} Crítica Retrô

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Monday, April 30, 2012

Todos a bordo! Filmes com trens - Parte 1

Sugestão de consumo: Enquanto lê este post, escute esta obra-prima do compositor Heitor Villa-Lobos.

O trem foi um meio de transporte utilíssimo e que certamente marcou a vida de muitas pessoas. Acredito que vários leitores tenham doces memórias de viagens e passeios de trens. E entre essas lembranças, por que não incluir trens célebres do cinema?

Chegada do trem à estação (1895): O próprio cinema começou com um trem. Em 28 de dezembro de 1895 os irmãos Lumière projetaram suas primeiras películas. Reza a lenda que a chegada do trem assustou a plateia.   

O grande roubo de trem /The great train robbery (1903): Do primeiro filme ao primeiro faoreste. Em 1903, Edwin S. Porter rodou uma película de pouco mais de dez minutos que conta um engenhoso roubo de um trem. A cena final, com um ator atirando para a câmera, é famosa e, novamente, conta-se que causou frisson no público.

A General / The General(1927): As duas paixões de Johnnie (Buster Keaton) são sua namorada Anabelle (Marion Mack) e a locomotiva General. Quando ambas são raptadas por soldados do Norte durante a Guerra de Secessão, o covarde maquinista vai, sozinho, tentar resgatá-las.

O Expresso de Xangai / The Shanghai Express (1932): A bela Shanghay Lily (Marlene Dietrich) reencontra-se com o antigo amor, Donald Harvey (Clive Brook) durante uma viagem de trem de Xangai a Pequim. Esta é interrompida pelo ataque de bandidos, que ameaçam a vida de Donald, fazendo com que Lily tenha de agir para salvá-lo.

A Ceia dos Acusados / The Thin Man (1934): Embora o trem não seja fundamental, é no veículo que acontece o final do filme, e também onde começa e novamente termina sua sequência, “A Comédia dos Acusados / After the Thin Man”, de 1936. Quando Nick e Nora se beijam ao final do primeiro filme, o cão Asta esconde a cabeça entre as patas, cena que seria recriada no seriado “Casal 20”.

A Dama Oculta / The Lady Vanishes (1938): Uma garota rica conversa com uma governanta durante uma viagem de trem. Quando a velhinha desaparece no meio do trajeto, a garota começa a investigar o ocorrido, pois todos tentam convencê-la de que a senhora nunca esteve no trem.

Sombra de uma Dúvida / Shadow of a Doubt (1943): O clímax deste filme acontece em um trem, quando tio Charlie (Joseph Cotten) está indo embora e atrai Charlotte (Teresa Wright), com a clara intenção de livrar-se dela, pois a garota está desconfiada de que ele seja um assassino.

Pacto Sinistro / Strangers on a Train (1951): Hitchcock tinha alguma coisa com trens. É durante uma viagem numa locomotiva que o tenista Guy Haines (Farley Granger) e Bruno Anthony (Robert Walker) se conhecem. Bruno sugere uma troca de assassinatos: ele mataria a esposa de Guy e Guy, o pai de Bruno, de modo que nenhum dos dois crimes fosse descoberto.

Vale lembrar que a cena final de “Intriga Internacional / North by Northwest” (1959) também acontece num trem, lugar onde Roger O. Thornhill (Cary Grant) e Eve Kendall (Eva Marie Saint) se conhecem.

Quanto mais quente melhor / Some like it hot (1959): Logo que se juntam à banda rumo a Miami, Daphne (Jack Lemmon) e Josephine (Tony Curtis) viajam de trem com suas novas amigas. No meio da noite há incluive uma festinha na cabine de uma das meninas e, é claro, Daphne não hesita em entrar no clima. 

Thursday, April 26, 2012

Fred e Ginger, Ginger & Fred

Fred Astaire e Ginger Rogers formaram uma das duplas mais famosas do cinema. Suas figuras são tão indissociáveis quanto as de O Gordo e o Magro, Romeu e Julieta ou Tom e Jerry. Dançaram juntos em dez musicais que renderam milhões nas bilheterias. Era de se esperar que tamanho sucesso da dupla criasse um imenso legado e rendesse diversas homenagens. Foi isso que o cineasta italiano Federico Fellini fez em 1985, quando reuniu em uma sátira à televisão dois de seus colaboradores favoritos: os atores Marcello Mastroianni e Giulietta Masina.
Frederic Austerlitz nasceu em 1899. Doze anos depois nasceu sua futura parceira, Virginia Katherine MacMath.  Ele começou a dançar aos cinco anos ao lado da irmã Adele. Ginger só iria para os palcos aos 14, depois de ganhar um concurso de Charleston. Eles se conheceram na Broadway, nos ensaios de “Gun Crazy”, mas seria apenas em 1933, nas filmagens de “Voando para o Rio / Flying Down to Rio” que eles dançariam juntos. Apesar de coadjuvantes, fizeram sucesso e a RKO logo os escalou para mais musicais. Eram filmes de roteiro simples, que serviam apenas como veículos para elaborados números. 
Surgiram muitos boatos de que a dupla não se dava bem longe das câmeras, algo que nunca foi confirmado ou negado. Depois do fracasso de “A história de Vernon e Irene Castle”, em 1939, eles seguiram caminhos diferentes. Ginger revezou papéis dramáticos e cômicos, ganhando um Oscar em 1941. Fred continuou dançando com outras mulheres belas e talentosas, a exemplo de Rita Hayworth, Cyd Charisse, Judy Garland, Audrey Hepburn e Leslie Caron. Depois que envelheceu, fez papés dramáticos, participou de séries e foi indicado a um Oscar como Ator Coadjuvante por “Inferno na Torre / Towering Inferno”, em 1974. 

