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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Variações sobre um mesmo tema: Um Conto de Natal (1935 e 1951)

Para os cristãos, o Natal é o dia de se comemorar o nascimento de Jesus, e todo o mês de dezembro acaba entrando na órbita da festa natalina. Mesmo as pessoas de outra religião acabam sendo contagiadas pelo espírito de Natal e acontecem as confraternizações, trocas de presentes e todos ficam com o coração mais mole, ajudando uns aos outros e desejando o bem do próximo (pelo menos é isso que eu gostaria que acontecesse). Todos, menos Ebenezer Scrooge, personagem criado por Charles Dickens que se tornou o símbolo do Natal inglês (e da avareza).
Ebenezer (Seymour Hicks em 1935 e Alastair Sim em 1951) é o rabugento sócio da companhia Scrooge & Marley. Jacob Marley, o co-proprietário, morreu na véspera de Natal, sete anos antes do começo da história. Mas não é esse o motivo de Scrooge detestar o Natal: o tempo e a ganância fizeram dele uma pessoa amarga, que não gosta de nada. Ele vê o Natal como uma perda de tempo para os negócios e uma desculpa para que as instituições de caridade peçam dinheiro. Por isso Scrooge se recusa a ajudar dois representantes de uma instituição e também não dá folga para seu funcionário Bob Cratchit no dia de Natal.
Naquela noite, Scrooge é visitado pelo fantasma de seu sócio, que o aconselha a mudar seu comportamento. Para ver a importância desta mudança, serão mandados três espíritos de Natal para Scrooge ao longo da noite: o espírito dos Natais passados (Christmas Past), o do Natal presente (Christmas Present) e o do Natal futuro (Christmas Yet to Come). Através da viagem com esses espíritos pelo tempo e espaço, Scrooge verá não apenas fatos importantes da sua vida que mostram sua amargura, mas também conhecerá melhor aqueles que o rodeiam.
Ambas as versões são bem fiéis ao livro. A de 1935 (“Scrooge”) tem várias falas retiradas diretamente da obra de Dickens, mas é limitada quanto aos efeitos dos fantasmas (apenas o espírito do Natal presente aparece por completo, os demais são apenas vozes e sombras). A de 1951 (“A ChristmasCarol”) esbanja tecnologia: o intérprete do fantasma de Marley não pôde gravar as cenas com Alastair Sim, por isso gravou-as sozinho e sua imagem foi sobreposta às cenas de Alastair, ficando assim mais fantasmagórica. Entretanto, esta versão toma algumas liberdades e acrescenta cenas, deixando-a mais longa, mas também mais emocionante.
Seymour Hicks já havia interpretado Scrooge em 1913, em uma das primeiras versões da história. Ele também interpretava o personagem no teatro desde 1901, que, por coincidência, foi o ano em que surgiu a primeira adaptação para o cinema do conto escrito por Dickens em 1843. Seymour pode ter tradição, mas foi Alastair que eternizou o personagem. De fato, Ebenezer Scrooge definiu sua carreira. As expressões faciais de Alastair são excelentes, em especial no fim (adoro a cena “I need to stand on my head!”). Alastair voltaria a encarnar o personagem em desenho animado, pois foi o dublador de Scrooge em um curta-metragem ganhador do Oscar em 1971.  
Já disse que a versão de 1951 é mais emocionante, certo? Isso acontece porque as mudanças na história original foram feitas para justificar sempre as ações de Scrooge, fazendo dele uma vítima de seu mentor, Mr Jorkin (Jack Warner). Surpreendentemente, nos Estados Unidos o filme não foi bem recebido, tendo estreado no Halloween e gerado pouco interesse no público.
Além das várias adaptações (o IMDb lista 95) , a obra de Dickens deixou outros legados. “Scrooge” se tornou sinônimo de “avarento, sovina” nos países de língua inglesa. Esse significado serviu para batizar um personagem da Disney: o tio Patinhas, ou Uncle Scrooge McDuck. A exclamação de Scrooge logo ao início (“bah... Humbug!”), que infelizmente é dita apenas uma vez na versão de 1951, ressuscitou recentemente graças a um dos gatos mais famosos da internet: Grumpy Cat. 
A primeira vez em que Scrooge apareceu no cinema foi em 1901, em um curta surpreendentemente bom, apesar de os fantasmas serem atores com lençóis na cabeça. Claro que Thomas Edison não poderia ficar para trás e fez sua versão em 1910. Apesar de o silêncio prejudicar um pouco a história, precisamos destacar a qualidade dos efeitos especiais criados. No rádio a história também foi bastante popular, e seu narrador habitual era John Barrymore. Na televisão, há que se destacar a versão de 1949, narrada pela bela voz de Vincent Price.


Clique nas palavras e números em negrito para ver os filmes completos!

This is my contribution to the Christmas Movie Blogathon, hosted by Chris and Family Friendly Reviews. Ho, ho, ho!

Eu volto antes do Natal, mas deixo vocês com uma foto da minha árvore inspirada no cinema (cliquem para ver melhor os detalhes)!

10 comentários:

Pedrita disse...

minha mãe ama natal e filmes de natal. tem vários, assiste tudo o q aparece. beijos, pedrita

Marcelo Castro Moraes disse...

Esse conto de natal já vi em inumeras versões até mesmo na saudosa tv colosso.
Quando era pequeno, todo o final de ano dava a Rena do Nariz Vermelho. Bons tempos.

Iza disse...

Só assisti a versão do Jim Carey, em animação. As versões "vintage" eu ainda não vi - mas, boa dica para se assistir no Natal.
Beijos <3

P.S: Com a morte da Joan Fontaine, pq vc não faz um tribute post para ela? Era uma diva....sei lá, é só uma ideia.

Vintage Cameo disse...

I think someone could almost do a blogathon just on Christmas Carol versions--and these are great ones!

Feliz Natal! :)

Caftan Woman disse...

A very Merry Christmas to you!

I adore your tree. Enjoyed your look at "A Christmas Carol", particularly the two versions you chose to highlight. Sim's is the very top one for me. I have watched it every Christmas Eve since I was a very little girl. I only became familiar with Seymour Hicks' version a couple of years ago and it is very impressive. He truly gave us a Scrooge who was the meanest man in town.

tracyhepburnfan disse...

Great article! I learned some interesting trivia about the movies that I didn't know before. I love "Christmas Carol."

Citizen Screen disse...

Wonderful comparison between two greats, Le. Like most others, the 1952 version is my absolute favorite, but I try to watch a few versions of this story every year.

A very Merry Christmas to you and yours!! Such a great year this turned out to be as I got to know some of my blogging friends a bit better.

Aurora

Laura disse...

I enjoyed your post! I've never seen the 1935 Seymour Hicks version so was interested to learn more -- TCM just showed it and I recorded it!

One of my favorite versions is the Disney MICKEY'S CHRISTMAS CAROL with Scrooge McDuck -- it's so cute! I watched it last Christmas. :)

Merry Christmas!

Best wishes,
Laura

1001: A Film Odyssey is produced, directed and written by Chris, a librarian. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
1001: A Film Odyssey is produced, directed and written by Chris, a librarian. disse...

Definitely need to check out the 1951 version of A Christmas Carol before next year!

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