} Crítica Retrô

Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

Friday, June 28, 2013

“Jejum de Amor / His girl Friday”: Rosalind Russell em seu melhor momento

Melhor que uma boa comediante, só uma boa atriz dramática que também atua em excelentes comédias. Exemplos não faltam: Barbara Stanwyck, Katharine Hepburn, Sophia Loren ou mesmo Myrna Loy e Carole Lombard, que começaram com papéis mais sérios. A exemplo de suas duas colegas da década de 1930, Rosalind Russell também fez dramas, mas se destacou em comédias. “Jejum de Amor / His Girl Friday” (1940) talvez seja a melhor delas.
Hildegarde ‘Hildy’ Johnson (Russell) é uma intrépida repórter e ex-esposa do chefe do jornal, Walter Burns (Cary Grant). Após o divórcio e alguns meses de férias, ela está de volta apenas par avisar que não voltará. Ela decidiu levar uma vida normal, de dona de casa, se casando com o pacato vendedor de seguros Bruce Baldwin (Ralph Bellamy). Hildy chega com a notícia no dia em que a redação do jornal está em polvorosa devido ao iminente enforcamento de Earl Wlliams, um cidadão qua, ao ver-se desempregado, atirou em um policial. Isso seria corriqueiro se muitos interesses políticos não estivessem por trás do enforcamento.
Foi inevitável minha sensação de déja vù: o roteiro é baseado na peça “The Front Page”, e já foi levado às telas em outras duas ocasiões. Novamente, esses remakes não fariam diferença não fosse o fato de o diretor Howard Harks ter feito uma mudança crucial: no original, Hildy é um homem. Enquanto fazia testes, Hawks pediu que sua secretária lesse as falas de Hildy para ele acompanhar e acabou gostando da ideia de adicionar um toque de romance ao filme. Entretanto, essa mudança repentina foi seguida de várias negativas de grandes comediantes, como Jean Arthur, Carole Lombard, Ginger Rogers, Claudette Colbert e Irene Dunne. Rosalind, aparecendo para fazer o teste logo após um mergulho na piscina, ficou um pouco chateada por não ter sido a primeira opção.
Catherine Rosalind Russell nasceu em 1907 e começou no cinema em 1934. Seu primeiro passo para o estrelato em comédias foi em “As Mulheres / The Women” (1939), em que rouba a cena ao morder Paulette Goddard. Durante as filmagens de “Jejum de Amor / His Girl Friday”, Rosalind acreditava que suas falas não eram muito engraçadas, e por isso contratou um publicitário para criar frases espirituosas. Como Howard Hawks permitia que seus atores improvisassem, Roz usou vários desses gracejos. Emprestada pela MGM para a Columbia, além de um papel excelente, Roz também conseguiu um marido através das filmagens: foi seu colega Cary Grant que a apresentou ao produtor Frederick Brisson, o pai de seu único filho, com quem ficou por 35 anos.
De fato, um dos atores mais engraçados do cinema é Cary Grant, e seu mérito é nunca ter sido considerado primeiramente um comediante, como acontecia com Groucho Marx, W. C. Fields, Harold Lloyd ou Charles Chaplin. Assim, Grant empresta parte de seu charme e graça às suas protagonistas, como acontece aqui com Rosalind. Outros exemplos notáveis são as parcerias com Ann Sothern em “A noiva era ele / I was a male war bride” (1949), com Leslie Caron em “Papai Ganso / Father Goose” (1955) e com Audrey Hepburn em “Charada” (1963), além dos quatro inesquecíveis filmes com Katharine Hepburn de 1934 a 1940.
Novamente Grant se coloca entre a ex-esposa e um pretendente, tentando sabotar o relacionamento, como faz seu personagem em “Cupido é moleque teimoso / The awful truth” (1937). Neste filme Grant também atrapalhou as intenções amorosas de Ralph Bellamy (indicado então ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante) com sua ex-esposa, aqui interpretada por Irene Dunne. Durante "His girl Friday", em uma das vezes em que o personagem de Ralph vai preso, Cary Grant liga para a delegacia e descreve-o como "parecendo-se com aquele ator, Ralph Bellamy", em uma das melhores piadas do filme. 
“The Front Page” estreou na Broadway em 1928, com Osgood Perkins (pai de Anthony Perkins) no papel de Walter e Lee Tracy como Hildy. Os autores haviam sido jornalistas em Chicago. A peça foi adaptada para cinema em 1930, com Pat O’Brien e Adolphe Menjou, e em 1974, com Jack Lemmon e Walter Matthau (e dirigida por Bill Wilder), sendo esta última a versão responsável por meu déja vù. Pode soar estranho o final, em que (SPOILER) Lemmon desiste do casamento para voltar a trabalhar com Matthau, mas tendo em consideração a histórica parceria da dupla, relevei o fato e até considerei o final justo. Em “Jejum de Amor / His girl Friday”, obviamente o final soa bem melhor e, apesar de previsível, é providencial e delicioso. Hawks acertou mais uma vez com sua pequena mudança. Aliás, o título enigmático original, "His Girl Friday", é bem mais perspicaz do que o original "The Front Page". No livro Robinson Crusoé, de William Defoe, o náufrago protagonista encontra ajuda no índio sexta-feira (Friday), de onde surge a expressão "his man Friday", que significa "o braço direito", "o maior ajudante" de alguém. Como Hildy é de Walter. 
Em 1988, novamente Hildy virou mulher, interpretada por Kathleen Turner em "Troca de Maridos / Changing Channels", ao lado de Burt Reynolds. Novamente, uma conexão: Kathleen Turner é a narradora do documentário: "Life is a banquet: The life of Rosalind Russell", feito em 2009.
Ainda com alguns jornalistas em busca de furos, mas sem atos inescrupulosos como em outros filmes sobre o tema ("A montanha dos sete abutres / Ace in the hole", de 1951 sendo talvez o mais emblemático), este filme de diálogos frenéticos e muito divertidos, este filme não seria o mesmo sem a excelente e divertida Rosalind Russell, ganhadora de cinco Globos de Ouro e uma das mais notáveis atrizes de Hollywood.
 "Jejum de Amor / His girl Friday" está disponível no YouTube e no Internet Archive. Abaixo, uma versão com legendas em português.

