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terça-feira, 28 de junho de 2016

A História do Mundo – Parte 1 / History of the World – Part I (1981)

As paródias são tão antigas quanto a própria arte. Assim que a arte séria é criada, logo depois surge a paródia. Isso não foi diferente no cinema. E, se me perguntassem quem é responsável pelas melhores paródias da história do cinema, eu responderia em um segundo: Mel Brooks. Mel é o homem que zoou Drácula, Frankenstein, Hitchcock, e gêneros inteiros como o suspense e o western. E não é de se espantar que ele se aventurasse também pelo gênero épico, no filme que, além de tudo, deu origem a este GIF maravilhoso:

Parodies are as old as art itself. Right after serious art is created, the parody comes. This wasn’t different in film history. And, if I was asked who is responsible for the best film parodies ever, I’d answer in a second: Mel Brooks. Mel is the man who mocked Dracula, Frankenstein, Hitchcock and whole genres such as thriller and western. So we should expect that Mel mocked also the epic genre, in a film that, besides everything, gave us this wonderful GIF:
Começando com a pré-história (com a clássica música “Assim falou Zaratrusta”), e passando por outros quatro esquetes de duração variável, Mel Brooks nos mostra a “evolução” do homem e também a origem de coisas como a arte (e a consequente origem do crítico de arte), a música e a comédia.

Starting with “the dawn of men” (with the classic song “Also sprach Zarathustra”), and going through four other sketches of different durations, Mel Brooks shows us the human “evolution” and also the origin of stuff such as art (and consequently, the origin of the art critic), music and comedy.

Na sequência de Roma, Mel é Comicus, um “filósofo stand-up”, que consegue a oportunidade de se apresentar no Caesar's Palace. Pelas ruas de Roma ele conhece o escravo Josephus (Gregory Hines) e a virgem Miriam (Mary-Margaret Humes).

In the Roman sketch, Mel plays Comicus, a “stand-up philosopher” Who has the chance to perform at Caesar’s Palace. In the streets of Rome he meets the slave Josephus (Gregory Hines) and the vestal virgin Miriam (Mary-Margaret Humes).
É impagável, entretanto, o musical da Inquisição, com direito a sapateadores e freiras nadadoras ao estilo de Esther Williams. Não chega a ser melhor que o esquete do Monty Python, mas é a melhor parte do filme.

However, the most priceless bit is the Inquisition musical that has even tap dancers and swimming nuns inspired by Esther Williams. It’s not better than the Monty Python “Spanish Inquisition” sketch, but this is the best part of the film.



O que me incomodou neste filme é o tanto que ele é sexista. Muitas vezes as mulheres são tratadas como objetos (embora a imperatriz interpretada por Madeline Kahn também trate os homens como objetos), e focado em sexo para fazer rir, da mesma maneira que tantas comédias fazem e sofrem ainda hoje. Não posso culpar uma má fase de Mel Brooks, pois ainda nos anos 80 ele faria filmes menos explícitos e apelativos como “Sou ou não Sou?” (1983, como ator e produtor) e “SOS – Tem um louco solto no espaço” (1987, como ator e diretor).

What really bothered me in this film was sexism. It often treats women like objects (although the empress played by Madeline Kahn also treats men like objects) and it focuses on sex to make people laugh, in the same poor way many comedies do still today. I can’t say it was a bad phase for Mel Brooks, because in the 1980s he also made less explicit films such as “To be or not to be?” (1983, as actor and producer) and “Spaceballs” (1987, as actor, producer and director).
Mel convidou uma voz ilustre para ser o narrador: Orson Welles. É verdade que a voz inconfundível de Welles só é ouvida muito brevemente no começo de cada esquete, mas mesmo assim Welles ganhou 25 mil dólares pelo trabalho – que foi todo gravado em uma manhã.

Mel invited an illustrious voice to be the narrator: Orson Welles. It is true that Welles’ iconic voice is only heard briefly at the beginning of every sketch, but Welles was paid 25 thousand dollars for his work – that was all recorded in a morning.
“História do Mundo – Parte 1” não é o melhor filme de Mel Brooks, que esteve no auge nos anos 70. Mas preste atenção nos detalhes: é neles que está a maior graça (como no cartaz do “Cavalo de Troia”).  Mas Mel triunfou assim mesmo, ao interpretar cinco papéis e ainda foi roteirista, diretor, produtor, compositor e liricista para os dois números musicais. E ainda nos deixou com vontade de ver “Hitler no Gelo” na parte 2.

“History of the World – Part 1” is not Mel Brooks’ best film. Mel was at his best in the 1970s. But pay attention to the details: in them you find the best jokes (like in the “Trojan Horse” poster). But Mel triumphed, playing five roles and working as writer, director, producer, composer and also songwriter for the two musical numbers. And he even made us want to see “Hitler on Ice” in Part 2.

