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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Em Hollywood, sem aliança

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15 de agosto é dia do solteiro. Parabéns para mim. E para muitas outras pessoas que mostram que é possível ser feliz sozinho. Um cumprimento especial a duas moças que desafiaram as expectativas da sociedade da época do cinema mudo e permaneceram sem aliança na mão esquerda, trocando um perecível casamento pelo sucesso e admiração que permanecem ainda hoje.
A primeira delas é Lillian Gish. A donzela sofredora das décadas de 1910 e 1920 é um curioso amálgama de conservadorismo e modernidade. Tradicional na defesa de que não havia racismo em “O Nascimento de uma Nação / The Birth of a Nation” (1915) e na referência a “Mr. Griffith” até a velhice, mesmo que o diretor a considerasse sua amiga próxima. E moderna no pioneirismo como diretora ainda em 1920, além da interferência direta e pessoal junto a William Hays para que ele não censurasse nada em  “A Letra Escarlate / The Scarlet Letter” (1926).
"Oh, não! Vou ficar para a titia!"
Embora sua vida amorosa seja pouco conhecida, sabe-se que ela namorou o crítico e editor George Jean Nathan e terminou seu relacionamento com ele ao descobrir que ele era judeu. Ela não considerou nem mesmo o fato de a futura sogra ser católica e de o namorado ter a mesma visão conservadora que ela. Outro namorado, o produtor Charles Duell, envolveu-a num escândalo revelando detalhes da relação à imprensa.
Aos 90 anos de idade, em uma entrevista, Gish disse que nunca se casou porque jamais seria uma boa esposa e dona-de-casa trabalhando como trabalhava, 12 horas por dia, 7 dias por semana, tendo sua mãe como grande modelo de esposa dedicada.  Isso não impediu que ela colecionasse admiradores, famosos e anônimos. John Gilbert foi um deles. Além de ela considerá-lo um belo ator e bom amigo, ele próprio estava caidinho por ela. Tanto é que, durante as filmagens de “La Bohème” (1926), ele sempre errava alguma coisa na gravação de cenas de romance para que eles pudessem se beijar de novo. E de novo. E de novo...
Gish e Garbo no set de "The Wind"
A outra é Greta Garbo. A divina sueca, modelada por Hollywood tanto na aparência quanto no comportamento. Ingênua e acessível aos jornalistas ao chegar, reclusa e misteriosa ao sair de cena. Esta, sim, completamente moderna: usava roupas masculinizantes e desejava ardentemente fazer personagens masculinos no cinema.
Seu visual e seus modos andróginos fizeram surgir boatos de realções com homens e mulheres. Um dos mais conhecidos é a amizade com Mercedes de Acosta, poetisa com quem ela não teve nenhum envolvimento amoroso, como mostrou a correspondência trocada entre elas. A atriz Louise Brooks chegou a alegar que ela e Garbo tiveram uma breve ligação em 1928. Outras fofocas, estas heterossexuais, incluem o ator George Brent, o compositor Leopold Stokowsky e o fotógrafo Cecil Beaton.

Um romance sério foi com,surpresa (!), John Gilbert. Seu par romântico em “A Carne e o Diabo / Flesh and the Devil” (1926) e “Rainha Christina / Queen Christina” (1933), entre outros, foi quase esposo de Garbo. Ela deixou-o plantado no altar em 1927. Mais tarde ela diria que “Não é preciso estar casada para ter um bom amigo como parceiro na vida”. Gilbert se casou quatro vezes, sendo a terceira, em 1929, com Ina Claire, coadjuvante de Greta em “Ninotchcka” (1939). Garbo ficou arrasada com o matrimônio.
Coincidentemente (ou não) Garbo recebeu conselhos de Gish no início de carreira. O estúdio mandou-a assistir às filmagens de “A Letra Escarlate” para que aprendesse a atuar com Lillian. A veterana fez mais do que isso: ensinou-lhe também a escolher os melhores papeis e não ser tão aberta com a imprensa. Depois do fracasso de “O Vento / The Wind” (1928), Lillian Gish foi demitida da MGM. Greta Garbo foi colocada em seu lugar. Não apenas na tela, uma sucedeu a outra no posto de mulher forte, que tem o mundo a seus pés e, talvez por causa disso, nenhum homem que se atreva a propor-lhe casamento.