Em 1985, quando a televisão já predominava sobre o cinema, o cineasta Federico Fellini atacou o jovem meio de comunicação mostrando os bastidores grotescos de um programa de variedades. Em meio ao show de horrores um ex-casal de dançarinos tenta voltar à cena, depois de trinta anos sem se apresentar. Amelia e Pippo bailavam como Fred e Ginger e depois da aposentadoria dos palcos seguiram suas vidas. Ou melhor, ela seguiu, enquanto ele cultivou a saudade. Novamente Federico trata do tema do saudosismo, atacando a nova forma de diversão popular. As demais atrações são pitorescas, mas Amelia e Pippo também têm sua dose de comédia. 
Aqui, ao contrário do filme “Monstros / Freaks”, de 1932, estamos frente a um show de horrores ao qual os participantes vão por livre e espontânea vontade. E talvez isso os torne ainda mais repugnantes. Nem se tivesse uma bola de cristal Fellini poderia imaginar que estava criando um filme que continuaria tão atual. Ainda hoje, com a mania de correr atrás dos 15 minutos de fama, as mais variadas pessoas se submetem a reality shows e outros programas de televisão (ou vídeos na Internet) mostrando seus duvidosos talentos. E, como o diretor italiano, nós também olhamos incrédulos, suspirando pelo esquecimento de talentos verdadeiros de Ginger & Fred.  
Assim como os dançarinos de Fellini, Fred e Ginger se reencontraram: fizeram mais um musical, “Ciúme, sinal de amor / The Barkleys of Broadway” (1949) e, em 1950, quando Fred ganhou seu Oscar honorário, foi Ginger quem lhe entregou o prêmio.

Thursday, April 19, 2012

A morte neste jardim (1956)

Todo diretor tem marcas que o definem e o tornam facilmente identificável por seu público. Mas isso não impede que filmes peculiares surjam dentro de filmografias ricas e sejam quase esquecidos exatamente por sua peculiaridade. Neste filme de 1956, Buñuel passeia por diversos gêneros e produz algo único, mas que ainda apresenta alguns detalhes para o que chame de seu.  
Tudo começa com um clima de faroeste, quando um forasteiro chega a uma cidadezinha poeirenta. Este é o aventureiro Chark (Georges Marchal), que está sendo perseguido pela polícia devido a um assalto a banco. Depois de um grande incêndio e de uma revolta dos mineradores locais, ele se vê obrigado a fugir novamente, desta vez de barco, junto com o minerador empobrecido Castin (Charles Vanel) e sua filha surda-muda, Maria (Michèle Girardon), o padre Lizzardi (Michel Piccoli) e a prostituta Djin (Simone Signoret), que está dividida entre o amor de Chastin e o de Chark.
A partir daí, tem-se início uma odisseia, saindo da Guiana Francesa com destino à Amazônia brasileira. Enquanto zarpam, eles são perseguidos por policiais e, em terra firme, discutem em relação a uma caixa de joias e ao caminho que devem seguir. Eles tentam sobreviver neste ambiente, sem qualquer traço de heroísmo, entregando-se à cobiça e à loucura.
Não poderiam faltar insetos numa obra de Buñuel. Tendo a floresta como cenário, há a possibilidade de inserir formigas na cena em que elas cobrem uma cobra morta que serviria de refeição ao grupo. Outra marca registrada do diretor é o ataque à religião, pois o padre não ajuda muito na sobrevivência do grupo. Um dos momentos-chave é quando Lizzardi arranca algumas folhas de sua Bíblia para alimentar a fogueira, mas não chega a colocá-las para queimar. Assim como em “Viridiana” (1960), vemos um membro do clero cheio de boas intenções, tentando ajudar um grupo perdido (aqui, literalmente), mas falhando em seu objetivo.
Este foi um dos filmes feitos durante a fase mexicana de Buñuel, ainda que tenha elenco francês. Após a Guerra Civil Espanhola e com o início da Segunda Guerra Mundial, Buñuel saiu da Espanha e passou três anos trabalhando no museu de Arte Moderna de Nova York. Neste período, ele escreveu o argumento que foi adaptado para o filme “The beast with five fingers” (1946), com Peter Lorre. No mesmo ano ele foi para o México, onde realizou 19 filmes e se preparou para o auge de sua carreira, que viria com os filmes “A bela da tarde / Belle de jour” (1967) e “O discreto charme da burguesia” (1972).  
Com um misto de faroeste e aventura (do estilo “Por um punhado de dólares” encontra “Uma aventura na África”), este é um filme atípico dentro da filmografia de Buñuel. Sem deixar nada inexplicado ou abusar dos simbolismos, o diretor produz um de seus filmes mais acessíveis, mas não por isso menos belo. Inteligente e profundo, é um filme imperdível. 
Maria, Lizzardi e Chark

Wednesday, April 11, 2012

Crítica Retrô – O livro

Alguns dos leitores do meu blog conhecem minha coluna Papel & Película no site Leia Literatura. Lá eu escrevo sobre adaptações de obras literárias para o cinema, ou seja, dos livros para as telas. Resolvi inverter essa ordem e assim escrevi meu segundo livro, “Crítica Retrô – Apontamentos de uma jovem cinéfila”.
Reuni o que estava na tela (do computador, mas relativo ao que já esteve nas telas do cinema) e organizei um livro com alguns artigos publicados em meu blog, no Leia Literatura e no recém-extinto Júri de Cinéfilos do Cinebulição, além de muito material inédito, que precisou de mais tempo para ser moldado e revisado e que por isso acabou não sendo publicado online.
Já escrevi um livro, por isso sei como é todo o processo, pois continuo minha parceria com a PerSe, que permite que o autor cuide de todos os detalhes na publicação do livro. Mas dessa vez haverá uma novidade: esta obra será lançada em uma tarde de autógrafos! Chiquérrimo!
Aproveitando a Feira do Livro de Poços de Caldas, a PerSe disponibilizou aos seus autores o espaço de seu estande para o lançamento e/ou comercialização dos livros. Meu grande dia será 29 de abril, domingo que antecede o feriado do Dia do Trabalho, e o evento ocorrerá das 14 às 17 horas.
Agradeço a todos que lêem este blog e com isso me dão incentivo para encontrar sempre temas novos e interessantes. Agradeço também a todos que de algum modo atuaram na maravilhosa indústria do cinema e deram a tantos filmes o título de “clássicos”.
Espero vocês em mais esse grande passo na minha carreira!


