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Monday, March 31, 2014

Tudo que sei sobre beisebol, eu aprendi no cinema

Nelly Kelly loved baseball games,
Knew the players, knew all their names.
You could see her there ev'ry day,
Shout "Hurray"
When they'd play.
Her boyfriend by the name of Joe
Said, "To 
Coney Isle, dear, let's go",
Then Nelly started to fret and pout,
And to him, I heard her shout:
Take me out to the ball game,
Take me out with the crowd;
buy me some 
peanuts and Cracker Jack,
I don't care if I never get back.
Let me root, root, root for the home team,
If they don't win, it's a shame.
For it's one, two, three strikes, you're out,
At the old ball game.
Antes de tudo: eu não entendo nada de esportes. Seguindo o bom e velho estereótipo nerd, eu detesto esportes. Por isso, não é de se espantar que eu saiba muito pouco sobre beisebol. E, estando no Brasil, isso talvez não fizesse muita falta para mim, afinal, eu sei um pouco sobre futebol, o esporte favorito da nação. Mas o beisebol é parte importante da cultura americana, e aparece em muitos filmes. Para entendê-los, é necessário saber um mínimo sobre o beisebol. E foi graças a esses filmes que eu aprendi um pouquinho sobre o esporte. Não a ponto de me tornar a Nelly Kelly da música acima, mas...

Gene Kelly e Frank Sinatra interpretaram jogadores de beisebol que eram também artistas de vaudeville em “A Bela Ditadora / Take me out to the ball game” (1949). E foi esse filme que me ensinou que, além de O’Brien, Ryan e Goldberg, citados na música, há outros seis jogadores num time, totalizando nove. E essa música em particular me ensinou também que um jogo de beisebol é dividido em innings. Mas “O’Brien to Ryan to Goldberg” não é a música mais importante do filme. A mais importante é a que dá título ao filme, composta em 1908. A história de Gene e Frank como jogadores de beisebol se passa entre 1909 e 1911, mas a letra que eles cantam para “Take me out to the ball game” é de 1927. Incongruências à parte, essa música é o hino do beisebol.


Também de 1908 é o poema “Casey at the bat” (a letra original de “Take me out...” apresentava Katie Casey, e não Nelly Kelly), adaptado para as telas do cinema mudo e animado pelos estúdios Disney em 1946. A rima divertida não acabou por aí, pois em 1954 Disney atacou de novo com “Casey bats again”, mostrando desta vez o time de beisebol formado pelas filhas de Casey. 

Além de Gene Kelly, havia outros fãs de beisebol em Hollywood. Um dos mais notáveis é Joe E. Brown (segundo meus avós, o apelido dele aqui no Brasil era “boca larga”), mais conhecido pelo papel de Osgood Fielding III em “Quando mais quente melhor / Some like it hot” (1959). Antes de se apaixonar por Jack Lemmon em roupas de mulher, Joe protagonizou filmes sobre beisebol: “De bom tamanho / Elmer the Great” em 1933 e “Alibi Ike” em 1935. Ambos foram adaptados para o rádio poucos anos depois, e Joe reprisou seu papel.


Joe E. Brown fez outro filme sobre beisebol, “Fumo e Fumaça / Fireman, save my children” (1932), mas seu fanatismo pelo esporte ia além das telas: na vida real, ele serviu muitas vezes como radialista em dias de transmissão de jogos. O filho de Joe também era fanático pelo esporte e foi empresário do time Pittsburgh Pirates por mais de 20 anos.

Por falar em comediantes e beisebol, há também a famosíssima sequência “Who’s on First?”, retirada do filme de Abbott e Costello “The Naughty Nineties”, de 1945. Embora eles já tenham feito essa cena anteriormente, aqui ela aparece por completo:

Vamos voltar um pouco no tempo, para o cinema mudo. A comédia era o gênero que mais usava o beisebol, embora o esporte tivesse seu lugar até mesmo nas cinebiografias do período, como “The Babe Ruth Story” (1920), em que o próprio jogador encena sua vida de maneira bem fantasiosa. Já na comédia, Buster Keaton, interpretando um nerd, tenta com muita atrapalhação aprender a jogar beisebol em “Amores de Estudante /College” (1927). E podemos ir um pouco mais longe, com “The Busher” (1919), divertido filme sobre beisebol que traz John Gilbert como antagonista (!).

Se estes filmes todos foram informação demais para você, leitor, não se preocupe. Um único filme é suficiente para transformar qualquer um em perito no esporte. Em menos de oito minutos você pode aprender tudo sobre beisebol... com a Disney:
 This is my contribution to the Big League Blogathon, hosted byTodd at Forgotten Films. Nelly Kelly loved baseball games…

Thursday, March 20, 2014

Casal 20 / Hart to Hart e o ilustre Ray Milland

Charme, elegância, riqueza e assassinato. É essa a receita do sucesso de “Casal 20 / Hart to Hart”. A série se concentra na vida de Jonathan (Robert Wagner) e Jennifer (Stefanie Powers), um casal rico, lindo e que adora viver perigosamente. Exatamente quando estão curtindo a vida, Jonathan e Jennifer se envolvem em algum tipo de crime e sempre, sempre, o solucionam. Na mansão junto com eles vivem o simpático mordomo Max (Lionel Stander) e o cãozinho Freeway.

