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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Myra & Anna Karenina: de Tolstoi à Ponte de Waterloo

Recentemente, assistindo à versão de 1997 de “Anna Karenina”, reportei-me a dois filmes clássicos. Um deles foi “Doutor Jivago / Dr. Zhivago” (1965), devido à paisagem russa coberta de neve. O outro foi “A Ponte de Waterloo / The Waterloo Bridge” (1940), por conta do final em comum. Se o destino da aristocrata Anna e da bailarina Myra se cruzam, não podemos dizer o mesmo de suas trajetórias. Afinal, como duas personagens tão diferentes vieram a ter o mesmo desfecho?
Myra é uma bailarina inglesa que tem sua vida mudada durante a Primeira Guerra Mundial. Durante um bombardeio, ela conhece Roy Cronin (Robert Taylor), um militar que está de folga. Eles vivem dias apaixonados entre espetáculos de balé e bailes elegantes, até que o sossego do casal é interrompido pelo conflito. Myra promete esperá-lo, mas sua vida não está fácil. Depois de ser expulsa do grupo de balé ao ir se despedir de Roy e chegar atrasada ao espetáculo, ela e a amiga Kitty (Virginia Field) afundam cada vez mais. É quando recebe seu maior golpe: a notícia da morte do amado. Deseperada e desiludida, ela vê como única saída tornar-se garota de programa para sobreviver.

Anna Karenina é uma mulher da elite russa, casada e com um filho, que se apaixona pelo charmoso conde Vronsky. Ela não disfarça sua paixão e passa a ser muito malvista pela sociedade conservadora e hipócrita e, ao se divorciar, tem a guarda de seu filho tomada pelo marido. Indo viver com o amante e sofrendo um aborto, ela fica viciada em ópio e vê seu amado cada vez mais preocupado com a carreira e o trabalho, deixando-a de lado.
Anna e Myra sofrem e morrem por amor, cada uma a seu modo. Anna é passional em suas atitudes e não tem vergonha de demonstrar seus sentimentos. Myra só toma uma decisão drástica ao pensar que lhe aconteceu uma tragédia e se envergonha do caminho que sua vida tomou. Anna é condenada por ter encontrado o amor de sua vida e ido para junto dele, abandonando tudo: sua sanidade, sua família, sua saúde. Myra inicia sua derrocada após pensar ter perdido o homem que amava e agarra-se ao único trabalho possível porque já não tem mais nada para abrir mão.
“Anna Karenina” foi publicado entre 1873 e 1877. Sua primeira livre adaptação para o cinema aconteceu em 1927, intitulado “Love”, estrelando Greta Garbo e John Gilbert. As demais adaptações são mais fiéis ao original. Seguiram-se ‘Annas Kareninas’ em 1935, com Fredrich March e novamente Garbo, em 1948, com (surpresa!) Vivien Leigh e Ralph Richardson, e 1997, com Sophie Marceau e Sean Bean. Há boatos de que uma nova versão está sendo produzida, com Keira Knightley no papel-título.
“A Ponte de Waterloo” surgiu como uma peça de teatro da autoria de Robert E. Sherwood, sendo adaptada pela primeira vez para o cinema em 1930, com Mae Clarke no papel principal, contando ainda com Bette Davis fazendo uma ponta. E, vejam só, há duas telenovelas brasileiras homônimas, feitas em 1959 e 1967 pela TV Tupi.
Unidas por seu trágico destino, Myra e Anna foram, coincidentemente, interpretadas por Vivien Leigh em tempos mais hipocritamente puritanos, em que uma mulher peca e é, automaticamente, condenada. Seja como a aristocrata russa, a malfadada bailarina inglesa ou (não dá para não citar) a mimada mocinha sulista, Viv empresta seu charme e seu talento para dar vida a personagens tão tragicamente cativantes.

21 comentários:

Malu disse...

Sem mais, apenas digo que são grandes obras... Abraços e grata pela passagem em meu blog!!

SORAYA VIPOESIAS disse...

Lê!
Agradeço sua visita ao meu blog. Adorei o seu tbem, amo literatura e como é bom passear pelas linhas dos grandes clássicos. Ana Karenina demais!
Parabéns e sucesso!
Soraya

Eduardo Andrade disse...

