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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Quando Paris Alucina (1964) / Paris When It Sizzles (1964)


Dez anos depois de sua última parceria, “Sabrina” (1954), William Holden e Audrey Hepburn se encontraram novamente em um estúdio de cinema – ou melhor, em dois estúdios de cinema. “Quando Paris Alucina” (1964) é um filme metalinguístico, ou seja, é um filme sobre fazer filmes, e ele tem um filme dentro de outro filme. Pode parecer confuso, mas a película é na verdade muito boa para ajudar as pessoas a compreenderem como os filmes são feitos – e como esse processo pode ser caótico.

Ten years after their previous collaboration, “Sabrina” (1954), William Holden and Audrey Hepburn met again on a movie set – or better, at two movie sets. “Paris When It Sizzles” (1964) is a metalinguistic film, that is, a film about making films, and it has a film inside other film. It may sound confusing, but the movie is actually a very good one to make people understand how films are made – and how chaotic this process can be.


Richard Benson (William Holden) é um roteirista que está trabalhando no roteiro do seu próximo filme, chamado “A Garota que Roubou a Torre Eiffel”. Ou ele deveria estar trabalhando: ele passou cinco meses se divertindo, bebendo, tomando sol e procrastinando e agora ele só tem dois dias para entregar um roteiro de 130 páginas.

Richard Benson (William Holden) is a screenwriter who is working on the screenplay for his next film, called “The Girl who Stole the Eiffel Tower”. Or he should be working: he spent five months partying, drinking, sunbathing and procrastinating, and now he only has two days to deliver a 130-page script.


Uma datilógrafa, Gabrielle Simpson (Audrey Hepburn), é enviada para ajudá-lo a digitar o roteiro. Ele confessa para ela que não tem nada pronto, embora ele descreva o filme com grandiosidade, como uma mistura gloriosa de gêneros. Gabrielle fica surpresa com a situação incomum, mas mesmo assim eles começam a trabalhar juntos, com Richard jogando cara ou coroa para tomar decisões sobre o filme – como, por exemplo, se a cena inicial se passará durante o dia ou à noite.

A typist, Gabrielle Simpson (Audrey Hepburn), is sent to help him type his script. He confesses to her that he has nothing ready, although he describes his film with grandiosity as glorious a mix of genres. Even though Gabrielle is surprised with the uncommon situation, they start working together, with Richard tossing a coin to decide some things about his movie – like if the opening scene will be set by day or at night.


As coisas não vão bem. Chateado, Richard começa a conversar com Gabrielle e decide usar a história dela como inspiração. “A Garota que Roubou a Torre Eiffel” será sobre uma jovem trabalhadora festejando o Dia da Bastilha depois que seu amigo, Maurice, cancela o encontro que eles tinham. Conforme Richard imagina a ação, ela se desenrola na frente dos nossos olhos. É o filme dentro do filme.

Things are not going well. Upset, Richard starts talking to Gabrielle and decides to use her story as an inspiration. “The Girl who Stole the Eiffel Tower” will be about a working girl spending the Bastille Day festivities after her date, Maurice, dumps her. As Richard envisions the action, it develops in front of our eyes. It's the film within the film.


A garota, Gabby, também é interpretada por Audrey Hepburn. Maurice, seu amigo narcisista, é interpretado por Tony Curtis em uma participação hilária. Mas um homem misterioso, Rick, interpretado por William Holden, decide levá-la para passar um dia divertido com ele. Agora eles precisam decidir o que acontecerá a seguir. “A Garota que Roubou a Torre Eiffel” será um filme de romance? De aventura? De suspense? De horror? Ou talvez de comédia?

The girl, Gabby, is played by Audrey Hepburn as well. Maurice, her narcissistic date, is played by Tony Curtis in an hilarious cameo. But a mysterious man, Rick, played by William Holden, decides to take her out for a fun day. Now they have to decide what will happen next. Will “The Girl who Stole the Eiffel Tower” be a romantic movie? An adventure? Spy thriller? Horror film? Or maybe a comedy?


Filmes metalinguísticos são meu tipo de filme favorito. Além de apreciar “Quando Paris Alucina”, eu também me vi retratada em muitas situações. Primeiro, Richard é um procrastinador. Assim como ele, eu também estou acostumada a fazer minhas tarefas quando a data limite está próxima. Como eu não gosto da palavra “procrastinação”, eu prefiro dizer que não sou boa em administrar meu tempo, mas não importa qual termo eu uso: o resultado é o mesmo.

Metalinguistic films are my favorite kind of film. Besides enjoying “Paris When It Sizzles”, I also saw myself in many situations. First, Richard is a procrastinator. Like him, I am also used to doing my things when the deadline is approaching. As I don't like the world “procrastinating”, I prefer to say that I'm not good at managing my time, but no matter the term I use: the result is the same.


Segundo, Richard é um escritor que gosta de visualizar as cenas que ele está criando. Eu, sempre que escrevo ficção, também gosto de visualizar a ação se desenvolvendo na minha mente, por isso eu escolho alguns atores, vivos ou mortos, e às vezes até pessoas que eu conheço, para imaginá-los interpretando as cenas na minha cabeça. É mais fácil ver se o que você escreveu é verossímil se você pode, bem, ver a ação se desenrolar na sua mente.