This is my contribution to the Mel Brooks Blogathon, hosted by Louis at The Cinematic Frontier and honoring the legend who turns 90 today.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Harold Lloyd – um adorável nerd

Eu uso óculos. Na verdade, toda minha família usa óculos. Muitas pessoas que eu admiro usam óculos. E não é de se espantar que eu ache óculos um acessório sexy. Você talvez nunca tenha achado óculos sexy, mas eles realmente me atraem – em especial se estiverem no rosto de uma pessoa charmosa, simpática e de bom coração. E você provavelmente nunca achou Harold Lloyd sexy – mas eu o considero o mais fofo dos nerds do cinema mudo.
I wear glasses. In fact, my whole family wear glasses. Many people that I admire wear glasses. And it is not surprising that I think glasses are sexy. Maybe you have never thought glasses could be sexy, but they really attract me – especially if they are on the face of someone who is charming, nice and has a heart of gold. And you probably never thought Harold Lloyd could be sexy – but I consider him the cutest nerd of silent cinema.
O Harold Lloyd dos filmes mudos é o molde perfeito do loser. Ele é muito atrapalhado, sempre se torna alvo de gozação, mas está cheio de boas intenções e mantém sempre um grande sorriso no rosto.
Silent Harold Lloyd is the perfect example of the loser. He is very goofy, is always bullied and laughed at, but has a lot of good intentions and keeps a huge smile in his face.
Harold estreou no cinema em 1913, e a partir de 1915 ele passou a interpretar o personagem Lonesome Luke. Para atrair o público, na época e também agora, era preciso desenvolver uma persona identificável. Lonesome Luke era facilmente reconhecido por seu bigode, entretanto era muito semelhante ao vagabundo de Chaplin.
Harold entered the movie business in 1913, and in 1915 he started to play a character called Lonesome Luke. To attract the public, then and also now, some actors had to develop an identifiable persona. Lonesome Luke was easily indentified by his moustache, but he was very similar to Chaplin's tramp.
E foi quando Harold, com a ajuda de Hal Roach, desenvolveu um personagem original que ele encontrou seu lugar ao sol em Hollywood. Em 1917 surgiu o personagem “Glasses” - um garoto comum, que em muitos filmes recebia o nome de Harold. Em uma entrevista em 1962, Lloyd declarou sobre seus óculos: “eles mais ou menos me colocaram em uma categoria diferente porque eu me tornei um ser humano. Meu personagem era o garoto que mora na casa ao lado ou na sua rua, mas que ao mesmo tempo podia fazer todas as coisas malucas que fazíamos antes [com Lonesome Luke], mas era crível. Era algo natural e o romance era crível”.
And it was only when Harold, with Hal Roach's help, developed an original character that he found his place in the sun in Hollywood. In 1917 the character “Glasses” appeared – he was a regular boy, and in many films was named Harold. In an interview in 1962, Lloyd recalled about his glasses: “"it more or less put me in a different category because I became a human being. He was a kid that you would meet next door, across the street, but at the same time I could still do all the crazy things that we did before, but you believed them. They were natural and the romance could be believable."
São muitos os filmes, entre longas e curtas-metragens, em que Harold conquistou meu coração – e o do público também. São especialmente adoráveis os filmes em que Harold quer conquistar uma garota, mas não sabe muito bem como (por exemplo, em “Ask Father”, 1919, “Harold, Neto Mimado”, 1922 e as obras-primas “OHomem-Mosca”, 1923, e “O Calouro”, 1925). E há também os filmes com situações mais mundanas, como “Just Neighbors” (1919), que foi o primeiro curtas-metragem de Harold Lloyd que eu vi.
In many of his films, both shorts and features, Harold Llloyd conquered me – and also the audience. There are adorable films in which Harold tries to get a girl (like “Ask Father”, 1919, “Grandma's Boy”, 1922 and the masterpieces “Safety Last!”, 1923, and “The Freshman”, 1925). And there are also the films showing daily situations, like “Just Neighbors” (1919), the first short film I've ever seen from Harold.
É difícil apontar precisamente o que tornava esta persona de Harold Lloyd tão amável. Provavelmente era a maneira com que o público se identificava com ele, e torcia por ele. Talvez fossem mesmo os óculos. Mas o fato é que Harold é carismático e apaixonante. Afinal, não é à toa que Harold Lloyd e seu adorável loser de óculos tenha servido de inspiração para Clark Kent, o jornalista comportado mais famoso dos quadrinhos – e, secretamente, um herói. Igualzinho a Harold Lloyd.
It's difficult to point out precisely what made Harold Lloyd's persona so easy to love. It probably was because the public had an identification with him, and therefore rooted for him. Maybe it was the glasses, after all. The truth is that Harold is charismatic and lovely. And that's why Harold Lloyd and his cute loser with glasses were the inspiration for Clark Kent, the most famous well-behaved journalist from comic books – who was secretely a hero. Just like Harold Lloyd.
This is my contribution to the Reel Infatuation blogathon, hosted by lovely ladies Ruth and Maedez at Silver Screenings and Font and Frock.

sábado, 11 de junho de 2016

Fúria / Fury (1936)

Às vezes precisamos de um soco no estômago. Um soco metafórico, obviamente: algo que nos tire da zona de conforto, que nos incomode, que nos deixe insatisfeitos com nós mesmos. Isso é possível com muitos filmes. Isso aconteceu comigo vendo o primeiro filme feito por Fritz Lang em Hollywoo, “Fúria” (1936), que tenta responder duas perguntas principais: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? E como isso pode destruir a bondade que existe nelas?