Loja virtual:  
http://perse.doneit.com.br/Paginas/DetalhesLivro.aspx?ItemID=1229

Wednesday, April 4, 2012

Centenário de Mazzaropi

Era uma entediante tarde de domingo, há MUITOS anos (se é que se pode dizer “há MUITOS anos” quando se tem apenas 18 de idade) e eu decidi assistir a um filme que estava começando. O artista era Mazzaropi, sobre quem eu já havia lido em um almanaque. Não lembro o nome do filme, sequer o enredo, mas a lembrança do riso ficou. Riso compartilhado com milhares de outras pessoas que tiveram a sorte de vê-lo na tela grande e que também não esqueceram a comicidade deste artista cujo centenário será comemorado em breve.
Amácio Mazzaropi nasceu em São Paulo em 9 de abril de 1912, filho de um italiano com uma descendente de portugueses, e recebeu o mesmo nome do avô, Amazzio. Mas seria o outro avô sua maior inspiração, pois era tocador de viola e dançarino. Os pais passaram a trabalhar em uma companhia de tecelagem em Taubaté, onde ele mais tarde também trabalharia. Era bom aluno, sempre declamava poemas em festas escolares e foi aos 10 anos, num monólogo, que pela primeira vez interpretou um caipira.
Assim como outros astros do cinema brasileiro, Mazzaropi começou no circo, juntando-se a uma trupe aos 14 anos e contando piadas entre as apresentações de um faquir. Três anos depois, ele se viu obrigado a voltar para casa sem emprego, mas a efervescência trazida pela Revolução de 32 reacendeu sua vontade de atuar. Não demoraria para que ele transformasse o mais famoso grupo itinerante do interior de São Paulo, a Troupe Olga Crutt, na Troupe Mazzaropi, inclusive levando seus pais para trabalharem com ele.
Quase dez anos depois, Mazzaropi recebeu boas críticas por sua peça “Filho de sapateiro, sapateiro deve ser”. Com o sucesso veio em 1946 o convite para o programa Rancho Alegre, da Rádio Tupi, em que ele contava piadas e cantava ao som de uma sanfona. Só na primeira semana, ele recebeu 2000 cartas de fãs, que lotavam os espetáculos que ele fazia pelo país.
Mazzaropi teve o privilégo de se apresentar na estreia da TV Tupi tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, respectivamente em 1950 e 1951. Seu programa Rancho Alegre seria a primeira atração da televisão brasileira a contar com um patrocinador.
Ao contrário de tantos outros artistas, o cinema foi o último território a ser desbravado por Mazzaropi. Em 1951 ele assinou contrato com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, onde faria seus três primeiros filmes, passando por diversas outras produtoras até fundar a sua própria em 1958: Produções Amácio Mazzaropi, a PAM Filmes. Para produzir as primeiras películas, ele vendeu tudo o que tinha. Valeu a pena: fez mais sucesso, ganhou seu próprio programa de variedades e comprou uma fazenda para construir seu estúdio.
Em 1960 ele fez o filme Jeca Tatu, repetindo o papel de caipira em mais nove produções. No mesmo ano estreia na direção, com “As aventuras de Pedro Malasartes”. E o pioneirismo não parou por aí: “Tristeza do Jeca”, do mesmo ano, seria o primeiro filme nacional colorido em Eastmancolor, tendo sido editado no México. E, por fim, em 1973 sairia o primeiro de seus dois filmes rodados no exterior: “Um caipira em Bariloche”.
Mazzaropi ganhou diversos prêmios durante sua carreira. Seu filme “No paraíso das solteironas” rendeu, em um ano, 2 bilhões e 650 milhões de cruzeiros. Rodou um filme autobiográfico, “Betão ronca ferro”, em 1970, e dois anos depois se encontrou com o presidente Emílio Garrastazu Médici, pedindo maiores verbas para o cinema brasileiro. Ele se encontraria com mais dois presidentes, sempre falando sobre a sétima arte.
Sucesso garantido
O artista nunca se casou, mas, segundo alguns depoimentos, criou ao longo de sua vida cinco meninos, embora em algumas biografias conste que ele teve apenas um filho adotivo, de nome Péricles. Mazzaropi faleceu em 13 de junho de 1981, aos 69 anos, de septicemia (infecção generalizada), dois anos antes da morte da mãe. Fez ao todo 32 filmes e contracenou com grandes nomes, como Hebe Camargo, Odete Lara, Luís Gustavo e Tarcísio Meira, tendo estes últimos estreado sob a tutela do mestre. Ensinou gerações a rirem com sua personagem caipira, mas na vida real era ambicioso, perspicaz e gostava de se vestir com elegância. Caipira esperto, uai!  

Friday, March 30, 2012

Astros de batina

Um dos maiores desafios do ofício de um ator é interpretar personagens muito diferentes de sua realidade. Isso exige estudo e preparo, além de uma boa dose de intuição. Para os homens, talvez um dos grandes desafios seja interpretar padres e outros clérigos. Com certeza, em Hollywood não havia muitos candidatos a santos fora das telas, mas no cinema temos muitos exemplos de astros de batina.

