Tradutor / Translator / Traductor / Übersetzer / Traduttore / Traducteur / 翻訳者 / переводчик

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

The Penalty (1920)

Quando vi a cinebiografia de Lon Chaney, “O Homem de Mil Faces” (1957) fiquei muito impressionada com a sequência, recriada com perfeição pelo ator James Cagney, em que Lon grava uma cena do filme “The Miracle Man”, de 1919. Neste filme, Lon se faz passar por um aleijado que é curado por um médium ou algo do tipo. Mas uma tragédia surge: o filme está perdido. Existem apenas alguns minutos de filmagem, e nesses minutos nem é Lon que mais brilha, mas sim o garotinho que é curado:

When I saw Lon Chaney's biopic, “The Man of aThousand Faces” (1957), I was very impressed with a sequence, recreated with perfection by James Cagney, in which Lon records a scene from the film “The Miracle Man”, from 1919. In this film, Lon pretends he is a crippled man who is cured by a spiritualist. But a tragedy strikes: this film is lost. There are only a few minutes available, and in these minutes Lon isn't even the best in scene: the little boy who is cured has all the attention:

Triste com a impossibilidade de ver e escrever sobre “The Miracle Man”, escolhi um filme feito no ano seguinte, e tive uma boa surpresa. “The Penalty”, já adianto, é maravilhoso. E se eu queria um Lon Chaney aleijado, pelo menos isso eu consegui.

Saddened by the impossibility of writing about “The Miracle Man”, I chose a film released the following year, and I had a good surprise. “The Penalty”, I already say, is superb. And, if I wanted a crippled Lon Chaney, at least this I got.
Um garotinho, não creditado, sofre um acidente de carro. O médico, Dr. Ferris (Charles Clary), erroneamente amputa as duas pernas do menino na altura dos joelhos. A vida da criança está arruinada por um erro médico. O menino cresce e, por incrível que pareça, ele se torna Blizzard (Lon Chaney), uma mente maligna que, talvez por sua incapacidade de andar, deseja se vingar dominando a cidade de San Francisco. Em sua casa, ele emprega dezenas de moças em uma manufatura de chapéus e também cria seu plano maligno com a ajuda de alguns capangas.

A little boy, uncredited, is involved in a car crsah. Doctor Ferris (Charles Clary), cuts off the boy's legs by mistake. The child's life is ruined by a mistake. The boy grows up and, as odly as it may seem, he becomes Blizzard (Lon Chaney), an evil mind who, maybe because of he is unable to walks, wants revenge by dominating the city of San Francisco. At his house, he has dozens of girls making hats, and also creates his evil plan with the help of some minions.
Quem vai investigar os negócios de Blizzard é Rose (Ethel Grey Terry), enviada pelo policial Lichtenstein (Milton Ross). Infiltrada na manufatura, ela logo se torna a favorita de Blizzard e começa seu dilema: ela deve cumprir sua missão ou deixar a compaixão pelo criminoso falar mais alto?

The person who investigates Blizzard's business is Rose (Ethel Grey Terry), sent by the police officer Lichtenstein (Milton Ross). Working undercover in the small factory, she soon becomes Blizzard's favorite, and her dilemma starts: does she have to finish her job or let her compassion for the criminal win over it?
A outra moça da história é Barbara (Claire Adams, não creditada), aspirante a escultora e filha do doutor Ferris. Um informante de Blizzard descobre que ela está procurando um modelo para sua escultura com o sugestivo nome “Satã depois da queda”. Blizzard consegue o “emprego” e vai se aproximando de Barbara, intercalando conversas sobre arte com palavras doces. O doutor Ferris, agora um médico respeitado, conseguirá salvar a filha do homem que só pensa em vingança?