Sometimes we need a punch in the stomach. A metaphoric punch, obviously: something to take us out of our comfort zone, to bother us, to leave us dissatisfied with ourselves. This is possible with many films. This happened to me while I was watching Fritz Lang's first Hollywood film, “Fury” (1936), that tries to answer two main questions: Why bad things happen to good people? And how can these things destroy the goodness in those people?
Joe Wilson (Spencer Tracy) era um cara legal. Ele queria se casar com seu grande amor, Katherine Grant (Sylvia Sidney), mas para isso precisava juntar dinheiro. Ele prospera junto dos irmãos com um posto de gasolina em Chicago, enquanto Katherine vai trabalhar em outra cidade. Quando Joe finalmente consegue o dinheiro, decide ir até sua amada, acompanhado de seu fiel cachorro Rainbow (Terry, mais conhecido por interpretar Toto em “O Mágico de Oz” em 1939). E no caminho começam os problemas.

Joe Wilson (Spencer Tracy) was a nice guy. He wanted to marry his sweetheart, Katherine Grant (Sylvia Sidney), but to do it he needed to save money. He does well with his brothers in a gas station in Chicago, while Katharine goes to work in another town. When Joe finally gets enough money, he decides to go meet his sweetheart, carrying along his loyal dog Rainbow (Terry, best known for playing Toto in “The Wizard of Oz” in 1939). And then troubles start.
Joe é detido na estrada e levado para ser interrogado sobre o sequestro de uma moça. Infelizes coincidências levam o delegado a acreditar que Joe sabe algo sobre o crime, e ele é preso até que os fatos sejam apurados. Mas não dá tempo de descobrir a verdade: em pouco tempo se espalha a notícia de que um envolvido no sequestro foi preso, e ninguém quer saber a versão de Joe antes de formarem uma opinião sobre ele. Em uma poderosa e sábia metáfora envolvendo pessoas fofoqueiras e galinhas cacarejantes, fica claro que a verdade é o que menos importa quando os ânimos estão em ebulição.

Joe is stopped on the way and taken to be asked about the kidnapping of a girl. Unfortunate coincidences make the sheriff believe that Joe knows something about the crime, and he is arrested until the facts are checked. But there is no time to find out the truth: quickly the news about a man involved in the kidnapping being arrested spread through town, and nobody wants to know Joe's version before making a judgement about him. In a powerful and wise metaphor involving people who spread gossips and sassy chickens, it becomes clear that the truth is the less important thing when there is too much animosity.
E é por isso que eles colocam fogo na delegacia – e vibram com a ideia de Joe sendo queimado vivo. Quando os verdadeiros sequestradores são presos e confessam o crime, todos os moradores que apoiaram o linchamento preferem esquecer o infortúnio. Mas Joe, que sobreviveu, não esquecerá: ele quer vingança, e mais nada. E há um povoado inteiro a ser julgado e condenado – não apenas os 22 homens acusados de homicídio, mas suas famílias, as pessoas que passaram adiante o boato, e as que se deliciaram com a morte de um inocente.

And that's why they burn down the jail – and rejoice with the idea of Joe being burned alive. When the real kidnappers are arrested and confess the crime, all the people who supported the lynching prefer to forget the misfortune. But Joe, who survived, won't forget: he wants revenge, and nothing else. And there is a whole town to be condemned – not only the 22 people indicted for murder, but their families, the people who spread the rumors and the ones who became happy with the death of an innocent man.
A verdade é que somos julgados diariamente – e em geral por pessoas que têm pouca ou nenhuma moral para nos julgar. E é quando isso acontece que ficamos menos esperançosos com relação à humanidade, perdemos a confiança em outras pessoas e até mesmo pensamos em vingança. Isso já aconteceu comigo.

The truth is that we are all judged every day – and in general by people who have no moral to judge us. And it is when this happens that we lose hope for mankind, can't trust people and even think about revenge. This already happened to me.

Este é um dentre muitos filmes sobre o perigo das massas sedentas por justiça, nem um pouco abertas ao diálogo. Outros filmes com o tema são “Consciências Mortas” (1943) e “”O Sol é para Todos” (1962). Há também um tema menos abordado, que é a corrupção por amizade. Todos na cidade querem defender os culpados – porque, no fundo, todos são também um pouco culpados, inclusive o delegado.