Spencer Tracy em “San Francisco” (1936) e “A Hora do Diabo / The Devil at Four O’Clock” (1961): Se Deborah Kerr encarnou uma freira em duas ocasiões (em 1946, em “Narciso Negro” e onze anos depois em “O Céu por Testemunha”), foi Spencer Tracy o ator que por duas vezes viveu um padre. Em ambas ele exerce o sacerdócio em meio a desastres naturais. Em 1936, ele dá vida ao Padre Tim Mullen, amigo do protagonista Blackie (Clark Gable) e tenta fazê-lo mudar de vida, até que acontece o grande terremoto de 1906. Vinte e cinco anos depois, ele interpreta o Padre Matthew Doonan, que precisa retirar um grupo de crianças de um leprosário antes que um vulcão entre em erupção. Para isso, ele contará com a ajuda de três condenados, entre eles Frank Sinatra .
Bing Crosby em “O Bom Pastor / Going my Way” (1944) e “Os sinos de Santa Maria / The bells of Saint Mary” (1945): O cantor e ator Bing Crosby interpretou o mesmo padre em dois filmes. No primeiro, pelo qual ele ganhou um Oscar, Padre Chuck O’Malley usa seus conhecimentos mundanos para ajudar um grupo de crianças e ainda canta a famosa música “Swinging on a Star”. E no ano seguinte ele repete o papel ao lado de Ingrid Bergman vestida de freira. A missão deles é salvar a escola da cidade de Santa Maria. Em uma terceira ocasião, no musical “Robin Hood de Chicago / Robin and the 7 Hoods” (1964), Crosby faz um número musical disfarçado de reverendo.

Frank Sinatra em “O Milagre dos Sinos / The Miracle of the Bells” (1948): Frank interpreta o Padre Paul neste filme que gira em torno da tentativa de um agente de transformar em um evento a morte de uma aspirante a estrela de cinema. Tendo falecido após fazer apenas um filme em Hollywood, a moça vai ser enterrada em sua cidade natal e seu agente pede que todas as igrejas toquem seus sinos por três dias.
Montgomery Clift em “A Tortura do Silêncio / I Confess” (1953): O Padre Michael Logan se vê numa situação difícil após ouvir a confissão de um crime. Respeitando a regra de tornar público o segredo do confessor, ele passa a ser o principal suspeito nesta obra de Hitchcock.
Gene Kelly em “O Bom Pastor / Going my Way” (1962-63): Em um ano da série, Gene interpretou o Padre Chuck O’Malley em 30 episódios, papel feito no cinema por Bing Crosby. Em uma história mais moderna, o padre chega para ajudar um reverendo mais velho (Leo G. Carroll) e ainda encontra um velho amigo (Dick York) que cuida do centro comunitário local. Mais informações sobre a série aqui. Amém!

Saturday, March 24, 2012

Quem foi o melhor Norman Maine?

Quem lê meu blog com frequência provavelmente sabe que meu filme favorito é a versão de 1937 de “Nasce uma Estrela”. O motivo principal, além do excelente roteiro ganhador do Oscar, é o belo uso das cores, com uma tecnologia ainda nascente. Mas não é só de Technicolor que se faz um filme: os protagonistas têm um peso enorme no impacto da produção. E Janet Gaynor e Fredric March conseguem levar muito bem o ritmo do drama. Em 1954, a história ganhou um remake musical, desta vez estrelado por Judy Garland e James Mason. Todo remake faz surgir a inevitável compração: quem se saiu melhor? Portanto, apertem os cintos, porque hoje a atração é March contra Mason!

1- Charme & simpatia: Em 1937, March tinha 40 anos. Em 1954, Mason tinha 45. Podem ser as cores maravilhosas do Technicolor de 37 que me hipnotizam sempre, mas Fredric March sempre me pareceu mais atraente. Além disso, muitos depoimentos e livros dizem que Mason era um homem um pouco calado e deprimido. Nada contra, mas March ganha meu voto um pouco parcial.


2- Melhor cena de bêbado no Oscar: Ambos estão muito bem como penetras na maior festa do mundo cinematográfico. Eles têm outras cenas embriagados, é verdade, mas James Mason causa riso e constrangimento em dois momentos marcantes: logo no número inicial, ele invade o palco, deixando para uma Judy desesperada consertar a situação. E, é claro, dá um show durante a entrega do prêmio.



3- Melhor química com Vicky Lester: March tem uma atitude quase paternal para com a ingênua e desajeitada Esther Blodgett de Janet Gaynor (ele a ajuda quando ela quebra alguns pratos na festa em que eles se conheceram). Já Mason trata a personagem de Judy com mais carinho. A escolha é difícil, mas aqui quem ganha é James Mason.


4-    Melhor despedida: A que ficou na minha memória foi a do primeiro filme. March, vestido com seu roupão, diz que vai dar uma volta. Seus pés são mostrados caminhando na areia e, à beira do oceano, ele tira as sandálias. Depois, vemos apenas as notícias dos jornais. Ponto para March!
5-  Prêmios & indicações: Tanto March quanto Mason foram indicados ao Oscar de Melhor Ator por suas atuações, mas ambos perderam. March foi indicado ao Oscar em mais quatro ocasiões, ganhando duas vezes (por “O médico e o monstro / Dr. Jekyll and Mr Hide”, em, 1931, e “Os melhores anos de nossas vidas / The best years o four lives”, em 1946), além de prêmios nos festiviais de Berlim, Veneza e um Globo de Ouro em 1952. James Mason foi indicado ao Oscar mais duas vezes e nunca ganhou. Pelo personagem Norman Maine venceu o Globo de Ouro. Foi homenageado com prêmios por críticos americanos e ingleses em duas ocasiões. Ambos têm duas estrelas cada na Calçada da Fama. Quem ganha na categoria é: March.