Um episódio em particular foi muito interessante, por contar com uma participação super especial: Ray Milland. No 12º episódio da terceira temporada, “My Hart Belongs to Daddy”, Ray interpreta Stephen Harrison Edwards, o pai de Jennifer.


No episódio, Jonathan e Jennifer vão visitar o pai dela em uma bela mansão em Washington, afinal, Jennifer já vinha de família rica. Embora simpático, Stephen se mostra distante e não consegue esconder o fato de que algo o está perturbando. Jonathan e Jennifer descobrem que, após a guerra, Stephen e alguns colegas do exército ficaram encarregados de capturar e levar um nazista a julgamento. Agora, o filho deste nazista busca vingança, e começou matando alguns dos homens que participaram desta missão. O pai de Jennifer é o próximo da lista.

O ponto alto do episódio é uma briga no museu, envolvendo Jonathan e o criminoso. Este episódio foi ao ar originalmente em janeiro de 1982. Ray Milland participou de outro episódio, intitulado “Long Lost Love” e exibido em novembro de 1983. Desta vez, Stephen vê Jillian, uma mulher muito parecida com uma enfermeira com quem ele se envolveu durante a guerra, e passa a acreditar que Jillian é meio-irmã de Jennifer. Jillian é interpretada por Samantha Eggar, de “Devagar, não corra / Walk, don’t run” (1966) e “O Fabuloso Dr. Dolittle / Doctor Dolittle” (1969).   

Essas não são as únicas ligações da série com o cinema clássico. As outras ligações aconteciam fora dos estúdios: enquanto Robert Wagner era casado com Natalie Wood, atriz que começou ainda criança e conquistou seu espaço merecido graças ao talento e à beleza, Stefanie Powers tinha um romance com William Holden. Natalie morreu em um acidente no mar, enquanto Holden sofreu uma hemorragia severa após cair e cortar a testa. Há indícios de que ele estaria muito bêbado no momento fatal, mas algumas pessoas acreditam que tanto Natalie quanto Holden foram assassinados. O corpo de William foi encontrado em 20 de novembro de 1981, e Natalie faleceu nove dias depois.
Além das ligações amorosas, os astros marcaram presença no cinema: Robert estreou nos anos 50 e contracenou com alguns dos mestres, como James Cagney em “Sangue por Glória / What Price Glory” (1952) e Barbara Stanwyck, com quem ele pode ou não ter tido um romance, em “Náufragos do Titanic / Titanic” (1953). Ele também esteve no filme cheio de estrelas “O mais longo dos dias / The Longest Day” (1962) e protagonizou a série “O Rei dos Ladrões / It takes a thief” durante três temporadas, na qual seu pai era interpretado por ninguém mais, ninguém menos que Fred Astaire. Desta série participaram também Joseph Cotten e Fernando Lamas.

Stefanie Powers, em seus tempos de adolescente, estudava balé na mesma classe de Natalie Wood. Powers, entretanto, só começou a atuar aos 18 anos, participando de muitas séries de TV. Em 1966 ela esteve no remake de “No tempo das diligências / Stagecoach”, no papel que foi de Louise Platt. Três anos antes, ela esteve nos cinemas com o protagonista original de Stagecoach, John Wayne. Em “Quando um homem é um homem / McLintock!”, ela interpreta a filha de Wayne. Ela também participou de um dos meus guilty pleasures: “As novas aventuras do fusca / Herbie rides again” (1974).      

Lionel Stander, antes de ser o fiel mordomo Max, era o fiel e esperto amigo de Vickie Lester (Janet Gaynor) em “Nasce uma Estrela / A star is born” (1937). Você pode não ter prestado atenção, mas ele esteve em filmes como “O galante Mr. Deeds / Mr. Deeds comes to town” (1936) e “Era uma vez no Oeste” (1968). Ao se tornar alvo de investigações durante a caça aos comunistas, ele saiu dos Estados Unidos e fez carreira na Itália. Lionel faleceu em 1994, e sua morte foi usada na trama de um dos oito filmes que se seguiram à série Hart to Hart.

Ray Milland é um velho conhecido: nascido no País de Gales, fez carreira na Hollywood dos anos 30 trabalhando em comédias. Sua escalação em “Farrapo Humano / The Lost Weekend” (1945), foi uma manobra arriscada de Billy Wilder que deu muito certo, afinal, Ray ganhou o Oscar de Melhor Ator. Depois de ter de deixar seu cabelo cacheado para o filme “Vendaval de Paixões / Reap the Wild Wind” (1942), Ray começou a ficar careca. A partir da década de 70, passou a fazer papéis coadjuvantes, destacando-se em “Love Story” (1970). Ray Milland faleceu em 1986.

Outros atores e atrizes do cinema clássico participaram de Hart to Hart, entre eles Roddy McDowall, Jeanette Nolan, Eva Gabor e Gilbert Roland. A série teve cinco temporadas (1979-1984), oito filmes e muitas reprises. Escrevendo este post, lembrei-me de quanto amo Jonathan, Jennifer, Max e Freeway. Afinal, de uma série criada por Sidney Sheldon, baseando-se em Nick e Nora Charles, só se poderia esperar um bom toque clássico.