8 comentários:

lematinee disse...

Oi Lê! Tudo bom?

Que bom que gostou do Blog! Valeu pela visita!

Dei uma olhada no teu, achei bem bacana tb! Vou adicioná-lo no Blogroll do Le Matinée!, ok?

Assim que der, volto de novo aqui, pra ler seus posts com mais calma!

Bjo!

Natalia

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Lê, sou alucinado pela Lillian Gish. Se fosse escolher alguém para representar a história do cinema, seria ela. Adoraria ver o documentário sobre ela feito pela Jeanne Moreau nos anos 70. Gish nunca foi muito bem compreendida no cinema falado, mas era uma excelente atriz. VENTO E AREIA é uma obra-prima. Li em diversos lugares que a Gish era lésbica, discreta e tal como a Garbo.
Belo post.

O Falcão Maltês

leandroaleixo disse...

Parabens a todos os solteiros,curti seu blog...vlwllw!

Kley disse...

Lê, fiquei fascinado pelo seu Blog, principalmente porque nossos gostos são parecidos: Ambos gostamos demais de ...E o Vento Levou (meu favorito), ambos achamos Orson Welles o maior gênio do cinema. Fantástico. Agora tenho aqui um novo point de informações cinematográficas na net.
Bjss!

Thiago Priess Valiati disse...

Olá!
Estava navegando pela internet e caí no seu blog.
Parabéns! Muito legal ele!
Também tenho um blog de Cinema. Se mais tarde puder dar uma olhada e, eventualmente, adicionar a sua lista de blogs (ja adicionei), ficaria honrado!

http://this-is-cult-fiction.blogspot.com/

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

LÊ, estou com o DOSSIÊ GRETA GARBO. Apareça! Abração,

O Falcão Maltês

Carla Marinho disse...

Oi LÊ, também andei lendo que Gish era lésbica. Fico na dúvida, vou pesquisar mais sobre isso. Grande abraço!

silentbeauties disse...

Oi, Letícia! Que prazer ler umm pouco mais do seu blog com a sua visão profunda sobre o cinema clássico e um toque 100% brasileiro.
Lilian Gish é minha atriz clássica favorita. A minha foto de perfil já mostra isso. Apesar de Garbo ter todo aquele ar misterioso, para mim Lilian Gish é a mais misteriosa das duas. Ainda vejo Greta Garbo como uma moça ingênua vinda de um país distante e que de repente é jogada aos holofotes e a um meio social muito glamuroso e competitivo. Deve ter sido difícil para ela lidar com tamanha competição e o isolamento provavelmente foi a opção mais atraente.
Já no que se refere a Lilian Gish às vezes a personalidade dela se torna complexa demais para que eu consiga entender com clareza.
Louise Brooks no seu livro "Lulu em Hollywood" chegou a afirmar que Lilian Gish foi deliberadamente "queimada" pelo próprio estúdio. E o advento do cinema falado acabou servindo de desculpa para os estúdios prejudicarem as carreiras de alguns atores. Porém, é sempre bom ver essa afirmação com cautela. Afinal, Brooks estava apenas dando a opinião dela no livro. Claro que é a opinião de uma atriz de grande sucesso na fase final do cinema mudo, mas ainda assim é a opinião de um ser humano e essa opinião pode estar sujeita a mil influências.
Enfim, ótimo post! Obrigada por divulgar a vida e a obra dessas grandes atrizes para o público brazuca do século XXI. A memória dessas divas merece ser preservada e divulgada.

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