6-  Opinião dos leitores: Foram dez votos de leitores e Mason ganhou por sete a três. Até minha mãe votou nele.

E o resultado final foi... (rufem os tambores!) empate! Três a três!

A ideia original veio do filme de 1932 “What price Hollywood?” dirigido por George Cukor e estrelado por Constance Bennetl e Lowell Sherman. Em 1937 March deu vida ao decadente astro em um filme que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro. Em 1954, James Mason deu seu toque pessoal ao personagem que, embora conte com momentos idênticos, não mimetiza a performance de March. Em 1976, foi a vez de Barbra Streisand e Kris Kristofrerson serem o casal principal do filme que ganhou o Oscar de Melhor Canção com “Evergreen”. Há boatos de uma nova adaptação, a ser dirigida por Clint Eastwood e protagonizada por Beyonce. Deus abençoe esta loucura!

P.S.: Em 1954, foram também considerados para o papel Cary Grant (o favorito de Judy), Laurence Olivier, Tyrone Power, Marlon Brando, Richard Burton, Montgomery Clift, Humphrey Bogart, Frank Sinatra e Errol Flynn (os últimos três afirmaram que queriam muito o papel).  
This entry is part of the March in March Blogathon, hosted by Jill at Sittin' on a Backyard Fence.

Monday, March 19, 2012

Dois momentos bem parecidos de Joan

Em time que está ganhando não se deve mexer. E em filme, essa máxima é válida? Nem sempre. As provas são várias: sequências ruins de bons filmes, temas explorados à exaustão e astros estereotipados ou repetindo papéis. Joan Crawford sofreu esse último mal, em dois filmes bons, mas incrivelmente semelhantes, ambos produzidos por Jack Warner e Jerry Wald.
Em 1945, sua atuação como a mãe zelosa e batalhadora Mildred Pierce, no filme “Alma em Suplício / Mildred Pierce”, lhe rendeu um Oscar. Dois anos depois viria mais uma indicação por “Fogueira da Paixão / Possessed”. Este repete consideravelmente a fórmula do primeiro, contando, inclusive, com uma filha ingrata e ciumenta de alta periculosidade (que nem era dela). A semelhança é tanta que a edição de 2009 de “1001 filmes que você deveria ver antes de morrer” apresenta uma imagem de Joan, de vestido florido e empunhando uma arma, como pertencente a “Alma em Suplício”, quando, na verdade, faz parte de “Fogueira da Paixão”!
Em meio à Grande Depressão, Mildred Pierce, uma mulher divorciada, mãe de duas filhas, tenta encontrar o caminho para o sucesso financeiro ao mesmo tempo em que deve lidar com a problemática filha mais velha, Veda (Ann Blyth) que dá mais trabalho mas também com quem Mildred gasta mais energia, a fim de agradá-la. No entanto, Veda apenas deseja conseguir uma forma fácil de enriquecer.
Na cidade de Chicago, Louise vagueia sem rumo. Ela é recolhida para uma instituição psiquiátrica e conta sua trajetória enquanto está sob o efeito de medicamentos. Ela tinha sido contratada para ser enfermeira na casa de David (Van Heflin), por quem desenvolve um sentimento destrutivo. Ela então se casa com Dean (Raymond Massey). Apesar dos esforços para conquistar seu afeto, Louise consegue apenas despertar o ódio da enteada, Carol (Geraldine Brooks), que se envolve com David.
Em nenhum dos dois casos Joan foi a primeira escolha: em 1945, o papel de Mildred iria inicialmente para Ann Sheridan, e Joan teve de fazer um teste na Warner Brothers para conseguir o papel. O diretor Michael Curtiz tinha algumas ressalvas em relação a ela, pois acreditava que a atriz de gênio difícil já tinha passado de seu melhor momento. No mesmo filme, a primeira opção para interpretar Veda era Shirley Temple, eternamente fofa; e Ann Rutherford também mostrou interesse pelo papel. Foi Joan que indicou Ann Blyth e ajudou a jovem atriz em seu teste. Em 1947, ironicamente, o estúdio desejava que Bette Davis interpretasse Louise, mas ela saiu de licença-maternidade e deixou o caminho livre para Joan brilhar mais uma vez.

Em ambos os filmes, as personagens de Joan se vêem traídas por duas pessoas por quem tinham carinho: seu amado cafajeste e uma garota mimada que ela tenta agradar. Os dois filmes noir, inseridos neste gênero muito mais pela atmosfera bicromática que pelos elementos do enredo, garantiram a Joan indicações para o Oscar e um retorno às telas em grande estilo. Ela não compareceu à cerimônia de premiação, mas logo que ficou sabendo que havia ganhado a estatueta, chamou a imprensa em sua casa e fez um discurso de agradecimento. Estes dois papéis podem ter sido parecidos e previsíveis, mas Miss Crawford nunca perde a capacidade de nos surpreender.

Tuesday, March 13, 2012

A dança não pode parar

O musical é um gênero cinematográfico sem meio-termo: ou você ama ou odeia. A cantoria e as longas sequências de dança que surgem do nada não agradam a todos. Para os fãs mais apressadinhos, mesmo a dança em excesso cansa. Essa é uma seleção de números musicais capazes de sufocar quem não gosta de musicais e deleitar aqueles que adoram o gênero mais alegre da sétima arte.

Belezas em Revista / Footlight Parade: Este filme de 1933 pode ser dividido em dois: um sobre os bastidores de espetáculos musicais e outro somente com os números ensaiados. A meia hora final é usada quase toda para a dança, contando com “By a Waterfall”, “Shanghai Lil” e “Honeymoon Hotel”. 