This is my contribution for the "Funny Lady Blogathon", hosted by Movies, Silently, one of the most amazing blogs I've discovered lately. 
Marion Davies

Friday, June 21, 2013

Cabiria (1914)

Uma única frase resumiria o filme “Cabiria”, de 1914: não é fácil. Não foi fácil fazê-lo, há quase cem anos, e não são todos os espectadores, nem mesmo todos os cinéfilos, que apreciariam este filme. Com uma trama dividida em cinco episódios e passado no terceiro século antes de Cristo, este, que é um dos primeiros épicos do cinema, tem sua carga de patriotismo, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, e muitas referências históricas.

A single sentence can summarize the film “Cabiria”, from 1914: it ain't easy. It wasn't easy to make it, almost a century ago, and not all viewers, not even the die-hard cinephiles, may like it.With a story told in five episodes and set in the third century b.D., this, one of cinema's first epics, has a strong patriotic feeling, just before World War I, and a lot of historical references. 

Cabiria é uma jovem princesa da Sicília, interpretada durante metade do filme por Carolina Catena, atriz infantil que atuou até 1915 e cuja biografia é tão obscura quanto um buraco negro. Quando ocorre uma erupção do vulcão Etna, ela está com sua babá, Croessa (Gina Marangoni), que faz de tudo para salvar a própria vida e a vida da menina. Junto com outros serviçais, Croessa e Cabiria escapam, mas chegam perto demais de um barco e são capturadas e levadas para Cartago para serem vendidas como escravas.

Cabiria is a young Sicilian princess, played during half of the picture by Carolina Catena, a child actress who worked until 1915 and whose biography is as obscure as a black hole. When the volcano Etna awakes, she is with her tutor, Croessa (Gina Marangoni), who does everything she can to save herself and the child. Croessa and Cabiria escape with other servants, but they get too close to a boat and are captured and sent to Carthage to be sold as slaves.

Cabiria e outras 99 crianças escravas são escolhidas como oferenda a um deus, e, portanto, devem ser queimadas na boca de uma imensa estátua em um templo igualmente impressionante. Croessa pede ajuda ao romano disfarçado Fulvius Axilla (Umberto Mozato) e ao escravo dele, Maciste (Bartolomeo Pagano), para resgatar Cabiria. Enquanto tudo isso acontece com as pessoas normais, um ataque a Roma vem sendo planejado por Aníbal (Emilio Vardanes), que aparece cruzando os Alpes, e Asdrúbal (Edoardo Davesnes), pai da princesa Sofonisba (Italia Almirante), cobiçada por muitos.

Cabiria and 99 other slave children are chosen to be sacrificed to a god, and for this they need to be burned at the mouth of a huge statue located in an equally impressive temple. Croessa asks Fulvius Axilla (Umberto Mozato), a Roman in disguise, for help. She also urges his slave, Maciste (Bartolomeo Pagano) to help rescue Cabiria. While all this is happening to the normal people, two noblemen plan to attack Rome: Anibal (Emilio Vardanes), who is seen crossing the Alps, and Asdrubal (Edoardo Davesnes), father of princess Sophonisba (Italia Almirante), a coveted princess.

Cabiria dá o nome ao filme, mas serve apenas de elo para a história. Ela liga os personagens e as situações reais, como as Guerras Púnicas (Roma contra Cartago). Mal se vê o rosto dela quando menina, e já moça, interpretada por Lidia Quaranta, também não está presente na tela durante muito tempo. Dependendo da origem do filme (como acontece na versão do YouTube), a atriz aparece creditada como Letizia Quaranta, irmã de Lidia.

The film is named after Cabiria, but the character is only a small piece in the story. She links the characters and the real-life situations, like the Punic Wars (Rome against Carthage). We barely see her face as a child, and as a young woman, played by Lidia Quaranta, she also doesn't have a lot of screen time. Depending on the source of the film (a YouTube version has this mistake), the actress appears with the name Letizia Quaranta, who was Lidia's sister. 

Uma escada humana / Human stairs

Muitos dos personagens representados aqui são figuras históricas verdadeiras, como todos os reis, cônsules e princesas envolvidos na guerra. Até o intelectual Arquimedes faz uma ilustre participação, criando uma engenhoca que destrói os navios romanos em uma sequência impressionante, difícil de imaginar que tenha sido filmada há quase cem anos (e tenha sido posta em prática há mais de dois mil anos!).

Many of the characters here are real historical figures, like all kings, consuls and princesses involved in the war Even the intellectual Archimedes has a cameo, creating a tool that destroys Roman ships in an impressive sequence that is difficult to imagine being filmed almost 100 years ago (and even more difficult to imagine it actually working over 2,000 years ago!).

Italia Almirante (também creditada como Italia Almirante-Manzini), intérprete da rainha Sofonisba, provavelmente a personagem feminina mais importante no enredo, tem ares de Theda Bara e não há palavras suficientes para elogiar sua atuação. Tinha como primos três atores e um diretor de cinema, e seus pais trabalhavam no teatro, mas traçou sua carreira de sucesso sem nepotismo. “Cabiria” consolidou sua carreira e transformou-a em diva do cinema mudo italiano. Aposentando-se após apenas um filme falado, em 1934, Italia fez uma turnê pela América do Sul, vindo a falecer em São Paulo em 1941, vítima de uma picada de inseto.