This is one among many movies about the dangers of the mobs looking for justice and not interested in dialog. Other movies about the theme are “The Ox-Bow Incident” (1943) and “To Kill a Mockingbird” (1962). There is also a less common theme, the 'corruption by friendship'. Everybody in the city want to stand for the guilty ones – because, deep down inside, they are all guilty, including the sheriff.
Spencer Tracy está ótimo em momentos tão contrastantes: do moço apaixonado ao sobrevivente cheio de ódio, ele brilha e convence, embora o destaque seja para sua versão mais sombria. Walter Abel também está espetacular como o advogado de acusação, que usa muito a técnica de “você pode apagar uma pergunta da ata, mas não da mente dos jurados”.

Spencer Tracy is great in very distinct moments: from the young man in love to the survivor full of rage, he shines and is convincing, although he is better as the darkest version. Walter Abel is also spectacular as the district attorney, who uses the technique of “you can erase an answer from the report, but not from the jury's minds”.
Fritz Lang havia acabado de sair da Alemanha nazista, e podemos ver reflexos de seu último filme alemão, “M” (1931), em “Fúria”. Entretanto, Lang estava mergulhando em um problema atual de seu novo país, o linchamento, e conseguiu fazer um filme pertinente não apenas para 1936, mas também para os dias atuais. Em “Fúria”, aprendemos que às vezes a razão não consegue vencer a bestialidade. Mas é sempre bom tentar manter a razão – afinal, é ela que nos torna humanos.

Fritz Lang had just left Nazi Germany and we can see an influence from his last German film, “M” (1931), in “Fury”. However, Lang was dealing with a current problem happening in his new country, lynching, and was able to make a pertinent film not only for 1936, but also nowadays. In “Fury”, we learn that sometimes reason cannot defeat bestiality. But it is always good to try to keep reason – after all, it is reason that makes us human.

This is my contribution to the Order in the Court! The Classic Courtroom Movies blogathon, hosted by Theresa and Lesley at Cinemaven’s Essays from the Couch and Second Sight Cinema.

domingo, 5 de junho de 2016

Ídolo, Amante e Herói / The Pride of the Yankees (1942)

Quem não ama um herói que vem das camadas mais baixas da sociedade e triunfa, apesar de todas as dificuldades? Lou Gehrig era filho de imigrantes alemães, e logo no início do filme seu talento no beisebol é mostrado romanticamente através de um jogo de crianças no bairro, uma janela quebrada e um sermão da mãe, que desejava que ele estudasse engenharia em Columbia.

Who doesn't love a hero that comes from the lower classes and triumphs, overcoming all difficulties? Lou Gehrig was the son of German immigrants, and just in beginning of the movie his talent as a baseball player is shown with a neighborhood kids' game, a broken window shop and a lecture from Lou's mother, who wanted him to study Engineering at Columbia University.

Lou vai para Columbia, mas, por ser de origem humilde e ajudar a mãe na cozinha da faculdade, ele não é bem aceito pelos colegas. Eles inclusive o provocam do mesmo jeito que fariam com Longfellow Deeds – mas Lou Gehrig tem sangue quente e ataca quando é provocado. Mas isto não é problema: como em qualquer história de superação, Lou vai rir por último.

Lou enters Columbia but, being from a humble household and working as his mother's helper at the college canteen, Lou is not well accepted by his mates. They even tease him in the same way they'd do with Longfellow Deeds – but Lou Gehrig has a bad temper and attacks when teased. However, this is not a problem: as in any inspirational story, Lou will have the last laugh.
Lou Gehrig faleceu aos 37 anos. Gary Cooper tinha 41 quando fez o filme. “Ídolo, amante e herói” é acima de tudo uma obra com licença poética, feita para emocionar um público que idolatrava Lou, e que estava muito abalado por sua morte tão recente. E, para isso, Lou é mostrado como gente comum, tímido quando próximo do ídolo Babe Ruth ou bobo quando apaixonado por Eleanor (Teresa Wright).

Lou Gehrig passed away at age 37. Gary Cooper was 41 when the film was shot. “The Pride of the Yankees” is above all a work full of poetic license, made to move an audience that idolized Lou, and was still grieving because of his very recent death. And, to achieve this level of connection, Lou is shown as an average man, shy when he gets close to his idol Babe Ruth or acting foolishly when he falls in love with Eleanor (Teresa Wright).
A maior parte do filme trata dos sucessos de Lou Gehrig, muitas vezes de maneira idealizada. Seu casamento com Eleanor é perfeito demais, e a mãe de Lou assume por alguns minutos o papel de mãe castradora que não quer ver o filho querido com outra mulher. É tudo muito perfeito até que o filme começa a ficar interessante – e trágico.