This is my contribution to the Big Stars on the Small Screen blogathon, hosted by the always great Aurora at How Sweet it Was. 


Sunday, March 16, 2014

William Powell: nosso detetive favorito

Com seu cabelo preto repartido no meio, seu bigode impecável, seus olhos claros cristalinos na película e seu charme inconfundível, William Powell dominou a década de 1930. Ele foi um dos grandes abençoados com a chegada do som, pois sua voz foi prontamente considerada “afrodisíaca” pelo público feminino. Seu personagem mais famoso do período é o detetive movido a álcool Nick Charles, mas foi outro detetive que solidificou a carreira de Powell.

Assim como muitos homens da lei que foram da literatura para o cinema (I’m looking at you, Sam Spade), Nick Charles fez o mesmo caminho. O livro “A ceia dos acusados / The Thin Man”, de Dashiell Hammett, foi publicado em 1934. Antes disso, entretanto, surgiram as histórias do detetive Philo Vance, de autoria de S. S. Van Dine. Foram ao todo doze livros, publicados de 1926 a 1939, todos com o título genérico “The ? Murder Case”, em que a interrogação era sempre substituída por uma palavra de seis letras. O sucesso dos livros foi tanto que logo eles foram adaptados para o cinema.   


Em “The Canary Murder Case”, Philo Vance aparece para investigar a morte da showgirl apelidada de Canary (Louise Brooks), embora seu nome verdadeira seja Margareth O’Doe. Ela havia anunciado seu noivado com o herdeiro de uma fortuna, Jimmy Spottswoode (James Hall) o que desagradou ao pai dele, Charles (Charles Lane) e aos vários amantes de Canary.

Este primeiro filme de Philo foi gravado como um filme mudo. Bill Powell fez sua estreia no cinema mudo, em 1922, e foi conseguindo papéis cada vez melhores, porém quase sempre como coadjuvante. Pouco antes do lançamento, os executivos da Paramount decidiram transformar a obra em um filme falado, e todo o elenco foi recrutado para dublar suas próprias falas. Louise Brooks não voltou para a dublagem, pois havia se mudado para a Europa, e a atriz Margaret Livingston foi contratada para o serviço. Embora seja difícil de notar que os diálogos foram dublados, pois a sincronização é muito bem feita, é verdade que a voz de Canary não combina muito com sua imagem de flapper interesseira (a pronúncia “dahling” em especial).


O segundo filme, também de 1929, é “The Greene Murder Case”. Aqui, Vance chega a uma casa que vê uma tragédia acontecer no ano novo: o patriarca é morto e uma de suas filhas, baleada. Ele havia acabado de ler seu testamento para os três filhos, a esposa inválida e o médico da família, disputado pelas duas irmãs, Ada (Jean Arthur) e Sibella (Florence Eldridge). Há também os excêntricos empregados, entre eles uma viúva alemã e uma mulher que anuncia o apocalipse. Este filme se destaca pelos incríveis travellings e tomadas aéreas.

Jean Arthur, cujo sobrenome verdadeiro era, por coincidência, Greene, esteve nestes dois primeiros filmes, tendo um papel de menor destaque em “The Canary...”. Além de William Powell, outra presença constante na série de Philo Vance é Eugene Pallette como o sargento Ernest Heath, um policial cheio de teorias ruins para os crimes, mas que sempre busca levar o crédito quando o mistério é solucionado. Isso não torna o personagem antipático, mas sim divertido. Aliás, a adaptação dos livros de S. S. Van Dine foi bem generosa ao tornar também Philo Vance mais simpático.

William Powell apareceu, em 1930, em um esquete de “Paramount on Parade” como Philo.

O terceiro filme não foi feito pela Paramount, mas sim pela MGM, que comprou os direitos de “The Bishop Murder Case” e transformou-o em filme em 1930, com Basil Rathbone como protagonista. Vale lembrar que Rathbone mais tarde faria 15 filmes como Sherlock Holmes. O terceiro da série com William Powell é “The Benson Murder Case”, que, infelizmente, só está disponível em um Box de DVDs.  Neste filme, o acaso faz com que Philo esteja na cena do crime quando um homem que trabalhava na bolsa de valores é assassinado.

A última vez que Powell encarnou Philo Vance foi em “The Kennel Murder Case”, de 1933. Aqui, Philo desiste de uma viagem à Europa com seu cachorro de estimação após saber que um colecionador de antiguidades, que ele vira na tarde anterior em uma competição de cães, cometera suicídio. Sem acreditar em suicídio, hipótese que o sargento Heath abraça de corpo e alma, Philo decide investigar o caso, que envolve inimigos dentro da família e a venda de vasos antigos. O filme conta com a excelente presença de Mary Astor e com a direção do ótimo Michael Curtiz (Malcolm St. Clair dirigiu o primeiro filme da série e Frank Tuttle, seu assistente, os outros dois). Este é considerado o melhor da série de Philo Vance, embora eu também tenha gostado muito de “The Greene Murder Case”.