Italia Almirante (sometimes credited as Italia Almirante-Manzini), who plays princess Sophonisba, the most important female character in the film, looks a bit like Theda Bara and there are no words to compliment her acting. Three of her cousins were film actors, another cousin a director, her parents worked in the theater, but she achieved success without nepotism. “Cabiria” was a milestone in her career and turned her into a diva of the silent Italian cinema. After only one talkie, she retired in 1934 and started a tour through South America. She passed away in São Paulo in 1941 after being bitten by a bug.  

O personagem Maciste teve vida longa, apesar de um dos intertítulos do filme prever que ele não escaparia com vida. Em 1915, seguindo o sucesso do coadjuvante no épico, o diretor Giovanni Pastrone produziu um filme em que ele era o protagonista, dando origem a uma série de 26 filmes muito loucos estrelando Maciste e, por consequência, Bartolomeo Pagano. Nestas películas, o personagem foi sonâmbulo, policial, turista e atleta. Ele poderia aparecer em qualquer época e lugar. Nessas odisseias, quase todas disponíveis na Internet, também ficamos sabendo que Pagano era um ator branco que havia sido maquiado para parecer negro em sua primeira aparição no cinema. O absurdo só aumentou com o tempo e, com o renascimento de Maciste nos anos 50 e 60, somos informado de que ele se materializa em qualquer lugar que seja necessário a partir de pedras. Segundo Gabriele D’Annunzio, que colaborou no roteiro de “Cabiria”, Maciste é um dos nomes do herói Hércules, daí a força descomunal do personagem que, por sinal, nunca conquistava a protagonista. Mas nem tudo é bobagem no mundo do personagem: foi o filme “Maciste no Inferno”, de 1926, que influenciou Fellini a tornar-se cineasta.   

The character Maciste had a long life, even though one of the title cards of the film predicted he would not escape alive. In 1915, following the success of the supporting character of the epic, director Giovanni Pastrone produced a movie starring Maciste, and it was the beginning of a series of 26 very crazy movies starring Maciste and, of course, Bartolomeo Pagano. In these movies, the character was a sleepwalker, a cop, a tourist and an athlete. He could appear in any place or period. In these adventures, almost all of them available online, we learn that Pagano was a white actor who originally played Maciste in blackface in “Cabiria”. The absurdity only grew with time and, in the 1950s and 60s, when Maciste is reborn, we are told that he materializes himself in any place he's need through... rocks. According to Gabriele D'Annunzio, who worked with the script in “Cabiria”, Maciste is one of the names of the hero Hercules, what explains his super-human strength – but doesn't explain why he never got the girl in the end. But not everything is nonsense in this character's world: it was the film “Maciste in Hell”, from 1925, that influenced Fellini to become a filmmaker. 

O enredo é bastante denso, devido ao excesso de detalhes históricos, além das inovações que maravilharam D. W. Griffith e o inspiraram a filmar “Intolerância” (1916). O diretor Giovanni Pastrone cria cenas surpreendentes, aglomera multidões em frente às câmeras, comanda cenas perigosas até mesmo para dublês, reconstitui um passado distante e luxuoso e não dispensa muita ação, sendo pioneiro no uso de luzes artificiais e da movimentação de câmera (travelling).  

The plot is very dense, with a lot of historical details, and there are many innovations that marveled D.W. Griffith and inspired him to make “Intolerance” (1916). Director Giovanni Pastrone creates surprising scenes, agglomerates crowds in front of the cameras, commands scenes that are dangerous even for professional doubles, reconstructs a distant and luxurious past and uses a lot of action, being a pioneer in the use of artificial lighting and camera travellings. 

O custo de dois milhões de liras (250 mil dólares na época) compensou. Além do sucesso internacional, “Cabiria” conquistou a honra de ser o primeiro filme a ser exibido dentro da Casa Branca. Vindo de uma série italiana de épicos, como “Quo Vadis?” e “Os Últimos Dias Pompeia”, ambos de 1913, este filme consolidou o gênero, sendo suficiente para Scorsese afirmar que Pastrone inventou o gênero épico. E não foi à toa que os melhores épicos foram filmados justamente na Itália, ou melhor, na Cinecittà.

The cost of two million lire (250,000 dollars at the time) paid off. Besides the international success, “Cabiria” had the honor to be the first film to be shown inside the White House. Coming from a series of Italian epics, like “Quo Vadis?” and “The Last Days of Pompeii”, both from 1913, this film consolidated the genre, and Scorsese even said that Pastrone invented the epic. And it wasn't a coincidence that the best epics were filmed in Italy, that is, in the Cinecittà Studios.

Cabiria” (1914) está disponível no YouTube e no Internet Archive (neste, sem trilha sonora).

“Cabiria” is availabe at YouTube and Internet Archive (without a soundtrack in the latter). 


This is my second contribution to the Italian Film Culture Blogathon, hosted by the Nitrate Diva. In the banner, Italia Almirante and Anna Magnani.



P.S.: Deixem nos comentários a opinião geral de vocês sobre os filmes mudos. Ela será usada como pesquisa para um futuro post. 

Friday, June 14, 2013

Marlon Brando: fatos rápidos

  • Marlon Brando Jr. nasceu em 1924 em Omaha, Nebraska, e faleceu em 2004 vítima de insuficiência respiratória.
  • Seu pai era especialista em pesticidas e fotógrafo amador. Sua mãe, bastante moderna para a época, tinha sido atriz e era administradora de teatro, tendo ajudado o jovem Henry Fonda a começar a carreira. Infelizmente, a senhora Brando também era alcoólatra.
  • Reza a lenda que Marlon começou a atuar imitando os vizinhos e os bichos da fazenda para chamar a atenção da mãe quando ela bebia demais.