The most part of the film shows Lou Gehrig’s accomplishments, many times in an idealized way. His marriage do Eleanor is too perfect, and Lou’s mother, for a few minutes, becomes the castrating mother that can’t see her dear son with another woman. Everything is too perfect until the film starts to become interesting – and tragic.  
Lou começa a sentir algo errado com seus músculos. A cena em que ele cai de um banco tentando amarrar os sapatos, no meio do vestiário do New York Yankees, é tão comovente quanto a queda de Eddie Redmayne como Stephen Hawking no meio do campus da universidade em “A Teoria de Tudo” (2014). É, afinal, a mesma doença que acomete ambos: a Esclerose Lateral Amiotrófica.

Lou realizes there is something wrong with his muscles. The scene in which he falls from a chair while trying to tie his shoes, in the middle of the New York Yankees’ locker room, is as moving as Eddie Redmayne’s fall as Stephen Hawking in the middle of the university’s campus in “The Theory of Everything” (2014). It is, after all, the same disease that both have: Amyotrophic Lateral Sclerosis.
A passagem do tempo é mostrada através de uma montagem de recortes de jornal colecionados por Eleanor. Do momento em que Lou começa a sofrer com a doença até o final, o filme se torna espetacular. Gary Cooper sequer queria interpretar Lou no começo, pois não sabia nada de beisebol (leia AQUI sobre o truque usado para que Gary jogasse de maneira convincente), mas foi capaz de dar toda a dramaticidade necessária ao discurso final de Lou. Não é preciso ser fã de beisebol para apreciar estes minutos finais – basta ser humano para ficar com um nó na garganta.

The passage of time is shown through an assemblage of newspaper snippets collected by Eleanor. From the moment Lou starts suffering with his disease until the end, the film becomes outstanding. Gary Cooper didn’t even want to play Lou at the beginning, because he knew nothing about baseball (read HERE about the trick used to show Gary as a convincing ball player), but he was able to add all the drama Lou’s final speech required. You don’t have to be a baseball fan to enjoy those final minutes – you just need to be human to be left with a lump in your throat.

This is my contribution to the Athletes in film blogathon, hosted by dream team Aurora and Rich at Once Upon a Screen and Wide Screen World.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

A Espada era a Lei / The Sword in the Stone (1963)

É ótimo ver animações quando se é criança, mas é uma experiência completamente diferente (e reveladora) revisitá-las quando você é adulto. Embora minha memória não seja meu melhor atributo, lembro-me de ter visto “A Espada era a Lei” na escola e provavelmente aquele não foi meu primeiro contato com o filme.

It’s great to see animated features when you are a kid, but it is a completely different (and revealing) experience to revisit them when you are an adult. Even though I have a poor memory, I remember watching “The Sword in the Stone” at school and that probably wasn’t my first time seeing the film.
A história é do jovem Arthur, que um dia tira a espada da pedra e cumpre uma profecia, tornando-se o rei da Inglaterra. Ora, esta história poderia ser contada em menos de 15 minutos. Por isso o grande destaque (e o verdadeiro protagonista do filme, diga-se de passagem) é o Mago Merlin.

The film tells the story of young Arthur, Who takes the sword off the stone and fulfills a prophecy, becoming this way the king of England. Well, this story could be told in less than 15 minutes. That’s why the outstanding character (and, let’s face, the real lead of the film) is Merlin the Magician. 

A Espada era a Lei” pode ser visto como um bom exemplo da jornada do herói. Esta é uma estrutura narrativa que vem desde a Grécia Antiga, e pode ser resumida em um ciclo.

“The Sword in the Stone” can be seen as a good example of the hero's journey (or monomyth). This is a narrative structure that comes from Ancient Greece and can be explained by this cycle:
Bem, nosso herói é Arthur (ou Wart). Merlin é o seu mentor (e um dos melhores mentores de toda a história do cinema). Arthur é o tipo de “pobre coitado” com quem é fácil de se identificar. Órfão, ele precisa aguentar o padrasto, um cavaleiro que não acredita em mágica, e o irmão Kay, o favorito, que está sendo treinado para participar de um grande torneio.

Well, our hero is Arthur (or Wart). Merlin is his mentor (and one of THE greatest mentors in film). Arthur is the kind of underdog with whom we can easily feel a connection. He is an orphan who has to live with his foster father, a knight who doesn't believe in magic, and his brother Kay, the favorite son, who is training to take part in a big tournament.
Merlin chega abruptamente na vida de Arthur, e promete ensiná-lo lições valiosas, junto com a coruja Arquimedes, que serve de alívio cômico – e de voz da razão de vez em quando. Observe como a maioria das cenas compostas ao redor de Merlin têm o azul como cor principal. A roupa de Merlin é azul, e as paredes e louças da casa dele são de um tom mais escuro de azul.

Merlin enters abruptly in Arthur's life with the promise to teach him valuable lessons with the help of Archimedes the owl, who is here for comic relief and a bit of reason. Pay attention to how most of the scenes composed with Merlin in the center have the color blue as the main color. Merlin's clothes are blue, and the walls and dishes in his house are a darker blue.
Os testes de Arthur são criados pelo próprio Merlin, que transforma a si mesmo e a seu pupilo em diversos animais. E é ótimo que o filme foque no treinamento de Arthur, mostrando que a jornada é mais importante que o objetivo final.