The other girl in the story is Barbara (Claire Adams, uncredited), a wannabe sculptor who is also Doctor Ferris's daughter. A man paid by Blizzard finds out that she is looking for a model for her sculpture suggestively named “Satan Afther the Fall”. Blizzard gets the “job” and becomes closer to Barbara, talking about art and saying nice things to her. Could Doctor Ferris, now a well-known physician, save his daughter from the man who only thinks about revenge?
A primeira coisa a se destacar é como Lon Chaney se torna um aleijado. Com próteses nos joelhos, apoiado em muletas, ele sobe e desce rampas, degraus e inclusive senta em uma cadeira. Tudo como se realmente tivesse sido amputado. Na verdade, Chaney usava uma complexa técnica de amarrar as duas pernas e encaixar as próteses. Ele só podia ficar dez minutos assim, antes que a dor se tornasse insuportável. A expressão maligna, misto de ódio e sofrimento, em parte veio dessa grande provação. E os resultados foram duradouros, para o bem e para o mal. Para o mal, porque Chaney machucou alguns nervos permanentemente (ainda que haja controvérsias sobre esses danos). E para o bem, porque o resultado foi tão realista que foi necessário acrescentar uma cena em que Lon aparece andando normalmente, para que o público ficasse convencido de que o ator não era aleijado. Hoje esta cena se perdeu, mas creio que o público moderno sabe que Chaney tinha as duas pernas. 
  
The first thing to notice is how Lon Chaney becomes his crippled character. With prostheses in his knees, leaning on crutches, he goes up and down ramps, stairs and even sits on a chair. Everything done like a real amputee. Actually, Chaney used a complex technique that involved tying his two legs together and fitting them in the protheses. He could only stay ten minutes in this postion before pain became unbearable. His evil expression, a mix of hate and suffering, came partly from this probation. And results were lasting, for good and bad. For bad, because Lon hurt some nerves permanently (although there are controversies about these damages). And for good, because the result was só realistic that they had to add an extra scene with Lon walking normally, to convince the public that he was not really handicapped. Today this scene is lost, but I believe the modern audiences know that Lon Chaney has two legs. 
A reação de Blizzard, fazer parte do submundo do crime para se vingar do doutor Ferris e da sociedade em geral, pode até parecer exagerada, mas se olhada a fundo não é. Creio que pessoas que precisam amputar um membro sofrem até voltarem a ter uma vida normal. Mas Blizzard, além de perder as duas pernas, ainda ouve os médicos falando que a dupla amputação não era necessária, em uma cena que já imprime emoção logo no começo do filme. E devemos nos lembrar de que estamos na década de 1920, época em que ainda existia muito preconceito e “circos dos horrores” palpitavam em turnê pelo interior do país. Nada de acessibilidade, fisioterapia ou grupos de apoio a amputados: a única perspectiva de Blizzard era passar a vida trancado em casa.

Blizzard's reaction, becoming part of the underworld to seek revenge against Doctor Ferris and society as a whole, may even seem exaggerated but, looked closely, it is not. I believe that people who have to cut off a body part suffer a lot until they return to “normal life”. But Blizzard, besides losing his two legs, still hears the doctors saying that the double amputation wasn't necessary, in a scene that already adds emotion in the beginning of the film. And we must remember that these are the 1920s, a time when there was still a lot of prejudice and “freak shows” were on tour through the country. No accessibility, physical therapy or support groups for amputees: Blizzard's fate would be spending his life locked at home.
O filme surpreende a cada minuto. Por si só, o fato de haver tantos personagens em uma produção de 1920 é de se espantar, e o roteiro impede a confusão ao deixar cada personagem restrito a um ou dois ambientes. A mente de Blizzard, por sua vez, precisaria de um filme próprio para ser analisada. Uma de suas atividades favoritas é tocar piano, e para isso ele precisa de uma das funcionárias da manufatura para apertar os pedais. Ele é louco por música, e não será o último vilão do cinema com essa característica. E seu plano de dominação é incrível. Para não estragar a surpresa, digo apenas que envolve passagens secretas, um laboratório, bombas e desordem total. A sequência em que Blizzard explica seu plano, aliás, é detalhada e bem longa.

The film surprises us every single minute. The fact alone that there are so many characters in a 1920 production is surprising, and the script avoids confusion because each character is restrict to one or two scenarios. Blizzard's mind, on the other hand, would need a whole film to be studied. One of his favorite activities is to play the piano, and to do it he needs one of his employees to press the pedals. He loves music, and wouldn't be the last villain in film history with such a passion. And his domination plan is amazing. Without spoiling anything, I'll only mention that it has secret passages, a lab, bombs and chaos. The sequence in which Blizzard explains his plan is very detailed... and long.
Foi com “The Penalty” que Lon ganhou prestígio no meio cinematográfico e se consolidou como um camaleão das telas. O homem que mais tarde seria o fantasma da ópera (e olhe que em “The Penalty” o personagem faz uma curiosa menção a queimaduras com ácido...) deu frescor a um filme que se mostra produto de sua época, mas que envelheceu bem graças a Lon Chaney.

