença breve de Hattie McDaniel. Ela é a última a aparecer nos créditos, e seu nome ainda é escrito como “Hattie McDaniels”. Hattie interpreta a empregada contratada para servir o jantar que Alice organiza para Arthur conhecer a família Adams.

The film belongs to Katharine Hepburn. Fred MacMurray plays Arthur Russell, who falls in love with Alice, but he has few to do in the film besides smiling and being very handsome. There is also Hattie McDaniel in a short appearance. She is the last billed, and her name even appears as “Hattie McDaniels”. Hattie plays the made hired to serve the dinner Alice organizes so Arthur can meet the Adams family.
É impossível não se apaixonar por Alice Adams. Se você já teve problemas para se enturmar, como eu, o filme pode ser um pouco doloroso, mas há também comédia na medida certa na sequência do jantar. Mas a força do filme está em sua protagonista: Katharine Hepburn, linda, nos faz torcer por Alice, e prova pela primeira vez que é capaz de interpretar toda e qualquer emoção.

It's impossible to not fall in love with Alice Adams. If you already had troubles to fit in a group, like I did, the film can be a little painful, but there is also comedy during the dinner sequence. The force of the film, however, is the protagonist: Katharine Hepburn, looking gorgeous, makes us root for Alice, and for the first time she proves that she is able to play all and any emotion on screen.

This is my contribution to The 3rd Annual Great Katharine Hepburn Blogathon, hosted by Kate expert Margaret at MargaretPerry.org

terça-feira, 3 de maio de 2016

Amor na Tarde / Love in the Afternoon (1957)

Chevalier! Hepburn! Cooper! Paris! Fascinação! Tudo no filme nos chama para o romance. É uma história de amor pouco convencional, mas que nas mãos de Billy Wilder se transforma em um longo e delicioso flerte.

Chevalier! Hepburn! Cooper! Paris! Fascination! Everything in this movie is callingus to experience romance. It is an unconventional love story, but, under Billy Wilder’s lenses, it becomes a long and delightful flirtation.
A narração inicial já tem o sotaque inconfundível de Maurice Chevalier. Com malícia, ele fala sobre o amor em Paris, enquanto imagens de casais na cidade se revezam na tela. Maurice interpreta o detetive particular Charles Chavasse, perito em casos extraconjugais.

The initial narration has Maurice Chevalier's unmistakable accent. Full with Malice, he talks aboutlove in Paris, and images of couples pass through the screen. Maurice plays private eye Charles Chavasse, an expert in extramarital affairs.

Chavasse não quer que a sordidez de seu trabalho interfira na vida e nas ideias de sua filha Ariane (Audrey Hepburn), uma ingênua violoncelista. Ela, entretanto, se entretém lendo os arquivos sórdidos sobre os casos investigados pelo pai, e se interessa por uma figura que aparece em vários casos: Frank Flannagan (Gary Cooper), milionário e mulherengo americano.
Chavasse doesn't want his sordid work to interfere in his daughter's Ariane (Audrey Hepburn) life and ideas. Ariane is a naïve cello player. Nevertheless, she entertains herself by reading the files of the cases in which her father has worked. She gets interested for a man appearing in several cases: Frank Flannagan (Gary Cooper), American millionaire and womanizer.
Ariane descobre que um marido ciumento tem a intenção de matar Flannagan. Com uma técnica nada convencional, ela salva Flannagan, mas se torna mais uma vítima dele. Ariane está apaixonada. Ou seria Flannagan vítima dela? Afinal, Ariane se comporta de maneira misteriosa e inventa que muitos homens já passaram em sua vida. Nenhum dos dois quer se apaixonar. Mas é exatamente isto que acontece.

Ariane finds out that a jealous husband has the intention to kill Flannagan. With a very unconventional technique, she saves Flannagan, but becomes another of his victims. Ariane is in love. Or maybe it's Flannagan a victim of hers? After all, Ariane has a mysterious behavior and lies, saying that many men have passed through her life. Not Flannagan nor Ariane wanted to fall in love with each other. But this is exactly what happens.
É muito difícil apontar qual o filme do diretor e roteirista Billy Wilder com mais inuendos sexuais que passaram despercebidos pelos escritórios do Código Hays. “Irma La Douce” (1963) e “Beija-me, Idiota”(1964) são fortes candidatos, mas “Amor na Tarde” também surpreende, em especial na primeira meia hora. As insinuações lembram os filmes de Ernst Lubitsch, mas não conseguiram agradar a todos: o filme foi um fracasso de bilheteria nos Estados Unidos, porém fez sucesso na Europa.