A Alegre Divorciada / The Gay Divorcee (The Continental – 8 min): A canção ganhadora do primeiro Oscar de Melhor Canção Original foi adicionada ao filme por sugestão da protagonista Ginger Rogers. Ela é apresentada durante longos minutos, sob forma instrumental e também cantada por Ginger, Fred e um ator, além de servir de trilha para um balé.
Um dia nas corridas / A day at the races (The Swing – 7 minutos): As comédias dos irmãos Marx sempre tinham um momento dançante, parodiando os pomposos musicais da época. Em 1937, antes da longa sequência do Swing, citado acima, Harpo ainda transforma um piano em uma harpa de forma espetacular.

Os Sapatinhos Vermelhos / The Red Shoes: O belo filme inglês a cores conta a história de uma bailarina (Moira Shearer) dividida entre o amor de um maestro e de um compositor. Com seus sapatinhos vermelhos encantados, ela apresenta a única dança do filme em 15 minutos de um balé digno de ser apresentado nos melhores teatros.

Sinfonia de Paris / An American in Paris (The American in Paris Ballet – 17 min): O clímax deste ganhador de seis Oscars é um suntuoso número com muitas trocas de cenário e figurinos por parte de Gene Kelly e Leslie Caron. Inspirado em obras de grandes pintores franceses, o balé levou seis meses para ser ensaiado.

Nasce uma Estrela / A Star is Born (Born in a Trunk – 18 min): As plateias de 1954 perderam muito quando foram ao cinema conferir Judy Garland e James Mason na refilmagem do drama de 1937. Isso porque o filme foi distribuído sem a longa sequência musical em que Esther Blodgett / Vicky Lester conta sua trajetória nos palcos. O número foi reintegrado ao filme em 1983. Além disso, o filme conta com "Someone at Last", com sete minutos e meio.
Amor, sublime amor / West Side Story: A versão nova iorquina de Romeu e Julieta é bastante longa por conta de seus elaborados números musicais: só o prólogo com os Jets demora oito minutos, “América demora sete, Gym Mambo” tem mais de seis... e por aí vai.

O show deve continuar / All that Jazz (Bye Bye Life – 9 minutos): Joe Gideon (Rob Scheider), alter-ego do diretor Bob Fosse, tem uma experiência transcendental em um grande espetáculo, onde se despede da vida em grande estilo.

Assistam os números clicando nas palavras destacadas... se aguentarem!

Thursday, March 8, 2012

The Flapper (1920) e o triste fim de sua protagonista

The Flapper (1920) and the sad ending of a leading lady

Considerada uma das mais belas mulheres de seu tempo, Olive Thomas ironizou, em um dos seus últimos filmes, uma moda que estava nascendo e governaria durante toda a década de 1920: a ousada e sensual “flapper”. Se tivesse vivido mais, é difícil de acreditar que a angelical moça aderisse ao estilo, mas certamente continuaria arrasando corações. Infelizmente, Olive Thomas faleceu de modo trágico em setembro de 1920, aos 25 anos.

Considered one of the most beautiful women of her time, Olive Thomas mocked, in one of her last movies, a fashion that was appearing and would dominated the bulk of the 1920s: the daring and sexy flapper. If she had lived longer, it would be hard to believe that the angel-faced girl would adhere to the fashion, but she certainly would have crushed many mofre hearts. Unfortunately, Olive Thomas passed away in a tragical way on September 1920, when she was only 25.

Genevieve King (Olive) é uma garota sonhadora que mora na pacata cidadezinha de Orange Springs. Ao ser vista passeando com seu vizinho Bill (Theodore Westman Jr), Genevieve é mandada pelo severo pai para um internato feminino perto de New York. Lá, ela continua sonhando em encontrar um príncipe encantado, e isso parace estar perto de acontecer, pois o charmoso Richard Chenning (William P. Carleton) cavalga todos os dias em frente à escola. Seguindo seus sonhos ingênuos, Genevieve vai a bailes, foge da proprietária do internato e até se envolve em um roubo de joias planejado pela colega malvada Hortense (Katherine Johnston). Norma Shearer e a irmã Athole fazem pontas como estudantes.

Genevieve King (Olive) is a dreamer who lives in the peaceful town of Orange Springs. When she is seen hanging out with her neighbor Bill (Theodore Westman Jr), Genevieve is sent by her strict father to na all-female boarding house near New York City. There, she keeps dreaming about finding a Prince Charming, and this seems to be about to happen, because the charming Richard Chenning (William P. Carleton) passes by on his horse every day in front of the boarding house. Following her naïve dreams, Genevieve goes to balls, runs away from the owner of the boarding house and even gets involved with jewelry theft planned by her evil colleague Hortense (Katherine Johnston). Norma Shearer and her sister Athole have bit parts as students.

Ao voltar para casa nas férias, ela finge ter virado uma “flapper”, usando roupas elegantes e dizendo que seduzia vários homens na cidade grande. Seu estilo neste momento lembra vamps do cinema mudo, como Theda Bara ou Pola Negri. No entanto, essa parte é uma grande zombaria, pois Olive era muito mais parecida com as virginais Mary Pickford e Lillian Gish.

Coming back home on vacation, she pretends to have become a flapper, using fancy clothes and telling that she seduced many men in the big city. Her style then reminds us of silente film vamps such as Theda Bara and Pola Negri. However, this part is a huge mockery, because Olive looked much more like the virginal Mary Pickford and Lillian Gish.

Algo muito interessante neste filme são os seus intertítulos decorados. Eles não trazem apenas um diálogo ou o texto narrativo, mas também desenhos relacionados às situações na tela. Por isso vemos bonequinhos de chumbo, cavalinhos de brinquedo, túmulos à venda, corações palpitantes e garrafas de bebida em meio às frases.

Something very interesting in this film are the decorated title cards. They don’t bring only a dialogue or the narration, but also drawings related to the situations seen on screen. That’s why we see little dolls, toy horses, tombs for sale, pumping hearts and liquor bottles together with the text.