Olá, Lê
Estou encantado por seu interesse nas obras comentadas, considerando, particularmente, a sua juventude. Parabéns!

lis disse...

Oi Lê
Um blog que gosto , resenhas livros, filmes o que for.
Me agrada muito essas leituras quer frpoiddr trasformam em filme ;
Um show fua visita,nos vemos por aí,ok
abraços

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Muito boa a sua análise, Lê. Realmente são personagens bem diferentes que terminam com o mesmo fim moralista.
Abraços,

O Falcão Maltês

Jefferson Clayton Vendrame disse...

Como Sempre não me canso de lhe dizer, adoro seus posts.
abraços

Daniele Moura disse...

Lê,
parabéns pela sua homenagem.
Dá pra perceber claramente que textos sobre a carreira de Viv não estão nada , nada batidos. Muito criativo.

Maíra Cintra disse...

Super interessante seu blog... diferente... adorei... votarei mais vezes aki!
Beijos e uam ótima semna

Bk. disse...

aiin que lindos! amei teu blog :)
http://largataazul.blogspot.com/

Elisa T. Campos disse...



Obrigada pela visita.
Tão novinha e já uma cinéfila
Fiquei encantada com as obras comentadas.Parabéns.
Uma linda semana para você.

#MeuUniversoParalelo disse...

adorei o blog, (:
muito obrigado pela visita no meu blog! *o*
beijos e boas emana! ;*

Alê disse...

Muitos clássicos aqui,


Bjka

Elisabete B. disse...

Acredita que li Anna Karenina, pois sou mais apegada à literatura e adoro Tolstoi, porém nunca assisti ao filme? Preciso vasculhar as prateleiras de uma locadora, não é mesmo? Super curiosa!!!
Estou amando esses cinéfilos!!! rsrs

brilho de uma lembrança eterna disse...

Ah adorei seu Blog, diferente, bem legal, estou seguindo, e vou ver se leio tudo ainda hoje heheheeh xD
Obrigada pela visita no meu Blog, http://mylostworldjm.blogspot.com/
Tenha uma ótima semana, passarei por aqui sempre que for atualizado *-*

Rui Luís Lima disse...

Obrigado pela visita e comentário. Vi o "Waterloo Bridge" na Cinemateca e gostei imenso do argumento e das interpretações do Robert Taylor e da Vivien Leigh, que como sabemos teve uma vida pouco feliz com um final trágico.
Cumprimentos cinéfilos e Parabéns pelo blog.
Rui Luís Lima

ARTEIRO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ARTEIRO disse...

obrigado le
seu blog é maravilhoso
como vc chegou ao fabianoarteiro?

VAN CURTT disse...

OLÁ QUERIDA! Fiquei estarrecido com a qualidade da informação passada no seu blog. Mesmo trabalhando no ramo da literatura policial sou fã incondicional da época em que poucos efeitos visuais os filmes tinham, então por isso, eram obrigados a ser bons e ter roteiro. Marcarei o seu blog para seguir, logo depois de eu redescobrir como se faz isso! (rejeito a maioria dos espalhafatosos) Rsrsr... Posto muito pouco no meu blog (vancurtt.blogspot.com) não por não ter nada para postar, mas por não poder postar... um coroinha não pode dizer de um monge. Kkk... passe por lá, passarei por aqui... quando surgir a data do meu lançamento, avisarei!
Beijíssimos...

E. SANCHES disse...

Parabéns pelo Blog.
Muito legal mesmo.
É uma viagem pelo cinema clássico.
Sobre Ernet Borgnine, ele é incrível e está ainda agitando na internet.
Você conversa com ele no Facebook e ele te da a maior atenção.
Quem diria aos 94 anos de idade com todo esse respeito e ateção pelos fãs.
Façam um teste, solicite sua amizade no Facebook e vejam.
Vou passar por aqui mais vezes.

www.bangbangitaliana.blogspot.com

Breakthrough disse...

muito legal, sempre quis saber mais informações sobre Anna Karenina, você realmente vai se dar bem na profissão que pretende seguir :)

Ruby disse...

Suspeita pra falar, sou muito fã da Vivien, tipo ler biografia e tudo, eu não gosto da versão atual de Anna Karenina. Hoje, uma data especial, ano do centenário de nascimento dessa diva de vida tão complicada, te agradeço pelo post. Muito lindo.

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