  • Brando tinha duas irmãs mais velhas: Jocelyn e Frances. Jocelyn foi a primeira a seguir carreira artística, e Marlon seguiu as duas meninas quando elas foram para Nova York.
  • Ele foi dispensado do serviço na Segunda Guerra Mundial por ter uma lesão no joelho e da Guerra da Coreia por fazer amizade com um psiquiatra enquanto se preparava para seu primeiro filme, “Espíritos Indômitos / The Men” (1950).
  • Um dos mais conhecidos frutos do Actor’s Studio, Brando odiava a maneira como Lee Strasberg queria ganhar crédito por ter moldado seu talento. Mesmo assim, gostava das aulas de Stella Adler.
    Teste para o cinema em 1947
  • Seu maior sucesso na Broadway foi “Uma rua chamada pecado / A streetcar named desire”, produzida em 1947 e dirigida por Elia Kazan, o mesmo diretor do filme, que consagraria Brando em 1951. O ator foi pessoalmente à casa de Tennessee Williams para conseguir o papel. Mesmo assim, Brando nunca ficou feliz com sua própria performance, pois não conseguiu trazer humor a Stanley Kowalski.
  • Brando foi o único do elenco de “Uma rua chamada pecado” a não ganhar o Oscar. Ele tinha um forte concorrente, Humphrey Bogart em “Um aventura na África / The African Queen”. Dois anos depois, Brando derrotou Bogart e levou o Oscar por “Sindicato de Ladrões / On the Waterfront” (1954).
  • Em 1967, Brando aceitou o prêmio de Melhor Atriz dos Críticos de Cinema de Nova York em nome da amiga Elizabeth Taylor, que estava na África a trabalho e não foi à cerimônia. Brando viajou ao encontro de Liz para entregar a estatueta pessoalmente.
  • Seu segundo Oscar veio com “O Poderoso Chefão / The Godfather” (1972). Na histórica ocasião, ele enviou uma atriz mexicana vestida de índia para fazer um discurso sobre a maneira como os índios eram retratados no cinema e na televisão.

  • Além da questão dos índios, Brando se envolveu na luta por igualdade de Martin Luther King e chegou a apoiar financeiramente os Panteras Negras antes da radicalização do grupo. Alguns de seus filmes mostram sua militância, como “Sayonara” (1957), que trata do casamento inter-racial.
  • Brando casou-se com três atrizes: a indiana Anna Kashfi, a descendente de mexicanos Movita Castaneda e a taitiana Tarita Teriipia. Curiosamente, Movita e Tarita participaram de “O Grande Motim / Mutiny on the Bounty”. Movita esteve na versão de 1935 e Tarita, na de 1962, contracenando com Brando. 
  • Em sua autobiografia “Songs my mother taught me”, publicada em 1994, Brando não comenta sbre seus casamentos, mas diz que teve um caso com Marilyn Monroe que durou vários anos.
Telegrama de Brando para Marilyn
  • Brando teve doze filhos: um com a primeira esposa, dois com a segunda, dois com a terceira, três com a empregada Maria Christina Ruiz e mais quatro de mães não identificadas publicamente. Ele adotou os dois filhos do segundo casamento de Tarita e o filho de um amigo.
  • O depoimento de Brando no julgamento de seu filho Christian, que matou o namorado da meio-irmã Cheyenne em 1990, foi bastante polêmico porque muitos afirmaram que ele estava atuando em frente ao júri. Cheyenne suicidou-se cinco anos depois e Christian foi culpado, falecendo em 2008.
  • Embora fosse considerado difícil de trabalhar e às vezes um verdadeira pesadelo para alguns diretores, Brando não enveredou pela direção. O único filme que dirigiu, produziu e protagonizou foi “A Face Oculta / One-Eyed Jacks” (1961). A oportunidade de dirigir o filme surgiu após uma briga com Stanley Kubrick, que se desligou do projeto.
  • No final da carreira, ele se dedicou a algumas invenções. Há várias patentes de "maneiras de esticar o couro do tambor" em nome de Marlon Brando.
  • Recusou papéis em “O vermelho e o negro / Le rouge et le noir” (1954), “Lawrence da Arábia” (1962), “Butch Cassidy / Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969), “Movidos pelo ódio / The Arrangement” (1969), “Magnólia” (1999) e “A lenda do cavaleiro sem cabeça / Sleepy Hollow” (1999). Também não aceitou reprisar os papéis de Vito Corleone e Jor-El (pelo qual recebeu 3 milhões de dólares) nas sequências dos filmes. Recusou-se a voltar aos palcos para interpretar Hamlet com Laurence Olivier em 1966 e só aceitaria o papel principal em “O Grande Gatsby / The Great Gatsby” (1974) por 4 milhões de dólares.
  • Brando foi indicado ao Oscar oito vezes. Considerado um dos atores mais bonitos e talentosos do século passado, foi apontado como a quarta maior lenda do cinema pelo Instituto de Cinema Americano em 1999.
P.S.: Estou participando de um concurso muito interessante, o Publiki meu Livro. Preciso da ajuda de vocês, caros leitores: por favor, CURTAM E COMPARTILHEM esta postagem na linha do tempo do Facebook de vocês. Não custa nada, não vai enfeiar o Facebook e ainda mostrará que vocês apoiam os jovens escritores! Obrigada! :)