“The Kennel Murder Case” marca também a tomada de território de William Powell na Warner Brothers, estúdio para o qual havia se mudado em 1931 e que continuaria a série de Philo Vance com Warren William e Eugene Pallette em uma última participação. Powell mudaria de estúdio mais uma vez, e encontraria um lugar ao sol na MGM, onde Nick Charles foi criado. Mas isso já é outra história...



This is my contribution to the Sleuthathon, hosted by the adorable Fritzi at Movies, Silently.

Friday, February 28, 2014

Bolão do Oscar 2014

Chegou o fim de semana mais esperado do ano (para os cinéfilos, é claro)! O Oscar está aí e os nervos estão à flor da pele, não apenas para os indicados, mas também para pessoas que, assim como eu, topam participar de apostas. Seja com firmeza ou jogando um dado para decidir, aí vão minhas apostas para 2014:

MELHOR FILME: 12 Anos de Escravidão

MELHOR ATOR: Matthew McConaughey, por Clube de Compras Dallas

MELHOR ATRIZ: Cate Blanchett, por Blue Jasmine

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jared Leto, por Clube de Compras Dallas

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong'o, por 12 Anos de Escravidão

MELHOR DIRETOR: Alfonso Cuarón, por Gravidade

MELHOR ANIMAÇÃO: Frozen: Uma Aventura Congelante

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Ela, escrito por Spike Jonze

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: 12 Anos de Escravidão

EFEITOS VISUAIS: Gravidade

TRILHA SONORA: Steven Price, por Gravidade

FOTOGRAFIA: Gravidade

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: Let it Go, de Frozen - Música e letra de Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez

FIGURINO: 12 Anos de Escravidão

CABELO E MAQUIAGEM: Clube de Compras Dallas

MELHOR EDIÇÃO: Gravidade

EDIÇÃO DE SOM: Gravidade

MIXAGEM DE SOM: Gravidade

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: A Grande Beleza (Itália)

MELHOR DOCUMENTÁRIO: O Ato de Matar

DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM: The Lady in Number 6: Music Saved My Life

MELHOR CURTA: Avant Que De Tout Perdre (em inglês, Just Before Losing Everything)

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: Get a Horse!


Este post faz parte do Bolão do Oscar do blog DVD, Sofá e Pipoca.



Saturday, February 22, 2014

“Opostos que se atraem: as vidas de Erich Maria Remarque e Paulette Goddard”, de Julie Gilbert

Quando comecei a ler o livro “Opostos que se atraem: as vidas de Erich Maria Remarque e Paulette Goddard”, de Julie Gilbert, confesso que estava mais interessada na estrela de cinema que no escritor. Com o passar das páginas, esta opinião mudou completamente, e fiquei surpresa com o quanto me identifiquei com Remarque, e não apenas por termos o mesmo signo e escrevermos.  Já com Paulette, minha experiência foi diferente, mas também terminei o livro com uma impressão nova sobre ela.
Erich Paul Remark nasceu em Osnabrück, Alemanha, em 22 de junho de 1898. Serviu na Primeira Guerra Mundial, indo para o front durante um mês em 1917. Sofreu ferimentos sem grandes consequências e passou o resto da guerra se recuperando. Alcançou fama mundial com “Nada de Novo no Front”, seu terceiro romance, publicado em 1928. Marion Goddard Levy nasceu em 3 de junho de 1910, em Nova York, foi dançarina do Ziegfeld Follies ainda adolescente, fez pontas no cinema e conquistou a fama em “Tempos Modernos”, de 1936. Embora seus caminhos tenham se cruzado diversas vezes, eles só começaram a se relacionar em 1950, casando-se em 1958.
Remarque sempre teve uma vida muito atrelada ao cinema. Seu best-seller virou filme em 1930 e ganhou dois Oscars. Remarque havia sido, inclusive, convidado a estrelar o filme, mas recusou o convite e o papel principal ficou para Lew Ayres. O autor só viraria ator em outra adaptação de um de seus livros: “Amar e Morrer”, de 1957. Entretanto, em suas várias temporadas nos Estados Unidos, ele se envolveu com Marlene Dietrich, que conheceu ainda na Alemanha, e teve uma espécie de amizade colorida com Greta Garbo.  
Paulette foi moldada por Chaplin, e é imortal graças às suas duas participações em filmes dele (sendo a outra em “O Grande Ditador”, de 1940). Assim como as outras companheiras de cena de Chaplin (Edna Purviance, Lita Grey, Virginia Cherrill...), ela não teve grandes sucessos longe dele, mas conseguiu se manter em Hollywood graças à sua beleza e um jeitinho especial. Foi casada quatro vezes. Seu segundo marido foi Chaplin e o terceiro, o ator Burgess Meredith.
Paulette sabia falar sobre qualquer assunto e parecia esbanjar cultura, mas o tempo todo fiquei com uma sensação de que Paulette era fútil. Caprichosa e apaixonada por joias, ela tratava bem a quem poderia lhe dar algum benefício, e era só. Remarque era um homem, no geral, sério, mas dado ao abuso do álcool. Os trechos do diário de Remarque, nunca antes publicados, são o grande trunfo do livro e trazem muitos esclarecimentos sobre a vida amorosa do autor. Em geral, ele se relacionou com mulheres que prezavam mais sua independência do que o companheirismo com o parceiro, e não digo que isto é de tudo ruim. Mas creio que não gostaria de passar um tempo com Paulette.  
Remarque foi um excelente escritor, e o tema que definiu todas as suas obras tem um quê de autobiográfico: a guerra. Seja nas trincheiras, na volta para casa e readaptação ou no ato de fugir da guerra, os livros do autor sempre estão envoltos no conflito que marcou o século XX para a pátria alemã. Tendo se refugiado na Suíça pouco depois de o partido nazista chegar ao poder, Remarque tinha uma relação estranha com seu país de origem e, mesmo com todas as homenagens, a Alemanha nunca o perdoou totalmente pelo pacifista “Nada de Novo no Front”.
Paulette foi construída por Chaplin, e, no resto da carreira, esperava que houvesse um diretor de mão firme para guiá-la sempre. Assim se deu bem com Cecil B. DeMille, com quem fez três filmes a cores nos anos 40. Um deles, “Vendaval de Paixões / Reap the wild Wind” (1942), foi seu prêmio de consolação por ter perdido o papel de Scarlett O’Hara. Uma das justificativas era que Paulette e Chaplin viviam juntos em 1939, mas não eram casados, e era inaceitável que uma grande estrela vivesse nesta situação “ilegal”. Ela perdeu o papel que 10 entre 10 moças de Hollywood queriam, mas isso não a impediu de se tornar uma diva do cinema, rica e linda (em especial em seus filmes em Technicolor). 
A autora Julie Gilbert, da Universidade de Nova York, foi estimulada a escrever o livro após ler o obituário de Paulette, em 1990. Como ela já tinha desejo de escrever sobre Remarque, morto em 1970, foi aconselhada por Harriet Pilpel, antiga advogada e confidente de Remarque, a unir os temas e escrever um livro sobre os dois. Os capítulos alternam o ponto de referência, e de fato funcionam bem separados: você pode ler só sobre quem lhe interessa. Mas estará perdendo muito: Julie foi indicada ao Prêmio Pulitzer, o que mostra a qualidade do livro.

