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sábado, 22 de fevereiro de 2014

“Opostos que se atraem: as vidas de Erich Maria Remarque e Paulette Goddard”, de Julie Gilbert

Quando comecei a ler o livro “Opostos que se atraem: as vidas de Erich Maria Remarque e Paulette Goddard”, de Julie Gilbert, confesso que estava mais interessada na estrela de cinema que no escritor. Com o passar das páginas, esta opinião mudou completamente, e fiquei surpresa com o quanto me identifiquei com Remarque, e não apenas por termos o mesmo signo e escrevermos.  Já com Paulette, minha experiência foi diferente, mas também terminei o livro com uma impressão nova sobre ela.
Erich Paul Remark nasceu em Osnabrück, Alemanha, em 22 de junho de 1898. Serviu na Primeira Guerra Mundial, indo para o front durante um mês em 1917. Sofreu ferimentos sem grandes consequências e passou o resto da guerra se recuperando. Alcançou fama mundial com “Nada de Novo no Front”, seu terceiro romance, publicado em 1928. Marion Goddard Levy nasceu em 3 de junho de 1910, em Nova York, foi dançarina do Ziegfeld Follies ainda adolescente, fez pontas no cinema e conquistou a fama em “Tempos Modernos”, de 1936. Embora seus caminhos tenham se cruzado diversas vezes, eles só começaram a se relacionar em 1950, casando-se em 1958.
Remarque sempre teve uma vida muito atrelada ao cinema. Seu best-seller virou filme em 1930 e ganhou dois Oscars. Remarque havia sido, inclusive, convidado a estrelar o filme, mas recusou o convite e o papel principal ficou para Lew Ayres. O autor só viraria ator em outra adaptação de um de seus livros: “Amar e Morrer”, de 1957. Entretanto, em suas várias temporadas nos Estados Unidos, ele se envolveu com Marlene Dietrich, que conheceu ainda na Alemanha, e teve uma espécie de amizade colorida com Greta Garbo.  
Paulette foi moldada por Chaplin, e é imortal graças às suas duas participações em filmes dele (sendo a outra em “O Grande Ditador”, de 1940). Assim como as outras companheiras de cena de Chaplin (Edna Purviance, Lita Grey, Virginia Cherrill...), ela não teve grandes sucessos longe dele, mas conseguiu se manter em Hollywood graças à sua beleza e um jeitinho especial. Foi casada quatro vezes. Seu segundo marido foi Chaplin e o terceiro, o ator Burgess Meredith.
Paulette sabia falar sobre qualquer assunto e parecia esbanjar cultura, mas o tempo todo fiquei com uma sensação de que Paulette era fútil. Caprichosa e apaixonada por joias, ela tratava bem a quem poderia lhe dar algum benefício, e era só. Remarque era um homem, no geral, sério, mas dado ao abuso do álcool. Os trechos do diário de Remarque, nunca antes publicados, são o grande trunfo do livro e trazem muitos esclarecimentos sobre a vida amorosa do autor. Em geral, ele se relacionou com mulheres que prezavam mais sua independência do que o companheirismo com o parceiro, e não digo que isto é de tudo ruim. Mas creio que não gostaria de passar um tempo com Paulette.  
Remarque foi um excelente escritor, e o tema que definiu todas as suas obras tem um quê de autobiográfico: a guerra. Seja nas trincheiras, na volta para casa e readaptação ou no ato de fugir da guerra, os livros do autor sempre estão envoltos no conflito que marcou o século XX para a pátria alemã. Tendo se refugiado na Suíça pouco depois de o partido nazista chegar ao poder, Remarque tinha uma relação estranha com seu país de origem e, mesmo com todas as homenagens, a Alemanha nunca o perdoou totalmente pelo pacifista “Nada de Novo no Front”.
Paulette foi construída por Chaplin, e, no resto da carreira, esperava que houvesse um diretor de mão firme para guiá-la sempre. Assim se deu bem com Cecil B. DeMille, com quem fez três filmes a cores nos anos 40. Um deles, “Vendaval de Paixões / Reap the wild Wind” (1942), foi seu prêmio de consolação por ter perdido o papel de Scarlett O’Hara. Uma das justificativas era que Paulette e Chaplin viviam juntos em 1939, mas não eram casados, e era inaceitável que uma grande estrela vivesse nesta situação “ilegal”. Ela perdeu o papel que 10 entre 10 moças de Hollywood queriam, mas isso não a impediu de se tornar uma diva do cinema, rica e linda (em especial em seus filmes em Technicolor). 
A autora Julie Gilbert, da Universidade de Nova York, foi estimulada a escrever o livro após ler o obituário de Paulette, em 1990. Como ela já tinha desejo de escrever sobre Remarque, morto em 1970, foi aconselhada por Harriet Pilpel, antiga advogada e confidente de Remarque, a unir os temas e escrever um livro sobre os dois. Os capítulos alternam o ponto de referência, e de fato funcionam bem separados: você pode ler só sobre quem lhe interessa. Mas estará perdendo muito: Julie foi indicada ao Prêmio Pulitzer, o que mostra a qualidade do livro.

As fotos bem no meio do livro são espetaculares. Conhecemos a família e os cães de Remarque, a mulher com quem ele se casou duas vezes, Jutta, e temos a rara oportunidade de ver Paulette loira, no começo da carreira, no Ziegfeld Follies e como figurante no cinema. As entrevistas com personalidades de Hollywood, de Luise Rainer a Ruth Albu (companheira de Marlene Dietrich nos palcos alemães), de Douglas Fairbanks Jr a Billy Wilder. Fiquei um pouco chateada apenas com o fato de haver spoilers da maioria dos livros de Remarque. Bem, tirando isso, esta é uma biografia nota dez, que merece ser lida por todos que querem entender melhor a cultura literária e cinematográfica do século XX. 

4 comentários:

Hugo disse...

Pelo seu texto, a impressão que fica é que a relação do casal ocorreu por mera conveniência.

Não sabia que Paulette Goddard tinha sido casada com Burgess Meredith, famoso pelo Pinguim da série Batman e o treinador Mickey de "Rocky - Um Lutador".

Bom domingo e até mais.

•♥• Blog-PinagirlsCris •♥•Cris disse...

adorei são uns lindos <3
beijos Lê um ótimo final de semana
http://pinagirlscris.blogspot.com.br

Pedrita disse...

fiquei curiosa. beijos, pedrita

Mario Salazar disse...

Se ve interesante, aunque no me atrae mucho el tipo de literatura de Remarque, sino que lo bélico lo veo 50% -50% a favor contra mi desgano. Pero si dices que es más curioso que la actriz, habría que leerlo. Ella era guapa, y eso lo supo explotar al natural, me parece. Aunque Chaplin era un genio. Un abrazo.

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