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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Dupla Dinâmica: Werner Herzog e Klaus Kinski


Alguns dos melhores filmes do cinema alemão surgiram através da colaboração entre o director Werner Herzog e o ator Klaus Kinski. Além de geniais e geniosos, eles formavam uma dupla literalmente explosiva. Para se ter uma ideia, durante as filmagens de “Aguirre – A cólera dos deuses” (1972), Herzog fez um acordo com uma tribo peruana para que Kinski fosse morto e teve de desfazer o trato apenas porque, quando a data do assassinato chegou, ainda faltavam cenas para gravar.
A morte encomendada de Kinski não foi o único fato curioso das filmagens de Aguirre: como o feitiço normalmente vira contra o feiticeiro, Werner esteve à beira da morte. Seu voo, o LANSA Flight 508, foi destruído após ser atingido por um raio. No entanto, o diretor havia desistido de embarcar no último minuto. Outra situação de perigo enfrentada por Herzog foi durante uma entrevista, poucos dias depois de ter ajudado Joaquin Phoenix com seu carro quebrado na estrada. Enquanto falava para a BBC, Herzog foi baleado, mas continuou a entrevista e mostrou seu ferimento, dizendo que a bala não era nada.    
Herzog foi excêntrico o bastante para prometer que, se o cineasta Errol Morris conseguisse terminar seu filme, ele comeria o próprio sapato. Com a estreia de “Gates of Heaven” em 1987, Werner cozinhou e comeu publicamente o calçado, dizendo que seu ato servia de estímulo àqueles que desejam levar um projeto adiante.
Seus filmes conseguem ser tão interessantes quanto sua vida nada comum. Ele costuma trabalhar com uma equipe fiel de produtores, editores e compositores que o acompanham em diversas produções. No campo da atuação, sua parceria com Klaus Kinski é a que merece mais destaque, rendendo cinco filmes e um documentário.    
Nascido na Polônia, Kinski participou da Segunda Guerra Mundial do lado alemão. Capturado pelos ingleses em 1945, desertou, mas foi recapturado e julgado. Segundo o próprio Klaus, ele conseguiu escapar de uma condenação de morte. Ficou prisioneiro dos ingleses mesmo depois do fim do conflito e, sabendo que os presos doentes seriam os primeiros a voltar para casa, tentou adoecer ficando nu, bebendo urina e comendo cigarros. Tudo isso foi em vão. Saudável, voltou para casa em 1946, e soube que seus pais haviam perecido na guerra. Seu pai, aliás, foi um cantor de ópera mal-sucedido, uma curiosa coincidência, pois em “Fitzcarraldo” (1982) Kinski interpreta um empresário maluco por ópera, que também é uma das paixões de Herzog.
Um ator de difícil convivência, porém talentoso e autodidata, Kinski apareceu em vários filmes a partir de 1948, incluindo os sucessos “Doutor Jivago / Doctor Zhivago” (1965) e “Por uns dólares a mais / For a feel dolars more” (1965). No entanto, foi sua parceria com Herzog, a partir de 1972, que lhe trouxe fama internacional. A história deles havia começado 17 anos antes, em Berlim, quando as famílias de Herzog e Kinski dividiram um apartamento com outras famílias. De colegas de quarto a colegas de profissão, foi um longo caminho.
As declarações de Herzog sobre o trabalho com Kinski são cheias de humor. Ele diz que todos seus cabelos brancos surgiram dos problemas que teve com o ator, uma besta que teve de ser domesticada, mas que ambos se respeitavam muito, embora tenham planejado o assassinato um do outro.
A autobiografia de Klaus Kinski, que saiu em 1986 com o título “All I Need is Love” é um tanto travessa. Herzog e Kinski se juntaram para escrever sobre a parceria e inventaram boa parte do conteúdo. O livro causou a ira de uma das filhas de Klaus, a também atriz Nastassja Kinski. Para piorar, uma editora mandou retirar de circulação o livro porque houve uma quebra de contrato. A autobiografia voltou a ser vendida no fim dos anos 90 sob o título “Kinski: Uncut”.
Klaus era 16 anos mais velho que Herzog e faleceu em 1990 de ataque cardíaco. Nove anos depois, o diretor prestou sua homenagem ao colaborador frequente, sem o qual algumas de suas obras mais significativas não seriam as mesmas: o documentário “Meu melhor inimigo / My best fiend” é sobre a relação dos dois. Herzog mostra um lado mais humano de Kinski e elogia como, apesar de ou mesmo devido ao seu temperamento explosivo, o ator conseguiu dar vida a alguns dos maiores anti-heróis do cinema alemão.  