Friday, June 7, 2013

Cinecittà: Hollywood vai a Roma

Se houve outra fábrica de sonhos que em algum momento rivalizou com Hollywood, esta foi a Cinecittà. Na década de 1950, em especial, ela foi inclusive o destino preferido dos mestres americanos para filmar produções que marcaram a história, ou seja, ela foi até preferida em relação aos estúdios dos Estados Unidos e sua infraestrutura privilegiada. Obviamente, os custos mais baixos para se filmar na Itália foram os grandes atrativos de um lugar que tem muitas histórias, reais ou fictícias, para contar.
A Cinecittà surgiu de uma tragédia, um incêndio que em 1935 destruiu boa parte dos amiores estúdios da Itália. Em 1937, ditador fascista Benito Mussolini fez da Cinecittà parte de um plano presente em quase todos os governos totalitários: o investimento pesado em propaganda. Nada na Itália se compara aos filmes propagandistas rodados por Eisenstein na Rússia ou por Leni Riefenstahl na Alemanha (não que os filmes de ambos estejam no mesmo patamar). O arquiteto Freddi usou as influências mais modernas da época para criar um estúdio que, em seus primeiros anos, pouco funcionou e logo foi vítima da guerra. A Cinecittà foi tomada pelos alemães em 1943, com as filmagens mudando-se para Veneza, e os estúdios foram bombardeados pelos Aliados.
Um dos melhores retratos dessa época é o documentário italiano de 2009 “Hollywood às margens do Tibre” (“Hollywood sul Tevere” no original). Essa excelente produção foca as fontes italianas, em especial as reportagens com astros e estrelas que chegavam a Roma para trabalhar ou mesmo passar férias. Assim, o ponto alto do documentário é a cobertura do casamento de Tyrone Power com Linda Christian, que aconteceu na Itália em 1949 e mobilizou grande parte da elite cinematográfica. Outros astros que passaram pela Itália sem necessariamente trabalhar na Cinecittà foram Charles Chaplin e Greta Garbo, e o documentário apresenta imagens raras desses dois ícones em solo italiano.
Sem dúvida a Cinecittà está mais intimamente ligada aos épicos e a Federico Fellini. “Quo Vadis?” (1951), em que Sophia Loren atuou como figurante, Ben-Hur” (1959), “El Cid” (1961) e "São Francisco de Assis" (1961) foram todos filmados no complexo de estúdios, com a presença de milhares de extras, toneladas em figurinos e cenários e outros exageros. Aliás, enquanto “Ben-Hur” era filmado na parte principal do estúdio, Fellini usava os fundos da Cinecittà para rodar sua obra-prima “Oito e Meio” (1960). Em um dos últimos filmes de Federico, “Entrevista / Intervista” (1987) podemos ver bem o funcionamento do local conforme um grupo de jornalistas atravessa os estúdios para conversar com o grande diretor. Em outro de seus filmes, “E la nave va” (1983), Felini já apresenta, na cena final, um pouco dos truques mecânicos da Cinecittà. Hoje, aliás, há uma parte dos velhos estúdios dedicados à memória do mestre, com vários de seus pertences, além de muitos figurinos de seus filmes estarem em exibição no museu do estúdio.  
Outro grande sucesso filmado na Cinecittà foi “A princesa e o plebeu / Roman Holiday” (1953), que marcou o início do amor de Audrey Hepburn pela capital italiana. Audrey visitou várias vezes a cidade, fosse com seu primeiro marido, Mel Ferrer, com quem contracenou em “Guera e Paz” (1956), rodado na Cinecittà, ou com seu segundo marido, o psiquiatra (italiano) Andrea Dotti. Várias fotos da linda moça na capital italiana, dentro e fora da Cinecittà, aparecem no livro recém-lançado, “Audrey in Rome”.
Os sets magníficos e enormes construídos na Cinecittà podem ser bem observados em “Era uma vez no Oeste” (1968) e “Lawrence da Arábia” (1962), mesmo sendo várias cenas do último filmadas em locação na Espanha. Sergio Leone, aliás, rodou várias de seus westerns nos estúdios. A decadência da Cinecittà como paraíso americano começou com as várias confusões da multimilionária produção “Cleópatra” (1963), que, curiosamente, começou a ser filmada no inverno de Londres, mas uma pneumonia de Elizabeth Taylor obrigou a mudança de ares para Roma. Um figurante distribuindo sorvete para seus amigos na cena da triunfal apresentação de Cleópatra não apenas enfureceu o diretor Joseph L. Mankiewicz, mas mostrou como a Cinecittà começaria a ficar diferente, mais cara e menos atraente para os americanos.
Por várias vezes a Cinecittà esteve à beira da falência, afundada em dívidas. Hollywood voltou a olhar com mais carinho para ela nos últimos tempos,  com trabalhos lá filmado como "Gangues de Nova York" (2002) e o seriado "Roma". Scorsese, um cineasta cinéfilo, se mostrou muito satisfeito em filmar em um local com tanta história, onde foram rodados 48 ganhadores do Oscar. "A condessa descalça" (1954), "A pantera cor-de-rosa" (1963), "O poderoso chefão / The godfather" (1972) e "O último imperador" (1987) têm todos algo em comum: foram feitos na fábrica de sonhos italiana.
This is my first contribution to the Italian Film Culture Blogathon, hosted by the Nitrate Diva. Arrivederci!

Thursday, May 30, 2013

What’s my Line?

A fórmula é muito simples: adivinhar o que a pessoa faz podendo fazer apenas perguntas a serem respondidas com “sim” ou “não”. Essa brincadeira simples e até infantil de adivinhação deu origem a um dos mais duradouros a amados programas de televisão: o original “What’s my Line?” ficou no ar por 17 anos, entre 1950 e 1967, não sem passar por algumas situações curiosas e trágicas.
A televisão ainda era um meio de comunicação jovem e raro quando surgiu o programa de meia hora nas noites de domingo. Quatro pessoas sentadas em um painel deveriam adivinhar a profissão do convidado. Quando vinha o convidado misterioso, alguém facilmente reconhecível, os competidores usavam máscaras e o travesso convidado disfarçava a voz. Quanto mais diferente a profissão ou quanto mais o convidado enganasse os competidores, melhor para o público. Eu, pessoalmente, adoro quando os competidores não acertam!