Arthur's tests are created by Merlin, who transforms himself and his pupil into several animals. And it is great that the film focuses on Arthur’s training, showing that the journey is more important than the final goal.
O clímax do filme não é, de maneira alguma, a retirada da espada da pedra. O clímax é a luta de poderes mágicos entre o Mago Merlin e Madame Min, naquela que foi considerada a mais elaborada sequência de animação feita na época. Mas este também foi o último trunfo animado de Walt Disney – o filme de animação seguinte produzido pelos estúdios, “Mogli, o menino lobo”, só estreou após a morte do fundador.

The climax of the film is not the moment Arthur takes the sword off the stone – not at all! The climax is the magic duel between Merlin and Mad Madam Min. This sequence was considered the most elaborated ever done in an animated film to that date. But this was also the last animated success Walt Disney saw – the following animated feature made by the studios, “The Jungle Book”, was released after the founder's death.
A Disney fez muitos outros filmes usando a narrativa da jornada do herói. Em muitos deles, como no caso de Arthur, o herói só triunfa sem a ajuda do seu mentor. Mas isto não significa que o mentor não é importante – muito pelo contrário: sem ele, a narrativa sequer existiria. E é por isso que Merlin permanece como um dos personagens mais icônicos e adorados do universo Disney.

Disney made many other movies using the hero’s journey narrative. In many of them, like in Arthur’s case, the hero only triumphs without the help of the mentor. But it doesn’t mean that the mentor is not important – on the opposite: without him, the story wouldn’t even exist. And that’s why that Merlin remains as one of the most iconic and adored characters from the Disney universe.


This is my contribution to the Royalty on Film blogathon, hosted by princess Emily at The Flapper Dame.

sábado, 28 de maio de 2016

Mogli, o Menino Lobo (1942) / The Jungle Book (1942)

Talvez você tenha ido ver a nova aventura live-action da Disney, “The Jungle Book”. É provável que você tenha tido seu primeiro contato com a história de Mogli através do desenho de 1967, que também lhe ensinou que “necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”. Mas é provável que você não saiba algumas coisas. Primeiro, que quem escreveu o livro “The Jungle Book” foi Rudyard Kipling. Segundo, que a primeira adaptação da história para o cinema foi em 1942, e estrelou um grande ídolo indiano.

Maybe you went to the movies to see the new Disney live-action adventure, “The Jungle Book”. There is a good chance that you had your first contact with Mowgli's story through the 1967 cartoon, that also taught you about the “bare necessities”. But there is a chance that you aren't aware about a couple of things. First, that the author of “The Jungle Book” is Rudyard Kipling. Second, that the first adaptation of the story to film was made in 1942, and starred a great Indian idol.
Uma turista ouve um velho senhor indiano (Joseph Calleia) contando histórias para uma multidão. Ele começa a contar especialmente para ela a história de Latu, uma criança da aldeia que ficou perdida no mato. O tigre Shere Khan matou o pai de Latu, mas o menininho foi acolhido por uma família de lobos (o que é um óbvio ponto retirado da lenda de fundação de Roma pelos irmãos Rômulo e Remo, criados por uma loba). Em meio aos lobos, o menino Latu passa a ser chamado de Mogli.

A tourist listens to an old Indian man (Joseph Calleia) who is telling a story to a crowd. He then proceeds to tell, especially to her, the story of Latu, a child from the village who got lost in the jungle. Shere Khan, the tiger, killed Latu's father, but the little boy was adopted by a family of wolves (which is obviously taken from the legend of the foundation of Rome by the brothers Romulus and Remus, raised by a wolf). Among the wolves, Latu is called Mowgli.
Doze anos se passam, e Shere Khan agora quer pegar Mogli (Sabu). Um dia, sem querer, Mogli volta à sua aldeia e é pego e reconhecido pela mãe. O menino passa então algum tempo entre as pessoas, aprendendo a falar e ficando longe de sua vida selvagem. É na aldeia que ele conhece a encantadora Mahala (Patricia O'Rourke), de quem fica amigo. Mas Mogli é uma mistura única de homem e lobo, e ainda tem como objetivo se vingar de Shere Khan.

Twelve years go by, and now Shere Khan wants to catch Mowgli (Sabu). One day, by accident, Mowgli goes back to his village, is captured and his mother recognizes him. The boy then spends some time among people, learning how to speak English and staying away from his wild life. In the village he meets the charming Mahala (Patricia O'Rourke), who becomes his friend. But Mowgli is an unique mix of man and wolf, and still has in mind his revenge against Shere Khan.
Foram usados mais de 300 animais nas filmagens: nada de CGI! Imagine a surpresa quando um tigre imenso vem se aproximando de você, na tela do cinema, pronto para atacar! Nem tudo, claro, é verdade. A cena do pequeno Mogli entrando na toca dos lobos conta com supostos filhotes de lobo... que evidentemente são cachorrinhos colocados perto da criança sem oferecer perigo. O tigre Shere Khan foi filmado da mesma maneira que o leopardo Baby em algumas cenas de “Levada da Breca” (1938), utilizando-se uma tela transparente entre o animal, os atores e a câmera.