14 comentários:

Marcelo C,M disse...

Klaus Kinski era entidade imprevisível que não poderia ser controlada e nunca se sabia quando ele iria estourar. Gostei muito dessa matéria, pois nunca a gente se lembrar um pouco de verdadeiras feras do cinema.

Hugo disse...

São dois malucos que tiveram uma parceria fantástica e criativa.

Toda a loucura da dupla fica claro nos filmes que fizeram juntos, obras marcantes com temáticas fortes.

Ótima postagem.

Até mais

Gilberto Carlos disse...

Com certeza era uma relação de amor e ódio. Klaus fez vários filmes de Werner, mas mesmo assim eles brigavam muito e as vezes parecia que até se odiavam.

Iza disse...

Não conhecia eles - na verdade não conheço nada do cinema alemão. Aii que vergonha hehehe. Beijos <3

Iza disse...

Desejo-te um ótimo final de semana!!!!
Beijos <3

Suzane Weck disse...

Ola querida amiga,Klaus e Werner parceiros de vários filmes foram realmente feras da cinematografia mundial.Grande idéia traze-los á nós nesta tua excelente postagem.Tenhas um ótimo final de semana,uma boa noite e meu maior abraço.

Mario Salazar disse...

Me gusta Kinski -entre los duros tengo debilidad por él y por Jack Palance y Charles Bronson- y ha hecho buena dupla con Herzog, un genio del cine alemán, idolatrado por la critica. Cuantas andanzas han pasado. Dicen que vivían en el amor-odio, mucha pasión entre amigos. Un saludo.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Caríssima, o blog O FALCÃO MALTÊS está aniversariando e entrando de férias. Obrigado pela parceria. Desejo um Natal harmonioso e um Ano Novo cheio de energia.
Cumprimentos cinéfilos,

O Falcão Maltês

renatocinema disse...

Que belo texto.

Tenho coragem de dizer, certo ou errado que essa era uma dupla......do barulho.

De Niro e Scorsese nos bons tempos.

abs

Luís Paz disse...

O cinema alemão é algo muito doido *-* haha
bem fascinante, e tem toda uma aura de guerra e confrontos, duelistas e vanguardistas *-*
curti o blog


Hey, tem post novo lá, neste em especial, adoraria receber teu comment. Ele é muito importante pra mim e pro clive.
Te aguardo lá, abraço.

diademegalomania.blogspot.com

Tayná disse...

Oi, Lê, o seu blog também é muito legal! Pode servir até de referência para o meu em posts futuros!
Depois vai lá no meu e bota pra seguir? To necessitando de seguidores! rs

Beijinhos,
Tayná.
http://beautevintage.blogspot.com.br

bruno knott disse...

Essa é uma das parcerias mais interessantes do cinema, não há dúvida. Acho que o meu preferido com os dois é Nosferatu, com Fitzcarraldo um pouco atrás.

Muito bacana essas curiosidades do Herzog, o cara é um tanto peculiar, hein?

Minha parceria preferida é Kurosawa + Mifune!

Maggie disse...

Olha aí, que que legal Lê, fiz um especial dos dois tb lá no blog. Amo esses dois loucos, alucinados, rs. Uma pena o Kinski não estar mais aqui, mas sua luz era tão intensa e viva que não duraria muito mesmo.
O documentpario Meu Melhor Inimigo do Herzog sobre a relação deles é um dos relatos mais belos e comoventes que já vi sobre a amizade e a veia criativa. É uma aula de cinema e humanidade que vemos nesse docu. Belíssimo, vi duas vezes e qyuero ver mais. Entrei agora no seu blog, que vc me passou o endereço lá no meu, e já tô adorando. Muito legal podermos compartilhar essas nossas paixões pela telinha. :D

JL Ramos disse...

Eu assistí vários filmes do Klaus Kinski e sempre achava ele exagerado e com cara de louco, tempos atrás eu lí que ele entrava tão a fundo em seus personagens que confundia as pessoas, não se sabia se era o personagem ou o ator ou ele mesmo. Depois lí também que o diretor Werner escrevia filmes meio que desafiando o Klaus...a ponto de um ter medo do outro.

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