Vários esportistas, em especial do mundo do beisebol, foram direto do campo, onde haviam jogado minutos antes, para o estúdio, aparecendo ao vivo no programa. Com certeza os mais divertidos são os artistas convidados, e eu recomendo que vocês vejam os clipas das participações de Yul Brynner e Rosalind Russell.
Uma das principais competidoras no painel era a jornalista Dorothy Kilgallen, que foi morta em 1965. Horas antes, ela havia aparecido ao vivo no episódio em que Tony Randall participa do painel. Tendo várias informações sobre o caso entre Marilyn e John Kennedy, e também havendo a possibilidade de ela saber algo sobre a morte do presidente, a morte de Dorothy foi considerada uma queima de arquivo. Mesmo assim, havia rumores de que ela sofrera uma overdose, pois não eram poucos os boatos de que Dorothy tinha problemas com drogas e bebida, e algumas pessoas garantem que ela aparece um pouco bêbada em alguns episódios. Em todo caso, Dorothy não era a competidora mais querida, uma vez que era muito competitiva e preferia acertar logo a satisfazer o público.
Arlene Francis talvez seja a competidora mais querida e, muitas vezes, a mais divertida. Ela ficou do segundo ao último programa, e só o apresentador John Daly apareceu em mais episódios do que ela.

Ao assistir a esse adorável programa de TV, temos a mesma sensação de ver filmes antigos, e podemos até falar o mesmo: os programas não são mais como antigamente!  

Friday, May 24, 2013

Crescendo em frente às câmeras: Roddy & Dean

Desde 1895, quando foi rodado “Le repas de bébé”, estrelando o filho de Auguste Lumiére, crianças fazem parte do cinema, com maior ou menor grau de profissionalismo em suas interpretações. Nenhuma década ficou sem seu ator ou atriz mirim para abrilhantar as telas e retira exclamações de fofura das plateias. Na década de 1940, dois meninos protagonizaram filmes de igual sucesso, mas com o tempo cada um seguiu caminhos muito diferentes.
Dean Stockwell como Nick Charles Jr em uma imagem estranha
Roderick Andrew McDowall nasceu na Inglaterra em 1928. Seu pai era da Marinha e sua mãe sempre quis ser atriz, e viu no filho a oportunidade de realizar esse sonho. O menino fez sua estreia no cinema aos dez anos, como o irmão de Jessica Tandy em “Murder in the Family”. Com a Segunda Guerra Mundial, toda sua família foi para os Estados Unidos, onde ele conseguiu um papel que equivalia ao de um protagonista como o narrador mirim de “Como era verde o meu vale / How green was my valley” (1941). Da produção desse filme surgiu uma amizade com a atriz Maureen O’Hara que duraria décadas. Também nesse período Roddy conheceu duas outras importantes amigas, as também atrizes infantis Peggy Ann Garner e Elizabeth Taylor que, curiosamente, contracenaram em “Jane Eyre” (1943).  
Robert Dean Stockwell nasceu nos Estados Unidos em 1936. Seu pai foi, no ano seguinte, o dublador do príncipe encantado no longa pioneiro de animação “Branca de Neve e os sete anões”, e sua mãe trabalhava no teatro com o nome de Betty Veronica. Com cara de anjo e sangue artístico na família, ele estreou aos nove anos em "O vale da decisão / The valley of decision" (1945), um filme cheio de estrelas (incluindo Jessica Tandy), e nos mesmo ano esteve ao lado de Gene Kelly, Frank Sinatra e Kathryn Grayson em "Marujos do Amor / Anchors Aweigh". Em dois anos ele voltaria a trabalhar com Gregory Peck, o astro de seu primeiro filme, no excelente "A luz é para todos / Gentlemen's Agreement" (1948) e, antes disso, viveu Nick Charles Jr. em "A canção dos acusados / Song of the thin man" (1946), o último filme do charmoso casal Nick & Nora.
Com o tempo, ambos diversificaram seus ramos de atuação. Aos 20 anos Roddy já era produtor associado de vários filmes, ao mesmo tempo em que atuava na Broadway. Tanto Dean quanto Roddy colecionaram vários papéis na televisão enquanto eram jovens. Antes dos 30 Dean Stockwell conquistou dois prêmios de melhor ator no Festival de Cannes, dividindo ambos com seus colegas de elenco nas maravilhosas produções "Estranha Compulsão / Compulsion" (1959) e "Longa jornada noite adentro / Long day's journey into night" (1962). Nos anos 80, esteve nas aclamadas produções "Paris, Texas" (1984) e "Veludo Azul / Blue velvet" (1986).
Os maiores papéis de Roddy vieram na década de 1960. Em 1963, reunindo-se mais uma vez com sua amiga Liz Taylor, ele interpretou Otávio em "Cleópatra" e só não recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por um erro da Fox, que indicou seu nome como ator principal. O estúdio se desculpou publicamente pelo erro. Cinco anos foram necessários para ele ir do Império Romano ao futuro surpreendente de "O planeta dos macacos / Planet of the apes" (1968), em que ele interpreta o cientista símio Cornelius. A partir daí, a caracterização de macaco virou uma constante em sua vida, participando de mais quatro filmes sobre o planeta dos macacos, nenhum deles à altura do original. Antes disso, ele fez várias séries na televisão.
Esses dois atores não têm em comum apenas o fato de terem sido estrelas infantis bem-sucedidas na idade adulta. Entre 1957 e 1958, McDowall fez na Broadway o papel de Artie Straus em "Estranha compulsão", contracenando justamente com Dean. Quando a história foi adaptada para o cinema, Bradford Dillmann ficou com o papel de Roddy, que estava já em outras peças da Broadway. Os dois também estavam ligados ao mundo da fotografia. Enquanto Roddy publicou cinco livros com suas fotografias, Dean se concentra em montagens digitais e exposições por todo o território americano. O acervo fotográfico da Academia responsável pelo Oscar foi batizado em homenagem a Roddy em 1998. Na atuação, as carreiras dos dois atores voltariam a se cruzar na série de TV "Quantum Leap" (1989-1993), em que Roddy fez uma participação especial e pela qual Dean ganhou um Globo de Ouro.
Roddy continuou muito ligado às artes, inclusive sendo atuante na questão de preservação de filmes. Com 261 trabalhos no currículo, ele faleceu em 1998, aos 70 anos, vítima de câncer de pulmão. Dean não chegou a completar o curso universitário na Califórnia, foi agente imobiliário e até ajudante de padeiro, mas a carreira artística falou mais alto. Com quase 200 trabalhos no currículo, ele continua atuando. Contemporâneos e com muitas coisas em comum, Roddy e Dean são dois bons e raros exemplos de crianças que não se deslumbraram com a fama.
This is my contribution to the Children on Film blogathon, hosted by Jessica at Comet over Hollywood. Come see all the cuteness!