It’s very hard to point out which film by director and screenwriter Billy Wilder has the biggest number of sexual innuendos that passed easily through the Hays Code’s offices. “Irma La Douce” (1963) and “Kiss Me, Stupid” (1964) are strong contender, but “Love in the Afternoon” also surprises us, especially during the first half hour. The insinuations remind us of Ernst Lubitsch’s films, but they couldn’t please everyone: the movie flopped in the US, but was a success in Europe.
Muitos espectadores se incomodam com a diferença de idade entre Audrey e Gary, que era de 28 anos! O papel de Flannagan foi oferecido primeiro para Cary Grant, 25 anos mais velho que Audrey, mas ele o recusou. Apesar de estar no final da carreira, Cooper mantém um charme inconfundível, e é sabiamente filmado em preto e branco, pois com certeza um filme a cores denunciaria sua idade. Não é inverossímil que Ariane ou qualquer outra jovem se apaixone por ele.

Many filmgoers were bothered by the age difference between Audrey and Gary, who were 28 years apart! The role of Flannagan was offered to Cary Grant, 25 years older than Audrey, but he refused the role. Although he was in the end of his career, Cooper still has an unmistakable charm, and he’s wisely filmed in black and white, because it’s certain that a in color film he would look his age. It’s not unbelievable that Ariane or any other young lady would fall in love with him.
Audrey, em sua versão francesa, está ainda mais adorável (eu, particularmente, adoro o cabelo dela no filme). Ela traz pureza à personagem, algo que faltava na versão original, alemã, de 1931, intitulada simplesmente “Ariane”.

Audrey, as a French, is more adorable than ever (and I particularly Love her hair in this movie). She brings purity to the character, and that’s something missing from the original German version from 1931, called simply “Ariane”.
Filmado em Paris (veja como o Hotel Ritz é lindo!), ousado na medida certa e com uma ótima trilha sonora (afinal, é mais romântico namorar tendo uma banda de ciganos tocando ao vivo), “Amor na Tarde” vai te fazer suspirar.

Shot in location in Paris (see how beautiful the Ritz Hotel is!), daring in its dialogue and with a great soundtrack (because a group of gypsies make any date more romantic, right?), “Love in the Afternoon” will make you sigh.

This is my contribution to the May the 4th be with Audrey Hepburn blogathon, hosted by Diana at Flickin’ Out.

sábado, 23 de abril de 2016

Frank e Ava: uma história de amor

Era uma vez Francis Albert Sinatra, nascido em Hoboken em dezembro de 1915, com uma voz maravilhosa e belos olhos azuis. No começo dos anos 40, ele atraiu multidões para seus shows, e logo depois estreou no cinema. Era uma vez Ava Lavinia Gardner, nascida na Carolina do Norte em dezembro de 1922, uma garota da fazenda cuja beleza foi notada por Hollywood e pouco aproveitada nos primeiros anos. O casal mais bonito do século XX era assim formado.

Once upon a time there was Francis Albert Sinatra, born in Hoboken in December 1915, with a marvelous voice and gorgeous blue eyes. In the early 1940s, he attracted crowds to his shows, and right after he became a movie star. Once upon a time there was Ava Lavinia Gardner,born in North Carolina in December 1922, a country girl whose beauty was noticed by Hollywood and was underused during her first years there. These were the ingredients of the prettiest couple of the 20th century.
O relacionamento de Frank e Ava poderia ser contado de muitas maneiras. Seria possível criar um reality show barato e de qualidade questionável em cima das brigas do casal. Seria possível encher um livro de fofocas sobre eles. Seria possível contar histórias impressionantes e proibidas para menores de 18 anos. Mas este blog não foi, não é e nunca será, um espaço para fofoca. Hollywood Babylon é outra coisa. O foco aqui será nos momentos bons do casal, aqueles momentos que ficam marcados na memória e que foram os responsáveis pela paixão eterna entre Frank e Ava.

Frank and Ava's relationship could be recounted in many ways. A cheap reality show could be created with their quarrels. A book could be written about them. Impressive X-rated stories could be told. But this blog isn't, has never been and will never be a place for gossip. Hollywood Babylon is somewhere else. Our focus here will be the good moments the couple shared, the ones responsible for their never ending passion.

Em 1948, Frank e Ava já haviam se encontrado algumas vezes. A primeira vez foi em 1940, quando Ava tinha acabado de chegar a Hollywood. Frank se lembra de que a considerou bonita, mas jovem demais para ele. Três anos depois, eles dançaram juntos em uma festa, mas Frank estava acompanhado de Lana Turner, e Ava, de Howard Hughes.

In 1948, Frank and Ava had met each other a few times already. The first one was in 1940, and Ava had just arrived in Hollywood. Frank remembered that he thought she was pretty, but too young. Three years later, they danced together in a party, but Frank was with Lana Turner and Ava with Howard Hughes.  
Em 1948, Ava Gardner já havia se casado duas vezes: primeiro com Mickey Rooney, depois com Artie Shaw. Os dois casamentos acabaram em divórcio. Em 1948, Frank estava ainda em seu primeiro casamento, e sua filha mais nova, Tina, tinha acabado de nascer. Em uma noite fatídica de 1948, Frank estava no terraço de sua cobertura em Hollywood e o amigo e compositor Sammy Cahn apontou a casa de Ava, descendo a Sunset Strip.