A experiência de ver essa película muda foi levada ao extremo, pois a versão a que eu assisti era realmente MUDA. Nenhum som se ouvia. Por isso eu coloquei para tocar várias músicas instrumentais que nem sempre combinavam com o que passava na tela. Porém, algumas músicas combinaram perfeitamente, como “Elizabethan Serenade” durante os esportes de inverno e “Pompa e Cirscunstância” durante o baile.

The experience of seeing this silent film was extreme, because the version I watched was indeed SILENT. Not a sound was heard. That’s why I put a playlist of instrumental songs that not always matched what was on screen. However, sometimes the match was perfect, like “Elizabethan Serenade” during the winter sports and “Pomp and Circumstance” during the ball.

Nascida Oliveretta Elaine Duffy em 1894 em Pittsburgh, Olive (apelido dado pela família) foi para New York depois do fracasso de seu primeiro casamento, aos 18 anos. Chegando à cidade grande, ela passou a trabalhar como vendedora e, em 1914, ganhou um concurso de garota mais bela e, a partir daí, posou para várias pinturas e capas de revista, até ser contratada para ser uma Ziegfeld Girl. Ela faria sua estreia no cinema em 1916, mesmo ano em que se casaria com Jack Pickford, irmão da estrela Mary.

Born Oliveretta Elaine Duffy in 1894 in Pittsburgh, Olive (a nickname given by her Family) went to New York following the failure of her first marriage when she was 18. Arriving in the big city, she worked as a sales girl and, in 1914, won a Most Beautiful Girl contest and, from then on, was a model for several paintings and magazine covers, until she was hired to be a Ziegfeld Girl. She would make her film debut in 1916, the same year she married Jack Pickford, Mary’s brother.

Depois da estreia de “The Flapper” e de finalizar “Everybody’s Sweetheart”, Olive partiu com Jack para uma segunda lua-de-mel em Paris. Depois de uma grande festa, Olive deciciu tomar um remédio para dormir e acabou ingerindo veneno, que a deixou cega e com as cordas vocais queimadas, matando-a cinco dias depois. Embora houvesse a hipótese de suicídio, a história mais aceita é a de que ela se confundiu com o rótulo em francês, tomando uma substância com mercúrio (HgCl2).

After “The Flapper” premiered and she finished working in “Everybody’s Sweetheart”, Mary and Jack went on a second honeymoon to Paris. After partying hard, Olive decided to take sleeping pills but instead took poison, what left her blind and with her vocal chords burned, killing her five days later. Even though the hypothesis of suicide appeared, the most accepted story is that she mistook a label written in French, taking a substance with Mercury (HgCl2).

O casamento com Jack nunca foi fácil. Os dois adoravam viver perigosamente e desfrutar das festas de alta sociedade. A família de Jack não aprovava o casamento, pois, segundo Mary Pickford, Olive era do mundo do teatro, de uma realidade diferente de quem estava no cinema. Apesar das brigas do casal, eles eram muito apaixonados e, em 1920, adotaram o sobrinho de Olive, após o menino ficar órfão. Depois da morte da esposa, Jack nunca mais foi o mesmo. Ele se entregou ao acoolismo, casou-se mais duas vezes e faleceu em 1933, aos 36 anos.

The marriage to Jack had never been na easy one. Both loved to live dangerously and go to high society parties. Jack’s family didn’t want the wedding because, according to Mary Pikford, Olive was from the theater scene, from a reality very different from people in the movies. Even though they fought constantly, they were very much in love and, in 1920, adopted Olive’s nephew when the boy became na orphan. After his wife passed away, Jack was never the same again. He started drinking more and more, got married twice and passed away in 1933, at age 36.

Com olhos violeta, cabelos castanhos e um rosto angelical, Olive fez 24 filmes em apenas quatro anos de carreira. A linda atriz, apesar de estar exagerando nas reações, parece mais glamourosa nas cenas vestida de “flapper”. Este filme foi feito pela companhia de Myron Selznick (irmão de David O.), onde também trabalhavam seus dois irmãos. Olive reclamava que não havia estereótipo que lhe servisse, pois estava entre a menina ingênua e a mulher sedutora. Apesar de sua beleza e de seu sucesso, a estrela hoje está um pouco esquecida, mas conseguiu provar, junto com Jean Harlow e James Dean, que não é preciso viver muito para escrever seu nome na história de Hollywood.

With violet eyes, light brown hair and an angel face, Olive made 24 films in only four years. The gorgeous actress, even though she exaggerates in her reactions, looks more glamourous when she is dressed as the flapper. This film was made by the company owned by Myron Selznick (David O.’s brother), where her two brothers also worked. Olive complained that there was no stereotype that suited her, because she was between the naïve girl and the seductive woman. Even though she was gorgeous and successful, the star is nowadays a bit forgotten, but could prove that, together with Jean Harlow and James Dean, that you don’t have to live a long life to write your name in Hollywood’s history.

Gone Too Soon Blogathon

Para os interessados, “The Flapper” pode ser assistido no Internet Archive ou no YouTube.