More than 300 animals were used in the movie: no CGI! Imagine the surprise you have when a huge tiger gets nearer and nearer you, at the movie screen, and is ready to attack! Not everything, of course, was true. The scene of little Mowgli entering the wolves' cave has some wolf cubs... that are obviously puppies placed near the child in order to shoot the scene without danger. The tiger Shere Khan was film using the same technique from some scenes with the leopard from “Bringing Up Baby” (1938): using a transparent screen between the animal, actors and the camera.

Os únicos animais falantes do filme são as cobras. Aqui, Kaa só dá dicas para Mogli derrotar Shere Khan. Há também outra cobra, guardiã dos tesouros de uma cidade perdida no meio da selva que, quando descoberta, desperta a cobiça dos homens da aldeia.

The only talking animals in the film are snakes. Here, Kaa only gives tips for Mowgli to defeat Shere Khan. There is also another snake, the guardian of the treasures from a lost town in the middle of the forest. When discovered, the town makes the men from the village greedy.
É a presença dos homens neste filme que o distancia tanto da versão da Disney. Com Mogli convivendo em uma aldeia, e dividido entre a vida selvagem e a civilizada, o filme se aproxima mais das histórias mais recentes de Tarzan ou até de “George, o Rei da Floresta”.

It is the presence of men in this film that puts it far away from the Disney version. With Mowgli living in a village, and torn between wild and civilized life, the film gets closer to a modern Tarzan tale or even “George of the Jungle” (1997).

Os três irmãos Korda, responsáveis pelo grande sucesso anterior do menino Sabu, “O Ladrão de Bagdá” (1940), saíram da Inglaterra para filmar nos Estados Unidos durante a guerra. Zóltan Korda foi o diretor, Alexander foi o produtor e Vincent cuidou da bela direção de arte.

The three Korda brothers were responsible for the latest big hit Sabu has appeared in, “The Thief of Bagdad” (1940), and they left England to film in the USA during the war. Zóltan Korda was the director, Alexander was the producer and Vincent was responsible by the inspired art direction.
Os temas do filme são às vezes chocantes demais para as crianças acostumadas a consumir apenas o politicamente correto. Mas são temas do cotidiano: amor, morte, cobiça e destruição. A edição e utilização das cenas de animais é fantástica e capaz de empolgar quem já deixou de ser criança faz tempo. É uma aventura maravilhosa, empolgante, que te faz voltar a ser criança – ou ao menos te envolve a ponto de você não ver o tempo passar.

The themes of the film are sometimes too shocking for children used to  “politically correct entertainment”. But they are everyday themes: love, death, greed and destruction. The edition and use of animals are fantastic and can conquer you even if you are not a child. It is a wonderful, breathtaking adventure, able to make you feel like a child again – or at least able to make you so involved that you won't see time passing.

This is my contribution to the Animals in Film Blogathon, hosted by Crystal at In the Good Old Days of Classic Hollywood. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Gene Kelly: o mago da dança

Diz o ditado que uma imagem vale mais que mil palavras. Um vídeo, então, deve valer mais que um milhão de palavras. O que eu sei é que todo vídeo de Gene Kelly dançando me deixa sem palavras. Por isso vou deixar o próprio Gene maravilhar vocês hoje. Os vídeos foram editados por mim.

It's known that a picture is worth a thousand words. Then, a video should be worth more than a million words. I only know that whenever I see a video of Gene Kelly dancing, the words escape me. That's why today Gene will be the one amazing you.
The videos below were all edited by me.







This is my contribution to the GottaDance! Blogathon, hosted by Bonnie at Classic Reel Girl.

domingo, 22 de maio de 2016

A Nós a Liberdade / A Nous La Liberté (1931)

Todos os dias eu durmo e acordo com um poster de “A Nós a Liberdade” em cima da cabeceira da minha cama. Dos oito posters que enfeitam o meu quarto, este é o mais esquisito, o mais diferente, o que representa o filme mais desconhecido de todos ali. Escolhi-o não pela estética (embora a ilustração seja adorável), mas pelo meu grande amor por este filme, sem dúvida meu favorito de todo o maravilhoso cinema francês.

Every day I go to sleep and wake up with an “À Nous La Liberté” poster over my bed. I have eight movie posters in my bedroom, and this one is the weirdest, the most different, the only one from an obscure movie. I chose it not because of esthetical issues (OK, the illustration IS adorable), but because I love this film a lot, and it is without a doubt my favorite French film of all time.
Vi o filme pela primeira vez apenas com o intuito de riscá-lo da lista dos “1001 filmes para ver antes de morrer”. Mas ele me pegou de jeito, me conquistou, me surpreendeu, e se tornou inesquecível. A primeira e óbvia surpresa foi a semelhança com “Tempos Modernos” (1936), o que resultou até em um processo do estúdio francês em cima de Charles Chaplin.