It was with “The Penalty” that Lon earned prestige in Hollywood and consolidated his image as a chameleon of the screen. The man who later played the phantom of the opera (and take a note that in “The Penalty” his character mentions acid burnings...) gave life to a movie that is a product of its time, but one that aged well thanks to Lon Chaney.

"The Penalty" pode ser assistido no YouTube ou no Internet Archive.

"The Penalty" can be watched on YouTube or Internet Archive.

This is my contribution to the Chaney Blogathon, hosted by Fritzi at Movies,Silently and Jo at The Last Drive-In. A weekend of 1000 faces!


13 comentários:

Pedrita disse...

anotado. embora não me identifique muito com filmes melodramáticos. beijos, pedrita

monstergirl disse...

Wonderful review of The Penalty. It's one of my favorite films of Chaney. Blizzard was a very powerful figure. I love that you brought up the part about his resembling Satan... Very insightful overview... We're so thrilled to have you with us for the Chaney Blogathon. Thank you for such a great piece! Cheers Joey

Iza disse...

Não assisti ainda. Para ser sincera, nem conhecia o ator. Mas, achei impressionante a foto dele como aleijado - desculpe o termo chulo. Lembrei de você - aliás, sempre quando assisto algum filme antigo, lembro de você - quando assisti De Repente, no Último Verão, com a Liz Taylor, Kat Hepburn e o Montgomery Clift (não sabia que ele era tão gatinho).
Beijos <3

Fritzi Kramer disse...

I second Jo, this is one of my favorite Chaney films. Thanks so much for the great breakdown!

Barry P. disse...

Nice post! Talk about suffering for your art. This is one of my favorite Chaney performances, which compares favorably to his work in The Unknown and West of Zanzibar.

FlickChick disse...

Le - Chaney is amazing as Blizzard! I was so happy that you chose to write about this film - a real treat. As always, a wonderful job.

Silver Screenings disse...

I can't believe I haven't seen this one. It sounds like an AMAZING Chaney performance. Thanks for reviewing it and encouraging people like to me to see it.

Tsu disse...


Olá Lê!
Valeu por ter curtido a sessão cosplay e a personagem! Eu ando meio sumida da blogosfera devido á correria e um monte de coisas mas logo logo espero recuperar esse tempo perdido e voltar á me dedicar ao blog, trazendo novidades!
bjs

Joe Thompson disse...

Thank you, Lê. This was wonderful. I have a special love for The Penalty because it was set in my home town. Blizzard is a very complicated character for an 1920 movie. Thank you for sharing. Sorry my comment is in English. I think Portugese is a beautiful language.

Kristina D disse...

sorry to repeat a comment I've made elsewhere but it's true: I haven’t seen that many silents but have seen ALL Chaney’s, from being impressed by Phantom I wanted to see all of his that are available. The Penalty is very interesting,and one of his very best roles. thanks!

Danielle Crepaldi Carvalho disse...

Que incrível, Lê!
Você escrevendo cada vez melhor, e encontrando cada vez mais pérolas. Conheço pouco de Chaney. Esse The penalty me é completamente estranho... Onde você o encontrou? O filme parece se aproveitar bem desta mentalidade de época, ao procurar uma leitura verossímil para a mente de um indivíduo aleijado por acaso. Curiosa para vê-lo!

Bjs
Dani

Suzane Weck disse...

Em primeiro lugar meus cumprimentos pela excelente postagem...Em segundo devo admitir que cada vez me surpreende mais tuas pesquisas e tua sapiência ao escrever os textos,e resumos dos filmes.Tirando o Chapéu para você querida LÊ.Beijo.SU

Marlene M disse...

Maravilhosa postagem!!!Que ótimo texto sobre este personagem tão complexo interpretado pelo grande ator Lon Chaney. Obrigada!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...