For those interested, “The Flapper” can be watched at the Internet Archive or on YouTube

Friday, March 2, 2012

John Huston & dois casais improváveis

Dono de uma carreira invejável e com muitos sucessos no currículo, que inclui clássicos noir, dramas e uma sólida parceria com Humphrey Bogart. Em mais de 40 anos de tabalho como diretor, foi responsável por grandes obras. É claro que em quatro décadas muitas coisas interessantes podem ocorrer, como por exemplo filmar duas películas diferentes que guardam interessantes semelhanças entre si.
Foi com Bogart que Huston realizou, em 1951, “Uma Aventura na África / The African Queen”, tendo como co-protagonista Katharine Hepburn. Durante a Primeira Guerra Mundial, a missionária Rose (Hepburn) se vê totalmente sozinha na África dominada pelos alemães. Sua saída é escapar à bordo do barco de Charlie (Bogart), com quem ela não simpatiza. Entre testes de sobrevivência na selva e um plano para fugir da rota de um barco do inimigo, os dois brigam muito e inevitavelmente se apaixonam.
Não beba isso, Kate
Não é novidade que as filmagens foram uma epopeia à parte. Apenas Bogart e Huston, de toda a equipe, se mativeram sãos, pois comeram apenas comida enlatada e beberam uísque. Quem bebeu a água do local acabou com uma forte disenteria, caso da própria Hepburn. Mais tarde, Humphrey faria piada com o caso, dizendo que nenhum mosquito se atreveria a atacar ele e John porque, se um inseto os picasse, cairia morto com todo o álcool ingerido com o sangue.
Em 1957, a história voltaria a ser filmada pelo mesmo diretor, com algumas modificações que a deixaram mais interessante. Um soldado (Robert Michum) vai boiando em um bote salva-vidas até uma ilha onde há uma Igreja. Com a morte do padre local, resta apenas a noviça Angela (Deborah Kerr). O problema é que se trata de uma ilha do Pacífico ocupada pelos japoneses durante a Segnda Guerra Mundial. O estranho casal protagonista de “O Céu por Testemunha / Heaven Knows, Mr Alison” tem de se unir para sobreviver, ao mesmo tempo em que tentam não cair em tentação, missão complicada para o soldado.
John Huston aprendeu a lição e decidiu filmar esta história em um local menos insalubre, optando pelas ilhas Trinidad e Tobago. Um pequeno problema que ele enfrentou foi encontrar homens que falassem japonês. Para isso, ele contratou alguns imigrantes japoneses no Brasil e também donos de lavanderias e restaurantes no local. Como consequência, boa parte da população da ilha ficou sem roupas lavadas ou refeições prontas, pois os serviços foram fechados enquanto seus empregados estavam gravando.
Depois que o filme foi terminado, Huston não ficou muito feliz porque não pôde realizá-lo da forma que queria devido ao Código Hays. Por outro lado, Deborah e Robert tornaram-se grandes amigos, trabalhando juntos em mais três ocasiões. Mais tarde, Deborah diria que Mitchum foi o melhor ator com quem ela contracenou. E Mitchum afirmaria que este fora seu melhor papel. Além disso, o ator ficou apaixonado pela música local, gravando um disco de calypso.
Embora o filme de 1957 seja mais emocionante com cenas de roubo de comida em meio ao acampamento inimigo e também uma tensão religiosa que gera certa dúvida quanto à viabilidade de uma relação, a produção de 1951 tem destaque pelo carisma de seus protagonistas, dois amigos e veteranos do cinema. Cada uma tem seus méritos e ambas fazem da experiência cinematográfica uma deliciosa aventura.

Monday, February 27, 2012

Oscar 2012

A grande festa da Academia, em sua edição número 84, continua a atrair milhões de pessoas ao redor do mundo. Seja pelos ganhadores, por torcer por alguém ou algum filme em particular ou mesmo para conferir os elegantes trajes do tapete vermelho, há sempre um público cativo para o Oscar.
Alguns ganhadores eram quase certeza, devido aos prêmios que vieram antes na temporada de premiação, como Melhor Ator e Atriz Coadjuvante para Christopher Plummer e Octavia Spencer. Plummer, aliás, estabeleceu um novo recorde como o mais velho ganhador, aos 82 anos. Alguns prêmio técnicos também não eram novidade, como Melhor Figurino e Trilha Sonora para “O Artista”.
Os prêmios principais, últimos a serem apresentados, ficaram com Michel Hazanavicious (Diretor), Jean Dujardin (Ator), Meryl Streep (Atriz) e “O Artista” (Filme), quebrando outro recorde ao ser o primeiro filme mudo a ganhar a honra máxima desde a primeira cerimônia, em 1929. E, por falar em recordes, Meryl juntou-se a Ingrid Bergman com a marca de três Oscars, dois como Atriz Principal e um como Coadjuvante.
O grande ganhador da noite foi “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese que, contudo, não levou o prêmio de Melhor Diretor. O filme ganhou cinco Oscars (empatado com “O Artista”), destacando-se em categorias técnicas, como Melhores Edição e Mixagem de Som, Montagem, Direção de Arte e Efeitos Especiais
Com a volta de Billy Cristal como apresentador pela nona vez, alguns risos foram garantidos. Achei bastante simpático o número inicial, em que ele apresentou os concorrentes a Melhor Filme com paródias de algumas famosas músicas americanas. Embora ele não seja um astro do humor contemporâneo (um de seus maiores sucessos é uma comédia da geração passada, “Harry e Sally”, de 1989) foi uma boa aposta. Afinal, a Academia tenta a cada ano chamar o público mais jovem para ver o show armado.   
Mais uma vez o Brasil ficou a ver navios, perdendo a estatueta de Melhor Canção Original para “Man or Muppet”. E a glória de Melhor Filme Estrangeiro foi para o iraniano “A Separação”. O prêmio de Melhor Roteiro Adaptado foi para “Os Descendentes” e o de Roteiro Original, para “Meia-Noite em Paris” e, é claro, Woody Allen não apareceu. 
E, quanto a mim, percebi que preciso estudar mais estatística ou ao menos melhorar minha capacidade de chute. Do bolão feito, acertei 15 das 24 categorias. Para o próximo ano, pretendo melhorar assistindo aos indicados ou ao menos me informando melhor sobre eles se, é claro, perder a magia que vem junto com essa incrível festa do Oscar, celebração máxima do poder do cinema. Ah, e viva os primórdios da sétima arte!
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