As fotos bem no meio do livro são espetaculares. Conhecemos a família e os cães de Remarque, a mulher com quem ele se casou duas vezes, Jutta, e temos a rara oportunidade de ver Paulette loira, no começo da carreira, no Ziegfeld Follies e como figurante no cinema. As entrevistas com personalidades de Hollywood, de Luise Rainer a Ruth Albu (companheira de Marlene Dietrich nos palcos alemães), de Douglas Fairbanks Jr a Billy Wilder. Fiquei um pouco chateada apenas com o fato de haver spoilers da maioria dos livros de Remarque. Bem, tirando isso, esta é uma biografia nota dez, que merece ser lida por todos que querem entender melhor a cultura literária e cinematográfica do século XX. 

Saturday, February 15, 2014

Com a palavra, os vencedores

A noite da entrega do Oscar cria novas estrelas, alavanca a carreira de outras e sempre acaba cheia de momentos memoráveis. Quando o vencedor é anunciado, ele geralmente corre emocionado até o palco, segura as lágrimas e agradece a todos, desde à mãe até o maquiador do filme. Alguns discursos, entretanto, fogem à regra e se tornam memoráveis, por serem importantes, emocionantes, ou simplesmente engraçados. Estes são alguns deles:

Hattie McDaniel, Melhor Atriz Coadjuvante por “E o Vento Levou”, 1940: A primeira negra a ganhar o Oscar sequer pôde ir à estreia de seu filme em Atlanta devido às leis segregacionistas. Seu discurso no Oscar, em contrapartida, foi uma bonita premonição:
Humphrey Bogart, Melhor Ator por “Uma Aventura na África”, 1953: Bogie é simples ao agradecer o diretor John Huston e Katharine Hepburn, mas o destaque é o que acontece ao redor: quando seu nome é anunciado, o público vibra e a apresentadora Greer Garson fica muito feliz, tocando no ombro do astro ao lhe dar o Oscar.

Rex Harrison, Melhor Ator por “Minha Bela Dama”, 1965: Sua colega de cena, Audrey Hepburn, ficou em êxtase ao anunciar Rex como vencedor. Ele fez o discurso abraçado a ela, e no final agradeceu às duas “belas damas” (two fair ladies), referindo-se a Audrey e a Julie Andrews, que contracenou com Rex na Broadway e que ganharia o prêmio de Melhor Atriz naquela mesma noite por Mary Poppins.

Ruth Gordon, Melhor Atriz Coadjuvante por “O Bebê de Rosemary”, 1969: Como ela mesma fez questão de citar, ela começou a trabalhar em 1915 como extra. Depois de trabalhar no teatro e escrever roteiros inspirados com o marido, ela se tornou uma velhinha Cult e fez filmes inesquecíveis.

Ingrid Bergman, Melhor Atriz Coadjuvante por “Assassinato no Expresso do Oriente”, 1975: Surpresa por ter vencido mais uma vez, a bela e modesta Ingrid elogiou outra indicada ao prêmio que também estava ótima: Valentina Cortese.

Louise Fletcher, Melhor Atriz por “Um estranho no Ninho”, 1976: Quase todo mundo sabe que Louise fez parte do discurso em língua de sinais para que seus pais deficientes entendessem a emoção do momento. Mas antes ela foi muito sincera e surpreendentemente divertida.