Second, Richard is a writer who likes to visualize the scenes he's creating. I, whenever I write fiction, also like to visualize the action developing in my mind, so I “cast” some actors, dead or alive, and sometimes even people I know, to imagine them playing the scenes in my head. It's easier to see if what you wrote is believable if you can, well, see it unfolding in your mind.


Há muitas, muitas piadas envolvendo o mundo do cinema. Para começar, Gabrielle conta a Richard que seu último trabalho foi com um cineasta em cujos filmes a coisa mais importante era a ação que NÃO estava acontecendo – e eu logo pensei em Buñuel e filmes europeus experimentais.

There are many, many jokes involving the film world. To begin with, Gabrielle tells Richard that she last worked for a filmmaker in whose films the important thing was what was NOT going on – and I instantly thought about Buñuel and experimental European flicks.
 
Tony Curtis and Audrey Hepburn
Depois, Richard zomba dos atores que seguem o Método. Assim que Richard começa a visualizar o filme dentro do filme, os créditos rolam e neles está escrito “little person” no lugar dos nomes de profissionais como diretor de arte e decorador. No filme dentro do filme, Gabby diz não gostar dos filmes da Nouvelle Vague (chamados de New Wave pelos norte-americanos) porque nada acontece neles. Há algumas referências a “Bonequinha de Luxo” (1961), outro filme de Audrey. E há algumas participações especiais, incluindo Marlene Dietrich, Mel Ferrer e as participações vocais de Frank Sinatra e Fred Astaire!

Next, Richard mocks Method actors. As Richard starts envisioning the film-within-the-film, the credits appear and they have “little person” written for behind-the-cameras professionals like art director and set decorator. In the film-within-the-film, Gabby says that she doesn't like those New Wave movies because nothing happens in them. There are a few hints to Audrey’s movie “Breakfast at Tiffany's” (1961). And there are a few cameos, including Marlene Dietrich, Mel Ferrer and the vocal cameos of Frank Sinatra and Fred Astaire!


Mais do que isso, “Quando Paris Alucina” é uma lição na arte de fazer filmes. Os novatos aprendem o significado de fade in, fade out e do efeito de dissolver (“dissolve”). Nós literalmente vemos um roteiro ganhar vida na nossa frente. Nós testemunhamos o processo de brainstorm que gera um filme, e podemos ter certeza de que muitos dos, se não todos, filmes que vimos e apreciamos surgiram através deste exercício de imaginação.

More than that, “Paris When It Sizzles” is a filmmaking lesson. Beginners get to know the meaning of fade in, fade out and the dissolve effect. We literally see a script becoming alive in front of us. We witness the brainstorm process that gives birth to a movie, and we can be sure that many, if not all, flicks we've seen and enjoyed came to be through this exercise of imagination.


Audrey adiciona um toque infantil à sua Gabrielle que bem pode ser chamado de “serendipidade”, uma palavra ensinada a ela por Richard. Como Gabby, a heroína do filme dentro do filme, ela é como uma moleca, parecendo ingênua mas usando sua sagacidade sempre que precisa fugir de problemas – ela é feita do mesmo material das heroínas de cinema mudo interpretadas por Ossi Oswalda. Audrey parecia estar se divertindo muito enquanto gravava o filme.

Audrey adds a childlike touch to her Gabrielle that can be called “serendipity”, a word Richard teaches her. As Gabby, the heroine of the film-within-the-film, she is like a gamine, looking naïve but using her brains whenever she needs to escape some trouble – she is made from the same material of silent film heroines played by Ossi Oswalda. Audrey really seemed to be having a lot of fun while doing  the film.


“Quando Paris Alucina” não foi um sucesso entre os críticos. Mesmo hoje, muitos fãs de cinema não gostam muito do filme. Eu, por outro lado, acho-o bastante divertido – e, mais importante, um retrato em forma de paródia da indústria do cinema e do processo criativo.

“Paris When It Sizzles” was not a success among critics. Even nowadays, many film fans are not very fond of the film. I, on the other hand, find it very entertaining – and, more important, a tongue-in-cheek portrait of the film industry and the creative process.

This is my contribution to the Audrey at 90: The Salute to Audrey Hepburn blogathon, hosted by Janet at Sister Celluloid.


As our friend Kate Gabrielle mentioned, Audrey would have loved if, as a birthday gift, we donated some money – any quantity – to UNICEF. You can donate HERE.


Holden deu a Audrey esta joia charmosa depois do final das filmagens
Holden gave Audrey this charming jewel after the film wrapped

4 comentários:

Caftan Woman disse...

You've sold me! This sounds like something I would find amusing. I'll definitely check it out.

Virginie Pronovost disse...

I really must see this film again. I saw it once and remember kind of linking it but that's about it. However, your review really makes me want to re-visit it again asap! Maybe I'll like it better after a few years! I love how you talk about all the subtleties of the film and also how you identity yourself to William Holden's character!
Fantastic job as always, Leticia! :)

Michaela disse...

I love this film. I can see how it polarizes people -- it's really manic and bizarre and quite experimental -- but I think it's so funny and romantic. Audrey and Bill get to do so many wild things and Tony Curtis's role cracks me up. Great review!

Diary of a Movie Maniac disse...

I really liked it. Very witty and clever. I think it is one of Audrey's most underrated movies.

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