Thursday, May 16, 2013

Howard Hawks: o rei do riso

Alguns diretores ficaram conhecidos por se especializar em um gênero de filme. Assim, Hitchcock é o mestre do suspense, mesmo tendo feito a incomum comédia “Um casal do barulho / Mr and Mrs. Smith” (1941); John Ford é o rei dos westerns, mas não ganhou nenhum de seus quatro Oscar de Melhor Diretor dirigindo caubóis; e Frank Capra sempre esteve pronto para nos fazer rir e refletir. Howard Hawks, como muitos outros, se aventurou em mais de um gênero, mas não importa se eram comédias ou westerns, ele sempre usou muito humor em suas produções.


Sim, Hawks estava por trás de “Levada da Breca / Bringing Up Baby” (1938) e “Jejum de amor / His girl Friday” (1940), mas também foi o responsável por levar às telas “A girl in every port” (1928), “Scarface” (1932), “Sargento York” (1941) e “À beira do abismo / The big sleep” (1946). Com Cary Grant trabalhou em quatro comédias: além das duas já citadas, Hawks e Cary fizeram “A noiva era ele / I was a male war bride” (1949) e “O inventor da mocidade / Monkey Businness” (1952). Seu grande amigo e colaborador, entretanto, foi John Wayne, com quem trabalhou em cinco ocasiões. John foi o responsável pelo discurso no funeral de Hawks, no final de 1977.    
Se “Rio Vermelho” (1948) tem seu momento de subtexto homossexual, “Onde começa o inferno / Rio Bravo” (1959) é o western mais divertido de Hawks. John Wayne e um xerife de pequena cidade que prende o irmão de um homem poderoso e deve mantê-lo na cadeia até a chegada de um juiz. Para essa perigosa tarefa, ele conta com qyatro companheiros muito divertidos: um amigo bêbado e abandonado por uma mulher (Dean Martin), um velho manco (Walter Brennan), um jovem cantor (Ricky Nelson) e uma cantora de saloon (Angie Dickinson). Este filme divertido foi uma resposta venenosa a “Matar ou morrer / High Noon” (1952), pois ambos, Wayne e Hawks, não apreciaram a história do xerife que roda a cidade em busca de ajuda para liquidar três bandidos, sendo que o resultado final em nada agradou Gary Cooper. 
Outra parceria com Walter Brennan que rendeu momentos memoráveis foi em “Uma aventura na Martinica / To have and have not” (1944), em que o personagem de Brennan rouba a cena sempre que aparece, em especial quando pergunta: “você já foi picado por uma abelha morta?” (Was you ever bit by a dead bee?).
“O rio da aventura / The big sky” (1952) também tem seus momentos divertidos, em especial com o inesquecível índio Pobre Coitado (“Poordevil” em inglês, interpretado por Hank Worden) que se junta a Kirk Douglas para transportar uma carga rio acima. A cena da amputação, que é mais engraçada do que se pode imaginar, foi idealizada por Hawks para o filme “Rio Vermelho”, mas John Wayne não aceitou fazê-la. Ao ver como a cena saiu, aqui executada por Kirk Douglas, Wayne se arrependeu de não tê-la feito.

“Hatari” (1962) é uma das poucas produções de Hollywood que se passa na África e, novamente, John Wayne é a estrela. Aqui fica claro desde o começo que havá humor, embora aconteça um grave acidente de caça logo nos primeiros minutos. A chegada da fotógrafa belga Dallas (Elsa Martinelli) causa alvoroço em um grupo de homens que capturam animais para zoológicos. Dallas acaba se tornando a mãe postiça de três adoráveis elefantinhos.  
Algumas das melhores interpretações de Cary Grant vieram em filme de Hawks. Por duas vezes sob a câmera do diretor, Grant se travestiu: com um roupão feminino em “Levada da Breca / Bringing Up Baby” e com todo o uniforme militar feminino e uma peruca em “A noiva era ele / I was a male war bride”.  Charmoso, Grant teve a valiosa ajuda dos excelentes diálogos, marca registrada de vários filmes de Hawks, para criar alguns personagens inesquecíveis.
Um criador de estrelas que deixava atores e atrizes participarem do processo criativo, um galanteador, cunhado de Norma Shearer nos anos 1930. O homem que deixou "Casablanca" (1942) nas mãos de Michael Curtiz para dirigir "Sargento York", Hawks foi ousado, inteligente e alguém a quem os cinéfilos devem vários bons momentos.
This is my contribution to the Howard Hawks blogathon, hosted by Ratnakar at Seetimaar-Diary of a Movie Lover. 