I watched the film for the first time only because I wanted to check it out from the list of the “1001 movies you should see before you die”. But the film grabbed me, conquered me, surprised me, and became unforgettable. The first and most obvious surprise was how it resembles “Modern Times” (1936), and this fact led the French studio to sue Charles Chaplin.
Dois amigos estão na cadeia, e fazem juntos um plano de fuga. Na hora de executar o plano, apenas um deles, Louis (Raymond Cordy) consegue escapar. O outro amigo, Émile (Henri Marchand) vai ficar mais algum tempo na cadeia. Louis consegue um emprego em uma fábrica e aos poucos vai subindo de posto, até se tornar gerente. E é aí que o amigo volta a cruzar sua vida: Émile consegue um emprego na linha de montagem da fábrica, e Louis passa a temer que a verdade sobre seu passado seja descoberta.

Two friends are in jail, and make a plan to escape. When they plan their plan to work, only one of them, Louis (Raymond Cordy) escapes. The other pal, Émile (Henri Marchand) stays in he jail a little longer. Louis gets a job in a factory and little by little he gets promotions and becomes the manager. And then his friend returns: Émile gets a job at the assembly line in the factory, and Louis fears that his criminal past is discovered.
Mas a última coisa que Émile, um homem de bom coração, quer fazer é chantagem. Seu desejo é conquistar Jeanne, secretária da fábrica. E a animosidade entre Émile e Louis não dura muito: o tempo não mudou a amizade dos dois.

But Émile has a heart of gold, and he doesn't want to blackmail his old friend. His desire is to conquer Jeanne, a secretary at the factory. And any hostility between Émile and Louis is not something to last: time hasn't changed their friendship.
Você já deve conhecer a ousadia de “Os Guarda-Chuvas do Amor”, de 1964, um filme em que tudo é dito através de música. Não há diálogos, só música. Diferente? Sim! Inovador? Não. “A Nós a Liberdade” também usa este recurso, e sua música é muito simples e repetitiva. Mas isso não é um problema: o cinema no mundo todo estava aprendendo a falar, e a canção dá uma cadência especial à obra – como a repetição de ações em uma linha de montagem. Posso dizer sem medo que “A Nós a Liberdade” é o primeiro musical de altíssima qualidade da história.

You must already have heard about “The Umbrellas of Cherbourg” (1964), a film in which everything is said through music. There is no dialog, only music. Different? Yes! Groundbreaking? No. “À Nous la Liberté” also used this resource, and its music is very simple and repetitive. But this is not all: cinema all over the world was learning how to talk, and the song gives a special rhythm to the film – like the repeated actions done in the assembly line. I can say with no fear that “À Nous la Liberté” is the first top-notch musical in film history.
René Clair
René Clair não estava nem um pouco satisfeito com a chegada do som ao cinema. Em seus primeiros filmes falados, ele fez muitas experimentações, como a deste filme envolvendo supostas flores cantantes e um toca-discos. Se os filmes mudos de René Clair usavam muito da fantasia, seus primeiros filmes falados tinham também um toque fantástico no uso do som, que era tudo, menos realista. E o mais interessante em “A Nós a Liberdade” é o fato de a fábrica onde Louis e Émile trabalham ser um local que fabrica justamente vitrolas – ou seja, a nova vida dos amigos gira em torno do som.

René Clair wasn't happy with the arrival of sound. In his first sound films, he did many experiences, and in this film here we have one involving singing flowers and a phonograph. If René Clair's silent films had a lot of fantasy, his early talkies had a fantastical touch in the use of sound, that was never used realistically. And the most interesting thing to notice in “À Nous la Liberté” is that Louis and Émile work in a phonograph factory – their lives now are built around sound.
“A Nós a Liberdade” é um filme que me faz sentir bem. Sempre paro para ver quando ele está na televisão. Há comédia, romance, crítica social, ação, amizade e música em apenas 82 minutos de filme. E, o que mais me atrai, é um filme com um desfecho não previsível (a imagem do pôster foi inspirada nas cenas finais). É um filme lindo, inovador, e meu favorito de toda a história do cinema francês. J'aime “À Nous la Liberté”!

“À Nous la Liberté” is a feel-good movie to me. I always stop and watch it when it's on TV. There is comedy, romance, social issues, action, friendship and music in only 82 minutes. And something that always atracts me: it is not a film with a predictable ending (the image in the poster is inspired by the final scenes). It is a beautiful, innovative movie, and my personal favorite of all French cinema. J'aime “À Nous la Liberté”!

This is my contribution to the Classic Movie Ice Cream Social, hosted by Fritzi at Movies, Silently.
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