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domingo, 10 de outubro de 2010

Orson Welles – “O” diretor

Welles é meu diretor preferido. Ele me conquistou desde A Dama de Xangai, maravilhoso filme noir com Rita Hayworth. Neste mês, o TCM exibe semanalmente filmes do consagrado diretor. E, mais uma vez, traz um belo texto sobre esse mestre da sétima arte:





A obra de Orson Welles é uma curiosa fusão com sua vida, e as duas respondem à definição que Jorge Luis Borges deu de Cidadão Kane (1941): um labirinto sem centro. O enigma do surgimento e queda dos “homens maiores que a vida” foi a constante de sua obra, um enigma que, na tela, representou com torturado barroquismo. E essas tramas labirínticas refletem sua vida: garoto prodígio, órfão vagando pela Irlanda e Marrocos, toureiro na Espanha, diretor de teatro de vanguarda e presença ubíqua nas mídias de massa norte-americanas aos 22 anos de idade.

Seu salto à fama mundial ocorreu com uma brincadeira um tanto sinistra: sua representação no rádio de A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, foi tida como uma verdadeira transmissão de uma invasão extraterrestre e provocou um pânico massivo que culminou com alguns suicídios. Em vez de ser execrado, o jovem de 24 anos ganhou um contrato inédito: a RKO concordou em lhe dar liberdade para rodar um filme com um tema de sua escolha e com direito ao corte final, algo sonhado, mas impossível até para os mais louvados veteranos de Hollywood.
O que se seguiu foi a realização do filme considerado, com justiça, o mais importante da história do cinema: Cidadão Kane. E, depois, a queda, ou suposta queda. Sua carreira continuou com a ambiciosa adaptação de uma história praticamente autobiográfica, uma alegoria de sua infância consentida e torturada: Soberba (1942), mutilada de maneira selvagem pelo estúdio.
A partir daí, começou a ser construído o mito do gênio maldito, o de um diretor talentoso demais para Hollywood. E ele voltou a vagar pelo mundo em busca de financiamento - dizia-se que Welles gostava mais de seduzir produtores para financiar seus projetos do que de executá-los.
Somada a isso, sua incapacidade patológica de finalizar seus projetos faz com que, quando observamos sua escassa, ainda que gigantesca obra, nos deparemos com uma misteriosa paisagem de ruínas imponentes. Por outro lado, sua paixão o manteve filmando seu grande sonho de décadas, uma versão de Don Quixote, por trinta anos.
No TCM, fazemos uma homenagem à baleia branca do cinema, o prodigioso Orson Welles com seus clássicos como diretor, Cidadão Kane e A Dama de Shanghai (1947), e suas participações como ator em Jane Eyre (1943) e Jornada do Pavor (1943), nos quais também é fácil discernir a mão por trás das câmeras do onívoro diretor.


Agora, uma curiosidade: os dez filmes favoritos de Welles:


1. City Lights (1931, Charles Chaplin) 

2. Greed (1924, Erich von Stroheim) 
3. Intolerance (1916, D.W. Griffith) 
4. Nanook of the North (1922, Robert J. Flaherty) 
5. Shoeshine (1946, Vittorio De Sica) 
6. Battleship Potemkin (1925, Sergei Eisenstein) 
7. The Baker's Wife (1938, Marcel Pagnol) 
8. Grand Illusion (1937, Jean Renoir) 
9. Stagecoach (1939, John Ford) 
10. Ninotchka (1939, Ernst Lubitsch)


Beijos!

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