Wednesday, May 8, 2013

Making-off: documentários cinematográficos – Parte 2

E lá vamos nós!

Diabo da Tasmânia: a vida rápida e furiosa de Errol Flynn: Errol viveu apenas 50 anos, mas foi intensamente. Seus amores, escândalos, muitos sucessos e diversas curiosidades estao nesse documentário. Você sabia, por exemplo, que, pouco antes de morre, ele entrevistou Fidel Castro durante a Revolução Cubana?

Hitchcock, Selznick e o fim de Hollywood (1998): Quando David Selznick trouxe Alfred Hitchcock da Inglaterra, o sistema de estúdio estava no auge em Hollywood. Ele assinou contrato com Selznick e fez vários filmes medíocres neste período. Seu apogeu só chega com a decadência do sistema de estúdio.

Um perfil de “Os Sapatinhos Vermelhos” / A profile of “The Red Shoes” (2000): Meia hora é muito pouco para tratar de um filme tão mágico e revolucionário quanto este musical de 1948.

Fellini: eu sou um grande mentiroso (2002): Os colaboradores ainda vivos de Fellini na época foram os destaques deste documentário. Com entrevistas menores dos envolvidos já falecidos, como Mastroianni, Giulietta Masina e o próprio Fellini.

Testemunha imaginária: Hollywood e o Holocausto (2004): O tema é promessa certa de lágrimas nas plateias. Já existente durante o Holocausto mas, como o resto do mundo, alheia a ele, Hollywood produziu filmes incríveis aqui discutidos, entre os quais “A escolha de Sofia” (1982) e “A lista de Schindler” (1993).

A era de ouro da música no cinema: 1965/1975: O cinema como um todo se renovou nos anos 1960 e 1970. Não poderia ter sido diferente com as trilhas sonoras, gerando músicas muito originais e inesquecíveis.

Enfim, o cinema (2011): Aqui os irmãos Lumiére não são o começo, mas o fim da jornada. As técnicas de ilusionismo e animação foram desenvolvidas ao longo do século XIX por grandes cérebros hoje esquecidos, mas que foram fundamentais para a criação do cinema.

O som de Hollywood (2009): Se hoje os filmes são coroados por trilhas sonoras e compositores têm emprego garantido em Hollywood, devemos agradecer ao austríaco Max Steiner. A influência deste brilhante compositor, assim como as características e desafios da profissão, são analisados neste documentário.

Stardust: A história de Bette Davis (2006): Narrado por Susan Sarandon, conta com depoimentos em vídeo e em voz de diversos ícones que conheceram e trabalharam com Bette. Sua vida pessoal também é abordada, com forte presença do filho adotivo Michael e da ex-babá que se casou com seu terceiro marido. Polêmicas à parte, o documentário fica mais rápido e menos detalhado a partir dos acontecimentos da década de 1950.

O possesso Peter Finch (2011): Usando como título a icônica frase que Howard Bale, personagem que rendeu um Oscar a Finch, manda os telespectadores de seu programa gritarem (“Estou possesso e não vou mais aguentar isso!”), o documentário colhe depoimentos de colegas e, em especial, dos familiares para desvendar esse ator australiano com altos e baixos na vida e na carreira.

Olhar Estrangeiro (2006): Este documentário brasileiro mostra como nosso país é visto lá fora. Boa parte dessa visão é refletida nos filmes feitos por estrangeiros sobre nosso país, sempre com uma boa dose de estereótipos. Vários atores e diretores são entrevistados, embora a quantidade de filmes antigos citados seja bem reduzida.

Truffaut, Godard e a Nouvelle Vague (2008): Jovens críticos da Cahiers du Cinéma, descontentes com as produções da época, resolvem começar um tipo diferente de cinema que lhes agrade. Fica latente que Truffaut foi o principal cérebro do movimento e eu, em particular, fiquei morrendo de vontade de colocar minhas mãos em algum exemplar dessa revista histórica.

Para terminar, respondo às 11 perguntas que me foram feitas pela Samy do blog Meu diário vintage:

1. Por que você gosta do seu blog?
Meu blog me aproxima do mundo, das pessoas que gostam das mesmas coisas de que eu gosto ou que estão dispostas a aprender sobre elas. Através dele conheci pessoas excelentes. 
2. Qual foi a intenção ao criá-lo?
Compartilhar curiosidades sobre o mundo do cinema antigo, pois às vezes as partes mais interessantes de um filme são as histórias dos bastidores.
3. Você tem segredos de beleza?
Nunca saio sem batom!
4. Qual ou quais são os livros que você esta lendo no momento?
“O Processo”, de Franz Kafka, e “Max e os felinos”, de Moacyr Scliar
5. Uma música para o presente momento?
Minha música sempre será “My Way”, na voz de Frank Sinatra
6. Você tem alguma historia interessante sobre o seu namoro/noivado/casamento para contar?
Sou solteira.
7. Qual foi o melhor momento pra você, até agora, desse ano de 2013?
A Feira do Livro que aconteceu recentemente (acabou semana passada) foi muito proveitosa. Também fui escolhida para fazer parte de duas coletâneas internacionais de contos. Mas, como sou otimista, acredito que o melhor momento ainda está por vir! : )
8. Como planeja o seu futuro?
Minuciosamente.
9. O que tem sobrando no seu armário no momento?
Coisas que, infelizmente, não posso usar porque está frio.
10. Você acha que se conhece mais ou os outros te conhecem melhor que si mesma?
Eu me conheço mais que os outros, mas mesmo assim ainda me surpreendo.
11. Se fosse outra época, outro lugar, outro espaço... Diga em qual você viveria?
Hollywood nos anos 20 ou Hollywood hoje, durante o TCM Classic Film Festival.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...