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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A Mosca da Cabeça Branca / The Fly (1958)

Antes de se tornar o rei dos filmes de terror na década de 1950, tendo como rival apenas Christopher Lee em sua parceria com Peter Cushing, Vincent Price foi coadjuvante em produções como “O Fio da Navalha / Razor’s Edge” (1946) e “Os Três Mosqueteiros” (1948). Ninguém nessa época pensaria que aquele homem de voz imponente se tornaria um ícone do horror.
“A Mosca da Cabeça Branca” pode parecer, à primeira vista, apenas mais um filme de terror para impressionar multidões no Halloween, mas em poucos minutos ele se torna uma caixinha de surpresas. Primeiro, Vincent Price não é nenhuma criatura sobrenatural ou sequer o vilão da história: ele é um dos envolvidos, embora não diretamente, no drama que se desenrola quando sua cunhada Helene (Patricia Owens) é acusada de matar o marido Andre (David Hedison, aqui creditado como Al Hedison). A cabeça de Andre foi esmagada em uma das máquinas da fundição da família Delambre, e Helene tem um álibi simplesmente inacreditável: ela diz que o marido pediu que ela o matasse.
Muitos problemas surgem, incluindo debates sobre o futuro do filho do casal, Philippe (Charles Herbert) e a sanidade mental de Helene, até que ela conta a François (Vincent Price) que uma das experiências do marido tivera consequências catastróficas. Andre inventou uma máquina de teletransporte e, depois de muitos testes, incluindo um no qual o pobre gato Dandelo ficou perdido para sempre no limbo, Andre decidiu que ele seria o próximo a ser teletransportado. Isso significaria um avanço imenso na ciência se uma mosca intrometida não entrasse na máquina junto com Andre: as matérias dos corpos de homem e mosca, depois de suspensas por alguns segundos, se reuniram e se misturaram. Andre ficou com cabeça e braço de mosca.
Não há nada de terrivelmente assustador no filme, mas há suspense a todo momento. É impossível não ter compaixão por Helene, que todos consideram louca. Vários momentos são dignos de prender o fôlego, em especial quando Philippe caça uma mosca no quintal e depois conta que ela tinha uma cabeça branca. Começa assim a busca pela outra metade de Andre Delambre, que poderá ser perdida para sempre ou encontrada e exibida como uma aberração. A fotografia a cores mostra bem o contraste entre o laboratório escuro e sombrio, em especial depois do insucesso da experiência, com o resto da casa, clara e arejada. A beleza de Patricia Owens faz contraponto à destruição causada pelo terrível segredo que ela guarda e mesmo Hedison, um ator bonito, dispensou o dublê e se submeteu à pesada maquiagem e fantasia de mosca. Detalhe: o espanto de Helene, a esposa, é real, porque a atriz tinha medo de insetos e não lhe foi permitido ver a fantasia que Hedison usaria antes de rodar a cena.
Quando chegou a hora de ver o contraponto do doutor, ou seja, a mosca com cabeça humana, uma miniatura animada foi usada. Isso acontece no clímax do filme e, apesar da seriedade que o momento exigia, Vincent Price e Herbert Marshall, que interpreta o inspetor Charas, sempre gargalhavam ao olhar para a miniatura. Ao pedir socorro, a pequena mosca gerou uma das mais poderosas frases do cinema de terror, mas ao mesmo tempo desagradou David Hedison. O protagonista ficou furioso ao perceber que sua voz havia sido modificada digitalmente para a cena. Mesmo com tantos detalhes curiosos, a cena é excelente.  
O filme foi baseado em um conto publicado na revista Playboy em 1957, escrito por George Langelaan e adaptado para as telas pelo iniciante James Clavell, que mais tarde seria o roteirista e diretor de “Ao Mestre, Com Carinho / To Sir, With Love” (1968). O sucesso do filme de terror foi imediato, entretanto o diretor Kurt Neumann não viu a estreia de sua melhor criação, pois faleceu semanas antes. Duas sequências se seguiram: “O Monstro de Mil Olhos / Return of the Fly” (1959), novamente com Vincent Price, filmado em preto e branco e focando na jornada também destrutiva de Philippe Delambre, herdeiro da máquina e das ideias de teletransporte; e “A Maldição da Mosca / Curse of the Fly” (1965), com personagens diferentes do original. Um remake foi feito em 1986, com Geena Davis, Jeff Goldblum e um roteiro modificado.  
Modesto no orçamento, com um laboratório construído de entulho das Forças Armadas, “A Mosca da Cabeça Branca” foi um estrondoso sucesso de público e crítica, se tornou clássico Cult e um marco na carreira do sempre assutador Vincent Price.
Um sapo em um filme sobre moscas? NÃO!!!!
This is my contribution for the Vincent Price Blogathon, hosted by the Nitrate Diva and honoring a master of horror.


13 comentários:

Marcelo Castro Moraes disse...

Por melhor que seja esse filme, a refilmagem comandada por David Cronenberg é muito superior.

The Metzinger Sisters disse...

Very enjoyable! Reading this makes me want to watch The Fly again. Vincent Price was WONDERFUL in every role he took on. I had forgotten that Charles Herbert starred in The Fly as well, I remember him most for his part in another horror film, Castle's "13 Ghosts".

Maria Sofia Teixeira disse...

Eu não sou muito fácil de assustar mas este homem-mosca sempre me fez IMENSA impressão !! Bom artigo, acho que vou ter de ver este clássico no Halloween!

Rich disse...

Nice post, but you may wanna make one correction: Geena Davis was in the 'Fly' remake, not Gena Rowlands.

ajanelaencantada disse...

Aqui está um filme que em breve terei no meu blog, já que estou preparando um ciclo Vincent Price. Excelente análise. Cumprimentos.

nitratediva disse...

I really enjoyed your thoughtful review of the fly, especially your behind-the-scenes facts about how actors reacted to the make-up and special effects. I also think you make a good point about how we all expect Price to be the villain in a horror film—when he could be a very strong positive presence as well.

Thank you for participating in the blogathon!

annadynamite disse...

I enjoyed your post very much; THE FLY is one of my favorite Vincent Price films. I do love the remake as well, but the two films are entirely different beasts. The variety of films people discussed for the Blogathon just speaks to Price's amazing career.

Thanks a lot for this review!

-anna

Carol disse...

I am just seconding Nitrate Diva: I really appreciated your discussion of the actors' response to the make-up and effects. And thanks for the fine post!

Catherine disse...

Hi Le,
I really enjoyed reading your great write-up on "The Fly"! I have never seen this movie, but after reading your post I really want to watch it!
Interesting that Price plays a non-villain in "The Fly". As others have mentioned in previous comments, he was such a versatile talent!
I love the lobby photograph showing Price, Herbert Marshall and the little boy. What a great piece of movie memorabilia!

Suzane Weck disse...

Ola querida LE,não vi o filme pois na época que passou,lembro que fiquei um tanto aterrorizada com o tema e resolvi deixar passar...Além do que Vicent Price nunca foi dos meus preferidos.[sempre sentia um arrepio ao vê-lo].A tua postagem e resenha sobre o filme está sensacional.Parabéns e meu maior abraço.SU

grandoldmovies disse...

I've always found the ending of this film to be its high point, the finding of the white-headed fly - even today, it's still an eerily memorable scene. Interesting that the actress playing the wife was so afraid of insects in real life! THanks for your post!

Horrorella disse...

Nice work! It's been forever since I've seen The Fly. You've inspired me to go back and revist it!

Gui P. disse...

Muito bom !! copiei e citei vc nesta página !

https://www.facebook.com/cineclubfilmesruins

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