In 1948, Ava Gardner had already married twice: with Mickey Rooney, then with Artie Shaw. Both marriages ended in divorce. In 1948 Frank was still in his first marriage, and his younger daughter  Tina had just been born. In a fatidic night in 1948, Frank was in the balcony in his Hollywood penthouse, and his friend, composer Sammy Cahn, pointed to Ava's house, that was down Sunset Strip.

Maliciosamente, Frank a chamou, e a inconfundível voz de veludo foi reconhecida. Ava apareceu na janela e acenou. Dias depois eles se encontraram pessoalmente e começaram a sair. Em 1950, Frank se divorciou de sua esposa Nancy. Em 1951, ele e Ava se casaram em uma pequena cerimônia.

With malice, Frank called her, and his unmistakable voice was recognized. Ava waved from her window. A few days later they met and started to date. In 1950  Frank divorced his wife Nancy. In 1951, he and Ava had a small wedding ceremony.
Frank e Ava eram como dois compostos químicos, que até se misturavam, mas logo causavam uma violenta reação. Foi um relacionamento explosivo desde o começo, com sexo, álcool, traições, discussões e pedidos de desculpa. Para Frank Sinatra e Ava Gardner, a vida deveria ser encarada de maneira intensa.

Frank and Ava were like two chemical substances. They could even mix, but a violent reaction would follow. It was an explosive relationship since the beginning, with sex, alcohol, betrayal, arguments and apologies. In Frank's and Ava's opinions, life should be lived with intensity.

Quando o casamento começou a ruir, parecia a história de “Nasce uma Estrela”: a esposa ia conquistando mais e mais sucesso, enquanto o marido perdia seu lugar no show business. À frente de Ava estavam papéis icônicos em “Mogambo” (1953) e “A Condessa Descalça” (1954). Frank estava longe do cinema desde 1951, e via sua popularidade minguando com o surgimento do rock’n roll.

When the marriage started to go down, it was like the storyline of “A Star is Born”: the wife was becoming more and more successful, while the husband lost his place in show business. Ava would soon act in iconic films such as “Mogambo” (1953) and “The Barefoot Contessa” (1954). Frank didn't make a movie since 1951 and his popularity as a musician was going down with the rise of rock'n roll.
Em 1953, Sinatra conseguiu, graças à esposa, um papel no filme “A um Passo da Eternidade / From Here to Eternity”, que deu nova vida à sua carreira e lhe rendeu um Oscar. Na mesma época, Ava foi filmar na Europa. O relacionamento já cambaleava, e em 1954 Ava pediu o divórcio.

In 1953, thanks to his wife, Sinatra landed a part in the movie “From Here to Eternity”, the one that gave new life to his career and gave him an Oscar. At the same time, Ava went to work in Europe. The relationship was deteriorating, and in 1954 Ava asked for the divorce.

A separação definitiva só veio em 1957. Até lá, e mesmo depois, os encontros amorosos não pararam, muito menos as brigas. Frank e Ava continuaram próximos até a morte dela.

Definitive separation only came in 1957. Until there, and even later, the romantic dates and the fights didn't stop. Frank and Ava remained close until her death.

Do relacionamento sobrou um amor imenso e a paixão de Ava por Corgis. No Natal de 1953, Frank deu a Ava um Corgi, que batizou de Rags, e a partir daí esta se tornou a raça de cão favorita de Ava. Ela nunca mais dispensou a companhia dos Corgis. Após sua morte, em 1990, seu último cachorro, Morgan, foi viver com o amigo de Ava, Gregory Peck.

From the relationship there was left a huge love and Ava's passion for corgis. On Christmas Day, 1953, Frank gave Ava a corgi named Rags, and from then on the corgis became Ava's favorite dog breed. She never again was seen without a corgi. After her death, in 1990, her last dog, Morgan, went to live with her close friend Gregory Peck.
Ava Gardner nunca mais se casou. Frank Sinatra se casou mais duas vezes. Eles, entretanto, nunca esqueceram um do outro, e jamais superaram a separação. Frank e Ava são um caso não tão raro de um par perfeito arruinado pelo casamento. O casal mais bonito e explosivo de Hollywood não viveu feliz para sempre, mas o amor nunca acabou.

Ava Gardner never remarried. Frank Sinatra married two other times. Nevertheless, they never forgot each other, and never got over the separation. Frank and Ava are a not so rare case of a perfect match ruined by marriage. The prettiest and most explosive couple in Hollywood didn't live happily ever after, but there was always love.

*As informações deste post foram obtidas de textos escritos por James Kaplan, biógrafo de Frank Sinatra.

*Information in this post was taken from texts by Frank Sinatra's biographer James Kaplan.

This is my contribution to the Star-Studded Couple Blogathon, hosted by Phyllis at Phyllis Loves Classic Movies.
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