Barbara Stanwyck, Oscar Honorário, 1982: Depois de seguir o protocolo e agradecer a todos que trabalhavam atrás das câmeras, Missy fala com emoção de William Holden, morto no ano anterior, que sempre quis que ela ganhasse o Oscar (seu “Golden Boy”, que é o filme que eles estrelaram em 1939).

Shirley MacLaine, Melhor Atriz por “Laços de Ternura”, 1984: Shirley não economizou nas palavras. Falante e muito divertida, ela elogiou seus companheiros de cena e fez todos rirem muito.

Kate Winslet, Melhor Atriz por “O Leitor”, 2009: Depois de dizer que treinava o discurso desde criança em um pote de xampu, Kate pediu que seu pai assobiasse, agradeceu aos produtores mortos do filme e terminou com uma piada amigável com a sempre indicada Meryl Streep.

Christopher Plummer, Melhor Ator Coadjuvante por “Toda Forma de Amor”,2012: Plummer é o mais velho ganhador do Oscar. Ele decidiu fazer piada sobre isso perguntando à estatueta: “você só é dois anos mais velha que eu. Onde você esteve toda minha vida?”.  

Jean Dujardin, Melhor Ator por “O Artista”, 2012: Na chance que aparece uma vez só na vida, Jean se tornou o primeiro francês a ganhar um Oscar de Melhor Ator. Ele agradeceu à sua inspiração e fundador da Academia, Douglas Fairbanks, e depois extravasou a emoção gritando: merci!

Daniel Day-Lewis, Melhor Ator por “Lincoln”, 2013: O Oscar é o momento em que podemos ver um pouco como os astros são na vida real. Julgando pelo discurso, deve ser ótimo ter Day-Lewis como companhia. Engraçado e adorável, ele arrancou risos da plateia e da apresentadora, Meryl Streep.

P.S. 1: Apenas os que foram receber o Oscar pessoalmente estão nesta lista. Por mais que tenha sido lindo Cary Grant aceitar por Ingrid Bergman em 1957, ele não pôde entrar na lista. E isso também exclui o episódio bizarro de Marlon Brando e sua falsa índia em 1973.

P.S. 2: Apenas atores ganhadores do Oscar entraram na lista. Outros tantos discursos foram lindos e emocionantes, mas o melhor de todos é ESTE.


This is my contribution to the 31 Days of Oscar Blogathon, hosted by Wonder girls Kellee, Aurora and Paula at Outspoken & Freckled, Once Upon a Screen and Paula’s Cinema Club.

Já que estamos falando de vencedores, que tal demonstrarem que gostaram do blog me ajudando em uma premiação? O Crítica Retrô está no TOP 100 de blogs de Arte e Cultura. Para votar no blog, vá no link abaixo ou no símbolo dourado na barra lateral :)

