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sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O Dragão Relutante / The Reluctant Dragon (1941)

Eu tinha seis anos de idade, talvez um pouco mais, e adorava as fitas de vídeo (sim, do tempo do VHS/VCR) da Disney. Cada fita vinha com algumas propagandas de outras fitas, verdadeiros trailers feitos especialmente para aqueles lançamentos em vídeo. E um destes trailers era de “O Dragão Relutante” (ou “O Dragão Dengoso”, como também ficou conhecido aqui no Brasil). Desde o primeiro momento do trailer adorei aquele dragão fofo, que preferia escrever poemas a fazer coisas assustadoras de dragão.
Mas foram necessários muitos anos para que eu finalmente assistisse a “O Dragão Relutante”. As fitas de vídeo viraram objetos de museu, o DVD assumiu o posto, e até o Blu-Ray apareceu, e eu ainda não havia visto “O Dragão Relutante”. Foi quando, em dezembro de 2014, o canal americano TCM (o canal mais abençoado de todos os tempos, e também o paraíso dos fãs de cinema clássico) exibiu o filme como parte de sua série Treasures from the Disney Vault. Foi então que eu relembrei aquele trailer que tinha me marcado tanto na infância, e adicionei “O Dragão Relutante” às minhas resoluções cinematográficas de 2015. O resultado? Foi muito bom ter esperado tanto para ver o filme.
As crianças com certeza gostariam de “O Dragão Relutante”, mas são os adultos que conhecem um pouco sobre a história do cinema em geral e da Disney em particular que apreciarão mais ainda. Porque o filme é muito mais que um dragão bonzinho. É uma visita aos bastidores dos Walt Disney Studios, uma rara visão do processo criativo das imagens e sons que encantam as plateias, e uma fonte inesgotável de sorrisos.
Robert Benchley é convencido pela esposa a tentar vender uma história para Walt Disney. Aí já começa a diversão: fica claro que a esposa (Nana Bryant) é quem manda, e talvez este detalhe do relacionamento não seja tão divertido para as crianças quanto o é para os adultos. Robert é levado em um tour pelos Estúdios Disney por um jovem e sem graça guia turístico, Humphrey (Buddy Pepper), e logo Robert consegue escapar dele. Ele então passa pela sala dos desenhistas (onde claramente “Dumbo” está sendo gerado), pela sala de dublagem (onde somos apresentados a Clarence Nash, que dubla o Pato Donald), pela sala de efeitos especiais e chega, magicamente, à sala do Technicolor.
Aqui temos uma mudança digna de Dorothy na Terra de Oz: ao fechar a porta Robert entra em um mundo de cores, e ele próprio reconhece que está agora sendo visto em Technicolor. Lá ele conhece o processo de animação do famoso desenho em que Donald tem problemas ao ordenhar uma vaca (aposto que este desenho fez parte de sua infância!). Depois ainda passamos pela “sala do arco-íris” (onde os desenhos recebem cores, e onde vemos Bambi pela primeiríssima vez!), a sala das esculturas (olhe lá Chernabog, que foi motivo de pesadelos para todos que viram “Fantasia”), a sala dos animadores (Pateta! Goofy!) e finalmente nos encontramos com Walt Disney e com o próprio dragão relutante.
Além de Clarence Nash, que dificilmente seria reconhecido pelas crianças, há ainda outras pequenas pérolas que só adultos e cinéfilos notariam: a trilha sonora reproduz as músicas do maior êxito de Disney até então, “Branca de Neve e os Sete Anões / Snow White and the Seven Dwarves” (1937), o lendário animador Ward Kimball apresenta o primeiro desenho da série “Goffy How To”, Einstein, Freud e Dalí viram personagens animados. E quem é aquele desenhista segurando o modelo do bebê Weems? Ninguém mais ninguém menos que Alan Ladd, mais bonito que nunca!
Alan Ladd e Robert Benchley
“O Dragão Relutante” estreou durante uma greve dos animadores dos Estúdios Disney, que se mobilizaram para boicotar o filme. Houve um problema envolvendo o Código Hays e o umbigo do dragão( !!) que quase impediu a estreia. Mas o prejuízo foi principalmente resultado da decepção do público, que esperava um filme completamente animado, e não uma mistura de animação e live-action. Este aviso no começo do filme não adiantou:
Cartaz criado pelos animadores em greve
Os Estúdios Disney talvez não fossem um lugar maravilhoso como o filme tenta mostrar (a música que acompanha a entrada de Robert nos estúdios é “Whistle While You Work”), mas sem dúvida são um lugar onde sonhos são criados. Se não fosse o TCM, talvez eu não me lembrasse do desejo de ver este filme. E, se não fosse “O Dragão Relutante”, eu talvez não estaria pensando em como eu amo os clássicos Disney.


This is my contribution to the TCM Discoveries Blogathon, hosted by the knowledgeable Nora at her blog The Nitrate Diva. #LetsMovie

2 comentários:

Pedrita disse...

eu adoro as animações da disney. o dragão relutante acho que não vi. beijos, pedrita

Didi Cesário disse...

Off topic - li seu artigo no Thoughts on The Thin Man. MUITO BOM!!!!! Parabéns!

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