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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Humor e preconceito: americanos e italianos em “Começou em Nápoles”

Comédias românticas são quase sempre previsíveis. Este filme nos prova que assim foi desde os áureos tempos do cinema clássico. Se um casal que aparentemente não tem nada em comum começa o filme se estranhando, é final feliz na certa.


É isso que acontece com Lucia Curcio e Mike Hamilton em “Começou em Nápoles”. Eles não têm nada em comum, a não ser o fato de que Sophia Loren é bonita e Clark Gable foi bonito. Ela é uma sensual dançarina de boate, cunhada de Mike, que cria o sobrinho de ambos, Nando, após este ficar órfão. Ele, um advogado cheio de preconceitos em relação à Itália que passa a lutar pela guarda do sobrinho preocupado com o futuro do simpático garoto.  Nas idas e vindas da agitada vida noturna da ilha de Capri os dois acabam, obviamente, se apaixonando.

Lucia e Nando falam inglês porque lidam com turistas, assim como o advogado vivido pelo diretor Vittorio de Sica. Mas, quando discutem, gritam em italiano, comportamento mostrado em várias produções, como nas telenovelas brasileiras. Além de escandalosos, os italianos são mostrados como mulherengos e irresponsáveis. Lucia, por exemplo, deixa o pequeno sobrinho fumar, trabalhar até de madrugada entregando panfletos e não o leva à escola. Só mesmo a chegada de Mike para botar a vida nos trilhos!

Mas não se enganem: os americanos também são criticados, através de uma canção. Na boate, Sophia Loren canta, vestida com um maiô e uma saia retalhada, a música “Tu Vuò Fa’ L’Americano”. Segundo a letra, para os italianos os americanos se resumem a “Whisky & Soda e Rock n’Roll”.  


Preconceitos à parte, vemos na tela o crepúsculo de um ídolo, Gable, já acima do peso e grisalho, contrastando com a beleza de uma estrela em ascensão, Loren, jovem e fogosa. Um casal que dificilmente convence o público, afinal, são 33 anos que separam suas datas de nascimento!

Além do romance certo, o filme nos reserva boas risadas. Logo no início podemos gargalhar com a recepção promovida por De Sica (aliás, ótimo sempre que aparece) e mesmo perto do fim a audiência no tribunal não deixa de ser divertida. E, nas cenas de Gable convivendo alegremente com seu sobrinho fictício, temos a oportunidade de acrescentar mais uma emoção: a tristeza disfarçada em um leve sorriso. É impossível não imaginar que Gable seria daquele jeito feliz e cúmplice com seu filho se tivesse vivido para conhecê-lo. 


6 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

É uma comédia romântica bastante simpática, embora não passe disso. O melhor é o De Sica. Impagável.

O Falcão Maltês

Donnie disse...

Oi quando tiver um tempinho de um pulinho lá no meu blog. abraços

http://tocadoscinefilos.blogspot.com/

Cinéfilo disse...

Lê, estou impressionado com a profundidade dos pensamentos e o estilo da escrita. Parabéns!

Vick Sayuri disse...

Adorei seu blog Lê! Foi muita boa sua visita no Cinepub pois tive a oportunidade de conhecer esse belo trabalho com filmes clássicos. É algo que estamos tentando investir também no blog. Topa uma parceria?

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Oi, Lê, o que acha da Marlene Dietrich? Estou com um especial sobre ela.
Abração.

O Falcão Maltês

Yohana SanFer disse...

Nunca assisti mas me remete a algo que já li...obrigada por sua visita e comentário! seja sempre bem vinda!

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