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Friday, February 7, 2014

10 motivos para gostar de cinema clássico

1- A beleza era... diferente: Não era necessariamente natural. Garbo e Rita Hayworth, por exemplo, tiveram de se submeter a várias transformações para se tornarem as divas que conhecemos. Eram cirurgias plásticas primitivas, muitas vezes dolorosas, mas que moldaram os rostos e as carreiras de muitas estrelas. E se há uma coisa que não podemos negar, é que a Golden Age está cheia de belas mulheres (e homens!).
2- A importância dos detalhes: Cada pessoa gosta de prestar atenção em uma coisa enquanto vê um filme. Eu noto o fluir da história, e outros notam os detalhes: os figurinos, os cenários, os penteados. Homens e mulheres se vestiam melhor naquela época, e a moda de décadas atrás ainda pode ser encontrada desfilando nas ruas. E o que falar dos cenários nos épicos e musicais? Cada detalhe era pensado milimetricamente no cinema clássico.
3- Uma nova percepção da história: Quem gosta de filmes antigos normalmente gosta de história. Ou seja, não é uma daquelas pessoas que pensa que a avó vivia nos tempos dos dinossauros. Aos olhos da história, filmes feitos 80 anos atrás são bastante recentes. E com eles você aprende que o mundo não era tão primitivo no início do século passado. É só observar o grau de técnica das filmagens e efeitos especiais em filmes de 1920 ou 1930.
4- Você fica mais esperto: Bons diretores e roteiristas vivem fazendo referências aos clássicos. Conhecê-los faz você entender a piada em Os Simpsons e Modern Family. Mostra que Brian De Palma retirou a sequência do tiroteio na escadaria em “Os Intocáveis / The Untouchables” (1987) de um filme soviético de 1925. E não te deixa pensar que “Shrek Para Sempre” foi super criativo ao mostrar como seria o mundo sem Shrek: a ideia é do clássico mais amado, “A Felicidade não se Compra / It’s a Wonderful Life” (1946).
5- As músicas, ah, as músicas!: Esqueça os refrões idiotas de hoje: músicas com conteúdo podem ser encontradas nos musicais de antigamente. As valsas, operetas, melodias de jazz e fox trot eram cantadas por artistas de verdade, às vezes sem treinamento formal algum, mas com vozes extraordinárias. Ainda há gente boa cantando hoje? Sim, mas as canções do Great American Songbook estão lá no passado, prontas para dialogar com nossas almas.
6- Nada se cria, tudo se copia: Não há novos gêneros no cinema. Tudo o que nós vemos hoje foi criado há mais de 80 anos. Dramas, comédias, musicais, sci-fi, terror, biografia. A gênese de todos os tipos de filmes, de clichês e de técnicas pode ser encontrada na Golden Age. Com a onda dos remakes, então, a originalidade caiu a quase zero. Sabe “A Guerra dos Mundos”, com Tom Cruise? É remake de um filme de 1953, que, por sinal, é bem melhor.
7- Sutileza é tudo: Devo dizer que a sociedade de 50 anos atrás era um pouco retrógrada (assim como, espero, nossa sociedade atual será considerada ultrapassada daqui a 50 anos), e a censura dominou Hollywood de 1934 a 1965, aproximadamente. Com certeza alguns bons filmes deixaram de ser feitos, mas vários assuntos conseguiram ser abordados graças à perspicácia e insistência de roteiristas e diretores, que mascaravam os diálogos e as cenas, passando, assim, com folga pelos idiotas censores.
8- Like fine wine...: Some films just get better with time. É difícil para uma crítica de cinema falar isso, mas os críticos muitas vezes são bestas sem visão. Um espectador de 1938 poderia ler uma crítica negativa de “Levada da Breca / Bringin’ Up Baby” e não iria ver o filme. Assim, perderia uma comédia deliciosa. Algumas produções são à frente de seu tempo, e são necessárias décadas para que alguém aponte a genialidade delas. Vê-las é olhar para o passado sabendo mais que todos que viram o filme na estreia, podendo, assim, apreciá-las melhor. 
9- Ars gratia artis: O lema da MGM, em latim, significa “a arte saúda os artistas”. Nada mais correto que isso, porque os filmes não seriam nada sem atores inigualáveis (que deveriam servir de exemplo para qualquer aspirante), diretores, roteiristas, figurinistas, compositores... Todas essas funções eram diferentes décadas atrás. Havia gente ruim na indústria? Com certeza! Mas, para que tantas obras-primas tenham sido realizadas, tenha a certeza de que equipes talentosíssimas estavam trabalhando nos bastidores.

10- Você estará na companhia de pessoas incríveis: Como eu. Brincadeirinha! Mas é grande a chance de conhecer gente bacana nessa fandom. Na escola, eu nunca conseguia falar sobre os meus filmes favoritos com a galera fútil. Quando eu descobri, na internet, que há pessoas com as mesmas preferências, foi um momento lindo. Porque não são pessoas que se preocupam com futilidades, com popularidade, com pegação. Tirando um ou outro chato saudosista ou um pseudo-cinéfilo, o resto da comunidade é só alegria. Prepare-se para fazer novos melhores amigos!

Friday, January 31, 2014

Minha Vida com Liberace (2013) / Behind the Candelabra (2013)

Espere um momento: o blog não é sobre cinema clássico? O que um telefilme de 2013 está fazendo aqui? “Minha Vida com Liberace” pode ser uma produção moderna, mas tem todo um toque retrô, e inclusive cita muitos filmes e celebridades do cinema clássico, ao tratar de um período importante na vida do primeiro e único pianista showman: o extravagante Liberace.

Wait a minute: isn’t this a classic film blog? What is a made-for-TV movie from 2013 doing here? “Behind the Candelabra” may be a modern production, but it has a retro touch, and even mentions many classic movies and classic film celebrities, as it is set in na importante period of time in the life of the first and only pianist/showman: the extravagant Liberace.

É 1977, e Liberace (Michael Douglas), já um consolidado criador de espetáculos para os olhos e ouvidos, está com 58 anos. Ele é apresentado ao jovem Scott Thorson (Matt Damon), garoto relativamente carente que sonha em ser veterinário. Começa então um relacionamento que vai mudar para sempre a vida de ambos. Scott, que tinha apenas 18 anos quando conheceu Liberace e que foi criado em orfanatos, é apresentado a um mundo de luxo, riqueza, joias e vaidade.    

It’s 1977, and Liberace (Michael Douglas), already a celebrated creator of spectacles for the eyes and the ears, is 58 years old. He is introduced to the young Scott Thorson (Matt Damon), a relatively needy boy who dreams to become a veterinarian. What starts is a relationship that will forever change both lives. Scott, who was only 18 when he met Liberace and was raised in orphanages, is introduced to a world of luxury, richness, jewelry and vanity.   

Liberace começou a tocar piano aos quatro anos, em 1923, mas começou a fazer sucesso só na década de 1940. Do filme “À Noite Sonhamos” (1945) ele tirou a ideia de colocar um candelabro em cima do piano, o que se tornou sua marca registrada. Subvertendo o jeito sisudo dos pianistas, deixando o instrumento mais dinâmico e animado, Liberace conquistou os palcos, os clubes e as telas da televisão. Suas roupas eram exageradas, seu carisma, inigualável, e seu talento, imbatível. Conversava com a plateia enquanto tocava e seus shows eram garantia de ingressos esgotados.

Liberace started playing the piano when he was four, in 1923, but he only rose to fame in the 1940s. From the movie “A Song to Remember” (1945) he took the ide ato place a candelabra over the piano and that became his trademark. Subverting the serious face many pianists have, turning the instrument into something more lively and dinamic, Liberace conquered the stages, the clubs and the TV screens. His clothes were exaggerated, his charisma, without comparison, and his talent, undefeated. He talked to the audience while playing and his shows were always sold out.

Michael Douglas está fantástico como Liberace. Ele realmente mereceu ganhar todos os prêmios da temporada. Exagerada, mas humana, sua interpretação chega a dar um recado para os muitos preconceituosos de Hollywood. Explicando: o filme deveria ser distribuído comercialmente nos cinemas em 2008, mas todos os produtores com quem o diretor Steven Soderbergh conversou se recusaram a financiar e distribuir o filme, dizendo que era “demasiado gay”. E chega a cena em que Liberace conta como sobreviveu a uma grave doença nos rins. A frase é impactante:

“Sei que minha vida não teria sido poupada se ser gay é o pecado que a igreja diz ser.”

Michael Douglas is fantastic as Liberace. He really deserved to win all the awards from this season. Exaggerated, but human, his portrayal even sends a message to the many prejudiced people in Hollywood. Let me explain: the film was supposed to premiere in cinemas in 2008, but all the producers with whom director Steven Soderbergh talked refused to finance and distribut the movie, saying it was “too gay”. And then there is the scene when Liberace tells how he survived a serious kidney ailment. The sentence is here to make impact:

I knew my life would not have been spared if being gay was the sin the Church said it was”.

Mesmo com 42 anos, Matt Damon está bem como o jovem Scott (a idade dele não é revelada no filme). Outro que se destaca é Rob Lowe, com a aparência mais bizarra possível para viver um cirurgião picareta, ao mesmo tempo cômico e trágico. Muita maquiagem foi necessária para caracterizar os dois atores. O filme foi distribuído nos cinemas europeus, o que rendeu a Matt uma indicação ao Bafta de Melhor Ator Coadjuvante. Por falar em coadjuvante, outra que tem boas cenas é Debbie Reynolds, irreconhecível como a mãe de Liberace. Debbie chegou a conhecer o pianista e sua família, inclusive participando de especiais dele para a TV. E as coincidências não param por aí: o único ator de Hollywood presente no funeral de Liberace era ninguém mais ninguém menos que Kirk Douglas.

Even though he is 42 years old, Matt Damon is very good as the young Scott (his age isn’t mentioned in the movie). Another highlight is Rob Lowe, looking as bizarre as possible to become a bad plastic surgeon, at the same time comic and tragic. A lot of make-up was necessary to create their looks. The film premiered in European cinemas, that’s why Damon was nominated to a Bafta in the Best Supporting Actor catergory. Since we’re talking about supporting actors, another one with good scenes is Debbie Reynolds, unrecognizable as Liberace’s mother. Debbie got to know the pianist and his family, even appearing in some of his TV specials. And the coincidences don’t stop there: the only Hollywood actor to attend Liberace’s funeral was none other than Kirk Douglas.
 

O filme é tão bom que até o cachorro ganhou um prêmio, mesmo estando presente em uma só cena: Baby Boy, o poodle cego de Liberace, ganhou o Palm Dog Award no Festival de Cannes. O telefilme também foi o grande vencedor do Emmy, com prêmios em categorias técnicas e também de atuação. De fato, o cuidado com os detalhes é incrível, e os cenários são de deixar qualquer um boquiaberto. Se todo o luxo durante o filme não fosse suficiente, há também os lindos pianos em miniatura que aparecem nos créditos finais. Eu queria comprar todos eles!

The movi eis so good that even the dog won an award, even though he was in only one scene: Baby Boy, Liberace’s blind poodle, won the Palm Dog Award at the Cannes Film Festival. The made-for-TV movie was also the big winner at the Emmys, with awards in both technical and acting categories. For real, the attention to details is amazing, and the sets will make anyone speechless. If all the luxury of the film wasn’t enough, there are also the gorgeous miniature pianos in the closing credits. I wish I could buy all of them!

Baseado no livro de Scott Thorson, “Behind the Candelabra” pode ser o último trabalho de Steven Soderbergh, responsável pela trilogia dos “11 homens e um segredo”, “Erin Brockovich” e “Sexo, Mentiras e Videotape”, além de produtor de sucessos como “Precisamos falar sobre o Kevin”. Em uma entrevista enigmática, ele disse que vai se retirar por um tempo e voltará se tiver se reinventado como diretor. Esperamos que, assim como fazia Liberace, ele volte de maneira triunfal.

Based on Scott Thorson’s book, “Behind the Candelabra” may be Steven Soderbergh’s last work. He was responsible for the new “Ocean’s 11” trilogy, “Erin Brockovich” and “Sex, Lies and Videotape”, and produced successes such as “We Need to Talk About Kevin”. In na enigmatic interview, he said he’ll retire for a while and come back if he’s able to reinvent himself as a director. We hope that, like Liberace, he manages to have a triumphant comeback.  


This is my contribution to the Steven Soderbergh Blogathon, hosted by Ratnakar at Seetimar – Diary of a Movie Lover.
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